Friday, April 10, 2026
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Moza Banco distingue 23 empresas com o Selo FaMoza

O Moza Banco distinguiu, na sua primeira edição do Selo FaMoza, um total de 23 empresas nacionais que se destacaram pelo relacionamento com a instituição, em critérios que vão do envolvimento financeiro ao uso de plataformas digitais e terminais POS.

A cerimónia de entrega do Selo FaMoza decorreu em Maputo e reuniu representantes de empresas de diferentes setores e regiões do país. Entre os premiados estão a Uteka Construções, o Instituto Nília e a Moz Phama, num grupo de 23 entidades que reforçam a presença do Moza Banco como parceiro estratégico do tecido empresarial nacional.

Os empresários distinguidos sublinharam que o reconhecimento fortalece o compromisso em manter uma relação sólida com o banco. “O Moza Banco tem-se mostrado um parceiro para as nossas empresas, garantindo que possamos honrar com os nossos compromissos com clientes e fornecedores com toda a assertividade necessária. Este prémio ajuda-nos a perceber que o sentimento de confiança é recíproco”, referiram.

Para o Presidente da Comissão Executiva, Manuel Soares, o selo insere-se num movimento de inovação e proximidade ao mercado. “Com estas inovações, o Banco reforça o seu papel, não apenas como prestador de serviços financeiros, mas como um parceiro activo no incentivo ao empreendedorismo, à formalização da economia e ao combate à pobreza”, afirmou.

O responsável acrescentou que a distinção é uma forma de reconhecer clientes que “fazem acontecer” a transformação económica de Moçambique, pelo recurso intensivo às ferramentas digitais e ao relacionamento financeiro com o banco.

Esta foi a primeira edição do Selo FaMoza e o Moza Banco garante que a iniciativa terá continuidade, incentivando os seus clientes e parceiros a reforçar os níveis de transacionalidade através do portefólio de produtos e serviços disponíveis.

Fonte: O Económico

José Nhampossa: “Transformar o país no epicentro regional de inovação e soberania digital é a visão estratégica da ENCPT”

Profile Mozambique: Soberania digital é hoje um dos temas centrais para qualquer nação. Que medidas concretas podem ser tomadas para garantir a soberania e a resiliência digital em Moçambique, num cenário de crescente dependência tecnológica?

José Nhampossa: Em Moçambique, encaramos a questão dos dados com a devida seriedade, pois reconhecemos que assumem hoje um valor comparável ao do petróleo. Tal como o recurso mineral, os dados precisam de ser extraídos, refinados e geridos com responsabilidade. A grande diferença é que, ao contrário da dependência dos recursos naturais como gás, petróleo, ouro ou rubis, temos a oportunidade de acelerar o nosso desenvolvimento económico alicerçados no potencial transformador dos dados.

Contudo, para que esse valor permaneça no país, temos de adoptar medidas concretas. Entre os principais desafios, identificamos a falta de infra-estruturas adequadas e acessíveis, tanto para cidadãos como para pequenas e médias empresas e instituições públicas. Sem infra-estruturas sólidas, a recolha, análise e gestão de dados ficam comprometidas, reduzindo a nossa capacidade de prever cenários e apoiar decisões estratégicas.

José Nhampossa, Administrador Executivo para o Pelouro de Ciência, Tecnologia e Inovação da Empresa Nacional de Parques de Ciência e Tecnologia – ENPCT, E.P.

Outro entrave prende-se com a ausência de interoperabilidade entre sistemas públicos e privados, o que gera fragmentação, dificulta a partilha de recursos e compromete a eficácia da governação digital. Hoje, enfrentamos uma dispersão de plataformas e sistemas que não comunicam entre si, dificultando o acesso e a valorização dos dados. Este é um dos pontos críticos que precisamos de superar.

Para além da interoperabilidade, temos de reconhecer a fragilidade das chamadas infraestruturas críticas, que carecem de georreferenciação para apoiar a tomada de decisões em áreas como educação, saúde, agricultura, turismo e até na prevenção de fenómenos climáticos extremos.

PM: Uma das linhas de actuação da Empresa Nacional de Parques de Ciência e Tecnologia – ENPCT, E.P., é a promoção da inovação. Que iniciativas estão em curso para apoiar startups tecnológicas em Moçambique e que impacto espera que estas tenham no desenvolvimento económico nacional?

JN: Na ENPCT, temos vindo a concentrar os nossos esforços no Parque de Ciência e Tecnologia de Maluana, onde instalamos um Centro de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico. Este centro assume-se como um espaço de convergência entre a pesquisa científica, o empreendedorismo e o desenvolvimento tecnológico, criando condições para a incubação de startups e empresas emergentes.

Actualmente, contamos com 15 incubadoras que actuam em áreas estratégicas como agropecuária, construção civil, saneamento, reaproveitamento de resíduos sólidos e transformação digital. Destaco, por exemplo, uma startup que recolhe materiais reciclados, incluindo redes de pesca descartadas no mar, e, através de tecnologia 3D, produz próteses e cadeiras de rodas. Outra iniciativa relevante é a produção de computadores alimentados a energia solar, com autonomia de até oito horas, concebidos para apoiar o ensino à distância e a inclusão digital em zonas rurais e remotas.

Temos igualmente startups que desenvolvem sistemas de gestão universitária adaptados à realidade das instituições nacionais, proporcionando ferramentas acessíveis e eficazes para a administração académica e de recursos humanos. Noutra vertente, registamos iniciativas que apostam na transformação de produtos locais, como a manteiga de amendoim produzida a partir de máquinas fabricadas em Moçambique, gerando valor acrescentado e promovendo o espírito de inovação local.

