Monday, April 20, 2026
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Projecto Mphanda Nkuwa impulsiona estratégia de conteúdo local

Sector privado moçambicano mobiliza-se para capturar valor económico ao longo de toda a cadeia do megaprojecto hidroeléctrico de 1.500 megawatts, previsto para entrar em operação por volta de 2031

O sector privado moçambicano está a posicionar-se para capturar valor económico substancial no âmbito do projecto Mphanda Nkuwa, na sequência de um acordo de parceria estratégica celebrado entre a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) e o gabinete de implementação do projecto. O empreendimento hidroeléctrico de 1.500 megawatts, cuja entrada em operação está prevista para cerca de 2031, representa um dos mais significativos investimentos em infra-estruturas da África Austral e as empresas moçambicanas estão agora a ser mobilizadas para competir ao longo de toda a sua cadeia de valor.

O Presidente da CTA, Álvaro Massingue, realizou uma visita de trabalho ao Gabinete do Projecto Mphanda Nkuwa (GMNK) com o objectivo de estabelecer mecanismos formais de cooperação e identificar as áreas de intervenção para as empresas nacionais. A parceria assenta num princípio estratégico central: a preparação tem de começar agora, e não quando as obras se iniciarem. O Director-Geral do GMNK, Carlos Yum, sublinhou este posicionamento estratégico, afirmando que a mobilização antecipada garante que as empresas moçambicanas estarão em condições de aproveitar as oportunidades de negócio à medida que estas forem surgindo.

Estruturação do Conteúdo Local da Construção à Exploração

A parceria visa assegurar a participação nacional ao longo de todo o ciclo de vida do projecto da construção e logística ao fornecimento de equipamentos e à gestão operacional. Ambas as partes reconheceram que uma participação efectiva em conteúdo local exige mais do que acesso ao mercado: implica mecanismos de contratação estruturados e capacidade competitiva real por parte das empresas moçambicanas.

Massingue destacou a importância da transferência de tecnologia e do desenvolvimento de capacidades internas para gerar emprego qualificado e sustentável. A CTA compromete-se a organizar sessões de mobilização junto da comunidade empresarial mais alargada e a promover a visibilidade do avanço do projecto, com o intuito de acelerar a formação de consórcios e o estabelecimento de parcerias de investimento entre empresas nacionais e os intervenientes internacionais do projecto.

Um Potencial Transformador que Transcende a Energia

O projecto Mphanda Nkuwa vai muito além da geração de electricidade. Ambas as partes reconheceram o seu impacto transformador sobre a agricultura, o turismo e a criação de emprego, ao mesmo tempo que reforçará a espinha dorsal da rede nacional de transmissão eléctrica e promoverá a interligação dos sistemas energéticos do centro e do sul do país. O projecto fornecerá electricidade a tarifas competitivas, consolidando assim a segurança energética regional.

A parceria reforça igualmente o posicionamento institucional do GMNK enquanto gabinete de projecto transparente e inclusivo, comprometido com o desenvolvimento económico nacional. Ao estruturar antecipadamente os requisitos de conteúdo local, Moçambique procura evitar lacunas de capacidade que, de outro modo, poderiam limitar a participação de empresas nacionais em contratos de elevado valor acrescentado.

Para os investidores institucionais e os profissionais de finanças para o desenvolvimento, esta articulação antecipada entre a gestão pública do projecto e as confederações do sector privado é um sinal de maturidade na governação de infra-estruturas em Moçambique. O envolvimento precoce de ambas as partes reduz o risco de implementação e aumenta a probabilidade de que os benefícios económicos locais sejam sustentáveis ao longo de toda a vida útil do projecto.

DHL avança para a aquisição de três empresas Sul-Africanas de logística

Comissão de Concorrência da África do Sul aprovou a operação, que aguarda apenas a homologação final do Tribunal da Concorrência; transacção insere-se numa aposta de longo prazo da gigante alemã no mercado africano

A multinacional alemã de logística DHL está a dar passos concretos para reforçar significativamente a sua presença na África do Sul, com um conjunto de aquisições a aproximar-se da fase de aprovação definitiva.

