Sunday, April 12, 2026
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Ludovina Bernardo: First Woman to Lead ENH

At 51 years old, Ludovina Bernardo becomes the first woman to lead the National Hydrocarbons Company (ENH), assuming the position of Chairperson of the Board of Directors (PCA) on August 19, 2024. With a career spanning more than 25 years in the public sector, Ludovina brings extensive experience in strategic management, planning, and public policy development to ENH.

Career and Experience

Born in Mozambique, Ludovina Bernardo holds a Bachelor’s degree in Business Management from Universidade Politécnica and a Master’s degree in Public Administration from the Higher Institute of Public Administration (ISAP). Additionally, she has completed training in Strategic and Operational Planning, Administration, and Local Governance.

Before assuming leadership of ENH, Ludovina served as Deputy Minister of Industry and Commerce since February 2020. Throughout her career, she held various prominent roles, including National Director of Administration and Human Resources at the Ministry of Planning and Development, National Director of Communications at the Ministry of Transport and Communications, and Advisor to the Prime Minister’s Office.

Ludovina Bernardo also coordinated major national impact projects, such as the Niassa Strategic Development Plan (2007–2017) and the Maputo Strategic Development Plan (2015–2022), focusing on mobilizing investments for structural projects. She also led programs such as “Industrializing Mozambique,” aimed at increasing the country’s economic competitiveness.

Challenges and Prospects

At the helm of ENH, Ludovina Bernardo will face the challenge of consolidating Mozambique’s position as a key player in the hydrocarbons industry. With estimated reserves exceeding 180 trillion cubic feet of natural gas, the country is positioned among the world’s largest producers, making it crucial to manage these resources strategically and sustainably.

Under her leadership, ENH is expected to strengthen its commitment to energy transition, economic diversification, and the development of local capacities, ensuring that the benefits of the sector are widely distributed among the Mozambican population.

The appointment of Ludovina Bernardo marks a historic milestone in female leadership in Mozambique, reaffirming the country’s commitment to promoting gender equality in strategic decision-making roles.

Evolução da Prime Rate e o seu impacto no acesso ao crédito empresarial

A Prime Rate do Sistema Financeiro Moçambicano é uma taxa de referência crucial que influencia diretamente o custo do crédito no país. As suas variações afetam tanto os consumidores individuais quanto as empresas, moldando o ambiente económico e financeiro de Moçambique. Este artigo analisa a evolução da Prime Rate desde 2024 até janeiro de 2025 e avalia o seu impacto no acesso ao crédito para negócios e na expansão das empresas.

Evolução da Prime Rate (2024 – Janeiro de 2025)

De acordo com o Banco de Moçambique (Relatório do Mercado Monetário), em 2024, a Prime Rate apresentou uma trajetória de redução contínua, refletindo os esforços das autoridades monetárias para estimular a economia e tornar o crédito mais acessível. Em agosto de 2024, a Prime Rate situava-se em 21,20%. Esta tendência de descida prosseguiu nos meses subsequentes, com a taxa a ser fixada em 20,50% em outubro de 2024. Em novembro de 2024, registou-se uma nova redução para 19,80% (Integrity Magazine). No início de 2025, especificamente em janeiro, a Prime Rate foi atualizada para 19,00% (Acess Bank Mozambique).

Impacto no acesso ao crédito para negócios

A redução da Prime Rate tem implicações significativas para o sector empresarial em Moçambique. Taxas de juro mais baixas traduzem-se em custos de financiamento reduzidos, incentivando as empresas a contrair empréstimos para capital de giro, investimento em infra-estrutura e expansão das operações. Este ambiente de crédito mais favorável pode estimular o empreendedorismo e fomentar o crescimento das pequenas e médias empresas (PMEs), que constituem uma parte substancial da economia moçambicana.

