Wednesday, November 4, 2026
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Gás de Cabo Delgado: da descoberta à industrialização, qual é o ponto de situação?

Moçambique já exporta gás natural liquefeito através do Coral Sul, enquanto os projectos Mozambique LNG e Coral Norte avançam para novas etapas de execução. O Rovuma LNG permanece na fase de preparação do investimento, deixando por concretizar grande parte da capacidade de produção prevista para a Bacia do Rovuma.

Os quatro principais projectos apresentam níveis de desenvolvimento distintos:

ProjectoCapacidade anualPonto de situaçãoPróximo marco
Coral Sul – Área 43,4 milhões de toneladasEm produção comercial desde 2022. Já exportou mais de 175 carregamentos de LNG.Manter a produção e as exportações.
Mozambique LNG – Área 113,1 milhões de toneladasObras retomadas em Janeiro de 2026, após cerca de quatro anos e meio de suspensão. O progresso era de 40% no anúncio da retoma; uma análise da Wood Mackenzie, em Outubro, estimou cerca de 45%.Primeira produção prevista para 2029.
Coral Norte – Área 43,55 milhões de toneladasProjecto aprovado e com decisão final de investimento. A unidade flutuante apresentava 72% de execução, segundo o INP. A campanha de perfuração começou a 1 de Novembro de 2026.Concluir a perfuração e iniciar produção em 2028.
Rovuma LNG – Área 418,6 milhões de toneladasEm preparação para a decisão final de investimento. Foram seleccionados empreiteiros e adjudicados contratos preliminares de cerca de 1,1 mil milhões de dólares.FID prevista para 2026 e produção projectada para 2031.

Da produção à industrialização

O Coral Sul é, até ao momento, o único dos quatro projectos a produzir e exportar LNG a partir da Bacia do Rovuma. Com a entrada em operação do Coral Norte, Moçambique deverá elevar a capacidade de exportação de LNG para aproximadamente sete milhões de toneladas anuais. A contribuição dos dois projectos terrestres — Mozambique LNG e Rovuma LNG — poderá ampliar substancialmente essa capacidade na próxima década.

No entanto, a industrialização nacional continua a depender de uma questão central: a transformação de parte dos recursos de gás em matéria-prima para actividades económicas dentro do país. A disponibilização de gás para centrais eléctricas, fertilizantes, petroquímica e outras indústrias exige infra-estruturas, contratos de fornecimento, preços competitivos e decisões de investimento específicas. A capacidade de exportação, por si só, não garante o desenvolvimento de uma cadeia industrial nacional.

No conteúdo local, há avanços concretos, como a participação da ENH–Saipem na perfuração offshore do Coral Norte. Ainda assim, importa avaliar quanto dos contratos, equipamentos, serviços e empregos associados aos megaprojectos está efectivamente a beneficiar empresas e trabalhadores moçambicanos.

O que ainda está por cumprir

PrioridadeDesafio
ProduçãoConcluir as obras de Afungi e os projectos offshore dentro dos calendários anunciados.
FinanciamentoConfirmar a FID do Rovuma LNG e assegurar a execução dos investimentos previstos.
IndustrializaçãoCriar condições para fornecer gás à indústria nacional e desenvolver actividades de transformação.
Conteúdo localAumentar a participação de empresas moçambicanas em contratos de maior valor e complexidade técnica.
Emprego e formaçãoConverter as oportunidades temporárias da construção em competências técnicas e empregos sustentáveis.
Receitas públicasTransformar a produção e as exportações em receitas fiscais e benefícios económicos efectivamente realizados.

A situação actual mostra que Moçambique ultrapassou a fase exclusivamente exploratória e já entrou na produção comercial de LNG. Contudo, a concretização do potencial industrial da Bacia do Rovuma permanece em aberto. O desafio já não consiste apenas em extrair e exportar gás, mas em garantir que os investimentos contribuam para desenvolver fornecedores nacionais, criar novas indústrias e ampliar a base produtiva da economia.

Fontes principais: INP — Projectos; ENH — Coral Norte; INP — Financiamento do Coral Norte; ExxonMobil — Rovuma LNG; Wood Mackenzie — Análise do sector.

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