Wednesday, May 27, 2026
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Absa Moçambique reconhecido como “melhor banco em experiência do cliente”

O Absa Bank Moçambique foi distinguido com o prémio de “Melhor Banco em Experiência do Cliente” pela revista internacional Euromoney, no âmbito da edição de 2025 dos Awards for Excellence.

A distinção reconhece instituições financeiras que se destacam pela excelência, inovação e consistência no relacionamento com os seus clientes, reforçando o posicionamento do banco como referência no panorama bancário nacional e regional.

Em comunicado, o Absa afirma que a distinção “reforça o compromisso do Banco com a excelência no atendimento e a sua estratégia de colocar o Cliente no centro de todas as decisões.” “A distinção reflecte ainda os esforços contínuos da instituição na aposta em soluções que aliam tecnologia, personalização e acessibilidade, com vista a melhorar a experiência do utilizador”, assinala o documento.

Citada na mesma nota, a directora de Banca de Retalho do Absa Bank Moçambique, ressalvou que: “esta distinção é um orgulho para toda a família Absa”. “Estamos profundamente honrados por este reconhecimento atribuído pela revista Euromoney. Ela reflecte o empenho, a dedicação e a paixão das nossas equipas em proporcionar experiências marcantes aos nossos Clientes. No Absa, acreditamos que cada interacção é uma oportunidade para surpreender e fortalecer relações de confiança”, afirmou Denise Cruz.

De  acordo com a fonte, com uma estratégia centrada na inovação e na digitalização dos serviços, o banco tem vindo a investir em plataformas digitais intuitivas, no reforço dos canais de atendimento e em programas de capacitação orientados para a melhoria contínua da experiência do cliente. “Estes investimentos visam consolidar uma cultura de empatia, escuta activa e excelência operacional.”

(Foto DR)

MOZAL: Incerteza energética ameaça continuidade da operação

Moçambique e South32 mantêm negociações sobre o futuro da MOZAL, mas incerteza energética ameaça continuidade da operação Maior indústria transformadora do país poderá suspender actividades em Março de 2026, caso não se garanta fornecimento eléctrico estável e acessível.

A multinacional australiana South32, detentora da Mozal, confirmou que continua em negociações com o Governo de Moçambique, no sentido de assegurar a continuidade das operações da fundição de alumínio, considerada o maior empregador industrial do país. Contudo, a empresa admite que, caso não se chegue a um entendimento até Março de 2026, a actividade será suspensa temporariamente.

“Apesar dos nossos esforços, as negociações não evoluíram ao ponto de garantir um fornecimento suficiente e a preços acessíveis de energia eléctrica para além de Março de 2026”, lê-se no relatório trimestral divulgado esta terça-feira (21 de Outubro) pela South32. O documento acrescenta que, sem o fornecimento necessário, a Mozal “será colocada em regime de manutenção e conservação no final do actual contrato”.

A companhia indica que mantém contactos “activos e permanentes” com o Governo de Moçambique, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a empresa sul-africana Eskom, responsável pela compra de energia à HCB e venda à Mozal. O objectivo, segundo a mineradora, é “garantir um acordo de fornecimento suficiente e financeiramente viável”, capaz de assegurar a sustentabilidade da operação.

Produção em alta, mas futuro incerto

O relatório revela que a produção vendável da Mozal aumentou 3% no terceiro trimestre de 2025, totalizando 93 mil toneladas de alumínio, operando “próxima da sua capacidade técnica máxima”. No entanto, a empresa interrompeu em Agosto o processo de revestimento das cubas de fundição, devido à incerteza quanto ao fornecimento eléctrico após Março de 2026.

Para o exercício fiscal de 2026, a previsão de produção mantém-se em 240 mil toneladas, baseada na continuidade das operações até ao termo do contrato de fornecimento de energia.

Governo garante empenho e diálogo

O porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, assegurou em conferência de imprensa, no final de Agosto, que o Governo “continuará a valorizar a Mozal e a negociar condições que garantam a sua permanência no país, salvaguardando os interesses de ambas as partes”.

Impissa confirmou que o Executivo está ciente dos riscos associados à situação, incluindo o cancelamento de contratos com fornecedores e as implicações para o emprego, mas sublinhou que “esses constrangimentos não resultam directamente das negociações em curso”.

A Mozal anunciou em Agosto a redução de investimentos e o despedimento de empreiteiros contratados, mantendo apenas as operações essenciais até Março. Dias depois, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) denunciou o cancelamento súbito de contratos com cerca de 20 empresas nacionais, afectando pelo menos mil trabalhadores.