Expansão das empresas e investimento

Com a diminuição dos encargos financeiros decorrentes de taxas de juro mais baixas, as empresas estão em melhor posição para planear e executar estratégias de expansão. Projetos que anteriormente poderiam ter sido considerados inviáveis devido aos elevados custos de financiamento tornam-se agora mais acessíveis. Além disso, a confiança dos investidores tende a aumentar num cenário de estabilidade e previsibilidade das taxas de juro, potenciando investimentos tanto nacionais quanto estrangeiros.

Desafios persistentes

Apesar das reduções na Prime Rate, as empresas podem ainda enfrentar desafios no acesso ao crédito. Fatores como garantias exigidas pelos bancos, historial de crédito e a perceção de risco associada a determinados setores económicos continuam a influenciar as decisões de concessão de empréstimos. Adicionalmente, a conjuntura económica global e local, incluindo questões como a inflação e a estabilidade política, desempenham um papel crucial no ambiente de negócios.

Nota conclusiva

A trajectória descendente da Prime Rate entre 2024 e janeiro de 2025 representa uma oportunidade para as empresas moçambicanas acederem a crédito em condições mais favoráveis, promovendo o crescimento e a expansão dos negócios. No entanto, é essencial que as empresas mantenham uma gestão financeira prudente e que as instituições financeiras continuem a avaliar criteriosamente os riscos, assegurando a sustentabilidade do sistema financeiro e o desenvolvimento económico equilibrado do país.

Nota: Este artigo baseia-se em dados disponíveis até janeiro de 2025 e está sujeito a alterações conforme a evolução económica e financeira subsequente.

Moçambique- Entre incertezas e o crescimento económico

Moçambique- Entre incertezas e o crescimento económico
É comum entre os analistas económicos, sempre referenciarem as “incertezas” derivadas de épocas de eleições, isto porque em certa medida a mudança ou manutenção de regimes de governação tem efeitos directos sobre o curso da economia de um país. Moçambique é um recente exemplo dos efeitos das referidas incertezas. Antes das eleições, já se falava de possíveis impactos adversos dado o histórico do processo eleitoral no seu todo. Sectores como turismo prevendo alguma redução na actividade, o mercado financeiro que prevendo um aumento exponencial do nível de inadimplências, redução de apetite para novos financiamentos, entre outros. Os efeitos económicos são profundos e variados, impactando a economia do país de diferentes formas, o que pode se esperar tanto no curto quanto no longo prazo. Esses eventos geram instabilidade sociopolítica, o que afecta directa e negativamente a confiança dos investidores, o funcionamento das empresas, o consumo das famílias entre outros.
• Os conflitos eleitorais e manifestações geram incerteza política e sociais, o que retrai e não estimula os investimentos, tanto internos quanto externos. Os investidores buscam ambientes estáveis para aplicar seus recursos, e a incerteza causada por disputas políticas e sociais pode resultar em fuga de capitais, redução de investimentos e fluxo de capital.
• Pode-se esperar a desvalorização da moeda dado o aumento da aversão ao risco. Isso pode causar um aumento nas taxas de juros e afectar o mercado financeiro, prejudicando o acesso ao crédito e tornando o financiamento mais caro. Embora o banco central esteja empenhado em manter o nível de redução da taxa de referência com o objetivo de incentivar o investimento, esta realidade pode mudar.
• A interrupção das actividades comerciais, especialmente em áreas urbanas, encerramento de fronteiras, lojas, mercados, empresas, bloqueios de vias de acesso, sobretudo a destruição de propriedades e meios de produção, gera uma queda drástica na produção e no consumo. Isto pode resultar na escassez de produtos e um aumento nos custos de transporte que por sua vez exercem pressão para elevação de preços no mercado. Os danos à propriedade e meios de produção podem causar grandes prejuízos às empresas. O custo de reparação e/ou substituição pode ser significativo e difícil, especialmente para pequenas e medias empresas.
  • Pode se esperar por uma redução da actividade económica e aumento do desemprego dado encerramento forçado ou redução das operações das empresas dada insegurança, ou danos causados. O desemprego pode aumentar, afectando directamente a economia local e a qualidade de vida das famílias que já se vê precária.
• Ambientes de incertezas geram mudanças no comportamento do consumidor, levando-os a Adoptar comportamentos mais conservadores no consumo de bens não essenciais e
adiamento de compras.
NOTA CONCLUSIVA
As incertezas resultantes dos conflitos eleitorais, manifestações, geram uma série de efeitos económicos directos e indirectos que afectam o clima de negócios, a estabilidade sociopolítico e o crescimento económico. Isto, desencoraja os investimentos, prejudica o comércio internacional e local, afecta o emprego da mão-de-obra e a confiança do consumidor, além de desviar recursos públicos necessários para outras áreas do desenvolvimento. Estes efeitos podem ser registados não só no curto prazo, mas também com consequências a longo prazo, dependendo da intensidade e duração do conflito.

