Saturday, April 11, 2026
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Old and new winds in Mozambique’s economy

Aerial view of Maputo, Mozambique, showing a vibrant cityscape with tall buildings

Very recently, the International Monetary Fund (IMF) wrote about Mozambique: “In 2023, the Mozambican economy continued to recover (…) supported by developments in the extractive sector, particularly the Coral Sul LNG floating platform. It is fully operational, providing a major boost to the economy.

Growth of 5% is projected for 2024. Overall inflation has significantly decreased to 13.8% (…) due to the reduction in global food prices, the strengthening of the metical, and previous efforts by the central bank to implement more restrictive monetary policies.”

This optimistic outlook seemed to validate the Mozambican government’s economic policies, suggesting that the country’s macroeconomic fundamentals were finally stabilizing, with growth assured. However, the challenge remained to deliver tangible benefits of these improvements to the population.

In October 2023, this almost idyllic scenario faced a setback, revealing a brewing storm.

For 2024, the World Bank projected a GDP growth of 8.3%, slightly above its initial estimate of 8%. However, Oxford Economics lowered its forecast to 3.9% for this year and 3.2% for 2025, citing post-election violence as the main limiting factor. This instability undermines political and economic stability, jeopardizing the conditions necessary for sustainable growth.

Key sectors such as extractive industries, agriculture, and transportation continue to drive growth. Inflation in 2024 is projected to remain in single digits, around 7%, reflecting economic recovery following the pandemic and global disruptions.

Despite this growth, Mozambique faces economic challenges such as inflation and foreign exchange shortages. The Bank of Mozambique has implemented measures to curb inflation and stimulate the economy. In November 2024, the MIMO rate was reduced, and the Prime Rate dropped from 24.25% to 22.82%. Yet, credit volume to the economy remained around 247 billion meticais as of October, with no substantial growth.

The impact of monetary policy and credit to the economy

Despite the reduction in the Prime Rate in 2024, from 24.25% to 22.82%, the response in credit to the economy has been limited. By October 2024, credit volume remained around 247 billion meticais without significant growth. This contrasts with expectations for lower interest rates to stimulate credit and economic activity.

Political instability post-election, characterized by tensions and uncertainties, has made banks adopt a conservative approach, focusing on liquidity and solvency instead of expanding credit. Moreover, a high perception of risk has led businesses and individuals to hesitate in taking on new debt. Consequently, the interest rate reduction has not had the anticipated economic impact.

Structural factors

Beyond political instability, structural factors also limit the credit response. Mozambique’s banking sector is dominated by a few large banks, reducing competition and incentives for aggressive credit expansion. These banks often focus on low-risk segments, such as financing the government and large corporations, leaving small and medium-sized enterprises (SMEs) with limited access to credit.

Economic informality complicates risk assessment and the enforcement of guarantees, making financing riskier and costlier. Although the Prime Rate reduction has the potential to stimulate credit, the high effective rates charged to end clients—due in part to elevated risk premiums—continue to limit the measure’s impact. Additionally, the high fiscal deficit and growing public debt compete with the private sector for financial resources, further constraining credit access.

Currency issues and exchange rate management

Foreign exchange shortages have been a growing concern, especially since 2023, when the Bank of Mozambique suspended forex provision for fuel imports. This increased competition for foreign currency has complicated access, despite the relative stability of the forex market. Net international reserves rose from $3.0 billion to $3.6 billion between June 2023 and June 2024, with import coverage showing signs of stability.

However, cautious forex management by commercial banks has hindered access to the forex market for many businesses. This has reinforced perceptions of forex scarcity, even as the Bank of Mozambique maintains that the market remains stable.

The electoral environment also affects forex availability, as investors delay decisions due to political uncertainty. This delay in foreign investment inflows has contributed to a lower forex supply, increasing pressure on commercial banks. To address this, more effective alignment is needed between the Bank of Mozambique, commercial banks, and the private sector.

