Wednesday, June 10, 2026
spot_img
Home Blog

Conferência e Exposição de Mineração, Petróleo e Gás e Energia de Moçambique – MMEC

Moçambique será palco da 7ª edição do MMEC*, entre os dias 21 e 22 de Abril. Um evento que expõe a industria no sector de mineração, petróleo, gás e energia.

O objectivo é atrair investimentos, promover parcerias, ouvir decisores políticos e partilhar conhecimento sobre o sector.

Este evento deverá atrair expositores de cerca de 30 países. Além do sector privado, contará também, com a participação de quadros do governo como Ministros e Directores de empresas públicas.

A organização do evento desenvolveu um aplicativo para interacção dos participantes. A app permite ficar a par do programa do evento e até ver a lista de participantes. Conversar com os participante bem como marcar reuniões, são também duas funcionalidades a aplicação.

Caso esteja interessado em participar como espectador ou expositor, as inscrições podem ser feitas aqui.

*Em parceria com a ENH

Mozambique CEO Summit

A cidade de Maputo irá acolher o maior evento de negócios no país, que conecta executivos de nível “C”, o chamado Mozambique CEO Summit.

A decorrer no dia 25 de Fevereiro de 2021, numa modalidade híbrida (online e presencial), este evento promete promover partilha de experiência, oportunidades de negócios e investimentos nas áreas de GNL, agro-negócios, imobiliário e de inteligência artificial.

No evento, mais de 20 oradores nacionais e internacionais compartilharão a sua experiência e conhecimento. O Mozambique CEO Summit também promete ser uma plataforma de networking entre empresários nacionais e internacionais.

Caso queira participar, pode adquirir os bilhetes aqui.

Millennium Bim diz adeus às formas de pagamento convencionais com o Pay IZI

Foi recentemente disponibilizado o serviço Pay IZI do Millennium Bim, que se apresenta como alternativa moderna e ecológica aos pagamentos via cartão e dinheiro.

Através da parceria com o serviço de carteira móvel da Vodacom, M-Pesa, os comerciantes poderão receber pagamentos de usuários do Millennium IZI, do aplicativo Smart IZI e do M-Pesa, “sem custos de adesão, manutenção e de consumíveis associados”, segundo explica o comunicado de imprensa do Banco.

Além da adesão gratuita, outras vantagens do novo serviço incluem a notificação de todos os pagamentos, bem como a possibilidade de consultar o histórico de transacções.

Para José Reino da Costa, PCE do Millennium bim, “com este serviço, firmamos também o nosso compromisso de continuar a promover, de forma efectiva, a nossa estratégia de inclusão financeira dos moçambicanos”, lê-se no comunicado.

Já o Director Geral da Vodafone M-Pesa S.A, Gulamo Nabi, afirma que “um passo muito importante foi dado rumo ao objectivo de permitir que os clientes M-Pesa possam efectuar todas as suas transacções do dia-a-dia sem necessidade de recurso ao dinheiro físico”.

Esta iniciativa “deverá também ter um impacto positivo na aceleração da actividade económica no país”, acrescentou Nabi.

O canal de pagamento Pay IZI está disponível para download na Play Store para dispositivos Android.

Esta iniciativa é apresentada num momento em que o mundo enfrenta uma pandemia e recorre à tecnologia para conceder soluções que auxiliem na redução do risco de contágio.

Outras inovações tecnológicas que estarão em alta, neste ano, estão descritas neste artigo do Profile.

Millennium Bim prevê inflação acelerada e juros brandos em 2021

A área de estudos económicos do Millennium Bim prevê que a inflação no país continuará a acelerar em 2021, rondando os 5.6%.

A previsão admite que esta aceleração está condicionada a vários factores como o mercado cambial, a oferta e procura de bens e serviços e a situação económica dos principais parceiros de Moçambique como a África do Sul.

Num documento publicado nesta quarta-feira, o Banco faz uma previsão de abrandamento das taxas de juro, pelo Banco Central, até segundo trimestre do próximo ano devido a “riscos inflacionários elevados”.

O Millennium Bim publica seu estudo na sequência da divulgação do Índice de Preços no Consumidor, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), cujo resultado foi reportado pelo Profile.

Banco alemão doa €6M para apoiar MPME’s moçambicanas

Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME’s) moçambicanas terão acesso a um fundo de apoio emergencial de seis milhões de euros.

O valor é parte de um total de €17.5 milhões disponibilizados pela Cooperação Financeira Alemã através do Banco de Desenvolvimento daquele país – kfW.

Os seis milhões serão canalizados às empresas através do Banco de Moçambique, conforme anunciado pelo mesmo, nesta terça-feira, através de um comunicado.

O objectivo deste apoio é ajudar as empresas a mitigarem os efeitos negativos da COVID-19 e garantirem sua sobrevivência.

Sengundo o comunicado, este valor é destinado à “cobrir necessidades decorrentes do fluxo de caixa, incluindo, mas, não se limitando a, pagamentos de salários e outros custos fixos durante a pandemia”.

Nove milhões de Euros serão destinados à uma linha de crédito para MPME’s e finanças agrícolas.

Os restantes 2.5 milhões estarão alocados à assistência técnica que irão beneficiar as instituições financeiras participantes na linha de crédito para as MPME’s e finanças agrícolas.

A referida assistência servirá para “conferir maior rigor, transparência e fiabilidade da informação no processo de avaliação e monitoria”, lê-se no documento.

Total eleva comércio externo em Cabo Delgado

De acordo com Osvaldo Silva, director regional norte da Autoridade Tributária, de Janeiro a Outubro deste ano, no geral, a zona Norte do país registou uma redução nas importações e exportações.

Esta análise foi feita em comparação como o mesmo período do ano anterior.

Contudo, Silva afirmou, durante uma entrevista ao Jornal Notícias, que na província de Cabo Delgado, a situação foi diferente, tendo registado um aumento de mais de 100%.

Em termos concretos, no período em análise, foram importados 1124 contentores neste ano, contra 556 em 2019.

Para Silva, este aumento deve-se ao projecto de petróleo e gás da Total em Afungi.

Apesar de não ter se especificado a contribuição da petrolífera nestes números, em sua página web, a Total já havia se comprometido em trazer benefícios sócio-económicos ao país desde a fase da implanatação do projecto à exploração.

Financiador da Área 1 promete deixar de apoiar projectos de petróleo e gás

Reino Unido, um dos maiores financiadores do projecto da Área 1 da Total, deixará de financiar projectos de petróleo e gás.

Com isso, o país tornar-se-á o primeiro a dar este passo com vista a combater os efeitos das mudanças climáticas.

Esta promessa foi feita no Sábado, durante uma cimeira das Nações Unidas onde outros grandes países deverão apresentar as suas.

O Reino Unido, através da sua agência Finance Export, já havia dado garantias em milhares de milhões para ajudar companhias britânicas a se expandirem.

Moçambique estava no mapa do financiamento britânico no projecto de gás natural liquefeito da Total na Área 1.

O apoio planeado era de 20 mil milhões de dólares, assim sendo, a nação era um dos maiores financiadores do projecto.

É prematuro afirmar que o financiamento está em risco pois ainda não foi informada a data de implementação da medida.

Contudo, Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, afirmou que a entrada em vigor deverá acontecer “o mais rápido possível”.

Johnson ainda adiantou que haverá algumas excepções à nova regra, no que diz respeito a centrais eléctricas alimentadas a gás desde que estejam nos parâmetros do Acordo de Paris.

Ncondezi Energy angaria £750mil para projecto em Tete

Foi a partir de uma emissão de acções que a empresa de energia Ncondezi Energy conseguiu angariar o valor de £0.75 milhões.

Segundo a StockMarketWire, a empresa afirmou que este valor servirá “para o desenvolvimento de um projecto de energia alimentada a carvão em Tete, Moçambique”.

Dentre as despesas previstas estão as negociações tarifárias com a Electricidade de Moçambique (EDM) e outros acordos importantes como compra e concessão de energia.

As acções foram emitidas a £4.5 cada, o que, “segundo a Ncondezi Energy, foi um valor baixo para o preço médio ponderado do volume de 30 dias”, de acordo com a fonte supracitada.

Moçambique e União Europeia assinam acordos avaliados em 178 milhões de euros

O Governo de Moçambique e a União Europeia assinaram esta terça-feira, em Maputo, quatro acordos de financiamento avaliados em 178 milhões de euros, destinados a apoiar projectos estratégicos nas áreas de energia, digitalização, educação e agronegócio.

Os acordos foram formalizados no âmbito do Fórum Empresarial Moçambique–União Europeia 2026, evento que reúne representantes governamentais, investidores, empresas e parceiros de desenvolvimento para discutir oportunidades de cooperação económica e investimento sustentável.

Segundo informações divulgadas pela União Europeia, os recursos serão distribuídos por quatro áreas prioritárias:

  1. 40 milhões de euros para expansão do acesso à electricidade;
  2. 28 milhões de euros para transformação digital e inclusão de mulheres na economia digital;
  3. 50 milhões de euros para educação e capacitação orientadas para a transição verde e digital;
  4. 60 milhões de euros para desenvolvimento do agronegócio e cadeias de valor sustentáveis.

Durante a cerimónia de abertura do fórum, o Presidente da República, Daniel Chapo, destacou a importância da parceria estratégica entre Moçambique e a União Europeia para acelerar o desenvolvimento económico e reforçar a confiança dos investidores internacionais.

Por sua vez, representantes da União Europeia defenderam que a iniciativa faz parte da estratégia Global Gateway, plataforma europeia destinada a financiar infra-estruturas resilientes, sustentáveis e de alta qualidade em sectores considerados críticos para o crescimento económico.

A União Europeia prevê mobilizar mais de 300 milhões de euros em investimentos para Moçambique no âmbito desta estratégia, incluindo financiamentos adicionais ligados a projectos de energias renováveis, mini-redes eléctricas e infra-estruturas solares.

O Fórum Empresarial Moçambique–União Europeia decorre em Maputo e antecede a conferência RENMOZ 2026, dedicada ao sector das energias renováveis, considerada uma das principais plataformas de promoção de investimentos energéticos no país.

Consórcio liderado pela JGC assegura contrato EPCIC do Coral Norte LNG

A multinacional japonesa JGC Holdings Corporation, através da sua empresa do grupo JGC France, em parceria com a Technip Energies France e a Samsung Heavy Industries da Coreia do Sul – ganhou um contrato para prestar serviços de engenharia, aquisição, construção, instalação e colocação em funcionamento (EPCIC) no projecto de Gás Natural Liquefeito (GNL) Coral Norte, localizado na Área 4 da Bacia do Rovuma, ao largo da costa da província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

O projecto em causa é operado pela Mozambique Rovuma Venture (MRV), uma joint venture detida pela americana ExxonMobil, pela empresa italiana de energia ENI e pela CNPC da China. Faz também parte da joint venture a própria Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) de Moçambique, a Kogas da Coreia do Sul e a XRG.

O projecto envolve a construção de uma nova instalação FLNG com uma capacidade de produção de aproximadamente 3,6 milhões de toneladas por ano. A instalação será construída no campo de gás de Coral, localizado a cerca de 50 quilómetros da costa norte de Moçambique.

“Nos termos do contrato, a JGC France e a Technip Energies, através da sua joint venture, serão as principais responsáveis pela engenharia e aquisição das instalações de superfície do FLNG, bem como pela gestão global do projecto. A Samsung Heavy Industries encarregar-se-á da engenharia, aquisição e construção do casco do FLNG e da fabricação dos módulos de superfície”, lê-se num comunicado citado pela AIM.

De acordo com o documento, o valor total do contrato é inferior a 5 mil milhões de dólares, dos quais a parte do Grupo JGC é superior a 1 mil milhões de dólares. “O contrato está estruturado como um acordo chave na mão de montante fixo e o início da produção de GNL está previsto para 2028”, acrescenta a nota.

O projecto Coral Norte representa o segundo desenvolvimento de FLNG em Moçambique, a seguir ao projecto Coral Sul. Nesse projecto anterior, o Grupo JGC, o Grupo Technip e a Samsung Heavy Industries executaram conjuntamente os trabalhos de EPCIC, tendo alcançado a primeira carga de GNL em 2022 e produzindo actualmente com desempenhos operacionais excepcionais.

“Através destes projectos sucessivos, as três empresas estabeleceram um sólido historial e uma parceria de confiança com a Area 4 Partners. O Grupo JGC consolidou uma posição de liderança no sector do GNL flutuante (FLNG), tendo participado em múltiplos projectos a nível mundial, incluindo projectos de desenvolvimento de FLNG para a PETRONAS na Malásia”, lê-se no documento.

Para além da sua carteira de projectos de GNL offshore, o Grupo JGC está activamente envolvido em grandes projectos de GNL onshore, incluindo o projecto de GNL de Ruwais nos Emirados Árabes Unidos, bem como trabalhos de conexão de engenharia inicial (FEED) para projectos no Canadá, Moçambique e Indonésia.