Eni compromete-se a projectar Moçambique na indústria global de GNL

A petrolífera italiana Eni reafirmou o seu compromisso em posicionar Moçambique como um actor global na indústria de Gás Natural Liquefeito (GNL), com foco na implementação do projecto Coral Norte. Este será o segundo projecto de Plataforma Flutuante de Gás Natural Liquefeito (FLNG) na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.

A confirmação surge na carta enviada por Claudio Descalzi, Director-executivo da Eni, ao Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, felicitando-o pela sua eleição e investidura. Na mensagem, Descalzi assegurou o apoio da empresa à estratégia de desenvolvimento de longo prazo de Moçambique, através de iniciativas de conteúdo local e promoção da transição energética com projectos inovadores, como a produção de óleo vegetal e iniciativas florestais.

“Esteja certo [Senhor Presidente] de que o nosso objectivo é apoiar a estratégia de desenvolvimento a longo prazo de Moçambique, através de iniciativas de conteúdo local e aceleração da transição energética do país”, declarou Descalzi.

Projecto Coral Norte

A Directora-Geral da Eni Rovuma Basin, Marica Calabrese, reforçou em entrevista à Energy Connect que o sucesso do projecto Coral Sul FLNG, já operacional, prepara o caminho para o Coral Norte. “Depois do sucesso do Coral Sul, estamos prontos para lançar o projecto Coral Norte. A Eni tem muita fé neste país e este será o início de mais um sucesso”, afirmou.

Desde Novembro de 2022 até Junho de 2024, o projecto Coral Sul registou 63 carregamentos de GNL, totalizando 4,48 milhões de toneladas. Com uma capacidade de produção de 3,4 milhões de toneladas anuais, a plataforma FLNG consolidou a posição de Moçambique no mercado global de energia.

Potencial Energético de Moçambique

Estima-se que a Área 4, na Bacia do Rovuma, onde os projectos Coral Sul e Coral Norte estão localizados, contenha mais de 77 triliões de pés cúbicos de gás natural. Globalmente, Moçambique possui reservas superiores a 180 triliões de pés cúbicos de gás, posicionando-se entre os maiores produtores do mundo.

Com um contrato de longo prazo firmado entre a Eni e a BP Poseidon, os volumes produzidos pela Coral Sul FLNG estão já assegurados, demonstrando a confiança das partes envolvidas no potencial do país.

Perspectivas Futuras

O compromisso da Eni com Moçambique não se limita à exploração de recursos naturais. A empresa reafirma o seu papel no apoio à transição energética e ao desenvolvimento sustentável, promovendo um modelo de crescimento que beneficia tanto o país como os seus parceiros internacionais.

Economia de Moçambique em Perspectiva: Crescimento de 4% em 2025, desafios e oportunidades à vista

O Banco Mundial (BM) projecta que a economia de Moçambique cresça 4% este ano e mantenha o mesmo ritmo em 2025. Embora estas previsões estejam alinhadas com o desempenho esperado para outras economias da África Subsaariana, representam um ligeiro recuo em relação às projeções anteriores do Fundo Monetário Internacional (FMI), que previa um crescimento de 4,3% para 2025.

