A Empresa de fundição de alumínio, Mozal, foi, na Segunda-feira (25), distinguida com o prémio de “Maior Exportador” para os países da União Europeia, na Categoria de Exportadores em Mercados Preferenciais. O galardão foi entregue ao Presidente do Conselho de Administração da Mozal, durante a cerimónia de abertura da Feira Internacional de Maputo (FACIM).
Num discurso dirigido à Mozal e às outras firmas premiadas em categorias distintas, o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, reconheceu o contributo das operações da fundição de alumínio para a robustez da economia moçambicana. O Chefe de Estado enfatizou que a Mozal é uma das empresas que, apesar de alguns constrangimentos que têm abalado o ambiente de negócios, mostra-se resiliente.
“Os prémios representam mais do que números e contratos. São histórias de visão, resiliência e coragem. Representam o esforço de empresários que acreditaram em Moçambique”, assinalou Daniel Chapo.
Ainda na Segunda-feira, Samuel Samo Gudo fez saber que a Mozal está em conversações junto do Governo moçambicano, com a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), incluindo a Empresa Estatal de Electrecidade de Moçambique, com o objectivo de reforçar os acordos de abstecimneto de energia eléctrica à firma.
Criada em 1998, por um consórcio de investidores liderado pela BHP Billiton, com um orçamento inicial de mais de 2 mil milhões de dólares americanos, a Mozal opera no Parque Industrial de Beluluane, na província de Maputo, sul de Moçambique.
O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) e a Câmara de Comércio Moçambique–Itália (CCMI) procederam, no passado dia 28 de Agosto, em Maputo, à renovação do protocolo de cooperação que une as duas instituições. Este acto reafirma o compromisso conjunto de promover soluções que fortaleçam as relações socioeconómicas entre Moçambique e Itália.
A cerimónia foi marcada pela assinatura do acordo entre o Administrador do BCI, George Mandawa, e o Presidente da CCMI, Simone Santi, simbolizando a continuidade de uma parceria estratégica, iniciada em 2017 e reforçada em 2020 e 2023. Uma colaboração alicerçada na confiança mútua e numa visão partilhada de futuro.
Na ocasião, o Administrador do BCI destacou a importância desta cooperação para o desenvolvimento do país: “ao rubricarmos este protocolo, assumimos o nosso compromisso de continuar a agregar valor, a gerar impacto positivo e a trabalhar, lado a lado com parceiros como a CCMI, para o desenvolvimento económico e social de Moçambique”, afirmou George Mandawa.
O protocolo agora renovado permitirá aprofundar a criação de redes de relacionamento empresarial, estimular o investimento bilateral e promover projectos de impacto económico e social, reforçando a posição do BCI como impulsionador do desenvolvimento e da bancarização inclusiva das comunidades.
Por seu turno, o Presidente da CCMI sublinhou a relevância da parceria: “Esta cooperação representa não apenas uma vantagem para as nossas instituições, mas também uma mais-valia para o país, ao criar oportunidades de negócios e de desenvolvimento partilhado entre Moçambique e Itália”, disse Simone Santi.
Com esta parceria, o BCI reafirma o seu compromisso de apoiar os moçambicanos e os agentes económicos, impulsionando iniciativas concretas que promovam crescimento, inclusão financeira e desenvolvimento sustentável do país.
A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) foi premiada como “Maior Exportadora para a SADC” e “Melhor Stand Individual”, destacando as incontornáveis repercussões das acções desta empresa.
A premiação ocorreu no âmbito da 60ª Feira Internacional de Maputo (FACIM 2025) realizada de 25 a 31 de Agosto na Vila de Marracuene, província de Maputo.
A HCB participou nesta edição com dois stands contendo informação institucional, projectos de expansão energética, experiências virtuais e um chat interativo.
Este Jubileu de Ouro tem sido celebrado desde o início do ano com diversas actividades sociais e educativas para demonstrar o impacto deste empreendimento na sociedade, e estes prémios representam a perfeita adição às celebrações.
São 50 anos de uma empresa estratégica e estruturante para o desenvolvimento de Moçambique e estabilidade energética nacional e da África Austral.
