Friday, April 3, 2026
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Conferência e Exposição de Mineração, Petróleo e Gás e Energia de Moçambique – MMEC

Moçambique será palco da 7ª edição do MMEC*, entre os dias 21 e 22 de Abril. Um evento que expõe a industria no sector de mineração, petróleo, gás e energia.

O objectivo é atrair investimentos, promover parcerias, ouvir decisores políticos e partilhar conhecimento sobre o sector.

Este evento deverá atrair expositores de cerca de 30 países. Além do sector privado, contará também, com a participação de quadros do governo como Ministros e Directores de empresas públicas.

A organização do evento desenvolveu um aplicativo para interacção dos participantes. A app permite ficar a par do programa do evento e até ver a lista de participantes. Conversar com os participante bem como marcar reuniões, são também duas funcionalidades a aplicação.

Caso esteja interessado em participar como espectador ou expositor, as inscrições podem ser feitas aqui.

*Em parceria com a ENH

Mozambique CEO Summit

A cidade de Maputo irá acolher o maior evento de negócios no país, que conecta executivos de nível “C”, o chamado Mozambique CEO Summit.

A decorrer no dia 25 de Fevereiro de 2021, numa modalidade híbrida (online e presencial), este evento promete promover partilha de experiência, oportunidades de negócios e investimentos nas áreas de GNL, agro-negócios, imobiliário e de inteligência artificial.

No evento, mais de 20 oradores nacionais e internacionais compartilharão a sua experiência e conhecimento. O Mozambique CEO Summit também promete ser uma plataforma de networking entre empresários nacionais e internacionais.

Caso queira participar, pode adquirir os bilhetes aqui.

Millennium Bim diz adeus às formas de pagamento convencionais com o Pay IZI

Foi recentemente disponibilizado o serviço Pay IZI do Millennium Bim, que se apresenta como alternativa moderna e ecológica aos pagamentos via cartão e dinheiro.

Através da parceria com o serviço de carteira móvel da Vodacom, M-Pesa, os comerciantes poderão receber pagamentos de usuários do Millennium IZI, do aplicativo Smart IZI e do M-Pesa, “sem custos de adesão, manutenção e de consumíveis associados”, segundo explica o comunicado de imprensa do Banco.

Além da adesão gratuita, outras vantagens do novo serviço incluem a notificação de todos os pagamentos, bem como a possibilidade de consultar o histórico de transacções.

Para José Reino da Costa, PCE do Millennium bim, “com este serviço, firmamos também o nosso compromisso de continuar a promover, de forma efectiva, a nossa estratégia de inclusão financeira dos moçambicanos”, lê-se no comunicado.

Já o Director Geral da Vodafone M-Pesa S.A, Gulamo Nabi, afirma que “um passo muito importante foi dado rumo ao objectivo de permitir que os clientes M-Pesa possam efectuar todas as suas transacções do dia-a-dia sem necessidade de recurso ao dinheiro físico”.

Esta iniciativa “deverá também ter um impacto positivo na aceleração da actividade económica no país”, acrescentou Nabi.

O canal de pagamento Pay IZI está disponível para download na Play Store para dispositivos Android.

Esta iniciativa é apresentada num momento em que o mundo enfrenta uma pandemia e recorre à tecnologia para conceder soluções que auxiliem na redução do risco de contágio.

Outras inovações tecnológicas que estarão em alta, neste ano, estão descritas neste artigo do Profile.

Millennium Bim prevê inflação acelerada e juros brandos em 2021

A área de estudos económicos do Millennium Bim prevê que a inflação no país continuará a acelerar em 2021, rondando os 5.6%.

A previsão admite que esta aceleração está condicionada a vários factores como o mercado cambial, a oferta e procura de bens e serviços e a situação económica dos principais parceiros de Moçambique como a África do Sul.

Num documento publicado nesta quarta-feira, o Banco faz uma previsão de abrandamento das taxas de juro, pelo Banco Central, até segundo trimestre do próximo ano devido a “riscos inflacionários elevados”.

O Millennium Bim publica seu estudo na sequência da divulgação do Índice de Preços no Consumidor, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), cujo resultado foi reportado pelo Profile.

Banco alemão doa €6M para apoiar MPME’s moçambicanas

Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME’s) moçambicanas terão acesso a um fundo de apoio emergencial de seis milhões de euros.

O valor é parte de um total de €17.5 milhões disponibilizados pela Cooperação Financeira Alemã através do Banco de Desenvolvimento daquele país – kfW.