Segundo o relatório das Perspectivas Económicas Mundiais, divulgado na quinta-feira, o crescimento na região subsaariana deverá aumentar de 3,2% em 2024 para 4,1% em 2025, apoiado por condições financeiras mais estáveis e pela redução gradual da inflação. A  Guiné-Bissau lidera o crescimento entre os países lusófonos da região, com uma expansão económica prevista de 5%.

Contribuições regionais e desafios

O relatório do BM destaca o impacto positivo da melhoria no fornecimento de energia em alguns países da África Austral e do aumento da produção de petróleo na Nigéria, mas aponta também para desafios significativos. A inflação, que registou níveis historicamente altos durante a pandemia de Covid-19, começa a dar sinais de abrandamento em grande parte da região, embora a pressão sobre os preços dos alimentos continue elevada.

“Fortes aumentos de preços e depreciações cambiais marcaram o desempenho de várias economias da região em 2024, como Nigéria e Angola, onde a inflação atingiu picos de 30%”, refere o documento.

Para Moçambique, o crescimento projectado reflecte os esforços do governo em consolidar a estabilidade macroeconómica, mas enfrenta obstáculos relacionados à recuperação das atividades económicas pós-pandemia e aos conflitos internos, que continuam a afectar a dinâmica produtiva e o investimento.

Ritmo global e impacto local

O BM alerta que, apesar do crescimento moderado, as economias da região continuarão a enfrentar desafios estruturais, incluindo elevados níveis de endividamento e fragilidades nos sistemas de saúde e educação. Para Moçambique, a sustentabilidade do crescimento dependerá de uma gestão eficaz dos recursos naturais e de políticas que promovam a diversificação económica e atraiam investimento estrangeiro.

O relatório enfatiza que a recuperação económica na região, incluindo Moçambique, está condicionada a factores externos, como a volatilidade dos mercados globais e as incertezas geopolíticas, além de variáveis internas, como a implementação de reformas estruturais e o fortalecimento da governação.

Com a previsão de um crescimento económico de 4%, Moçambique terá pela frente um ano de desafios e oportunidades. A manutenção de políticas macroeconómicas consistentes e o foco no fortalecimento do sector privado serão cruciais para garantir um crescimento sustentável e inclusivo que beneficie a maioria dos moçambicanos.

TotalEnergies substitui gestor do projecto Mozambique LNG

A TotalEnergies, multinacional francesa do sector de petróleo e gás, nomeou Nicolas Cambefort como novo gestor do projecto Mozambique LNG, em substituição de Stéphane Le Galles. Cambefort chegou recentemente a Maputo para assumir o cargo, num momento em que a empresa se prepara para uma possível retoma da construção das unidades de liquefacção na província de Cabo Delgado ainda este ano.

O projecto, que prevê a construção de duas unidades de liquefacção com capacidade total de 13 milhões de toneladas por ano, está suspenso desde Dezembro de 2020, tendo sido declarado força maior em Abril de 2021 devido à insegurança na região. Cambefort, engenheiro formado na École Nationale Supérieure d’Arts et Métiers, tem vasta experiência, incluindo funções em parques eólicos offshore e passagens por países como Noruega, Estados Unidos e Indonésia, embora esta seja a sua primeira missão em África.

Ele trabalhará em colaboração com Maxime Rabilloud, líder da subsidiária da TotalEnergies em Moçambique desde 2021, que aguarda ansiosamente a retoma do projecto.

A TotalEnergies monitora de perto a gestão do novo Presidente de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, diante da crise política e da violência após as eleições de Outubro de 2024. A empresa também observa o impacto da colaboração com as forças ruandesas destacadas desde 2021 para estabilizar a província rica em gás.

Outro factor determinante é a decisão do Exim Bank dos EUA sobre garantias financeiras para o Mozambique LNG, adiada devido à transição administrativa nos Estados Unidos. Patrick Pouyanné, CEO da TotalEnergies, espera que a nova administração republicana, assumida por Donald Trump, facilite o processo. ExxonMobil, que também opera na península de Afungi, apoia a TotalEnergies na obtenção dessas garantias, essenciais para assegurar investimentos adicionais.