A Comissão de Concorrência da África do Sul autorizou a aquisição, pela DHL, de três empresas pertencentes ao Grupo Vital, a Vital Distribution, a Vital Fleet e a Staffing Logistics. O negócio aguarda ainda a homologação final do Tribunal da Concorrência para poder ser plenamente concretizado, mas a decisão favorável da Comissão representa a superação do principal obstáculo regulatório.

De acordo com a entidade reguladora, a operação não deverá perturbar a dinâmica competitiva do mercado logístico sul-africano, nem suscita preocupações de interesse público avaliação que abre caminho à conclusão do processo.

As três empresas em causa têm perfis complementares e distintos. A Vital Distribution opera nas áreas de transporte, armazenagem e distribuição, servindo sectores como o retalho e a indústria transformadora. A Vital Fleet gere uma frota diversificada, que vai desde veículos ligeiros de entrega até pesados de longa distância. Já a Staffing Logistics assegura soluções de recursos humanos com implantação nacional de largo espectro.

Para a DHL, esta operação transcende a mera adição de frotas e armazéns, trata-se de aprofundar o controlo sobre toda a cadeia logística, desde a força de trabalho até aos meios de transporte, consolidando uma oferta integrada e de maior valor acrescentado para os seus clientes no mercado sul-africano.

A aquisição das três empresas do Grupo Vital insere-se numa estratégia mais ampla de expansão da DHL em África. A multinacional havia anunciado anteriormente um investimento de vários mil milhões de randes nas suas operações africanas, confirmando a confiança de longo prazo da empresa na região. Os responsáveis da DHL têm apontado o crescimento sustentado do comércio na África Subsariana e a procura crescente de serviços logísticos mais fiáveis e eficientes como os principais vectores que justificam este posicionamento.

Para os operadores locais, em particular as empresas de menor dimensão, a consolidação de um actor global com recursos financeiros substanciais e sistemas integrados representa um desafio competitivo acrescido. Ao mesmo tempo, a aposta da DHL sublinha o que muitos no sector já reconhecem, o mercado logístico africano está em rápido crescimento, e os grandes operadores internacionais estão a posicionar-se antecipadamente para capturar esse potencial.

TOTALENERGIES e MASDAR criam gigante das energias renováveis na ÁSIA em parceria avaliada em 2,2 mil milhões de dólares

Empresa francesa presente em Moçambique e grupo emiratista consolidam activos solares, eólicos e de armazenamento em nove países asiáticos, com capacidade operacional inicial de três gigawatts

A petrolífera francesa TotalEnergies e a empresa emiratista de energias renováveis Masdar assinaram um acordo para a criação de uma joint venture avaliada em 2,2 mil milhões de dólares, que consolida as actividades de energia renovável terrestre de ambas as companhias em nove países da Ásia. O anúncio, feito através de um comunicado conjunto, representa um dos maiores movimentos estratégicos no sector das renováveis na região neste ano.

A nova entidade combinará activos comparáveis das duas empresas, oferecendo, numa fase inicial, uma capacidade operacional de três gigawatts e seis gigawatts em fase avançada de desenvolvimento, com entrada em operação prevista antes de 2030.

De acordo com o comunicado conjunto, a joint venture será o veículo exclusivo de ambas as empresas para desenvolver, construir, deter e explorar projectos de energia solar, eólica e de armazenamento em baterias no Azerbaijão, na Indonésia, no Japão, no Cazaquistão, na Malásia, nas Filipinas, em Singapura, na Coreia do Sul e no Usbequistão.

A motivação estratégica da parceria foi exposta por Sultan Al Jaber, Ministro da Indústria e Tecnologia Avançada dos Emirados Árabes Unidos e presidente da Masdar. Segundo Al Jaber, a Ásia será o principal motor do crescimento da procura global de electricidade durante esta década, e a colaboração com a TotalEnergies permitirá acelerar a presença de ambas as companhias no continente.