Os seis milhões serão canalizados às empresas através do Banco de Moçambique, conforme anunciado pelo mesmo, nesta terça-feira, através de um comunicado.

O objectivo deste apoio é ajudar as empresas a mitigarem os efeitos negativos da COVID-19 e garantirem sua sobrevivência.

Sengundo o comunicado, este valor é destinado à “cobrir necessidades decorrentes do fluxo de caixa, incluindo, mas, não se limitando a, pagamentos de salários e outros custos fixos durante a pandemia”.

Nove milhões de Euros serão destinados à uma linha de crédito para MPME’s e finanças agrícolas.

Os restantes 2.5 milhões estarão alocados à assistência técnica que irão beneficiar as instituições financeiras participantes na linha de crédito para as MPME’s e finanças agrícolas.

A referida assistência servirá para “conferir maior rigor, transparência e fiabilidade da informação no processo de avaliação e monitoria”, lê-se no documento.

Total eleva comércio externo em Cabo Delgado

De acordo com Osvaldo Silva, director regional norte da Autoridade Tributária, de Janeiro a Outubro deste ano, no geral, a zona Norte do país registou uma redução nas importações e exportações.

Esta análise foi feita em comparação como o mesmo período do ano anterior.

Contudo, Silva afirmou, durante uma entrevista ao Jornal Notícias, que na província de Cabo Delgado, a situação foi diferente, tendo registado um aumento de mais de 100%.

Em termos concretos, no período em análise, foram importados 1124 contentores neste ano, contra 556 em 2019.

Para Silva, este aumento deve-se ao projecto de petróleo e gás da Total em Afungi.

Apesar de não ter se especificado a contribuição da petrolífera nestes números, em sua página web, a Total já havia se comprometido em trazer benefícios sócio-económicos ao país desde a fase da implanatação do projecto à exploração.

Financiador da Área 1 promete deixar de apoiar projectos de petróleo e gás

Reino Unido, um dos maiores financiadores do projecto da Área 1 da Total, deixará de financiar projectos de petróleo e gás.

Com isso, o país tornar-se-á o primeiro a dar este passo com vista a combater os efeitos das mudanças climáticas.

Esta promessa foi feita no Sábado, durante uma cimeira das Nações Unidas onde outros grandes países deverão apresentar as suas.

O Reino Unido, através da sua agência Finance Export, já havia dado garantias em milhares de milhões para ajudar companhias britânicas a se expandirem.

Moçambique estava no mapa do financiamento britânico no projecto de gás natural liquefeito da Total na Área 1.

O apoio planeado era de 20 mil milhões de dólares, assim sendo, a nação era um dos maiores financiadores do projecto.

É prematuro afirmar que o financiamento está em risco pois ainda não foi informada a data de implementação da medida.

Contudo, Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, afirmou que a entrada em vigor deverá acontecer “o mais rápido possível”.

Johnson ainda adiantou que haverá algumas excepções à nova regra, no que diz respeito a centrais eléctricas alimentadas a gás desde que estejam nos parâmetros do Acordo de Paris.

Ncondezi Energy angaria £750mil para projecto em Tete

Foi a partir de uma emissão de acções que a empresa de energia Ncondezi Energy conseguiu angariar o valor de £0.75 milhões.

Segundo a StockMarketWire, a empresa afirmou que este valor servirá “para o desenvolvimento de um projecto de energia alimentada a carvão em Tete, Moçambique”.

Dentre as despesas previstas estão as negociações tarifárias com a Electricidade de Moçambique (EDM) e outros acordos importantes como compra e concessão de energia.

As acções foram emitidas a £4.5 cada, o que, “segundo a Ncondezi Energy, foi um valor baixo para o preço médio ponderado do volume de 30 dias”, de acordo com a fonte supracitada.

Moçambique líquida dívida ao FMI e zera saldo em 630 milhões de euros

Moçambique concluiu o pagamento integral da sua dívida ao Fundo Monetário Internacional (FMI), num montante de 630 milhões de euros, tornando-se o único país, entre uma lista de 85 nações acompanhadas pela instituição, a registar saldo zero de crédito em dívida até ao final de Março de 2026.

De acordo com o relatório do FMI sobre crédito em dívida, referente ao período de 1 a 30 de Março de 2026, Moçambique devia 514,04 milhões de Direitos de Saque Especiais (DSE) no início do período, equivalentes a 630,1 milhões de euros. No final de Março, o saldo havia caído a zero.

