Os cinco maiores bancos moçambicanos obtiveram lucros líquidos de cerca de 8.003 milhões de meticais (107 milhões de euros) no primeiro semestre de 2026, o equivalente a aproximadamente 44,2 milhões de meticais por dia, segundo dados compilados pela Lusa a partir das demonstrações financeiras das instituições.
O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) liderou os resultados, com lucros consolidados de 3.344 milhões de meticais (45 milhões de euros). O banco, que conta com cerca de 2,5 milhões de clientes, manteve assim a liderança do sistema bancário moçambicano.
Em segundo lugar ficou o Standard Bank Moçambique, com lucros de 2.244 milhões de meticais (30 milhões de euros). Seguiram-se o Absa Bank Moçambique, com 1.094 milhões de meticais (15 milhões de euros), e o Millennium BIM, com 1.048 milhões de meticais (14,1 milhões de euros). O Moza Banco registou lucros de 273,9 milhões de meticais (3,8 milhões de euros).
Os resultados do primeiro semestre mostram desempenhos distintos entre as instituições. No Millennium BIM, os lucros recuaram 37,2% face aos primeiros seis meses de 2025, enquanto o Absa registou um crescimento homólogo de 29,6%, beneficiando da redução das perdas esperadas associadas ao crédito.
O Moza Banco, por sua vez, regressou aos resultados positivos, depois de ter registado prejuízos de 149,6 milhões de meticais (2,1 milhões de euros) no mesmo período do ano passado.
Activos ultrapassam 837 mil milhões de meticais
Em conjunto, os cinco bancos encerraram o primeiro semestre com activos superiores a 837.700 milhões de meticais (11,3 mil milhões de euros). Os depósitos de clientes ultrapassaram 649.100 milhões de meticais (8,77 mil milhões de euros), enquanto a carteira agregada de crédito atingiu 183.100 milhões de meticais (2,47 mil milhões de euros).
Os resultados surgem depois de um 2025 marcado pela pressão do risco soberano sobre o sector bancário moçambicano. Nesse ano, os lucros anuais do BCI caíram 40,3%, para 3.604 milhões de meticais (48,6 milhões de euros), enquanto o Millennium BIM encerrou o exercício com apenas 201 milhões de meticais (2,7 milhões de euros), fortemente afectado pelas imparidades associadas à dívida pública.
No Standard Bank, os lucros anuais diminuíram 26%, para 4.526 milhões de meticais (60,4 milhões de euros).
Apesar do contexto adverso, o BCI manteve em 2025 a liderança do sistema bancário moçambicano, com as maiores quotas de mercado em depósitos, crédito e activos.
Estrutura accionista
O BCI tem um capital social de 10 mil milhões de meticais, sendo 51% detidos pela Caixa Participações, do grupo português Caixa Geral de Depósitos, 35,67% pelo BPI e 10,51% pela própria CGD, entre outros accionistas.
O Millennium BIM é controlado em 66,69% pelo Millennium BCP, através da BCP África. O Estado moçambicano detém 17,12%, enquanto o Instituto Nacional de Segurança Social possui 4,95% e a Empresa Moçambicana de Seguros 4,15%.
O Standard Bank Moçambique é controlado em 98,15% pela Stanbic Africa Holdings Limited, sociedade integralmente detida pelo grupo sul-africano Standard Bank Group.
No Absa Bank Moçambique, 98,68% do capital pertence ao grupo sul-africano Absa, cabendo os restantes 1,32% a accionistas minoritários.
Já o Moza Banco, que foi intervencionado pelo Banco de Moçambique em 2016, é actualmente detido em 66,1% pela Kuhanha – Sociedade Gestora do Fundo de Pensões dos Trabalhadores do Banco de Moçambique, em 30,7% pela Arise B.V. e em 3,2% pela Moçambique Capitais.
Fonte: Lusa



