Maputso

O mundo de negócios continua a evoluir, sobretudo com os novos desafios que lhe são impostos, bem como as áreas que o suportam, como é o caso dos Recursos Humanos (RH).

Em entrevista ao Profile, Samuel Maputso, profissional de RH que publicou recentemente o livro ”Grab Your Seat! Insights Into Becoming a Human Capital Business Leader”, assume que a adaptação da área para fazer face aos novos desafios, é agora ainda mais necessária.

Mais que uma abordagem tradicional, para Maputso, o RH é uma área que pode responder ao maior anseio de todos negócios: aumento da produtividade.

Nesta entrevista exclusiva para o Profile, o autor fala-nos da sua jornada pelo sector de RH, a visão que tem do mesmo, partilhando um conjunto de conselhos que carregam mais de 20 anos de experiência.

Profile: Pode em breves palavras descrever a sua caminhada profissional?

Samuel Maputso: O meu percurso académico começou com um cocktail perfeito do ponto de vista de formação acadêmica. Tenho Mestrado em Gestão pela Universidade de Liverpool, Mestrando em Governança & Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Staffordshire, construída sobre um maravilhosa Licenciatura em Psicologia & Pedagogia pela Universidade Pedagógica. Tive também o privilégio de passar por programas de desenvolvimento oferecidos pela  University of Stellenbosch Business School  (USB), Ashridge Business School, Centre for Creative Leadership, Duke Corporate University e outros. Em termos profissionais tenho cerca de 20 anos de experiência na Gestão de Pessoas: Comecei no extinto Banco Comercial de Moçambique, tendo depois passado pelo Millennium BIM, CARE International, Companhia Industrial da Matola e Coca-Cola, antes de me juntar a equipe do BancABC Moçambique, onde sou Director de Capital Humano & Formação. Tenho a felicidade de ter assumido diversas posições de Gestão de Pessoas ao longo da minha carreira – Oficial de RH, Gestor de Formação & Desenvolvimento, Gestor de Talentos, Coordenador de RH & Assuntos Corporativos, Gestor de RH –  e liderado vários projectos na área de Recursos Humanos, com enfoque no desenvolvimento organizacional, gestão da mudança e liderança. Para além disso, sou consultor, dou aulas e faço parte de órgãos sociais de 3 ONGs. 

P:De onde surgiu a inspiração para escrever o livro?

SM: O livro faz parte da realização do meu propósito de ajudar pessoas e organizações, uma de cada vez, a realizarem o seu potencial e atingirem produtividade plena. Este propósito faz com que eu me empenhe de coração em todas actividades viradas ao fortalecimento das capacidades das pessoas, sobretudo dos futuros profissionais e de jovens empreendedores. O livro, sendo parte do meu legado, constitui uma forma sistematizada de partilhar parte da minha vasta experiência com os jovens e demais profissionais. 

Devo sublinhar que alguns jovens também me desafiaram a sistematizar a minha experiência, por forma a servir de referência para a juventude em geral

P:O que significa “Grab Your Seat”, dentro do contexto moçambicano?

SM: A tese principal do livro é que o seu destino está nas suas mãos; que cada um deve ter uma visão clara de onde quer chegar e assumir a liderança pela caminhada até a realização dessa visão pessoal. Em Moçambique muitos jovens acham que porque tem formação universitária, assim que assinarem um contrato de trabalho toda a gente vai abrir alas para o deixar passar e fazê-lo crescer na carreira, como se fosse algo de direito. Alguns profissionais no começo ou meio da carreira também esperam que sua entidade empregadora cuide do seu crescimento profissional, como se os objectivos da empresa fossem iguais aos objectivos de cada colaborador. “Grab Your Seat!” significa que um profissional deve conquistar o seu lugar. No livro ofereço alguns princípios que podem guiar os jovens profissionais nessa caminhada. 

P:Qual é a leitura que faz da situação do sector de RH no país? Desafios e oportunidades?

