Wednesday, June 24, 2026
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Na era da ia, execução continua a vencer estratégia

A Howard Johnson Associates Mozambique Lda. tem um percurso consolidado no mercado moçambicano. O que explica essa consistência ao longo do tempo, e o que mudou de forma mais relevante na maneira como a empresa cria e entrega valor hoje, em comparação com a fase inicial?

A consistência da Howard Johnson Associates Mozambique (HJAM) resulta sobretudo da capacidade de adaptação às mudanças do mercado e da aposta contínua em soluções alinhadas com as necessidades reais das organizações. A empresa começou com um foco mais operacional em serviços de contact center e relacionamento com clientes, mas evoluiu progressivamente para uma abordagem mais integrada, combinando experiência do cliente, gestão de risco, tecnologia e suporte ao desenvolvimento institucional e empresarial.

Ao longo do tempo, mudou também a forma como criamos valor. Hoje trabalhamos menos numa lógica puramente transaccional e mais como parceiros de transformação, ajudando organizações a melhorar eficiência, comunicação com clientes, capacidade de execução e tomada de decisão. A digitalização, a análise de dados e a integração de soluções tecnológicas passaram a ter um peso muito maior no nosso modelo de actuação.

Consultoria é um termo que cobre um espectro muito amplo, desde estratégia de gestão até transformação digital ou consultoria fiscal. Onde se posiciona a Howard Johnson Associates Mozambique Lda. nesse espectro e que tipo de cliente-tipo tem mais a ganhar com o vosso trabalho?

A HJAM posiciona-se na intersecção entre consultoria operacional, experiência do cliente, gestão de risco e transformação de processos suportados por tecnologia. Trabalhamos sobretudo com organizações que precisam de melhorar a relação com os seus clientes, optimizar operações, reforçar mecanismos de controlo ou estruturar canais de comunicação e atendimento mais eficientes.

Os sectores com maior aderência ao nosso trabalho incluem serviços financeiros, telecomunicações, sector público, utilities, seguros, comércio e organizações de desenvolvimento. Em muitos casos, apoiamos clientes que estão numa fase de crescimento, reorganização ou expansão e que necessitam de soluções pragmáticas, adaptadas à realidade operacional do mercado moçambicano.

O Nandio Durão construiu a sua carreira em diferentes contextos e experiências ao longo do tempo. Que aprendizagens dessa trajectória têm hoje maior impacto na forma como lidera e pensa a Howard Johnson Associates Mozambique Lda. em Moçambique?

Uma das principais aprendizagens da minha trajectória foi perceber que crescimento sustentável depende menos de ideias isoladas e mais da capacidade de execução, adaptação e construção de equipas. Trabalhar em diferentes contextos e sectores permitiu-me entender que mercados como o moçambicano exigem soluções práticas, flexíveis e financeiramente sustentáveis.

Outra aprendizagem importante foi a necessidade de equilibrar visão estratégica com proximidade operacional. Em ambientes em transformação constante, liderar implica criar estruturas capazes de responder rapidamente às mudanças, sem perder foco na qualidade, na confiança e na relação de longo prazo com clientes e parceiros.

II.  MOMENTO ACTUAL DO SECTOR

Se tivesse de fazer um diagnóstico honesto do sector da consultoria em Moçambique hoje não apenas a área em que a Howard Johnson Associates Mozambique Lda. actua, mas o mercado no seu conjunto, o que diria? O que já funciona, o que ainda falta, e o que está a travar o progresso? 

O sector da consultoria em Moçambique evoluiu significativamente nos últimos anos, sobretudo em áreas ligadas à transformação digital, compliance, risco, eficiência operacional e desenvolvimento institucional. Existe hoje uma procura maior por soluções mais especializadas e orientadas para resultados concretos.

Ao mesmo tempo, continuam a existir desafios estruturais. Em muitos casos, o mercado ainda privilegia abordagens muito centradas em relatórios e pouco focadas na implementação efectiva. Existe também uma necessidade crescente de desenvolver talento local especializado e de aproximar mais a consultoria da realidade operacional das organizações.