Assinatura oficial do Memorando de Entendimento (MoU) entre a ENPCT e a Machel Fidus

Para além da incubação de startups, estamos a apostar na transformação digital através de soluções como o SIGDOC/FASTDOC, uma plataforma electrónica de gestão documental que optimiza processos, aumenta a produtividade e contribui para a modernização das organizações. Associado a estas iniciativas, oferecemos programas de formação e capacitação em tecnologias de informação e comunicação, com certificação internacional, com o objectivo de preparar jovens e profissionais para inovar de forma competitiva.

Estamos conscientes, contudo, de que enfrentamos desafios estruturais. A escassez de investimentos limita a expansão do nosso trabalho, dado que somos uma empresa pública dependente dos desembolsos do Estado, que, por sua vez, tem múltiplas prioridades. Acresce ainda a percepção de distância geográfica do Parque de Maluana, localizado a cerca de 60 quilómetros da Cidade de Maputo, o que, sem uma estratégia de comunicação robusta, tende a retrair parte dos jovens empreendedores.

PM: Considerando o rápido avanço das tecnologias emergentes, como Inteligência Artificial e Blockchain, de que forma o país pode posicionar-se para não ficar para trás e, ao mesmo tempo, garantir que a inovação beneficie um crescimento inclusivo?

JN: Quando falamos do rápido avanço das tecnologias emergentes, como a Inteligência Artificial, Blockchain ou 5G, estamos perante um cenário de grandes oportunidades, mas também de desafios estruturais. Estas ferramentas têm potencial para impulsionar a produtividade, estimular a inclusão social e dinamizar o crescimento económico, mas exigem de nós estratégias claras para garantir que os seus benefícios sejam amplamente partilhados.

No nosso entender, Moçambique deve posicionar-se para capitalizar estas tecnologias no sentido de reduzir desigualdades, atrair investimento e consolidar-se como um hub regional de inovação. Sectores como educação, saúde e agricultura podem transformar-se de forma significativa com a adopção de soluções digitais. Na agricultura, por exemplo, drones podem optimizar a produção; na saúde, o uso de prontuários electrónicos pode ampliar o acesso; e, na educação, as plataformas de ensino à distância, associadas a tecnologias como computadores solares, podem democratizar o conhecimento, sobretudo nas zonas rurais.

Reconhecemos, no entanto, que a adopção desigual destas tecnologias pode acentuar a exclusão digital, principalmente num país onde a taxa de penetração da internet ainda é baixa. Por isso, é fundamental investir em infra-estrutura digital, capacitação de competências e regulamentação robusta, que assegurem ética, segurança e confiança no ambiente digital. A experiência recente do Centro Nacional de Resposta a Incidentes (CERT), que conseguiu neutralizar milhares de ataques cibernéticos, demonstra a importância de reforçarmos continuamente a resiliência cibernética.

Também acreditamos que a inovação deve caminhar de mãos dadas com a inclusão. As startups incubadas no Parque de Ciência e Tecnologia, que desenvolvem soluções como próteses em 3D ou cadeiras de rodas acessíveis, são um exemplo concreto de como a tecnologia pode gerar impacto social, criar empregos e atrair investimento internacional.

PM: Por fim, olhando para o futuro, qual é a sua visão sobre o papel que Moçambique pode desempenhar no ecossistema regional de ciência, tecnologia e inovação, e que metas a ENPCT definiu para alcançar esse posicionamento?

JN: Quando olhamos para o futuro, acreditamos que Moçambique pode desempenhar um papel central no ecossistema regional de ciência, tecnologia e inovação. O nosso país dispõe de recursos estratégicos, corredores logísticos de grande importância como o de Nacala, e, sobretudo, de uma visão de transformação digital que aposta na ciência e inovação como motores do desenvolvimento inclusivo e sustentável.

Através do Parque de Ciência e Tecnologia de Maluana, temos condições para exportar soluções inovadoras para a região, desde tecnologias agrícolas e drones de irrigação até plataformas digitais de governação electrónica. Acreditamos que Moçambique pode posicionar-se como fornecedor de recursos, infra-estruturas e conhecimento, liderando projectos regionais em energias renováveis, mineração, inteligência artificial e transformação digital.

As metas que definimos vão nesse sentido. Em primeiro lugar, pretendemos acelerar a transformação digital com a implementação de clouds e plataformas que reforcem a integração de dados e beneficiem a região como um todo. Em paralelo, assumimos o compromisso de investir na capacitação de jovens e profissionais, garantindo uma nova geração preparada para os desafios da ciência e da tecnologia.

Outra prioridade é assegurar a soberania e a segurança digital, reduzindo a dependência externa e fortalecendo a resiliência nacional e regional. Neste domínio, o Parque de Ciência e Tecnologia de Maluana já desenvolve soluções concretas, como computadores solares e plataformas de ensino à distância, que permitem ampliar a inclusão digital, reduzir a taxa de analfabetismo e criar novas oportunidades de empregabilidade.

Queremos ainda promover a cultura de inovação e o fortalecimento do sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação. O objectivo é fomentar startups e empresas que possam desenvolver soluções para sectores estratégicos, desde a saúde, como próteses em 3D e dispositivos de acessibilidade, até serviços públicos mais transparentes e eficientes.

No campo da cibersegurança, temos vindo a investir em estruturas como o Centro Nacional de Resposta a Incidentes, que já demonstrou a sua eficácia ao neutralizar milhares de ataques. Este tipo de investimento garante maior confiança na economia digital e cria condições para atrair mais investidores internacionais.

