Saturday, April 11, 2026
spot_img
Home Blog Page 91

IDE em Moçambique cresce 48%

O Investimento Directo Estrangeiro em Moçambique cresceu 48% no primeiro semestre de 2024, totalizando 1.841 milhões de dólares, impulsionado principalmente pela indústria extractiva.

O Investimento Direto Estrangeiro (IDE) em Moçambique registou um crescimento de 48% no primeiro semestre de 2024, face ao mesmo período de 2023, alcançando cerca de 1.841 milhões de dólares, segundo dados do Banco de Moçambique.

Este aumento, face aos 1.244 milhões de dólares registados nos primeiros seis meses de 2023, é explicado principalmente pelo crescimento de 35,6% no IDE dos Grandes Projectos, com destaque para o sector da indústria extractiva, que representa 83,9% fazem o total de investimentos.

Segundo a Lusa, a indústria extractiva manteve-se como o principal sector receptor de IDE, com 1.544 milhões de dólares (1.465 milhões de euros), sendo 72% deste valor absorvido pelo sector de petróleo e gás, que viu um crescimento anual de 34%. A extração de carvão mineral também registou um aumento de 5,1%, totalizando 373,2 milhões de dólares.

Em termos geográficos, a África do Sul liderou a origem dos investimentos, com mais de 28% do IDE, seguida pelos Países Baixos (27,5%) e pelas Maurícias (26,4%).

Após um crescimento de 2% em 2023, que totalizou 2.509 milhões de dólares, o Governo de Moçambique estima que o IDE continue a crescer em 2024, com uma previsão de duplicação dos investimentos, especialmente impulsionada pelos negócios de exploração de gás natural, para atingir 4.778 milhões de dólares. O Governo também prevê um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,5% em 2024.

FDI in Mozambique grows by 48%

Foreign Direct Investment (FDI) in Mozambique grew by 48% in the first half of 2024, totaling $1.841 billion, primarily driven by the extractive industry.

Foreign Direct Investment (FDI) in Mozambique registered a 48% growth in the first half of 2024, compared to the same period in 2023, reaching approximately $1.841 billion, according to data from the Bank of Mozambique.

This increase, compared to the $1.244 billion recorded in the first six months of 2023, is mainly explained by the 35.6% growth in FDI in Major Projects, with a particular emphasis on the extractive industry, which accounts for 83.9% of total investments.

According to Lusa, the extractive industry remained the primary sector receiving FDI, with $1.544 billion (€1.465 billion), of which 72% was absorbed by the oil and gas sector, which saw a 34% year-on-year growth. The extraction of coal also registered a 5.1% increase, totaling $373.2 million.

Geographically, South Africa led the origin of investments, accounting for over 28% of FDI, followed by the Netherlands (27.5%) and Mauritius (26.4%).

After a 2% growth in 2023, which totaled $2.509 billion, the Mozambican government expects FDI to continue growing in 2024, with a forecasted doubling of investments, particularly driven by natural gas exploration ventures, to reach $4.778 billion. The government also predicts a 5.5% growth in the Gross Domestic Product (GDP) in 2024.

Nova liderança da APME assume posse com foco em parcerias estratégicas

Os novos órgãos sociais da Associação das Pequenas e Médias Empresas (APME), eleitos a 9 de Dezembro, tomaram posse recentemente para um mandato de quatro anos. A nova direcção aposta em parcerias estratégicas como alicerce do seu plano de acção, com vista ao fortalecimento do ecossistema empresarial moçambicano.

Parcerias estratégicas como motor de uma Agenda Nacional Sustentável

Segundo Inocêncio Paulino, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da APME, as parcerias com associações empresariais, câmaras de comércio, federações, CTA, organizações profissionais, sociedade civil e futuros Governos visam a implementação de uma Agenda Nacional Sustentável. Esta agenda pretende:

  • Multiplicar os postos de trabalho;
  • Valorizar e promover talentos nacionais;
  • Incentivar a industrialização e as exportações;
  • Proteger o capital humano e o produto nacional;
  • Fomentar a paz, a justiça social e a competitividade nacional e internacional.

Paulino sublinha que o sucesso desta agenda exige coordenação estruturada e esforços complementares, sem prejudicar a competitividade empresarial.

