Wednesday, September 2, 2026
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Secretário de Estado da Economia de Portugal e Embaixadora dos EUA visitam o stand da PROFILE na FACIM 2026

Por ocasião da abertura da 61.ª edição da FACIM, em Ricatla, Marracuene, tivemos a honra de receber, no nosso stand, no Pavilhão Tunduru, o Secretário de Estado da Economia de Portugal, João Rui Ferreira, e a Embaixadora dos Estados Unidos da América em Moçambique, Abigail L. Dressel.

Durante a visita, apresentamos os projectos em curso e algumas das nossas principais iniciativas editoriais, com destaque para a Edição Especial da Revista PROFILE, dedicada aos sectores de Tecnologia, Consultoria e Auditoria em Moçambique, reunindo as principais empresas e organizações destes segmentos.

A visita constituiu um momento de particular distinção para a nossa equipa e de aproximação institucional, colocando em diálogo dois importantes parceiros internacionais de Moçambique e reforçando a importância de plataformas que promovem negócios, conhecimento, investimento e conexões entre diferentes mercados.

Um encontro que valorizamos e que traduz o compromisso da PROFILE em estar cada vez mais próxima dos decisores, empresas e instituições que participam na transformação da economia moçambicana.

Novo Presidente do Conselho traz mais de quatro décadas de experiência em banca, finanças, auditoria, operações e governação corporativa

O United Bank for Africa Plc (UBA) anuncia a nomeação de Emmanuel N. Nnorom como Presidente do Conselho de Administração do Grupo UBA, assumindo a liderança estratégica do Conselho de Administração de uma das principais instituições financeiras pan-africanas.

A nomeação reforça a liderança do Grupo numa fase de contínua expansão e consolidação da sua presença em África e nos mercados internacionais. Actualmente, o UBA opera em 20 países africanos, mantendo também presença internacional no Reino Unido, Estados Unidos da América, França e Emirados Árabes Unidos.

Com uma carreira de mais de 40 anos nos sectores bancário e financeiro, Emmanuel N. Nnorom reúne uma vasta experiência em liderança executiva, gestão financeira, operações, auditoria, estratégia empresarial e governação corporativa.

Experiência e conhecimento profundo do UBA

O novo Presidente do Conselho de Administração possui um amplo conhecimento do Grupo UBA, tendo anteriormente desempenhado diversas funções de elevada responsabilidade durante mais de oito anos.
Entre as posições que ocupou destacam-se as de Director-Geral/Director Executivo do UBA África, Director de Operações do Grupo e Director Financeiro do Grupo. Durante esse período, esteve envolvido em importantes processos de crescimento e expansão do UBA em diferentes mercados africanos, contribuindo para o fortalecimento da sua presença regional.

Antes do seu regresso ao Grupo UBA, Nnorom ocupou posições de liderança em importantes grupos empresariais africanos. Foi Director Executivo da Heirs Holdings e Presidente e Director Executivo da Transnational Corporation of Nigeria Plc (Transcorp), onde esteve ligado à gestão e transformação de negócios em sectores estratégicos da economia africana.

Experiência, formação e liderança

Emmanuel N. Nnorom é contabilista certificado e possui formação executiva em liderança e gestão, incluindo programas realizados no Templeton College, Universidade de Oxford.
Ao longo da sua carreira, recebeu também importantes distinções profissionais, incluindo o estatuto de Membro Honorário do Institute of Chartered Accountants of Nigeria (ICAN) e do Chartered Institute of Bankers of Nigeria (CIBN).

A sua trajectória profissional combina experiência institucional no sector financeiro, conhecimento dos mercados africanos e uma sólida visão de gestão e governação, atributos que serão importantes para a orientação estratégica do Grupo UBA.

Continuidade, crescimento e criação de valor

Na qualidade de Presidente do Conselho de Administração do Grupo, Emmanuel N. Nnorom terá um papel fundamental na supervisão da orientação estratégica do UBA, contribuindo para a continuidade do crescimento do Grupo, o fortalecimento da sua posição nos mercados onde opera e a criação de valor sustentável para clientes, colaboradores, accionistas e demais partes interessadas.

A sua nomeação representa ainda uma combinação de experiência, conhecimento institucional, visão pan-africana e rigor financeiro, num momento em que o UBA continua a reforçar o seu papel como instituição financeira de referência no continente africano.

O United Bank for Africa Plc (UBA) é um dos principais grupos financeiros pan-africanos, oferecendo serviços bancários a particulares, empresas e instituições através de uma rede que se estende por África e por importantes centros financeiros internacionais. Com uma presença construída ao longo de décadas, o UBA continua comprometido com a promoção do crescimento económico, a inclusão financeira e a criação de soluções inovadoras que conectam pessoas, empresas e mercados em África e além do continente.

