Saturday, October 17, 2026
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Petróleo ultrapassa 107 dólares e aumenta pressão sobre economias importadoras

O preço do petróleo voltou a superar os 107 dólares por barril, impulsionado pelo agravamento das tensões no Médio Oriente e pelos receios de interrupções no abastecimento global. O Brent chegou a cerca de 107,5 dólares, depois de ataques contra infra-estruturas petrolíferas na Arábia Saudita e do aumento dos riscos para o transporte marítimo no Estreito de Ormuz e no Bab el-Mandeb.

A situação representa uma nova fonte de pressão para os países importadores de combustíveis. A paralisação temporária do oleoduto saudita East-West, que permite transportar petróleo evitando o Estreito de Ormuz, aumentou as preocupações sobre a oferta internacional.

Para Moçambique, a subida do petróleo constitui um risco sobretudo através da factura de importação de combustíveis. O país continua dependente do mercado internacional para satisfazer grande parte das suas necessidades de gasolina e gasóleo, pelo que uma subida prolongada das cotações pode aumentar os custos de transporte, logística, agricultura e produção industrial.

O impacto pode também chegar ao consumidor através dos preços dos transportes e de outros bens e serviços. Ao mesmo tempo, o Governo enfrenta o desafio de equilibrar a necessidade de manter os preços dos combustíveis controlados com a pressão sobre as contas públicas decorrente de eventuais subsídios ou mecanismos de compensação. Em Maio, o Governo já admitia a possibilidade de rever os preços dos combustíveis perante a subida das cotações internacionais.

Há, contudo, uma particularidade importante na posição de Moçambique: o país também é produtor e exportador de recursos energéticos. Uma cotação internacional mais elevada pode beneficiar as receitas provenientes da indústria extractiva, sobretudo no médio prazo, mas esse ganho não compensa automaticamente o impacto imediato da subida dos combustíveis importados. O benefício dependerá da capacidade de transformar as receitas dos recursos naturais em receitas públicas, investimento e actividade económica.

A actual subida do petróleo expõe, mais uma vez, a vulnerabilidade de economias como a moçambicana aos choques externos. Para Maputo, o desafio passa por evitar que uma crise energética internacional se transforme em inflação doméstica, aumento dos custos empresariais e maior pressão sobre as finanças públicas. Ao mesmo tempo, o episódio reforça a importância de diversificar a matriz energética, acelerar projectos de gás e energias renováveis e desenvolver mecanismos que reduzam a exposição do país à volatilidade dos mercados internacionais de petróleo.

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