Prioridades para fortalecer as MPMEs

A APME delineou áreas prioritárias para os próximos anos, com o objectivo de impulsionar as micro, pequenas e médias empresas moçambicanas. Entre as acções destacam-se:

  • Política de conteúdo nacional: Adopção de políticas que protejam os negócios locais e promovam a participação das MPMEs no mercado.
  • Sistema financeiro inclusivo: Facilitação do acesso ao crédito com menos burocracia, taxas de juro abaixo de 10% e estímulo à criação de instituições financeiras com capitais moçambicanos.
  • Combate à corrupção e práticas antiéticas: Luta contra clientelismo, nepotismo, tráfico de influências e perseguição de empresários.
  • Fornecimento local prioritário: Garantia de que 70% dos fornecedores de bens e serviços das grandes empresas e multinacionais sejam moçambicanos.
  • Combate à concorrência desleal: Denúncia de práticas irregulares por agentes de procurement, UGEAs e departamentos de compras.
  • Revisão das penalizações financeiras: Limitação das multas por atrasos ou falta de pagamento a 20% do valor em causa, num prazo de um ano, com enfoque no INSS.

“Só trabalhando juntos será possível vencer os desafios”

Durante a sua intervenção, Osvaldo Maute, Presidente do Conselho de Direcção, agradeceu a confiança nele depositada e comprometeu-se com uma gestão inclusiva. Maute destacou que a solução para os desafios enfrentados pelas PMEs reside no trabalho conjunto entre todos os actores económicos.

Plano estratégico e prestação de contas: um apelo da CTA

O Presidente da CTA, Agostinho Vuma, felicitou a nova direcção e encorajou a elaboração de um plano estratégico claro que guie as actividades da APME. Vuma destacou ainda a importância do respeito pelos instrumentos normativos da associação e apelou a um compromisso com a inclusão e a prestação de contas.

Considerações finais

A tomada de posse dos novos órgãos sociais da APME marca o início de um ciclo promissor, baseado em parcerias, políticas inclusivas e estratégias coordenadas. A aposta na Agenda Nacional Sustentável e o compromisso com os desafios estruturais das MPMEs poderão transformar o cenário empresarial moçambicano, promovendo o crescimento económico e a justiça social.

APME’s new leadership takes office with a focus on strategic partnerships

According to Inocêncio Paulino, President of the General Assembly of APME, partnerships with business associations, chambers of commerce, federations, CTA, professional organizations, civil society, and future governments aim to implement a Sustainable National Agenda. This agenda seeks to:

  • Increase employment opportunities;
  • Value and promote national talents;
  • Encourage industrialization and exports;
  • Protect human capital and national products;
  • Promote peace, social justice, and national and international competitiveness.

Paulino emphasizes that the success of this agenda requires structured coordination and complementary efforts, without compromising business competitiveness.

Priorities to Strengthen MSMEs
APME has outlined priority areas for the coming years with the aim of boosting Mozambican micro, small, and medium-sized enterprises. Key actions include:

  • National Content Policy: Adoption of policies that protect local businesses and promote the participation of MSMEs in the market.
  • Inclusive Financial System: Facilitation of access to credit with less bureaucracy, interest rates below 10%, and encouragement of the creation of financial institutions with Mozambican capital.
  • Combatting Corruption and Unethical Practices: Fighting clientelism, nepotism, influence peddling, and persecution of entrepreneurs.
  • Priority Local Supply: Ensuring that 70% of suppliers of goods and services to large companies and multinationals are Mozambican.
  • Fighting Unfair Competition: Reporting irregular practices by procurement agents, UGEAs, and purchasing departments.
  • Review of Financial Penalties: Limiting penalties for late payments or non-payment to 20% of the amount involved, within a year, with a focus on the INSS.

“Only by working together will we overcome the challenges”
During his speech, Osvaldo Maute, President of the Board of Directors, thanked for the trust placed in him and committed to inclusive management. Maute emphasized that the solution to the challenges faced by MSMEs lies in joint efforts among all economic actors.

Strategic Plan and Accountability: A Call from CTA
The President of CTA, Agostinho Vuma, congratulated the new leadership and encouraged the development of a clear strategic plan to guide APME’s activities. Vuma also highlighted the importance of respecting the association’s regulatory instruments and appealed for a commitment to inclusion and accountability.