Final considerations

While the MIMO rate cut and monetary policies aim to stimulate the economy, their impact has been limited by the post-election context and Mozambique’s structural economic challenges. Political instability, forex shortages, and banking sector constraints undermine the effectiveness of economic policies.

For Mozambique to achieve sustainable economic growth, coordinated efforts are needed, including reforms in the banking sector, political stabilization, and continuous support for the private sector. Only through an integrated approach can monetary policy become an effective tool for driving economic growth and financial inclusion in the country. (Simão Djedje)

Exportações de açúcar do Eswatini ameaçadas devido à instabilidade em Moçambique

A turbulência política e os protestos pós-eleitorais em Moçambique estão a afectar a indústria açucareira do Eswatini levando a interrupções nas cadeias de suprimentos e exportações e a busca de rotas alternativas para os seus produtos.

A indústria açucareira do Eswatini depende muito de um terminal no porto de Maputo, para enviar açúcar bruto para a União Europeia e os Estados Unidos. Este terminal, de propriedade conjunta de Eswatini, África do Sul, Zimbabwe e Moçambique, tem sido vital para a indústria açucareira do país desde meados da década de 1990.

Nontobeko Mabuza, da Associação de Açúcar do Eswatini (ESA na sigla em inglês), alertou que a agitação em Moçambique representa uma grave ameaça às exportações do Eswatini para os mercados regionais e europeus.

“A opção para a exportação do açúcar é o porto de Durban [África do Sul], mas isso representa um custo adicional de mais dez por cento devido à distância, para além de que causa tempos de resposta mais longos, pois as remessas são desviadas de Moçambique para a África do Sul”, disse Mabuza.

Em 2023, a ESA gerou US$ 305 milhões de mais de 26.000 toneladas de exportações de açúcar para os Estados Unidos e outros mercados por meio da Lei de Crescimento e Oportunidades para a África dos EUA.

Mas, de acordo com Bhekizwe Maziya, presidente executivo do conselho nacional de marketing agrícola, a instabilidade de Moçambique causou graves congestionamentos de tráfego e atrasos nas fronteiras com o Eswatini.

O que estava a acontecer, principalmente, disse Maziya, era o fechamento do posto de fronteira de Lebombo entre a África do Sul e Moçambique. “Então o transporte teve de ser redireccionado da África do Sul para o Eswatini a caminho de Moçambique. Os efeitos foram os congestionamentos nas nossas fronteiras e os atrasos que foram experimentados por importadores e exportadores”.

O presidente do conselho da administração (CEO) da ESA, Banele Nyamane, também reiterou que, devido à agitação em Moçambique, é difícil transportar açúcar pelas rotas normais, resultando num aumento nos custos.

“Os custos aumentaram porque Durban é longe e os navios usados são aqueles que viajam para o Quénia, o que também causa atrasos para o produto chegar ao seu destino”, afirmou Nyamane.

No entanto, apesar dos desafios na rota para Maputo, Nyamane disse que a associação está a monitorar a situação e, ocasionalmente, recebe feedback quanto à segurança ou não da rota.

A fonte declarou que, como associação, eles já haviam previsto o que poderia acontecer em Moçambique e, por isso, estavam a trabalhar em conjunto com a Eswatini Railways para garantir que a exportação de açúcar continue.

Os relatórios financeiros da associação de 2023/2024 revelaram que os países europeus importaram açúcar do Eswatini em cerca de 16%.

Enquanto isso, durante o Dia do Sector Privado realizado recentemente, o Director Financeiro da ESA, Andreas Mendes, revelou que, para transportar açúcar, eles tiveram de usar rotas alternativas. Ela destacou ainda os desafios enfrentados pelo sector agrícola, afirmando que eles testemunharam um aumento nos custos dos insumos.

Ela acrescentou que também houve uma interrupção na cadeia de valor do fornecimento, causada pelas guerras geopolíticas emergentes. “Um exemplo é o que tem acontecido em Moçambique que tem impactado o sector do açúcar, pois tivemos de encontrar alternativas de transporte do açúcar para os mercados”, disse a fonte.