Estamos conscientes de que persistem desafios, como a baixa penetração da internet e os elevados custos de equipamentos. Mas acreditamos que, com investimento contínuo em infraestruturas, parcerias público-privadas e políticas inclusivas, Moçambique pode afirmar-se como referência regional na ciência, tecnologia e inovação, em alinhamento com a Agenda 2063 da União Africana.

Saiba mais aqui: Empresa Nacional de Parques de Ciência e Tecnologia – ENPCT, E.P.

José Nhampossa: “Transforming the country into the regional epicenter of innovation and digital sovereignty is ENPCT’s strategic vision.”

Profile Mozambique: Digital sovereignty is today one of the central themes for any nation. What concrete measures can be taken to guarantee digital sovereignty and resilience in Mozambique, in a scenario of growing technological dependence?

José Nhampossa: In Mozambique, we take the issue of data very seriously, as we recognize that it now holds a value comparable to that of oil. Just like the mineral resource, data must be extracted, refined, and managed responsibly. The main difference, however, is that unlike the dependence on natural resources such as gas, oil, gold, or rubies, we have the opportunity to accelerate our economic development by leveraging the transformative potential of data.

However, for this value to remain in the country, we must adopt concrete measures. Among the main challenges, we identify the lack of adequate and accessible infrastructure, both for citizens and for small and medium-sized enterprises as well as public institutions. Without solid infrastructure, data collection, analysis, and management are compromised, reducing our capacity to forecast scenarios and support strategic decision-making.

José Nhampossa, Executive Board Member for Science, Technology and Innovation at the National Science and Technology Parks Company – ENPCT, E.P.

Another obstacle lies in the absence of interoperability between public and private systems, which generates fragmentation, hinders the sharing of resources, and compromises the effectiveness of digital governance. Today, we face a dispersion of platforms and systems that do not communicate with each other, making access to and the valorization of data difficult. This is one of the critical points we must overcome.

In addition to interoperability, we must also acknowledge the fragility of so-called critical infrastructures, which lack proper georeferencing to support decision-making in areas such as education, health, agriculture, tourism, and even in the prevention of extreme climate events.

PM: One of the core lines of action of the National Science and Technology Parks Company – ENPCT, E.P., is the promotion of innovation. What initiatives are currently underway to support technology startups in Mozambique, and what impact do you expect them to have on national economic development?

JN: At ENPCT, we have been concentrating our efforts on the Maluana Science and Technology Park, where we established an Innovation and Technology Development Center. This center positions itself as a space of convergence between scientific research, entrepreneurship, and technological development, creating the conditions for the incubation of startups and emerging companies.

At present, we have 15 incubators operating in strategic areas such as agribusiness, civil construction, sanitation, solid waste recovery, and digital transformation. I highlight, for example, a startup that collects recycled materials, including discarded fishing nets from the sea, and through 3D technology produces prosthetics and wheelchairs. Another relevant initiative is the production of solar-powered computers, with autonomy of up to eight hours, designed to support distance learning and digital inclusion in rural and remote areas.

We also have startups developing university management systems adapted to the reality of national institutions, providing accessible and effective tools for academic and human resource administration. In another dimension, we note initiatives that focus on the transformation of local products, such as peanut butter produced using machines made in Mozambique, thereby generating added value and promoting a spirit of local innovation.

Beyond startup incubation, we are investing in digital transformation through solutions such as SIGDOC/FASTDOC, an electronic document management platform that streamlines processes, increases productivity, and contributes to the modernization of organizations. Alongside these initiatives, we provide training and capacity-building programs in information and communication technologies, with international certification, with the aim of preparing young people and professionals to innovate competitively.

We are, however, aware of structural challenges. A shortage of investment limits the expansion of our work, given that we are a public company dependent on disbursements from the State, which in turn has multiple priorities. Added to this is the perception of geographic distance from the Maluana Park, located about 60 kilometers from Maputo City, which, without a robust communication strategy, tends to discourage part of the young entrepreneurial community.

PM: Considering the rapid advance of emerging technologies, such as Artificial Intelligence and Blockchain, how can the country position itself to avoid being left behind and, at the same time, ensure that innovation contributes to inclusive growth?

JN: When we talk about the rapid advance of emerging technologies such as Artificial Intelligence, Blockchain, or 5G, we are facing a scenario of great opportunities, but also structural challenges. These tools have the potential to boost productivity, stimulate social inclusion, and drive economic growth, but they require clear strategies from us to ensure their benefits are broadly shared.

In our view, Mozambique must position itself to capitalize on these technologies in order to reduce inequalities, attract investment, and establish itself as a regional hub of innovation. Sectors such as education, health, and agriculture can be significantly transformed with the adoption of digital solutions. In agriculture, for instance, drones can optimize production; in health, the use of electronic health records can expand access; and in education, distance learning platforms combined with technologies such as solar-powered computers can democratize knowledge, especially in rural areas.

We also recognize, however, that uneven adoption of these technologies can exacerbate digital exclusion, particularly in a country where internet penetration remains low. Therefore, it is essential to invest in digital infrastructure, skills training, and robust regulation that ensure ethics, security, and trust in the digital environment. The recent experience of the National Computer Emergency Response Team (CERT), which managed to neutralize thousands of cyberattacks, demonstrates the importance of continuously reinforcing our cyber resilience.

We also believe that innovation must go hand in hand with inclusion. The startups incubated at the Science and Technology Park, which develop solutions such as 3D prosthetics or accessible wheelchairs, are a concrete example of how technology can generate social impact, create jobs, and attract international investment.

PM: Finally, looking ahead, what is your vision of the role Mozambique can play in the regional science, technology, and innovation ecosystem, and what goals has ENPCT set to achieve that positioning?