Do lado da TotalEnergies, o presidente executivo Patrick Pouyanné sublinhou que o acordo reúne dois grandes actores do sector das energias renováveis para criar um líder na Ásia, gerando mais valor do que se as empresas actuassem de forma isolada. A nova parceria contará com cerca de 200 colaboradores provenientes de ambas as empresas, sendo a equipa de gestão anunciada nas próximas semanas.

A concretização formal do acordo está ainda sujeita a aprovações regulatórias e ao cumprimento de determinadas condições, num processo que as duas partes prevêem concluir em tempo útil para responder à acelerada expansão da procura de electricidade na Ásia.

A TotalEnergies é uma das maiores empresas do sector energético com presença em Moçambique, onde detém participação no megaprojecto de gás natural liquefeito de Cabo Delgado cujas operações se encontram suspensas desde 2021 na sequência da insurreição armada na província e na distribuição de combustíveis e lubrificantes no mercado nacional.

A expansão da empresa no sector das renováveis em parceria com a Masdar insere-se numa reorientação estratégica global da companhia rumo à diversificação da sua carteira energética, num contexto de pressão crescente dos mercados e dos reguladores para a redução da dependência dos combustíveis fósseis.

Fonte: Plataforma Media

EUA reforçam posição estratégica em mina de grafite no país

Os Estados Unidos da América estão prestes a tornar-se o segundo maior acionista de uma das maiores minas de grafite do mundo, localizada em Moçambique, na província de Cabo Delgado, na sequência de um investimento avaliado em cerca de 46 milhões de dólares.

A operação será conduzida pela agência norte-americana International Development Finance Corporation (DFC), que pretende converter um empréstimo de 31 milhões de dólares em participação acionista na empresa australiana Syrah Resources, responsável pela exploração da mina de Balama.

Com esta conversão, os Estados Unidos poderão deter cerca de 20% do capital da empresa, posicionando-se como o segundo maior acionista e reforçando a sua presença no sector dos chamados minerais críticos.

A iniciativa inclui ainda a disponibilização adicional de 15 milhões de dólares para financiar as operações da subsidiária moçambicana responsável pela mina, numa estratégia que visa consolidar o acesso a matérias-primas essenciais para a produção de baterias utilizadas em veículos eléctricos e tecnologias de energia limpa.

Especialistas apontam que este movimento se insere num contexto de crescente competição geopolítica pelos recursos minerais estratégicos, particularmente face ao domínio da China nas cadeias globais de fornecimento de grafite, material fundamental para a transição energética.

A mina de Balama é considerada uma das maiores reservas de grafite a nível mundial, posicionando Moçambique como um actor relevante no mercado internacional deste recurso, cada vez mais valorizado no contexto da economia verde e da industrialização tecnológica.

Contudo, o acordo ainda depende de aprovações regulatórias e condições financeiras, podendo sofrer ajustes antes da sua implementação definitiva.

Este investimento reforça a crescente importância de Moçambique no mapa global dos recursos naturais estratégicos, ao mesmo tempo que abre novas oportunidades e desafios para a gestão sustentável e inclusiva destes activos.

Fonte: BUSINES INSIDER AFRICA

Yango assinala o 7 de Abril reconhecendo o papel das mulheres na economia digital do país

A Yango Ride assinalou o Dia da Mulher Moçambicana, celebrado a 7 de Abril, com uma iniciativa dedicada a destacar o papel crescente das mulheres na economia digital do país.

O evento contou com a presença do Country Manager da Yango Ride em Moçambique, Mahomed Zameer, e reuniu motoristas parceiras da plataforma, que partilharam, na primeira pessoa, como a tecnologia tem vindo a transformar as suas vidas. Através de histórias reais e inspiradoras, ficou evidente o impacto da Yango Ride como ferramenta de geração de rendimento, independência financeira e promoção do empreendedorismo feminino.

Mais do que uma celebração, o evento reforçou o compromisso da Yango em criar oportunidades concretas para as mulheres, contribuindo activamente para uma economia mais inclusiva e dinâmica em Moçambique.