A UBA Moçambique saúda a nomeação de Emmanuel N. Nnorom e acredita que a sua experiência e liderança contribuirão para o fortalecimento contínuo do Grupo UBA e para a concretização da sua visão de construir uma instituição financeira cada vez mais competitiva, inovadora e próxima dos seus clientes e parceiros.

Visabeira assume controlo da TV Cabo após adquirir 30% da Tmcel

O grupo português Visabeira está a reforçar a sua posição no sector das telecomunicações em Moçambique, ao avançar para a aquisição de uma participação adicional de 30% na TV Cabo Comunicações Multimédia, actualmente detida pela operadora estatal Tmcel. Com a conclusão da operação, a Visabeira passará a controlar 80% do capital da TV Cabo, assumindo o controlo exclusivo da empresa.

A transacção foi submetida à apreciação da Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC), que abriu um período de consulta pública de 15 dias para recolher eventuais observações de terceiros interessados. A aquisição será realizada através da Visabeira Moçambique, subsidiária local do grupo português.

A operação representa a passagem da Visabeira de uma posição de 50% para 80% na TV Cabo. Segundo informação constante dos relatórios e contas da Visabeira Moçambique relativos a 2023 e 2024, publicados pela Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), o grupo havia adquirido, em 2023, uma participação adicional de 30% na TV Cabo, anteriormente pertencente à Tmcel, elevando a sua participação para 50%. Essa operação incluía uma opção de recompra a favor da Tmcel até ao final de 2025.

A TV Cabo presta serviços integrados de comunicações electrónicas aos segmentos residencial e empresarial, incluindo televisão por subscrição, Internet fixa e serviços de voz, posicionando-se entre os operadores relevantes do mercado nacional.

Visabeira reforça posição também na Televisa

O movimento não se limita à TV Cabo. No mesmo período, a Visabeira notificou a ARC sobre a aquisição de uma participação adicional de 30% na Televisa – Sociedade Técnica de Obras e Projectos, igualmente detida pela Tmcel.

A concretização desta segunda operação permitirá ao grupo passar também a deter 80% da Televisa, contra os actuais 50%, consolidando o controlo de uma empresa especializada em engenharia de redes de telecomunicações, construção de infra-estruturas, instalação de clientes e operação e manutenção de sistemas de comunicações electrónicas.

As duas transacções apresentam, assim, uma lógica complementar: enquanto a TV Cabo actua directamente na prestação de serviços de telecomunicações aos consumidores e empresas, a Televisa está posicionada na componente de engenharia e infra-estrutura que suporta o sector.

Aposta de longo prazo em Moçambique

O reforço do controlo destes dois activos ocorre no âmbito de uma presença que a Visabeira mantém há vários anos em Moçambique.

O grupo português tem vindo a expandir a sua actividade para além das telecomunicações. Em Dezembro, estabeleceu, juntamente com a Electricidade de Moçambique (EDM) e a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), a empresa Soluções Eléctricas Globais (SEG), destinada à prestação de serviços de engenharia no sector energético em Moçambique e noutros mercados da África Austral.

Segundo declarações anteriormente prestadas pelo vice-presidente da Visabeira, Fernando Daniel Nunes, Moçambique representa menos de 5% do volume de negócios consolidado do grupo, mas continua a ser considerado um mercado de referência e uma das principais geografias africanas da empresa.

A conclusão das operações na TV Cabo e na Televisa está dependente da apreciação da ARC, que estabeleceu o período de consulta pública antes de tomar uma decisão sobre as concentrações notificadas.

Fonte: Lusa / MZNews.

INSS poderá aplicar até 25% da sua carteira de investimentos no Banco de Desenvolvimento de Moçambique

Regulamento do BDM estabelece um limite máximo de exposição dos fundos da segurança social, mas qualquer aplicação dependerá de avaliação actuarial, liquidez, rentabilidade, risco e diversificação.

O Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) poderá aplicar até 25% da carteira de investimentos dos fundos da segurança social obrigatória no recém-criado Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM), de acordo com o regulamento aprovado pelo Conselho de Ministros.

A disposição, contudo, não representa uma transferência automática de um quarto dos recursos do INSS para o novo banco. O limite funciona como um tecto máximo de exposição, cabendo ao Conselho de Administração do INSS decidir, caso a caso, sobre os montantes a aplicar, tendo em conta a situação actuarial dos fundos, necessidades de liquidez, gestão de activos e passivos e a política de investimentos da instituição.