O Governo moçambicano autorizou, no primeiro semestre do presente ano, 115 projectos de investimento, orçados em aproximadamente 5 mil milhões de dólares (316 mil milhões de meticais), com potencial de criar cerca de 17 mil postos de trabalho.
A informação foi avançada este sábado (30), pela primeira-ministra, Benvinda Levi, durante o encerramento da 60.ª edição da Feira Internacional de Maputo – FACIM 2025 que decorreu desde segunda-feira (25) no Centro Internacional Feiras e Exposições de Ricatla, localizado no distrito de Marracuene, província de Maputo.
“Dos projectos aprovados, destaque vai para o Green Energy Moçambique, com um investimento total de 3 mil milhões de dólares e potencial de gerar 10 mil postos de trabalho”, assinalou a governante.
O projecto visa a construção e gestão de um parque industrial composto por unidades de processamento de minerais para a produção de dióxido de titânio, alumínio, aço, cimento, baterias, painéis solares, entre outros a serem implantados na província de Sofala.
Falando da FACIM 2025, a primeira-ministra afirmou que a exposição de bens e serviços nos diversos pavilhões na feira reflecte o pulsar da economia, destacando a importância dos seminários e eventos temáticos destinados à promoção de investimentos para o aumento da produção, abastecimento do mercado interno e das exportações.
No seu discurso de encerramento, a governante anunciou a participação de 2 334 expositores nacionais, 180 estrangeiros provenientes de 28 países, representantes do Estado e do sector privado de todas as províncias.
Levi sublinhou que na visita aos diferentes pavilhões atestou a elevação da criatividade, qualidade, inovação e diversificação dos bens e serviços expostos, com destaque para os produtos agrícolas, manufacturados, serviços de comunicação e tecnologias de informação, serviços de saúde, indústria cultural e criativa.
O Seguro de Saúde e o Seguro Automóvel denominado “RUCA” estão entre as principais ofertas em disseminação pela Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE, SA), na Feira Internacional de Maputo (FACIM), que neste ano, decorre na sua 60ª edição.
O seguro de saúde está voltado para empresas, mas a EMOSE já estuda mecanismos para que singulares e famílias, beneficiem deste produtos. Enquanto isso não acontece, Santos Magaia, Administrador do Pelouro Técnico e Operacional da EMOSE, apela às empresas para que apostem no seguro de saúde para garantir o bem-estar dos seus colaboradores. “Nós como EMOSE temos este produto e, poderemos, oportunamente, com os tomadores de decisão, discutir ao detalhe, quais são as suas dinâmicas.
O que podemos dizer, neste momento, é que o nosso produto é bom e trabalhamos com os melhores provedores de serviços de saúde, que o mercado moçambicano e internacional oferecem”, explicou o gestor. O Seguro Automóvel “RUCA” protege o condutor, de danos contra terceiros. Ao aderir a este produto, dentro do recinto da Feira Internacional de Maputo, o subscritor tem a vantagem de pagar uma taxa anual de 1.888,00 mt (mil, oitocentos oitenta e oito meticais).
Para a adesão a este seguro automóvel, o consumidor tem, além de pagar a taxa, de portar o Bilhete de Identificacao (BI), passaporte ou carta de condução, incluindo o Número de Identificação Tributária (NUIT), o livrete e o respectivo título de propriedade. A campanha que decorre desde o dia 25 Agosto, vai prosseguir durante todo o mês de Setembro.
A Vodacom Moçambique celebrou a conclusão da turma 2023 do Programa de Graduados, uma iniciativa concebida para oferecer experiência profissional, desenvolver os novos talentos e disponibilizar profissionais competentes ao mercado.
Nesta edição, o programa recebeu cerca de 1.800 candidaturas, das quais 20 foram selecionadas e conduzidas por um processo de aprimoramento Os candidatos possuem formação em áreas como Contabilidade e Auditoria, Economia, Engenharia Electrónica, Ciências da Computação, Informática, Finanças e Gestão de Empresas, entre outras especialidades.
Cerca de 90% do grupo é do sexo feminino. Com duração de 24meses, o Programa de Graduados da Vodacom caracteriza-se por uma formação com o uso de uma metodologia intensiva que expõe os participantes a diferentes áreas de negócio e de gestão da Vodacom Moçambique. Durante o percurso, os jovens passam por diversas unidades da empresa em regime de rotação, adquirindo competências técnicas, habilidades de liderança e uma visão da cultura organizacional, até assumirem assuasfunções definitivas.