“As nossas parceiras constroem as suas próprias histórias. A nossa plataforma é apenas uma ferramenta, o verdadeiro impacto vem da escolha, da coragem e da determinação de cada mulher que decide seguir em frente,” afirmou Mahomed Zameer, Country Manager da Yango Ride em Moçambique.

As motoristas parceiras operam de forma totalmente independente através da Yango, beneficiando de um processo de adesão simples, horários flexíveis, gestão autónoma das suas actividades, ferramentas tecnológicas intuitivas e funcionalidades de segurança integradas na aplicação.

Na sua intervenção, Mahomed Zameer destacou que a Yango Ride em Moçambique tem vindo a registar um crescimento significativo no número de mulheres que utilizam as soluções do serviço, tanto como parceiras, como utilizadoras no seu dia-a-dia e até em situações de emergência. Como exemplo, dados indicam que, por cada 100 partos que ocorrem a caminho das maternidades, pelo menos 20 acontecem em veículos operados através de serviços de ride-hailing.

“O nosso objectivo é continuar a criar condições que incentivem mais mulheres a aderirem à plataforma, garantindo acesso a oportunidades económicas, flexibilidade e um ambiente seguro, com a ambição de reforçar a prestação de serviços de qualidade aos moçambicanos,” acrescentou Mahomed Zameer.

Entre as parceiras da Yango Ride encontram-se mulheres que ingressaram nesta actividade após perderem os seus empregos e que hoje operam exclusivamente como motoristas de ride-hailing, outras que utilizam os serviços da Yango como uma actividade complementar no seu tempo livre, e ainda algumas que descrevem esta actividade como uma forma de terapia aliada à geração de rendimento.

Marta Mussane é uma dessas empreendedoras parceiras e opera através do serviço Yango Ride há dois anos, gerindo actualmente seis viaturas afectas ao serviço. “Comecei nos serviços tradicionais de táxi, mas a transição digital levou-me a aderir à Yango. Hoje, conduzir um táxi tornou-se muito mais fácil, já não precisamos de esperar numa praça por clientes; agora conseguimos ver, em tempo real, quem solicita os nossos serviços em qualquer ponto da cidade,” afirmou.

O evento contou ainda com a participação especial de Neyma Nacimo e Daniela Izidine, influenciadoras digitais moçambicanas, que partilharam as suas experiências e incentivaram outras mulheres a explorarem o seu potencial através da tecnologia e do empreendedorismo.

Segundo as influenciadoras, a tecnologia pode ser uma ferramenta poderosa para criar oportunidades reais, e as mulheres moçambicanas estão a liderar este movimento com coragem, determinação e espírito empreendedor.

Para além de facilitar a mobilidade urbana, a Yango contribui para a economia local ao criar oportunidades de rendimento flexíveis, apoiar microempreendedores e promover o uso da tecnologia no quotidiano dos moçambicanos.

Sobre a Yango Ride

A Yango Ride é um serviço de transporte por aplicativo, parte da empresa global de tecnologia Yango Group, que conecta utilizadores a prestadores de serviços de transporte locais e permite aos motoristas encontrar clientes.

Recorrendo a tecnologias avançadas, incluindo sistemas de mapeamento, navegação e algoritmos inteligentes de distribuição de pedidos, proporciona uma experiência conveniente e acessível para os passageiros, ao mesmo tempo que optimiza a eficiência operacional para os motoristas parceiros.

A Yango Ride opera em mais de 25 países no Médio Oriente, África, América Latina e outras regiões.

Moçambique líquida dívida ao FMI e zera saldo em 630 milhões de euros

Moçambique concluiu o pagamento integral da sua dívida ao Fundo Monetário Internacional (FMI), num montante de 630 milhões de euros, tornando-se o único país, entre uma lista de 85 nações acompanhadas pela instituição, a registar saldo zero de crédito em dívida até ao final de Março de 2026.

De acordo com o relatório do FMI sobre crédito em dívida, referente ao período de 1 a 30 de Março de 2026, Moçambique devia 514,04 milhões de Direitos de Saque Especiais (DSE) no início do período, equivalentes a 630,1 milhões de euros. No final de Março, o saldo havia caído a zero.