Final Considerations
The swearing-in of the new APME leadership marks the beginning of a promising cycle based on partnerships, inclusive policies, and coordinated strategies. The focus on the Sustainable National Agenda and the commitment to addressing the structural challenges of MSMEs could transform the Mozambican business landscape, promoting economic growth and social justice.

O que faz a FSDMoç? Entenda o papel da instituição no fortalecimento da inclusão financeira

Mulher-Zona-Rural

A Financial Sector Deepening Moçambique (FSDMoç) tem desempenhado um papel crucial no desenvolvimento do sector financeiro em Moçambique, focando-se na inclusão financeira como ferramenta para promover prosperidade e resiliência económica. Actuando como uma plataforma de transformação, a FSDMoç direcciona os seus investimentos e conhecimentos técnicos para resolver constrangimentos no mercado financeiro, contribuindo para a diversificação da economia do país e oferecendo oportunidades de crescimento a populações marginalizadas.

Uma estratégia centrada nas comunidades

No âmago da estratégia da FSDMoç estão mulheres, jovens e populações rurais de baixo rendimento, segmentos historicamente marginalizados do sistema financeiro. Pequenas empresas que enfrentam dificuldades no acesso a serviços financeiros acessíveis também são priorizadas. Em parceria com instituições-chave como o Projecto WIN implementado pela Technoserve, a New Faces New Voices, parte da Graça Machel Trust, Fintech Moz, FSDNetwork e a UKAID, a FSDMoç estimula a inovação e expande o acesso a serviços financeiros, capacitando tanto as instituições quanto os beneficiários.

Objectivos e intervenções do programa

Até 2019, a FSDMoç definiu como meta proporcionar serviços financeiros básicos a 2,6 milhões de indivíduos e 1.000 empresas em todo o país. Para alcançar esse objectivo, adoptou a abordagem Making Markets Work for the Poor (M4P/MSD), focando-se em soluções práticas para superar barreiras estruturais no sector financeiro. As principais áreas de intervenção incluem:

  • Serviços de dinheiro móvel: Incentivo ao uso de dinheiro móvel para ampliar o acesso a serviços financeiros.
  • Micro-seguro: Desenvolvimento de soluções acessíveis de seguros digitais.
  • Regulação e investimentos: Melhoramento do enquadramento regulatório para atrair investimentos estrangeiros e fomentar a inovação das fintechs.

Impactos transformadores

As iniciativas da FSDMoç têm gerado mudanças significativas no sector financeiro, entre as quais:

  • Serviços de dinheiro móvel: Mais de 60.000 indivíduos beneficiaram de acesso melhorado a serviços financeiros digitais. Estas soluções ajudaram a fortalecer a confiança no sistema financeiro, incentivando o uso de plataformas digitais.
  • Micro-seguro: Em 2020, sete soluções inclusivas de micro-seguro foram desenvolvidas, aumentando o alcance a populações de baixo rendimento.
  • Regulação e mercado de capitais: O número de empresas listadas na Bolsa de Valores de Moçambique cresceu 125% até 2019, reflectindo o fortalecimento do mercado de capitais promovido pela FSDMoç.

Produtos financeiros para mulheres pelos bancos de micro-finança:

  • Microleasing: Para a compra de equipamento agrícola e de transporte.
  • Micro-seguro: Oferecido em nome de um micro-seguro e obrigatório para todos os produtos de crédito.
  • Crédito para expansão de negócios: Destinado a quem pretende expandir o negócio, mas não reúne garantias ou documentação necessária para se candidatar a um microcrédito.
    • Beneficiários: Pessoas com um micro-negócio há 6 meses ou mais.
    • Finalidade: Capital de Giro; Investimento.
  • Crédito para novos clientes: Destinado a novos clientes que não conseguem satisfazer as exigências de garantias dos produtos clássicos do banco.
    • Beneficiários: Cidade de Maputo: apenas empresas detidas ou administradas por mulheres; Zona rural: qualquer negócio estável com restrições de garantias.
    • Finalidade: Capital de Giro; Investimento em bens.
    • Montantes: 7.000 – 2 Milhões de MZN.
    • Taxas de juros: 4.52% – 4.72% nominal mensal.