Bubble é a primeira e única provedora de serviços cloud licenciada ao abrigo do novo regime de Computação em Nuvem em Moçambique

No âmbito da primeira fase do processo de licenciamento conduzido pelo INTIC, a Bubble foi a única entidade autorizada na categoria de Provedor de Serviços Cloud, tendo obtido licença na categoria avançada, o nível mais elevado previsto na legislação.

A entrega das primeiras licenças ao abrigo do novo quadro regulatório para operadores digitais assinala uma nova etapa na regulação da economia digital em Moçambique.

Segundo dados avançados pelo INTIC, cerca de 170 entidades encontram-se registadas no sistema de licenciamento. Nesta primeira fase, foram licenciadas as primeiras 19 entidades que reuniram todos os requisitos técnicos, legais e regulamentares exigidos.

Entre as entidades licenciadas, a Bubble Cloud Mozambique foi a única autorizada na categoria de Provedor de Serviços Cloud ao abrigo do novo regime de Computação em Nuvem em Moçambique. A licença foi atribuída na categoria avançada, a classificação mais elevada prevista na legislação para este tipo de operadores.

Num contexto em que os sistemas e a informação assumem um papel cada vez mais crítico para organizações públicas e privadas, esta licença reforça o compromisso da Bubble com a protecção, disponibilidade e residência local de dados.

“Ser a primeira e única provedora de serviços cloud licenciada ao abrigo deste novo regime é um reconhecimento importante, mas acima de tudo uma responsabilidade. Os nossos clientes confiam-nos sistemas e informação crítica para o funcionamento das suas organizações. O nosso compromisso é continuar a garantir que permanecem protegidos, disponíveis e alojados em Moçambique”, afirmou Yumna Bhikha, Administradora da Bubble Cloud Mozambique.

Sobre a Bubble Cloud

A Bubble Cloud é um provedor de serviços cloud e infra-estrutura digital, com infra-estruturas localizadas em Moçambique e residência local de dados.

A empresa disponibiliza serviços de Infra-estrutura-como-Serviço (IaaS), Backup-como-Serviço (BaaS), Disaster Recovery e outras soluções cloud suportadas por equipas técnicas locais especializadas.

Com suporte técnico local e um modelo de utilização flexível, a Bubble ajuda organizações públicas e privadas a operar com maior controlo, previsibilidade e confiança.

Construindo a infra-estrutura digital de Moçambique

A Bravantic chegou a Moçambique em 2009 através de um projecto âncora. O que encontrou no mercado nessa altura e como se transformou o mercado deste então?

Quando a Bravantic iniciou a sua operação em Moçambique, em 2009, encontrou um mercado de Tecnologias de Informação ainda pouco estruturado, marcado por infraestruturas básicas, forte dependência de sistemas legacy e uma cultura tecnológica ainda muito centrada em suporte operacional. Naquele período, temas como datacenters, continuidade de negócio, resiliência digital e cibersegurança ainda tinham presença bastante limitada no ecossistema empresarial nacional. A escassez de competências técnicas especializadas e a reduzida maturidade digital das organizações representavam igualmente desafios significativos para a evolução do sector.

Foi precisamente neste contexto que surgiu o projecto do Datacenter da EDM, considerado um marco importante no início de uma abordagem mais profissional, estruturada e estratégica às infraestruturas críticas em Moçambique. O projecto ajudou a introduzir novos padrões de fiabilidade, continuidade operacional e modernização tecnológica, contribuindo para elevar o nível de exigência do mercado.

Desde então, o sector tecnológico moçambicano evoluiu de forma muito significativa. A tecnologia deixou de ocupar apenas uma função de suporte técnico para assumir um papel central nos processos de transformação das organizações. Actualmente, Moçambique apresenta um nível de maturidade digital muito superior ao observado em 2009, com maior adopção de virtualização, cloud computing, serviços financeiros digitais e soluções orientadas para automação e integração tecnológica. Paralelamente, aumentaram também as exigências relacionadas com segurança da informação, resiliência operacional, governance e continuidade de negócio.

Em termos práticos, se em 2009 o foco principal estava na construção de infra-estruturas tecnológicas, hoje a discussão está claramente centrada na transformação digital das organizações e na forma como a tecnologia pode gerar eficiência, inovação e vantagem competitiva.

Em 2022, o Grupo reposicionou-se como Bravantic. Foi apenas um rebranding? O que mudou de facto na forma como operam?

Não se tratou apenas de um rebranding, mas de uma transformação efectiva de posicionamento estratégico. Até então, o grupo actuava de forma fortemente centrada na integração tecnológica tradicional, com foco predominantemente orientado para implementação de infraestruturas e soluções técnicas. Contudo, à medida que o mercado evoluiu e as necessidades dos clientes se tornaram mais complexas, ficou evidente que já não bastava apenas disponibilizar tecnologia; era necessário ajudar as organizações a transformar os seus modelos de negócio através dela.

O reposicionamento para Bravantic representou, na prática, uma mudança estrutural na forma de actuar e criar valor. A empresa deixou de se posicionar apenas como fornecedora de soluções tecnológicas para assumir um papel de parceiro estratégico, actuando mais próxima da realidade operacional e dos objectivos de negócio dos clientes. O foco passou a estar não apenas na implementação tecnológica, mas sobretudo nos resultados, eficiência, continuidade operacional e impacto estratégico gerado pela tecnologia.

Outra mudança significativa esteve relacionada com a transição de uma lógica baseada em projectos pontuais para um modelo centrado em serviços contínuos. A Bravantic reforçou a sua aposta em managed services, operação tecnológica e suporte especializado, garantindo acompanhamento permanente, estabilidade operacional e geração de valor ao longo do tempo, em vez de relações limitadas apenas à fase de implementação.

Paralelamente, o grupo expandiu o seu posicionamento para áreas directamente ligadas à transformação digital, incluindo cloud, cibersegurança, gestão de dados, automação e continuidade de negócio. Essa evolução permitiu à Bravantic responder às novas exigências do mercado, cada vez mais orientadas para resiliência digital, eficiência operacional e integração inteligente de tecnologias.

No essencial, a Bravantic não mudou apenas de nome. Mudou profundamente a sua visão, a sua abordagem ao mercado e a forma como cria valor para clientes, parceiros e organizações.

II.  O MERCADO HOJE

Moçambique aprovou em Abril de 2026 as suas primeiras leis de cibersegurança e cibercrime. Do ponto de vista de quem opera no sector há mais de uma década, o que é que estas leis mudam na prática?

Para quem actua no sector das Tecnologias de Informação e Segurança em Moçambique há mais de uma década, a aprovação da Lei de Segurança Cibernética e da Lei de Crimes Cibernéticos, em Abril de 2026, representa o fim de um prolongado vazio legal que obrigava profissionais, empresas e instituições a operarem essencialmente com base em boas práticas internacionais, mecanismos internos de protecção e princípios éticos de actuação.

Na prática, o novo quadro legal introduz mudanças profundas no funcionamento diário do sector. Uma das principais transformações está relacionada com o fim da impunidade e a definição formal dos crimes cibernéticos. Até então, muitas invasões informáticas, fraudes digitais e actos ilícitos praticados em ambiente electrónico eram difíceis de investigar, enquadrar e processar judicialmente devido à ausência de tipificação específica na legislação moçambicana. Com as novas leis, passam a ser criminalizadas, de forma clara, condutas como o acesso ilegítimo a sistemas e redes informáticas, a falsidade e burla informática, incluindo práticas de phishing e esquemas fraudulentos ligados ao mobile money, o abuso de meios de pagamento electrónico, bem como a intercepção e violação de correspondência digital.

O novo enquadramento jurídico também estabelece responsabilidades mais rigorosas para empresas, operadores e instituições que gerem dados, plataformas e infraestruturas tecnológicas. Organizações públicas e privadas consideradas estratégicas, particularmente nos sectores da banca, energia, telecomunicações e serviços essenciais, passam a estar sujeitas a requisitos legais de segurança, resiliência operacional e reporte obrigatório de incidentes cibernéticos. Paralelamente, foi criado um mecanismo regulador com poderes de supervisão, fiscalização e aplicação de sanções, incluindo multas que podem atingir até 160 salários mínimos em caso de infracção.

Outro aspecto relevante é a institucionalização formal da cibersegurança em Moçambique. A governação digital deixa de funcionar de forma dispersa e passa a integrar um Sistema Nacional de Segurança Cibernética, com entidades técnicas e operacionais claramente definidas. Neste contexto, o INTIC assume um papel central de coordenação técnica, articulando-se com as Forças de Defesa e Segurança em situações de emergência ou ameaça crítica. A legislação prevê igualmente a criação de um Fundo de Segurança Cibernética destinado ao financiamento da formação de quadros especializados, modernização tecnológica e fortalecimento das capacidades nacionais de resposta.

Para os profissionais ligados à perícia forense digital e investigação tecnológica, a mudança é particularmente significativa. A legislação passa a regular formalmente a recolha, preservação e utilização de provas em suporte electrónico, conferindo maior segurança jurídica aos processos de investigação e permitindo que evidências digitais sejam aceites em tribunal mediante critérios legais claramente definidos.

As novas leis reforçam ainda os mecanismos de cooperação internacional, reconhecendo que muitos ataques cibernéticos com impacto em Moçambique têm origem fora do território nacional. O novo quadro legal facilita a assistência jurídica mútua entre Estados, criando condições para investigações transnacionais mais eficazes e para a responsabilização de criminosos além-fronteiras.

Em termos gerais, o sector deixa de operar num ambiente predominantemente assente na autorregulação e passa a funcionar sob um modelo de compliance obrigatória, com implicações directas para empresas, gestores de sistemas, técnicos de segurança e profissionais de tecnologia. Para o mercado, isso representa uma valorização crescente das competências em auditoria, cibersegurança, protecção de dados e gestão de risco digital, mas também uma responsabilidade jurídica significativamente maior sobre os sistemas, plataformas e infraestruturas sob gestão.

O mercado de data centers em Moçambique está a mudar rapidamente. Como posiciona a Bravantic neste contexto qual é o vosso espaço específico?

No actual contexto de aceleração digital em Moçambique, a Bravantic posiciona-se não apenas como fornecedora de soluções tecnológicas, mas sobretudo como um integrador estratégico de infraestruturas críticas. Num mercado marcado pela entrada de grandes operadores globais, como a Raxio, e por investimentos significativos das operadoras de telecomunicações, incluindo o novo Data Center Tier III da Vodacom na Matola, a Bravantic ocupa um espaço específico centrado na viabilização técnica, operacional e sustentável dessas infraestruturas.

A actuação da empresa assenta em três pilares fundamentais. O primeiro está relacionado com a construção e gestão de infraestruturas de rede essenciais para a transformação digital do país, incluindo o desenho, implementação e optimização de data centers. Neste domínio, a Bravantic intervém em toda a cadeia técnica, desde a engenharia de sistemas eléctricos e climatização (HVAC) até à gestão física e lógica das infraestruturas tecnológicas.

O segundo pilar está ligado à continuidade de negócio e resiliência operacional. Com a nova regulação de 2026 a impor padrões mais rigorosos de segurança e resiliência digital, a Bravantic diferencia-se pela sua capacidade de assegurar a vitalidade tecnológica das organizações. Isso inclui a monitorização contínua da performance das infraestruturas críticas, optimização energética, protecção de activos digitais e garantia de continuidade operacional num cenário cada vez mais exposto a ameaças cibernéticas e interrupções tecnológicas.

O terceiro pilar reside na proximidade e especialização local. Presente em Moçambique há 28 anos, a Bravantic consolidou-se como um parceiro de proximidade, com profundo conhecimento da realidade operacional, tecnológica e institucional do mercado moçambicano. Ao contrário de modelos exclusivamente dependentes de soluções externas baseadas na nuvem, a empresa aposta em abordagens que respondem às necessidades de soberania de dados, gestão local e adaptação tecnológica às especificidades de cada projecto, alinhando inovação, sustentabilidade e impacto social.

É precisamente neste ponto que reside a principal diferenciação da Bravantic no mercado. Enquanto os grandes operadores disponibilizam o espaço físico e os serviços de colocation, a Bravantic assegura a inteligência técnica, integração tecnológica e manutenção especializada que permitem que essas infraestruturas funcionem de forma contínua, segura e ajustada às exigências concretas de cada organização em Moçambique.

III.  PESSOAS, CULTURA e LIDERANÇA

A vossa equipa em Moçambique combina colaboradores directos com uma rede de parceiros. Como gere essa realidade no dia-a-dia e que tipo de perfis técnicos são mais difíceis de encontrar no mercado local?

Para gerir um ecossistema que combina equipas internas com parceiros externos em Moçambique, a estratégia da Bravantic assenta num modelo de governação híbrida, no qual a empresa actua como o centro estratégico e técnico dos projectos, enquanto a rede de parceiros funciona como extensão operacional especializada e mecanismo de capilaridade geográfica. Este modelo permite assegurar consistência na entrega, proximidade operacional e capacidade de resposta em diferentes pontos do país.

