As iniciativas empreendedoras em diferentes ramos de actividades tendem a crescer nos últimos anos em Moçambique. No campo e nas cidades, jovens de diversas formações e áreas de interesse transformam a realidade e concretizam sonhos. O Profile conversou com três jovens empreendedoras moçambicanas que contam como é que as mulheres tomam a dianteira no empreendedorismo em sectores diferentes.

Rita Notiço é uma jovem moçambicana que se dedica ao empreendedorismo há mais de 11 anos. Nascida em Maputo, ela conta que desde muito cedo sonhou com a independência financeira e vê o empreendedorismo como uma forma de lutar e de transformar a realidade circundante. Actualmente gere uma diversidade de negócios desde importação e venda de produtos estéticos da China e Índia aos negócios mobiliários. Rita diz que nem sempre viu o empreendedorismo como uma solução viável: “foi por falta de emprego, pois, não queria ser dependente do meu esposo”. Poderia ter abandonado após ter conseguido emprego, mas explica os empreendimentos rendiam mais que o salário, por isso abandou o emprego para dedicar-se inteiramente ao negócio.

Notiço revela que empreender é gratificante, principalmente pela possibilidade de fazer algo de que goste embora nem sempre seja fácil lidar com clientes. A jovem empresária estimula outras mulheres pelo país a procurarem empreender como forma de vencer o desemprego, “não tenham medo de começar, pois, é de pequeno que nos tornamos grandes empreendedores. Com fé, foco e determinação tudo é possível”, frisa.

Wilma Momed, empreendedora cultural
Wilma Momed, empreendedora cultural

A história de Rita é só uma entre muitas mulheres jovens que se dedicam ao empreendedorismo. Wilma Momed é uma jovem empreendedora também residente em Maputo, e se destaca em áreas de cultura e empreendedorismo. Wilma é formada pela Escola Nacional de Dança e é licenciada em Jornalismo pela Universidade Eduardo Mondlane. Abraçou o empreendedorismo como um desafio para conquistar o mundo e sua independência não só financeira, “empreender não é apenas sobre ganhar dinheiro”, esclarece a empresária, acrescentando que é muito gratificante conhecer pessoas, lugares e partilhar momentos, assim como aprender com situações pesadas do dia-a-dia da vida de uma empreendedora.

Actualmente, Wilma Momed ocupa-se de várias actividades de empreendedorismo cultural, mas destaca o seu projecto de criar uma academia de dança que inclua performances acrobáticas. A empreendedora esclarece entusiasmada que se trata de um projecto já antigo mas que agora parece estar para tornar-se realidade, podendo vir a ser um dos pioneiros no país, pois são ainda muito poucas as escolas de dança que leccionam danças acrobáticas.

Para as outras mulheres moçambicanas, Wilma destaca que o empreendedorismo necessita de inovação e capacidade de tomar decisões em curto espaço de tempo e usa como exemplo o contexto da pandemia da Covid-19 em que todos os dias havia novas informações, novas regras e uma empreendedora tinha que saber informar-se e posicionar-se. Contudo, “todas nós mulheres temos potencial e só devemo-nos dedicar, não ter medo de começar nem de cair porque é um processo longo”, afirma.

Denise Kondelaque, Psicóloga clínica

Para Denise Kondelaque, outra jovem empreendedora, o empreendedorismo não se reduz à busca de renda. Denise é psicóloga clínica no Hospital Provincial de Lichinga no Niassa e define o empreendedorismo como sendo também um exercício para auto-realização pessoal. Para além  do trabalho no Hospital, a psicóloga participa de um programa semanal de entrevistas na RM de Niassa, escreve artigos num semanário e atende pacientes em privado. Ela aponta que empreender imprime valores na pessoa como disciplina e diálogo, “o contacto com as pessoas, o sentimento de estar a mudar algo nas suas vidas é muito compensador”, explica e realça que a sensação de causar impacto é algo que tende a faltar nas mulheres moçambicanas.

A psicóloga afirma que muitas vezes as mulheres constroem uma ideia de empreendedorismo sustentada na busca de auto-sustento, mas a auto-realização é um pouco maior que isso porque ao empreender elas são capazes de transpor ao mundo a sua interioridade.

A vida empresarial das nossas entrevistadas é marcada por altos e baixos, momentos de alegria e de tensão, mas todas sabem que o horizonte entre a realidade e o sonho é feito de trabalho duro e dedicação abnegada. Moçambique é um país ainda com muitos desafios em matérias de promoção do empreendedorismo feminino. Dados oficiais tornados públicos em 2016 indicam que 60% dos proprietários de negócios formais são homens contra apenas 40% mulheres. No entanto, há mais mulheres dos que homens nos negócios informais no país.

A Redacção Profile

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