O activista político moçambicano Solomon Mondlane disse que a instabilidade pode ter consequências de longo alcance para as economias da África Austral, já que países sem litoral como Eswatini lutam para encontrar outras rotas de exportação para seus produtos.

“Como a agitação não mostra sinais de diminuição, é essencial que os países vizinhos avaliem a sua própria dependência comercial de Moçambique e identifiquem rotas alternativas, se necessário, para mitigar potenciais interrupções”, disse Mondlane.

Outro analista político, Sibusiso Nhlabatsi, disse que a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral deve fortalecer as suas estratégias de gestão de conflitos internos dentro dos estados-membros, como Moçambique, estabelecendo uma estrutura de responsabilização e garantindo que os estados-membros sejam responsáveis pelo seu impacto na estabilidade regional. (Simão Djedje)

Sugar exports from Eswatini threatened by instability in Mozambique

Political turbulence and post-electoral protests in Mozambique are disrupting Eswatini’s sugar industry, leading to supply chain interruptions, export challenges, and the search for alternative transport routes.

Eswatini’s sugar industry relies heavily on a terminal at the Port of Maputo to ship raw sugar to the European Union and the United States. This terminal, co-owned by Eswatini, South Africa, Zimbabwe, and Mozambique, has been a critical hub for the industry since the mid-1990s.

Nontobeko Mabuza, of the Eswatini Sugar Association (ESA), warned that the unrest in Mozambique poses a significant threat to Eswatini’s sugar exports to regional and European markets. “The alternative export route through Durban [South Africa] adds an extra 10% to costs due to the distance and results in longer response times as shipments are diverted,” Mabuza explained.

In 2023, ESA generated $305 million from over 26,000 tons of sugar exports to the U.S. and other markets under the U.S. African Growth and Opportunity Act (AGOA). However, Bhekizwe Maziya, CEO of the National Agricultural Marketing Board, noted that the instability in Mozambique has caused severe traffic congestion and delays at borders with Eswatini.

The closure of the Lebombo border post between South Africa and Mozambique has been a major issue. “Transportation had to be rerouted from South Africa through Eswatini en route to Mozambique, leading to border congestion and delays for importers and exporters,” Maziya added.

Banele Nyamane, ESA’s CEO, reiterated that transporting sugar along normal routes has become increasingly challenging, resulting in higher costs. “Using Durban is costly as it is further away, and the vessels required often travel to Kenya, causing further delays in product delivery,” Nyamane stated.

Despite the difficulties, Nyamane emphasized that ESA is closely monitoring the situation and receives periodic feedback on route safety. The association had anticipated potential disruptions in Mozambique and collaborated with Eswatini Railways to ensure continued sugar exports.

ESA’s 2023/2024 financial reports show that European countries accounted for around 16% of Eswatini’s sugar imports. During a recent Private Sector Day, ESA’s Chief Financial Officer, Andreas Mendes, highlighted the necessity of alternative routes and emphasized challenges in the agricultural sector, including rising input costs and supply chain disruptions exacerbated by geopolitical tensions.

Mozambican political activist Solomon Mondlane warned of the broader implications of instability, stating, “The unrest could have far-reaching consequences for Southern African economies, especially landlocked countries like Eswatini, which struggle to find alternative export routes.”

Political analyst Sibusiso Nhlabatsi urged the Southern African Development Community (SADC) to enhance conflict management strategies within member states like Mozambique. “It is critical to establish accountability frameworks and ensure member states are responsible for their impact on regional stability,” Nhlabatsi concluded. (Simão Djedje)

Aprovada a moeda comemorativa do 45.º aniversário do Metical

Dívida pública

O Governo aprovou, esta terça-feira (10), o Decreto que autoriza a emissão da Moeda Comemorativa alusiva ao 45.º Aniversário da Criação do Metical. O Secretariado do Conselho de Ministros explica que a emissão da Moeda Comemorativa alusiva ao 45.º Aniversário da Criação do Metical tem por objectivo promover a história do Metical a nível nacional e além-fronteiras. O 45.º Aniversário da Criação do Metical celebra-se a 16 de Junho de 2025.