A liquidação ocorre num momento em que o país negocia um novo programa de assistência com o FMI. Na última avaliação publicada em Fevereiro, a instituição não anunciou decisões sobre um novo programa de apoio, tendo o crédito em dívida de Moçambique atingido 226% da sua quota. Uma revisão pós-financiamento está prevista para Agosto de 2026, com novas consultas programadas nos 12 meses seguintes.

No âmbito do anterior programa de Facilidade de Crédito Alargado (ECF), o FMI aprovou em 2022 um financiamento de cerca de 468 milhões de dólares. Contudo, o programa foi suspenso em Abril de 2025, após a disponibilização de aproximadamente 343 milhões de dólares em quatro tranches.

O Presidente Daniel Chapo havia declarado em Junho de 2025 que um novo programa alinhado com as reformas do sector público seria assinado ainda naquele ano. O vice-director-geral do FMI, Bo Li, confirmou em Maio de 2025, em Maputo, que a instituição pretendia avançar com um novo programa de apoio a Moçambique, sublinhando a cooperação para a manutenção da estabilidade macroeconómica e financeira.

A quitação da dívida representa um marco significativo para as finanças públicas moçambicanas, ainda que o país continue a enfrentar desafios estruturais, incluindo uma dívida interna que triplicou desde 2020, atingindo 6,6 mil milhões de euros.

Vodacom leva clientes ao Lounge do Aeroporto de Mavalane

Vodacom Moçambique anunciou o estabelecimento de uma parceria com o Executive 2000 Lounge, localizado no Aeroporto Internacional de Mavalane, numa iniciativa que visa reforçar a experiência dos seus clientes e ampliar o conjunto de benefícios associados aos seus serviços.

A parceria permite que clientes elegíveis tenham acesso ao espaço antes dos seus voos, tanto nacionais como internacionais, beneficiando de condições de maior conforto, incluindo acesso à internet, zona de descanso, bem como serviços de alimentação ligeira. 

Segundo a Vodacom, o benefício está disponível para clientes pré-pagos com o pacote Tudo Top 3000 MT activo e para clientes pós-pagos individuais com planos de valor igual ou superior, desde que não apresentem facturas em atraso. Cada activação do pacote dá direito a um acesso ao lounge, válido durante o período de vigência da oferta.

O processo de acesso foi desenhado para ser simples e totalmente digital. Após a activação do pacote, o cliente recebe uma mensagem de confirmação, seguida de um código de acesso enviado por SMS. No dia da viagem, basta apresentar esse código no balcão do lounge para usufruir do benefício.

O foco no cliente faz parte dos pilares do negócio da Vodacom. Por isso, a empresa aposta em iniciativas que voltadas a melhoria da experiência, o atendimento e a satisfação do cliente quer esteja ou não em contacto directo com a marca. A parceria com o Executive 2000 Lounge demonstra o cuidado e atenção ao cliente de forma constante, e se apresenta como uma resposta às necessidades de um segmento que privilegia conveniência, conforto e serviços diferenciados.

Quénia e Moçambique aprofundam laços na aposta pelo Comércio, Energia e Conectividade

A visita de três dias do Presidente Daniel Chapo a Nairobi, a convite de William Ruto, marcou o início de uma parceria mais deliberada entre os dois países, centrada no comércio, na energia e na conectividade regional.

À primeira vista, o Quénia e Moçambique parecem parceiros improváveis, separados pela distância, pela língua e pela integração em blocos regionais distintos. Mas é precisamente essa diferença que os aproxima: cada um tem o que o outro precisa. O Quénia é a porta de entrada para a África Oriental; Moçambique ancora o sul do continente. Juntos, podem ligar dois dos maiores mercados africanos no quadro da Área Continental de Comércio Livre Africana a AfCFTA.

A visita de três dias do Presidente Daniel Chapo a Nairobi, a convite do Presidente William Ruto, confirmou essa lógica e acelerou o processo. Na sequência dos encontros bilaterais entre os dois chefes de Estado, foram assinados acordos de cooperação e memorandos de entendimento nas áreas de formação diplomática, investigação e capacitação institucional, serviços prisionais, e desenvolvimento da juventude e desporto.

Ruto sublinhou que a cooperação se estende ao turismo, às energias limpas, à aviação descrita como “facilitador vital do comércio e das relações entre povos” à economia azul e à cooperação marítima. “Estamos também a colaborar no combate ao terrorismo e na promoção da paz, segurança e estabilidade”, afirmou. “O nosso objectivo colectivo é avançar uma visão partilhada de prosperidade para as nossas nações e para o continente.”