JN: When we look to the future, we believe that Mozambique can play a central role in the regional science, technology, and innovation ecosystem. Our country has strategic resources, major logistical corridors such as Nacala, and above all, a vision of digital transformation that relies on science and innovation as engines of inclusive and sustainable development.

Through the Maluana Science and Technology Park, we are well positioned to export innovative solutions to the region, ranging from agricultural technologies and irrigation drones to digital platforms for electronic governance. We believe Mozambique can position itself as a supplier of resources, infrastructure, and knowledge, leading regional projects in renewable energy, mining, artificial intelligence, and digital transformation.

Official Signing of the Memorandum of Understanding (MoU) between ENPCT and Machel Fidus

The goals we have defined go in that direction. First, we aim to accelerate digital transformation with the implementation of cloud systems and platforms that strengthen data integration and benefit the region as a whole. In parallel, we are committed to investing in the training of young people and professionals, ensuring a new generation prepared for the challenges of science and technology.

Another priority is to secure digital sovereignty and security, reducing external dependence and strengthening national and regional resilience. In this area, the Maluana Science and Technology Park is already developing concrete solutions, such as solar-powered computers and distance learning platforms, which expand digital inclusion, reduce illiteracy rates, and create new employment opportunities.

We also want to promote a culture of innovation and strengthen the national system of science, technology, and innovation. The goal is to foster startups and companies capable of developing solutions for strategic sectors, from health, such as 3D prosthetics and accessibility devices, to more transparent and efficient public services.

In the field of cybersecurity, we have been investing in structures such as the National Computer Emergency Response Team, which has already proven its effectiveness by neutralizing thousands of attacks. This type of investment ensures greater trust in the digital economy and creates the conditions to attract more international investors.

We are aware that challenges persist, such as low internet penetration and high equipment costs. But we believe that, with continuous investment in infrastructure, public-private partnerships, and inclusive policies, Mozambique can establish itself as a regional reference in science, technology, and innovation, in alignment with the African Union’s Agenda 2063.

Vodacom destaca-se na 60ª FACIM com apresentação de soluções tecnológicas

A Vodacom Moçambique marcou presença na 60ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), com soluções tecnológicas que reforçam o seu papel como motor da transformação digital e inclusão financeira no país. Entre os principais destaques estiveram o Centro de Armazenamento de Dados, localizado na Matola, a solução de gestão inteligente de redes SD-WAN e o Txova, novo serviço de crédito automático lançado pela plataforma M-Pesa.

A participação da Vodacom na FACIM permitiu, demonstrar de forma prática, como a tecnologia e a inovação podem responder aos desafios concretos da economia e da sociedade moçambicana. Empresas, instituições, parceiros e cidadãos tiveram a oportunidade de conhecer de perto as soluções que a Vodacom está a colocar ao serviço do desenvolvimento do país.

Centro de Armazenamento de Dados: Um Pilar para a Soberania Digital

Inaugurado em Março deste ano, o Centro de Armazenamento de Dados da Vodacom, foi um dos grandes protagonistas da feira. Concebido numa área de 2.600 metros quadrados, o espaço iniciou as operações com 128 racks e com uma capacidade de expansão para mais de 500 unidades, oferecendo uma infra-estrutura Carrier Neutral, que permite ligação a qualquer operadora de telecomunicações.

Com certificação Tier III pelo Uptime Institute, o centro garante uma disponibilidade de 99,982% e integra múltiplas ligações de fibra óptica de alta velocidade, redundância total dos sistemas críticos e segurança. Além da robustez técnica, foi desenhado com foco em eficiência energética, através de sistemas inteligentes de refrigeração e gestão de consumo, unindo a inovação e sustentabilidade.

Por fim, a infra-estrutura responde ainda às normas nacionais de ciber-segurança e está preparada para operar serviços de computação em nuvem alinhados às melhores práticas internacionais, fortalecendo a soberania digital de Moçambique e reduzindo a dependência de serviços internacionais.

SD-WAN: redes inteligentes para empresas mais eficientes

Outro destaque da participação da Vodacom na FACIM foi a apresentação do SD-WAN (Software-Defined Wide Area Network), uma solução inovadora para gestão inteligente de redes corporativas. A tecnologia permite que as empresas com múltiplas localizações tenham maior flexibilidade, segurança e eficiência na utilização da sua conectividade, ao mesmo tempo que reduz os custos operacionais.

Com o SD-WAN, as organizações passam a ter visibilidade em tempo real sobre o desempenho da rede, podendo priorizar as aplicações críticas, garantir a estabilidade em comunicações e proteger os dados sensíveis. Trata-se de uma resposta directa às necessidades de sectores como a banca, a indústria, o comércio e a administração pública, que exigem conectividade robusta e fiável para sustentar os seus processos de digitalização.

Txova: inclusão financeira ao alcance de todos

Ainda no epicentro da 60ª FACIM, a Vodafone M-Pesa anunciou oficialmente o serviço “Txova”, a mais recente solução de crédito automático do M-Pesa. A solução surge como complemento ao já consolidado Txuna, lançado há sete anos e que, até agora, já impactou mais de 2,5 milhões de moçambicanos.

Enquanto o Txuna disponibiliza limites de crédito mais alargados, o Txova foi pensado para situações imediatas, permitindo que pagamentos de energia, água, gás, combustível, internet ou transferências no M-Pesa não falhem por insuficiência de saldo. Os valores variam entre 1, 20, 90 meticais, com reembolso em até 30 dias. O Txova é instantâneo, automático e conveniente para permitir o impacto prático para os utentes e os pequenos negócios.