Moeda comemorativa é um “dinheiro” especial que pode ser lançado para celebrar eventos importantes, como aniversários, datas históricas, entre outros. A grande maioria das moedas comemorativas é utilizada para fins de colecção, ainda que alguns países emitam moedas desta categoria para circulação legal quotidiana. Um vasto número de moedas temáticas é regularmente emitido, destacando monumentos, lugares ou personalidades históricas, espécies ameaçadas, entre outras motivações.

Historicamente, as moedas emitidas por qualquer Estado sempre reflectiram a situação política ou económica actual. Muitas moedas antigas e pré-modernas certamente comemoram eventos em tempos contemporâneos. Por exemplo, moedas romanas frequentemente têm referências a campanhas militares e à derrota de potências estrangeiras.

O primeiro Metical foi instituído no país em 16 de Junho de 1980 e utilizado até 2006. Em poucos anos de uso, o primeiro Metical já havia sido afectado pela hiperinflação e foi considerada a moeda mais desvalorizada do mundo até Agosto de 2005.

Em 1 de Julho de 2006, o Governo de Moçambique redenominou o Metical, sendo necessário dividir o valor expresso do antigo Metical por 1.000 para calcular o novo Metical. Novas moedas e notas foram introduzidas e o ISO 4217 foi alterado de MZM para MZN. O símbolo oficial também foi substituído de MT para MTn. O antigo Metical foi trocado pelo novo até 31 de Dezembro de 2012.

No dia 16 de Junho de 2024, foi lançada a terceira família de notas e moedas, com uma nova imagem. No ano em que o Metical comemora o 45.º Aniversário de existência, o Banco de Moçambique celebra 50 anos de sua criação.

Syrah declara força maior para mina de grafite em Moçambique

As acções da Syrah Resources Ltd. despencaram após a mineradora australiana declarar força maior para a sua mina de grafite em Balama, Moçambique, devido à contínua agitação civil, o que resultou no incumprimento de empréstimos garantidos pelo governo dos EUA.

O valor das acções caiu até 32%, encerrando o dia com uma queda de 28%, cotadas a 19 centavos australianos (12 centavos de dólar). Em novembro de 2022, os papéis eram negociados a cerca de 2,62 dólares australianos.

Desde o início de outubro, Moçambique tem sido palco de protestos contra o resultado de eleições controversas. Pelo menos 100 mortes foram registadas, a maioria de manifestantes atingidos durante confrontos com a polícia. Centenas de pessoas ficaram feridas e milhares foram detidas.

Em dezembro de 2021, a Syrah firmou um acordo com a Tesla Inc. para fornecer grafite da sua planta em Louisiana, que utiliza o material extraído em Balama.

“Os impactos e a duração das ações de protesto desencadearam eventos de incumprimento nos empréstimos da empresa com a Corporação Financeira Internacional de Desenvolvimento dos EUA (DFC) e o Departamento de Energia dos EUA”, informou a Syrah em um comunicado na quinta-feira.

A empresa tinha garantido um empréstimo vinculativo de 150 milhões de dólares com a DFC para fornecer capital de longo prazo para Balama. Além disso, recebeu cerca de 98 milhões de dólares do Departamento de Energia dos EUA para construir uma instalação de processamento nos EUA.

O transporte para a mina de Balama, que fornece grafite essencial para baterias de veículos elétricos, bem como a operação da planta de processamento, continuou interrompido. Os trabalhadores foram enviados para casa, e contratados de segurança permanecem no local.

“Os esforços contínuos da empresa para alcançar uma resolução positiva das ações de protesto através de diálogo legal e construtivo com autoridades governamentais de Moçambique, líderes da comunidade anfitriã e manifestantes, bem como por vias legais, não tiveram sucesso até o momento”, declarou a Syrah.

No início desta semana, a South32 Ltd., também sediada em Perth, retirou a sua orientação para a fundição de alumínio em Moçambique, citando interrupções no transporte de matérias-primas.