Ofertas de produtos financeiros para mulheres pelos grandes bancos comerciais:

  • Cartão Mulher Empreendedora: Cartão de Crédito que funciona essencialmente como um limite de crédito agregador das responsabilidades de curto prazo das empresas junto do banco.
  • Linha Mulher Empreendedora: Linha de crédito com condições atraentes para ENI e PME, com produtos de apoio à tesouraria e ao investimento.
  • Linha de Negócio Mukhero: Linha de crédito com condições atraentes para Mukheristas e membros da Associação Mukhero, com produtos de apoio à tesouraria e ao investimento.
  • “Linha Mulher Empreendedora” e o “Cartão Mulher”: Estes produtos estão associados ao cancro da mama e do útero, visando também o apoio social e à saúde da mulher empreendedora.

Desafios e perspectivas

Embora Moçambique registre avanços econômicos impulsionados pelo setor extractivo, a inclusão financeira ainda enfrenta desafios significativos. A abordagem da FSDMoç, combinando inovação, parcerias estratégicas e capacitação técnica, oferece um modelo replicável e adaptável a diferentes contextos dentro do país.

Com o apoio contínuo de doadores internacionais, como a Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional, e de parceiros locais, a FSDMoç posiciona-se como um catalisador essencial para um futuro financeiro inclusivo e sustentável em Moçambique.

Considerações finais

O impacto da FSDMoç vai além dos números, reflectindo uma mudança estrutural no sector financeiro de Moçambique. Ao colocar as comunidades no centro das suas acções e promover um ambiente propício à inovação, a FSDMoç demonstra como uma abordagem inclusiva pode contribuir para o crescimento económico sustentável e a redução da pobreza.

Acompanhe os programas da FSDMoç aqui.

CTA, BVM E UEM Fomentam o aumento de empresas cotadas na Bolsa

À margem da 17ª edição do Economic Briefing, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), a Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) e a Faculdade de Economia da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) assinaram um Memorando de Entendimento com o objectivo de promover o aumento do número de empresas cotadas na Bolsa. Esta iniciativa visa fortalecer o mercado de capitais em Moçambique, estimulando o crescimento empresarial e oferecendo novas oportunidades de financiamento para as empresas do país.

O Papel da BVM na transformação do mercado de capitais

A Bolsa de Valores de Moçambique assume um papel fundamental neste processo, dada a sua expertise técnica e regulatória no sector financeiro. Como entidade principal do mercado de capitais em Moçambique, a BVM tem a capacidade de guiar empresas no processo de cotação, oferecendo as condições necessárias para o crescimento sustentável.

A instituição está empenhada em tornar o mercado de capitais mais acessível, não apenas para grandes empresas, mas também para pequenos e médios negócios, que poderão aproveitar as vantagens de uma maior visibilidade e de acesso a financiamentos por meio da emissão de ações e outros instrumentos financeiros.

A CTA e a mobilização do sector privado

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) tem um papel estratégico na mobilização das empresas do sector privado, facilitando o diálogo entre os empresários e as instituições financeiras. A CTA será responsável por sensibilizar o sector privado sobre a importância da cotação na bolsa, ajudando a esclarecer os benefícios de um acesso mais facilitado ao capital e de uma maior transparência na gestão das empresas.

A organização, ao representar uma vasta rede de empresários, pode ser um ponto de encontro crucial para estimular a adesão das empresas a este processo, particularmente nas áreas onde o sector privado tem mostrado um maior potencial de crescimento.

A Faculdade de economia da UEM e a formação académica e técnica

A Faculdade de Economia da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), como implementadora deste projecto, irá combinar sua experiência académica com a sua capacidade de oferecer formação prática. A colaboração com a UEM permitirá não só a criação de programas de formação direcionados aos empresários e gestores, mas também a realização de pesquisa aplicada que identifique as melhores práticas e estratégias para o alargamento do número de empresas cotadas na bolsa. Além disso, a universidade contribuirá com assessoria técnica, formando uma ponte entre a teoria e a prática, o que é essencial para assegurar que as empresas estejam devidamente preparadas para este novo passo no mercado financeiro.

Objectivos e benefícios esperados

O principal objectivo desta colaboração é aumentar o número de empresas cotadas na Bolsa de Valores de Moçambique, o que trará uma série de benefícios para a economia nacional. A cotação na bolsa oferece às empresas uma plataforma para captação de recursos, o que pode ser um impulso significativo para o crescimento e expansão dos negócios. Ademais, a presença em mercados de capitais ajuda a aumentar a transparência e a confiança nas empresas, o que, por sua vez, pode atrair mais investidores nacionais e estrangeiros.