Importância económica e desafios energéticos

A Mozal representa quase metade do consumo de energia produzida em Moçambique e contribui com cerca de 3% para o Produto Interno Bruto (PIB). Apesar do seu peso económico, o Governo considerou recentemente “extremamente baixa” a contribuição fiscal da empresa, manifestando intenção de rever os acordos vigentes.

O fornecimento eléctrico à Mozal é assegurado pela Eskom da África do Sul, que compra 66% da produção da HCB. No entanto, o Executivo moçambicano pretende reverter esta dependência e repatriar parte da energia actualmente exportada, no âmbito da Estratégia de Transição Energética até 2050, que prevê que, a partir de 2030, a energia de Cahora Bassa seja prioritariamente destinada ao consumo interno.

Contexto e impacto nacional

O possível encerramento da Mozal teria fortes repercussões económicas e sociais, afectando milhares de empregos directos e indirectos e reduzindo a arrecadação fiscal. Localizada nos arredores de Maputo, a fundição é considerada um pilar da indústria transformadora nacional e símbolo da cooperação económica entre Moçambique e a Austrália.

Apesar da incerteza, a South32 reafirmou a sua “vontade de permanecer em Moçambique” e de “trabalhar com todas as partes interessadas para encontrar uma solução sustentável que garanta o futuro da Mozal”.

Fontes: South32 / Lusa / Conselho de Ministros / CTA

COCA-COLA HBC adquire 75% da CCBA POR 2,6 mil milhões de dólares

Negócio cria o segundo maior engarrafador da Coca-Cola no mundo e reforça presença em 14 países africanos, incluindo Moçambique

A multinacional Coca-Cola Hellenic Bottling Company (HBC), com sede na Suíça, anunciou esta terça-feira a aquisição de 75% do capital da Coca-Cola Beverages Africa (CCBA), num negócio avaliado em 2,6 mil milhões de dólares, consolidando-se como o segundo maior parceiro engarrafador da Coca-Cola no mundo em volume de bebidas.

O acordo inclui a compra da participação de cerca de 42% detida pela The Coca-Cola Company (EUA) e da totalidade das ações da Gutsche Family Investments (GFI), valorizando a CCBA em cerca de 3,4 mil milhões de dólares, de acordo com informações divulgadas pelas empresas.

Com esta transação, a Coca-Cola HBC passa a deter controlo sobre as operações da CCBA, que atua em 14 países africanos, incluindo Moçambique, África do Sul, Quénia, Etiópia, Uganda, Namíbia, Tanzânia, Botswana, Zâmbia, Eswatini, Lesoto, Malawi e as ilhas Comores e Mayotte.

Segundo o banco de investimento J.P. Morgan, o grupo resultante da fusão representará dois terços do volume total de bebidas da Coca-Cola em África, cobrindo mais de metade da população do continente e engarrafando marcas de grande consumo como Fanta, Sprite, Coca-Cola e Monster.

Expansão e crescimento sustentável

De acordo com o Director Executivo da Coca-Cola HBC, Zoran Bogdanovic, a aquisição “é sobre crescimento e compromisso com África”, sublinhando que o continente representa uma das regiões com maior potencial de expansão, impulsionado por uma população jovem e crescente urbanização.

Por sua vez, o Director de Operações da The Coca-Cola Company, Henrique Braun, afirmou que a Coca-Cola HBC “é um parceiro sólido e valorizado que irá conduzir o próximo capítulo de crescimento da CCBA”.

A transação, considerada uma das maiores no sector de bens de consumo em África, visa fortalecer a posição estratégica da Coca-Cola HBC nos mercados emergentes, enquanto o grupo procura compensar a perda de volume resultante da sua saída da Rússia em 2022.

Reforço de presença em África e novos investimentos

A Coca-Cola HBC pretende realizar uma listagem secundária na Bolsa de Valores de Joanesburgo (JSE), reforçando o seu compromisso com a região e assegurando uma maior integração com os mercados locais. O grupo também dispõe de uma opção de compra dos 25% restantes da CCBA detidos pela The Coca-Cola Company, num prazo de até seis anos.

A CCBA, fundada em 2014, é atualmente o maior engarrafador autorizado da Coca-Cola em África e o oitavo maior do mundo em receitas. Emprega mais de 14 mil trabalhadores e abastece cerca de 800 mil clientes no continente, sendo responsável por mais de 40% das bebidas prontas para consumo da Coca-Cola em África.