Outro desafio importante é a velocidade da transformação tecnológica. Muitas empresas reconhecem a necessidade de modernização, mas ainda enfrentam limitações ao nível de processos, cultura organizacional ou capacidade de investimento para implementar mudanças em escala.

O mercado de consultoria em Moçambique é dominado em grande parte por grandes grupos internacionais com operações locais. Como é que uma subsidiária de grupo internacional compete, diferencia e retém talento nesse contexto?

Competir num mercado onde operam grandes grupos internacionais exige clareza de posicionamento e profundo conhecimento do contexto local. Acreditamos que a proximidade operacional, a capacidade de adaptação e o entendimento das dinâmicas do mercado moçambicano continuam a ser factores muito relevantes.

Ao mesmo tempo, procuramos combinar essa proximidade com práticas, metodologias e soluções alinhadas com padrões internacionais. Em vez de competir apenas por escala, focamo-nos em capacidade de execução, flexibilidade e construção de relações de longo prazo.

A retenção de talento passa também por criar ambientes onde as pessoas tenham oportunidade de crescimento, aprendizagem contínua e exposição a projectos diversificados.

A digitalização dos serviços de consultoria, incluindo ferramentas de análise de dados, automação de processos e inteligência artificial, está a mudar a forma como o trabalho é feito. Como é que a Howard Johnson Associates Mozambique Lda. está a incorporar estas ferramentas, e o que isso significa para os consultores júnior?

De facto, a digitalização está a transformar profundamente a forma como os serviços de consultoria e relacionamento com clientes são concebidos e executados. Na Howard Johnson temos vindo a incorporar progressivamente ferramentas de automação, análise de dados, reporting inteligente e soluções digitais que permitem melhorar eficiência e qualidade de decisão.

A inteligência artificial terá um impacto crescente, sobretudo em tarefas repetitivas, análise de informação e apoio operacional. No entanto, acreditamos que o elemento humano continuará a ser determinante, especialmente em áreas que exigem interpretação contextual, relacionamento, negociação e capacidade estratégica.

Para os consultores júnior, isso significa que competências técnicas continuarão importantes, mas capacidade analítica, adaptabilidade e pensamento crítico tornar-se-ão ainda mais relevantes.

III.  PESSOAS, CULTURA & LIDERANÇA

A Howard Johnson Associates Mozambique Lda. tem vindo a evoluir em dimensão e estrutura ao longo do tempo. O que é que essa evolução revela sobre o modelo que escolheram? E de que forma a gestão da organização se transformou à medida que a empresa foi ganhando escala?

Nossa evolucao reflecte uma opção deliberada por um modelo de crescimento gradual, adaptável e orientado para sustentabilidade operacional. Ao longo do tempo, percebemos que, num mercado em transformação constante como o de Moçambique, a capacidade de ajustar estruturas, serviços e equipas é tão importante quanto o crescimento em si.

Inicialmente, a organização operava com uma estrutura mais centralizada e fortemente orientada para execução operacional. À medida que os projectos se tornaram mais complexos, os sectores atendidos mais diversificados e os clientes mais exigentes, tornou-se necessário evoluir para um modelo mais estruturado, com maior especialização funcional, reforço de mecanismos de gestão e integração crescente de tecnologia e análise de dados.

Hoje, a gestão da empresa procura equilibrar agilidade operacional com visão estratégica de longo prazo. Isso implica investir mais em processos, liderança intermédia, monitoria de desempenho e desenvolvimento de competências internas, criando uma organização mais preparada para escalar de forma consistente e responder a oportunidades em diferentes mercados e sectores.

Formar consultores em contextos com diferentes níveis de maturidade do mercado implica desafios específicos, desde a base de talento até às expectativas dos clientes. Como é que a Howard Johnson Associates Mozambique Lda. constrói e desenvolve capacidade interna neste enquadramento?

As pessoas e o desenvolvimento de capacidade interna são uma prioridade estratégica para a nós, sobretudo num contexto em que o mercado evolui rapidamente e exige competências cada vez mais multidisciplinares. Em muitos casos, o desafio não está apenas em recrutar talento, mas em criar ambientes que permitam acelerar aprendizagem prática, exposição a diferentes sectores e capacidade de adaptação.

