Moçambique contabilizava 494.955 agentes de moeda electrónica no final do segundo trimestre de 2026, mais 27.333 do que no trimestre anterior, reforçando os serviços financeiros móveis como principal canal de inclusão financeira no País.
Os agentes permitem realizar pagamentos, transferências e levantamentos através de serviços como M-Pesa, e-Mola e M-Kesh, sem necessidade de recorrer a uma agência bancária tradicional.
No total, incluindo a banca tradicional, o País passou a contar com 532.761 pontos de acesso a serviços financeiros no final de Junho, mais 44.861 em relação ao primeiro trimestre.
A cidade de Maputo concentrava o maior número de pontos de acesso, com 87.833, seguida de Nampula, com 78.089, e da província de Maputo, com 74.168.
A rede bancária mantinha presença em 128 distritos, equivalentes a 82,6% do total nacional. No final do trimestre, o sistema incluía ainda 650 agências bancárias, 1.291 ATM e 31.316 terminais POS.
Os dados constam dos relatórios de inclusão financeira do Banco de Moçambique referentes ao segundo trimestre de 2026.
A moeda electrónica amplia inclusão financeira e actividade económica
A expansão para quase 500 mil agentes de moeda electrónica aumenta significativamente o acesso da população a serviços financeiros, sobretudo nas zonas onde a presença de bancos e caixas automáticos continua limitada. A possibilidade de realizar levantamentos, pagamentos e transferências através de agentes locais reduz custos e distâncias para famílias e pequenos negócios.
Do ponto de vista económico, a expansão da moeda electrónica pode facilitar a circulação de dinheiro na economia, apoiar o comércio informal e tornar mais simples o pagamento de salários, serviços e pequenas transacções. Para os pequenos comerciantes, a existência de meios de pagamento digitais também pode reduzir a dependência do numerário e criar um histórico de transacções que, no futuro, poderá facilitar o acesso a outros serviços financeiros.
O crescimento da rede pode ainda contribuir para uma maior formalização gradual da actividade económica, à medida que mais transacções passam pelos sistemas financeiros. Contudo, o número de agentes, por si só, não garante inclusão financeira efectiva. Persistem desafios relacionados com cobertura de rede, literacia financeira, segurança das transacções, custos e confiança nos serviços digitais.
A evolução mostra, assim, uma transformação do sistema financeiro moçambicano: o telemóvel tornou-se uma das principais portas de entrada da população no sistema financeiro, complementando a banca tradicional e permitindo que os serviços cheguem a comunidades onde a abertura de agências bancárias seria economicamente mais difícil.



