A Gemfields anunciou os resultados do mais recente leilão de rubis da Montepuez Ruby Mining (MRM), em Moçambique. A operação gerou uma receita total de 52 milhões de dólares e deverá reforçar a liquidez da empresa. Os fundos serão utilizados para apoiar a continuidade das operações durante um período marcado por desafios operacionais e financeiros.
Dos 99 lotes colocados à venda, 90 foram vendidos. A taxa de venda atingiu 90,9%, demonstrando uma procura internacional consistente pelos rubis moçambicanos.
No total, foram disponibilizados 102.099 quilates, dos quais 92.153 foram vendidos. O preço médio alcançou 564,54 dólares por quilate.
Procura mantém-se apesar dos desafios
A MRM tem enfrentado dificuldades que afectaram os níveis de produção e o fluxo de caixa. Entre os principais factores estão a mineração ilegal, interrupções relacionadas com segurança e uma recuperação de rubis abaixo do esperado.
A empresa aponta também desafios associados ao comissionamento da segunda unidade de processamento, conhecida como PP2. A composição da qualidade dos rubis e atrasos nos reembolsos do IVA também condicionaram a actividade.
Apesar destas limitações, os resultados do leilão mostram uma procura internacional sólida por diferentes tamanhos e qualidades de rubis. O volume comercializado, contudo, ficou abaixo do registado em alguns leilões realizados nos anos anteriores.
Mineração ilegal continua a preocupar
Segundo a Gemfields, a MRM enfrenta incursões frequentes de mineiros ilegais na área de concessão. A empresa estima que mais de 1.000 pessoas entrem diariamente no local.
A situação representa riscos para trabalhadores, prestadores de serviços e comunidades locais. A actividade ilegal também pode afectar a preservação dos recursos minerais e reduzir as taxas de recuperação.
A empresa considera que a mineração ilegal não contribui para o desenvolvimento sustentável da província. Entre os impactos apontados estão a exposição das comunidades à exploração e a redução das receitas fiscais que poderiam ser arrecadadas pelo Estado.
Receitas apoiam continuidade das operações
Os 52 milhões de dólares obtidos no leilão representam uma importante fonte de financiamento para as operações da MRM nos próximos meses. A Gemfields e a MRM afirmam que continuam a acompanhar a situação e a manter o diálogo com as autoridades governamentais.
As empresas estão também a avaliar medidas de contingência para responder aos desafios operacionais e financeiros. A manutenção de operações estáveis é considerada importante para preservar empregos, gerar receitas públicas e manter programas de desenvolvimento comunitário.
Os rubis vendidos foram extraídos em Moçambique pela MRM. A empresa é detida em 75% pela Gemfields e 25% pela Mwiriti Limitada, uma empresa moçambicana.
A totalidade das receitas do leilão será repatriada para a MRM em Moçambique. Os royalties devidos ao Governo moçambicano serão pagos com base no valor total das vendas realizadas no leilão.
Moma entre os grandes depósitos de rubis
A MRM está localizada no nordeste de Moçambique, numa das mais importantes áreas de depósitos de rubis descobertas nas últimas décadas. A operação é gerida pela Gemfields, que detém 75% da empresa.
A Gemfields é especializada na exploração de pedras preciosas de cor. Além de Moçambique, a empresa opera a mina de esmeraldas Kagem, na Zâmbia, onde também possui uma participação de 75%.
A empresa desenvolveu um sistema próprio de classificação e uma plataforma de leilões que contribuíram para transformar o comércio internacional de pedras preciosas de cor.
A Gemfields afirma ainda investir em projectos nas áreas da saúde, educação e melhoria dos meios de subsistência das comunidades próximas das suas operações, além de apoiar iniciativas de conservação e projectos através da Gemfields Foundation.