O maior acionista da Syrah é o fundo de pensões AustralianSuper Pty Ltd., que detém 32% das ações da empresa. Em comunicado, o fundo informou que “está em discussões regulares com a empresa e outras partes interessadas chave sobre a situação e continua a monitorizá-la”.

Estimativas de crescimento do PIB para 2024 e 2025 reduzidas

Shot of an attractive young female farmer working the fields with her husband in the background.

A Oxford Economics reduziu as previsões de crescimento económico de Moçambique para este ano e o próximo, devido à violência pós-eleitoral, antecipando agora um crescimento de 3,9% em 2024 e de 3,2% em 2025.

“Reduzimos a nossa previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,4% para 3,9% este ano e de 4,1% para 3,2% no próximo ano”, escreveram os analistas no mais recente comentário sobre a evolução da economia moçambicana.

Na análise, enviada a investidores e à qual a agência Lusa teve acesso, o departamento africano desta consultora britânica destaca que “as perspetivas para a economia são frágeis devido aos riscos políticos”.

Os analistas alertam que, “sem a confirmação dos resultados eleitorais pelo Conselho Constitucional e com um acordo negociado de partilha de poder altamente improvável, a violência mortal pós-eleitoral irá prolongar-se indefinidamente”.

A violência que se seguiu ao anúncio dos resultados das eleições de 9 de outubro ameaça “a tranquilidade das operações fronteiriças e portuárias, bem como a continuidade dos projetos de infraestruturas financiados por operadores estrangeiros”.

“São prováveis novos atrasos no projeto da TotalEnergies no norte do país, essencial para as perspetivas de desenvolvimento económico deste país lusófono”, detalham.

Nos documentos de suporte ao Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2024, o governo moçambicano prevê um aumento do Investimento Direto Estrangeiro (IDE) para 4,778 mil milhões de dólares (4,538 mil milhões de euros), impulsionando um crescimento do PIB de 5,5% este ano. No entanto, estas previsões foram feitas antes de outubro e não consideram o impacto económico das paralisações e tumultos que se seguiram ao anúncio dos resultados eleitorais.

O governo moçambicano também antecipava que o IDE duplicaria este ano, impulsionado pela exploração de gás natural, para mais de 3,5 mil milhões de euros, após ter crescido 48% no primeiro semestre. Contudo, este objetivo parece difícil de atingir devido à forte desaceleração no último trimestre.

Segundo a organização não-governamental Plataforma Eleitoral Decide, pelo menos 110 pessoas morreram em manifestações pós-eleitorais desde 21 de outubro. Estas manifestações, que incluem paralisações de atividades, bloqueios de estradas, portos e passagens fronteiriças, surgem em resposta aos apelos do candidato presidencial Venâncio Mondlane, após a Comissão Nacional de Eleições (CNE) anunciar os resultados que atribuíram a vitória a Daniel Chapo, apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), com 70,67% dos votos.

De acordo com a CNE, Mondlane ficou em segundo lugar com 20,32%, mas não reconhece os resultados, que ainda aguardam validação e proclamação pelo Conselho Constitucional.

A pioneira da indústria moçambicana: Onde está e qual o seu legado?

Granary elevator. agro-processing and manufacturing plant for processing and silver silos for drying cleaning and storage of agricultural products, flour, cereals and grain.

Desde a sua implantação em 1998, a Mozal desempenhou um papel crucial na economia de Moçambique, sendo o primeiro megaprojecto industrial do país. Situada no distrito de Boane, na província de Maputo, a Mozal é a única fundição de alumínio em Moçambique e a segunda maior em África, marcando um momento significativo de modernização industrial no pós-guerra civil.

A Mozal foi concebida como parte de um programa governamental destinado a atrair investimentos estrangeiros e revitalizar a economia moçambicana, severamente debilitada após a guerra de 16 anos. Desde o início, a sua produção foi destinada principalmente à exportação, com lingotes de alumínio exportados para mercados globais, sendo a Holanda um dos principais compradores. O projecto é detido pela South32 (47,1%), Mitsubishi (25%), IDC da África do Sul (24%) e o Estado moçambicano (3,9%).