Contexto económico e perspectivas

A Coca-Cola HBC mantém-se como um dos principais engarrafadores nos mercados emergentes da Europa e África, onde nenhuma operação individual representa mais de 20% do volume de vendas. O grupo pretende aproveitar o crescimento económico africano e o aumento do consumo de bebidas não alcoólicas para expandir o seu portefólio e diversificar as suas fontes de receita.

De acordo com o comunicado oficial, o negócio reafirma o papel estratégico de África no futuro do sistema Coca-Cola, ao promover a industrialização, criação de emprego e transferência de conhecimento em vários países do continente, entre os quais Moçambique, onde a Coca-Cola Beverages Mozambique desempenha um papel central na cadeia de valor e na dinamização da economia local.

Fontes: Reuters / The Coca-Cola Company / J.P. Morgan / CCBA

Gás melhora balança de pagamentos do país

Exportação de gás impulsiona a redução do défice externo A EXPORTAÇÃO do Gás Natural Liquefeito (GNL) do Rovuma, em Cabo Delgado, continua a catalisar a redução do défice externo de Moçambique, que no primeiro trimestre de 2025 caiu em 15 por cento. Dados mais recentes do relatório do Banco de Moçambique (BdM) sobre a balança de pagamentos mostram uma evolução positiva das contas externas do país, embora a importação continue a suplementar as vendas no exterior.

Nos primeiros três meses do ano, as transações correntes com o resto do mundo resultaram num défice de cerca de 580 milhões de dólares, o que corresponde a uma melhoria de pouco mais de 100 milhões em relação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com o banco central, essa evolução deve-se, sobretudo, ao aumento das receitas de exportação, que cresceram quase cinco por cento, para um total próximo de 1,9 mil milhões de dólares, e à redução dos custos com importações, que caíram em torno de sete por cento. Outro factor que contribuiu para a melhoria foi a diminuição da saída de capitais sob a forma de lucros e dividendos das grandes empresas. No primeiro trimestre registou-se uma queda de quase 25 por cento nas transferências ao exterior.

O BdM explica que mesmo quando se excluem os grandes projectos, o desempenho continua a melhorar. O défice da conta corrente, sem estas operações, caiu em cerca de 45 por cento, reflexo do crescimento de algumas exportações do sector não extractivo e da contenção nas importações. As exportações totais foram de 1852 milhões de dólares, um aumento de 86 milhões em relação a 2024.

Esta variação das receitas tem como destaque, também, a venda do alumínio, que subiu 73 por cento. Por seu turno, os produtos tradicionais, segundo o BdM, registaram um decréscimo de 14 milhões, com ênfase para a agricultura, que teve uma queda de 29 por cento.

Ainda em queda está o Carvão mineral, que rendeu menos 35 por cento, explicada pela paralisação de algumas minas e à queda do preço médio desta mercadoria no mercado internacional. Anota ainda as restrições na disponibilidade de água no rio Zambeze, que, também, influenciou para a pouca exportação de energia eléctrica aos países receptores, fixando-se numa redução de 34 por cento.

Reguladores da CPLP defendem cooperação para garantir segurança energética e reduzir cortes de electricidade

Os reguladores de energia da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) defenderam, esta segunda-feira, em Maputo, a necessidade de reforçar a cooperação e o planeamento energético entre os Estados-membros, com vista a mitigar os cortes de energia resultantes da insegurança no abastecimento.

Falando na abertura da Semana da Energia e Clima da CPLP, que decorre até sexta-feira na capital moçambicana, o director executivo da Associação dos Reguladores de Energia de Língua Portuguesa (RELOP), Artur Trindade, sublinhou que a segurança do fornecimento deve ser uma prioridade comum.

“Todos nós, de diferentes países, estamos preocupados com a segurança do abastecimento de energia. É fundamental garantir não apenas preços justos, mas também que a energia chegue em quantidade suficiente, a todas as horas, para as empresas e famílias”, afirmou.

O encontro reúne representantes governamentais, reguladores, financiadores, empresas e especialistas em energia e clima, contando com a participação de 29 oradores, delegações de nove países lusófonos e cerca de 120 participantes.

Segundo Trindade, os recentes episódios de apagões em alguns países da CPLP demonstram a urgência de reforçar o planeamento conjunto e os mecanismos de segurança no fornecimento. “Quando há cortes de energia, isso significa que a segurança do abastecimento não foi garantida. Devemos cooperar para que os critérios de planeamento incluam esta dimensão essencial”, destacou.