Paralelamente, o serviço beneficia empresas e fornecedores de serviços essenciais, ao reduzir falhas de cobrança e garantir maior previsibilidade de receitas. Desenvolvido em parceria com o First National Bank (FNB), o Txova reforça a estratégia de inclusão financeira da Vodacom.

Tecnologia e inclusão como motores de transformação

Com as soluções apresentadas na FACIM: Centro de Armazenamento de Dados, SD-WAN e o Txova, a Vodacom reafirma o seu compromisso em liderar a digitalização e a inclusão financeira no país. O Data Center posiciona Moçambique como referência em soluções digitais regionais; o SD-WAN oferece maior segurança e eficiência; e o Txova traduz, na prática, a missão de garantir que milhões de cidadãos tenham acesso a serviços financeiros inovadores, simples e adaptados às suas necessidades.

M-Pesa lança “Txova”: uma nova solução de microcrédito automático para os usuários

A Vodacom Moçambique, através da sua plataforma financeira M-Pesa, anunciou, na FACIM, o lançamento oficial do Txova, um novo serviço de microcrédito automático que vem responder a uma das maiores limitações enfrentadas pelos clientes: a falta de pequenos valores monetários para completar transacções essenciais do dia-a-dia.

O Txova surge como o “irmão mais novo” do Txuna, um produto já consolidado no mercado, que ao longo de sete anos impactou mais de 2,5 milhões de moçambicanos, provando que o acesso a soluções de crédito pode transformar  realidades e abrir oportunidades económicas. Enquanto o Txuna disponibiliza limites de crédito mais alargados, o Txova foi concebido para situações práticas e imediatas, garantindo que pagamentos de energia, água, gás, combustível, internet, serviços de voz ou até transferências no M-Pesa não falhem por falta de alguns meticais.

Na ocasião, Izdin Gafar, Director de Serviços Financeiros da Vodacom Moçambique, destacou que esta inovação traduz o espírito da Vodacom em estar cada vez mais conectada com os  moçambicanos, oferecendo ferramentas que respondem a desafios concretos.

“O Txova é instantâneo, automático e conveniente. Se antes uma transacção falhava por saldo insuficiente, agora o cliente pode completar o pagamento com este serviço, reembolsando o valor em até 30 dias. Estamos a falar de limites flexíveis que vão de 1 até 90 meticais, pensados para as necessidades reais das famílias e pequenos negócios”, explicou Gafar.

Além de apoiar os clientes individuais, o serviço representa também um benefício directo para empresas e fornecedores de serviços essenciais, como a EDM, empresas de abastecimento de água ou distribuidores de gás e combustível, que passam a ter maior garantia de continuidade de receitas mesmo em cenários de insuficiência momentânea de saldo dos clientes.

Desenvolvido em parceria com o First National Bank (FNB), que assegura a liquidez necessária, o Txova reforça o compromisso da Vodacom com a inclusão financeira e com a digitalização da economia moçambicana, pilares que têm norteado os 12 anos de história do M-Pesa no país.

Para Sérgio Gomes, Director Geral do M-Pesa, a introdução do Txova está alinhada com a visão de longo prazo da empresa:

“Estamos a criar é um ecossistema inclusivo, capaz de apoiar as famílias, os pequenos negócios e os grandes fornecedores. O Txova reforça o nosso compromisso em construir uma economia digital mais sólida e participativa, onde ninguém fica de fora.”

O lançamento do Txova reforça o posicionamento da Vodacom Moçambique como líder em serviços financeiros móveis no país e marca mais uma etapa da sua missão de empoderar economicamente milhões de cidadãos, ao mesmo tempo que apoia empresas e instituições a tornarem-se mais eficientes e sustentáveis através da digitalização.

Conferências Índico debatem dados como “commodities” na era da transformação digital

O papel dos dados na transformação digital esteve em destaque no debate subordinado ao tema “Os Dados como Commodities”, enquadrado na 7.ª edição das Conferências Índico, uma realização da Executive Moçambique. O encontro reuniu académicos, gestores e representantes institucionais para reflectir sobre infra-estruturas tecnológicas, segurança digital, regulação e inclusão no uso de informação como activo estratégico para o desenvolvimento nacional.

O director da BCX Moçambique, Emílio Jorge, destacou a necessidade de robustecer as infra-estruturas digitais como condição essencial para o avanço do país no domínio da computação em nuvem. Sublinhou que a transição para redes de maior capacidade, incluindo o 5G, e a consolidação de centros de dados locais são fundamentais para garantir segurança, soberania digital e eficiência na gestão de informação. “A base infra-estrutural deve estar firmada para que a transformação digital ocorra em ambiente seguro e competitivo”, defendeu.

Painel – Infraestruturas e Soberania Digital: A Base para um Crescimento Inclusivo

Seguiu-se a intervenção de João Bambo, gestor de produto no Standard Bank Insurance, que centrou a sua apresentação na segurança digital e capacitação institucional. O responsável frisou a importância de assegurar protecção dos dados dos clientes e expansão de serviços digitais de seguros, acessíveis por plataformas online. “Não se pode falar de inovação sem garantir confiança e segurança nas transações digitais”, disse, acrescentando que a literacia digital deve caminhar lado a lado com a modernização tecnológica.

Por sua vez, o administrador do Instituto Nacional das Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), Constantino Sotomane, realçou o papel da regulação e protecção de dados no processo de digitalização. Referiu que o país está em fase de finalização de instrumentos legais, incluindo a lei de proteção de dados pessoais e regulamentos complementares que irão reforçar a soberania digital e salvaguardar a privacidade dos cidadãos. “Não basta dispor de tecnologia, é necessário um quadro regulatório que assegure a confiança do utilizador e a cooperação com outras jurisdições”, sublinhou.

