Conheça os projectos que estão a transformar Cabo Delgado
O Norte de Moçambique vai receber mais de 2,3 mil milhões de dólares em investimentos estruturantes. A Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) tem em curso um conjunto de programas que prometem criar até 100 mil postos de trabalho até 2029 e o plano já está em marcha.
Francisco Magaia, chefe do escritório da ADIN em Pemba, explicou à AIM a lógica que orienta toda a intervenção em Cabo Delgado: três pilares, por esta ordem assistência humanitária, estabilização e, finalmente, desenvolvimento económico. Uma sequência que não é acidental. É a resposta directa a uma crise que assola a província desde 2017, quando a insurgência armada começou a desmembrar o tecido social e produtivo da região.
O maior programa em execução chama-se PREDIN
No centro desta estratégia está o Programa de Desenvolvimento Integrado do Norte – PREDIN financiado sobretudo pelo Banco Mundial. Com cerca de 30% de execução registada até ao final de 2025, a prioridade declarada da ADIN é agora uma só: acelerar.
Para garantir que a aceleração não se perde em burocracia, a agência lançou o Sistema de Gestão de Projectos do Norte (SGPN), uma plataforma de monitorização que permite identificar em tempo real quais os parceiros com atrasos e acionar medidas correctivas antes que os prazos derrapem definitivamente.
Dinheiro directo para quem produz
A estratégia não fica pelo investimento de grande escala. O programa Conecta Negócios e um Fundo Catalítico de recuperação empresarial garantem financiamento directo a pequenas e médias empresas afectadas pela crise. Vinte e três empresas em Cabo Delgado já começaram a receber entre um e três milhões de meticais — correspondente a 50% do apoio total previsto. A segunda prestação é libertada assim que cada beneficiário demonstre ter aplicado a primeira.
Parques industriais como âncoras do futuro
Nove parques industriais estão identificados em Cabo Delgado, pensados para orbitar em torno dos grandes projectos extractivos da região: gás em Afungi, rubis em Montepuez, grafite em Balama e Ancuabe. A ideia é clara — transformar estes projectos-âncora em cadeias de fornecimento que gerem oportunidades reais para empresas e jovens locais, e não apenas receitas que saem da província sem deixar rasto.
60% dos empregos para jovens, 50% para mulheres
Um dos programas complementares mais concretos é o Investimento Resiliente para o Empoderamento Socioeconómico, Paz e Segurança, financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento com cerca de 17 milhões de dólares. O projecto prevê 24 mil empregos directos, com metas de inclusão explícitas: 60% para jovens e metade para mulheres, beneficiando aproximadamente 100 mil pessoas.
Os números são ambiciosos. A execução, ainda incipiente. Mas a arquitectura do plano integrada, financiada e com mecanismos de controlo sugere que, desta vez, o Norte de Moçambique pode estar perante algo mais do que uma promessa.