Para o CEO da Vodacom Moçambique, Simon Karikari, esta iniciativa constitui um investimento no futuro do país.“ O Programa de Graduados insere-se na nossa estratégia de desenvolvimento do capital humano. Investimos na preparação de jovens porque acreditamos serem os futuros líderes de Moçambique.
A integração destes graduados no quadro de colaboradores representa uma aposta clara na inovação, no conhecimento local e no crescimento da Vodacom e do país.” O compromisso da empresa é igualmente reforçado pela Directora de Recursos Humanos da Vodacom Moçambique, Kátia Meggy, que destaca a importância dessa iniciativa. “Como Vodacom, acreditamos que o futuro de qualquer organização depende da qualidade das pessoas que a compõem. Por isso, continuaremos a investir em programas estruturados que oferecem oportunidades reais de progressão profissional e impacto social.”
Directora de Recursos Humanos da Vodacom Moçambique, Kátia Meggy.
Entre os jovens integrados nesta edição, o testemunho de Esperança Chongola, uma das graduadas, ilustra o impacto pessoal e profissional do programa: “Participar no Programa de Graduados transformou a minha visão profissional e pessoal.
Tive acesso a diversas experiências, orientação de profissionais excelentes e contacto directo com projectos que exigiram adaptação, resiliência e inovação. Hoje, sinto-me preparada para contribuir para o desenvolvimento da Vodacom e para inspirar outras jovens.” Com este programa, a Vodacom reafirma o seu compromisso em impulsionar a juventude moçambicana através de mecanismos estruturados que fortalecem competências e ampliam perspectivas de empregabilidade.
O governo prevê concluir, até ao final deste ano, a criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM), uma instituição financeira que surge em resposta à necessidade de conceder financiamentos de médio e longo prazo a projectos estruturantes ligados à industrialização e valorização dos recursos nacionais.
A informação foi avançada pelo Coordenador de Reformas do Ministério da Economia e Finanças, João Macaringue, em entrevista a AIM, durante a sessão de socialização do projecto, realizada hoje (27), em Maputo, a margem dos debates em curso na FACIM 2025, num evento que juntou representantes de instituições nacionais, empresários e parceiros internacionais.
Segundo a fonte, o país encontra-se ainda na fase inicial de auscultação pública. “Estamos a dar o kickoff do processo. O próximo passo será percorrer todas as províncias, recolher contributos, sistematizar e submeter o projecto ao Conselho de Ministros, para depois avançar para aprovação final no Parlamento”, explicou.
De acordo com o coordenador, o objectivo é legalizar o banco até Dezembro próximo, bem como aprovar pela Assembleia da República, prevendo-se o início em 2026 a fase de implementação. “A decisão é que, até ao final deste ano, tenhamos o banco aprovado pelo Parlamento, para que o próximo ano se inicie a implementação”, garantiu.
O modelo de governação inspira-se em experiências de países vizinhos, como África do Sul e Namíbia, que partilharam práticas e lições aprendidas durante a socialização. Estiveram presentes representantes do DBSA (Development Bank of Southern Africa) e do Business Finance da Namíbia, incluindo o antigo CEO do Banco de Desenvolvimento da Namíbia.
Segundo o coordenador, um dos pontos centrais do projecto é garantir independência do banco e transparência na gestão, evitando interferência política. “O estudo aponta para a necessidade de uma estrutura de governação que inclua agências de desenvolvimento, assegurando credibilidade e alinhamento com os grandes objectivos nacionais”, destacou.
Para o governo, o Banco de Desenvolvimento será determinante para transformar o discurso sobre o potencial de Moçambique em riqueza concreta para os cidadãos. “Temos gás, carvão, rios que atravessam o país e uma posição geoestratégica única, mas tudo isso só pode ser explorado se houver capacidade de investir e transformar recursos em valor”, frisou.
O responsável defendeu ainda que a instituição deverá ser capaz de atrair capitais internacionais para complementar os limitados recursos internos. “Um país como o nosso não pode criar sozinho um banco desta dimensão. Precisamos agregar capitais de várias instituições de desenvolvimento e adaptá-los à realidade económica de Moçambique”, afirmou.