A liquidação ocorre num momento em que o país negocia um novo programa de assistência com o FMI. Na última avaliação publicada em Fevereiro, a instituição não anunciou decisões sobre um novo programa de apoio, tendo o crédito em dívida de Moçambique atingido 226% da sua quota. Uma revisão pós-financiamento está prevista para Agosto de 2026, com novas consultas programadas nos 12 meses seguintes.

No âmbito do anterior programa de Facilidade de Crédito Alargado (ECF), o FMI aprovou em 2022 um financiamento de cerca de 468 milhões de dólares. Contudo, o programa foi suspenso em Abril de 2025, após a disponibilização de aproximadamente 343 milhões de dólares em quatro tranches.

O Presidente Daniel Chapo havia declarado em Junho de 2025 que um novo programa alinhado com as reformas do sector público seria assinado ainda naquele ano. O vice-director-geral do FMI, Bo Li, confirmou em Maio de 2025, em Maputo, que a instituição pretendia avançar com um novo programa de apoio a Moçambique, sublinhando a cooperação para a manutenção da estabilidade macroeconómica e financeira.

A quitação da dívida representa um marco significativo para as finanças públicas moçambicanas, ainda que o país continue a enfrentar desafios estruturais, incluindo uma dívida interna que triplicou desde 2020, atingindo 6,6 mil milhões de euros.

Vodacom leva clientes ao Lounge do Aeroporto de Mavalane

Vodacom Moçambique anunciou o estabelecimento de uma parceria com o Executive 2000 Lounge, localizado no Aeroporto Internacional de Mavalane, numa iniciativa que visa reforçar a experiência dos seus clientes e ampliar o conjunto de benefícios associados aos seus serviços.

A parceria permite que clientes elegíveis tenham acesso ao espaço antes dos seus voos, tanto nacionais como internacionais, beneficiando de condições de maior conforto, incluindo acesso à internet, zona de descanso, bem como serviços de alimentação ligeira. 

Segundo a Vodacom, o benefício está disponível para clientes pré-pagos com o pacote Tudo Top 3000 MT activo e para clientes pós-pagos individuais com planos de valor igual ou superior, desde que não apresentem facturas em atraso. Cada activação do pacote dá direito a um acesso ao lounge, válido durante o período de vigência da oferta.

O processo de acesso foi desenhado para ser simples e totalmente digital. Após a activação do pacote, o cliente recebe uma mensagem de confirmação, seguida de um código de acesso enviado por SMS. No dia da viagem, basta apresentar esse código no balcão do lounge para usufruir do benefício.

O foco no cliente faz parte dos pilares do negócio da Vodacom. Por isso, a empresa aposta em iniciativas que voltadas a melhoria da experiência, o atendimento e a satisfação do cliente quer esteja ou não em contacto directo com a marca. A parceria com o Executive 2000 Lounge demonstra o cuidado e atenção ao cliente de forma constante, e se apresenta como uma resposta às necessidades de um segmento que privilegia conveniência, conforto e serviços diferenciados.

Quénia e Moçambique aprofundam laços na aposta pelo Comércio, Energia e Conectividade

A visita de três dias do Presidente Daniel Chapo a Nairobi, a convite de William Ruto, marcou o início de uma parceria mais deliberada entre os dois países, centrada no comércio, na energia e na conectividade regional.

À primeira vista, o Quénia e Moçambique parecem parceiros improváveis, separados pela distância, pela língua e pela integração em blocos regionais distintos. Mas é precisamente essa diferença que os aproxima: cada um tem o que o outro precisa. O Quénia é a porta de entrada para a África Oriental; Moçambique ancora o sul do continente. Juntos, podem ligar dois dos maiores mercados africanos no quadro da Área Continental de Comércio Livre Africana a AfCFTA.

A visita de três dias do Presidente Daniel Chapo a Nairobi, a convite do Presidente William Ruto, confirmou essa lógica e acelerou o processo. Na sequência dos encontros bilaterais entre os dois chefes de Estado, foram assinados acordos de cooperação e memorandos de entendimento nas áreas de formação diplomática, investigação e capacitação institucional, serviços prisionais, e desenvolvimento da juventude e desporto.

