Os accionistas da australiana South32 aprovaram, em 15 de Outubro de 2026, a venda dos activos da cadeia de valor do alumínio à americana Alcoa Corporation por até 5,6 mil milhões de dólares. A transacção deverá ser concluída em Junho de 2027, estando ainda sujeita às aprovações regulatórias.
A Mozal, maior instalação industrial de Moçambique, não está incluída nos activos abrangidos pelo negócio. A fundição, detida em 63,7% pela South32, permanece em regime de conservação e manutenção desde Março de 2026.
A suspensão ocorreu após o fracasso das negociações sobre o fornecimento de energia eléctrica à unidade. A South32 considerou insustentável a tarifa proposta, apontando os custos de energia como um dos principais factores que inviabilizam a continuidade da produção.
A energia representa cerca de um terço dos custos da Mozal. A empresa defendia uma tarifa próxima de 51 dólares por megawatt-hora, enquanto a proposta apresentada chegou aos 100 dólares.
A paralisação teve impacto significativo na produção. No exercício fiscal de 2026, a produção de alumínio caiu 30%, para 248 mil toneladas, enquanto as vendas recuaram 22%, para 275 mil toneladas.
A South32 estimou ainda em 122 milhões de dólares os custos extraordinários associados à suspensão, incluindo indemnizações, rescisões contratuais e perdas relacionadas com inventários.
A Mozal necessita de cerca de 950 MW para operar continuamente. O fornecimento era assegurado pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa através da rede da Eskom, cujo contrato terminou em Março.
Entretanto, a Industrial Development Corporation (IDC) da África do Sul lançou, em Junho, um concurso para contratar consultores independentes que avaliem uma eventual aquisição da participação da South32 na Mozal e a viabilidade da retoma da produção.
A South32 considera que a venda dos restantes activos de alumínio permitirá concentrar o grupo em metais de base, enquanto o futuro da Mozal permanece dependente da resolução dos desafios energéticos e da definição de uma solução sustentável para a fundição.
Fonte: Lusa