O responsável apelou ainda ao aumento do investimento privado como via para acelerar a transição energética, num contexto em que o investimento público continua a dominar o sector.

A Semana da Energia e Clima da CPLP é organizada pela Associação Lusófona de Energias Renováveis (ALER) e pela RELOP, entidades que defendem um maior protagonismo da comunidade no debate global sobre energia e clima.

A presidente da ALER, Mayra Pereira, reforçou que a CPLP deve “afirmar-se como um bloco estratégico, dinâmico e coeso, com uma narrativa própria e uma voz activa nas agendas internacionais de financiamento climático”. Segundo a dirigente, a CPLP “tem tudo o que é necessário para se fazer ouvir, representa mais de 300 milhões de pessoas e partilha uma identidade comum”.

Durante o evento, Moçambique apelou ao reforço da cooperação técnica e à promoção da investigação no seio da CPLP, de modo a enfrentar os desafios impostos pela transição energética e pelas alterações climáticas.

O país é considerado um dos mais vulneráveis do mundo aos impactos climáticos, enfrentando inundações e ciclones tropicais recorrentes durante a época chuvosa.

Entre 2000 e 2023, Moçambique registou mais de 75 eventos climáticos extremos, que resultaram em perdas económicas superiores a 3,8 mil milhões de euros, segundo dados do Governo. Recentemente, as autoridades aprovaram o plano de contingência para a época chuvosa 2025/2026, que poderá afectar até 1,2 milhão de pessoas, embora os recursos disponíveis cubram menos de metade dos 14 mil milhões de meticais (cerca de 190 milhões de euros) necessários.

Em Setembro, o Governo moçambicano alertou para o risco de cheias em larga escala e a inundação de cerca de quatro milhões de hectares de terras agrícolas, num cenário que reforça a urgência da cooperação energética e ambiental no espaço lusófono.

INE: Economia regista sinais de estabilização, apesar da desaceleração do PIB | Profile

A economia moçambicana apresenta sinais de estabilização no primeiro semestre de 2025, após um período de ajustamento marcado pela redução do crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB), que caiu de -3,9% para -0,9%, segundo os mais recentes indicadores macroeconómicos divulgados pelas autoridades nacionais.

De acordo com os dados do INE, o PIB total atingiu 22,42 mil milhões de dólares norte-americanos até Dezembro de 2024, representando um ligeiro aumento face aos 20,95 mil milhões registados no período anterior. A preços constantes, a economia movimentou 297,7 mil milhões de meticais, o que reflecte uma recuperação moderada em alguns sectores estratégicos.

Entre os ramos de actividade com melhor desempenho destacam-se as indústrias extractivas, que cresceram para 44,8 mil milhões de meticais, impulsionadas pela produção de gás e carvão mineral. O sector agrícola, principal fonte de sustento para a maioria da população, manteve uma trajectória positiva, atingindo 91,4 mil milhões de meticais no segundo trimestre de 2025.

Já os serviços e transportes registaram uma retoma significativa, movimentando 22,2 mil milhões e 24,4 mil milhões de meticais, respectivamente, fruto da expansão das actividades logísticas e do aumento das ligações comerciais regionais.

Contudo, outros sectores, como a construção e a energia, continuam sob pressão, com ligeiras retrações atribuídas à redução dos investimentos públicos e à desaceleração dos grandes projectos de infra-estrutura.

O PIB per capita fixou-se em 604 dólares, ligeiramente abaixo dos 610 registados em 2023, enquanto o PIB per capita ajustado pela paridade do poder de compra (PPP) atingiu 1.495 dólares.

Apesar do crescimento modesto, analistas consideram que a economia moçambicana demonstra resiliência, sustentada pela estabilidade dos preços e pelo reforço das exportações. As previsões apontam para uma recuperação gradual até ao final de 2025, impulsionada pela retoma dos investimentos na indústria transformadora, energia e agricultura comercial. Com a confiança dos investidores em processo de reconstrução e o reforço das políticas de estabilidade macroeconómica, Moçambique procura consolidar as bases para um crescimento mais sustentável e inclusivo nos próximos anos.

Afreximbank prepara investimento de 40 mil milhões USD para impulsionar transformação económica do país

Executivos seniores do Banco Africano de Exportações e Importações (Afreximbank) reuniram-se recentemente, em Washington, D.C., com a Ministra das Finanças, Carla Alexandra Oreste do Rosário Fernandes Loveira, à margem das Reuniões Anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 2025.

