Monday, August 17, 2026
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Moçambique e ECA reforçam agenda de cooperação com foco no emprego, industrialização e execução

Moçambique e a Comissão Económica das Nações Unidas para África (ECA) estão a preparar uma nova fase de cooperação, mais orientada para resultados concretos e para a execução das prioridades nacionais de desenvolvimento, com destaque para a criação de emprego, industrialização, agricultura, recursos naturais, infra-estruturas e reforço da capacidade institucional.

A orientação resulta do encontro entre o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, e uma delegação da ECA liderada pelo seu Secretário Executivo, Claver Gatete, durante a recente missão da instituição a Maputo. A visita surgiu na sequência de um convite formulado pelo Presidente da República, Daniel Chapo, a Gatete, à margem da Cimeira da União Africana, com o propósito de aproximar o apoio técnico da ECA das prioridades nacionais de desenvolvimento. (O.Económico)

Durante as conversações, Salim Valá apresentou a arquitectura de planeamento do Governo, assente na Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE) 2025–2044, no Programa Quinquenal do Governo (PQG) 2025–2029, em estratégias sectoriais de dez anos, no Cenário Fiscal de Médio Prazo, no Plano Económico, Social e Orçamento do Estado (PESOE) e no Programa Integrado de Investimentos 2026–2030.

Apesar da existência destes instrumentos, o ponto central das discussões foi a necessidade de transformar o planeamento em resultados concretos. A ECA colocou a execução no centro da agenda, defendendo a importância de converter planos em investimentos, produção, empregos e melhoria efectiva das condições de vida.

Neste sentido, a ECA manifestou disponibilidade para apresentar ao Governo uma plataforma digital de planeamento e acompanhamento da implementação, apoiar estudos de viabilidade em sectores prioritários e mobilizar especialistas para ajudar a identificar e eliminar constrangimentos à execução.

A criação de empregos constitui uma das principais prioridades apresentadas por Moçambique. Salim Valá destacou a necessidade de promover um crescimento económico capaz de absorver mão-de-obra em grande escala, sobretudo perante uma população predominantemente jovem. Agricultura, pequenas e médias empresas, indústria transformadora, turismo, construção e serviços foram identificados como sectores com potencial para gerar emprego.

A cooperação deverá igualmente reforçar a ligação entre a modernização agrícola e a indústria transformadora, de modo a aumentar o valor acrescentado da produção nacional. Entre os exemplos apresentados estão a utilização do algodão como base para a indústria têxtil, o caju para processamento, o girassol para produção de óleo, as frutas para processamento, conservação e exportação, e o milho e a soja para cadeias de alimentação animal. (O.Económico)

A ECA destacou, neste contexto, a necessidade de seleccionar produtos com capacidade de escala, organizar produtores, reforçar a formação e desenvolver infra-estruturas como sistemas de irrigação, energia e estradas, criando cadeias de valor capazes de ligar a produção aos mercados.

Os recursos naturais também ocupam um lugar importante na nova agenda. Moçambique possui gás natural, carvão, grafite, areias pesadas, rubis, ouro e outros recursos minerais, mas o desafio passa por transformar essa riqueza em maior benefício económico interno, aumentando os encadeamentos entre a indústria extractiva e o restante tecido económico.

Esta orientação está alinhada com uma prioridade já defendida pelo Presidente Daniel Chapo: a transformação dos recursos naturais em base para a industrialização do país. Em Maio, durante a 12.ª Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique, o Chefe do Estado defendeu uma mudança de paradigma, passando da simples exploração dos recursos para uma lógica de transformação económica e social, com impacto na indústria, emprego e prosperidade. (MIREME)

As infra-estruturas e os corredores de transporte constituem igualmente uma área de atenção. Os corredores de Maputo, Beira e Nacala poderão ser utilizados não apenas para facilitar o trânsito de mercadorias destinadas aos países do hinterland, mas também como corredores de desenvolvimento da economia moçambicana, ligando áreas agrícolas, centros industriais, cidades, recursos naturais e mercados nacionais.

Neste quadro, o Programa Integrado de Investimentos 2026–2030 poderá assumir um papel importante na priorização, preparação e promoção de projectos, distinguindo aqueles que já apresentam maturidade para procurar financiamento dos que ainda necessitam de estudos, estruturação ou reformas.

A transformação digital foi também integrada no diálogo. Salim Valá destacou a criação do Ministério das Comunicações e Transformação Digital e o crescente uso da tecnologia nos serviços públicos, inclusão financeira, transparência e aproximação entre o Estado e o cidadão, defendendo igualmente o potencial da tecnologia como sector gerador de negócios, emprego e produtividade.

A ECA defendeu ainda a necessidade de concentrar esforços em projectos com maior capacidade de impacto sobre emprego, produção, exportações, produtividade e receitas públicas. A organização poderá apoiar Moçambique através de estudos de viabilidade, conhecimento técnico, plataforma de monitoria, identificação de constrangimentos e acompanhamento da implementação dos projectos.

A nova abordagem pretende aproximar duas realidades económicas que ainda se relacionam de forma insuficiente: de um lado, os grandes projectos ligados ao gás, carvão, alumínio, areias pesadas e outros recursos; do outro, milhões de pequenos produtores, microempresas e actividades informais.

A aposta passa por criar pontes entre esses dois segmentos através de fornecedores nacionais, agricultura ligada à indústria, pequenas e médias empresas integradas nos corredores, formação orientada para a procura empresarial, processamento de recursos naturais, tecnologia e financiamento direccionado para a produção.

Com esta nova agenda, Moçambique e a ECA procuram colocar a cooperação menos centrada na produção de planos e mais orientada para a implementação, assegurando que o planeamento, financiamento, investimento e execução resultem em empregos, empresas, cadeias de valor e novas oportunidades económicas para o país.

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