Tuesday, March 17, 2026
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Governo prevê crescimento económico de apenas 3% em 2025

O governo de Moçambique reviu em baixa as suas previsões de crescimento económico para 2025, apontando agora para um intervalo entre 2,9% e 3,0%. Este valor é significativamente inferior às estimativas anteriores, que previam um crescimento de 4,7%. A informação foi avançada pela Ministra das Finanças, Carla Louveira, durante uma audiência com a directora-adjunta do Departamento Africano do Fundo Monetário Internacional (FMI), Andrea Richter Hume, realizada esta semana em Maputo.

A revisão em baixa surge num contexto de desafios fiscais e económicos. O Cenário Fiscal de Médio Prazo 2025-2027, divulgado em junho do ano passado, previa um crescimento de 5,5% para 2024 e 4,7% para 2025, após a economia ter crescido 5,0% em 2023. No entanto, fatores como a redução no desempenho do setor extrativo, efeitos climáticos na agricultura e dificuldades nos setores de transportes e comunicações foram decisivos para a correção das previsões.

Além da desaceleração do crescimento, o governo estima agora que a inflação possa estabilizar-se em 7,0% em 2025, valor superior às previsões anteriores. O Cenário Fiscal de Médio Prazo 2025-2027 indica que a inflação deverá manter-se entre 4,5% e 5,5% no período de 2025-2027, alinhada com o objetivo de manter a inflação em dígitos únicos, embora sujeita a pressões de choques de oferta e aumentos nos preços das commodities, especialmente alimentos e energia.

O encontro com o FMI ocorreu numa altura em que se avalia o desempenho económico do país no âmbito do Programa de Facilidade de Crédito Alargado. O FMI expressou preocupação com a atual situação fiscal de Moçambique, especialmente em relação à arrecadação de receitas, racionalização da despesa pública, massa salarial, dívida pública e outros pagamentos em atraso. Andrea Richter Hume, diretora-adjunta do Departamento Africano do FMI, enfatizou a disponibilidade do Fundo em continuar a apoiar Moçambique no novo ciclo de governação 2025-2029.

A Ministra das Finanças destacou os progressos na relação com o FMI, salientando que o país já realizou quatro avaliações bem-sucedidas e recebeu desembolsos acumulados de 330 milhões de dólares (20,8 mil milhões de meticais).

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