Monday, October 19, 2026
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ENH negoceia novo projecto de gás de 250 milhões de dólares em Moçambique

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) está a negociar com potenciais investidores, incluindo a sul-africana Sasol e a companhia de gasodutos ROMPCO, a implementação de um novo projecto de gás natural em Moçambique.

O projecto está integrado na estratégia do país para se afirmar como um “hub energético” regional. A iniciativa surge num momento em que Moçambique procura garantir novos mercados para o seu gás e responder à crescente procura de energia na África Austral.

O empreendimento deverá envolver um investimento de cerca de 250 milhões de dólares. O projecto prevê a instalação de unidades flutuantes de armazenamento e regaseificação (FSRU) em Inhassoro e no Porto da Beira.

As duas instalações deverão ser ligadas através de um novo gasoduto com aproximadamente 140 quilómetros. A infraestrutura permitirá a ligação à rede da ROMPCO, principal corredor de transporte de gás entre Moçambique e o complexo industrial de Secunda, na África do Sul.

Infra-estruturas previstas para 2030

Segundo Rudêncio Morais, presidente do Conselho de Administração e director-executivo da ENH, o objectivo é que as novas infra-estruturas estejam operacionais entre 2030 e 2031.

O calendário deverá acompanhar o desenvolvimento de outros grandes projectos de gás em Moçambique. Entre eles estão o Mozambique LNG, Rovuma LNG e Coral Norte.

Actualmente, Moçambique é um importante fornecedor de gás à África do Sul através dos campos terrestres de Pande e Temane, operados pela Sasol. Estes recursos deverão, contudo, enfrentar um declínio de produção nos próximos anos.

Gás poderá reforçar mercado regional

Moçambique possui grandes reservas de gás na Bacia do Rovuma, no norte do país. Parte significativa da produção dos grandes projectos de LNG está destinada aos mercados internacionais.

Entretanto, a nova legislação petrolífera, em vigor desde Junho, determina que pelo menos 25% da produção de petróleo e gás, incluindo LNG, seja destinada ao mercado nacional.

Para a ENH, o desenvolvimento de novas infra-estruturas poderá permitir que Moçambique utilize os seus recursos de gás para responder à procura energética regional.

“Moçambique vai tornar-se aquilo a que chamamos um hub energético”, afirmou Rudêncio Morais, citado pela Reuters.

A estratégia poderá ainda contribuir para reduzir os défices de energia que afectam vários países da África Austral e reforçar o papel de Moçambique como fornecedor regional de gás e energia.

A Sasol indicou que ainda é prematuro avançar sobre a natureza ou dimensão de qualquer eventual investimento no projecto. A ROMPCO não tinha respondido, até à publicação da informação, aos pedidos de comentário.

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