Com base na carteira de investimentos do INSS de cerca de 72 mil milhões de meticais, reportada em 2024, o limite de 25% corresponderia, em termos meramente teóricos, a 18 mil milhões de meticais. O valor, entretanto, não representa o montante actualmente disponível nem uma aplicação já aprovada no BDM.

BDM poderá mobilizar capital de longo prazo

A possibilidade de utilização de recursos da segurança social surge no quadro do modelo de financiamento do Banco de Desenvolvimento de Moçambique, concebido para mobilizar recursos de longo prazo destinados ao financiamento de infra-estruturas e projectos considerados estruturantes para a economia.

O BDM terá um capital social de 32 mil milhões de meticais, dos quais o Estado deverá subscrever e realizar pelo menos 51%. Até 49% do capital poderá ser alienado a instituições financeiras de desenvolvimento, bancos multilaterais e entidades similares, nacionais ou internacionais. A realização do capital poderá ocorrer ao longo de cinco anos, em parcelas anuais de 6,4 mil milhões de meticais.

Para além dos recursos da segurança social, o banco poderá recorrer a capitais próprios, empréstimos, doações, recursos do sector empresarial do Estado, dotações orçamentais e a uma percentagem das receitas do sector extractivo que venha a ser definida anualmente no Orçamento do Estado.

O regulamento estabelece ainda que as receitas extractivas destinadas ao BDM deverão ser aplicadas exclusivamente em projectos estruturantes e infra-estruturas estratégicas, não podendo financiar despesas correntes.

Aplicações terão de ser remuneradas

Do ponto de vista financeiro, os recursos do INSS não serão transferidos a fundo perdido. As aplicações deverão ser realizadas através de instrumentos que definam remuneração, prazo, garantias, condições de reembolso e mecanismos de acompanhamento.

A remuneração deverá ser compatível com o risco assumido pelo INSS, fazendo com que a aplicação no BDM represente, para a segurança social, um activo financeiro e não uma simples transferência de recursos.

A qualidade dessa aplicação dependerá, em última instância, da capacidade do BDM de financiar projectos viáveis, recuperar o capital aplicado e assegurar a remuneração contratualmente estabelecida.

Projectos terão de provar viabilidade

O regulamento estabelece critérios de elegibilidade para os projectos que poderão beneficiar do financiamento do BDM.

Entre os requisitos estão o alinhamento com a política económica nacional, viabilidade técnica, ambiental e económico-financeira, bem como impacto mensurável na criação de emprego, transferência de tecnologia e desenvolvimento de cadeias de valor.

Os promotores deverão ainda demonstrar capacidade técnica e financeira e apresentar estudos que sustentem a viabilidade económica dos projectos, incluindo projecções de fluxos de caixa, Valor Actual Líquido (VAL) e Taxa Interna de Rentabilidade (TIR).

Esta componente assume particular importância porque a capacidade do BDM de cumprir a sua missão de desenvolvimento estará directamente relacionada com a qualidade dos activos que financiar. Para o INSS, por sua vez, a selecção dos projectos será determinante para garantir que os recursos destinados às futuras prestações sociais não sejam expostos a riscos excessivos.

INSS poderá reduzir ou suspender exposição

O regulamento prevê mecanismos de protecção dos fundos da segurança social. O INSS poderá suspender, reduzir ou rever as suas aplicações caso estudos actuariais, financeiros ou de risco identifiquem ameaças à solvência, liquidez, rentabilidade, diversificação ou capacidade de cumprimento das responsabilidades perante os beneficiários.

Nessas circunstâncias, está previsto que o reembolso ocorra num prazo de até 30 dias.

A cláusula cria, contudo, uma exigência adicional para a gestão do BDM, considerando que o banco deverá financiar projectos de longo prazo, nomeadamente nos sectores de infra-estruturas, energia, agricultura e indústria. Será necessário, por isso, assegurar uma gestão adequada da liquidez para compatibilizar os prazos dos investimentos com eventuais necessidades de reembolso do INSS.

Potencial de financiamento chega a 18 mil milhões de meticais

A dimensão potencial da operação pode ser avaliada a partir da carteira do INSS divulgada em 2024. Na altura, os investimentos da instituição tinham aumentado de 34 mil milhões de meticais, em 2020, para cerca de 72 mil milhões de meticais no primeiro semestre de 2024.

Aplicado sobre essa carteira histórica, o limite regulamentar de 25% corresponderia a aproximadamente 18 mil milhões de meticais, valor equivalente a cerca de 56% do capital social previsto para o BDM.