Mais 27 PME’s capacitadas para enfrentar desafios do mercado

Vinte e sete empresas, de diversos pontos do País, em representação de treze sectores de actividade, participaram, recentemente, na quinta edição do Icreate, um programa de fortalecimento das capacidades das Pequenas e Médias Empresas (PME) nacionais, promovida pelo Standard Bank, através da sua Incubadora de Negócios.

A iniciativa, que teve a duração de sete semanas, teve por objectivo preparar este segmento de empresas para escalabilidade e crescimento.

Através desta iniciativa, o Standard Bank reitera o seu compromisso em fortalecer a economia local e promover o crescimento sustentável da economia do País, cujo futuro está intrinsecamente ligado à maximização do potencial das PME, que constituem, na verdade, a espinha dorsal da economia.

Concebida, pela primeira vez, exclusivamente para os clientes do Standard Bank, o programa oferece ferramentas e recursos personalizados para aumentar a competitividade e a sustentabilidade a longo prazo, incluindo um acompanhamento ainda mais personalizado e soluções sob medida para cada negócio, capacitando as empresas para enfrentar os desafios do mercado e a alcançar os seus objectivos.

Márcia Karim, Directora da Banca Comercial e de Negócios do Standard Bank

Intervindo na cerimónia de encerramento, a directora da Banca Comercial e de Negócios do Standard Bank, Márcia Karim, explicou que o banco pretende, com a iniciativa, impulsionar o crescimento de Moçambique.

“Estamos focados em capacitar as nossas PME, porque pretendemos que elas continuem a crescer. Gostaria de enfatizar o nosso compromisso de continuarmos a contribuir para o desenvolvimento sustentável das PME e a criar um futuro próspero para Moçambique”, acrescentou.

Na ocasião, os participantes enalteceram a iniciativa do Standard Bank que, na sua opinião, representa o início de uma nova fase para os seus negócios.

É o caso de Justino Gemo, da empresa Infordata, uma firma que actua na área de tecnologia: “Temos a certeza de que, depois desta formação, vamos caminhar mais fortes e colocar os nossos negócios num patamar mais alto. Tudo o que aprendemos foi muito importante para nós, por isso prometemos tirar maior proveito para o desenvolvimento dos nossos negócios”, assegurou.

Por seu turno, Almina Monjane, da Ecotech, do sector de limpeza, fumigação e gestão de resíduos sólidos, considerou muito proveitosa a sua participação no Icreate, cujos conteúdos e ferramentas transmitidas “vão contribuir significativamente para o crescimento da nossa empresa”.

“Aprendi muita coisa que vou colocar em prática, principalmente no que diz respeito à inovação, que pensei que fosse sinónimo de criar algo novo. Aprendi, ainda, sobre como me posicionar em tempos de crise, o que fazer, como agir, etc. Em suma, são esses detalhes que fazem a diferença no nosso negócio”, afirmou.

Potencial económico e barreiras ao investimento directo em 2025

Moçambique apresenta-se como um destino atractivo para o Investimento Estrangeiro Directo (IED), posicionando-se como um importante actor no crescimento económico da África Austral. Com uma vasta riqueza de recursos naturais, terras aráveis e uma localização estratégica ao longo do Oceano Índico, o país continua a atrair a atenção de investidores globais. No entanto, para 2025, as perspectivas de investimento permanecem moldadas por um equilíbrio entre oportunidades significativas e desafios estruturais.

Sectores promissores para investimento

Energia e Recursos Naturais

O sector energético lidera como o principal atrativo para os investidores estrangeiros, com destaque para os projectos de gás natural liquefeito (GNL) na bacia do Rovuma, que têm captado a atenção de multinacionais como a TotalEnergies e a ExxonMobil. Estes projectos, além de prometerem receitas significativas para o país, têm o potencial de transformar Moçambique num dos maiores exportadores de gás natural no mundo.