Ruto sublinhou que a cooperação se estende ao turismo, às energias limpas, à aviação descrita como “facilitador vital do comércio e das relações entre povos” à economia azul e à cooperação marítima. “Estamos também a colaborar no combate ao terrorismo e na promoção da paz, segurança e estabilidade”, afirmou. “O nosso objectivo colectivo é avançar uma visão partilhada de prosperidade para as nossas nações e para o continente.”

Portos, voos e gás: os pilares concretos da parceria

A dimensão prática da aproximação é clara. O Quénia oferece os portos de Mombaça e Lamu como pontos de entrada na África Oriental; Moçambique tem Maputo, Beira e Nacala ao serviço da África Austral. Uma cooperação mais estreita neste domínio pode aumentar os fluxos de carga, reduzir os custos de transporte e expandir as rotas comerciais no continente.

Uma das medidas mais imediatas em discussão é a introdução de voos directos entre Nairobi e Maputo. Voos directos reduziriam o tempo de deslocação, facilitariam a mobilidade empresarial e reforçariam os laços entre as duas sociedades uma necessidade que diplomatas de ambos os países identificam como urgente.

As vastas reservas de gás natural de Moçambique constituem outro factor central. O Quénia procura parcerias energéticas fiáveis para suportar o crescimento industrial, enquanto os projectos moçambicanos precisam de investimento e de mercados regionais. As negociações incidiram sobre a cooperação energética, mas abrangeram igualmente oportunidades nas áreas da infraestrutura, da agricultura e do comércio em geral.

Esta aproximação retoma e aprofunda um trabalho iniciado em 2018, quando o então Presidente moçambicano Filipe Nyusi visitou o Quénia e percorreu o Porto de Mombaça visita que sinalizou um interesse inicial na cooperação logística. A Comissão Permanente Conjunta de Cooperação, na sua terceira sessão ministerial realizada antes dos encontros presidenciais, havia já identificado o aproveitamento dos recursos naturais moçambicanos, em particular o gás, como prioridade para reforçar a segurança energética do Quénia e promover parcerias de investimento.

Investimento e diplomacia económica

Chapo participou ainda na Conferência Internacional de Investimentos do Quénia, onde foram assinados 20 acordos estratégicos de investimento no valor total de 2,9 mil milhões de dólares, abrangendo sete sectores prioritários: agricultura, indústria transformadora, TIC, externalização de processos de negócio, saúde, energia e imobiliário.

O envolvimento crescente entre os dois países reflecte a orientação mais ampla da política externa de Ruto, que tem apostado na diplomacia económica e na construção de relações que gerem comércio, investimento e emprego. “Estamos a eliminar barreiras ao comércio tarifárias e não tarifárias para facilitar maior troca e investimento entre as nossas duas nações”, afirmou o Presidente queniano.

Moçambique encaixa nessa estratégia como um parceiro de elevado potencial: recursos abundantes, mercados em crescimento e uma localização estratégica no Oceano Índico que ambos os países reconhecem como activo partilhado na construção de uma economia azul regional.

Forvis Mazars Mozambique distinguida nos World Economic Magazine Awards 2026 com dois prémios de excelência

A Forvis Mazars Moçambique foi galardoada com dois reconhecimentos internacionais nos World Economic Magazine Awards 2026, numa distinção que reafirma o posicionamento da empresa no panorama da consultoria e auditoria no país e na região.

  • Best Audit & Assurance Firm – Mozambique 2026
  • Best Professional Services Firm – Mozambique 2026

Estes prémios representam um marco relevante para a firma e reflectem o compromisso contínuo da Forvis Mazars Mozambique com a excelência, a qualidade dos seus serviços e a confiança depositada pelos seus clientes, parceiros e demais stakeholders.