Na componente da inclusão digital, Charles Chadali, gestor de projectos da Machel Fidus, destacou o impacto do programa DIGI, que aposta na literacia digital e na formação de jovens em comunidades afastadas. O objectivo, disse, é reduzir desigualdades no acesso à tecnologia e criar condições para que os cidadãos participem de forma activa na economia digital. “A inclusão é a base de uma transformação digital sustentável, capaz de gerar oportunidades reais”, afirmou.

O debate encerrou com a intervenção de José Nhampossa, administrador executivo do Pelouro de Ciência, Tecnologia e Inovação da ENPCT, que destacou o apoio à inovação e às startups como elemento decisivo para dinamizar o ecossistema tecnológico. Defendeu maior articulação entre o sector público, universidades e empreendedores para acelerar a criação de soluções digitais nacionais com impacto económico.

No final, os participantes convergiram na ideia de que, à semelhança de recursos naturais, os dados são hoje um activo de elevado valor económico, e a sua gestão eficaz pode definir a competitividade de Moçambique no cenário regional e global.

Dados assumem-se como novo motor de valor na economia moçambicana

Ainda no quadro da 7.ª edição das Conferências Índico, o segundo painel debruçou em torno dos “Dados como Motor de Valor: Inovação, Finanças e Inteligência Artificial”, onde os especialistas de diferentes áreas reflectiram sobre o papel da informação como activo estratégico para a economia.

A primeira intervenção esteve a cargo de Huruda Malungane, fundadora e CEO do Fórum CFO Moçambique, que destacou a centralidade dos dados na gestão financeira moderna. “Nós, CFOs versão 4.0, pensamos em dois paradigmas, gestão de dados e sustentabilidade. Uma administração mais eficiente da informação garante a optimização de custos e maior sustentabilidade nos negócios”, afirmou. Para Malungane, Moçambique ainda se encontra numa fase embrionária de maturidade digital, com poucos sectores, como a banca, os seguros e as telecomunicações, a utilizarem os dados como ferramenta estruturante de decisão. “Ainda não temos instituições a monetizar dados como serviço, mas este é um passo inevitável”, concluiu.

Painel – Dados como Motor de Valor: Inovação, Finanças e Inteligência Artificial

Seguiu-se Ricardo Taca, director operacional da MCNet, que centrou a sua intervenção no impacto da inteligência artificial e da transformação digital no futuro da indústria moçambicana. O gestor sublinhou que a tecnologia só faz sentido quando aproxima os serviços públicos e privados do cidadão. “Temos infra-estruturas, universidades e centros tecnológicos. O desafio já não é a disponibilidade da tecnologia, mas a sua aplicação prática, capaz de criar valor para os moçambicanos”, observou. Taca acrescentou que a indústria nacional deve posicionar-se de forma a transformar dados em inovação, à semelhança do que ocorre em outros mercados africanos.

Por sua vez, Raimundo Zandamela, CEO do Grupo Máximo, analisou o papel dos dados no sector segurador, com enfoque na inclusão financeira das pequenas e médias empresas. Destacou que a análise inteligente de informação pode aumentar a penetração dos seguros no tecido empresarial, tradicionalmente marcado por baixas taxas de adesão. “A utilização estratégica de dados permite desenhar produtos adequados às PMEs e responder melhor às suas necessidades, reforçando a resiliência financeira das empresas”, defendeu.

O debate terminou com uma nota comum entre os intervenientes, a necessidade de transformar dados em activo económico real, capaz de gerar valor comparável ao petróleo, mas com maior potencial de sustentabilidade.

Índico Conferences Debate Data as “Commodities” in the Era of Digital Transformation

The role of data in digital transformation took centre stage in a debate under the theme “Data as Commodities”, held during the 7th edition of the Índico Conferences, organised by Executive Moçambique. The gathering brought together academics, managers and institutional representatives to reflect on technological infrastructure, digital security, regulation and inclusion in the use of information as a strategic asset for national development.

Emílio Jorge, Director of BCX Moçambique, emphasised the need to strengthen digital infrastructures as an essential condition for the country’s advancement in cloud computing. He stressed that the transition to higher-capacity networks, including 5G, and the consolidation of local data centres are fundamental to ensure security, digital sovereignty and efficiency in information management. “The infrastructural base must be solid for digital transformation to occur in a safe and competitive environment,” he argued.

This was followed by João Bambo, Product Manager at Standard Bank Insurance, who focused his presentation on digital security and institutional capacity-building. He underlined the importance of safeguarding customer data and expanding digital insurance services accessible via online platforms. “We cannot speak of innovation without ensuring trust and security in digital transactions,” he noted, adding that digital literacy must advance hand in hand with technological modernisation.

For his part, Constantino Sotomane, Administrator of the National Institute of Information and Communication Technologies (INTIC), highlighted the role of regulation and data protection in the digitalisation process. He stated that the country is in the final stages of preparing legal instruments, including the Personal Data Protection Act and complementary regulations, which will reinforce digital sovereignty and safeguard citizens’ privacy. “It is not enough to have technology; a regulatory framework is necessary to guarantee user trust and cooperation with other jurisdictions,” he stressed.

In the component of digital inclusion, Charles Chadali, Project Manager at Machel Fidus, underlined the impact of the DIGI programme, which invests in digital literacy and the training of young people in remote communities. The aim, he said, is to reduce inequalities in access to technology and create conditions for citizens to participate actively in the digital economy. “Inclusion is the foundation of a sustainable digital transformation, capable of generating real opportunities,” he declared.

The debate closed with remarks from José Nhampossa, Executive Administrator for Science, Technology and Innovation at ENPCT, who stressed support for innovation and startups as a decisive element to boost the technological ecosystem. He called for greater coordination between the public sector, universities and entrepreneurs to accelerate the creation of national digital solutions with economic impact.