Para a economia moçambicana, o alargamento do mercado de capitais representa uma oportunidade de crescimento sustentável, gerando mais empregos, maior dinamismo económico e, eventualmente, uma maior integração de Moçambique nos mercados financeiros internacionais.

Uma parceria estratégica

Este Memorando de Entendimento entre a CTA, a BVM e a Faculdade de Economia da UEM é um passo importante para o desenvolvimento económico de Moçambique, oferecendo às empresas locais uma via mais sólida e estruturada para o crescimento. A colaboração entre o sector privado, a academia e a bolsa de valores é fundamental para garantir que o país aproveite ao máximo as potencialidades do mercado de capitais, gerando benefícios duradouros para as empresas e para a economia nacional como um todo.

A concretização deste projecto é uma prova do compromisso de Moçambique com a modernização do seu mercado financeiro e com a criação de um ambiente empresarial mais robusto e competitivo.

Aumento do negócio no terceiro trimestre na ordem de 53%

De acordo com o Economic Briefing divulgado pela Confederação das Associações Económicas (CTA) no dia 12 de Dezembro de 2024, o terceiro trimestre de 2024 registou uma evolução positiva, com o índice do ambiente macroeconómico a subir 5 pontos, passando de 48 para 53. Este crescimento é explicado pela redução dos preços dos produtos agrícolas e pela manutenção da política de preços dos combustíveis. A oferta de produtos agrícolas aumentou, aliviando a inflação, que caiu de 4,68% para 3,88%. Estes factores contribuíram para um ambiente de maior estabilidade, essencial para o fomento do investimento e crescimento económico sustentável.

Desafios no sector empresarial: Contração do Índice de Regularidade Empresarial Nacional

Apesar do crescimento no índice de ambiente macroeconómico, o Índice de Regularidade Empresarial Nacional sofreu uma queda de 30% em comparação com o trimestre anterior. A principal razão para este retrocesso foi a redução no volume de vendas, que resultou do aumento dos custos de insumos e das dificuldades em adaptar-se à necessidade crescente de inovação tecnológica. Este fenómeno foi prejudicial, principalmente para as pequenas e médias empresas, que continuam a enfrentar desafios de competitividade, afectando negativamente a confiança no curto-prazismo da economia.

Campanha de comercialização agrícola: Um pilar para a estabilidade do mercado

A campanha de comercialização agrícola foi um fator chave para a melhoria da oferta de produtos e para garantir a estabilidade do mercado. No entanto, a contenção de custos, especialmente na gestão de recursos humanos e logísticos, foi uma prioridade para as empresas. A pressão sobre os custos e a incerteza económica afetaram o desempenho das empresas, que tiveram de ajustar as suas operações para sobreviver. O aumento dos custos de insumos e a necessidade de inovação tecnológica mantiveram as empresas sob pressão.

Política de preços dos combustíveis: Efeitos negativos no desempenho empresarial

A manutenção dos preços dos combustíveis teve um impacto significativo sobre as empresas. Embora essencial para garantir a estabilidade macroeconómica, esta política aumentou os custos operacionais, forçando as empresas a reajustar os preços dos seus produtos. Esse ajuste resultou em uma contração nas margens de lucro e dificultou o crescimento do sector empresarial, afetando a competitividade das empresas moçambicanas.

Perspectivas: Crescimento e sustentabilidade económica

O aumento do índice do ambiente macroeconómico e a melhoria na oferta de produtos agrícolas são sinais positivos para a economia moçambicana. Contudo, para que o crescimento observado no terceiro trimestre se traduza em ganhos duradouros, será necessário continuar a promover políticas públicas que incentivem a inovação e a competitividade. Apenas com um ambiente de negócios mais estável e uma resposta eficaz aos desafios do sector empresarial, Moçambique poderá alcançar um crescimento económico sustentável que beneficie toda a população.

