Segunda-feira, Abril 15, 2024
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Arlindo Chilundo: “Não basta só construir silos, é preciso que estejam onde há boas estradas, linhas férreas ou porto”

LOGISTICA DE CEREAIS:

O segredo está na localização estratégica

A empresa Silos e Terminal Graneleiro da Matola (STEMA) lidera o serviço de manuseamento  de carga cerealífera e leguminosa,  com destaque para armazenamento, expedição e ensacagem. Apesar de ser um dos mais antigos players na logística de cereais, continua o mais eficiente e o segredo não se prende apenas com as condições tecnológicas, como principalmente com a sua localização estratégica, conforme refere o Presidente do Conselho de Administração (PCA) da empresa, Arlindo Chilundo em entrevista ao Profile.

O país conta com vários complexos de silos que operam a logística de cereais, nestes, em que se destaca a STEMA?

Temos sido preferenciais devido à nossa capacidade e à localização estratégica que permite com que todas as operações sejam feitas a granel. Veja que temos um cais de 55 metros com capacidade de receber navios de até cerca de 40 mil toneladas. Para a carga transportada pela via ferroviária, temos um ramal com cerca de mil metros de sentido duplo com uma locomotiva com capacidade de 350 toneladas, onde se podem acomodar até 40 vagões de uma única vez.

Como é que se traduz essa vantagem para os vossos clientes?

A nossa localização permite que a mercadoria chegue aos destinos internacionais de forma menos onerosa, tanto pela distância como pela cadeia interligada entre os transportes rodoviário, marítimo e ferroviário.

Como é feita a ligação com os países da região?

Temos ligações vantajosas com os principais mercados da região, veja que pela via férrea, a distância para Joanesburgo, na África do Sul, é de 585 km por estrada e pela linha férrea são 440. Para cidade de Belfast na província sul-africana de Mpumalanga são 317 km por estrada e 339 por linha férrea, Mbombela (Nelspruit) dista 246 km por estrada e 201 km por linha férrea, Komatipoort são 119 km por estrada e 93 por linha férrea. A ligação com o Zimbabwe, para Bulawayo são 1109 km por estrada e 1083 por linha férrea, Gabarone em Botswana são cerca de 937 km por estrada e por linha 1047 km, para Matsapha no Eswatini são 260 km por estrada e 219 km por linha férrea.

Então a localização dos complexos de silos é o principal desafio da logística de cereais?

O maior desafio é a construção de silos funcionais, mas esse aspecto depende da instalação dessas infra-estruturas numa localização estratégica, que integre sistemas de transporte de carga eficientes para o efeito, porque não basta só construir silos, é preciso que estejam onde há boas estradas, linhas férreas ou porto, por forma a que seja possível transportar os cereais a granel.

Qual é a vantagem do transporte a granel?

Na verdade, em todo o mundo a logística de cereais é feita a granel, isso permite movimentar grandes quantidades de produtos e falicita o manuseio, além do facto de ser um processo menos oneroso.

Nota-se pouca eficiência dos complexos de silos instalados nalgumas províncias do Centro e Norte do país, a que se deve?

Um dos problemas que identificamos ao visitar alguns desses empreendimentos está na sua localização, em Lichinga na província de Niassa, o complexo de silos encontra-se próximo ao Aeroporto, mas deviam estar ligados à via férrea para facilitar o transporte da mercadoria. sob ponto de vista estratégico aquilo não faz sentido.

Qual seria a melhor ordem?

Aqueles silos deviam permitir que o investidor possa trazer a mercadoria em camiões e posteriormente escoar por comboio para outros destinos, incluindo o porto de Nacala, na vizinha província de Nampula. A falta dessas condições faz com que a logística de cereais nessas zonas seja feita com recurso ao ensacamento o que, logicamente retrai investidores.

O que se deve ser feito?

Na minha opinião a planificação da instalação de complexos de silos deve ser repensada, precisamos rever onde queremos instalar os silos e para que fim os queremos. Está claro que o fim é a conservação dos produtos, mas isso deve incluir o seu escoamento que, aliás, exige infra-estruturas integradas, se for distante da linha férrea, tem que, pelo menos estar próximo de uma boa estrada.

Como é que se encontra o negócio da STEMA actualmente?

Continuamos a registar um bom ritmo de crescimento, apesar de, actualmente termos um concorrente que detêm 40% do negócio a nível do porto de Maputo. Este nova empresa começou a  operar em 2018, numa altura em que a empresa ainda estava a reerguer-se de um incêndio, ocorrido em 2015,  que afactou o nosso cais.

Em que se traduz esse crescimento?

Actualmente estamos com cerca de 60 % do negócio a nível da região Sul e continuamos preferenciais devido à nossa vantagem tecnológica. Apesar da guerra russo-ucraniana que desestabilizou o mercado internacional de cereais, registamos, entre 2021 e 2022 aumento de carga manuseada em mais de 90 mil toneladas.

Quais são as perspectivas para este ano?

O crescimento do nosso negócio depende muito do aumento da produção e consumo de cereais e leguminosas. Há sinais encorajadores de uma recuperação económica ainda que tímida. Além disso, a Tabela Salarial Única (TSU), aprovada recentemente pelo Governo, poderá estimular o consumo, através da injecção de poder de compra às famílias. Também o início da exportação de gás natural é um indicador positivo para a economia moçambicana.

 

 

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