No dia-a-dia, essa gestão baseia-se, em primeiro lugar, na padronização rigorosa de processos e mecanismos de compliance. A Bravantic garante que todos os parceiros operam sob os mesmos indicadores de desempenho, qualidade e segurança aplicados às equipas internas, um aspecto particularmente relevante face às novas exigências introduzidas pela Lei de Segurança Cibernética em Moçambique.

Outro elemento central da estratégia está relacionado com a transferência contínua de conhecimento. A empresa não encara os parceiros apenas como recursos de execução operacional, mas como parte integrante do ecossistema tecnológico. Por isso, promove sessões conjuntas de formação e alinhamento técnico, assegurando uniformidade nos padrões de entrega, independentemente de quem esteja a executar o trabalho no terreno.

A gestão de proximidade constitui igualmente um factor determinante. Considerando a dimensão territorial de Moçambique e os desafios logísticos existentes em várias províncias, os parceiros locais permitem à Bravantic responder de forma mais rápida e eficiente em zonas remotas, enquanto a equipa central, baseada em Maputo, assegura suporte técnico especializado de nível 2 e 3, além da coordenação estratégica das operações.

A Bravantic detém certificações que poucos operadores têm em Moçambique tais como ISO 27001, ISO 14001, NATO. Qual foi a mais difícil de conquistar e porquê?

Para uma organização com a dimensão, experiência e longevidade da Bravantic em Moçambique, cada certificação conquistada ao longo do tempo representou desafios distintos em termos operacionais, técnicos e estratégicos. No entanto, entre todas, a Certificação NATO, através da Credenciação de Segurança de Empresa destaca-se, sem dúvida, como a mais complexa, exigente e sensível de obter e manter.

Ao contrário das certificações ISO, que se concentram essencialmente em processos, metodologias de gestão e mecanismos de conformidade documental, a certificação NATO assenta num princípio muito mais profundo: a confiabilidade absoluta da organização e das pessoas que a integram. O processo envolve um rigoroso escrutínio institucional e humano, abrangendo não apenas a empresa, mas também os seus accionistas, gestores e colaboradores-chave. Trata-se de um processo de vetting associado à segurança nacional, no qual são avaliados aspectos ligados à integridade, histórico profissional, fiabilidade e capacidade de gestão de informação sensível por parte dos decisores e equipas envolvidas.

A obtenção desta certificação obrigou igualmente a Bravantic a implementar níveis de segurança física e digital muito acima dos padrões normalmente exigidos no sector comercial. Isso inclui mecanismos extremamente rigorosos de controlo de acessos, com áreas segregadas e restrições específicas de circulação, além da adopção de protocolos avançados de criptografia e comunicação capazes de responder a ameaças de nível estatal. Paralelamente, um dos maiores desafios esteve relacionado com a construção de uma verdadeira cultura de confidencialidade e responsabilidade no tratamento de informação classificada um processo que, do ponto de vista organizacional, é muitas vezes mais complexo do que a implementação de ferramentas tecnológicas de segurança.

Comparativamente, cada certificação ISO trouxe desafios de natureza diferente. A ISO 27001, focada em Segurança da Informação, representou sobretudo um desafio metodológico, exigindo a criação de uma cultura transversal de gestão de risco e controlo de informação em todos os departamentos da organização. Embora altamente exigente, trata-se de um modelo estruturado de boas práticas e conformidade internacional.

Já a ISO 14001, orientada para gestão ambiental, representou um desafio de adaptação operacional. Em Moçambique, questões ligadas à gestão de resíduos electrónicos, eficiência energética e sustentabilidade ambiental exigem criatividade logística e capacidade de implementação ajustada às condições locais, embora permaneçam dentro de parâmetros mais tangíveis e mensuráveis.

A certificação NATO, por sua vez, ultrapassa a dimensão puramente técnica ou processual. É, acima de tudo, um desafio de soberania, segurança e confiança institucional. Não se trata de uma certificação que se conquista apenas através de auditorias periódicas, mas de um compromisso permanente com padrões de segurança extremamente elevados, sustentado por uma postura contínua de vigilância, disciplina operacional e articulação estreita com entidades ligadas à defesa e segurança.

Na prática, possuir esta credenciação coloca a Bravantic num patamar altamente restrito e diferenciado, onde a margem para erro é praticamente inexistente, uma vez que a empresa passa a operar em contextos relacionados com infraestruturas críticas, continuidade operacional e projectos que podem impactar directamente a segurança colectiva e a resiliência estratégica das organizações e instituições com as quais trabalha.



A Bravantic criou uma plataforma de formação e adoptou uma abordagem pedagogica com os clientes em materia de transformação digital. A maioria dos integradores vende apenas tecnologia. O que e que vos levou a esse caminho?

Essa mudança de paradigma surgiu da constatação de que, em Moçambique, o principal obstáculo à transformação digital não está necessariamente na disponibilidade de tecnologia, mas sim no défice de competências técnicas e na resistência cultural à adopção de novas ferramentas e modelos operacionais. Foi a partir dessa realidade que a Bravantic decidiu deixar de actuar apenas como fornecedora de hardware ou licenças tecnológicas, assumindo um posicionamento mais estratégico, orientado para capacitação, adopção tecnológica e sustentabilidade operacional dos clientes.

Uma das razões centrais para esta abordagem está relacionada com a necessidade de garantir o retorno efectivo do investimento tecnológico realizado pelos clientes. Ao longo dos anos, tornou-se evidente que muitos projectos de transformação digital acabavam por falhar ou permanecer subutilizados porque as equipas internas não possuíam conhecimentos suficientes para explorar plenamente as ferramentas implementadas. Ao adoptar uma componente fortemente pedagógica, a Bravantic procura assegurar que a tecnologia seja verdadeiramente incorporada nos processos das organizações. Um cliente que compreende, domina e utiliza correctamente as soluções implementadas tende não apenas a obter melhores resultados, mas também a estabelecer uma relação de confiança e continuidade com o parceiro tecnológico.

Outro aspecto estratégico desta visão prende-se com a sustentabilidade operacional das empresas. No contexto moçambicano, a dependência excessiva de consultores externos para tarefas básicas representa um risco tanto financeiro quanto operacional. Por isso, a aposta da Bravantic na formação e transferência de conhecimento visa criar autonomia técnica local dentro das próprias organizações clientes. O objectivo é permitir que as equipas internas assumam a gestão operacional de primeira linha, enquanto a Bravantic permanece focada no suporte especializado, consultoria avançada e gestão de ambientes tecnológicos mais complexos.

A crescente relevância da cibersegurança reforçou ainda mais esta necessidade de capacitação. Com a entrada em vigor das novas leis de Segurança Cibernética e Crimes Cibernéticos em 2026, as responsabilidades jurídicas das organizações tornaram-se significativamente maiores. Neste cenário, não basta apenas instalar ferramentas de protecção tecnológica, como firewalls ou sistemas avançados de monitorização. É igualmente necessário desenvolver uma cultura de segurança digital entre os utilizadores finais, frequentemente considerados o elo mais vulnerável das infraestruturas tecnológicas. A abordagem pedagógica da Bravantic procura precisamente transformar os colaboradores dos clientes na primeira linha de defesa contra ameaças cibernéticas.

Além disso, a empresa acredita que a transformação digital não deve ser encarada como um produto padronizado ou uma solução de prateleira. Ao investir na educação tecnológica dos clientes, a Bravantic eleva o nível da discussão técnica e cria condições para uma relação de co-criação, em vez de simples imposição de modelos pré-definidos. Isso permite desenvolver soluções ajustadas às especificidades operacionais, culturais e estratégicas de cada organização, respeitando a realidade concreta do mercado moçambicano.

No fundo, esta visão traduz uma convicção clara da empresa: a tecnologia pode conectar sistemas, plataformas e infraestruturas, mas é o conhecimento que verdadeiramente conecta as pessoas ao negócio e garante o sucesso sustentável da transformação digital.

O valor da tecnologia está nas decisões humanas

Com mais de trinta anos de experiência internacional e actividade no mercado moçambicano desde 2000, a organização construiu uma reputação assente no desenvolvimento de competências, capacitação de equipas e fortalecimento da liderança empresarial. Para Mirza Jamal, Directora de Desenvolvimento de Negócios da Vantagem+ Moçambique, a consistência da empresa resulta da capacidade de evoluir ao ritmo das necessidades do mercado sem perder o foco naquilo que considera essencial: as pessoas.

“Temos acompanhado as transformações do tecido empresarial moçambicano e adaptado continuamente as nossas soluções”, explica. “Hoje trabalhamos muito para além da formação corporativa tradicional. Desenvolvemos programas executivos, soluções digitais, experiências de aprendizagem híbridas e iniciativas desenhadas especificamente para responder aos desafios concretos dos nossos clientes.”

Ao longo dos anos, a organização construiu relações duradouras com instituições dos sectores público e privado, tornando-se um parceiro recorrente em processos de desenvolvimento organizacional, liderança e capacitação técnica.

Formação como ferramenta estratégica

Embora o termo consultoria seja frequentemente associado a áreas como estratégia, tecnologia ou transformação digital, a Vantagem+ posiciona-se num espaço muito específico: o desenvolvimento de pessoas e competências como motor de crescimento organizacional.

Segundo Mirza Jamal, as organizações que retiram maior valor do trabalho desenvolvido pela empresa são aquelas que compreendem que o capital humano não deve ser visto como um custo operacional, mas como um activo estratégico.

“Trabalhamos com organizações que reconhecem a importância da liderança, da performance e da cultura organizacional para os seus resultados”, afirma.

Ao longo dos anos, a empresa acumulou experiência em sectores tão diversos como banca, serviços financeiros, energia, petróleo e gás, telecomunicações, administração pública, indústria e transportes.

Independentemente do sector, a lógica permanece semelhante: apoiar organizações que procuram melhorar competitividade, fortalecer equipas e preparar-se para contextos de mudança cada vez mais exigentes.

O valor da proximidade

A trajectória profissional de Mirza Jamal, construída em áreas como desenvolvimento de negócios, comunicação, marketing, relações públicas e formação corporativa, influenciou profundamente a forma como encara a relação com os clientes.

Uma das principais aprendizagens que transporta para a sua função actual é a convicção de que nenhuma solução gera impacto sustentável sem um entendimento profundo da realidade em que cada organização opera.

“Mais do que apresentar soluções, é fundamental compreender os desafios concretos de cada cliente”, explica. “A escuta activa, a proximidade e a construção de relações de confiança continuam a ser factores determinantes.”

Esta filosofia tem influenciado a abordagem da Vantagem+, que privilegia relações de longo prazo em detrimento de intervenções pontuais, procurando posicionar-se como parceiro estratégico das organizações e não apenas como fornecedor de serviços.

Um sector em amadurecimento

Questionada sobre o estado actual do mercado de consultoria em Moçambique, Mirza Jamal identifica sinais claros de evolução.

Nos últimos anos, as organizações demonstraram uma abertura crescente para recorrer a parceiros especializados em áreas como desenvolvimento organizacional, formação, melhoria de desempenho e transformação empresarial.

“Existe hoje uma consciência muito maior da importância da capacitação e do desenvolvimento de competências”, observa.

Ainda assim, considera que o mercado continua a apresentar espaço significativo para crescimento, sobretudo na capacidade de alinhar investimentos em formação com objectivos estratégicos concretos.

Na sua perspectiva, o verdadeiro impacto da consultoria depende menos do volume de iniciativas realizadas e mais da capacidade de responder a desafios reais das organizações.

“Quanto maior for a ligação entre as soluções implementadas e as prioridades efectivas das instituições, maior será o retorno gerado.”

Competir através da adaptação

Num mercado onde coexistem operadores locais, grupos internacionais e empresas regionais, a diferenciação tornou-se um elemento essencial.

Para Mirza Jamal, a principal vantagem competitiva da Vantagem+ reside na combinação entre experiência acumulada, capacidade de adaptação e profundo conhecimento do contexto moçambicano.

“Muitas organizações procuram mais do que soluções standard”, afirma. “Precisam de parceiros capazes de compreender a sua cultura, os seus objectivos e os desafios específicos que enfrentam.”

É essa proximidade, aliada à consistência na entrega e à construção de relações de confiança, que a responsável identifica como um dos principais factores de retenção de clientes e crescimento da organização.

A transformação digital da aprendizagem

Tal como aconteceu noutros sectores, a digitalização está a alterar profundamente a forma como a formação corporativa é concebida e executada.

A Vantagem+ tem vindo a incorporar soluções digitais, formatos híbridos e metodologias mais flexíveis para responder às novas exigências das organizações e dos profissionais.

Segundo Mirza Jamal, esta transformação representa simultaneamente uma oportunidade e uma exigência para as novas gerações de consultores.

“O domínio de ferramentas digitais, análise de informação e novas tecnologias será cada vez mais importante”, reconhece.

Contudo, alerta para o facto de competências como pensamento crítico, comunicação, capacidade analítica e compreensão do negócio continuarem a desempenhar um papel insubstituível.

“A tecnologia acelera processos, mas continua a ser o factor humano que determina a qualidade das decisões.”