Isto significa que, caso o limite máximo fosse integralmente utilizado, o INSS poderia assumir uma posição relevante na estrutura financeira do novo banco. No entanto, o montante efectivo dependerá de decisões futuras do INSS e da evolução da sua própria carteira de investimentos.

Desenvolvimento versus protecção das poupanças sociais

A utilização de recursos da segurança social para financiar investimentos de longo prazo não é, em si, incompatível com a natureza dos fundos do INSS, desde que sejam respeitados critérios de rentabilidade, risco, liquidez e diversificação.

Investimentos em energia, logística, agricultura, indústria e infra-estruturas podem aumentar a capacidade produtiva da economia, criar emprego formal e, consequentemente, ampliar a base de contribuintes da segurança social.

O principal desafio estará, porém, em garantir que a procura de financiamento para o desenvolvimento não se sobreponha à obrigação de preservar as poupanças destinadas às prestações sociais presentes e futuras.

A exposição máxima de 25% estabelece, assim, uma importante fonte potencial de capital para o BDM, mas a sua dimensão efectiva dependerá da capacidade do INSS de demonstrar que cada aplicação é compatível com a sustentabilidade financeira e actuarial do sistema de segurança social.

Fonte: O.Económico.

Moçambique procura financiamento e investimento para acelerar expansão da energia solar

Governo aposta em soluções solares para levar electricidade a comunidades fora da rede e criar novas oportunidades de produção e rendimento nas zonas rurais.

Moçambique está a reforçar a aposta na energia solar como alternativa para acelerar o acesso à electricidade nas comunidades fora da rede nacional, procurando no continente africano novas parcerias, mecanismos de financiamento e investimento para ampliar projectos de geração descentralizada.

A estratégia está a ser discutida no Zimbabwe, durante a 8.ª Reunião do Comité Regional da Aliança Solar Internacional (ISA) para África, que reúne representantes de governos, missões diplomáticas e instituições ligadas ao sector energético.

O Fundo de Energia (FUNAE) participa no encontro com o objectivo de identificar oportunidades de cooperação e financiamento, bem como recolher experiências de outros mercados africanos que possam contribuir para acelerar a implementação de soluções solares em Moçambique.

A delegação moçambicana é composta por Edson Uamusse, Administrador do Pelouro de Suporte do FUNAE, e Damião Namuera, representante do Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME) e membro da Aliança Solar Internacional.

Energia solar como alternativa à expansão da rede

A aposta ganha relevância num contexto em que Moçambique procura ampliar rapidamente o acesso à electricidade, sobretudo em comunidades rurais onde a extensão da rede convencional pode representar maiores custos e exigir períodos mais longos de implementação.

Para estas zonas, os sistemas solares descentralizados podem permitir a disponibilização de electricidade sem depender exclusivamente da construção de novas linhas de transmissão e distribuição.

O desafio, contudo, passa por transformar o potencial solar em projectos economicamente viáveis, financiáveis e sustentáveis, capazes de gerar benefícios para as comunidades e, simultaneamente, criar condições para uma maior participação do sector privado.

A discussão regional ocorre num momento em que os países africanos procuram acelerar a transição energética e aumentar significativamente a capacidade de geração solar do continente. Entre as metas em debate está o aumento da capacidade solar para 200 gigawatts até 2030 e 1.000 gigawatts até 2050.

Agricultura entra na agenda

Um dos eixos centrais das discussões é a solarização da agricultura, através da utilização de energia solar para alimentar sistemas de irrigação, equipamentos de processamento e outras infra-estruturas produtivas.

A abordagem procura ir além da electrificação para consumo doméstico, utilizando a energia como factor de produção e geração de rendimento.

Em comunidades rurais, a disponibilidade de electricidade pode permitir aumentar a capacidade de irrigação, conservar e processar produtos agrícolas, reduzir perdas pós-colheita e criar condições para o desenvolvimento de pequenas actividades industriais e comerciais.

A ligação entre energia e agricultura poderá, desta forma, contribuir para aumentar a produtividade e reforçar a segurança alimentar, ao mesmo tempo que cria novas oportunidades económicas para as populações fora da rede.

Solar Rooftop abre espaço para investimento privado

Outro tema em análise é a expansão das soluções Solar Rooftop, baseadas na instalação de sistemas fotovoltaicos em telhados de edifícios residenciais, comerciais e institucionais.

Além de contribuir para diversificar a matriz de geração, este modelo poderá criar oportunidades para o desenvolvimento de novos negócios no sector energético, incluindo instalação, manutenção, financiamento e operação de sistemas solares.

Para Moçambique, a expansão deste segmento poderá abrir espaço para uma maior participação de empresas privadas, instituições públicas e comunidades, criando modelos descentralizados de produção e consumo de energia.