Avanços e desafios no caminho para a sustentabilidade económica

O desempenho económico de Moçambique no terceiro trimestre de 2024 revela um cenário de avanços significativos e desafios persistentes. A melhoria no ambiente macroeconómico e o aumento da oferta de produtos agrícolas são factores promissores, mas a fragilidade do sector empresarial, marcada pelos custos elevados e pela incerteza política, exige uma resposta coordenada entre governo, sector privado e sociedade civil. Apenas com uma abordagem integrada será possível garantir a sustentabilidade do crescimento e o fortalecimento da economia moçambicana. (Simão Djedje)

“Best Before” vs. “Expiry Date”: Compreender para consumir com segurança

verificacao-de-validade-de-produtos-html

Ao olhar para os rótulos dos alimentos, é comum encontrar duas indicações de tempo: “Melhor Antes” e “Data de Validade”. Embora possam parecer semelhantes, estas datas têm significados distintos que influenciam tanto a segurança alimentar como a qualidade dos produtos. Compreender a diferença entre elas é essencial para evitar riscos de saúde e contribuir para a redução do desperdício alimentar.

O que é a Data de Validade?

A “Data de Validade” é a data limite até à qual o alimento pode ser consumido de forma segura. Após essa data, o produto pode representar riscos para a saúde, pois as suas características podem deteriorar-se ao ponto de causar intoxicações alimentares. Esta indicação é especialmente importante em produtos perecíveis, como lacticínios, carnes e peixes.

Por exemplo, se uma lata de cogumelos apresenta a “Data de Validade” como 5 de Dezembro de 2024, isto significa que, a partir desta data, o consumo do produto deixa de ser seguro. Assim, alimentos cujo prazo de validade tenha expirado devem ser descartados sem excepções. Este cuidado está directamente relacionado com a protecção da saúde do consumidor.

O que significa “Melhor Antes”?

Por outro lado, a expressão “Melhor Antes” refere-se à data até à qual o produto mantém a sua qualidade ideal em termos de sabor, textura, cor e valor nutricional. Após essa data, o alimento pode começar a perder algumas destas características, mas continua seguro para consumo, desde que as suas condições de armazenamento tenham sido respeitadas.

Por exemplo, se um pacote de bolachas indica “Melhor Antes de 31 de Julho de 2025”, isso significa que, após essa data, as bolachas podem perder um pouco da sua crocância ou sabor original, mas ainda são seguras para comer. Este tipo de prazo é comum em produtos como massas, arroz, enlatados e snacks.

A importância de compreender a diferença

A distinção entre estas duas datas tem implicações práticas significativas. A “Data de Validade” é uma questão de segurança alimentar: alimentos consumidos após esta data podem representar um perigo real. Já o “Melhor Antes” está relacionado com a experiência de qualidade e não com a segurança. Ignorar esta diferença pode levar ao desperdício desnecessário de alimentos ainda próprios para consumo.

Por exemplo, um estudo recente mostrou que muitos consumidores descartam produtos logo após a data indicada como “Melhor Antes”, sem compreender que estes ainda são seguros para consumo. Esta prática aumenta o desperdício alimentar, um problema crítico no contexto global de insegurança alimentar e escassez de recursos.

Como agir de forma consciente

  • Verificar as condições de armazenamento: Produtos armazenados de forma inadequada podem deteriorar-se antes do prazo indicado, tanto para “Melhor Antes” como para a “Data de Validade”. É fundamental seguir as instruções do fabricante.
  • Avaliar sensoriamente os alimentos: No caso de produtos com “Melhor Antes”, avalie o cheiro, a textura e o sabor antes de decidir descartá-los.
  • Evitar o desperdício: Produtos ainda seguros após a data de “Melhor Antes” podem ser consumidos ou doados, contribuindo para a redução de desperdício alimentar.

Considerações finais

Enquanto a “Data de Validade” é uma linha vermelha que não deve ser ultrapassada para evitar riscos de saúde, a indicação “Melhor Antes” permite uma maior flexibilidade, focando-se na qualidade ideal do produto. Educar-se sobre estas diferenças é um passo essencial para consumir de forma segura, económica e responsável, ajudando simultaneamente a combater o desperdício alimentar.

Com esta compreensão, consumidores podem tomar decisões mais informadas, aproveitando ao máximo os alimentos sem comprometer a segurança ou a qualidade.

“Best Before” vs. “Expiry Date”: Understanding for Safe Consumption

verificacao-de-validade-de-produtos-html
When looking at food labels, it is common to come across two time indications: “Best Before” and “Expiry Date.” While they may seem similar, these dates have distinct meanings that impact both food safety and product quality. Understanding the difference between them is essential to avoid health risks and contribute to reducing food waste.

What is the Expiry Date?

