A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) defendeu, durante a edição 2026 da Mozambique Mining and Energy Conference and Exhibition (MMEC), a necessidade de criação de parques industriais próximos das áreas de implementação dos grandes projectos extractivos e energéticos, como estratégia para acelerar a industrialização, fortalecer o conteúdo local e maximizar o impacto económico dos recursos naturais no país.
A posição foi apresentada no contexto dos debates sobre industrialização, integração regional e criação de valor local, temas centrais da MMEC 2026, realizada em Maputo sob o lema “Mozambique: Open for Business – Unlocking Natural Resources for Industrialisation, Diversification and Inclusive Growth”.
Segundo a CTA, Moçambique continua a enfrentar o desafio de transformar os grandes investimentos nos sectores de mineração, gás e energia em benefícios estruturantes para a economia nacional, sobretudo ao nível da indústria transformadora, geração de emprego qualificado e fortalecimento das Pequenas e Médias Empresas (PMEs).
A organização entende que a criação de parques industriais estrategicamente localizados junto das zonas de operação dos grandes projectos poderá impulsionar cadeias de valor locais, reduzir custos logísticos e criar condições para o surgimento de indústrias de suporte ligadas aos sectores extractivo, energético e de infra-estruturas.
Para a CTA, esta abordagem permitiria aumentar significativamente a participação do sector privado nacional nas oportunidades geradas pelos megaprojectos, promovendo simultaneamente transferência de conhecimento, desenvolvimento tecnológico e maior integração económica regional.
O posicionamento surge numa altura em que Moçambique procura consolidar-se como um dos principais destinos de investimento energético e mineiro em África, impulsionado pela retoma de grandes projectos de gás natural liquefeito (GNL), expansão da capacidade energética e novos investimentos em mineração e infra-estruturas.
Durante os painéis da MMEC 2026, os participantes destacaram igualmente a importância de corredores logísticos, infra-estruturas energéticas e zonas industriais integradas como elementos fundamentais para acelerar a transformação económica baseada nos recursos naturais.
O Presidente da CTA, Álvaro Massingue, tem vindo a defender uma nova abordagem de desenvolvimento económico assente em investimentos estruturantes, parcerias público-privadas mais eficazes e criação de condições para tornar Moçambique mais competitivo na atracção de capital e industrialização sustentável.
A CTA considera que o país dispõe de potencial estratégico para desenvolver polos industriais ligados ao gás, mineração, energia e agro-indústria, desde que exista alinhamento entre políticas públicas, investimento privado, infra-estruturas e mecanismos de financiamento adequados.
A MMEC 2026 reuniu líderes governamentais, investidores, operadores do sector energético e mineiro, instituições financeiras e representantes do sector privado nacional e internacional para discutir soluções de industrialização, segurança energética, conteúdo local, financiamento de projectos e desenvolvimento sustentável.