A adopção destas soluções poderá também apoiar actividades económicas em zonas onde o acesso à rede continua limitado ou onde a qualidade e disponibilidade do fornecimento constituem constrangimentos à expansão dos negócios.

Financiamento continua a ser o principal desafio

Apesar do elevado potencial solar do continente, a expansão da capacidade instalada continua condicionada pela mobilização de capital e pelos riscos associados aos investimentos em infra-estruturas energéticas.

Por essa razão, a criação de mecanismos de financiamento e a integração de diferentes programas de apoio estão entre as prioridades da reunião da ISA.

Para Moçambique, a capacidade de atrair financiamento será determinante para converter projectos de electrificação solar em activos produtivos e economicamente sustentáveis.

A cooperação regional poderá igualmente facilitar o acesso a conhecimento técnico, tecnologias e modelos de financiamento já testados noutros mercados africanos.

A ISA pretende ainda reforçar as capacidades técnicas e institucionais dos países membros através de programas de formação, incluindo iniciativas de e-learning, com vista a aumentar a capacidade nacional de preparação e execução de projectos solares.

Da electrificação ao desenvolvimento económico

A participação de Moçambique na reunião regional da ISA enquadra-se nos esforços nacionais para ampliar o acesso à energia e acelerar a electrificação das comunidades fora da rede.

Mais do que levar electricidade às habitações, a aposta na energia solar procura criar uma infra-estrutura económica básica para actividades produtivas, permitindo o funcionamento de sistemas de irrigação, pequenos negócios, equipamentos de processamento, serviços sociais e outras actividades geradoras de rendimento.

O desafio para Moçambique será, agora, transformar a cooperação internacional e as metas continentais em projectos concretos, financiáveis e com capacidade de gerar impacto económico mensurável nas comunidades rurais.

A reunião no Zimbabwe representa, neste contexto, uma oportunidade para o país aproximar-se de parceiros financeiros e tecnológicos e acelerar a utilização de uma das fontes de energia com maior disponibilidade no continente africano.

Fonte: AIM

Maputo acolhe fórum sobre Sustentabilidade Empresarial, Economia Verde e Investimento

A cidade de Maputo vai acolher, a 19 de Setembro, o Mozambique Future Green Business (MFGB) Expo 2026, um fórum dedicado à sustentabilidade empresarial, economia verde, inovação e investimento. Organizado pela Ecobrand Moçambique, com apoio institucional do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, o encontro deverá reunir entre 300 e 500 participantes, entre empresas, entidades públicas, investidores, académicos, empreendedores e organizações da sociedade civil.

Sob o lema “A Tua Marca Pode Salvar o Planeta”, a iniciativa pretende colocar a sustentabilidade no centro das decisões empresariais, defendendo uma abordagem que ultrapasse a perspectiva da responsabilidade ambiental enquanto obrigação ou custo e a encare também como uma oportunidade para inovação, eficiência, diferenciação e crescimento económico.

A programação do MFGB Expo 2026 será organizada em seis painéis, abrangendo temas como o papel das marcas na construção de um futuro sustentável, ecoturismo, agronegócio e conservação, energias limpas e mobilidade sustentável, economia verde e economia azul, inovação e empreendedorismo, bem como financiamento verde, ESG e investimento de impacto.

Além dos debates, o evento contará com uma área de exposição dedicada a empresas, organizações e iniciativas ligadas à economia verde, onde serão apresentadas soluções nas áreas de energia, ambiente, agricultura, conservação, tecnologia, mobilidade, economia azul e financiamento sustentável. A programação inclui igualmente oportunidades de networking e estabelecimento de parcerias empresariais.

Segundo Faustino Quissico, director-geral da Ecobrand, a iniciativa pretende transformar a sustentabilidade numa agenda prática para o sector empresarial, integrando as questões ambientais nas decisões, produtos e modelos de criação de valor das empresas.

A organização espera ainda que o fórum produza resultados para além da realização do evento, através da concretização de decisões, parcerias e compromissos entre os participantes.

Declaração de Maputo em preparação

Um dos momentos de destaque será a apresentação da Declaração de Maputo pela Sustentabilidade Empresarial, através da qual líderes empresariais, governamentais e institucionais serão convidados a assumir compromissos concretos relacionados com a sustentabilidade.

Entre as propostas estão a redução da pegada ambiental das organizações, a divulgação regular de informação sobre sustentabilidade e ESG, bem como o apoio a iniciativas de reciclagem, energia limpa e conservação nas comunidades onde as empresas desenvolvem as suas actividades.

