O serviço da dívida externa de Moçambique caiu 82,1% no segundo trimestre de 2026, para 139,21 milhões de dólares, depois de o primeiro trimestre ter sido marcado pelo pagamento antecipado de 698,6 milhões de dólares ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Segundo o Ministério das Finanças, a redução reflecte, além da reprogramação de alguns pagamentos, a operação extraordinária realizada em Março, quando Moçambique liquidou antecipadamente os financiamentos contraídos ao abrigo do Fundo para a Redução da Pobreza e o Crescimento (PRGT) do FMI.
No segundo trimestre, do total de 139,21 milhões de dólares pagos, 115,75 milhões corresponderam à amortização de capital e 23,46 milhões a juros. No trimestre anterior, o serviço da dívida externa tinha atingido 776,47 milhões de dólares.
A operação de Março foi financiada através das Reservas Internacionais Líquidas (RIL) e permitiu a amortização integral antecipada dos compromissos com o FMI abrangidos pela operação.
Entre Abril e Junho, os credores multilaterais receberam 73,39 milhões de dólares, enquanto os credores bilaterais receberam 65,82 milhões. A Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA), braço concessional do Banco Mundial, foi o principal credor multilateral, com 73,39 milhões de dólares em amortizações e juros.
Entre os credores bilaterais destacaram-se Portugal, China, Índia e Japão. Portugal recebeu 26,69 milhões de dólares, entre capital e juros, enquanto os pagamentos à China, Índia e Japão foram sobretudo relativos à amortização de capital.
No mesmo período, Moçambique recebeu 50,02 milhões de dólares em novos desembolsos externos, dos quais 81,3% provenientes de instituições multilaterais, principalmente da IDA.
Apesar da forte redução do serviço trimestral, a dívida externa totalizava 8,85 mil milhões de dólares no final de Junho, menos 0,8% face ao trimestre anterior. Os credores multilaterais representavam 52,2% da carteira, os bilaterais 37,7% e a obrigação soberana MOZAM 2032, no valor de 897 milhões de dólares, correspondia a 10,1% do total.
Fonte: Lusa



