A Subvenção Regional MOSASWA reforça a acção transfronteiriça e a parceria para acelerar a eliminação da malária na África Austral
Moçambique, África do Sul e o Reino da Suazilândia reafirmaram o seu compromisso comum com a eliminação da malária através do lançamento da nova subvenção MOSASWA, uma iniciativa transfronteiriça coordenada concebida para reduzir a transmissão da malária e proteger os ganhos conseguidos à custa de muito esforço em toda a África Austral.
A iniciativa MOSASWA, que abrange Moçambique, África do Sul e Suazilândia, reconhece que a malária não pára nas fronteiras. A transmissão desloca-se com as pessoas, os parasitas e, cada vez mais, com os fenómenos meteorológicos extremos, tornando a coordenação regional indispensável para atingir a eliminação.
A nova fase do MOSASWA é apoiada por um investimento catalítico de 24 milhões de dólares, reunindo 8 milhões de dólares do Fundo Global, 12 milhões de dólares da Fundação Gates e 5,5 milhões de dólares de apoio da Goodbye Malaria, sob um mecanismo único e unificado. Este alinhamento visa reforçar o impacto, melhorar a coordenação e manter o impulso rumo à eliminação da malária na região.
O lançamento decorreu em Maputo, Moçambique, e foi liderado pelo Ministro da Saúde de Moçambique, Dr. Ussene Hilário Isse. O evento contou com a presença de representantes dos Ministérios da Saúde de Moçambique, África do Sul e Suazilândia, bem como de líderes regionais de saúde, parceiros técnicos, sociedade civil, doadores, parceiros de implementação e representantes do sector privado.

Este renovado compromisso aprofunda a colaboração transfronteiriça no corredor MOSASWA, uma das áreas mais estrategicamente importantes para a eliminação da malária na África Austral. A acção coordenada entre países vizinhos é determinante para combater a transmissão transfronteiriça da malária, reforçar a vigilância e chegar às populações móveis e mais isoladas.
De acordo com Sherwin Charles, Director Executivo da Goodbye Malaria, “a iniciativa MOSASWA demonstra que eliminar a malária exige mais do que acção nacional; exige uma coordenação eficaz entre países, o alinhamento dos investimentos e a utilização estratégica dos dados.”
Charles sublinhou que, quando o controlo da malária é coordenado em ambos os lados de uma fronteira, o impacto deixa de ser incremental para se tornar exponencial. O modelo MOSASWA demonstra que é possível traduzir financiamento, parceria e foco operacional em resultados concretos e sustentáveis, mesmo perante desafios como a mobilidade populacional, a escassez de recursos e os fenómenos climáticos extremos.
Por sua vez, o Ministro da Saúde, Dr. Ussene Hilário Isse, salientou os progressos alcançados e os objectivos futuros: “As evidências são claras: em Moçambique, registamos reduções significativas nos casos de malária, com destaque para 65,5% na Província de Maputo, 94,3% em Gaza e 58,1% em Inhambane. Estes resultados reflectem o impacto de uma resposta coordenada numa região onde a malária não conhece fronteiras. Com o reforço da iniciativa MOSASWA, visamos acelerar a redução da incidência em 40% até 2028 e atingir a eliminação ao nível distrital em áreas-chave, consolidando um caminho sustentável para uma região livre de malária.”
A parceria MOSASWA já produziu resultados sólidos, incluindo reduções significativas nos casos de malária no sul de Moçambique e uma redução de quase 50% nos casos importados para a África do Sul e a Swazilândia. A nova subvenção contribuirá para manter este progresso através de intervenções transfronteiriças dirigidas, de uma vigilância reforçada e de uma maior cobertura das populações vulneráveis, móveis e remotas.
Neste contexto, Luís Fortunato, Director Regional da Goodbye Malaria, sublinhou o papel determinante da cooperação regional: “A malária não reconhece fronteiras, e é precisamente por isso que a nossa resposta não pode ser isolada. A cooperação entre Moçambique, Suazilândia e África do Sul é essencial para travar a transmissão e impedir a importação de casos entre países. Moçambique continua a registar a mais elevada incidência da doença na região, o que torna este esforço conjunto ainda mais crítico para garantir que os progressos alcançados se mantenham no médio e longo prazo.”

Para Peter Sands, Director Executivo do Fundo Global, a colaboração regional continua a ser essencial: “A acção coordenada, como a que o MOSASWA representa, pode salvar vidas e reforçar os esforços de eliminação. O que está a ser desenvolvido na África Austral oferece lições valiosaspara o resto do mundo.”
O lançamento ocorre num momento de crescente risco de malária associado às alterações climáticas. Na sequência das graves inundações que atingiram Moçambique no início de 2026, o Fundo Global aprovou 2,1 milhões de dólares em financiamento de emergência para apoiar a pulverização residual intradomiciliária e a aplicação de larvicidas nas províncias de Maputo e Gaza, onde o risco de transmissão de malária aumentou acentuadamente. Disponibilizado através da plataforma MOSASWA, este apoio permite uma resposta rápida e coordenada dirigida às áreas de maior risco e às populações deslocadas.
O sector privado continua a desempenhar um papel relevante neste esforço, contribuindo com recursos, inovação, advocacia e dinâmica operacional para a resposta à malária. A contribuição da Goodbye Malaria para o MOSASWA ilustra o poder da liderança do sector privado africano no apoio às prioridades regionais de saúde e na aproximação dos países à eliminação. Este compromisso é reforçado por uma rede de parceiros do sector privado, incluindo a Vodacom Moçambique e a Nando’s, cujo apoio continuado demonstra o que se torna possível quando os negócios, a criatividade e o propósito se mobilizam ao serviço da saúde pública.
Conferência Mundial sobre Malária
A par do lançamento do MOSASWA, Maputo acolheu a Conferência Mundial sobre Malária, um encontro de alto nível que reuniu líderes governamentais, especialistas em saúde global, agências técnicas e representantes da filantropiaropia, da implementação, da advocacia e do sector privado.
A conferência examinou o que é necessário para avançar na eliminação da malária num contexto de recursos limitados, choques climáticos, financiamento em mudança e transformação acelerada. Os debates centraram-se em como tornar a resposta à malária mais eficaz, reforçar a liderança dos países, integrar a inovação, potenciar um financiamento mais inteligente e eficiente, e construir as parcerias necessárias para atingir a eliminação.
Em conjunto, o lançamento do MOSASWA e a Conferência Mundial sobre Malária foram concebidos para ir além da celebração dos progressos. Demonstraram como a eliminação da malária liderada por África, apoiada por uma sólida colaboração regional e por parcerias sustentadas, pode produzir resultados com relevância muito para lá da África Austral.