Para além do gás, os recursos minerais, como carvão, grafite e rubis, continuam a atrair investidores, particularmente da Ásia e da Europa. Moçambique é um dos maiores produtores de grafite de alta qualidade, essencial para a produção de baterias de iões de lítio, alimentando a revolução energética global.

Agricultura e Agro-processamento

Com mais de 36 milhões de hectares de terra arável, apenas uma pequena percentagem está a ser cultivada de forma eficiente. Este facto apresenta uma oportunidade única para o investimento em culturas comerciais, como algodão, caju, açúcar e horticultura. A crescente procura por alimentos a nível global torna a agricultura uma área promissora para a expansão do IED.

Ademais, o desenvolvimento de unidades de agro-processamento para transformar produtos agrícolas localmente pode aumentar a competitividade de Moçambique no mercado global, ao mesmo tempo que gera empregos e promove o desenvolvimento rural.

Turismo

Com paisagens diversificadas que incluem praias deslumbrantes, reservas naturais e patrimónios culturais únicos, Moçambique apresenta-se como um destino turístico emergente. Locais como o Arquipélago de Bazaruto e a Reserva Nacional do Niassa atraem turistas em busca de experiências autênticas e exclusivas. O desenvolvimento de infra-estruturas turísticas modernas, como hotéis, resorts e transporte, é essencial para potenciar o crescimento do sector.

Desafios regulatórios e estruturais

Ambiente legal e burocracia

Embora Moçambique tenha avançado em reformas regulatórias, o ambiente jurídico para o IED ainda apresenta desafios significativos. A lei que regula o Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT) continua a ser uma barreira para investidores estrangeiros, dada a exigência de que a terra seja propriedade do Estado e apenas concedida sob determinadas condições.

Além disso, a burocracia nos processos de licenciamento e a falta de clareza nas políticas fiscais muitas vezes desencorajam investimentos de longo prazo. A simplificação destes processos é uma prioridade para melhorar a competitividade do país.

Infra-estruturas e conectividade

A insuficiência de infra-estruturas de transporte, energia e comunicação é um dos principais obstáculos ao crescimento económico. Portos como os de Maputo, Beira e Nacala desempenham um papel crucial no comércio internacional, mas carecem de modernização para atender à crescente procura.

O desenvolvimento de redes rodoviárias e ferroviárias que conectem as regiões produtoras aos mercados internacionais também é essencial para reduzir os custos de logística e aumentar a atratividade de Moçambique para os investidores.

Instabilidade política e percepção de risco

Embora os esforços para estabilizar a situação política e combater a insegurança no norte de Moçambique sejam notáveis, as percepções de risco associadas a conflitos armados e à corrupção continuam a preocupar os investidores. Melhorar a transparência e reforçar o Estado de Direito são passos essenciais para garantir a confiança dos investidores.

Iniciativas para atrair o IED

Reformas e incentivos governamentais

O governo moçambicano, através da Agência de Promoção de Investimento e Exportações (APIEX), tem implementado incentivos fiscais e financeiros para atrair investidores. Estes incluem isenções de impostos, facilitação de vistos e acesso a zonas económicas especiais, como a de Nacala, que oferecem condições favoráveis para o investimento.

Ademais, a Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE) 2025-2044 prioriza a criação de um ambiente de negócios favorável, enfatizando a necessidade de diversificar a economia e promover a industrialização.

Parcerias Público-Privadas (PPPs)

As PPPs têm sido promovidas como um modelo viável para o desenvolvimento de infra-estruturas e serviços essenciais. Estas parcerias permitem aos investidores participar em projectos estratégicos, como a construção de estradas, portos e centrais eléctricas, garantindo retornos sustentáveis.

