A Mozambique Electronic Cargo Tracking Services (MECTS), empresa responsável pelo Sistema Electrónico de Selagem e Rastreamento de Carga em Trânsito, deverá tornar-se a primeira parceria público-privada (PPP) a ser cotada na Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), com a admissão das suas acções à negociação prevista para quarta-feira (14/10), anunciou a instituição.
Segundo a BVM, a operação representa um marco para o mercado de capitais nacional, ao criar uma nova possibilidade de acesso ao financiamento através da bolsa e reforçar o papel desta instituição na diversificação das fontes de financiamento das empresas e no desenvolvimento da economia moçambicana.
A MECTS é uma empresa tecnológica de origem moçambicana que desenvolve, implementa e opera sistemas digitais destinados a modernizar processos institucionais e empresariais. Entre os seus principais serviços destaca-se o rastreamento electrónico de mercadorias em trânsito, realizado em parceria com a Autoridade Tributária de Moçambique (AT).
A admissão à cotação será assinalada por uma cerimónia em Maputo, que contará com a presença do Presidente da República, Daniel Chapo, membros do Governo, representantes do sector financeiro, empresários e operadores do mercado de capitais.
O pedido de admissão foi submetido à BVM em Junho deste ano, depois do registo das acções junto da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. O processo enquadra-se na legislação sobre parcerias público-privadas e concessões empresariais, que prevê mecanismos para permitir a participação de investidores nacionais no capital destas empresas através da bolsa, após um período determinado de exploração dos projectos.
Receitas da concessão crescem 155,6%
A entrada da MECTS na bolsa ocorre num período de crescimento das receitas que a sua concessão gera para o Estado. Dados do Ministério das Finanças indicam que estas receitas aumentaram 155,6% no primeiro semestre de 2026, atingindo 49 milhões de meticais, o equivalente a cerca de 650 mil euros.
A evolução contrasta com o desempenho global das concessões no mesmo período, em que as receitas do Estado recuaram 62,6%, para 1.184,3 milhões de meticais, de acordo com o relatório de execução orçamental do primeiro semestre.
A operação decorre igualmente num contexto de expansão do mercado de capitais moçambicano. Dados do banco central indicam que a capitalização bolsista cresceu 5% em 2025, para 221,9 mil milhões de meticais, correspondentes a cerca de 3,07 mil milhões de euros, representando 30,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
No seu plano estratégico para 2024–2028, a BVM estabeleceu como meta aumentar o número de empresas cotadas de 16 para 30 até 2028 e elevar a capitalização bolsista para 35% do PIB, reforçando o contributo do mercado de capitais para o financiamento da economia nacional.
Fonte: Lusa