Nesse sentido, foram mencionadas instituições como o DBSA e outras entidades internacionais que poderão vir a ser parceiras estratégicas.
Especialistas sublinham que o banco terá um papel crucial na mobilização de financiamento de longo prazo para sectores prioritários, como energia, agricultura, transportes, habitação e industrialização. A sua criação representa um passo decisivo para que o país deixe de depender apenas de receitas de exportação de matérias-primas e avance para a transformação local e geração de valor interno.
“Este banco vai permitir que Moçambique passe do potencial para resultados tangíveis”, concluiu o coordenador de reformas.
A Electricidade de Moçambique (EDM) afirma que está a gerir uma carteira de projectos superior a 700 milhões de dólares, para o transporte e distribuição de energia.
Em paralelo está a investir em novas centrais para a geração de energia para assegurar a industrialização e o crescimento económico.
Segundo o director de Transporte da EDM, Luís Mado, ouvido pela AIM, a empresa gasta igualmente, cerca de 50 milhões de dólares norte-americanos anuais, apenas para manter os clientes já existentes e assegurar a estabilidade da rede.
“A EDM tem uma carteira de projectos muito grande. Só para manter os clientes que temos e garantir algumas expansões, gastamos todos os anos cerca de 50 milhões de dólares”, explicou.
Amado reafirma que, com apoio do Governo e de parceiros internacionais, a EDM tem em curso mais de 700 milhões de dólares em projectos de rede de transporte e distribuição, investimentos que visam reforçar a rede interna, bem como a interligação regional, assegurando a exportação de energia.
Segundo a fonte, um dos projectos emblemáticos é a linha de interconexão com o Malawi, actualmente em construção, que deverá estar concluída ainda este ano.
“Temos vários projectos de transporte e distribuição em execução, que vão reforçar a rede e garantir ligação com países vizinhos. A linha para o Malawi é um dos marcos que esperamos concluir até ao final do ano”, destacou o responsável.
No sector de geração, a EDM aposta em centrais estruturantes, tal como a Central de Temane, na província de Inhambane, zona Sul, com capacidade de 450 megawatts (MW), que já entrou na fase terminal de construção.
“A Central de Temane conheceu algum atraso devido ao ciclone Idai, mas já retomou. A linha de transmissão associada está concluída e a central deverá começar a injectar energia brevemente”, afirmou o dirigente.
Outro projecto estratégico é a hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa, que deverá acrescentar 1.500 MW à matriz energética nacional e será essencial para suprir a crescente procura industrial e de exportação.
“Temos que lutar para que projectos como o de Mphanda Nkuwa sejam uma realidade nos próximos cinco a seis anos. Caso contrário, o país poderá enfrentar um défice energético”, adverte o director da EDM.
A EDM reconhece que enfrenta dificuldades em antecipar-se à instalação de novas indústrias, que frequentemente chegam antes da rede eléctrica.
“É a indústria que se instala primeiro e só depois levamos energia. Isso tem que mudar. Precisamos de garantir que, quando as empresas chegarem, já tenham electricidade disponível”, defendeu o dirigente.
A necessidade de competitividade também foi destacada, com o objectivo de reduzir custos para os consumidores e assegurar energia a preços sustentáveis.
“A nossa luta com os produtores privados é garantir preços competitivos. Só assim conseguiremos ter energia que os clientes possam pagar e que ajude a indústria a crescer”, explicou.
Actualmente, a EDM opera nove centrais eléctricas e várias outras estão em fase de estruturação e busca de financiamento. A expansão da geração terá que acompanhar o ritmo de crescimento da procura, devido a rápida industrialização e electrificação rural.
“Já não é como há dez anos. Hoje, precisamos que novas centrais entrem em funcionamento com maior rapidez, para responder ao ritmo do desenvolvimento do país”, concluiu o director.
O Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Mozal, Samuel Samu Gudo, manifestou, na segunda-feira, em Maputo, optimismo quanto ao desfecho das negociações com o Governo.
Ele entende que, actualmente, o mais importante é ter calma, até que haja uma conclusão sobre a decisão de a Mozal suspender em definitivo ou não as suas actividades em Moçambique.