In the end, participants converged on the idea that, much like natural resources, data today represent an asset of high economic value, and their effective management may determine Mozambique’s competitiveness in the regional and global landscape.

Data Positioned as the New Engine of Value in Mozambique’s Economy

Also within the framework of the 7th edition of the Índico Conferences, the second panel focused on “Data as an Engine of Value: Innovation, Finance and Artificial Intelligence”, where experts from different areas reflected on the role of information as a strategic asset for the economy.

The first intervention came from Huruda Malungane, Founder and CEO of the CFO Forum Mozambique, who emphasised the centrality of data in modern financial management. “We, CFOs version 4.0, think in two paradigms: data management and sustainability. A more efficient administration of information ensures cost optimisation and greater business sustainability,” she stated. For Malungane, Mozambique remains at an early stage of digital maturity, with only a few sectors, such as banking, insurance and telecommunications, using data as a structuring tool for decision-making. “We do not yet have institutions monetising data as a service, but this is an inevitable step,” she concluded.

She was followed by Ricardo Taca, Chief Operating Officer at MCNet, who focused on the impact of artificial intelligence and digital transformation on the future of Mozambique’s industry. The executive stressed that technology only makes sense when it brings public and private services closer to the citizen. “We have infrastructures, universities and technology centres. The challenge is no longer the availability of technology, but its practical application, capable of creating value for Mozambicans,” he observed. Taca further added that the national industry must position itself to turn data into innovation, as is already happening in other African markets.

Raimundo Zandamela, CEO of Grupo Máximo, analysed the role of data in the insurance sector, with an emphasis on the financial inclusion of small and medium-sized enterprises. He pointed out that intelligent data analysis can increase insurance penetration within the business fabric, traditionally marked by low uptake. “The strategic use of data allows us to design products tailored to SMEs and better respond to their needs, reinforcing the financial resilience of companies,” he argued.

The debate ended with a common note among the speakers: the urgent need to transform data into a real economic asset, capable of generating value comparable to oil, but with greater sustainability potential.

Bancos reduzem taxa de juro de referência e aliviam custos para a economia

A taxa de juro de referência para o crédito em Moçambique vai descer 0,7 pontos percentuais este Setembro, para 16,5%, segundo informação divulgada pela Associação Moçambicana de Bancos (AMB).

Desde Janeiro de 2024 que a taxa, conhecida como ‘prime rate’, tem vindo progressivamente a descer, após seis meses consecutivos em máximos de 24,1%.

As oscilações da ‘prime rate’ estão associadas à taxa de juro de política monetária (taxa MIMO, que influencia a fórmula de cálculo da ‘prime rate’) pelo banco central, para controlar a inflação. O corte surge depois de nova descida, em agosto, para 17,20%.

O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique cortou em 31 de Julho, pela nona vez consecutiva, a taxa de juro de política monetária MIMO, em 0,75 pontos percentuais, para 10,25%.

“Esta medida decorre, essencialmente, da continua consolidação das perspectivas da inflação em um digito, no médio prazo, refletindo, em parte, a tendência favorável dos preços internacionais de mercadorias, não obstante a manutenção, a nível doméstico, de riscos e incertezas associados às projecções”, disse o governador do banco central, Rogério Zandamela, em conferência de imprensa, em Maputo, no final da reunião do CPMO, que se realiza a cada dois meses.

Zandamela acrescentou que, a médio prazo, “antevê-se uma recuperação gradual da atividade económica” em Moçambique, excluindo a produção do Gás Natural Liquefeito, “favorecida, em parte, pela redução das taxas de juro e pelas perspectivas de implementação de projetos em áreas estratégicas”.

Segundo a comunicação feita por Rogério Zandamela, “os riscos e incertezas associados às projeções da inflação mantêm-se elevados” e destacam-se “como prováveis factores do aumento da inflação, no médio prazo, os impactos do agravamento da situação para o Orçamento do Estado, as incertezas quanto à velocidade da reposição da capacidade produtiva e da oferta de bens e serviços e os efeitos dos choques climáticos”.

“O CPMO continuará com o processo de normalização da taxa MIMO no médio prazo. O ritmo e a magnitude continuarão a depender das perspectivas da inflação, bem como da avaliação dos riscos e incertezas subjacentes às projeções do médio prazo”, disse ainda.

Esta medida decorre, essencialmente, da continua consolidação das perspectivas da inflação em um digito, no médio prazo, refletindo, em parte, a tendência favorável dos preços internacionais de mercadorias, não obstante a manutenção, a nível doméstico, de riscos e incertezas associados às projecções

Moçambique e TotalEnergies firmam Memorando de 10 Milhões USD para Cabo Delgado

Salim Valá, Jacinto Loureiro e Maxime Rabilloud convergem na importância de alinhar megaprojectos com políticas nacionais, reforçar o papel da ADIN e ampliar o compromisso empresarial com o desenvolvimento comunitário.

O Governo de Moçambique e a TotalEnergies formalizaram um memorando de entendimento no valor de 10 milhões de dólares, destinado a impulsionar o desenvolvimento socioeconómico de Cabo Delgado. Na cerimónia, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, o Presidente do Conselho de Administração da Agência de Dsenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), Jacinto Loureiro, e o Director-Geral da TotalEnergies em Moçambique, Maxime Rabilloud, destacaram a importância de alinhar megaprojectos com as políticas nacionais e de reforçar a integração das comunidades locais nos benefícios do investimento.

