Thursday, March 26, 2026
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Moçambique aposta $2 mil milhões no Porto de Maputo como porta regional

A construção da primeira fase do plano de expansão de 2 mil milhões de dólares do porto foi lançada em Janeiro de 2025. Esta fase inicial, orçada em 164 milhões de dólares, tem como objectivo mais do que duplicar a capacidade do terminal de contentores, passando de 255 mil TEUs (unidades equivalentes a vinte pés) por ano para 530 mil TEUs. As obras de infra-estrutura incluem a extensão do cais em 400 metros, para um total de 650 metros, e o aprofundamento do calado do berço para 16 metros, de modo a acolher navios de maior dimensão.

A dimensão estratégica deste projecto vai além da capacidade portuária. O acordo aprovado pelo governo concede à Maputo Port Development Company (MPDC) uma extensão de concessão de 25 anos, até 2058, com investimentos próximos de 1,1 mil milhões de dólares previstos até 2033. A MPDC é um consórcio que reúne a DP World, a Grindrod sul-africana e a empresa pública ferroviária moçambicana Caminhos de Ferro de Moçambique.

Um modelo assente em corredores, não apenas em cais

A aposta moçambicana não se limita à modernização do porto. O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, sublinhou que o desenvolvimento dos corredores envolve a expansão da capacidade portuária, a modernização das linhas ferroviárias, a melhoria das redes rodoviárias e o investimento em sistemas digitais para facilitar o comércio, reduzir a burocracia e acelerar os processos aduaneiros.

No corredor de Maputo, os progressos são já visíveis. A modernização do posto fronteiriço de Ressano Garcia que deverá tornar-se um posto de passagem único é um dos pilares desta estratégia. A digitalização de processos e as melhorias de infra-estrutura já reduziram significativamente os tempos de espera dos camiões, e o corredor tem emergido como uma das alternativas mais eficientes aos portos sul-africanos congestionados.

A isso somam-se novos investimentos logísticos ao longo do corredor. O Corredor Logístico de Maputo (CLM) anunciou um terminal logístico de 50 milhões de dólares, já operacional, com capacidade de armazenagem superior a 50 mil toneladas, destinado a aliviar a pressão nos postos fronteiriços e a reduzir os custos logísticos para a carga em trânsito pela Província de Maputo.

Os resultados recentes reforçam a solidez desta estratégia. Em 2025, o Porto de Maputo atingiu um máximo histórico de 32 milhões de toneladas métricas de carga, um aumento de 3,4% face às 30,9 milhões de toneladas registadas no ano anterior e isto apesar de perturbações operacionais significativas no final de 2024, causadas por agitação pós-eleitoral. O tráfego ferroviário de mercadorias cresceu de forma acentuada, aumentando 17% em termos homólogos, de 9,7 para 11,7 milhões de toneladas em 2025.

Uma visão multi-corredor para a África Central e Austral

A ambição moçambicana não se confina ao corredor de Maputo. O Ministro dos Transportes delineou planos para modernizar os corredores de Maputo, Beira e Nacala, que servem não apenas Moçambique, mas também países sem litoral como o Malawi, o Zimbabwe, a Zâmbia e a República Democrática do Congo.

A estratégia posiciona Maputo como complemento, e não como concorrente de Durban que movimenta anualmente 3,6 milhões de contentores, muito acima do que Maputo projecta atingir. Mais de 95% do tráfego do porto de Maputo é constituído por mercadorias em trânsito de ou para a África do Sul.

É precisamente esta lógica que torna o modelo moçambicano singular: em vez de competir quay a quay com os grandes portos regionais, Moçambique aposta na eficiência de toda a cadeia logística do produtor no interior ao carregamento no navio. O Banco Africano de Desenvolvimento, um dos parceiros estratégicos, tem salientado que a infra-estrutura física por si só não basta, são necessárias medidas de facilitação do comércio, harmonização aduaneira e reforço institucional para concretizar os benefícios dos corredores.

A competição logística na África Austral pode estar a deixar de ser porto contra porto para se tornar corredor contra corredor. E Moçambique parece ter percebido isso antes de muitos. (Simão Djedje)

Fontes: Reuters, Bloomberg, African Business, FurtherAfrica, Serrari Group, Ecofin Agency, portmaputo.com

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