Crescer sem perder consistência

A evolução da Vantagem+ ao longo dos anos reflecte também um processo de amadurecimento interno.

O crescimento da organização exigiu reforço de processos, expansão de competências e diversificação da oferta, permitindo responder a desafios cada vez mais complexos por parte dos clientes.

Para Mirza Jamal, crescer de forma sustentável implica garantir que a qualidade acompanha a expansão.

“À medida que as expectativas aumentam, torna-se fundamental assegurar consistência, rapidez de resposta e alinhamento permanente com as necessidades do mercado.”

Essa preocupação estende-se igualmente ao desenvolvimento da capacidade interna da organização.

A empresa aposta na selecção criteriosa de especialistas, actualização contínua do conhecimento e adaptação constante das metodologias utilizadas.

“Excelência operacional não acontece por acaso. Exige preparação, rigor e investimento permanente.”

As apostas para os próximos anos

O futuro da Vantagem+ em Moçambique passará por três grandes eixos estratégicos.

O primeiro consiste em aprofundar a oferta de formação corporativa, desenvolvendo soluções cada vez mais alinhadas com os desafios concretos das organizações.

O segundo passa pela criação de experiências executivas diferenciadoras, aproximando gestores e líderes moçambicanos de especialistas internacionais, tendências globais e novas abordagens de gestão.

A terceira prioridade será a continuação da aposta em soluções de aprendizagem mais flexíveis, digitais e personalizadas.

“Os modelos tradicionais já não respondem plenamente às necessidades actuais das organizações”, considera.

Capacitar para transformar

Ao olhar para o futuro de Moçambique, Mirza Jamal acredita que a qualidade das decisões tomadas pelo sector público e privado dependerá cada vez mais da capacidade de desenvolver competências, fortalecer lideranças e melhorar a execução organizacional.

Nesse contexto, considera que a consultoria e a formação têm um papel particularmente relevante.

“A competitividade das organizações depende directamente da qualidade das suas pessoas”, afirma.

Para a responsável, o verdadeiro valor da consultoria está na capacidade de acelerar processos de transformação, introduzir metodologias eficazes e apoiar organizações na construção de competências que lhes permitam adaptar-se a contextos em permanente mudança.

Num país onde coexistem oportunidades significativas e desafios estruturais complexos, investir em pessoas continua a ser, na sua visão, uma das decisões mais estratégicas que qualquer organização pode tomar.

O futuro das telecomunicações será decidido pela capacidade de adaptação

A TVCABO nasceu em 1996 como pioneira da distribuição por cabo em África  mas o mercado mudou muito. O que ainda se mantém da empresa original e o que foi completamente reinventado?

A TVCABO nasceu em 1996 com uma visão pioneira, proporcionar aos moçambicanos acesso a conteúdos de qualidade através da televisão por cabo. Trinta anos depois, o mercado, a tecnologia e os hábitos de consumo transformaram-se profundamente. No entanto, alguns dos nossos pilares mantêm-se inalterados: a ambição de inovar, a proximidade com os clientes e o compromisso de prestar serviços de excelência.

O que mudou foi praticamente tudo o resto. De uma empresa dedicada exclusivamente à distribuição de televisão, evoluímos para um operador integrado de telecomunicações, oferecendo serviços de televisão, internet de alta velocidade, voz e soluções digitais ajustadas às necessidades das famílias e empresas moçambicanas.

Ao longo deste percurso, investimos de forma contínua em infra-estruturas, modernizámos as nossas redes e adoptamos novas tecnologias para responder às exigências de um consumidor cada vez mais conectado e exigente.

A nossa história é, acima de tudo, uma história de transformação e adaptação. Orgulhamo-nos do nosso legado pioneiro, mas é a capacidade de continuar a evoluir que nos permite manter a relevância no presente e preparar o futuro.

Hoje, a TVCABO é uma empresa muito diferente da que nasceu em 1996, mas permanece fiel ao mesmo propósito: aproximar pessoas, ligar Moçambique ao mundo e criar valor para o país.

A TVCABO é o único operador Triple Play, NET, TV e VOZ  em Moçambique, numa rede totalmente em fibra óptica. Esse estatuto de exclusividade é uma vantagem competitiva em que medida?

Ser o único operador Triple Play em Moçambique, com uma rede totalmente assente em fibra óptica, representa, naturalmente, uma importante vantagem competitiva. No entanto, mais do que um factor de diferenciação, esta posição traduz-se numa responsabilidade acrescida perante os nossos clientes.

A nossa principal vantagem reside na capacidade de oferecer uma experiência verdadeiramente integrada, em que televisão, internet e voz funcionam de forma articulada sobre uma infra-estrutura moderna, estável e preparada para responder às crescentes exigências do mundo digital. Esta integração permite-nos disponibilizar serviços mais consistentes, eficientes e ajustados às necessidades dos nossos clientes.

A aposta numa rede integralmente assente em fibra óptica permite-nos garantir maior velocidade, fiabilidade e qualidade de serviço atributos cada vez mais valorizados tanto pelas famílias como pelas empresas, num contexto em que a conectividade se tornou essencial no dia-a-dia.

Ao mesmo tempo, esta abordagem integrada traduz-se numa maior conveniência para os clientes, que beneficiam de um único fornecedor, um único ponto de contacto e soluções completas de conectividade e entretenimento, desenhadas para responder às suas necessidades de forma simples e eficaz.

Contudo, num sector tão dinâmico e competitivo como o das telecomunicações, acreditamos que a verdadeira vantagem competitiva não reside apenas na tecnologia ou na exclusividade da oferta. Reside, sobretudo, na capacidade de inovar continuamente, investir na melhoria da experiência do cliente e antecipar as necessidades do mercado.

É essa visão que tem orientado a TVCABO ao longo da sua trajectória e que continuará a sustentar o nosso crescimento e evolução nos próximos anos.

II. O MOMENTO ACTUAL

Para além da fibra doméstica e dos data centers, o sector das tecnologias de informação e comunicação em Moçambique cobre um espectro muito mais amplocibersegurança, computação em nuvem, IoT, regulação de tráfego. Que leitura faz do mercado no seu conjunto hoje: onde estão as maiores lacunas e onde estão as maiores oportunidades?

O sector das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) em Moçambique encontra-se numa fase particularmente relevante da sua evolução. Nos últimos anos, temos assistido a um crescimento significativo da conectividade e da digitalização, tanto no segmento empresarial como no residencial. Ainda assim, o país continua a enfrentar desafios importantes e existe um amplo caminho por percorrer.

Entre as principais lacunas, destacaria a necessidade de acelerar a transformação digital de muitas organizações, reforçar as competências digitais e expandir a infra-estrutura tecnológica para zonas ainda menos servidas. Paralelamente, a cibersegurança assume um papel cada vez mais crítico. À medida que empresas, instituições e cidadãos se tornam mais dependentes dos serviços digitais, a protecção de dados, a resiliência das infra-estruturas e a gestão dos riscos cibernéticos tornam-se prioridades estratégicas incontornáveis.

Ao mesmo tempo, as oportunidades de crescimento do sector são vastas. Tecnologias e soluções como a computação em nuvem, os serviços geridos, a inteligência artificial, a Internet das Coisas (IoT), os centros de dados e as soluções avançadas de conectividade apresentam um enorme potencial para impulsionar ganhos de eficiência, produtividade e competitividade em praticamente todos os sectores da economia.

Acredito que o próximo ciclo de crescimento das TIC em Moçambique não será determinado apenas pela expansão do acesso à internet, mas sobretudo pela capacidade de transformar essa conectividade em valor económico e social. As organizações que conseguirem combinar infra-estruturas robustas, serviços digitais inovadores e elevados padrões de segurança estarão melhor posicionadas para liderar esta transformação.

Em Moçambique, estamos ainda no início desta jornada. O potencial é significativo, mas o desafio colectivo passa por construir um ecossistema que promova investimento, inovação, capacitação e inclusão digital, assegurando que os benefícios da tecnologia alcancem um número cada vez maior de pessoas, empresas e instituições.

Em Janeiro de 2025 lançaram o portal myTVCABO, que dá aos clientes controlo directo sobre contratos, pagamentos e suporte técnico. Num mercado onde o atendimento presencial ainda é norma, como está a correr essa transição?

O lançamento do portal myTVCABO representa um passo importante na nossa estratégia de transformação digital e na forma como nos relacionamos com os nossos clientes. O principal objectivo foi claro: proporcionar maior autonomia, conveniência e rapidez, permitindo que os utilizadores possam gerir os seus serviços quando e onde desejarem.

A adesão tem sido bastante positiva. Temos observado um interesse crescente dos clientes na utilização de canais digitais para consultar informações, efectuar pagamentos, acompanhar solicitações e aceder a suporte, sem necessidade de deslocação física. Esta evolução acompanha uma mudança natural dos hábitos de consumo, impulsionada pela crescente digitalização de serviços em diferentes áreas do quotidiano.

Naturalmente, esta é uma transição gradual e ainda existe um caminho importante a percorrer. Continuamos a trabalhar na implementação de novas funcionalidades e soluções que reforcem a interactividade entre a TVCABO e os seus clientes, tornando a experiência cada vez mais simples, intuitiva e eficiente.

Ao mesmo tempo, reconhecemos que, em Moçambique, os canais presenciais continuam a desempenhar um papel relevante, sobretudo para clientes que valorizam o contacto directo ou necessitam de um acompanhamento mais personalizado. Por essa razão, encaramos a digitalização não como uma substituição do atendimento tradicional, mas como uma ampliação das opções disponíveis, oferecendo aos clientes maior liberdade de escolha.

O que temos vindo a observar é uma convivência equilibrada entre os diferentes canais de atendimento. Enquanto uma parte dos clientes privilegia a conveniência e a rapidez das plataformas digitais, outros continuam a preferir o atendimento presencial para determinadas necessidades. O nosso compromisso é garantir uma experiência de excelência em ambos os contextos.

Mais do que uma plataforma digital, o myTVCABO reflecte a nossa visão de futuro: serviços cada vez mais simples, acessíveis e centrados no cliente, permitindo que cada pessoa escolha a forma mais conveniente de interagir connosco.

III. PESSOAS, CULTURA & LIDERANÇA

A TVCABO recebeu o prémio Diamond Arrow pelo 11.º ano consecutivo e a certificação ISO 9001 durante mais de duas décadas como é que gere esse rigor e exigência durante tantos anos?

O lançamento do portal myTVCABO representa um passo importante na nossa estratégia de transformação digital e na forma como nos relacionamos com os nossos clientes. O principal objectivo foi claro: proporcionar maior autonomia, conveniência e rapidez, permitindo que os utilizadores possam gerir os seus serviços quando e onde desejarem.

A adesão tem sido bastante positiva. Temos observado um interesse crescente dos clientes na utilização de canais digitais para consultar informações, efectuar pagamentos, acompanhar solicitações e aceder a suporte, sem necessidade de deslocação física. Esta evolução acompanha uma mudança natural dos hábitos de consumo, impulsionada pela crescente digitalização de serviços em diferentes áreas do quotidiano.

Naturalmente, esta é uma transição gradual e ainda existe um caminho importante a percorrer. Continuamos a trabalhar na implementação de novas funcionalidades e soluções que reforcem a interactividade entre a TVCABO e os seus clientes, tornando a experiência cada vez mais simples, intuitiva e eficiente.

Ao mesmo tempo, reconhecemos que, em Moçambique, os canais presenciais continuam a desempenhar um papel relevante, sobretudo para clientes que valorizam o contacto directo ou necessitam de um acompanhamento mais personalizado. Por essa razão, encaramos a digitalização não como uma substituição do atendimento tradicional, mas como uma ampliação das opções disponíveis, oferecendo aos clientes maior liberdade de escolha.

O que temos vindo a observar é uma convivência equilibrada entre os diferentes canais de atendimento. Enquanto uma parte dos clientes privilegia a conveniência e a rapidez das plataformas digitais, outros continuam a preferir o atendimento presencial para determinadas necessidades. O nosso compromisso é garantir uma experiência de excelência em ambos os contextos.

Mais do que uma plataforma digital, o myTVCABO reflecte a nossa visão de futuro: serviços cada vez mais simples, acessíveis e centrados no cliente, permitindo que cada pessoa escolha a forma mais conveniente de interagir connosco.

A TVCABO opera em Maputo, Matola, Beira, Nampula, Pemba e Tete mercados com realidades económicas e de literacia digital muito diferentes. Como é que constrói uma cultura de serviço que funcione da mesma forma no centro de Maputo e numa cidade do Norte?

Operar em geografias tão distintas como Maputo, Matola, Beira, Nampula, Pemba e Tete exige, acima de tudo, uma visão clara: a de que a qualidade do serviço não pode depender da localização do cliente.

Na TVCABO, a construção de uma cultura de serviço consistente começa pela definição de padrões comuns a toda a organização. Independentemente da região, todos os clientes devem beneficiar dos mesmos níveis de qualidade, fiabilidade e profissionalismo. Esse compromisso é sustentado por processos bem definidos, uma cultura organizacional sólida e um forte alinhamento interno em torno dos valores da empresa.

