Friday, October 23, 2026
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Vulcan defende transformação do carvão em energia para impulsionar industrialização

A Vulcan defende que Moçambique transforme parte do carvão mineral e dos resíduos mineiros em electricidade e produtos de maior valor acrescentado. A empresa considera que os custos de transporte e a volatilidade dos preços internacionais limitam a rentabilidade da exportação directa.

Segundo Chivambo Mamadhusen, das Minas de Moatize, a empresa produz cerca de 25 mil toneladas de carvão por mês para o mercado interno. A Vulcan produz cerca de 45 milhões de toneladas por ano em Tete, mas enfrenta limitações no escoamento.

Os preços do carvão continuam abaixo dos máximos registados em 2022 e 2023. O carvão metalúrgico, que chegou a ultrapassar 400 dólares por tonelada, situa-se actualmente entre 220 e 250 dólares, enquanto o carvão térmico voltou a superar os 105 dólares.

Para Mukesh Kumar, CEO da Vulcan, os custos logísticos tornam pouco competitiva a exportação de carvão térmico a partir de algumas zonas de produção. O transporte pode representar 50 a 55 dólares por tonelada.

A empresa propõe, por isso, aproveitar os resíduos gerados pelas minas para produzir electricidade. A intenção é contribuir para o abastecimento nacional e criar capacidade para fornecer energia a países como Zâmbia, Zimbabwe e Malawi.

A Vulcan defende que a transição energética deve considerar o défice de electricidade existente no país. A empresa propõe uma combinação de carvão, energia hídrica, solar e eólica para garantir maior estabilidade no fornecimento.

Industrialização pode reduzir importações

A transformação local também foi defendida por Francisco Pegado, director da Cimentos de Moçambique. Segundo o responsável, a produção nacional de clínquer permitiu eliminar cerca de 100 milhões de dólares em importações anuais.

A empresa já exporta cimento para as Comores e Mayotte e iniciou recentemente a exportação de clínquer para o Zimbabwe.

Os exemplos apresentados reforçam a importância de transformar matérias-primas dentro do país. A aposta poderá reduzir importações, criar novas actividades industriais e abrir oportunidades de exportação.

No sector do carvão, o aproveitamento dos resíduos para geração de energia poderá diversificar as fontes de receita e reduzir a dependência dos preços internacionais.

A concretização desta estratégia dependerá, contudo, da viabilidade económica dos projectos, investimento em infra-estruturas e capacidade de produzir energia a preços competitivos.

Fonte: o País

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