Para o ambientalista Carlos Serra, parceiro da iniciativa, o desafio passa por conciliar crescimento económico e protecção dos recursos naturais. Na sua perspectiva, a sustentabilidade económica de longo prazo depende da preservação da base ambiental que sustenta comunidades, empresas e o próprio Estado.

O MFGB Expo 2026 posiciona-se, assim, como uma plataforma de aproximação entre o sector empresarial, investidores, Governo e actores ligados à inovação e ao desenvolvimento sustentável, num momento em que as agendas ESG, financiamento verde e transição energética ganham maior relevância nas decisões de investimento.

FACIM 2026 leva 28 países e três mil empresas ao mercado moçambicano

28 países já confirmaram participação na 61.ª edição da feira, que terá o Brasil como país convidado de honra e deverá receber cerca de 55 mil visitantes.

Mais de 500 empresas estrangeiras e cerca de três mil expositores nacionais são esperados na 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), que decorrerá de 31 de Agosto a 6 de Setembro, em Maputo.

A edição deste ano conta, até ao momento, com a participação confirmada de 28 países, dois abaixo da meta estabelecida pela organização, segundo o director-geral da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações de Moçambique (APIEX), Luís Machava.

A presença internacional reforça a posição da FACIM como uma das principais plataformas de exposição empresarial e promoção comercial de Moçambique, num momento em que o país procura atrair investimento, diversificar mercados de exportação e ampliar as ligações entre empresas nacionais e estrangeiras.

Brasil em destaque

O Brasil será o país convidado de honra da edição deste ano, estando igualmente previstos fóruns empresariais com representantes da China e dos Emirados Árabes Unidos.

A participação destes mercados deverá abrir espaço para encontros entre empresários, investidores e instituições, com enfoque na identificação de oportunidades de negócio, estabelecimento de parcerias e exploração de novos mercados.

A edição de 2026 contará ainda com a representação das 11 províncias de Moçambique, permitindo apresentar oportunidades de investimento e negócios existentes fora da capital, bem como promover produtos e empresas de diferentes regiões do país.

FACIM acelera transformação digital

Uma das principais novidades da edição deste ano será a aposta na transformação digital, alinhada com o lema “Transformação digital e energética rumo a uma economia sustentável”.

A organização pretende digitalizar várias etapas do funcionamento da feira. A inscrição dos participantes, reserva e pagamento de stands, acesso ao programa, marcação de reuniões e realização de encontros Business-to-Business (B2B) passarão a ser realizados através de plataformas digitais.

A medida pretende simplificar a participação, melhorar a gestão dos contactos empresariais e aumentar a eficiência dos encontros entre empresas, investidores e potenciais parceiros.

55 mil visitantes esperados

A organização estima receber cerca de 55 mil visitantes ao longo dos sete dias do evento, que contará com pavilhões dedicados às micro, pequenas e médias empresas (MPME), às províncias e a sectores considerados estratégicos para a economia nacional.

Estarão igualmente representados diversos ministérios e instituições do Estado.

Para além da componente de exposição, a FACIM deverá funcionar como espaço de networking, promoção de investimentos, estabelecimento de parcerias e desenvolvimento de negócios, aproximando empresas moçambicanas de potenciais investidores, fornecedores e compradores internacionais.

Com mais de três mil expositores nacionais e centenas de empresas estrangeiras esperadas, a edição de 2026 procura reforçar a dimensão internacional da FACIM e posicioná-la como uma plataforma para transformar contactos empresariais em negócios, investimento e novas oportunidades de mercado.

Fonte: O País

Acesso à electricidade sobe para 66,9% da população moçambicana

Cerca de 22,7 milhões de moçambicanos já têm acesso à energia eléctrica, mais 12,9 milhões do que em 2019, num avanço que coloca o país mais próximo da meta de acesso universal até 2030.

Cerca de 22,7 milhões de moçambicanos, equivalentes a 66,9% da população, têm actualmente acesso à energia eléctrica, contra aproximadamente 9,8 milhões em 2019, segundo dados apresentados pelo secretário permanente do Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), António Manda.

Os números representam um aumento de cerca de 12,9 milhões de beneficiários em seis anos, reflectindo a expansão da rede nacional de electrificação e os investimentos realizados para ampliar o acesso à energia no país.

Os dados foram divulgados em Maputo, durante as celebrações dos 49 anos da Electricidade de Moçambique (EDM), que assinalaram também o início de um novo ciclo rumo ao cinquentenário da empresa pública.

Segundo António Manda, o crescimento do acesso à electricidade constitui um avanço relevante na trajectória de electrificação do país, mas ainda existem desafios significativos para alcançar a meta de acesso universal à energia eléctrica até 2030.

“O percurso da EDM é motivo de reconhecimento, mas devemos também lembrar que a missão de edificar Moçambique ainda não está concluída.”

O responsável salientou que permanecem comunidades sem acesso à electricidade e consumidores que exigem um serviço mais seguro, fiável, acessível e de qualidade.

361 postos administrativos já electrificados

A expansão da electrificação tem permitido também ampliar a cobertura territorial da rede. Actualmente, as 11 capitais provinciais e 154 sedes distritais encontram-se electrificadas, enquanto prosseguem os trabalhos para levar energia aos postos administrativos.

Dos postos administrativos existentes no país, 361 já beneficiam de energia eléctrica, segundo os dados apresentados pelo MIREME.

A expansão da rede, contudo, ocorre num contexto em que o sistema energético nacional enfrenta riscos crescentes associados aos eventos climáticos extremos. António Manda defendeu, por isso, a necessidade de reforçar a resiliência das infra-estruturas para reduzir os impactos de fenómenos que têm afectado diferentes regiões do país.

Desafio passa por transformar recursos em energia competitiva

Para o MIREME, a expansão do acesso não deve ser dissociada da capacidade de Moçambique transformar o seu potencial energético em electricidade disponível, competitiva e sustentável.

O país dispõe de importantes recursos energéticos, incluindo potencial hidroeléctrico, gás natural, energia solar e outras fontes renováveis. O desafio, segundo Manda, consiste em converter esse potencial em capacidade efectiva de geração e fornecimento, alinhada com as necessidades de desenvolvimento económico e social.

“O desafio é justamente transformar esse potencial em energia eléctrica disponível, competitiva, sustentável, promovendo uma transição energética ajustada e justa às prioridades de desenvolvimento do nosso país.”

A questão da qualidade e fiabilidade do fornecimento ganha particular relevância à medida que aumenta o número de consumidores ligados à rede e cresce a procura de energia por parte das actividades económicas.

EDM pede maior proximidade com consumidores

Por seu turno, o presidente do Conselho de Administração da EDM, Joaquim Henrique Ou-chim, apelou às direcções provinciais da empresa para reforçarem os esforços destinados a aproximar os serviços dos cidadãos.

O responsável defendeu uma actuação baseada na ética, responsabilidade e qualidade no atendimento, como forma de melhorar a resposta às necessidades dos consumidores e das comunidades.

As celebrações dos 49 anos da EDM incluem um workshop dedicado às missões, desafios e perspectivas da empresa, reunindo actuais e antigos dirigentes, trabalhadores, parceiros de cooperação e outros intervenientes do sector energético.

A iniciativa abre, assim, o ciclo comemorativo que conduzirá aos 50 anos da Electricidade de Moçambique, num período em que a empresa enfrenta o desafio de conciliar a expansão do acesso com a necessidade de assegurar qualidade, fiabilidade e resiliência do fornecimento de electricidade.

Fonte: AIM

Receitas do petróleo aumentam 121%, mas megaprojectos perdem peso no Orçamento do Estado

As receitas provenientes da exploração de petróleo e gás em Moçambique registaram um crescimento expressivo, mas a sua contribuição para o Orçamento do Estado continua limitada, enquanto os chamados megaprojectos perderam peso no desempenho das receitas públicas.

De acordo com dados divulgados no âmbito da execução orçamental, as receitas provenientes da exploração de hidrocarbonetos aumentaram 121%, reflectindo uma maior contribuição do sector para os cofres do Estado. O crescimento ocorre num contexto em que o Governo procura reforçar as receitas internas e reduzir a dependência do financiamento externo.

Apesar do aumento, o peso dos megaprojectos na estrutura das receitas públicas registou uma redução, evidenciando a dificuldade de transformar a dimensão dos investimentos realizados nos sectores extractivo e energético em receitas fiscais imediatas.

A evolução ganha particular relevância numa altura em que Moçambique se prepara para a retoma de grandes investimentos no sector de Gás Natural Liquefeito (LNG). O projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, retomou as actividades em Janeiro de 2026, depois de vários anos de suspensão, enquanto o projecto Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil, se aproxima da decisão final de investimento.

Gás ainda com impacto fiscal limitado

Embora as perspectivas de médio prazo sejam mais favoráveis, a contribuição directa do gás para as receitas do Estado permanece relativamente reduzida. O Governo projecta receitas provenientes da exploração de LNG de US$80,1 milhões em 2027, US$78,4 milhões em 2028 e US$101 milhões em 2029, com o aumento previsto a coincidir com a entrada em produção de novos projectos.

Actualmente, o Coral Sul, operado pela Eni, é o único projecto de LNG em produção em Moçambique. A entrada do Coral Norte, prevista para 2028, deverá elevar significativamente a capacidade de produção, enquanto o Mozambique LNG deverá iniciar a produção no último trimestre de 2029.

O Rovuma LNG, por sua vez, representa outro potencial ponto de viragem. O projecto, avaliado em cerca de US$30 mil milhões, poderá tornar-se numa das maiores operações de LNG do continente e aguarda a decisão final de investimento.

Megaprojectos enfrentam pressão

A redução do peso dos megaprojectos nas receitas ocorre num contexto de desempenho menos favorável de algumas das principais actividades de exportação. Dados do Banco de Moçambique mostram que as exportações dos grandes projectos caíram 7,1% em 2025, de US$6,2 mil milhões para US$5,8 mil milhões.

A queda esteve associada sobretudo à redução das exportações de carvão e electricidade, afectadas por preços internacionais mais baixos, constrangimentos logísticos e condições hidrológicas adversas.

No sector do carvão, as receitas de exportação diminuíram cerca de 17%, enquanto as exportações de electricidade recuaram 36,7% no período. As areias pesadas também registaram uma redução de 16,2%.

Expectativas concentradas no LNG

A perspectiva de recuperação dos megaprojectos está agora fortemente associada ao desenvolvimento dos recursos de gás da Bacia do Rovuma. O Governo prevê que a entrada progressiva dos projectos de LNG contribua para acelerar o crescimento económico, podendo a economia atingir 9,5% de crescimento em 2029, impulsionada pela entrada em produção de novos projectos de gás.

Para as finanças públicas, a questão central será transformar o aumento da actividade extractiva em receitas sustentáveis e maior capacidade de investimento do Estado. A legislação do Fundo Soberano determina que 60% das receitas líquidas do gás sejam canalizadas para o Orçamento do Estado, enquanto 40% devem ser destinados ao Fundo Soberano de Moçambique.

Assim, o crescimento das receitas petrolíferas representa um sinal positivo para as contas públicas, mas a dimensão do seu impacto dependerá sobretudo da entrada efectiva dos grandes projectos de LNG em produção, dos preços internacionais, da estabilidade em Cabo Delgado e da capacidade do Estado de capturar e gerir os benefícios económicos do sector.

Exportadores do Zimbabwe procuram ampliar presença no mercado moçambicano na FACIM 2026

Empresas exportadoras do Zimbabwe preparam-se para reforçar a sua presença no mercado moçambicano durante a Feira Internacional de Maputo (FACIM) 2026, numa iniciativa que pretende aproximar produtores zimbabueanos de compradores, distribuidores e parceiros empresariais de Moçambique.

A participação ocorre num momento em que empresas dos dois países procuram explorar o potencial do comércio bilateral e identificar novas oportunidades de negócios num mercado moçambicano considerado estratégico para a expansão regional dos produtos zimbabueanos.

A FACIM 2026, que reúne empresas de diferentes sectores e mercados, deverá servir como plataforma para os exportadores do Zimbabwe apresentarem os seus produtos, estabelecerem contactos comerciais e procurarem novos canais de distribuição em Moçambique.

Exportadores procuram novos mercados

A aposta dos empresários zimbabueanos passa por transformar a participação na feira em contratos comerciais e relações empresariais de longo prazo, aproveitando a proximidade geográfica entre os dois mercados e as ligações comerciais existentes na região da África Austral.

A presença na FACIM permite igualmente às empresas conhecer melhor as necessidades do consumidor e do mercado moçambicano, identificar potenciais parceiros locais e avaliar oportunidades de expansão para além das operações actualmente existentes.

Para o Zimbabwe, a estratégia representa uma oportunidade de diversificar destinos de exportação e aumentar a presença dos seus produtos num dos principais mercados da região.

FACIM como plataforma de integração regional

A participação zimbabueana reforça também a dimensão regional da FACIM, que funciona como espaço de promoção de comércio, investimento e parcerias empresariais entre Moçambique e outros mercados africanos e internacionais.

Para Moçambique, a entrada de novos fornecedores e parceiros comerciais pode contribuir para ampliar a oferta disponível no mercado e fortalecer as ligações empresariais com economias da região.

A expectativa é de que a edição de 2026 proporcione novas oportunidades de networking, distribuição, investimento e estabelecimento de parcerias, consolidando a FACIM como uma das principais plataformas para empresas que procuram expandir a sua presença no mercado moçambicano.

Fonte: Club of Mozambique.