The “Expiry Date” is the last day the food can be consumed safely. After this date, the product may pose health risks as its characteristics could deteriorate to the point of causing food poisoning. This indication is particularly important for perishable products such as dairy, meat, and fish.

For example, if a can of mushrooms has an “Expiry Date” of December 5, 2024, it means that from this date onwards, the product is no longer safe to consume. Foods whose expiry dates have passed should be discarded without exception. This precaution is directly linked to protecting consumer health.

What does “Best Before” mean?

On the other hand, the term “Best Before” refers to the date until which the product maintains its ideal quality in terms of taste, texture, color, and nutritional value. After this date, the food may start to lose some of these characteristics but remains safe to eat, provided that proper storage conditions have been maintained.

For example, if a pack of biscuits says “Best Before July 31, 2025,” it means that after this date, the biscuits may lose some of their crispness or original flavor, but they are still safe to consume. This type of date is common for products such as pasta, rice, canned goods, and snacks.

The Importance of Understanding the Difference

The distinction between these two dates has significant practical implications. The “Expiry Date” is a matter of food safety: consuming foods after this date may present a real danger. The “Best Before” date, however, is related to the quality experience, not safety. Ignoring this difference can lead to unnecessary food waste of products still safe to eat.

For instance, a recent study showed that many consumers discard products immediately after the “Best Before” date without understanding that they are still safe to consume. This practice increases food waste, a critical issue in the global context of food insecurity and resource scarcity.

How to Act Consciously

  • Check storage conditions: Products stored improperly can deteriorate before the indicated date, both for “Best Before” and “Expiry Date.” It is important to follow the manufacturer’s instructions.
  • Sensory evaluation of food: For products with a “Best Before” date, assess the smell, texture, and taste before deciding to discard them.
  • Avoid waste: Products still safe after the “Best Before” date can be consumed or donated, helping to reduce food waste.

Final Considerations

While the “Expiry Date” is a red line that should not be crossed to avoid health risks, the “Best Before” date offers more flexibility, focusing on the product’s ideal quality. Educating oneself about these differences is an essential step toward safe, economical, and responsible consumption, while also helping to combat food waste.

With this understanding, consumers can make more informed decisions, maximizing the use of food without compromising safety or quality.

Velhos e novos ventos na economia moçambicana

Aerial view of Maputo, Mozambique, showing a vibrant cityscape with tall buildings

Muito recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) escrevia acerca de Mocambique: “Em 2023, a economia moçambicana continuou a recuperar (…), apoiada pelo desenvolvimento no sector extractivo, em particular a plataforma flutuante de GNL do projecto Coral Sul. Está em plena capacidade operacional, o que constitui um grande impulso para a economia.

Prevê-se um crescimento de 5% para 2024. A inflação global diminuiu de forma considerável para 13,8% (…) devido à redução dos preços dos produtos alimentares a nível mundial, à valorização do metical e aos esforços envidados anteriormente pelo banco central no sentido de uma maior restritividade da política monetária.”

Estava assim traçado um cenário optimista e caucionador da política económica do governo moçambicano. Parecia que os fundamentos macroeconómicos da economia de Moçambique estavam, finalmente, sólidos e o crescimento garantido. Faltava fazer chegar ao povo o efeito concreto das melhorias.

No entanto, no passado mês de Outubro um vendaval pareceu abater-se sobre este cenário quase idílico, voltando a mostrar uma tormenta em formação.

Em 2024, o Banco Mundial previa um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 8,3%, ligeiramente superior à estimativa inicial de 8%. No entanto, a Oxford Economics reduziu as previsões para 3,9% este ano e 3,2% em 2025, apontando a violência pós-eleitoral como o principal factor limitante. Esta situação afecta a estabilidade política e económica, comprometendo as condições necessárias para um crescimento sustentável.

Os sectores como a indústria extractiva, a agricultura e os transportes continuam a impulsionar o crescimento. A inflacção em 2024 foi projectada para se manter abaixo dos dois dígitos, em torno de 7%, um reflexo da recuperação económica após os impactos da pandemia e das perturbações globais.

Apesar desse crescimento, o país enfrenta desafios económicos, como a inflacção e a escassez de divisas. O Banco de Moçambique tem implementado medidas para conter a inflacção e estimular a economia. Em Novembro de 2024, a taxa MIMO foi reduzida, com a Prime Rate a cair de 24,25% para 22,82%. Apesar disso, o volume de crédito à economia manteve-se em cerca de 247 biliões de meticais até Outubro, sem um crescimento substancial.

