Tuesday, April 21, 2026
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Área 4: GNL moçambicano chega a Singapura

Um novo carregamento de Gás Natural Liquefeito proveniente da Área 4 da Bacia do Rovuma chegou a Singapura, reafirmando o posicionamento crescente de Moçambique como exportador de referência de energia no mercado asiático e consolidando o papel estratégico do Coral Sul na cadeia global de GNL.

A plataforma flutuante Coral Sul FLNG, operada pelo consórcio da Área 4 sob liderança da Eni, registou mais um marco significativo nas suas operações de exportação, com a chegada de um carregamento de Gás Natural Liquefeito (GNL) moçambicano a Singapura um dos principais hubs energéticos da Ásia e ponto nevrálgico do comércio de GNL no continente.

A notícia sublinha a continuidade e regularidade das exportações da única plataforma de GNL actualmente em produção em Moçambique, desde o arranque das operações em Novembro de 2022. Desde então, o Coral Sul exportou já mais de 123 carregamentos de GNL e 17 de condensado para os mercados asiático e europeu.

O Coral Sul e a Área 4

A plataforma Coral Sul opera em águas ultra profundas na Bacia do Rovuma, na Área 4, a mais de 60 quilómetros da costa de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. A área é operada pela Mozambique Rovuma Venture (MRV) consórcio detido pela Eni, ExxonMobil e China National Petroleum Corporation (CNPC), que detém uma participação de 70% no Contrato de Concessão para Pesquisa e Produção da Área 4.

A regularidade dos carregamentos para Singapura e outros destinos asiáticos reflecte a solidez dos contratos de longo prazo estabelecidos para o projecto. A Eni tem um contrato de compra e venda de longo prazo assinado com a BP Poseidon, que cobre os volumes totais de GNL produzidos pelo projecto Coral Sul FLNG.

Singapura como destino estratégico

A chegada de GNL moçambicano a Singapura não é um facto isolado é o reflexo de uma estratégia comercial orientada para os mercados de maior crescimento de consumo energético do mundo. A cidade-estado funciona simultaneamente como destino final de consumo e como plataforma de redistribuição para outros mercados asiáticos, tornando-a um parceiro de escoamento de elevado valor estratégico para Moçambique.

Este posicionamento ganha maior relevância num contexto em que a Europa continua a reduzir a sua dependência do gás russo e a diversificar fontes de abastecimento, enquanto a Ásia acelera a transição energética com recurso ao GNL como combustível de ponte.

Contexto: Um sector em expansão acelerada

O carregamento para Singapura ocorre num momento de particular dinamismo para o sector do GNL em Moçambique. O projecto Coral Norte desenvolvido em conjunto pela Eni, CNPC, ENH, Korea Gas Corporation e XRG (subsidiária da Abu Dhabi National Oil Company) chegou à sua Decisão Final de Investimento, com um valor de 7,2 mil milhões de dólares e capacidade de produção anual de cerca de 3,55 milhões de toneladas, com início previsto para 2028.

Uma vez concluído, o Coral Norte juntamente com o Coral Sul já operacional elevarão a produção de GNL de Moçambique para cerca de 7 milhões de toneladas por ano, consolidando a posição do país como um dos maiores produtores de GNL do mundo.

Um estudo da consultora Deloitte concluiu que as reservas de GNL de Moçambique representam receitas potenciais de 100 mil milhões de dólares, destacando a importância internacional do país na transição energética.

Receitas para o Estado

O impacto económico das exportações de GNL para o erário público moçambicano é já uma realidade tangível. Moçambique arrecadou 206 milhões de dólares do primeiro projecto de GNL produzido pela plataforma Coral Sul. Com a entrada em operação do Coral Norte em 2028, o projecto deverá gerar cerca de 23 mil milhões de dólares em receitas fiscais para Moçambique nos próximos 30 anos.

A chegada de GNL moçambicano a Singapura é, assim, muito mais do que uma operação logística. É a confirmação de que Moçambique está, carregamento a carregamento, a construir o seu lugar no mapa energético global.

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