O encontro, liderado pelo Vice-Presidente Executivo Sénior, Denys Denya, e pelo Vice-Presidente Executivo e Presidente nomeado, Dr. George Elombi, visou explorar novas oportunidades para acelerar a transformação económica de Moçambique, com enfoque nos sectores da energia, agronegócio, zonas de exportação e turismo.

Durante a reunião, o Afreximbank reafirmou o seu compromisso em mobilizar capital e prestar assistência técnica a projetos nacionais estratégicos, considerados essenciais para o crescimento sustentável do país.

Como sinal do reforço da parceria, o Banco anunciou a realização de uma missão de alto nível a Maputo, em novembro próximo, destinada a alinhar um portfólio de projectos avaliado em mais de 40 mil milhões de dólares norte-americanos.

A iniciativa insere-se no esforço contínuo do Afreximbank em impulsionar o investimento, a industrialização e o desenvolvimento inclusivo em Moçambique, consolidando o papel da instituição como parceiro estratégico no progresso económico do continente africano.

Produção petrolífera em 2025: NOCs mantêm domínio e Aramco reforça vantagem tecnológica e estratégica | Profile

Os dados de 2025 sobre produção petrolífera confirmam a persistência do papel central das empresas estatais (National Oil Companies – NOCs) na geografia energética mundial. Segundo relatórios compilados por ENERGY ANALYTICS, Kpler e analisados pelo PROFILE Mozambique, mais de 60% da produção global continua a ser assegurada por NOCs, um reflexo da concentração geográfica e política dos recursos fósseis.

No topo do ranking destaca-se a Saudi Aramco, com uma produção estimada em 10,3 milhões de barris por dia (mbpd), uma escala que a coloca muito à frente da maioria dos concorrentes. Seguem-se a Iraq National Oil Company (3,9 mbpd), a Rosneft (3,7 mbpd) e a National Iranian Oil Company (3,3 mbpd). Entre as «majors» privadas, ExxonMobil e ADNOC aparecem com 3,0 mbpd cada, enquanto a PetroChina reporta 2,6 mbpd. A lista das 15 maiores produtoras inclui também empresas como Petrobras, Lukoil, Chevron, Shell e TotalEnergies. (Fonte: company reports; ENERGY ANALYTICS; Kpler, 2025.)

A forte presença das NOCs, especialmente do Médio Oriente, com Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Irão a responder por mais de um terço do fornecimento mundial, sublinha a dimensão estratégica do recurso, além de fonte de receitas fiscais, o petróleo continua a ser instrumento de poder geopolítico e de influência económica. Para muitos Estados-produtores, os hidrocarbonetos mantêm um papel central na estabilidade macroeconómica.

As grandes empresas ocidentais continuam, todavia, a desempenhar uma função crítica, tecnologia, financiamento e integração vertical (upstream-to-downstream) mantêm as majors como actores imprescindíveis para o equilíbrio do mercado. A presença de ExxonMobil, Chevron, Shell e TotalEnergies na lista revela que, mesmo com menor quota relativa de produção, estas empresas seguem essenciais nas cadeias de valor por fornecerem capital, know-how e soluções tecnológicas avançadas.

Outro traço relevante do ano é a resiliência dos produtores russos, Rosneft, Lukoil, Gazprom Neft e Surgutneftegas, que mantiveram níveis de produção elevados apesar de pressões geopolíticas e sanções. Este desempenho ilustra como, em muitas situações, a dimensão energética tende a persistir para além de rupturas políticas, tornando o sector um campo de interação complexa entre economia e diplomacia.

Do ponto de vista global, os números de 2025 reforçam duas lições claras, primeiro, a transição energética não elimina, a curto e médio prazo, a centralidade do petróleo, segundo, a distribuição do poder produtivo, concentrada em NOCs e em alguns grandes grupos privados, continuará a moldar estratégias de segurança energética, investimento e política industrial ao nível internacional.

Os dados aqui referidos foram obtidos a partir de relatórios corporativos e bases de dados do sector, com análise agregada por ENERGY ANALYTICS, Kpler e comentário do PROFILE Mozambique (2025).

Novos acordos potenciam a Cadeia de Valor do Petróleo e Gás em Moçambique

Moçambique e Argélia, assinaram em Maputo, quatro instrumentos de cooperação nas áreas de desenvolvimento.

Os acordos incluem a exploração de recursos minerais e energia, permitindo intervenção em toda cadeia de valor do petróleo e gás,  expansão da rede de distribuição de gás para consumo doméstico, partilha de experiência daquele pais da África do norte com a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).

