A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) prevê investir 574,6 milhões de dólares na reabilitação da central, num projecto destinado a prolongar a sua vida útil por mais de 30 anos. O início dos trabalhos na primeira unidade geradora está previsto para Julho de 2028, com a conclusão do programa global projectada para 2034.
O presidente do Conselho de Administração da HCB, Tomás Matola, anunciou o investimento durante a Conferência Internacional de Investimentos de Tete (CIIT 2026). O responsável defendeu o reforço da capacidade de geração para responder à procura nacional e regional, sublinhando que a energia é essencial para transformar recursos naturais em produção industrial, emprego e crescimento económico.
Matola afirmou que a HCB privilegia o mercado nacional, mesmo quando a redução da produção obriga a limitar os fornecimentos ao exterior. Em 2025, apesar das dificuldades hidrológicas, 56% da energia gerada foi destinada ao consumo interno, contra 27% em 2020; a África do Sul recebeu 39% e o Zimbabwe 5%. A prioridade ao abastecimento nacional pode, contudo, implicar penalizações contratuais e perdas de receitas nas exportações.
A reabilitação prevê a substituição de turbinas, intervenções nas subestações eléctricas de Songo e Matambo e a estabilização dos taludes da barragem. Segundo Matola, os equipamentos têm mais de 50 anos, embora a central mantenha níveis de eficiência operacional superiores a 95%, graças à manutenção preventiva.
A HCB pretende ainda diversificar a produção, com destaque para uma central solar fotovoltaica de 400 megawatts, a desenvolver em duas fases de 200 MW, e para a Central Norte de Cahora Bassa. A expansão procura responder à crescente procura de electricidade e ao défice energético da África Austral.
Os investimentos deverão também criar oportunidades para empresas nacionais. De acordo com Matola, os contratos com empresas internacionais de engenharia estabelecem que pelo menos 30% dos bens e serviços sejam adquiridos localmente. Desde 2007, a HCB já entregou ao Estado moçambicano cerca de 2,3 mil milhões de dólares em dividendos, além de contribuir através de impostos, taxas e contratação de fornecedores nacionais.
A empresa desenvolve igualmente projectos de impacto comunitário, incluindo a construção de uma estrada de 117 quilómetros, a conclusão do Hospital Distrital de Cahora Bassa e o projecto agrícola Transformar, na vila de Estima. A iniciativa abrange a produção de cereais, criação de gado, avicultura, horticultura e aquacultura, apoiada por mais de 50 furos de água.
Fone: O País