Perspectivas para 2025

Para 2025, Moçambique enfrenta um cenário promissor, mas desafiante. O sucesso em atrair e reter investimentos estrangeiros dependerá de reformas profundas, modernização de infra-estruturas e da estabilidade política e económica.

Enquanto sectores como o gás natural, a agricultura e o turismo continuam a liderar como áreas de crescimento, o país deve apostar na diversificação económica e no fortalecimento das suas capacidades institucionais. Moçambique tem o potencial de se tornar um destino de referência para o IED na África Austral, mas apenas com uma abordagem integrada e estratégica será possível transformar oportunidades em realidades tangíveis.

Economic Potential and Barriers to Direct Investment in 2025

Mozambique positions itself as an attractive destination for Foreign Direct Investment (FDI), emerging as a key player in the economic growth of Southern Africa. With vast natural resources, arable land, and a strategic location along the Indian Ocean, the country continues to capture the attention of global investors. However, for 2025, investment prospects remain shaped by a balance between significant opportunities and structural challenges.

Promising Sectors for Investment

Energy and Natural Resources

The energy sector stands out as the primary attraction for foreign investors, with a particular focus on liquefied natural gas (LNG) projects in the Rovuma Basin, which have garnered the interest of multinationals such as TotalEnergies and ExxonMobil. These projects, in addition to promising significant revenue for the country, have the potential to transform Mozambique into one of the world’s largest natural gas exporters.
Beyond gas, mineral resources such as coal, graphite, and rubies continue to draw investors, especially from Asia and Europe. Mozambique is one of the largest producers of high-quality graphite, which is essential for manufacturing lithium-ion batteries, driving the global energy revolution.

Agriculture and Agro-Processing

With over 36 million hectares of arable land, only a small percentage is being efficiently cultivated. This presents a unique opportunity for investment in cash crops such as cotton, cashew, sugar, and horticulture. The growing global demand for food positions agriculture as a promising area for FDI expansion.
Additionally, the development of agro-processing units to locally transform agricultural products could enhance Mozambique’s competitiveness in the global market while generating jobs and promoting rural development.

Tourism

With diverse landscapes that include stunning beaches, natural reserves, and unique cultural heritage, Mozambique presents itself as an emerging tourist destination. Locations such as the Bazaruto Archipelago and the Niassa National Reserve attract tourists seeking authentic and exclusive experiences. The development of modern tourist infrastructure, including hotels, resorts, and transport networks, is essential to unlocking the sector’s growth potential.

Regulatory and Structural Challenges

Legal Environment and Bureaucracy

While Mozambique has made progress in regulatory reforms, the legal framework for FDI still presents significant challenges. The law governing Land Use and Benefit Rights (DUAT) remains a barrier for foreign investors, as land is state-owned and only granted under specific conditions.
Additionally, bureaucracy in licensing processes and a lack of clarity in fiscal policies often discourage long-term investments. Simplifying these processes is a priority to enhance the country’s competitiveness.

Infrastructure and Connectivity

The insufficiency of transport, energy, and communication infrastructure is one of the main obstacles to economic growth. Ports such as Maputo, Beira, and Nacala play a crucial role in international trade but require modernization to meet growing demand.
The development of road and rail networks connecting production regions to international markets is also essential to reducing logistics costs and increasing Mozambique’s appeal to investors.

Political Instability and Risk Perception

Although efforts to stabilize the political situation and combat insecurity in northern Mozambique are noteworthy, perceptions of risk associated with armed conflicts and corruption continue to concern investors. Improving transparency and strengthening the rule of law are critical steps to ensuring investor confidence.

Initiatives to Attract FDI

Government Reforms and Incentives

The Mozambican government, through the Investment and Export Promotion Agency (APIEX), has implemented fiscal and financial incentives to attract investors. These include tax exemptions, visa facilitation, and access to special economic zones such as Nacala, which offer favorable investment conditions.
Moreover, the National Development Strategy (ENDE) 2025-2044 prioritizes creating a business-friendly environment, emphasizing the need to diversify the economy and promote industrialization.