Naturalmente, os desafios associados ao transporte de dados a nível nacional são significativos e as expectativas dos clientes podem variar entre diferentes regiões. É precisamente por isso que a proximidade com as equipas locais assume um papel fundamental. Compreender as especificidades de cada mercado, responder de forma ágil aos desafios operacionais e manter uma presença próxima dos clientes são factores essenciais para assegurar uma experiência consistente.

Acima de tudo, a cultura de serviço da TVCABO assenta num princípio simples: independentemente da cidade ou região, o cliente deve sentir que está a ser atendido por uma única empresa, orientada pelos mesmos padrões de qualidade, proximidade e compromisso.

É essa coerência que tem permitido construir, ao longo do tempo, uma relação de confiança sólida com os nossos clientes e com o mercado.

IV. VISÃO & FUTURO

Em 2025, Moçambique aprovou pela primeira vez legislação específica para data centers e para o controlo de tráfego de telecomunicações. A TVCABO, como única operadora Triple Play com rede própria em fibra, está no centro desta nova arquitectura digital. Estas novas regras vão mudar na forma como operam?

A evolução do quadro regulatório em Moçambique, nomeadamente com a aprovação de legislação específica para centros de dados (data centers) e para a gestão e controlo do tráfego de telecomunicações, representa um marco importante para o sector. Esta evolução reflete a crescente maturidade do ecossistema digital do país e a necessidade de acompanhar a transformação tecnológica em curso.

Do ponto de vista da TVCABO, encaramos estas mudanças de forma bastante positiva. Um enquadramento regulatório mais claro, moderno e alinhado com as melhores práticas internacionais é fundamental para garantir maior previsibilidade ao sector, incentivar o investimento e reforçar a confiança entre todos os intervenientes do mercado.

Enquanto operador com infraestrutura própria assente em fibra óptica e uma presença relevante nos serviços de conectividade, entendemos estas novas medidas não como uma mudança de direção, mas como uma reafirmação da importância de continuarmos a operar com elevados padrões de conformidade, segurança e eficiência.

Naturalmente, qualquer evolução regulatória exige ajustamentos operacionais, particularmente ao nível dos processos internos, dos requisitos técnicos e do alinhamento com novas obrigações legais e regulamentares. No entanto, a TVCABO tem uma longa trajetória de adaptação e colaboração com as entidades reguladoras, o que nos permite integrar estas exigências de forma estruturada e responsável.

O nosso compromisso permanece inalterado: continuar a investir em infraestruturas robustas, serviços de elevada qualidade e soluções seguras, contribuindo ativamente para o fortalecimento de um ecossistema digital mais resiliente, sustentável e preparado para o futuro de Moçambique.

A TVCABO chegou aos 30 anos de operação em Moçambique. Olhando para os próximos dez, qual é o maior risco para a empresa:  entrada de um concorrente com mais capital, a desaceleração da economia, a velocidade da mudança tecnológica ou outro factor?

Ao olhar para os próximos dez anos, acredito que o maior risco para qualquer operador de telecomunicações, incluindo a TVCABO, não pode ser reduzido a um único factor isolado, seja a entrada de novos concorrentes, o contexto macroeconómico ou a velocidade da evolução tecnológica. O verdadeiro desafio resulta, acima de tudo, da conjugação de todos estes elementos e da capacidade das organizações de responderem a um contexto em constante transformação.

A entrada de novos concorrentes com elevada capacidade de investimento é uma possibilidade real em qualquer mercado aberto e deve ser encarada como parte natural da dinâmica do sector. Da mesma forma, o contexto macroeconómico influencia inevitavelmente o ritmo de crescimento, a capacidade de investimento das empresas e o poder de compra dos consumidores.

Ainda assim, considero que o factor mais determinante será a velocidade da transformação tecnológica, aliada à capacidade de adaptação das organizações. O sector das telecomunicações evolui a um ritmo cada vez mais acelerado, e a diferença entre liderar ou perder relevância dependerá, cada vez mais, da agilidade com que as empresas conseguem inovar, adaptar os seus modelos operacionais e antecipar as necessidades do mercado.

Mais do que um risco externo específico, o verdadeiro desafio estará na capacidade interna de execução: continuar a investir em infraestruturas robustas, manter elevados padrões de qualidade operacional, atrair e reter talento qualificado e, acima de tudo, garantir que a inovação se traduza em valor real para os clientes.

A TVCABO entra nesta nova fase apoiada numa base sólida construída ao longo de 30 anos, mas com plena consciência de que o futuro exigirá ainda mais rapidez, flexibilidade e capacidade de adaptação. Nesse sentido, o nosso compromisso mantém-se claro: continuar a evoluir ao ritmo do mercado e, sempre que possível, antecipar tendências, posicionando-nos um passo à frente.

A economia circular é uma conversa incomum num sector de tecnologia em Moçambique mas a TVCABO lançou uma campanha de recolha de equipamentos obsoletos dos clientes. De onde vem essa vontade e até onde pode chegar?

A introdução de uma iniciativa de economia circular, através da recolha de equipamentos obsoletos junto dos clientes, resulta de uma convicção simples: o crescimento tecnológico deve caminhar lado a lado com a responsabilidade ambiental e a sustentabilidade operacional.

No sector das telecomunicações, o ciclo de vida dos equipamentos é cada vez mais curto. Routers, descodificadores e outros dispositivos tornam-se rapidamente obsoletos, criando desafios ambientais relevantes quando não existe uma gestão adequada do seu destino final. A nossa iniciativa surge precisamente da consciência de que temos um papel ativo a desempenhar na mitigação deste impacto.

Esta abordagem reflete, por um lado, o alinhamento da TVCABO com boas práticas internacionais de sustentabilidade e, por outro, a nossa própria evolução enquanto empresa. À medida que expandimos os nossos serviços e reforçamos a componente digital da nossa operação, torna-se natural incorporar princípios de eficiência de recursos, reutilização e reciclagem nos nossos processos.

O potencial desta iniciativa vai muito além da simples recolha de equipamentos. Numa primeira fase, permite assegurar o tratamento adequado e a reciclagem responsável dos resíduos eletrónicos, contribuindo para a redução do impacto ambiental. Numa perspetiva mais ampla, abre igualmente espaço para modelos de recondicionamento e reutilização de equipamentos, prolongando o seu ciclo de vida útil e promovendo maior eficiência, tanto do ponto de vista económico como ambiental.

Acreditamos que, a médio prazo, este tipo de abordagem deixará de ser uma iniciativa pontual para passar a integrar, de forma natural, a forma como operamos, desde a conceção dos serviços até à gestão do fim de vida dos equipamentos.

Em última análise, trata-se de um compromisso com o futuro. A tecnologia não deve ser vista apenas como um motor de crescimento económico, mas também como uma responsabilidade ambiental. A TVCABO pretende estar alinhada com esta visão, contribuindo para um sector mais sustentável, responsável e consciente do seu impacto.

V. ECOSSISTEMA & COMUNIDADE

Na sua perspectiva, quem são os principais players tecnológicos no mercado moçambicano?

O mercado tecnológico moçambicano tem vindo a tornar-se cada vez mais dinâmico e diversificado, refletindo uma evolução gradual do ecossistema digital do país. Actualmente, contamos com vários intervenientes que desempenham papéis complementares e fundamentais na aceleração da transformação digital em diferentes sectores da economia.

No segmento das telecomunicações, destacam-se naturalmente os operadores com infraestruturas próprias e cobertura nacional, responsáveis por assegurar a conectividade essencial para cidadãos, empresas e instituições. Estes operadores têm desempenhado um papel determinante na expansão do acesso à internet, na modernização das redes de comunicação e na promoção da inclusão digital em Moçambique.

Para além da componente de conectividade, verifica-se igualmente o crescimento de empresas especializadas em serviços tecnológicos, com atuação em áreas como integração de sistemas, soluções de software, computação em nuvem (cloud), cibersegurança e serviços geridos. Estas organizações assumem um papel cada vez mais relevante, ajudando as empresas a transformar conectividade em ganhos de eficiência, produtividade e inovação.

Importa também destacar o papel das instituições financeiras, que se têm afirmado como importantes impulsionadoras da digitalização, sobretudo através da expansão de plataformas digitais de pagamento e serviços financeiros móveis. Este tem sido um dos segmentos mais inovadores e com maior impacto na massificação do acesso a serviços digitais no país.

Em conjunto, estes diferentes intervenientes contribuem para a construção de um ecossistema tecnológico mais robusto, interligado e preparado para responder aos desafios e oportunidades da transformação digital em Moçambique.

As PME’s entram finalmente na era do cloud

A 2iBi nasceu em 2012, numa altura em que a maioria das empresas moçambicanas ainda dependia de servidores locais e de soluções instaladas fisicamente. O que o levou a apostar em software de gestão num mercado que ainda estava a descobrir o que isso significava?

Na verdade, esta história tem duas fases. A primeira tem a ver com o que fazemos para o mercado. Quando cheguei a Moçambique e as primeiras visitas foram em 2011, em jeito de descoberta percebi que havia um único fabricante de software instalado no país, que era exactamente a Primavera, presente desde 2009 ou 2010 e à procura de parceiros. A minha actividade anterior em Portugal era precisamente como parceiro da Primavera, além de outras áreas de IT, por isso o notebook que eu trazia já estava carregado com essa experiência. Tenho uma ligação com a Primavera desde 1998, o que me faz reconhecer que estou a ficar velho, mas são quase 30 anos de relação com o produto.

A segunda fase tem a ver com a geografia. Quando cheguei, vi que em Maputo já havia alguns parceiros e alguma oferta de serviços na área de software de gestão. Quando fui à Beira, encontrei o oposto, uma oferta muito limitada, com várias empresas a operar com a Primavera mas completamente dependentes de suporte vindo de Portugal ou de Maputo. Isso, aliado à minha vontade de vir para uma África que fosse verdadeiramente África, fez-me sentir mais encaminhado para a Beira do que para Maputo. Foi por isso que tudo começou ali, e durante os primeiros anos éramos puramente consultores de software: vendíamos a Primavera, implementávamos, configurávamos e dávamos assistência. Até 2016 foi sempre Beira. Depois começámos a ir para Pemba. Só em 2018 e 2019 é que começámos a trabalhar em Maputo, e em 2020 abrimos escritório físico e eu estabeleci-me aqui com a família.

A 2iBi implementa Primavera e depois criou ReqwestApp e O2 Cash, produtos próprios. São empresas independentes ou partes de uma estratégia integrada? O que é que cada uma serve que as outras duas não conseguem?

Foram surgindo organicamente, necessidades que os clientes foram colocando, ou que nós próprios fomos identificando. Algumas eram mesmo necessidades internas. A partir de 2014 e 2015 começámos a receber pedidos de desenvolvimentos específicos, e percebemos que algumas dessas coisas eram úteis para outras organizações muito para além do cliente que as tinha pedido.

O ReqwestApp foi exactamente isso. Começou a pedido de uma organização que tinha 300 pessoas espalhadas por Moçambique e fora do país, toda a gente comprava o que lhe apetecia sem nenhum processo de aprovação, e isso estava a criar constrangimentos sérios. O nome inicial nem era ReqwestApp, chamava-se Procurement for You. Depois percebemos que não batia, criámos marca, identidade, logótipo, tudo. Hoje é uma marca autónoma, mesmo que desenvolvida pela 2iBi.

O Routiner teve outra origem: estávamos a trabalhar com muitas empresas no sector logístico e portuário e percebemos que a maioria ainda geria as operações em Excel. Desenvolvemos uma plataforma que permite implementar processos de gestão de rotinas e tarefas em cima e o Routiner Cloud Pro já está a ser utilizado em dois terminais logísticos na Beira para toda a gestão operacional, desde contentores a commodities em bulk, fertilizantes, tabaco, minérios em trânsito para o Zimbabwe, Malawi, Zâmbia.

O O2 Cash teve uma origem completamente diferente. Estávamos em plena pandemia, tudo incerto, e em discussão com pessoas da área de business coaching, a partir de uma Excel que eu próprio tinha criado, surgiu a ideia de desenvolver alguma coisa mais robusta. O nome inicial era Forecast.Cash. Fomos percebendo que tinha utilidade específica para micro e pequenos empresários que já têm noção de que é possível fazer previsão de tesouraria. Hoje o O2 Cash está a funcionar, é utilizado por várias empresas, e tanto este como o ReqwestApp já estão a ser promovidos e vendidos em Angola e em Portugal.

Neste momento são todos produtos da 2iBi. Todos podem integrar com a Primavera, mas também com qualquer outro software, tecnicamente isso está tudo disponível. Em Angola e em Portugal o nosso negócio não é a Primavera: é o ReqwestApp e o O2 Cash. No futuro, alguns destes produtos poderão vir a ser independentes.