Portos, voos e gás: os pilares concretos da parceria

A dimensão prática da aproximação é clara. O Quénia oferece os portos de Mombaça e Lamu como pontos de entrada na África Oriental; Moçambique tem Maputo, Beira e Nacala ao serviço da África Austral. Uma cooperação mais estreita neste domínio pode aumentar os fluxos de carga, reduzir os custos de transporte e expandir as rotas comerciais no continente.

Uma das medidas mais imediatas em discussão é a introdução de voos directos entre Nairobi e Maputo. Voos directos reduziriam o tempo de deslocação, facilitariam a mobilidade empresarial e reforçariam os laços entre as duas sociedades uma necessidade que diplomatas de ambos os países identificam como urgente.

As vastas reservas de gás natural de Moçambique constituem outro factor central. O Quénia procura parcerias energéticas fiáveis para suportar o crescimento industrial, enquanto os projectos moçambicanos precisam de investimento e de mercados regionais. As negociações incidiram sobre a cooperação energética, mas abrangeram igualmente oportunidades nas áreas da infraestrutura, da agricultura e do comércio em geral.

Esta aproximação retoma e aprofunda um trabalho iniciado em 2018, quando o então Presidente moçambicano Filipe Nyusi visitou o Quénia e percorreu o Porto de Mombaça visita que sinalizou um interesse inicial na cooperação logística. A Comissão Permanente Conjunta de Cooperação, na sua terceira sessão ministerial realizada antes dos encontros presidenciais, havia já identificado o aproveitamento dos recursos naturais moçambicanos, em particular o gás, como prioridade para reforçar a segurança energética do Quénia e promover parcerias de investimento.

Investimento e diplomacia económica

Chapo participou ainda na Conferência Internacional de Investimentos do Quénia, onde foram assinados 20 acordos estratégicos de investimento no valor total de 2,9 mil milhões de dólares, abrangendo sete sectores prioritários: agricultura, indústria transformadora, TIC, externalização de processos de negócio, saúde, energia e imobiliário.

O envolvimento crescente entre os dois países reflecte a orientação mais ampla da política externa de Ruto, que tem apostado na diplomacia económica e na construção de relações que gerem comércio, investimento e emprego. “Estamos a eliminar barreiras ao comércio tarifárias e não tarifárias para facilitar maior troca e investimento entre as nossas duas nações”, afirmou o Presidente queniano.

Moçambique encaixa nessa estratégia como um parceiro de elevado potencial: recursos abundantes, mercados em crescimento e uma localização estratégica no Oceano Índico que ambos os países reconhecem como activo partilhado na construção de uma economia azul regional.

Forvis Mazars Mozambique distinguida nos World Economic Magazine Awards 2026 com dois prémios de excelência

A Forvis Mazars Moçambique foi galardoada com dois reconhecimentos internacionais nos World Economic Magazine Awards 2026, numa distinção que reafirma o posicionamento da empresa no panorama da consultoria e auditoria no país e na região.

  • Best Audit & Assurance Firm – Mozambique 2026
  • Best Professional Services Firm – Mozambique 2026

Estes prémios representam um marco relevante para a firma e reflectem o compromisso contínuo da Forvis Mazars Mozambique com a excelência, a qualidade dos seus serviços e a confiança depositada pelos seus clientes, parceiros e demais stakeholders.

A distinção como Best Audit & Assurance Firm – Mozambique 2026 reforça a solidez da actuação da firma na prestação de serviços de auditoria e assurance, pautados por elevados padrões técnicos, rigor profissional, independência e integridade. Por sua vez, o reconhecimento como Best Professional Services Firm – Mozambique 2026 evidencia a abrangência, consistência e relevância da oferta de serviços da firma no mercado moçambicano.

Para a Forvis Mazars Mozambique, esta conquista é também o reflexo do empenho diário das suas equipas, que trabalham com dedicação para entregar soluções de elevada qualidade, alinhadas às necessidades dos clientes e à dinâmica de um ambiente de negócios em constante evolução.

Dipak Lalgi, Country Managing Partner, Audit & Assurance, afirmou:
“Receber estes dois prémios internacionais é motivo de grande orgulho para toda a nossa equipa. Este reconhecimento reforça o nosso compromisso com a excelência, a integridade e a criação de valor sustentável para os nossos clientes e para o mercado moçambicano. Agradecemos a confiança dos nossos clientes, parceiros e colaboradores, que tornam possível esta conquista.”

