Moçambique alcançou uma taxa de acesso à electricidade de 66,9% da população, dos quais 57,9 pontos percentuais correspondem à rede eléctrica nacional e 9% a soluções fora da rede, anunciou o Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME) a 9 de Outubro. Apesar dos progressos, o Governo reconhece que persistem desafios significativos para garantir o acesso universal à energia até 2030.
Os dados foram apresentados durante a terceira edição do Fórum Semestral de Energia Fora da Rede, realizado em Maputo, que reuniu mais de 150 representantes do Governo, sector privado, investidores, parceiros de desenvolvimento, universidades e sociedade civil, segundo um comunicado da Associação Moçambicana de Energias Renováveis (AMER).
Na ocasião, a directora nacional de Energia, Marcelina Mataveia, destacou os avanços na expansão do acesso à electricidade, defendendo uma abordagem planificada, coordenada e pragmática, com maior articulação entre os diferentes intervenientes.
Do total da população com acesso à energia, 57,9% estão ligados à rede eléctrica nacional, enquanto 9% dependem de soluções descentralizadas, como sistemas solares domésticos e mini-redes instaladas em zonas remotas.
Entre as iniciativas apresentadas no fórum consta a Plataforma Integrada de Electrificação de Moçambique, desenvolvida pela Unidade de Planificação e Coordenação Integrada de Electrificação (UIPCE), para melhorar a coordenação e o planeamento dos projectos de expansão do acesso à energia. Segundo o coordenador da unidade, Inocêncio Gujamo, a plataforma deverá estar disponível antes do final deste ano.
Por sua vez, o Fundo de Energia (FUNAE) apresentou o Programa Nacional de Aceleração da Electrificação através de Mini-Redes (PROMIR), que prevê a instalação de 363 mini-redes em todo o país, mediante um investimento estimado em 250 milhões de dólares. O financiamento já está assegurado para 148 projectos, nas províncias de Nampula, Zambézia, Tete e Niassa.
Sustentabilidade dos sistemas solares preocupa o sector
O presidente da AMER, Ricardo Pereira, defendeu que a expansão das soluções fora da rede deve ser acompanhada por mecanismos de manutenção, assistência técnica e gestão dos equipamentos ao longo do seu ciclo de vida.
Segundo o responsável, foram vendidos cerca de um milhão de sistemas solares domésticos em Moçambique, muitos dos quais se aproximam do fim da sua vida útil. A gestão dos equipamentos e das baterias representa, por isso, um desafio crescente para o sector.
Durante os dois dias do fórum, os participantes debateram temas como sistemas solares domésticos, mini-redes, financiamento, regulação, cozinha limpa, sustentabilidade dos equipamentos e desenvolvimento de negócios.
As discussões incluíram ainda uma proposta de regulamentação do mercado de carbono e a elaboração do primeiro manual de gestão de resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos aplicável aos sistemas solares.



