Durante a 10.ª edição da Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique (MMEC), que decorreu em Maputo, Omar Farouk Ibrahim, secretário-geral da Organização Africana dos Produtores de Petróleo, anunciou a criação de um banco de energia para África. A nova entidade visa fortalecer a soberania africana na gestão e exploração sustentável dos seus recursos energéticos.
No seu discurso na MMEC 2024, Omar Farouk Ibrahim detalhou os objectivos e estruturas do recém-anunciado Banco de Energia de África. Segundo o secretário-geral, o banco é uma resposta às necessidades urgentes de financiamento de infra-estrutura energética no continente, focando especialmente nos sectores de petróleo e gás. “Este banco não é apenas uma instituição financeira, é um marco na busca por autonomia energética africana”, afirmou.
Omar Farouk Ibrahim destacou o papel crucial que o banco desempenhará no financiamento de projectos estratégicos, incluindo iniciativas para a transição para energias mais limpas e a modernização de infra-estruturas existentes. “A parceria fundacional com o Banco Africano de Exportação e Importação permitirá que o Banco de Energia de África comece as suas operações com uma base financeira sólida e uma perspectiva pan-africana”, referiu.
O secretário-geral também mencionou a criação de centros regionais de excelência em diversos sectores da indústria de petróleo e gás como parte das iniciativas do banco. “Estes centros serão fundamentais para desenvolver a ‘expertise’ local e garantir que África possa não só gerir, mas também inovar no sector energético”, explicou.
Além disso, Omar Farouk Ibrahim discutiu os desafios socioeconómicos relacionados com a pobreza energética em muitas regiões africanas, criticando a dependência prolongada de ajuda externa e enfatizando que o Banco de Energia de África será uma ferramenta para reverter essa situação. “Precisamos de soluções que sejam desenvolvidas em África e para África. A nossa energia deve beneficiar primeiramente os nossos cidadãos, reduzindo a pobreza e promovendo o desenvolvimento sustentável”, afirmou.
O secretário-geral da Organização Africana dos Produtores de Petróleo encerrou o seu discurso com um apelo para que os países africanos, os investidores internacionais e as comunidades locais vejam o Banco de Energia de África como um parceiro estratégico na realização de um futuro energético mais promissor e sustentável para o continente. “Juntos, podemos transformar desafios em oportunidades e garantir que a nossa riqueza energética seja a chave para o progresso socioeconómico de toda a África”, concluiu.
A criação do Banco de Energia de África é vista como um passo significativo na direcção de uma gestão energética mais independente e inovadora no continente, com a expectativa de que se torne um catalisador para o desenvolvimento e cooperação regional.