O volume de Investimento Estrangeiro Directo (IED) em Moçambique registou uma queda de 21% no primeiro trimestre de 2026, fixando-se em 1,2 mil milhões de dólares contra 1,6 mil milhões de dólares registados no mesmo período do ano anterior, segundo dados do Banco de Moçambique.
Apesar da redução dos fluxos, a estrutura do investimento estrangeiro manteve-se concentrada nos sectores extractivos, nomeadamente gás natural, carvão e mineração. As indústrias extractivas absorveram 1,209 mil milhões de dólares entre Janeiro e Março de 2026, representando cerca de 94% do total do IED recebido pelo país no período.
A forte dependência dos recursos naturais mantém a tendência observada nos últimos anos, com os mega-projectos ligados ao gás natural na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, a continuarem como principais motores da entrada de capital estrangeiro.
De acordo com o Banco de Moçambique, a maior parcela do investimento registado no trimestre entrou através de créditos a fornecedores e créditos comerciais, que totalizaram 702,7 milhões de dólares. Já os investimentos em participações societárias atingiram 583,3 milhões de dólares, dos quais 383,9 milhões estavam associados a grandes projectos.
Fora do sector extractivo, os principais fluxos de investimento foram direccionados para o comércio, com 17,7 milhões de dólares; produção e distribuição de electricidade, gás e água, com 17,6 milhões de dólares; e agricultura, pecuária, caça e silvicultura, com 17,4 milhões de dólares.
Em sentido contrário, o sector manufactureiro registou uma saída líquida de capital de 11,7 milhões de dólares no período.
A redução registada no primeiro trimestre ocorre depois de um forte crescimento do IED em 2025, ano em que os fluxos atingiram um recorde de 5,693 mil milhões de dólares, impulsionados sobretudo pelos investimentos associados aos projectos de gás natural em Cabo Delgado.
Os dados reforçam o desafio de Moçambique em diversificar a atracção de investimento estrangeiro para sectores produtivos capazes de gerar maior valor acrescentado, emprego e integração das empresas nacionais nas cadeias de valor.