A Forvis Mazars Mozambique continua focada em consolidar a sua posição como uma firma de referência no país, contribuindo para o fortalecimento das boas práticas de auditoria, transparência, governação e desenvolvimento empresarial em Moçambique.

Este reconhecimento internacional reafirma a visão da firma de prestar serviços com elevado padrão de qualidade, proximidade com o cliente e impacto positivo duradouro no ambiente empresarial.

Sobre a Forvis Mazars Mozambique
Em Moçambique, a Forvis Mazars posiciona-se como uma das principais organizações nas áreas de auditoria, consultoria e contabilidade, com uma equipa com mais de 70 profissionais e uma presença sólida e consolidada em Moçambique

África do Sul mantém Taxas de Juro: O que significa para os investidores e empresas em Moçambique

Na reunião de 26 de Março de 2026, o Banco de Reserva da África do Sul (SARB) manteve a taxa repo inalterada em 6,75%, numa decisão unânime que sinaliza uma mudança clara no ciclo de política monetária da região. A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão, ao pressionar os preços do petróleo em alta e enfraquecer o rand, obrigou os decisores a adoptarem uma postura de espera que contraria as expectativas de início do ano.

No início de 2026, o panorama era de optimismo cauteloso. A inflação tinha-se fixado nos 3% em Fevereiro, exactamente no centro do intervalo-alvo do SARB. Economistas esperavam pelo menos dois cortes de taxa ao longo do ano. Em apenas semanas, esse optimismo evaporou-se.

O conflito no Médio Oriente transmite-se aos mercados africanos por três canais directos: o preço do petróleo, a cotação das divisas e o sentimento dos investidores internacionais. A África do Sul, como importadora líquida de combustíveis, é particularmente exposta. O rand depreciou mais de 6% face ao dólar desde o início do conflito, e os preços da gasolina e do gasóleo deverão registar aumentos históricos em Abril de 2026 com o preço do gasóleo a subir estimados 7 rands por litro.

O SARB avaliou dois cenários adversos: um conflito de curta duração (dois meses) e um prolongado (um ano). Em ambos, a inflação sobe acima dos 3% e exige taxas de juro mais elevadas para ser contida. No cenário mais adverso, a inflação pode ultrapassar os 5%, apenas regressando ao objectivo em 2028.

Para Moçambique e para os demais países da SADC dependentes de importações de combustível, as implicações são directas: custos de transporte mais elevados, pressão sobre o metical, e maior volatilidade no planeamento financeiro das empresas. A política monetária mais restritiva na África do Sul também tende a reduzir o apetite de risco dos investidores regionais, encarecendo o acesso ao crédito e ao capital nos mercados vizinhos.

A lição que este episódio reforça é estrutural: a estabilidade financeira das economias africanas está cada vez mais condicionada por choques geopolíticos além-fronteiras. Para as empresas, investidores e instituições financeiras que operam em Moçambique, planear para um ambiente de taxas de juro elevadas durante o segundo semestre de 2026 deixou de ser um cenário pessimista tornou-se o cenário base.

M-Pesa: Como a plataforma que reinventou os pagamentos em África chegou a Moçambique

Em 6 de Março de 2007, a Safaricom lançou o M-Pesa no Quénia com um objectivo simples: permitir que pessoas sem conta bancária enviassem e recebessem dinheiro através do telemóvel. Numa altura em que menos de 20% dos adultos quenianos tinham acesso a serviços bancários formais, a proposta era revolucionária. Dezoito anos depois, os números falam por si: mais de 66 milhões de clientes em toda a África, um volume anual de transacções que ultrapassou os 450 mil milhões de dólares em 2025, e uma penetração de 82% da população adulta no Quénia a mais alta do continente.

A plataforma está também presente em Moçambique, onde a digitalização dos pagamentos continua a avançar num contexto de baixa bancarização formal. As remessas enviadas através do M-Pesa ultrapassaram os 3 mil milhões de dólares em 2024, beneficiando directamente famílias rurais em mercados onde a plataforma opera.

O modelo M-Pesa funciona onde o sistema bancário formal é fraco e a regulação é favorável. Esta combinação explica o sucesso no Quénia, na Tanzânia e, com crescimento acelerado, na Etiópia onde a base de utilizadores activos cresceu 174,8% num período de seis meses em 2025. O modelo falhou na África do Sul, onde a robusta infraestrutura bancária existente eliminou o problema que o M-Pesa foi criado para resolver.