A nossa abordagem combina formação contínua, aprendizagem em contexto real de projecto e desenvolvimento progressivo de responsabilidades. Procuramos criar equipas com uma combinação equilibrada entre experiência operacional, capacidade analítica e entendimento do contexto local, porque acreditamos que soluções eficazes dependem tanto do conhecimento técnico como da capacidade de execução.

Ao mesmo tempo, temos vindo a reforçar competências ligadas à tecnologia, análise de dados, automação e experiência do cliente, áreas que terão um peso cada vez maior na forma como as organizações operam e tomam decisões nos próximos anos.

IV.  VISÃO & FUTURO

Quais são as duas ou três apostas estratégicas da Howard Johnson Associates Mozambique Lda. para os próximos três a cinco anos em Moçambique, e em que leitura do contexto do país essas decisões se baseiam?

Uma das nossas principais apostas estratégicas é o aprofundamento da integração entre tecnologia, experiência do cliente e eficiência operacional. Acreditamos que muitas organizações em Moçambique entrarão, nos próximos anos, numa fase mais intensa de modernização de processos, digitalização de serviços e reorganização da relação com clientes e cidadãos.

Outra prioridade será a expansão de soluções orientadas para gestão de risco, monitoria operacional, cobrança, suporte institucional e análise de informação, áreas que tendem a ganhar relevância num ambiente económico mais exigente e competitivo. Existe uma necessidade crescente de estruturas capazes de apoiar decisões mais rápidas, maior controlo operacional e melhor utilização de dados.

Paralelamente, vemos também espaço para uma maior regionalização de serviços, sobretudo em mercados de língua portuguesa e na região da SADC, onde várias organizações enfrentam desafios semelhantes em termos de crescimento, atendimento, transformação digital e capacidade operacional.

O crescimento de Moçambique na próxima década dependerá, em parte, da qualidade das decisões do sector privado e do Estado. Que papel pode a consultoria desempenhar nesse processo, e que condições são necessárias para que esse contributo seja efectivo?

Penso que a consultoria pode e deve desempenhar um papel importante como facilitadora de modernização institucional, melhoria de eficiência e fortalecimento da capacidade de execução, tanto no sector privado como no sector público. Em mercados em desenvolvimento, muitas vezes o maior desafio não é apenas identificar soluções, mas conseguir transformá-las em processos operacionais sustentáveis e adaptados ao contexto local.

Num cenário de transformação económica, crescimento urbano e maior pressão sobre serviços públicos e privados, áreas como gestão operacional, digitalização, análise de dados, experiência do cliente e gestão de risco tenderão a tornar-se cada vez mais relevantes para a competitividade das organizações.

Para que esse contributo seja efectivo, é importante haver maior valorização de soluções orientadas para implementação prática, desenvolvimento de talento local e continuidade institucional. A combinação entre conhecimento técnico, capacidade de adaptação ao contexto moçambicano e visão de longo prazo será determinante para gerar impacto sustentável.

V.  ECOSSISTEMA & COMUNIDADE

Na sua perspectiva, quem são os principais concorrentes da Howard Johnson Associates Mozambique Lda. no mercado moçambicano e o que os distingue?

R: O mercado moçambicano é relativamente diversificado e inclui desde grandes grupos internacionais de consultoria e outsourcing até empresas especializadas em nichos específicos, como tecnologia, customer experience, cobrança, análise de dados ou transformação digital. Mais do que um conjunto fixo de concorrentes, o sector funciona cada vez mais num modelo em que diferentes empresas acabam por competir e colaborar em áreas distintas, dependendo da natureza dos projectos.

No nosso caso, procuramos diferenciar-nos através de uma combinação entre proximidade operacional, flexibilidade de execução e capacidade de integrar serviços de experiência do cliente, gestão operacional, tecnologia e suporte institucional numa abordagem mais prática e adaptada ao contexto local.

Ao mesmo tempo, reconhecemos que o mercado está a tornar-se mais sofisticado e competitivo, o que é positivo para o desenvolvimento do sector. Isso obriga todas as organizações a investir continuamente em competências, inovação e qualidade de execução.

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