Public-Private Partnerships (PPPs)

PPPs have been promoted as a viable model for developing essential infrastructure and services. These partnerships enable investors to participate in strategic projects such as constructing roads, ports, and power plants, ensuring sustainable returns.

Prospects for 2025

For 2025, Mozambique faces a promising but challenging landscape. Success in attracting and retaining foreign investments will depend on deep reforms, infrastructure modernization, and political and economic stability.

While sectors such as natural gas, agriculture, and tourism continue to lead as growth areas, the country must focus on economic diversification and strengthening institutional capacities. Mozambique has the potential to become a leading FDI destination in Southern Africa, but only with an integrated and strategic approach will it be possible to turn opportunities into tangible realities.

Portos de Maputo, Beira e Nacala: O Triângulo estratégico que impulsiona o comércio em África

Moçambique, com a sua extensa costa ao longo do Oceano Índico, possui uma localização estratégica que o posiciona como um importante centro de comércio internacional na África Austral. Os portos de Maputo, Beira e Nacala desempenham um papel crucial na facilitação das trocas comerciais, não só para o país, mas também para as nações vizinhas sem acesso directo ao mar.

Porto de Maputo: Porta de entrada para a África Austral

O Porto de Maputo é um dos principais pontos de entrada e saída de mercadorias em Moçambique. A sua gestão está a cargo da empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), que supervisiona tanto as infraestruturas portuárias como ferroviárias do país.

Este porto é fundamental para o comércio, facilitando o acesso a mercados em toda a região da África Austral.

Porto da Beira: Ligação estratégica ao interior da África

O Porto da Beira destaca-se pela sua eficiência no atendimento aos países do interior, como o Malawi, Zâmbia e Zimbabwe. Através do Corredor da Beira, este porto facilita o escoamento de mercadorias, sendo considerado o mais eficiente a servir o Malawi e a região circundante.

A empresa Cornelder de Moçambique gere as operações portuárias na Beira, incluindo a movimentação de petroleiros e outras embarcações.

Porto de Nacala: O Porto natural mais profundo da região

O Porto de Nacala é reconhecido como o porto natural mais profundo da África Austral, permitindo a atracação de navios de grande calado. Este porto serve não apenas o norte de Moçambique, mas também países como o Malawi e partes da Zâmbia, através de uma rede ferroviária que se estende por 931 km.

Recentemente, o Porto de Nacala registou um marco significativo ao atingir a movimentação de 100 mil TEUs (unidades equivalentes a vinte pés) em 2024, consolidando-se como um hub logístico internacional.

Corredores de Desenvolvimento: Integração regional e facilitação do comércio

Os portos de Maputo, Beira e Nacala estão integrados em corredores de desenvolvimento que conectam Moçambique aos países vizinhos:

  • Corredor de Maputo: Liga o porto à África do Sul e Eswatini, facilitando o fluxo de mercadorias entre estes países e o mercado global.
  • Corredor da Beira: Conecta o Porto da Beira ao Zimbabwe, Zâmbia e Malawi, sendo vital para o escoamento de produtos destes países.
  • Corredor de Nacala: Serve principalmente o Malawi e partes da Zâmbia, oferecendo uma rota eficiente para o comércio internacional.

Desafios e Perspectivas

Apesar da importância estratégica, os portos moçambicanos enfrentam desafios como a necessidade de modernização das infraestruturas, melhoria na eficiência operacional e superação de barreiras burocráticas. Esforços têm sido feitos para atrair investimentos e parcerias que visem a expansão e modernização das capacidades portuárias, garantindo que Moçambique continue a desempenhar um papel central no comércio internacional da região.

Em linhas gerais, os portos de Maputo, Beira e Nacala são pilares fundamentais para o comércio internacional de Moçambique e da África Austral. A sua localização estratégica e as conexões ferroviárias e rodoviárias associadas permitem que o país funcione como um corredor vital para o escoamento de mercadorias, impulsionando o desenvolvimento económico regional.