A distinção como Best Audit & Assurance Firm – Mozambique 2026 reforça a solidez da actuação da firma na prestação de serviços de auditoria e assurance, pautados por elevados padrões técnicos, rigor profissional, independência e integridade. Por sua vez, o reconhecimento como Best Professional Services Firm – Mozambique 2026 evidencia a abrangência, consistência e relevância da oferta de serviços da firma no mercado moçambicano.

Para a Forvis Mazars Mozambique, esta conquista é também o reflexo do empenho diário das suas equipas, que trabalham com dedicação para entregar soluções de elevada qualidade, alinhadas às necessidades dos clientes e à dinâmica de um ambiente de negócios em constante evolução.

Dipak Lalgi, Country Managing Partner, Audit & Assurance, afirmou:
“Receber estes dois prémios internacionais é motivo de grande orgulho para toda a nossa equipa. Este reconhecimento reforça o nosso compromisso com a excelência, a integridade e a criação de valor sustentável para os nossos clientes e para o mercado moçambicano. Agradecemos a confiança dos nossos clientes, parceiros e colaboradores, que tornam possível esta conquista.”

A Forvis Mazars Mozambique continua focada em consolidar a sua posição como uma firma de referência no país, contribuindo para o fortalecimento das boas práticas de auditoria, transparência, governação e desenvolvimento empresarial em Moçambique.

Este reconhecimento internacional reafirma a visão da firma de prestar serviços com elevado padrão de qualidade, proximidade com o cliente e impacto positivo duradouro no ambiente empresarial.

Sobre a Forvis Mazars Mozambique
Em Moçambique, a Forvis Mazars posiciona-se como uma das principais organizações nas áreas de auditoria, consultoria e contabilidade, com uma equipa com mais de 70 profissionais e uma presença sólida e consolidada em Moçambique

África do Sul mantém Taxas de Juro: O que significa para os investidores e empresas em Moçambique

Na reunião de 26 de Março de 2026, o Banco de Reserva da África do Sul (SARB) manteve a taxa repo inalterada em 6,75%, numa decisão unânime que sinaliza uma mudança clara no ciclo de política monetária da região. A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão, ao pressionar os preços do petróleo em alta e enfraquecer o rand, obrigou os decisores a adoptarem uma postura de espera que contraria as expectativas de início do ano.

No início de 2026, o panorama era de optimismo cauteloso. A inflação tinha-se fixado nos 3% em Fevereiro, exactamente no centro do intervalo-alvo do SARB. Economistas esperavam pelo menos dois cortes de taxa ao longo do ano. Em apenas semanas, esse optimismo evaporou-se.

O conflito no Médio Oriente transmite-se aos mercados africanos por três canais directos: o preço do petróleo, a cotação das divisas e o sentimento dos investidores internacionais. A África do Sul, como importadora líquida de combustíveis, é particularmente exposta. O rand depreciou mais de 6% face ao dólar desde o início do conflito, e os preços da gasolina e do gasóleo deverão registar aumentos históricos em Abril de 2026 com o preço do gasóleo a subir estimados 7 rands por litro.

O SARB avaliou dois cenários adversos: um conflito de curta duração (dois meses) e um prolongado (um ano). Em ambos, a inflação sobe acima dos 3% e exige taxas de juro mais elevadas para ser contida. No cenário mais adverso, a inflação pode ultrapassar os 5%, apenas regressando ao objectivo em 2028.

Para Moçambique e para os demais países da SADC dependentes de importações de combustível, as implicações são directas: custos de transporte mais elevados, pressão sobre o metical, e maior volatilidade no planeamento financeiro das empresas. A política monetária mais restritiva na África do Sul também tende a reduzir o apetite de risco dos investidores regionais, encarecendo o acesso ao crédito e ao capital nos mercados vizinhos.

A lição que este episódio reforça é estrutural: a estabilidade financeira das economias africanas está cada vez mais condicionada por choques geopolíticos além-fronteiras. Para as empresas, investidores e instituições financeiras que operam em Moçambique, planear para um ambiente de taxas de juro elevadas durante o segundo semestre de 2026 deixou de ser um cenário pessimista tornou-se o cenário base.