II. O MOMENTO ACTUAL

Para além do ERP e das ferramentas de gestão, o sector tecnológico em Moçambique cobre um espectro muito mais amplo como cibersegurança, cloud, fintech, software vertical por indústria. Que leitura faz do mercado no seu conjunto: onde estão as maiores lacunas e onde estão as maiores oportunidades reais?

Se começarmos pelo que é essencial, a maior lacuna é a cibersegurança e isso tem muito a ver com educação, com info-educação. Não é um problema só de Moçambique, na maior parte dos mercados, as PMEs não têm consciência dos riscos. Quando olhamos para grandes empresas ou bancos já vemos muita preocupação, já existem programas de formação interna onde os funcionários têm de consumir conteúdo antes de poderem aceder aos sistemas. Nas PMEs há muito trabalho por fazer. Práticas básicas como a criação de passwords, ou deixar um computador desbloqueado, ainda não são tratadas como questões de segurança.

Depois há questões mais estruturais: onde estão os dados, onde está o servidor. Existe ainda a crença generalizada de que ter um servidor local é mais seguro do que ter os dados na cloud. Era mais seguro se esse servidor tivesse um data center real, controlo de acesso, backups, gerador com redundância e nenhuma PME tem isso. Ao mesmo tempo, existem soluções que se chamam cloud mas que não cumprem os requisitos mínimos de segurança. É preciso saber distinguir. A maioria das pessoas que usa email da Google ou da Microsoft já está na cloud e ninguém discute o assunto.

Em termos de oportunidades, continua a haver muito trabalho a fazer nas PMEs. Ainda há muitas empresas a fazer contabilidade em outsourcing enquanto gerem tudo internamente em Excel ou em papel. A faturação feita à mão deve representar 30%, 40%, talvez 50% das PMEs moçambicanas. Isso é um sinal claro de que há muito caminho por percorrer. E começa pela formação e sensibilização da direcção das empresas. Antes do software é preciso ter organização. É preciso ter os processos organizados o software não faz milagres.

A decisão de migrar os clientes da 2iBi para cloud com V2 Cloud foi uma aposta antecipada ao mercado. Mais de metade dos clientes adoptaram rapidamente. O que mudou na conversa com os clientes depois dessa transição e o que ainda resiste?

A decisão foi durante a pandemia. Muitos clientes de repente não conseguiam trabalhar em teletrabalho porque continuavam dependentes do servidor local aquele que toda a gente achava muito seguro e que afinal não era nada seguro. O investimento necessário em hardware, mais os recursos técnicos para manter acesso remoto, não era confortável para ninguém. Passámos cerca de dois meses à procura de uma solução fácil de usar, fácil de configurar, que permitisse ter o Primavera completo com todas as funcionalidades e possibilidade de customização na cloud. Foi assim que descobrimos a V2 Cloud, que é o nosso parceiro desde 2020, e hoje mais de metade dos nossos clientes usa para ter o seu servidor.

A diferença é importante: os clientes continuam a ter um servidor que é só deles, mas em vez de estar nas suas instalações, está num data center sabemos exactamente onde, qual é o servidor, e com todos os mecanismos de segurança e recuperação de desastres que um servidor local nunca teria. Tivemos clientes com servidores locais que sofreram avarias ou ataques, e no dia seguinte conseguimos alojá-los na cloud. Até hoje nunca mais tiveram problemas. O que ainda resiste é a crença que vai cedendo com a experiência e com o tempo.

III. PESSOAS, CULTURA E LIDERANÇA

Em menos de dez anos cresceu de uma pessoa para mais de vinte. Quando a equipa deixou de caber numa sala, o que mudou concretamente na forma como toma decisões e que erro cometeu nesse processo de escalar que não repetiria?

Mudou tudo. No início era eu que fazia tudo e tinha todos os papéis. Fui técnico, envolvi-me diariamente no trabalho técnico até há poucos anos. À medida que as coisas foram crescendo, foi preciso criar condições para que as pessoas pudessem operar sem mim. Curiosamente, a maior parte da nossa equipa começou como estagiário os team leaders e os outros são, na sua origem, ex-estagiários da 2iBi. São os que mais vivem e mais sentem a cultura da empresa.

Temos uma cultura forte e exigente, por isso não é fácil recrutar para dentro da 2iBi, mas quando as pessoas ficam, ficam. O que eu aprendi foi a diferença entre delegar e controlar, e entre delegar e abdicar. Delegar é confiar e depois pedir resultados, sem ter de esperar que mo tragam. Quem tem de prestar contas presta-as sem esperar que me lembre de perguntar. 

Funcionamos muito com base em resultados entregues: toda a gente é avaliada com base nos seus objectivos, independentemente da função seja um engenheiro de software, seja um consultor, seja um contabilista. Está tudo escrito, tudo sistematizado. Não há livre arbítrio de hoje é isto e amanhã é aquilo. É tudo muito claro, para que haja igualdade para todos e isso é uma preocupação que tenho todos os dias.

Gerir três empresas em simultâneo implica dividir atenção e autoridade delegada. Como decide onde estar pessoalmente e como garante que cada equipa não se sente como a de segunda prioridade?

O ReqwestApp e o O2 Cash são desenvolvidos pela mesma equipa de programadores neste momento são três programadores que desenvolvem os dois produtos, embora um esteja mais associado ao O2 Cash e ao Routiner e os outros dois mais dedicados ao ReqwestApp. Fazem todos parte da mesma equipa, partilham o mesmo espaço, estão em contacto permanente. Depois temos mais dois programadores que desenvolvem integrações com a Primavera. Por enquanto são projectos dentro da 2iBi, se bem que nós já separamos claramente o que é negócio de Primavera que é a consultoria ERP e o que são os nossos produtos próprios.

IV. VISÃO E FUTURO

A O2 Cash está disponível em cinco línguas e serve clientes fora de Moçambique. É um produto que quer escalar globalmente, ou é essencialmente uma ferramenta complementar para o ecossistema de clientes da 2iBi?

Quatro línguas, português de Portugal, português do Brasil, inglês, e o espanhol está em falta. O francês também ainda não está, portanto são mesmo quatro. E a ambição é escalar globalmente, ainda não sei bem como, porque ainda não consegui sentir isso na prática, mas sei que temos produto para isso. O O2 Cash é um produto de baixo custo, pensado para ser massificado, e existe mercado. A concorrência é maioritariamente anglo-saxónica, não há nada que fale português do Brasil, não há nada que fale espanhol, não há nada que fale francês. E essas línguas cobrem uma parte muito significativa do mundo.

A estratégia é fazer o ensaio em Portugal e a partir daí tentar Espanha e França. Depois Reino Unido, que a partir de Portugal também fica acessível e África do Sul, que para nós é um mercado relativamente próximo. O Brasil é um mercado que quero tentar, mas aí terá de ser necessariamente com parceiros locais. Não se vai para o Brasil sem quem conheça o terreno.

Se tivesse de identificar a única coisa que trava mais a adopção de software de gestão pelas PME moçambicanas, não a crise política ou a conjuntura económica, mas algo estrutural e que pode ser resolvido, o que diria?

A adoção de software tem duas vertentes. A primeira é a adopção por vontade própria, quando a empresa decide organizar a casa, criar processos e sistemas. É a melhor maneira. E já começam a aparecer empresas de reengenharia de processos aqui em Maputo, o que é um sinal de que a procura existe e a oferta começa a acompanhar.

A segunda é a adopção por obrigação, quando for obrigatório emitir facturas por software, quando a regulação obrigar à transição. Aí as empresas terão mesmo de mudar, como aconteceu em Angola. O que trava estruturalmente é a organização interna. Antes de ter software, é preciso ter os processos organizados. O software não vai fazer milagres. Vê-se empresas que querem implementar uma solução, mas os processos ainda não existem ou não estão claros. Esse é o alerta que dou sempre.

Da mineração ao Oil & Gas: A corrida pela eficiência operacional

A Rovuma Tech surge num momento em que a transformação digital deixou de ser apenas uma tendência para se tornar uma necessidade operacional para empresas e instituições. Que problema concreto a empresa procura resolver no mercado moçambicano?

A Rovuma Tech procura responder a um desafio que ainda existe em muitos sectores em Moçambique que são operações pouco eficientes, processos excessivamente manuais e dificuldade de acesso a soluções técnicas especializadas.

Hoje, os clientes já não procuram apenas fornecedores. Procuram parceiros capazes de entender a operação e apresentar soluções que tragam mais eficiência, confiabilidade e continuidade operacional.

É aí onde a Rovuma Tech entra. Trabalhamos muito na ligação entre procurement estratégico, soluções industriais e tecnologia aplicada à operação.

Um exemplo concreto disso é a implementação de sistemas de lubrificação automática no sector ferroviário, onde actividades anteriormente manuais passaram a ser automatizadas, permitindo maior eficiência, redução de falhas e melhor gestão da manutenção.

Acreditamos que tecnologia não é apenas software. Muitas vezes, tecnologia significa automatizar processos, melhorar a performance operacional e criar soluções mais sustentáveis para os clientes.

O sector tecnológico tornou-se cada vez mais competitivo, com a entrada de novos actores locais e internacionais. Como é que a Rovuma Tech se diferencia num mercado onde muitas empresas oferecem serviços semelhantes?

A nossa principal diferença está na forma como entendemos o negócio dos nossos clientes.

A Rovuma Tech não actua apenas como fornecedora de equipamentos ou materiais. Procuramos perceber os desafios operacionais de cada cliente e apresentar soluções ajustadas à realidade de cada projecto.

Temos uma forte actuação em sectores exigentes como oil & gas, mining e railway, onde qualidade, confiabilidade e capacidade de resposta são fundamentais.

Outro ponto importante é a nossa ligação com fabricantes e marcas internacionais, o que nos permite trazer para o mercado moçambicano soluções industriais modernas e alinhadas aos padrões globais.

Além disso, combinamos procurement, suporte técnico, logística e conhecimento operacional, o que nos permite agregar valor muito além do fornecimento tradicional.

II.  PANORAMA DO MERCADO

Muitas empresas ainda operam com processos manuais e pouca utilização estratégica de dados. Até que ponto o mercado moçambicano já compreendeu que tecnologia deixou de ser custo e passou a ser factor de competitividade?

O mercado moçambicano está claramente a evoluir nesse sentido.

Hoje existe uma percepção muito maior de que investir em tecnologia já não é apenas uma questão de modernização, mas sim de competitividade e sustentabilidade operacional.

Nos sectores industriais, por exemplo, as empresas começam a perceber que automatizar processos, melhorar sistemas de monitoramento e utilizar soluções mais inteligentes reduz custos operacionais, minimiza falhas e melhora a produtividade.

Ainda existe espaço para crescer, principalmente em termos de digitalização e integração tecnológica, mas vemos uma mudança muito positiva na mentalidade do mercado.

Os clientes estão mais atentos à eficiência, previsibilidade e continuidade operacional, e isso naturalmente aumenta a procura por soluções tecnológicas aplicadas à indústria

Que segmentos de mercado representam hoje maior potencial de crescimento para a Rovuma Tech: sector público, banca, telecomunicações, PME’s ou grandes empresas? 

Acreditamos que os maiores potenciais de crescimento continuam concentrados nos sectores industriais e infraestruturais, especialmente oil & gas, mineração, ferrovia e energia.

São áreas onde existe uma necessidade crescente de modernização operacional, manutenção especializada, automação e soluções técnicas mais eficientes.

Moçambique está numa fase importante de desenvolvimento industrial, e isso cria oportunidades para empresas capazes de entregar soluções com qualidade, capacidade técnica e visão de longo prazo.

Também vemos espaço de crescimento em empresas que começam a investir mais em eficiência operacional e modernização dos seus processos internos.

O sector tecnológico vive uma pressão constante entre inovação, escalabilidade e sustentabilidade financeira. Como é que a Rovuma Tech equilibra crescimento do negócio com capacidade de execução e qualidade de entrega?

Para nós, crescimento só faz sentido quando vem acompanhado de capacidade real de entrega.

A Rovuma Tech procura crescer de forma estruturada, mantendo foco na qualidade, confiabilidade e relacionamento de longo prazo com os clientes.

Temos muito cuidado em garantir que cada projecto seja executado com responsabilidade técnica e acompanhamento adequado.

Ao mesmo tempo, continuamos a investir em parcerias internacionais, melhoria de processos internos e desenvolvimento da nossa equipa, porque acreditamos que sustentabilidade empresarial também depende da capacidade de adaptação e evolução contínua.

III.  VISÃO & FUTURO

Quais são as duas ou três apostas estratégicas da Rovuma Tech para os próximos dois/três anos, e o que precisa de acontecer no mercado moçambicano para que façam sentido?

Uma das nossas principais apostas é continuar a expandir soluções ligadas à modernização e automação industrial.

Acreditamos que haverá cada vez mais procura por sistemas que aumentem eficiência operacional, reduzam processos manuais e melhorem a gestão de manutenção e desempenho dos equipamentos.