As manifestações e tensões sociais resultaram em perdas económicas significativas, estimadas em cerca de 2,2% do PIB, segundo a Confederação das Associações Económicas (CTA). Este cenário tem prejudicado a concessão de crédito e a confiança no mercado, afectando o crescimento económico​.

O impacto da política monetária e do crédito à economia

Apesar da redução da Prime Rate em 2024, de 24,25% para 22,82%, o crédito à economia tem apresentado uma resposta limitada. Até outubro de 2024, o volume de crédito manteve-se em torno de 247 biliões de meticais, sem um crescimento substancial. Isto contrasta com o que seria esperado em um ambiente de taxas de juros mais baixas, que deveria estimular a concessão de crédito e a actividade económica​.

A dinâmica entre a política monetária e o crédito à economia é influenciada pelo contexto pós-eleitoral. O ambiente de instabilidade política, caracterizado por tensões e incertezas, tem levado os bancos a adoptarem uma postura conservadora. Estes preferem focar na liquidez e solvência, em vez de expandirem o crédito. Ademais, a elevada percepção de risco tem gerado hesitação por parte das empresas e indivíduos em assumir novas dívidas. Como resultado, a medida de redução da taxa de juro não tem gerado o estímulo esperado para o crescimento económico.

Outros factores estruturais

Além do contexto político, existem factores estruturais que também influenciam a resposta limitada do crédito à economia. O sector bancário em Moçambique é dominado por poucos grandes bancos, o que limita a competição e os incentivos para uma expansão agressiva do crédito. Estes bancos tendem a concentrar-se em segmentos de menor risco, como o financiamento ao governo e grandes empresas, deixando as pequenas e médias empresas (PMEs) com acesso limitado ao crédito.

A informalidade económica também dificulta a avaliação de risco e a execução de garantias, tornando os financiamentos mais arriscados e caros. Embora a redução da Prime Rate tenha o potencial de estimular o crédito, as altas taxas efectivas cobradas aos clientes finais, em parte devido aos prémios de risco elevados, continuam a limitar o impacto da medida. Além disso, o elevado défice fiscal e a crescente dívida pública competem com o sector privado por recursos financeiros, limitando ainda mais o acesso ao crédito​.

A questão das divisas e a gestão cambial

A escassez de divisas tem sido uma preocupação crescente, especialmente desde 2023, quando o Banco de Moçambique suspendeu a provisão de divisas para as importações de combustíveis. A competição por divisas aumentou, dificultando o acesso às mesmas, apesar de o mercado cambial continuar relativamente estável. As reservas internacionais líquidas subiram de 3,0 para 3,6 mil milhões de dólares entre junho de 2023 e junho de 2024, e a taxa de cobertura das importações tem mostrado sinais de estabilidade​.

No entanto, a gestão cautelosa das divisas pelos bancos comerciais tem dificultado o acesso ao mercado cambial para muitas empresas. Esta dificuldade tem alimentado a percepção de escassez de divisas, mesmo quando o Banco de Moçambique sustenta que o mercado permanece estável.

O ambiente eleitoral também influencia a disponibilidade de divisas, com investidores a adiarem decisões de investimento devido à incerteza política. Este atraso na entrada de investimentos externos tem contribuído para uma menor oferta de divisas no mercado, aumentando a pressão sobre os bancos comerciais. Para resolver este problema, é necessário um alinhamento mais eficaz entre o Banco de Moçambique, os bancos comerciais e o sector privado​.

Considerações finais

Embora a redução da taxa MIMO e as políticas monetárias estejam alinhadas com o objectivo de estimular a economia, o impacto dessas medidas tem sido limitado devido ao contexto pós-eleitoral e aos desafios estruturais da economia moçambicana. A instabilidade política, a escassez de divisas e as dificuldades no sector bancário são factores que limitam a eficácia das políticas económicas.

Para que Moçambique possa atingir um crescimento económico sustentável, será necessário um esforço coordenado, incluindo reformas no sector bancário, estabilização política e apoio contínuo ao sector privado. Apenas com uma abordagem integrada será possível transformar a política monetária numa ferramenta eficaz para promover o crescimento económico e a inclusão financeira no país. (Simão Djedje)