O ministro moçambicano dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, que testemunhou o acto, disse que a assinatura do acordo entre ENH e a sua congénere argelina SONATRACH vai facilitar o desenvolvimento dos dois países.

“Na área de recursos minerais vai permitir a exploração e ganhos de experiências da ENH sobre actuação, intervenção em toda cadeia de valor do petróleo e gás”, disse.

Moçambique quer expandir a rede de distribuição de gás natural para consumo doméstico e desenvolvimento dos projectos industriais a base de gás natural.

Estêvão Pale, referiu que a ENH vai obter da SONATRACH experiências na esquisa, produção de Hidrocarbonetos, prestação de serviços em toda cadeia de valor no sector petrolífero, tais como áreas sísmica,  reparação, perfuração tendo em conta a experiência Argelina.

Relativamente a Electricidade de Moçambique (EDM), o memorando assinado com a SONELGAZ vai promover e facilitar a cooperação nas áreas de produção de energia eléctrica,  desenvolvimento de competências básicas, construção, modernização de centrais de geração de energia  e estabelecimento de parque industrial para produção de materiais e equipamentos eléctricos.

Pale explicou que na área da saúde, o memorando entre a empresa argelina SAIDAL e Autoridade Reguladora de Medicamentos de Moçambique, visa efectuar a transferência da tecnologia, cooperação técnica e formação de quadros.

“Entre a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) e a CREA, esperamos mais troca de informações sobre oportunidades de negócio e de investimento  existente  nos dois países, aconselhamento, assistência aos membros da CREA e CTA “, disse.

Já, o ministro da Energia e Energia Renováveis da Argélia, Adjal Mourad, enalteceu o Presidente da República, Daniel Chapo, que junto do seu homólogo argelino impulsionaram esta cooperação.

“Hoje é o culminar de dois dias de trabalho, tivemos que assinar quatro memorandos importantes,  o primeiro  tem a ver com hidrocarbonetos e energia, produção, exploração, gás, transporte, fabrico de equipamentos eléctricos e gás,  indústria farmacêutica e formação na área de hidrocarbonetos.

Participaram no evento o Ministro moçambicano da Saúde,  Presidentes dos Conselhos de Administração da EDM, ENH, SONATRACH, CREA,  SAIDAL, SONELGAZ e o vice presidente da CTA e outros quadros.

Actores do Sector Privado assinaram um MoU para implementar a Parceria do Sector Privado para o Desenvolvimento (PSPD)

Pemba, 16 de Outubro de 2025 – Vários intervenientes do sector privado a operar em Cabo Delgado reuniram em Pemba para assinar um Memorando de Entendimento (MoU) que assinala o lançamento da iniciativa Parceria do Sector Privado para o Desenvolvimento (PSPD). Este MoU representa o compromisso da ExxonMobil Moçambique Limitada, da Fundação Mozambique LNG (fundada pelo consórcio Mozambique LNG operado pela TotalEnergies), da Fundação RESET (fundada por membros da família Ferreira dos Santos – JFS), da Fundação Vodacom Moçambique, e da Twigg Exploration and Mining Limitada (subsidiária da Syrah Resources), no sentido de coordenarem esforços e recursos, promovendo sinergias para apoiar o desenvolvimento socioeconómico inclusivo e sustentável no norte de Moçambique. A cerimónia de assinatura contou com a presença de Sua Excelência o Dr. Valige Tauabo, Governador da Província de Cabo Delgado.

A PSPD é o resultado de mais de um ano de colaboração e diálogo entre as empresas associadas, com vista a identificar sinergias nos esforços de investimento socioeconómico. Os membros trabalharão em conjunto para apoiar os objectivos do Governo, promovendo resultados de desenvolvimento que reforçam os compromissos de Moçambique no âmbito dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.

Esta parceria reflecte o reconhecimento do papel vital que o sector privado pode desempenhar na promoção de resultados de desenvolvimento, particularmente em áreas que enfrentam desafios complexos, como Cabo Delgado. Ao alinharem as suas iniciativas através da PSPD, as empresas membros pretendem maximizar o seu impacto colectivo, promover o planeamento e a comunicação conjuntos, bem como contribuir para as prioridades locais. O Memorando de Entendimento assinala o início de uma nova fase de colaboração, baseada em valores partilhados e numa visão de longo prazo que visa tornar Cabo Delgado mais resiliente e próspero. A Plataforma está aberta a novos membros do sector privado.