Em Julho de 2025, a plataforma integrou-se com o PayPal para simplificar transferências internacionais, e em 2025 lançou cartões virtuais Visa GlobalPay para facilitar o comércio electrónico. A Safaricom abrirá a plataforma a programadores externos desde 2017, com mais de 90.000 programadores no ecossistema Daraja e mais de 40.000 integrações empresariais activas.

Moçambique partilha as condições estruturais que tornaram o M-Pesa um sucesso noutros mercados: baixa bancarização, elevada penetração móvel, e uma economia informal extensiva que depende de transacções em dinheiro. A questão que se coloca às instituições financeiras, reguladores e empresas de tecnologia que participam nesta edição da Revista Profile é directa: que combinação de vontade regulatória, investimento privado, literacia financeira e capacidade institucional pode desbloquear um salto semelhante em Moçambique? A resposta a essa pergunta não é apenas académica. É um imperativo de desenvolvimento económico e uma oportunidade de negócio significativa para quem actuar primeiro.

Afreximbank reúne líderes africanos no Egipto em Junho para debater industrialização e soberania económica do continente

33.ª Assembleia Anual realiza-se em El Alamein de 21 a 24 de Junho de 2026, com foco no comércio intra-africano e na construção de cadeias de valor regionais

Num contexto de crescente instabilidade geopolítica e incerteza económica global, o Banco Africano de Exportação e Importação (Afreximbank) anunciou que a sua 33.ª Assembleia Anual (AAM2026) se realizará em El Alamein, no Egipto, entre os dias 21 e 24 de Junho de 2026. O encontro, subordinado ao tema “Comércio Intra-Africano e Industrialização: Caminho para a Soberania Económica”, reunirá Chefes de Estado, responsáveis governamentais, decisores políticos, líderes do sector privado, instituições financeiras, académicos e parceiros internacionais de todo o continente e além-fronteiras.

Uma resposta africana a um mundo em turbulência

O presidente e presidente do Conselho de Administração do Afreximbank, George Elombi, foi directo no diagnóstico que justifica a agenda da cimeira. “Nos últimos dez anos, o Afreximbank lançou bases sólidas para que o comércio intra-africano decole. Agora, nesta nova fase, temos de priorizar o processamento dos bens a serem transaccionados no âmbito do Acordo de Livre Comércio Continental Africano”, afirmou.

O responsável foi claro quanto ao imperativo estratégico que a turbulência global impõe ao continente. “Com a actual desordem global, marcada pela incerteza política e pelo agudizar das tensões geopolíticas, os africanos têm de olhar para dentro em busca de soluções para os seus desafios. Temos de nos libertar do comércio de matérias-primas, expandir o investimento no processamento, construir cadeias de valor regionais e consumir os nossos próprios produtos para alcançar o crescimento e a prosperidade partilhada que desejamos”, sublinhou.

O Egipto como palco e actor

Hassan Abdalla, governador do Banco Central do Egipto, destacou a dimensão estratégica do país anfitrião neste contexto. “A localização estratégica e a escala económica do Egipto posicionam-no como motor central da integração regional e do avanço das prioridades continentais”, afirmou, acrescentando que a realização da AAM2026 em El Alamein reflecte o compromisso contínuo do Egipto com o reforço do comércio intra-africano e a transformação económica de longo prazo do continente.

Uma plataforma de negócios e decisão

Para além dos debates estratégicos, a AAM2026 constituirá uma plataforma concreta de acção destinada a identificar projectos prioritários e programas accionáveis que acelerem a transformação da estrutura comercial africana. Os participantes terão acesso a decisores de alto nível, oportunidades de conexão com parceiros ao longo da cadeia de valor, visibilidade sobre instrumentos de financiamento do comércio e logística, bem como condições para estruturar parcerias e avançar projectos financiáveis em múltiplos sectores do continente.

Ao reunir uma comunidade alargada e diversificada de actores, a 33.ª Assembleia Anual do Afreximbank posiciona-se como um momento determinante na construção de uma visão partilhada de um continente integrado, industrializado e economicamente soberano.