Outra aposta importante é o fortalecimento das nossas parcerias com fabricantes e marcas internacionais, permitindo trazer tecnologias e soluções mais avançadas para o mercado moçambicano. Um exemplo disso é a nossa colaboração e representação de marcas reconhecidas internacionalmente, como a VALMET SA e a VOGELSANG, reforçando o nosso compromisso em disponibilizar soluções industriais modernas, eficientes e alinhadas com os padrões globais.

Também queremos continuar a consolidar a Rovuma Tech como um parceiro estratégico nas áreas de procurement técnico, supply chain e soluções industriais integradas.

Para que isso aconteça de forma sustentável, será importante continuar a desenvolver infraestruturas, qualificação técnica e investimento industrial no país.

Muitas empresas tecnológicas crescem rapidamente, mas enfrentam dificuldades de consolidação. Quais são os maiores riscos de sustentabilidade para negócios digitais em Moçambique actualmente?

Um dos maiores desafios continua a ser a capacidade de acompanhar a velocidade da evolução tecnológica sem perder capacidade operacional e qualidade de entrega.

Muitas empresas conseguem crescer rapidamente, mas têm dificuldade em consolidar processos, estrutura técnica e sustentabilidade financeira.

Outro ponto importante é a necessidade de maior investimento em formação especializada e desenvolvimento de competências técnicas, principalmente em áreas industriais e tecnológicas.

Também acreditamos que o ambiente empresarial ainda precisa evoluir em aspectos como financiamento, infraestruturas e acesso a tecnologias mais avançadas.

Apesar dos desafios, vemos um mercado com enorme potencial de crescimento, especialmente para empresas que consigam combinar inovação, execução e visão estratégica de longo prazo.

Construir plataformas para democratizar o acesso e ampliar oportunidades

A UX começou com o emprego.co.mz, a maior plataforma de emprego online em Moçambique, mas hoje tem um portfólio diverso. O que une todos estes produtos? Há um fio condutor?

Acredito que sim. Embora as plataformas actuem em sectores diferentes, todas nasceram para resolver problemas de acesso.

Quando lançamos o emprego.co.mz, em 2012, o problema era o acesso à informação sobre oportunidades de emprego e a dificuldade das empresas em encontrar colaboradores de forma eficiente e transparente. Mais tarde percebemos que existiam desafios semelhantes noutras áreas: trabalhadores informais sem acesso a clientes, pequenos negócios sem acesso a serviços de desenvolvimento empresarial, comunidades sem acesso a informação relevante para a sua resiliência económica e ambiental.

O fio condutor sempre foi a criação de plataformas que reduzem barreiras e aproximam pessoas, oportunidades e serviços.

O emprego.co.mz liga recrutadores e candidatos. O biscate*777# liga trabalhadores informais e clientes. O mopa.co.mz liga cidadãos aos serviços públicos. O PRO vai ligar pequenas empresas a serviços de apoio, financiamento e oportunidades de crescimento.

Em todos os casos, a tecnologia é apenas o meio. O objectivo é criar mecanismos mais inclusivos para que mais moçambicanos possam participar na economia em condições mais justas.

O mopa.co.mz foi reconhecido pelo Financial Times e pela IFC com uma High Commendation nos Transformational Business Awards. Isso é raro para uma startup moçambicana. O que mudou na empresa depois desse reconhecimento?

O reconhecimento é importante porque valida algo que defendemos há muitos anos: soluções desenvolvidas localmente podem responder a desafios complexos de forma inovadora e gerar impacto real.

O mopa.co.mz também foi responsável pela subida de Moçambique no ranking mundial de Governo Electrónico (eGov) porque foi adoptado pelos Municípios de Maputo, Beira e Nampula, e é um caso de estudo da UNESCO pelo uso de metodologias e tecnologias inclusivas.

O biscate*777# também foi reconhecido como o Greatest Social Impact SME no mundo pela ITU (International Telecommunication Union) em 2019, e já ganhou vários prémios e apoios pelo impacto que tem tido na vida dos trabalhadores informais, que são o motor da nossa economia.

Este reconhecimento internacional trouxe maior visibilidade e abriu portas para novas parcerias, mas na prática não mudou muito a nossa situação.  O desafio principal é conseguir ser reconhecido a nível nacional e poder trabalhar com instituições do governo e parceiros de desenvolvimento na escala destas soluções. É bom ser reconhecido lá fora, mas é aqui dentro que as coisas mudam.

Nós já demonstrámos que é possível desenvolver inovação relevante a partir de Moçambique, e criar soluções adaptadas à realidade local, em vez de simplesmente replicar modelos de outros mercados. Agora precisamos que o país valorize estas soluções e perceba o potencial que podem ter no seu desenvolvimento, podendo depois ser replicadas a outros países da região que têm dificuldades similares. Temos o potencial de ser exportadores de tecnologia, não apenas consumidores, e é este potencial que ainda precisa de ser materializado.

Para além das plataformas de emprego e de inclusão financeira, o sector tecnológico em Moçambique cobre um espectro muito mais amplo. Que leitura faz do mercado no seu conjunto? Onde estão as maiores lacunas e onde estão as maiores oportunidades reais, hoje?

O ecossistema tecnológico moçambicano evoluiu bastante nos últimos anos. Hoje vemos mais startups, mais programas de apoio e maior interesse dos investidores e parceiros de desenvolvimento, mas falta vontade de disrupção, que é o ponto forte da tecnologia.

Ainda existem lacunas muito significativas, e a principal tem a ver com a maneira como a economia está estruturada no país, onde os grandes investidores continuam a ser o Governo, os parceiros de Desenvolvimento, as Multinacionais e os Bancos Comerciais que dominam o mercado e limitam a inovação para defender a sua posição hegemonista. As startups em Moçambique não conseguem financiamento que permita crescer antes de facturar – o Google, Facebook, Amazon e todos os “grandes” não tinham modelos de negócio quando começaram, tinham apenas o objectivo de crescer a sua base de utilizadores e acesso a capital de risco para o fazer, aqui só temos uma Banca Comercial que dá empréstimos com garantias e taxas absurdas. As startups que começam por facturar logo não conseguem lucrar para reinvestir porque são logo taxadas ao extremo, incluindo nos custos que têm para pagar por serviços no estrangeiro que não existem no país, como a Inteligência Artificial.

Outras lacunas mais específicas incluem a transformação digital das pequenas e médias empresas, que utilizam tecnologia de forma limitada e continuam sem ferramentas adequadas para gestão, comercialização, acesso a financiamento e crescimento. Também a integração entre sistemas, porque a maioria das iniciativas digitais locais funcionam de forma isolada, criando fragmentação e reduzindo o potencial de escala devido à necessidade de competir num mercado digital bastante limitado.

Em termos de oportunidades, vejo um enorme potencial em plataformas digitais que atuam como infra-estruturas de mercado: soluções que liguem pessoas, empresas, serviços financeiros, formação e oportunidades económicas. Também acredito que existe uma oportunidade crescente na utilização de dados e inteligência artificial para tornar serviços mais eficientes e personalizados, desde que essas tecnologias sejam implementadas de forma responsável e adaptada ao contexto moçambicano.

Por fim, a maior oportunidade ainda está nos parceiros de desenvolvimento que criam programas que apoiam soluções digitais locais com formação, acesso, grants e subvenções, porque continua a ser a única fonte de investimento acessível para a maioria dos empreendedores.

Moçambique acaba de iniciar o licenciamento obrigatório de plataformas digitais com o Decreto 59/2023 e as alterações de 2025. Para uma empresa que gere múltiplas plataformas com perfis distintos, o que é que este regime representa na prática?

Em primeiro lugar, representa um reconhecimento formal de que as plataformas digitais passaram a ter um papel relevante na economia nacional.

Para empresas que operam de forma séria e estruturada, a existência de regras claras pode trazer benefícios importantes, como maior previsibilidade, maior confiança dos utilizadores e um ambiente concorrencial mais equilibrado.

No entanto, é importante que a implementação deste regime encontre um equilíbrio adequado.

A inovação digital evolui muito rapidamente e muitos modelos de negócio ainda estão em fase experimental. Se os requisitos regulatórios forem excessivamente complexos ou onerosos, existe o risco de criar barreiras para startups e empresas emergentes, precisamente aquelas que mais contribuem para a inovação.

Acredito que o desafio será construir um modelo regulatório que proteja os consumidores e promova boas práticas sem reduzir a capacidade de inovação do sector, e que seja acompanhado de um enforcement que apoie a adopção do licenciamento, não apenas as multas e a penalização. É preciso considerar os incentivos fiscais e comerciais para o licenciamento, não apenas os regulatórios e punitivos.

Para empresas como a UX, isso significa mais custos para reforçar processos de conformidade, governação, segurança e protecção de dados, mas também participar activamente no diálogo sobre a evolução deste quadro regulatório.

A UX tem trabalhado com IA para gerar testes de aptidão no emprego.co.mz, e Moçambique está agora a desenvolver uma estratégia nacional de IA com o apoio da UNESCO. Que papel pode uma empresa como a UX jogar nesse ecossistema e que condições faltam ainda para que a IA crie valor real no mercado moçambicano?

Acredito que empresas como a UX podem desempenhar um papel importante como laboratórios de aplicação prática e validação da inteligência artificial.

Grande parte do debate sobre IA ainda acontece ao nível conceptual. O nosso interesse está em perceber como estas tecnologias podem resolver problemas concretos dos cidadãos, das empresas e das instituições.

No emprego.co.mz, por exemplo, temos utilizado IA para apoiar a geração de testes de aptidão, melhorar processos de correspondência entre candidatos e vagas e aumentar a eficiência dos processos de recrutamento. O objectivo não é substituir pessoas, mas ajudá-las a tomar decisões mais informadas.

Para que a IA gere valor real em Moçambique, ainda existem vários desafios a ultrapassar, sendo o custo de usar estas soluções a principal barreira. Precisamos também de melhores dados, maior literacia digital, mais capacidade técnica local e uma infra-estrutura digital mais robusta, além de desenvolver competências em áreas como ética, governação e utilização responsável da IA.

Mas talvez o mais importante seja garantir que a IA responde a problemas reais do país. O sucesso não será medido pelo número de ferramentas que utilizamos, mas pelo impacto que conseguimos gerar em áreas como emprego, educação, inclusão financeira, agricultura, saúde e desenvolvimento económico.

Moçambique tem uma oportunidade interessante: em vez de seguir exactamente o mesmo percurso de outros mercados, pode utilizar a IA para resolver desafios específicos do seu contexto e criar modelos de inovação verdadeiramente inclusivos.

Entre a Tecnologia e as Pessoas: A visão de longo prazo da 2BUSINESS

A 2Business existe há mais de 21 anos no mercado. Nos primeiros anos, o que é que uma empresa de implementação ERP em Moçambique tinha de explicar aos clientes que hoje já não precisa de explicar?

Esta é uma questão muito interessante porque mostra também a evolução da maturidade tecnológica do mercado moçambicano. Há 20 anos, praticamente não se falava de ERP; falava-se sobretudo de “programas de contabilidade” ou “sistemas de facturação”. O desafio inicial era explicar que um ERP não era apenas um software para emitir facturas, mas sim uma plataforma integrada capaz de ligar finanças, compras, stock, recursos humanos, vendas e operação numa única visão do negócio.

Na altura, muitas empresas viam a informática como um custo administrativo. Hoje, apesar de ainda existir esse pensamento em parte do mercado, já há uma consciência muito maior de que a tecnologia influencia directamente a eficiência, controlo, crescimento e capacidade de gestão.

Outro aspecto que mudou bastante é a percepção sobre dados. Antes, era necessário convencer as empresas da importância de centralizar informação e reduzir processos manuais. Hoje, a maioria já sente na prática o impacto da falta de integração: dados duplicados, dificuldade de controlo, fraude, lentidão operacional e pouca capacidade de tomada de decisão.

Mesmo assim, em muitas pequenas e médias empresas, ainda é comum ouvir termos como “sistema de facturação” em vez de ERP. Isso mostra que o mercado evoluiu, mas ainda existe um trabalho importante de educação sobre o papel do ERP como o verdadeiro sistema nervoso central da organização.

A 2Business surgiu numa fase em que o mercado tecnológico moçambicano ainda dava os primeiros passos. Hoje, após mais de duas décadas de actividade, como está estruturada a empresa em termos accionistas, parceiros estratégicos e equipa, e de que forma essa combinação tem contribuído para a consolidação da 2Business no sector tecnológico em Moçambique?

A 2Business teve a felicidade de construir, ao longo dos anos, uma estrutura societária muito estável e complementar. Hoje, a empresa é composta por quatro sócios, liderados pelo Managing Partner, Dinis Teixeira, juntamente com partners como Faela Chabule e Kátia Furtado, entre outros elementos da estrutura accionista.

Essa composição trouxe algo muito importante para uma empresa tecnológica: continuidade, confiança e redundância de liderança. Num mercado como o nosso, onde muitas empresas dependem excessivamente de uma única pessoa, ter uma equipa de sócios que trabalha junta há muitos anos dá robustez institucional e reduz riscos operacionais.