Entre a relevância económica e as controvérsias fiscais

A Mozal tem sido fundamental no aumento das receitas de exportação de Moçambique. Em 2023, o alumínio foi o terceiro maior produto de exportação, gerando 1,1 mil milhões de dólares. Apesar da sua importância económica, a Mozal também é frequentemente criticada pela limitada contribuição fiscal, usufruindo de isenções de impostos que minimizam os benefícios directos para o governo moçambicano.

Adicionalmente, a empresa impulsiona a economia local através de iniciativas como uma linha de crédito de 77 milhões de Meticais para pequenas e médias empresas, beneficiando mais de 240 empreendedores na província de Maputo. Em termos de emprego, a Mozal é um dos maiores empregadores industriais do país, com a maioria da força de trabalho composta por moçambicanos.

Como a Mozal enfrenta os ventos contrários de Moçambique?

Nos últimos anos, a Mozal enfrentou desafios operacionais decorrentes de factores políticos e económicos. Em 2024, os protestos após as eleições controversas em Moçambique afectaram o transporte de matérias-primas para a fundição. Ainda assim, a South32, que administra a Mozal desde 2015, implementou planos de contingência para manter as operações. A produção anual de alumínio, projectada em 360 mil toneladas até junho de 2025, reflecte o compromisso contínuo da empresa com a resiliência e eficiência.

Construindo pontes entre a produção local e o mercado global

Ao longo dos anos, a Mozal também procurou diversificar o uso de seus produtos no mercado interno. Um marco importante foi o fornecimento de 50 mil toneladas de alumínio para a Midal, um dos maiores fabricantes mundiais de cabos, marcando a primeira utilização doméstica significativa de alumínio produzido localmente.

Embora seja uma peça-chave da industrialização de Moçambique, a trajectória da Mozal evidencia a necessidade de um equilíbrio entre os interesses dos investidores internacionais e os benefícios locais. Avançar rumo a uma maior transparência e inclusão pode assegurar que a Mozal continue a ser uma força motriz do desenvolvimento económico de Moçambique.

A história da Mozal ilustra tanto os potenciais quanto os desafios de megaprojectos em economias emergentes, sendo um exemplo emblemático do impacto de iniciativas industriais na transformação de economias dependentes de exportações de commodities básicas​.

APIEX Aprova mais de mil projectos de investimento avaliados em 8,7 Mil milhões de dólares

A Agência para a Promoção de Investimentos e Exportações (APIEX) aprovou, entre 2020 e o terceiro trimestre de 2024, um total de 1026 projectos de investimento, correspondendo a um valor de 7 mil milhões de dólares.

A informação foi divulgada em Maputo pelo ministro da Indústria e Comércio, Silvino Moreno, durante o primeiro Conselho Consultivo da APIEX. O encontro teve como objectivo alinhar os instrumentos de planeamento estratégico da agência e avaliar a execução das suas actividades.

Além dos projectos inicialmente aprovados, foram registadas 391 adendas, elevando o valor global para 8,7 mil milhões de dólares. No mesmo período, a APIEX acompanhou a execução de 829 projectos de um total de 1407 planeados para o quinquénio, o que resultou na criação de 7566 postos de trabalho para cidadãos moçambicanos, contribuindo significativamente para o mercado laboral nacional.

Ao longo do período em análise, a APIEX submeteu ao Conselho de Ministros quatro relatórios anuais detalhados. Estes documentos abordam os projectos aprovados, o grau de implementação e as tendências do investimento privado em Moçambique, fornecendo uma base sólida para ajustes nas políticas de incentivo ao investimento.

Perspectivas económicas

Apesar dos desafios económicos enfrentados, as perspectivas de crescimento para Moçambique no médio prazo são animadoras. A economia nacional deverá registar um crescimento do PIB de 5,4% em 2023, 4,3% em 2024 e impressionantes 13% a partir de 2027, impulsionada pela implementação de novos projectos de gás e petróleo na bacia do Rovuma, localizada em Cabo Delgado.