O Ministro Salim Valá afirmou que os megaprojectos só terão impactos sustentáveis se estiverem sincronizados com as políticas e estratégias nacionais de desenvolvimento, nomeadamente a Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044. “Queremos que iniciativas como estas se traduzam em empregos, oportunidades de renda e melhorias concretas para as famílias. A diversificação económica é vital, para que o país não dependa exclusivamente do gás, do grafite ou das areias pesadas”, declarou.

Por sua vez, o PCA da ADIN, Jacinto Loureiro, frisou que o memorando é inovador porque é implementado com uma instituição nacional, assegurando maior coerência com as políticas do Governo. “Este programa vai ter a cara do Governo, será realizado e implementado com a ADIN, restritamente alinhado com as políticas nacionais. É um exemplo para todas as outras organizações que aplicam recursos em Cabo Delgado, mas muitas vezes perdem o foco”, afirmou. Loureiro destacou ainda que a agência assume a responsabilidade de transformar este programa num exemplo de desenvolvimento para a província e para o país.

Já o Director-Geral da TotalEnergies em Moçambique, Maxime Rabilloud, reafirmou o compromisso contínuo da empresa com Cabo Delgado, lembrando que os investimentos sociais nunca foram interrompidos: “Estamos a investir na área social desde sempre e, em particular, desde 2021. Em 2022 e 2023 nunca realmente parámos.”

Rabilloud acrescentou que o memorando reforça a lógica de cooperação estreita com o Governo e com a ADIN, destacando a importância da política de compras locais, que garante que os alimentos e bens consumidos no projecto são adquiridos a comunidades e empresários da região. O responsável revelou ainda planos para a criação de uma nova unidade industrial em Mocímboa da Praia, expandindo os impactos para além de Palma.

“O nosso trabalho com as comunidades não vai parar, pelo contrário, será reforçado”, garantiu Rabilloud, sublinhando que a TotalEnergies pretende continuar a gerar oportunidades de emprego, renda e desenvolvimento económico para a população de Cabo Delgado.

Perspectivas

O memorando de 10 milhões USD entre a TotalEnergies e a ADIN é visto como um marco simbólico e prático na estratégia de reconstrução da província, duramente afectada pela violência armada. Para o Governo, representa a materialização da visão de alinhamento entre megaprojectos e políticas nacionais; para a ADIN, é a oportunidade de afirmar-se como veículo de implementação de programas estruturantes; e para a TotalEnergies, constitui a reafirmação de um compromisso comunitário contínuo, com expansão para novos projectos e maior integração do tecido económico local. (O. Económico)

Estado arrecada mais de 70 mil milhões de Meticais em dividendos e rendimentos de produção

O Estado moçambicano arrecadou, nos últimos dez anos, mais de 70 mil milhões de Meticais em dividendos e rendimentos de partilha de produção, resultantes da sua participação accionista em empresas e projectos estratégicos da economia nacional. Os dados constam da Conta Geral do Estado (CGE), documento oficial que apresenta de forma detalhada as receitas provenientes destas participações.

A análise das contas públicas entre 2015 e 2024 permite construir um ranking das empresas e projectos participados pelo Estado, com base no volume de dividendos pagos ou do rendimento obtido pela partilha de produção, lê-se numa publicação na página do LinkedIn de Mateus Mosse, Senior Manager Corporate Affairs.

No topo da lista surge o projecto de gás de Pande e Temane, operado pela Sasol Petroleum Temane, com ganhos aproximados de 37,7 mil milhões de Meticais. Trata-se de um consórcio não incorporado no qual o Estado, através da Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos (CMH), detém 25% da produção. Importa referir que 90% da CMH pertence ao Estado, o que explica a robustez da receita obtida.

Em segundo lugar figura a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), que garantiu cerca de 17,8 mil milhões de Meticais em dividendos. Seguem-se os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), com 8,8 mil milhões, e o Millennium BIM, banco comercial que rendeu 4,4 mil milhões ao erário. A lista é fechada pela Mozal S.A., gigante da indústria do alumínio, que contribuiu com cerca de 2,1 mil milhões de Meticais no mesmo período.

Questões estratégicas

O caso da Mozal levanta questões relevantes quanto à política de participações do Estado. Em 2022, a Mitsubishi alienou a sua posição de 16,6% por 200 milhões de dólares, passando a sul-africana South32 a deter 63,7% do capital. O Estado sul-africano, através da Agência de Desenvolvimento Industrial (IDC), aproveitou a operação para aumentar a sua fatia de 24% para 32,4%.

Estes movimentos reforçam um debate pertinente: qual teria sido o ganho de Moçambique se o Estado tivesse uma participação mais expressiva em empresas estratégicas como a Mozal? Um simples exercício matemático aponta que, caso detivesse 20% do capital, os dividendos recebidos na última década seriam significativamente superiores aos actuais.

Sustentabilidade da política de participações

Os dados sugerem que as participações estatais continuam a ser uma fonte sólida de receitas para o Orçamento do Estado. Contudo, permanecem em aberto questões sobre a capacidade de financiamento nacional para reforçar a presença do Estado em grandes projectos.

Especialistas interrogam-se, poderá a banca nacional desempenhar um papel mais activo no financiamento de aquisições estratégicas? E até que ponto a política de dividendos poderá ser utilizada como alavanca para fortalecer a soberania económica e garantir maior captação de receitas internas?

Enquanto o debate prossegue, a leitura dos dados da Conta Geral do Estado evidencia que o gás, a energia, os transportes e a banca permanecem entre os sectores mais lucrativos para o país, quando a análise é feita sob a lente da economia de dados. Mateus Mosse

Conta Geral do Estado: https://lnkd.in/d64BwtdX

Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos (CMH): www.cmh.co.mz