Fonte: Afreximbank

EUA financiam estudo de pré-viabilidade do Projecto de Terras Raras de Monte Muambe

Altona Rare Earths avança em paralelo o projecto de fluorite e gálio, com entrada em produção prevista para 2027

A Altona Rare Earths assinou um acordo de subvenção no valor de 1,87 milhões de dólares australianos com a Agência dos Estados Unidos para o Comércio e Desenvolvimento (USTDA), destinado a financiar a fase de pré-viabilidade do projecto de terras raras de Monte Muambe, em Moçambique. O acordo foi anunciado durante um evento sobre minerais críticos realizado à margem da Investing in African Mining Indaba, na Cidade do Cabo, e posteriormente formalizado numa cerimónia de assinatura na Embaixada dos Estados Unidos em Maputo.

Para o Director-Executivo da empresa, Cedric Simonet, o financiamento representa um marco determinante no desenvolvimento do projecto. “Este apoio vai permitir-nos concentrar os nossos recursos no desenvolvimento acelerado do projecto de fluorite em direcção à construção em 2027”, afirmou.

Aplicação dos fundos e foco metalúrgico

A subvenção será aplicada no financiamento dos componentes de metalurgia e engenharia de processos da pré-viabilidade, incluindo uma campanha de sondagem para obtenção de novas amostras, bem como na actualização do modelo financeiro e da avaliação do projecto.

Simonet sublinha que a metalurgia é invariavelmente o aspecto mais exigente de qualquer projecto de terras raras, dada a complexidade dos minerais e elementos químicos envolvidos. O trabalho em curso visa a redução de custos operacionais actualmente, a componente de hidrometalurgia representa 50% dos custos operacionais totais e poderá ser optimizada através do aperfeiçoamento do processo de beneficiação.

Dois projectos, uma licença mineira

O depósito de carbonatite de Monte Muambe, com 2,5 quilómetros de diâmetro, alberga múltiplas commodities minerais numa única licença mineira. A mineralização de terras raras concentra-se na porção central do depósito, enquanto a fluorite de elevado teor com mineralização associada de gálio ocorre nas margens.

Esta distribuição espacial distinta, aliada a dinâmicas de projecto diferenciadas, justifica o avanço simultâneo mas independente das duas vertentes. O projecto de terras raras, já em fase de pré-viabilidade, implica um investimento superior a 200 milhões de dólares e um horizonte de desenvolvimento de cerca de cinco anos. O projecto de fluorite, em fase de estudo de âmbito, apresenta uma escala significativamente menor, com um investimento estimado inferior a 20 milhões de dólares, e está posicionado como oportunidade de produção de mais curto prazo.

Fluorite e Gálio: novos horizontes

A campanha de exploração conduzida em 2025 nas zonas de fluorite e gálio de Monte Muambe alargou a extensão da mineralização para além do recurso histórico de fluorite, que cobria apenas uma parcela limitada do depósito. As sondagens incluíram furos de preenchimento em áreas já perfuradas e novos furos em alvos inéditos, com o objectivo de produzir uma estimativa actualizada de recursos minerais.

A descoberta de ocorrências de gálio estreitamente associadas à mineralização de fluorite é um dos resultados mais relevantes dos trabalhos de 2025. A estimativa de recursos a publicar cobrirá ambos os minerais, estando ainda em avaliação as opções metalúrgicas para a extracção do gálio como potencial subproduto.

Em termos de produção, a Altona Rare Earths planeia produzir 50.000 toneladas por ano de fluorite de grau ácido, podendo esta capacidade aumentar para próximo de 100.000 toneladas anuais em função dos resultados da estimativa de recursos e de novas sondagens previstas para o segundo semestre deste ano. Trabalhos metalúrgicos históricos indicam taxas de recuperação de cerca de 65%, com amostras de minério representativas a serem actualmente submetidas a testes metalúrgicos avançados na África do Sul para confirmação do fluxograma final, dos parâmetros de processo e das especificações do produto.

Fonte: Mining Weekly / Altona Rare Earths

Governo afirma não haver risco de escassez de combustível

Nobody photo. Retro styled photography of pistol' row. Handguns hang on station's stand.

As autoridades moçambicanas asseguraram ao público que, apesar da agressão dos EUA e de Israel contra o Irã e do consequente fechamento do Estreito de Ormuz, Moçambique não corre o risco iminente de ficar sem combustíveis líquidos.

Essa garantia veio após compras em pânico na manhã de sexta-feira e sábado em postos de gasolina em Maputo e na cidade vizinha de Matola. Longas filas de veículos se formaram nas bombas de combustível, e alguns postos ficaram sem estoque.

A Direção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis tentou acalmar a situação, garantindo que não há uma verdadeira escassez de combustível.