Samu Gudo acredita que no diálogo em curso se vai encontrar um ponto de equilíbrio para o fornecimento de energia da Hidroeléctrica de Cahora Bassa à fundidora de alumínio.
“[Temos de ter] acima de tudo esperança. A Mozal é de Moçambique, está aqui e temos de ter calma. Qualquer negociação desta natureza que é complexa [porque] envolve conversar com o Governo de Moçambique, com a HCB e a Eskom. É uma negociação transfronteiriça e envolve todos os stakeholders que devemos tomar em consideração. Acima de tudo é preciso ter calma e paciência” disse.
Quando questionado sobre a possibilidade de milhares de moçambicanos ficarem sem seus postos de trabalho com a eventual saída da Mozal, referiu ser inoportuno para avançar qualquer certeza.
“Eu não posso dar nenhuma certeza. Mas posso dizer que tudo faremos para continuara a negociar… Por respeito a todas as pessoas, só posso dizer que estamos a trabalhar e a conversar com o Governo e todos os participantes” referiu.
Para já, considerou que qualquer decisão que impacte negativamente qualquer das partes interessadas no processo “é uma má decisão”.
“Temos de encontrar uma solução que seja possível a coabitação das duas entidades, a Mozal e a HCB. Insisto que tenhamos esperança e fé de que tudo será feito para que a Mozal continue a sorrir e ninguém desligue as luzes em 2026” frisou.
Huruda Malungane, fundadora e CEO do Fórum CFO Mozambique, estará presente como oradora na 7.ª edição das Conferências Indico, agendada para o dia 03 de setembro. No painel subordinado ao tema “Dados como Motor de Valor: Inovação, Finanças e Inteligência Artificial”, Malungane abordará o papel dos dados como activo estratégico na gestão financeira, destacando como sua utilização pode aumentar a eficiência operacional, fortalecer a tomada de decisão e criar novas oportunidades de negócio.
A sua intervenção pretende oferecer uma visão prática e analítica sobre a integração de inteligência artificial e inovação financeira, evidenciando o potencial dos dados para dinamizar a economia moçambicana.
Profile Mozambique: Em Moçambique, o volume de dados gerados por sectores como a banca, telecomunicações, seguros e consumo cresce de forma acelerada. Na sua perspectiva, quais são os caminhos mais eficazes para transformar este fluxo de dados em valor económico concreto, contribuindo para maior eficiência das organizações e dinamização da economia nacional?
Huruda Malungane: Do meu ponto de vista, o primeiro passo é reconhecer os dados como um activo estratégico, ao mesmo nível dos activos financeiros. Para que estes se transformem em valor real, sustentamos a necessidade de assentar a sua gestão em três pilares fundamentais. O primeiro passa pela criação de infraestruturas digitais robustas, capazes de assegurar a recolha, o armazenamento e o tratamento de informação em tempo real.
O segundo exige a capacitação técnica das equipas, com destaque para áreas como ciência de dados e análise preditiva, de modo a que a informação não se limite a registos históricos, mas se converta em base para decisões estratégicas de negócio. O terceiro pilar centra-se na integração intersectorial, pois acreditamos que o verdadeiro valor reside na capacidade de cruzar dados provenientes de diferentes áreas, como saúde, seguros e telecomunicações, criando soluções mais inclusivas e acessíveis.
Geridos com rigor, os dados têm o potencial de aumentar a eficiência operacional, reduzir custos de transação e, acima de tudo, gerar novos modelos de negócio capazes de dinamizar a economia nacional.
PM: Considerando a realidade do país, que sectores acredita estarem melhor posicionados para liderar a adoção de inteligência artificial e a monetização de dados? E de que forma esse movimento pode redefinir a competitividade das empresas moçambicanas no mercado regional e internacional?
HM: Acredito que a banca, as telecomunicações e os seguros estão naturalmente mais bem posicionados para liderar este processo, não apenas pela escala de dados que já geram, mas também pela sua importância sistémica na economia nacional. A inteligência artificial, aplicada a estes sectores, pode trazer ganhos significativos. Na banca, por exemplo, pode permitir um scoring de crédito mais inclusivo, que contemple também clientes sem histórico formal. No sector das telecomunicações, abre-se espaço para o desenvolvimento de produtos financeiros móveis e seguros acessíveis por via de plataformas digitais. Já nos seguros, a aposta em modelos de pricing dinâmico, baseados em comportamento, pode reduzir fraudes e, simultaneamente, aumentar a acessibilidade dos serviços.
