A agricultura emprega cerca de 75% da força de trabalho em Moçambique, mas representa apenas aproximadamente um quarto do valor acrescentado da economia, segundo o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá.
O governante falava em Maputo durante o lançamento do livro Agriculture and Economic Transformation in Mozambique: Evidence, Policies and Pathways to Development.
O estudo defende maior investimento em tecnologia, mecanização, irrigação, assistência técnica e financiamento adaptado aos pequenos produtores.
Apenas 0,2% das explorações agrícolas de pequena e média dimensão têm acesso ao crédito agrícola. A irrigação é utilizada por apenas 6,2% das explorações.
Dados do Censo Agropecuário 2023/2024 indicam ainda que 9,3% utilizam fertilizantes, 6,7% recebem assistência técnica e apenas 1,7% utilizam tractores.
Moçambique dispõe de cerca de 36 milhões de hectares de terra arável, dos quais três milhões são considerados irrigáveis. Contudo, apenas cerca de 50 mil hectares estão actualmente irrigados.
A produção agrícola continua também fortemente orientada para o autoconsumo. Apenas cerca de 12% da produção média por agregado familiar é comercializada.
Salim Valá defende uma maior ligação entre agricultura, indústria, comércio e mercados para transformar o potencial existente em produtividade, rendimento e emprego.
O livro reúne trabalhos de 15 investigadores sobre produtividade, financiamento, mercados, cadeias de valor, industrialização e resiliência climática.
Os autores alertam que o problema não está na falta de potencial agrícola. Os principais obstáculos estão relacionados com infra-estruturas, acesso aos mercados, informação estatística, armazenamento, transporte, financiamento e riscos climáticos.
O estudo defende, por isso, uma resposta coordenada entre políticas públicas, investimento privado e investigação para aumentar a produtividade e integrar os pequenos produtores nas cadeias de valor.



