A qualidade dos serviços móveis em Moçambique registou avanços em 2025, sobretudo no serviço de voz, mas os operadores continuam a enfrentar desafios na disponibilidade das redes, cobertura e desempenho dos serviços de dados, segundo a Campanha Nacional de Avaliação da Qualidade de Serviço (QoS) realizada pelo Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM).
A avaliação, realizada entre Junho e Novembro de 2025, analisou o desempenho das redes da Tmcel, Vodacom e Movitel nas tecnologias 2G, 3G e 4G, em 31 áreas geográficas das regiões Sul, Centro e Norte do país.
Os resultados mostram que nenhum dos três operadores cumpriu a meta estabelecida pelo INCM relativamente à disponibilidade da rede, indicando limitações na garantia de acesso contínuo aos serviços de telecomunicações durante as 24 horas do dia.
No serviço de voz, contudo, os operadores apresentaram um desempenho positivo, com elevados níveis de sucesso no estabelecimento de chamadas, baixos índices de chamadas interrompidas e qualidade de áudio dentro dos padrões definidos pelo regulador.
Na cobertura de rede, persistem diferenças entre operadores e tecnologias. Na tecnologia 2G, Tmcel e Movitel registaram incumprimentos de 3,23%. Já no 3G, a Tmcel apresentou o maior nível de incumprimento, com 51,62%, correspondente a 15 áreas avaliadas, seguida da Vodacom e Movitel, ambas com 19,36%.
Na tecnologia 4G, a Tmcel voltou a apresentar o maior número de incumprimentos, com 42%, equivalente a 15 áreas geográficas, seguida da Vodacom, com 25,81%, e da Movitel, com 16,13%.
O desempenho dos serviços de dados revelou maiores desafios, sobretudo nas redes 3G e 4G. Na tecnologia 3G, a Tmcel registou incumprimentos em 77,41% das áreas avaliadas, seguida da Movitel, com 54,83%, e da Vodacom, com 16,12%.
Na rede 4G, a Tmcel apresentou novamente o maior nível de incumprimento, com 80,64%, enquanto a Movitel registou 70,96%. A Vodacom apresentou o melhor desempenho neste indicador, com incumprimentos de 6,45%.
Segundo o INCM, os resultados demonstram uma evolução consistente na qualidade dos serviços móveis, particularmente na componente de voz, mas revelam a necessidade de novos investimentos para melhorar a disponibilidade das redes, expandir a cobertura de banda larga móvel e elevar a qualidade dos serviços de internet.
A avaliação reforça o desafio dos operadores em acompanhar a crescente procura por serviços digitais, num contexto em que a conectividade se torna cada vez mais essencial para empresas, instituições e cidadãos.



