Thursday, August 13, 2026
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Mozambique LNG a 45%: cronograma, emprego local e próximos marcos

Por Profile

O projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies na Área 1 da Bacia do Rovuma, atingiu aproximadamente 45% de execução, seis meses depois da retoma integral das actividades em terra e no mar. A actualização foi avançada pelo presidente e CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre de 2026.

O avanço ocorre num momento em que o projecto volta a ganhar intensidade no terreno, depois de quase cinco anos de suspensão provocada pela situação de segurança em Cabo Delgado. A declaração de Força Maior, accionada em Abril de 2021, foi levantada em Novembro de 2025 e a retoma efectiva das actividades foi anunciada em Afungi, a 29 de Janeiro de 2026, pelo Presidente da República, Daniel Chapo, e pelo CEO da TotalEnergies.

45% de execução, mas ainda há trabalho pela frente

A actualização mais recente coloca o Mozambique LNG em cerca de 45% de execução, com 7.000 a 8.000 pessoas actualmente mobilizadas no projecto. Segundo Pouyanné, o ritmo de mobilização tem aumentado desde Janeiro e as actividades decorrem tanto em Afungi como nas componentes offshore.

O número de 45%, contudo, deve ser lido como progresso global do projecto e não como significando que 45% da instalação física já está pronta para operar. O próprio responsável da TotalEnergies sublinhou que ainda existe “muito” por construir em Afungi e offshore. A empresa mantém, ainda assim, o objectivo de iniciar em 2029 o primeiro comboio de liquefacção.

O projecto prevê dois módulos de liquefacção em terra, com uma capacidade combinada de aproximadamente 13,12 milhões de toneladas de GNL por ano. O desenvolvimento está associado aos campos de Golfinho e Atum, localizados na Área 1 offshore.

Emprego local passa para uma nova escala

A aceleração da construção está a colocar o conteúdo local no centro da próxima fase do projecto. Em Março, o Mozambique LNG anunciou que prevê empregar até 7.000 moçambicanos no pico da construção e comprometer cerca de 4,5 mil milhões de dólares em empresas moçambicanas durante a fase de construção.

Este objectivo enquadra-se numa estratégia mais ampla de desenvolvimento da capacidade nacional. Antes mesmo da retoma integral, mais de 1.500 jovens moçambicanos tinham recebido formação técnica em áreas como carpintaria, soldadura, electricidade e hotelaria, enquanto 115 beneficiaram de bolsas de estudo e estágios técnicos no exterior. O programa CapacitaMoz, por sua vez, já tinha trabalhado com 75 empresas de Cabo Delgado, com a meta de chegar a 100 empresas.

A abordagem inclui também a criação de oportunidades para fornecedores nacionais. Em Março, os seminários de conteúdo local realizados em Pemba e Maputo apresentaram oportunidades de contratação para os três a nove meses seguintes, abrangendo construção e engenharia, logística e transporte, serviços de escritório, TIC, gestão de instalações, catering, serviços de emergência e actividades marítimas e offshore.

Para as empresas moçambicanas, esta fase pode ser particularmente relevante: à medida que a construção avança, as oportunidades deixam de estar concentradas apenas nas grandes empreitadas e passam a abranger uma cadeia mais extensa de fornecimento de bens e serviços.

O calendário: 2026 é o ano da aceleração

O primeiro grande marco já foi cumprido: a retoma integral das actividades em Janeiro de 2026. Na altura, mais de 4.000 trabalhadores estavam mobilizados, dos quais mais de 3.000 eram moçambicanos. A TotalEnergies indicava que as actividades tinham sido retomadas tanto em terra como no mar.

O segundo marco é o actual aumento da capacidade de execução. Em Julho, a TotalEnergies indicava que a força de trabalho tinha crescido para 7.000 a 8.000 pessoas e que as dificuldades logísticas relacionadas com equipamentos fabricados no Dubai e noutros locais do Médio Oriente estavam a ser ultrapassadas.

A fase seguinte será marcada pela continuidade da construção em Afungi, pela instalação das infra-estruturas offshore e pela progressiva integração dos diferentes componentes do projecto. O objectivo permanece o mesmo: colocar em funcionamento o primeiro comboio de GNL em 2029.

O cronograma, contudo, continua dependente de factores que vão além da engenharia. A segurança em Cabo Delgado, a logística internacional e a conclusão dos processos relacionados com a actualização do Plano de Desenvolvimento permanecem elementos importantes para a execução do calendário.

O Instituto Nacional de Petróleo (INP) confirmou, em Janeiro, que a concessionária havia submetido ao Governo uma proposta de Emenda ao Plano de Desenvolvimento, incorporando custos adicionais e uma actualização do cronograma, documento que se encontrava então em avaliação.

2029 como teste de execução

Se o actual ritmo for mantido, o período entre 2026 e 2028 será determinante para transformar os 45% de execução num activo operacional. O desafio passa agora por converter a mobilização de milhares de trabalhadores, a construção das infra-estruturas em Afungi e offshore e a integração dos equipamentos num sistema capaz de iniciar a produção dentro do prazo anunciado.

O projecto tem como meta produzir cerca de 13,12 milhões de toneladas de GNL por ano, durante um período estimado de 25 anos. O Governo estima que, ao longo do seu ciclo de vida, o Mozambique LNG possa gerar cerca de 35 mil milhões de dólares em receitas para o Estado, através de impostos, petróleo-lucro e outros mecanismos fiscais. Está igualmente previsto o fornecimento de até 400 milhões de pés cúbicos de gás natural por dia ao mercado doméstico.

Assim, os 45% representam mais do que uma actualização de progresso. São um indicador de que o projecto voltou efectivamente à fase de execução, depois de anos de paralisação. Mas o verdadeiro teste será manter o ritmo, transformar o conteúdo local em contratos e empregos sustentáveis e cumprir a meta de primeiro GNL em 2029.

Para Moçambique, o próximo capítulo do Mozambique LNG será, por isso, menos sobre o anúncio da retoma e mais sobre a capacidade de converter uma das maiores apostas de investimento do país em produção, receitas públicas, desenvolvimento empresarial e emprego local.

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