Apenas 15% da população moçambicana tem capacidade financeira para manter um pacote de dados activo num dispositivo móvel. A estimativa foi apresentada por Sónia Jorge, Directora Executiva da Global Digital Inclusion Partnership, durante a apresentação da proposta da estratégia “Internet para Todos”, em Maputo.
Segundo dados da GSMA citados pela especialista, Moçambique conta actualmente com cerca de 5,6 milhões de subscritores individuais de internet móvel, numa população estimada em 36 milhões de pessoas.
Os dados da União Internacional das Telecomunicações (UIT) apontam, por outro lado, para cerca de 20% da população com acesso à internet. Este indicador inclui pessoas que utilizam a internet em escolas, locais de trabalho, centros comunitários e outros pontos de acesso público.
A pobreza continua a ser uma das principais barreiras à inclusão digital. Mais de 80% da população vive com menos de três dólares por dia, o que limita a capacidade de muitas famílias suportarem os custos dos serviços digitais.
Sónia Jorge questiona também os indicadores de cobertura apresentados pelas operadoras de telecomunicações. Embora seja apontada uma cobertura próxima de 90%, a utilização efectiva da internet continua bastante abaixo desse nível.
Segundo a especialista, muitas pessoas possuem smartphones, mas não mantêm pacotes de dados activos. Em vários casos, os aparelhos são utilizados sobretudo como câmaras ou apenas quando existe acesso gratuito à internet.
A responsável classificou esta realidade como “conectividade marginal”. Muitos cidadãos conseguem aceder à internet ocasionalmente, mas sem qualidade, regularidade ou capacidade financeira suficientes para aproveitar plenamente os serviços digitais. A desigualdade também se manifesta entre homens e mulheres. Apenas 16% a 18% das mulheres conectadas têm acesso considerado significativo à internet, segundo os dados apresentados.
A especialista defende, por isso, medidas específicas para reduzir a desigualdade digital de género. O custo do acesso representa uma parcela significativa do rendimento de muitas mulheres.
Para Sónia Jorge, a inclusão digital não deve ser medida apenas pelo número de pessoas ligadas à rede. O objectivo deve ser garantir que a internet permita aceder a informação, desenvolver negócios, criar oportunidades e melhorar as condições de vida.
A estratégia “Internet para Todos”, implementada pelo Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique (INCM), estabelece metas até 2030. Entre as prioridades estão o aumento da utilização da internet, a expansão da literacia digital, a criação de mais pontos de acesso público e a melhoria da qualidade e da acessibilidade dos serviços de conectividade.
Fonte: Lusa