SM: A situação da Gestão de RH em Moçambique está num excelente momento. Observamos uma elevada procura pelos cursos de licenciatura em Gestão de Recursos Humanos (e várias universidades oferecem estes cursos), crescimento do associativismo em RH e diversas iniciativas para partilha de conhecimentos e experiências entre os profissionais do ramo e não só, para além do aumento do número de profissionais de RH a registarem suas experiências em livros, o que aumenta o referencial para as novas gerações. O maior desafio da área de Gestão de Pessoas no país reside, a meu ver, no facto de os profissionais da área não serem suficientemente ágeis na transição do RH tradicional (focado nos seus KPIs e nas questões básicas como recrutamento, salários, formação, relações industriais…) para Líderes de Negócio, a cargo de RH. Nesta última etapa, o profissional de RH estaria mais focado em alavancar a produtividade dos colaboradores e do negócio em geral, sendo os vários processos de RH apenas meios para atingir este objectivo. Para fazer esta transição, os profissionais de RH precisam desenvolver uma forte business acumen. A maioria dos empreendedores e executivos estão sedentos de soluções para aumentar a produtividade e eficiência operacional das respectivas empresas, sobretudo tomando em conta os constrangimentos associados a competição crescente, COVID-19 e à necessidade de automação e digitalização contínua dos negócios. Tudo isto representa oportunidade para os profissionais de Gestão de Pessoas fazerem a diferença e brilharem. Os que souberem se diferenciar e se destacar, impulsionando as suas empresas a lidarem eficazmente com estes desafios, irão ver o seu valor no mercado disparar.

P: Pode desenvolver o significado de “Líderes de Negócio, a Cargo de Recursos Humanos”?

SM: Refere-se aquele Director de Capital Humano cuja responsabilidade primária é garantir a produtividade, o desenvolvimento e o sucesso de toda a empresa, sendo seu papel como Director de Capital Humano uma responsabilidade secundária.  Eu me considero nesta categoria – meu papel em facilitar processos como produtividade da empresa, optimização de processos, eficiência organizacional, dinamização das vendas (sim, vendas), etc e mais importante que fazer recrutamentos, pagar salários, organizar cursos e outras tarefas que ocupam o DRH (Departamento de Recursos Humanos) tradicional ou comum.

O que significa “Business Acumen”?

SM: O mesmo que “Perspicácia nos Negócios”. É a capacidade de compreender o negócio como um todo; os factores e/ou estratégias de sucesso da sua empresa e, principalmente, perceber como você pode contribuir para o sucesso da organização como um todo.

P: Quais são as perspectivas de uma carreira e/ou negócio na área?

SM: A área de Recursos Humanos é bastante vasta e cabe ao profissional escolher o “nicho” onde pode focar e fazer a diferença. Mesmo com o advento da IV Revolução Industrial (4IR), da Internet das Coisas (IoT) e a mudança nas exigências do trabalho do futuro, todas empresas continuarão a precisar dos serviços de um profissional de RH. Enquanto os negócios forem operados por pessoas, haverá espaço para RH. O importante é que os profissionais da área se actualizem, reconfigurando as suas competências para continuarem relevantes no novo contexto. Analogamente, as oportunidades de negócio na área de RH são diversas, cabendo ao empreendedor de RH identificar a área onde é realmente excepcional e investir para ser o melhor da sua área.

P:Que conselho deixaria aos aspirantes em construir uma carreira e potenciais empreendedores na área?

SM: Os RH são uma carreira extraordinária e bastante enriquecedora. É preciso perceber que o seu sucesso profissional (ou no negócio) depende deles. Se você vai se tornar uma “estrela global” ou vai morrer um “especialista residente”, depende da sua capacidade de visualizar o seu destino ou meta, criar um roadmap claro e robusto, liderar a sua jornada de crescimento – sabendo que não cabe à empresa a obrigação de formar o profissional –  manter o foco e disciplina durante o percurso e, finalmente, primar por uma execução superior à concorrência. 

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