Paralelamente, o Governo procura diversificar a economia, reduzindo a dependência do gás natural liquefeito (GNL) e promovendo sectores estratégicos definidos no Programa Quinquenal 2020-2024. Esta abordagem visa fomentar um desenvolvimento económico mais equilibrado e sustentável, consolidando Moçambique como um destino atractivo para investimentos privados.

Reforço do papel da APIEX

O trabalho desenvolvido pela APIEX demonstra o papel crucial da agência na captação e monitorização de investimentos, reforçando o compromisso do Governo em criar um ambiente propício para o desenvolvimento económico do país. A criação de milhares de empregos e o acompanhamento rigoroso dos projectos são exemplos concretos da sua contribuição para a transformação económica de Moçambique.

Mais de 13 000 reservas turísticas canceladas no Sul devido aos protestos

Mais de 13.000 reservas turísticas canceladas na província de Gaza, sul de Moçambique, devido a manifestações violentas contestando os resultados das eleições de 9 de Outubro

“Com base no trabalho realizado pelo sector, nomeadamente no bairro de Chidenguele, bem como através de contacto telefónico com as praias do Xai-Xai e Bilene, constatámos uma redução de 50% nas nossas reservas,” disse Dorcídio Mavie, técnico da Direcção de Cultura e Turismo de Gaza.

Os cancelamentos fazem parte de um pacote de 25.708 reservas para as festividades de fim de ano, o que, segundo o técnico, pode afectar o pagamento de salários nos empreendimentos turísticos.

“A perda é maior porque os nossos operadores não conseguirão pagar aos seus trabalhadores nem cobrir outras despesas como água e energia,” explicou.

O candidato presidencial Venâncio Mondlane contesta a vitória de Daniel Chapo, apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder), que venceu as eleições de 9 de Outubro com 70,67% dos votos, de acordo com os resultados anunciados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE).

Segundo a CNE, Mondlane ficou em segundo lugar com 20,32%, mas os resultados ainda não foram validados nem proclamados pelo Conselho Constitucional.

Desde 21 de Outubro, Moçambique tem registado sucessivas paralisações e manifestações convocadas por Mondlane, nas quais pelo menos 103 pessoas perderam a vida, segundo uma actualização divulgada hoje pela organização não governamental (ONG) Plataforma Eleitoral Decide.

De acordo com o relatório publicado pela plataforma de monitorização eleitoral moçambicana, apenas entre 3 e 7 de Dezembro, na fase actual das manifestações, houve 27 mortos, incluindo 10 em Gaza, oito em Nampula e três em Cabo Delgado.

Anteriormente, a ONG também contabilizara pelo menos 274 pessoas baleadas durante as manifestações e paralisações que contestam os resultados das eleições desde 21 de Outubro, além de 3.450 detidos.

Venâncio Mondlane anunciou que os protestos continuariam até que a “verdade eleitoral” fosse restabelecida. (Club Of Mozambique)

Estímulo à Economia: Redução da Taxa MIMO terá efeitos limitados

A recente redução da Taxa de Juro de Política Monetária do Banco de Moçambique, a taxa MIMO, terá efeitos limitados de estímulo à Economia face ao contexto de conflito pós-eleitoral no país, uma vez que está a seguir uma trajectória esperada face às projecções de estabilidade de preços no médio prazo e contexto internacional favorável de preços de commodities.

Contudo, se por um lado esta trajectória é favorável para o estímulo à economia, o contexto pós-eleitoral adverso tem limitado o impacto dessa medida no crédito à economia e, consequentemente, no crescimento económico. Embora reduções na taxa de referência sejam, em teoria, uma ferramenta poderosa para estimular o crédito e a actividade económica, o actual contexto pós-eleitoral e outros facto-res estruturais têm limitado a resposta esperada. Neste artigo, exploramos a dinâmica entre a política monetária, o crédito e os factores macroeconómicos e políticos que condicionam este processo

A Prime rate e o crédito à economia

Os dados recentes mostram que, apesar de uma tendência de redução na Prime Rate desde o início de 2024, o volume de crédito à economia apresentou resposta limitada. Por exemplo, entre janeiro e outubro de 2024, a Prime Rate caiu de 24,25 para 22,82 por cento, enquanto o crédito à economia flutuou levemente, permanecendo em torno de 247 biliões de meticais, sem indicar um crescimento substancial. Este padrão contrasta com o esperado em um ambiente onde as taxas de juros mais baixas deveriam incentivar a concessão de crédito e a demanda por financiamentos.