Foi precisamente essa maturidade interna que permitiu à empresa expandir-se para outros mercados, como Angola, sem comprometer a qualidade da operação em Moçambique. Existe um nível de confiança, alinhamento e agilidade na tomada de decisão que seria difícil construir sem relações profissionais consolidadas ao longo do tempo.

Ao mesmo tempo, a combinação entre experiência local, parceiros tecnológicos estratégicos e uma equipa técnica especializada permitiu à 2Business manter-se relevante num sector que muda constantemente. A tecnologia evolui muito rápido, mas acreditamos que a capacidade de adaptação, proximidade com o cliente e entendimento do contexto local continuam a ser diferenciais fundamentais.

A vossa operação expandiu-se para Angola, onde assumiu o papel de country manager. O que é que esse movimento lhe ensinou sobre o que é específico de Moçambique e o que é transversal a ambos os mercados?

A expansão para Angola foi muito importante porque mostrou-me que, apesar de Moçambique e Angola terem histórias económicas e desafios muito semelhantes, existem diferenças culturais e de maturidade empresarial que influenciam bastante a forma como a tecnologia é adoptada.

São mercados muito parecidos em termos de contexto africano: forte peso das relações pessoais nos negócios, elevada informalidade em alguns sectores, desafios de infra-estrutura e uma necessidade crescente de digitalização. A grande diferença é a escala. Angola tem um PIB significativamente maior e sectores privados com maior capacidade de investimento em determinadas áreas.

Ao mesmo tempo, percebi que Moçambique está bastante avançado em alguns domínios, sobretudo na abertura para inovação, serviços digitais e adopção de soluções tecnológicas mais leves e ágeis. Existe uma humildade e frontalidade no ambiente de negócios moçambicano que considero muito positiva. Mesmo quando um cliente não está interessado, normalmente existe transparência na comunicação.

Em Angola, pela minha experiência, o ambiente de negócios tende a ser mais fechado e relacional. Muitas vezes, uma empresa simplesmente deixa de responder em vez de dar um “não” directo. Pode parecer um detalhe pequeno, mas isso influencia muito a forma de construir relações comerciais e gerir expectativas.

No fundo, trabalhar nos dois mercados ensinou-me que a tecnologia em África raramente é apenas uma questão técnica. É sobretudo uma questão cultural, humana e de adaptação ao contexto local.

II. O Momento Actual

Para além dos sistemas de gestão empresarial e da digitalização dos processos internos, o sector tecnológico em Moçambique cobre um espectro mais amplo. Que leitura faz do mercado no seu conjunto hoje  onde estão as maiores lacunas e onde estão as maiores oportunidades reais?

De forma geral, acredito que Moçambique tem dado passos positivos no sector tecnológico, sobretudo se olharmos para os últimos 10 anos. Hoje existe mais conectividade, mais acesso a ferramentas digitais e uma nova geração de empresas e empreendedores com uma mentalidade muito mais tecnológica.

No entanto, ainda existem desafios estruturais importantes. A electrificação e a democratização do acesso à internet continuam a ser barreiras fundamentais, principalmente fora dos grandes centros urbanos. Mas acrescentaria um outro ponto que muitas vezes é pouco discutido: as limitações no acesso a pagamentos internacionais e aquisição de serviços tecnológicos ao exterior. É muito difícil desenvolver um ecossistema tecnológico competitivo sem acesso fluido a plataformas, infra-estrutura cloud, licenças, ferramentas de desenvolvimento e serviços globais. Nenhum país desenvolve tecnologia isolado do mundo.

Outro desafio crítico é a direcção estratégica enquanto país. Precisamos de decidir se queremos apenas consumir tecnologia ou também produzir tecnologia. Isso implica fomentar uma indústria tecnológica nacional forte, com empresas locais sustentáveis, capacidade técnica e visão de longo prazo. Não será possível digitalizar completamente Moçambique apenas com soluções importadas ou dependendo sempre de fornecedores estrangeiros para os grandes projectos estruturantes.

Ao mesmo tempo, é exactamente aí que reside a maior oportunidade. Moçambique ainda tem muito por construir em áreas como digitalização empresarial, govtech, fintech, saúde digital, logística, educação e agricultura. As empresas que conseguirem adaptar soluções à realidade local — considerando conectividade, informalidade, meios de pagamento e contexto operacional africano — terão uma vantagem competitiva muito forte. Em África, muitas vezes ganha não a tecnologia mais sofisticada, mas a que melhor entende o contexto local.

Em Fevereiro de 2026, o Governo moçambicano realizou a 1.ª Conferência Nacional de Transformação Digital e criou a Agência de Transformação Digital e Inovação. O que é que esse sinal do Estado muda para uma empresa como a 2Business?

Para uma empresa como a 2Business, que há mais de duas décadas trabalha em processos de informatização no sector público e privado, este é um sinal positivo, sobretudo porque mostra que a transformação digital passou a fazer parte da agenda nacional.

No entanto, sou cauteloso em relação ao impacto real apenas da criação de uma nova entidade. Moçambique já teve instituições e iniciativas com missões semelhantes, como o INTIC e o CEDSIF. O verdadeiro desafio nunca foi apenas criar estruturas, mas sim garantir execução, continuidade e capacidade de coordenação entre instituições.

As conferências e estratégias são importantes porque ajudam a alinhar visão. Mas transformação digital não acontece por decreto. Exige liderança, capacidade técnica, responsabilização institucional e, acima de tudo, uma mudança cultural dentro do próprio Estado.

Também acredito que existe uma ligação muito forte entre digitalização e educação. É difícil falar seriamente sobre transformação digital sem investir simultaneamente em educação de qualidade, literacia digital e formação técnica. Caso contrário, corremos o risco de ter sistemas modernos operados dentro de estruturas que continuam analógicas na mentalidade e nos processos.

Para que esta agência tenha impacto real, será importante que tenha capacidade de orientar padrões, garantir interoperabilidade entre instituições e criar mecanismos de responsabilização dos projectos públicos. Mesmo que não tenha poder executivo directo sobre todas as instituições, espero que pelo menos consiga funcionar como um guia estratégico consistente para o país.

III. Pessoas, Cultura & Liderança

A 2Business opera em dois países e com uma equipa técnica especializada num mercado onde esses perfis são escassos. Como é que gere a retenção e o desenvolvimento de talento técnico quando a concorrência por esses profissionais é global e a remuneração local raramente compete?

Esse é provavelmente um dos maiores desafios do sector tecnológico africano actualmente. Hoje, um bom profissional técnico em Maputo ou Luanda já não compete apenas com empresas locais; compete com oportunidades remotas em qualquer parte do mundo. Temos consciência dessa realidade e não faz sentido negá-la.

Na 2Business, tentamos actuar naquilo que está ao nosso alcance: criar um ambiente onde as pessoas sintam que crescem, aprendem e são valorizadas. Investimos muito em formação, autonomia, proximidade com a liderança e numa cultura de equipa forte. Também temos mecanismos de partilha de resultados, porque acreditamos que o crescimento da empresa deve beneficiar quem ajuda a construí-la.

Ao mesmo tempo, entendemos que as pessoas têm o direito de construir as suas próprias carreiras. Já tivemos colaboradores que seguiram para multinacionais, outros emigraram e alguns hoje trabalham em mercados muito mais competitivos. Curiosamente, muitos continuam próximos da empresa, como amigos, parceiros e até embaixadores da nossa marca. Isso, para mim, é um sinal de que a relação foi saudável.

Temos orgulho de sermos reconhecidos como uma empresa que forma profissionais de qualidade. E o facto de termos uma das menores taxas de rotatividade no nosso sector mostra que retenção não depende apenas de salário. Depende também de propósito, ambiente, crescimento e da forma como as pessoas são tratadas dentro da organização.

Ajudou a fundar o Timbila Toastmasters, o primeiro clube de comunicação em língua portuguesa no Sul de África. Que ligação tem essa iniciativa com a forma como pensa o desenvolvimento das pessoas dentro da 2Business?

Existe uma ligação muito forte entre as duas coisas, porque tanto na 2Business como no Toastmasters International, aquilo que mais me motiva é o desenvolvimento de pessoas.

Ajudar a fundar o Timbila Toastmasters teve um significado especial precisamente por ser o primeiro clube de comunicação em língua portuguesa no Sul de África. Mais do que criar um clube, a ideia era criar um espaço onde mais moçambicanos pudessem desenvolver liderança, comunicação, confiança e pensamento crítico na sua própria língua e dentro do seu contexto cultural.

Na 2Business, o impacto que conseguimos criar está naturalmente ligado à dimensão da empresa. Existe um limite para o número de pessoas que conseguimos contratar, formar e acompanhar directamente. No Toastmasters, a escala pode ser muito maior. Se o mercado precisar, podemos criar dezenas ou centenas de clubes e ajudar a desenvolver milhares de líderes.

Acredito sinceramente que África enfrenta uma crise de liderança. Quando olhamos para a riqueza natural do continente e comparamos com a qualidade de vida da população, percebemos que o problema não é apenas falta de recursos. É também uma questão de liderança, visão, comunicação e capacidade de execução.

Por isso vejo o Toastmasters como uma ferramenta extremamente poderosa. Muitas pessoas pensam que é apenas sobre falar em público, mas na realidade é uma escola prática de liderança. E acredito que países mudam quando conseguem desenvolver pessoas mais preparadas, mais confiantes e mais responsáveis para liderar instituições, empresas e comunidades.

IV. Visão & Futuro

A Cegid adquiriu tanto a Primavera BSS como a PHC Software, reunindo num só grupo os dois principais parceiros de gestão empresarial no mercado moçambicano. Para a 2Business, isso é uma ameaça, uma oportunidade, ou ainda é cedo para saber?

Penso que ainda é cedo para tirar conclusões definitivas. Para nós, na 2Business, a questão nunca foi apenas vender uma determinada marca de software. Nós posicionamo-nos como uma empresa de soluções tecnológicas. Trabalhamos com diferentes parceiros e tecnologias, como Cegid, PHC Software, Primavera BSS, Sysdev, ELO e também com soluções próprias desenvolvidas internamente.

Temos projectos fora do universo PHC há muitos anos. Um exemplo é o trabalho realizado com a Bolsa de Valores de Moçambique, entre várias outras soluções desenvolvidas à medida. Normalmente, a nossa abordagem começa pelo problema do cliente e não pela tecnologia em si. Procuramos perceber qual é a solução com melhor relação custo-benefício e maior capacidade de gerar impacto real para o cliente.

Ao mesmo tempo, a integração dentro do universo Cegid também pode trazer vantagens importantes. A Cegid é uma multinacional com uma dimensão financeira e capacidade de investimento muito superior. Isso permite acelerar áreas como cloud, cibersegurança e, principalmente, inteligência artificial. Hoje, a empresa investe fortemente em IA, com equipas dedicadas exclusivamente a desenvolver novas capacidades para as plataformas. Seria muito mais difícil atingir essa escala apenas com empresas regionais isoladas.

No final, acredito que a nossa principal vantagem competitiva continua a ser outra: a qualidade do trabalho que entregamos, o talento da nossa equipa, a relação construída com os clientes ao longo de mais de 20 anos e o profundo conhecimento do contexto local. Tecnologia pode ser adquirida; confiança e conhecimento do mercado levam muito tempo a construir.

A inteligência artificial está incorporada no seu título profissional ‘AI for Business’. O que é que isso significa concretamente para os clientes da 2Business em Moçambique hoje, não como potencial, mas como realidade implementada?

Para nós, inteligência artificial não é apenas uma tendência ou uma funcionalidade de marketing. O foco sempre foi perceber como a IA pode ajudar uma organização a ser mais rápida, mais eficiente e mais inteligente, sem perder controlo, rastreabilidade e governance.

Na 2Business, começámos por aplicar IA internamente nos nossos próprios processos antes de levarmos essas abordagens aos clientes. Hoje já utilizamos agentes de IA em diferentes áreas da empresa princiapalamnete na área técnica. No ERP um dos primeiros casos foi na área comercial, onde usamos sistemas que ajudam a preparar reuniões, analisar contexto de clientes, identificar riscos e apoiar a tomada de decisão comercial de forma mais rápida.

Ao longo do ano, estamos a expandir estes casos para áreas financeiras, operacionais e de suporte. Mas o ponto principal não é usar IA como “buzzword”. O objectivo é sempre geração de valor concreto.

Também é importante perceber que a IA depende muito da qualidade dos dados. Muitas organizações ainda têm informação dispersa, processos pouco estruturados ou bases de dados inconsistentes. Nesses casos, antes de falar de automação inteligente, é preciso primeiro organizar os dados e maturar os processos. Por isso, a adopção de IA será naturalmente gradual em muitas empresas moçambicanas.

Ao mesmo tempo, a IA não deve ficar limitada ao ERP. Estamos também a ajudar clientes a pensar em como utilizar inteligência artificial em atendimento, análise documental, apoio à decisão, pesquisa interna, automação de workflows e produtividade individual das equipas. A verdadeira transformação não será apenas ter IA dentro do sistema, mas criar organizações capazes de trabalhar de forma mais inteligente no seu todo.