O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia de Moçambique cresça 2% em 2027, segundo o mais recente relatório sobre as Perspectivas Económicas Regionais da África Subsariana. A projecção fica acima das estimativas para Lesotho, de 0,8%, e África do Sul, de 1,3%, mas coloca Moçambique entre as economias de crescimento mais lento da região.
A previsão do FMI é, contudo, superior à estimativa do Governo moçambicano. O Executivo projecta um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,6% em 2027, acompanhado por uma redução da inflação média anual para 7%.
Moçambique cresce abaixo da maioria da SADC
Na Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), a maioria das economias deverá apresentar um desempenho superior ao de Moçambique.
O Botswana deverá crescer 2,2%, enquanto o Malawi deverá atingir 2,3%. Para o Zimbabwe, o FMI prevê 3,5%, seguido de Eswatini, com 3,7%, Madagáscar, com 4,4%, e Zâmbia, com 4,9%.
A Tanzânia deverá apresentar o crescimento mais elevado entre os países analisados, com uma expansão de 5,9% do PIB real em 2027.
Os dados mostram que, apesar da recuperação prevista para Moçambique, o ritmo de crescimento continuará relativamente baixo face a vários países vizinhos.
Desempenho também é fraco entre os PALOP
Entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), Moçambique também deverá apresentar um dos crescimentos mais baixos.
Segundo as projecções do FMI, apenas São Tomé e Príncipe deverá crescer menos, com 1,9%. Angola deverá registar 3,3%, Guiné-Bissau 4,9% e Cabo Verde 5%.
O cenário coloca Moçambique perante o desafio de acelerar a actividade económica e transformar a recuperação prevista em crescimento mais consistente.
África Subsaariana deverá crescer 4,5%
A nível regional, o FMI prevê um crescimento da economia da África Subsaariana de 4,5% em 2026 e 2027.
Segundo a instituição, o desempenho deverá beneficiar do ajustamento da oferta mundial, de receitas favoráveis das exportações em alguns países e de reformas realizadas anteriormente, que ajudaram a reduzir os efeitos dos choques externos.
O FMI alerta, contudo, que a média regional esconde diferenças significativas entre os países. As economias pobres em recursos naturais deverão enfrentar uma desaceleração, enquanto os países ricos em recursos naturais deverão demonstrar maior resiliência.
A inflação mediana da região deverá aumentar de 3,4% em 2025 para 4,3% em 2026 e 5% em 2027.
Dívida e riscos externos pressionam economias
O FMI considera que a consolidação orçamental realizada antes da guerra e a redução dos rácios da dívida pública constituem avanços importantes. No entanto, os elevados encargos com juros, a escassez de reservas em vários países e a redução da ajuda externa continuam a limitar a capacidade de resposta a novos choques.
Os riscos para a região permanecem predominantemente negativos. Entre as principais ameaças estão novas perturbações no fornecimento de energia, reavaliações da dívida soberana, cortes adicionais na ajuda externa e fenómenos meteorológicos extremos associados ao El Niño.
Perante este cenário, o FMI recomenda políticas que apoiem a consolidação orçamental e preservem as receitas extraordinárias provenientes das matérias-primas. A instituição defende igualmente que os governos devem direccionar o apoio para as famílias vulneráveis e combater a inflação persistente.
Investimento produtivo é apontado como prioridade
O FMI considera que a protecção do investimento produtivo será fundamental para aumentar a capacidade de resistência das economias africanas.
A instituição recomenda também políticas destinadas a estimular o desenvolvimento do sector privado. Segundo o organismo, estas medidas poderão reduzir o impacto financeiro de futuros choques e contribuir para melhorar o nível de vida das populações no longo prazo.
Para Moçambique, as projecções reforçam o desafio de transformar os recursos naturais e os investimentos previstos em maior crescimento económico, emprego e desenvolvimento do sector privado.



