Visão geral do país e os padrões demográficos
Moçambique está localizado na costa leste da África Austral e faz fronteira com as Repúblicas da África do Sul e Eswatini, no Sul, da Tanzânia e do Malawi, no Norte e da Zâmbia e Zimbábwe no Centro. A leste, o país é banhado pelo Oceano Índico ao longo de uma costa que se estende por 2.470 quilómetros (km). Com extensão territorial de cerca de 799.380 km2, cerca de 70% corresponde à área terrestre e, desta, mais de 45% é arável.
As projecções do mais recente censo demográfico e de habitação realizados pelo INE indicam que, em 2022, o país possuía cerca de 31,6 milhões de habitantes, com uma idade mediana de menos de 18 anos. O padrão de distribuição da população entre as 11 províncias é muito heterogéneo, com três províncias (Nampula, Zambézia e Tete) a albergarem quase metade da população (mais de 15 milhões de habitantes), como mostra a tabela 1.
A tabela 1 mostra, igualmente, que 65,5% da população (mais de 20 milhões de habitantes) vivem nas zonas rurais e apenas 34,5% vivem nas zonas urbanas, nas cidades capitais e vilas municipais. A estrutura da população por sexo mostra haver mais mulheres que homens em todos os domínios espaciais. Para 2022, o número de mulheres esteve em mais de 1 milhão acima dos homens.
A taxa de analfabetismo, que corresponde à percentagem da população de 15 anos ou mais que não sabe ler nem escrever, tem vindo a diminuir ao longo do tempo. O INE estimou que entre 2019/20, apenas 39,9% da população não sabiam ler e nem escrever, contra os cerca de 50,4% apurados em 2007[1]. Apesar desta expressiva redução, o analfabetismo mantém-se substancialmente elevado nas zonas rurais, onde se estima que um pouco mais da metade da população é analfabeta (52,3%).
A pobreza é igualmente um fenómeno estrutural em Moçambique. Embora os resultados das avaliações nacionais da pobreza realizadas no país mostrarem que, de uma maneira geral, a pobreza tendeu a reduzir nos últimos 20 anos[2], cerca de 46,1% da população ainda é considerada pobre, conforme os dados da quarta avaliação nacional de pobreza de 2014/15. Comparando os dados da incidência da pobreza com os das taxas de analfabetismo, é possível estabelecer uma correlação positiva forte entre a pobreza e a educação. Do quadro 1, nota-se claramente que as províncias com altas taxas de analfabetismo tendem a apresentar índices altos de incidência da pobreza, com expceção da província de Gaza que, apesar de apresentar níveis de analfabetismo baixos (na casa dos 26,1% — terceiro melhor classificado ao nível nacional), foi a quarta província mais pobre do país com uma taxa de incidência de pobreza estimada em 52,1%.
[1] Resultados do terceiro Recenseamento Nacional da População e Habitação (III RGPH 2007)
[2] Primeira avaliação: IOF 1996/97 (69,7%). Segunda avaliação: IOF 2002/03 (52,8%); Terceira avaliação: IOF 2008/09 (51,7%); e Quarta avaliação: 2014/15 (46,1%). Entre parênteses as taxas de incidência da pobreza com base no consumo.

Leia a pesquisa na integra no ficheiro abaixo:
Por: Simão Djedje, Editor e Jornalista.