Contexto Pós-Eleitoral: Um factor limitante

O ambiente pós-eleitoral em Moçambique tem sido marcado por tensões sociais, manifestações e incerteza política. Para além de perdas humanas, resultantes de uma postura violenta da polícia e dos manifes-tantes, esses factores criam um ambiente de elevado risco para bancos e empresas, impactando directamente na disposição dos bancos em conceder crédito e a capacidade dos empréstimos estimularem investimentos pro-dutivos.

Em momentos de instabili-dade, as instituições financeiras tendem a adoptar posturas mais conservadoras, priorizando li- quidez e solvência em detrimento da expansão do crédito. Além disso, o aumento da percepção de risco afecta negativamente os potenciais tomadores de crédito. Empresas e indivíduos podem hesitar em assumir novas dívidas, temendo a redução da demanda por seus produtos e serviços em um ambiente de incerteza económica e política. Este ciclo de cautela reforça o impacto limitado da política monetária no curto prazo.

A Confederação das Associações Económicas (CTA) estima que nas primeiras três primeiras fases das manifestações que totalizaram 10 dias de paralisa-ções, começando por 1, 2 e 7 dias de forma consecutiva levaram a perdas totais e impacto no Produto Interno Bruto (PIB) totalizado cerca de 24.8 mil milhões de meticais, cerca de 2,2 por cento do PIB. Com isto, o crescimento económico de 2024 poderá situa-se a 3,3 por cento bem abaixo do projectado de 5,5 por cento. Com a desaceleração econó-mica, intensificada pela incerteza política, reduz igualmente a demanda por crédito. Empresas enfrentam um mercado interno contraído, o que limita suas necessidades de financiamento para expansão ou novos projetos e, consequentemente, os benefícios que tirariam da redução recente da taxa MIMO.

Outros factores (estruturais)

A resposta limitada do crédito à economia não é apenas reflexo do contexto pós-eleito-ral, mas também de factores estruturais que persistem na economia moçambicana. Por exemplo, o sector bancário em Moçambique é dominado por poucos bancos comerciais, o que reduz a competição e, por consequência, o incentivo para uma expansão mais agressiva do crédi-to. Além disso, esses bancos concentram-se em segmentos de menor risco, como financiamento ao governo e grandes empresas, deixando as pequenas e médias empresas (PME) com acesso restrito ao crédito.

Mesmo com a redução na Prime Rate, as taxas efectivas cobradas aos clientes finais permanecem elevadas, reflectindo prémios de risco altos, custos operacionais elevados e a fragilidade da base de garantias na economia. Este cenário é agravado pela informalidade predominan- te, que dificulta a avaliação de risco e a execução de garantias reais. Por fim, a efectividade da política monetária também depende de um alinhamento com a política fiscal. Em Moçambi-que, o elevado déficit fiscal e a crescente dívida pública resultam em pressão sobre os recursos financeiros internos, competindo com o sector privado por financiamento.

Considerações finais

Em geral, a redução da taxa MIMO, isoladamente, é insuficiente para estimular o crédito à economia em um ambiente marcado por tensões pós-eleito-rais e desafios estruturais. O contexto actual exige uma abordagem mais abrangente, envolvendo reformas no sector bancário, estabilização política e medidas de apoio ao sector privado. Apenas através de um esforço coordenado será possível transformar a política monetária em um instrumento mais eficaz para promover o crescimento económico e a inclusão financeira no pais.

Por: Egas Daniel – Economista