Ao assumirem a dianteira, estes sectores podem construir uma vantagem competitiva regional, projectando Moçambique não apenas como consumidor de soluções tecnológicas, mas como exportador de inovação adaptada ao contexto africano.
PM: Grande parte da economia moçambicana assenta nas pequenas e médias empresas. Que soluções práticas e acessíveis podem ser criadas para permitir que também as PMEs integrem os dados como activo estratégico na sua gestão financeira, evitando que a transformação digital seja um privilégio exclusivo das grandes organizações?
HM: Para as pequenas e médias empresas, entendemos que é essencial apostar em soluções simples, modulares e de baixo custo, que se ajustem à sua realidade operacional. Algumas medidas práticas podem fazer a diferença. Destaco, por exemplo, a utilização de plataformas de contabilidade digital em cloud, acessíveis mediante subscrições mensais reduzidas, e o recurso a ferramentas de análise financeira simplificadas, capazes de traduzir dados em insights claros sobre fluxo de caixa, rentabilidade e riscos.
Acredito, igualmente, na importância de incentivos fiscais ou de parcerias público-privadas que abram às PMEs a possibilidade de aceder a serviços de consultoria digital. Paralelamente, os programas de capacitação em literacia financeira e digital tornam-se decisivos, permitindo que os gestores consigam interpretar e aplicar os dados no quotidiano da gestão.
Deste modo, os dados deixam de ser encarados apenas como relatórios obrigatórios para o fisco e passam a constituir um verdadeiro instrumento de planeamento estratégico, acessível também às pequenas empresas, reforçando a sua competitividade no mercado.
PM: A utilização de dados financeiros como activo levanta questões de privacidade, transparência e regulação. Que desafios regulatórios e éticos identifica neste processo em Moçambique e que medidas considera fundamentais para assegurar confiança e integridade institucional?
HM: Os principais desafios que identifico no aproveitamento estratégico dos dados são claros. Primeiramente, sinto a ausência de um quadro legal robusto que assegure a proteção de dados pessoais e financeiros. Em segundo lugar, enfrentamos o risco de exclusão digital, em que apenas uma parcela da população consegue usufruir do ecossistema digital, deixando muitos fora do acesso a serviços essenciais. Finalmente, lidamos com fraudes e uso indevido de informação sensível, consequência da falta de mecanismos de fiscalização eficazes.
Para mitigar esses riscos, acreditamos ser fundamentais três medidas estruturantes. A primeira é a aprovação e implementação de uma lei de proteção de dados adaptada à realidade moçambicana. A segunda consiste na criação de uma entidade reguladora independente, capaz de garantir transparência, segurança e fiscalização contínua.
A terceira envolve o incentivo a práticas de governança ética dos dados, incluindo auditorias regulares e programas de educação digital para a sociedade. Sem confiança e integridade institucional, afirmamos, os dados perdem seu valor económico e deixam de ser um instrumento de desenvolvimento.
PM: Num horizonte de médio prazo, como imagina o papel dos dados na gestão financeira em Moçambique? Que mudanças estruturais podem decorrer da combinação entre dados, inteligência artificial e inovação financeira para o desenvolvimento sustentável do país?
Identificamos desafios significativos no uso estratégico dos dados. Entre os principais, destaco a ausência de um quadro legal sólido para a proteção de dados pessoais e financeiros, o risco de exclusão digital, que limita o acesso de parte da população ao ecossistema digital, e a ocorrência de fraudes e uso indevido de informações sensíveis devido à falta de mecanismos eficazes de fiscalização.
Para contornar estas questões, consideramos fundamentais três medidas. Primeiro, a aprovação e implementação de uma lei de protecção de dados adaptada à nossa realidade. Segundo, a criação de uma entidade reguladora independente, capaz de assegurar transparência e segurança. Terceiro, o incentivo a práticas de governança ética de dados, com auditorias regulares e programas de educação digital para a sociedade. Sem confiança e integridade institucional, os dados perdem valor económico e deixam de ser um instrumento de desenvolvimento estratégico.