O pânico de sexta-feira surgiu de uma notícia de que as reservas operacionais de combustível no país durariam apenas 12 dias. Isso pode muito bem ter sido verdade no dia em que foi divulgado, 24 de março, mas a Direção afirmou que os postos de combustível estão sendo reabastecidos normalmente.

O contrato de fornecimento de combustível é válido até maio de 2027, e a Direção tinha certeza de que isso garantiria a continuidade do abastecimento.

Embora seja verdade que a maior parte do combustível importado por Moçambique passe pelo Estreito de Ormuz, o encerramento do Estreito não afeta os petroleiros que já se encontram em alto mar, a caminho dos portos moçambicanos.

A direção informou que novas remessas de combustível devem chegar ao porto de Maputo em 30 de março. Essas remessas garantirão o abastecimento de gasolina por mais 26 dias e de diesel por 17 dias. Mais navios-tanque devem chegar em abril.

A Direção Nacional pediu à população que mantivesse a calma e não estocasse combustível.

A Associação Moçambicana de Empresas de Combustíveis (Amepetrol) concordou e afirmou que não há risco iminente de o país ficar sem combustível. Em comunicado divulgado na sexta-feira, a associação alegou que a situação está sob controle e pediu aos motoristas que evitem comportamentos que possam pressionar a cadeia de abastecimento.

A Amepetrol informou que há combustível disponível nos terminais marítimos dos principais portos. Normalmente, esses terminais ficam fechados durante o fim de semana, mas, excepcionalmente, foi permitido que abrissem no sábado para agilizar o abastecimento do mercado varejista e reduzir a pressão sobre os postos de gasolina.

Fonte: AIM

ENH celebra 45 anos e anuncia 5 mil milhões de meticais em dividendos ao Estado desde 2018

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) distribuiu cerca de 5 mil milhões de meticais (68 milhões de euros) em dividendos ao Estado moçambicano desde 2018, reafirmando o seu papel central na economia nacional. O anúncio foi feito durante as celebrações do 45.º aniversário da empresa, realizadas em Maputo.

“A ENH é hoje um dos pilares da economia nacional. Contribui para a geração de receitas, mas também entrega dividendos ao Estado moçambicano que, após uma longa caminhada para alcançar a sustentabilidade financeira esperada, entregou cerca de 5 mil milhões de meticais para os cofres do Estado desde 2018”, afirmou a presidente do Conselho de Administração da ENH, Ludovina Bernardo.

As celebrações foram assinaladas com o lançamento do Prémio ENH de Jornalismo, uma iniciativa destinada a estimular a produção de conteúdos jornalísticos e a promover a investigação no sector energético. O programa inclui ainda sessões técnicas sobre conteúdo local, conferências e iniciativas educativas, culturais e comunitárias com o objectivo de aproximar o sector da energia da população moçambicana.

Na ocasião, o Secretário de Estado das Minas, Jorge Daudo, sublinhou a dimensão histórica e estratégica da empresa. “Celebramos os 45 anos da ENH, uma instituição que começou pequena, mas com ousadia. Ao longo destas décadas, aprendeu a transformar sinais invisíveis em riqueza tangível, convertendo promessas profundas em orgulho nacional”, afirmou, acrescentando que o país reconhece o gás como o caminho para sustentar as “ambições colectivas” de Moçambique.

Fundada em 1981, com um capital social de 749 milhões de meticais (10 milhões de euros) integralmente detido pelo Estado moçambicano, a ENH opera sob tutela do Ministério dos Recursos Naturais e Energia. A empresa participa em todas as fases das operações petrolíferas da prospecção e pesquisa à produção, refinação, transporte, armazenamento e comercialização de hidrocarbonetos e seus derivados, incluindo Gás Natural Liquefeito (GNL) e Gás-para-Líquidos (GTL), tanto no mercado interno como externo.

Moçambique dispõe de três megaprojectos aprovados para o desenvolvimento das reservas de GNL na Bacia do Rovuma, consideradas entre as maiores do mundo, ao largo de Cabo Delgado. O projecto liderado pela TotalEnergies e o da ExxonMobil este avaliado em 30 mil milhões de dólares (26,1 mil milhões de euros), com capacidade de 18 mtpa aguardam decisão final de investimento, ambos em Afungi. A italiana Eni opera desde 2022 a plataforma flutuante Coral Sul, com produção de cerca de 7 mtpa, capacidade que deverá duplicar a partir de 2028 com a entrada em funcionamento da plataforma Coral Norte, num investimento de 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros).