Sunday, May 17, 2026
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Parceria com a APIEX reforça posicionamento do Millennium bim no apoio ao investimento directo estrangeiro em Moçambique

O Millennium bim e a Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX,IP) assinaram um Memorando de Entendimento que estabelece uma parceria estratégica orientada para dinamizar o Investimento Directo Estrangeiro em Moçambique, reforçando a articulação entre o sector financeiro e as instituições públicas como motor do crescimento económico.

Num contexto em que o país regista níveis relevantes de Investimento Directo Estrangeiro, esta parceria afirma-se como uma resposta estruturada para potenciar a atractividade de Moçambique e acelerar a concretização de oportunidades de investimento.

O acordo estabelece um quadro de cooperação institucional que posiciona o Millennium bim como parceiro no apoio ao investimento, assegurando soluções financeiras competitivas e acompanhamento ao longo do ciclo de investimento, desde a entrada até à sua expansão. Em simultâneo, a colaboração com a APIEX,IP permitirá reforçar a captação de investimento em sectores prioritários e promover uma abordagem mais integrada na relação com investidores estrangeiros.

Para Rui Pedro, Presidente da Comissão Executiva do Millennium bim, “esta parceria reforça o posicionamento do Millennium bim como um agente activo na dinamização do investimento em Moçambique, criando condições para a concretização de projectos estruturantes com impacto real na economia”.

Por seu turno, Luís Machava, Director Geral da APIEX,IP sublinhou que “o acordo representa um avanço na capacidade do país em atrair Investimento Directo Estrangeiro, oferecendo aos investidores uma resposta mais integrada e eficiente”.

No âmbito desta parceria, destacam-se iniciativas como a participação em acções de promoção económica, com enfoque na FACIM, o apoio à estruturação do Guia do Investidor Estrangeiro, a realização de briefings económicos dirigidos a investidores estrangeiros, bem como o apoio a missões empresariais e eventos sectoriais.

O acordo contempla ainda a disponibilização de soluções financeiras em condições preferenciais e a colaboração na comunicação institucional da APIEX,IP nos canais digitais. Esta parceria constitui um instrumento relevante para fortalecer o ambiente de negócios no País, apoiar a captação de investimento e contribuir para o posicionamento de Moçambique como um destino preferencial para o Investimento Directo Estrangeiro.

Miguel Alvim nomeado Director-Geral da KPMG Moçambique

A KPMG Moçambique anunciou a nomeação de Miguel Alvim para o cargo de Presidente do Conselho de Administração e Director-Geral (Country Managing Partner), com efeitos a partir de 1 de Outubro de 2026.

Miguel Alvim sucede a Quintino Cotão, que se reforma após mais de três décadas de serviço prestado à firma, marcando o encerramento de um ciclo de liderança na consultora internacional.

Segundo a empresa, a nomeação enquadra-se na estratégia de continuidade e fortalecimento institucional, num contexto em que o mercado exige maior capacidade de adaptação, inovação e soluções orientadas para resultados.

No exercício das novas funções, Miguel Alvim deverá liderar uma agenda centrada na transformação digital, no reforço da competitividade e no aumento do impacto junto dos clientes, procurando consolidar o posicionamento da KPMG no mercado moçambicano.

Descrito como um líder orientado para as pessoas e consultor de confiança, Miguel Alvim é reconhecido pelo profundo conhecimento do ambiente empresarial, compromisso com elevados padrões de qualidade e integridade, bem como pela aposta consistente na criação de valor sustentável.

A KPMG Moçambique considera que esta transição representa mais um passo na evolução da firma, reiterando confiança no contributo da nova liderança para o crescimento da organização, valorização do capital humano e apoio ao desenvolvimento do sector empresarial nacional.

Fitch desce ‘rating’ de Moçambique para ‘CC’ e agrava percepção de risco de crédito

A agência internacional de notação financeira Fitch Ratings rebaixou o rating de incumprimento do emissor de longo prazo em moeda estrangeira de Moçambique de ‘CCC’ para ‘CC’, um nível que sinaliza risco muito elevado de incumprimento e maior proximidade de falha no pagamento das obrigações financeiras do Estado.

Na sua avaliação, a Fitch considera agora provável a reestruturação do único eurobônus em circulação, tendo em conta o agravamento das condições financeiras e a trajectória da dívida pública. A agência sublinha que a decisão surge num contexto de intenção manifestada pelas autoridades moçambicanas de iniciar diálogo com credores sobre eventuais operações de dívida, incluindo possíveis trocas que impliquem perdas para investidores.

Mesmo sem esse cenário, a Fitch alerta para um risco elevado de evento de crédito, seja através de uma reestruturação associada a um programa do Fundo Monetário Internacional, seja por incumprimento caso esse apoio não se materialize ou não seja cumprido.

O rating continua a reflectir dificuldades estruturais de financiamento, com défices fiscais persistentes, níveis elevados de dívida pública e acumulação de atrasos no serviço da dívida. Em 2025, os atrasos atingiram cerca de 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB), evidenciando pressões de liquidez no sector público. O défice fiscal é estimado em 4,6% do PIB, acima da média de países com classificação semelhante.

A Fitch projeta que a dívida pública permaneça acima de 90% do PIB entre 2026 e 2027, com crescimento da componente interna, que poderá atingir cerca de 40%, elevando os custos de financiamento e os riscos de sustentabilidade.

Apesar do cenário adverso, a agência reconhece factores de mitigação, incluindo as perspectivas de desenvolvimento do gás natural liquefeito a partir de 2028, a redução das tensões políticas e a continuidade dos fluxos de investimento directo estrangeiro.

Fonte: Reuters

A Eskom e a South32 colaboram no fornecimento de energia renovável para a fundição de alumínio de Hillside

A empresa de energia sul-africana Eskom e a South32 estão trabalhando em um plano de eletricidade renovável para a fundição de alumínio Hillside da empresa australiana, que entrará em vigor a partir de 2031, disseram as duas empresas na terça-feira.

A fábrica de Hillside, com capacidade para 720.000 toneladas métricas por ano, localizada na costa leste da África do Sul, é a maior fundição de alumínio do hemisfério sul e possui um contrato de 10 anos com a Eskom para custos de energia com desconto, com término em 2031.

A África do Sul concede tarifas de eletricidade com desconto para fundições que consomem muita energia, porque as fábricas, que sustentam dezenas de milhares de empregos, provavelmente fechariam se fossem obrigadas a pagar as tarifas padrão em um país com altos custos de geração de energia a carvão.

Os elevados custos da eletricidade, que aumentaram aproximadamente dez vezes desde 2008, forçaram o fechamento de dezenas de usinas.

A Eskom e a South32 criaram uma equipe conjunta para “explorar mecanismos que possam trazer energia renovável a preços competitivos para a rede nacional”, disseram as duas empresas em um comunicado conjunto.

“É importante que continuemos com esse ritmo, trabalhando em direção a uma solução energética viável e de baixo carbono para Hillside a partir de 2031, quando o contrato de eletricidade atual expirar”, disse Noel Pillay, diretor de operações da South32.

A South32 colocou sua fundição de alumínio Mozal, em Moçambique, em regime de manutenção e conservação em 15 de março, após não conseguir garantir um fornecimento de energia suficiente e acessível para a planta.

O director executivo da Eskom, Dan Marokane, afirmou que a colaboração com a South32 ajudará a “desenvolver uma solução energética de longo prazo que apoie a competitividade industrial e, ao mesmo tempo, impulsione a transição da África do Sul para um sistema de eletricidade com menor emissão de carbono”.

Aprovados novos salários mínimos

O Governo acaba de aprovar novos salários mínimos, com um aumento que varia entre 3 a 9 por cento, em diversos sectores de actividade.

Os novos ordenados estão em vigor desde 1 de Abril, incluindo nove sectores, e resultam do diálogo entre o Governo, sector privado e a Comissão Consultiva.

Os dados foram apresentados há instantes no fim de mais uma sessão de Conselho de Ministros que esteve reunido na cidade de Maputo.

De acordo com o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, o rejuste salarial obedeceu a diversos indicadores, num cenário em que a economia foi assolada por intempéries, a guerra no Médio Oriente, entre outros factores.

Foi ainda avaliada a capacidade das empresas cobrirem as despesas de salários sem faltar as suas responsabilidades fiscais.

A última tabela salarial indica para 4.991 meticias para a pesca de Kapenta e o máximo é da Banca e Seguros, com 17.881,32 meticais.

Conferência Mulheres nas Finanças 2026 coloca inclusão financeira no centro do debate económico

A segunda edição da Conferência Mulheres nas Finanças “Women in Finance Conference 2026” reuniu em Maputo, líderes, especialistas e decisores do ecossistema financeiro moçambicano numa plataforma de reflexão estratégica sobre a inclusão financeira das mulheres, a inovação digital e o papel dos dados como instrumentos de transformação estrutural.

O evento foi organizado pela Financial Sector Deepening Moçambique (FSDMoç), em parceria com o Banco Mundial e a New Faces New Voices, e teve como lema “Give Data, Gain Inclusion / Forneça Dados, Conquiste Inclusão”. A cerimónia de abertura foi dirigida por Ivete Alane, Ministra do Trabalho, Género e Acção Social.

Esselina Macome – Directora Executiva (CEO) FSDMoç

Para a liderança da FSDMoç, o Fórum confirmou que, apesar dos progressos registados por algumas instituições, o sistema financeiro moçambicano como um todo enfrenta ainda um fosso estrutural entre a presença das mulheres como clientes e o acesso efectivo ao crédito e ao financiamento produtivo um fosso que, como ficou claro ao longo das intervenções, não é apenas um problema de género, mas um obstáculo ao crescimento económico inclusivo e sustentável do país.

Standard Bank: Apenas 22% do crédito concedido em Moçambique vai para as mulheres

Administrador-Delegado do Standard Bank Moçambique, Bernardo Aparício

Uma das intervenções mais marcantes da conferência coube ao Administrador-Delegado do Standard Bank Moçambique, Bernardo Aparício, que apresentou dados internos da instituição que expõem uma contradição estrutural no sistema financeiro moçambicano, apenas 22% do crédito concedido pelo banco tem como destinatárias mulheres um número que o próprio classificou como “o dado mais importante e, por isso, o mais preocupante” no panorama da inclusão financeira feminina no país.

A contradição torna-se ainda mais evidente quando se analisa o perfil de utilização dos serviços bancários. As mulheres representam 32% da base total de clientes do Standard Bank Moçambique, mas entre os clientes activos, aqueles que efectivamente utilizam os serviços de forma regular a percentagem sobe para 48%, muito próximo da paridade com os homens. “Uma vez integradas no sistema financeiro, as mulheres utilizam-no de forma mais consistente, intensa e relevante. O problema não está no uso. Está na porta de entrada”, afirmou Aparício, sublinhando que a distância entre os 48% de utilização activa e os 22% de acesso ao crédito constitui “um indicador claro de discriminação de género no sistema financeiro.”

O responsável defendeu que as tecnologias digitais oferecem, pela primeira vez na história da banca africana, ferramentas concretas para corrigir este desequilíbrio estrutural. As plataformas digitais e as carteiras móveis criaram um rasto de dados de transacções de pessoas que, há quinze anos, eram completamente invisíveis ao sistema financeiro. “Quando uma mulher empresária não tem um histórico bancário tradicional, podemos olhar para os seus padrões de carteira móvel, para o seu histórico de pagamentos de electricidade, para a consistência nos seus grupos de poupança e para os seus ciclos de compras junto de fornecedores”, explicou.

Contudo, Aparício lançou igualmente um aviso sobre o risco do uso acrítico dos dados: se os modelos de crédito forem construídos com base em dados históricos que reflectem décadas de exclusão feminina, o resultado será uma discriminação invisível e sistemática. “Esta é, talvez, a mais perigosa forma de discriminação nos serviços financeiros”, alertou.

Na desconstrução do conceito de banca sensível ao género, o administrador foi directo e sem concessões: “Não é um cartão com um design diferenciado. Nem uma campanha de marketing do mês ou do dia internacional. Não é isso que vai mover a agulha para uma maior inclusão de género.” Para Aparício, uma banca verdadeiramente sensível ao género actua em duas frentes simultâneas internamente, com o reforço da representatividade feminina nas equipas, e externamente, com iniciativas estruturadas de acesso ao financiamento e capacitação empresarial.

O Standard Bank registava, à data da conferência, 42% de mulheres em cargos de liderança, com ambição declarada de atingir entre 45% e 55%. No plano externo, o responsável destacou a adesão do banco ao Women Entrepreneurs Finance Code e o envolvimento, nos últimos anos, de mais de 300 mulheres empreendedoras em sessões de capacitação, sustentabilidade e competitividade, em parceria com organizações como a Lions South Africa e a Influencia Z.

Encerrando a intervenção, Bernardo Aparício sintetizou o espírito da conferência, “Entre os 48% de clientes activas mulheres e os 22% de acesso ao crédito, há um delta que representa simultaneamente a medida da nossa responsabilidade e a medida da nossa oportunidade. O que nos falta verdadeiramente não é o meio. É a intenção, o método e, às vezes, a coragem institucional. Um sistema financeiro que não mede as mulheres não as serve. E o que não serve, mais cedo ou mais tarde, perde-se.”

BCI: Paridade na concessão de crédito como referência possível

O Presidente da Comissão Executiva do BCI, Francisco Costa, integrou o painel dedicado ao tema “Liderança e Governança em Instituições Financeiras: Sistemas para a Inclusão Financeira Digital”, onde apresentou uma perspectiva distinta sobre o estado da inclusão financeira feminina em Moçambique. Costa revelou que o BCI registava indicadores de paridade ou de ligeira superação da concessão de crédito às mulheres em relação aos homens. “Eu consigo dizer que tenho um nível de concessão de crédito a senhoras igual ou ligeiramente superior ao dos homens”, afirmou.

O responsável alertou, contudo, para os desafios ainda existentes, nomeadamente a informalidade do trabalho feminino, que condiciona o acesso ao financiamento e torna este tema particularmente crítico no contexto moçambicano. Na sua intervenção, Costa abordou o papel da liderança estratégica, dos modelos de governação e dos sistemas internos das instituições financeiras na promoção de soluções digitais inclusivas, na integração de dados para uma tomada de decisão mais informada e na incorporação de abordagens sensíveis ao género nas políticas e práticas institucionais.

Para o Presidente da Comissão Executiva do BCI, a promoção da inclusão financeira das mulheres exige um esforço colectivo, institucional e culturalmente transversal. “Tem de ser um trabalho conjunto. Este é um trabalho de todos. De todas as instituições envolvidas, de quem tem impacto na cultura, na alteração de procedimentos, na alteração do comportamento das pessoas. Todos somos poucos para conseguirmos. Mas já fizemos muita coisa”, sublinhou.

A Women in Finance Conference 2026 consolidou-se como o principal fórum nacional de debate sobre inclusão financeira das mulheres, reunindo numa mesma sala instituições bancárias, organismos internacionais de desenvolvimento e representantes do Governo.

Standard Bank alerta: Apenas 22% do crédito concedido em Moçambique vai para as mulheres

Administrador do banco defende banca sensível ao género como imperativo estratégico e não como iniciativa de marketing; dados internos revelam paradoxo entre elevada utilização feminina dos serviços e acesso limitado ao financiamento.

O Administrador do Standard Bank Moçambique, Bernardo Aparício, deixou um alerta claro durante a Conferência das Mulheres nas Finanças 2026, apenas 22% do crédito concedido pelo banco tem como destinatárias mulheres um número que classificou como “o dado mais importante e, por isso, o mais preocupante” no panorama da inclusão financeira feminina em Moçambique.

A intervenção de Aparício decorreu no âmbito da conferência organizada pela Financial Sector Deepening Moçambique (FSDMoç), em parceria com o Banco Mundial e a New Faces New Voices, sob o lema “Give Data, Gain Inclusion / Forneça Dados, Conquiste Inclusão”. O evento reuniu actores do ecossistema financeiro moçambicano para uma reflexão estratégica sobre o papel das tecnologias digitais e da liderança no avanço da inclusão financeira e do empoderamento económico das mulheres.

Os dados partilhados pelo responsável do Standard Bank revelam uma contradição estrutural no sistema financeiro moçambicano. Se as mulheres representam 32% da base total de clientes do banco um número que o próprio admitiu que “tem de ser lido com franqueza”, a realidade muda substancialmente quando se analisa o perfil dos clientes activos: neste segmento, as mulheres representam 48%, próximo da paridade com os homens.

“Uma vez integradas no sistema financeiro, as mulheres utilizam-no de forma mais consistente, intensa e relevante. O problema não está no uso. Está na porta de entrada”, afirmou Aparício, sublinhando que a distância entre os 48% de utilização activa e os 22% de acesso ao crédito constitui “um indicador claro de discriminação de género no sistema financeiro.”

O responsável acrescentou que 32% das clientes do banco já utilizam canais digitais de forma autónoma um dado que considerou animador, tendo em conta as limitações de acesso à internet que ainda caracterizam o contexto moçambicano.

A oportunidade digital como correctivo

Bernardo Aparício defendeu que as tecnologias digitais oferecem, pela primeira vez na história da banca africana, ferramentas concretas para corrigir este desequilíbrio estrutural. As plataformas digitais e as carteiras móveis criaram um rasto de dados de transacções de pessoas que, há quinze anos, eram completamente invisíveis ao sistema financeiro.

“Quando uma mulher empresária não tem um histórico bancário tradicional, podemos olhar para os seus padrões de carteira móvel, para o seu histórico de pagamentos de electricidade, para a consistência nos seus grupos de poupança e para os seus ciclos de compras junto de fornecedores”, explicou o administrador. Na sua perspectiva, a inteligência de dados bem desenhada permite identificar pequenas empresárias com excelente capacidade de pagamento que um analista tradicional rejeitaria sem hesitação.

Contudo, Aparício lançou também um aviso, se os modelos de crédito forem construídos com base em dados históricos que reflectem décadas de exclusão feminina, o resultado será uma discriminação invisível e sistemática. “Esta é, talvez, a mais perigosa forma de discriminação nos serviços financeiros”, alertou.

O administrador do Standard Bank foi directo na desconstrução do conceito de banca sensível ao género. “Não é um cartão com um design diferenciado. Nem uma campanha de marketing do mês ou do dia internacional. Não é isso que vai mover a agulha para uma maior inclusão de género”, afirmou, em declarações que geraram eco na sala.

Para Aparício, uma banca verdadeiramente sensível ao género actua em duas frentes simultâneas: internamente, através do reforço da representatividade feminina nas equipas o Standard Bank registava, à data, 42% de mulheres em cargos de liderança, com ambição declarada de atingir entre 45% e 55%, e externamente, através de iniciativas estruturadas de acesso ao financiamento e de capacitação empresarial.

Neste plano externo, o responsável destacou a adesão do banco ao Women Entrepreneurs Finance Code e o envolvimento, nos últimos anos, de mais de 300 mulheres empreendedoras em sessões de capacitação, sustentabilidade e competitividade, em parceria com organizações como a Lions South Africa e a Influencia Z.

Um delta que é uma oportunidade

Encerrando a sua intervenção, Bernardo Aparício deixou uma reflexão que sintetizou o espírito da conferência, “Entre os 48% de clientes activas mulheres e os 22% de acesso ao crédito, há um delta que representa simultaneamente a medida da nossa responsabilidade e a medida da nossa oportunidade.” O responsável apelou ao sector financeiro moçambicano para agir com urgência, método e coragem institucional. “O que nos falta verdadeiramente não é o meio. É a intenção, o método e, às vezes, a coragem institucional. Um sistema financeiro que não mede as mulheres não as serve. E o que não serve, mais cedo ou mais tarde, perde-se”, concluiu.

Lançamento do Women in Tech Mozambique | 19 de Maio

O lançamento do Women in Tech Mozambique Chapter está a chegar, e tu fazes parte deste momento.
📅 Data: Terça-feira, 19 de Maio de 2026
⏰ Horário: 18:30 – Registo e Networking inicial
💻 Formato: Evento Virtual

Este não é apenas um lançamento é o início de um movimento.
Um espaço criado para conectar talento, partilhar conhecimento e abrir novas oportunidades para mulheres na tecnologia em Moçambique.
💡 Junta-te a nós e faz parte desta comunidade que está a transformar o futuro.

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Nota: As vagas são limitadas a 100 participantes. Garanta a sua confirmação antecipadamente.

First Capital Bank aumenta lucros em 21,4%

O First Capital Bank Moçambique encerrou o exercício de 2025 com crescimento consistente da actividade e dos resultados, registando um aumento de 21,4 por cento no resultado líquido, que atingiu 2.026 milhões de meticais, num desempenho que o banco atribui à eficiência operacional, crescimento dos depósitos e fortalecimento da relação com os clientes.

De acordo com os resultados económico-financeiros divulgados pela instituição, o produto bancário cresceu 16,4 por cento, fixando-se em 4.207 milhões de meticais, enquanto os depósitos de clientes aumentaram 32,7 por cento, totalizando 26,7 mil milhões de meticais.

O activo total também registou crescimento, subindo 23,2 por cento para 36,4 mil milhões de meticais, enquanto os capitais próprios avançaram 32,7 por cento, para 5.520 milhões de meticais, reforçando a posição financeira do banco.

A instituição reportou ainda uma rentabilidade dos capitais próprios (ROE) de 41,2 por cento, acima da média do sector, e um rácio de solvabilidade de 21,06 por cento, mantendo-se acima do mínimo regulamentar.

Segundo o administrador-delegado do First Capital Bank Moçambique, João Rodrigues, os resultados reflectem a resiliência do modelo de negócio da instituição num contexto económico desafiante.

“Os resultados alcançados em 2025 reflectem a solidez do nosso modelo de negócio e a confiança contínua dos nossos clientes. Num contexto desafiante, mantivemos uma trajectória de crescimento, com destaque para o forte desempenho dos depósitos e a melhoria da eficiência operacional”, afirmou.

No plano operacional, o banco manteve um rácio cost-to-income de 29,1 por cento, indicador que aponta para elevados níveis de eficiência.

Durante o período, a instituição reforçou a aposta em soluções financeiras personalizadas, com enfoque em serviços transaccionais, estratégia que, segundo o banco, contribuiu para o crescimento sustentado dos depósitos e para a expansão da base de clientes.

O banco destacou igualmente investimentos em capital humano, encerrando o ano com 198 colaboradores, além da implementação de um fundo de pensões para trabalhadores e da realização da terceira edição da Academia First, programa de estágios voltado para formação e desenvolvimento de talentos.

Os resultados surgem num período em que o sector bancário procura consolidar resiliência e capacidade de resposta num ambiente económico marcado por desafios internos e externos.

Área 4: GNL moçambicano chega a Singapura

Um novo carregamento de Gás Natural Liquefeito proveniente da Área 4 da Bacia do Rovuma chegou a Singapura, reafirmando o posicionamento crescente de Moçambique como exportador de referência de energia no mercado asiático e consolidando o papel estratégico do Coral Sul na cadeia global de GNL.

A plataforma flutuante Coral Sul FLNG, operada pelo consórcio da Área 4 sob liderança da Eni, registou mais um marco significativo nas suas operações de exportação, com a chegada de um carregamento de Gás Natural Liquefeito (GNL) moçambicano a Singapura um dos principais hubs energéticos da Ásia e ponto nevrálgico do comércio de GNL no continente.

A notícia sublinha a continuidade e regularidade das exportações da única plataforma de GNL actualmente em produção em Moçambique, desde o arranque das operações em Novembro de 2022. Desde então, o Coral Sul exportou já mais de 123 carregamentos de GNL e 17 de condensado para os mercados asiático e europeu.

O Coral Sul e a Área 4

A plataforma Coral Sul opera em águas ultra profundas na Bacia do Rovuma, na Área 4, a mais de 60 quilómetros da costa de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. A área é operada pela Mozambique Rovuma Venture (MRV) consórcio detido pela Eni, ExxonMobil e China National Petroleum Corporation (CNPC), que detém uma participação de 70% no Contrato de Concessão para Pesquisa e Produção da Área 4.

A regularidade dos carregamentos para Singapura e outros destinos asiáticos reflecte a solidez dos contratos de longo prazo estabelecidos para o projecto. A Eni tem um contrato de compra e venda de longo prazo assinado com a BP Poseidon, que cobre os volumes totais de GNL produzidos pelo projecto Coral Sul FLNG.

Singapura como destino estratégico

A chegada de GNL moçambicano a Singapura não é um facto isolado é o reflexo de uma estratégia comercial orientada para os mercados de maior crescimento de consumo energético do mundo. A cidade-estado funciona simultaneamente como destino final de consumo e como plataforma de redistribuição para outros mercados asiáticos, tornando-a um parceiro de escoamento de elevado valor estratégico para Moçambique.

Este posicionamento ganha maior relevância num contexto em que a Europa continua a reduzir a sua dependência do gás russo e a diversificar fontes de abastecimento, enquanto a Ásia acelera a transição energética com recurso ao GNL como combustível de ponte.

Contexto: Um sector em expansão acelerada

O carregamento para Singapura ocorre num momento de particular dinamismo para o sector do GNL em Moçambique. O projecto Coral Norte desenvolvido em conjunto pela Eni, CNPC, ENH, Korea Gas Corporation e XRG (subsidiária da Abu Dhabi National Oil Company) chegou à sua Decisão Final de Investimento, com um valor de 7,2 mil milhões de dólares e capacidade de produção anual de cerca de 3,55 milhões de toneladas, com início previsto para 2028.

Uma vez concluído, o Coral Norte juntamente com o Coral Sul já operacional elevarão a produção de GNL de Moçambique para cerca de 7 milhões de toneladas por ano, consolidando a posição do país como um dos maiores produtores de GNL do mundo.

Um estudo da consultora Deloitte concluiu que as reservas de GNL de Moçambique representam receitas potenciais de 100 mil milhões de dólares, destacando a importância internacional do país na transição energética.

Receitas para o Estado

O impacto económico das exportações de GNL para o erário público moçambicano é já uma realidade tangível. Moçambique arrecadou 206 milhões de dólares do primeiro projecto de GNL produzido pela plataforma Coral Sul. Com a entrada em operação do Coral Norte em 2028, o projecto deverá gerar cerca de 23 mil milhões de dólares em receitas fiscais para Moçambique nos próximos 30 anos.

A chegada de GNL moçambicano a Singapura é, assim, muito mais do que uma operação logística. É a confirmação de que Moçambique está, carregamento a carregamento, a construir o seu lugar no mapa energético global.