Saturday, April 11, 2026
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Bolsa de Valores de Moçambique: Acelerador da economia real ou barómetro do futuro?

A Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) apresentou recentemente o seu Plano Estratégico 2024-2028, que visa duplicar o número de empresas listadas, passando de 16 para 30, e atingir uma capitalização de mercado equivalente a 35% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Este movimento posiciona a BVM como uma peça central na dinamização da economia real, reforçando a confiança de investidores e empresas no mercado de capitais.

Transformação com propósito

Salim Valá, presidente do Conselho de Administração da BVM, sublinhou que estas metas reflectem o potencial de crescimento de um mercado que já representa 28,54% do PIB moçambicano. “É possível alcançar e até superar estes objectivos através de uma actuação integrada dos vários actores do ecossistema financeiro”, afirmou, destacando os 26 anos de experiência acumulada pela instituição.

O plano pretende também aumentar o número de investidores registados na Central de Valores Mobiliários (CVM), passando dos actuais 26.305 para cerca de 50.000 em quatro anos. Valá frisou que o fortalecimento da BVM será crucial para impulsionar o investimento produtivo e a boa governação empresarial, elementos-chave para a sustentabilidade económica.

Pilares estratégicos

O novo plano estratégico assenta em cinco pilares principais:

  • Dinamização dos mercados de acções e obrigações, promovendo maior liquidez.
  • Modernização tecnológica, alinhando-se a padrões internacionais e facilitando a integração com bolsas regionais.
  • Desenvolvimento de novos produtos e instrumentos financeiros, diversificando as opções para investidores e empresas.
  • Fortalecimento do quadro regulatório, assegurando transparência e integridade.
  • Aumento da capacidade institucional e visibilidade, consolidando a BVM como referência no mercado.

Desempenho actual e projecções

Nos primeiros seis meses de 2024, a capitalização de mercado da BVM cresceu 11%, alcançando 203,852 milhões de meticais (€3,001 milhões). O volume de negócios subiu impressionantes 102,2%, atingindo 16,697 milhões de meticais (€245,8 milhões). Apesar do número de empresas listadas se manter inalterado, verificou-se um aumento de 20% nas emissões de dívida corporativa e um crescimento de 8,6% no financiamento à economia, que atingiu 338,679 milhões de meticais (€4,986 milhões).

O plano inclui ainda a aquisição de infraestruturas modernas para acomodar o crescimento acelerado da bolsa e a introdução de mecanismos inovadores que dinamizem o mercado, tornando-o mais atractivo para investidores nacionais e internacionais.

Objectivos futuramente alcançáveis

Com este plano, a BVM posiciona-se como um catalisador do crescimento económico de Moçambique, promovendo um mercado de capitais robusto, inclusivo e eficiente. Para os directores séniores de empresas, as oportunidades são claras: acesso a financiamento, valorização das suas acções e uma plataforma ética para crescimento sustentável.

Mozambique Stock Exchange: Accelerator of the real economy or barometer of the future?

The Mozambique Stock Exchange (BVM) recently presented its 2024-2028 Strategic Plan, which aims to double the number of listed companies, from 16 to 30, and achieve a market capitalization equivalent to 35% of the country’s Gross Domestic Product (GDP). This move positions BVM as a central player in boosting the real economy, reinforcing the confidence of investors and companies in the capital market.

Transformation with purpose

Salim Valá, chairman of BVM’s Board of Directors, stressed that these targets reflect the growth potential of a market that already accounts for 28.54% of Mozambique’s GDP. “It is possible to achieve and even surpass these objectives through integrated action by the various players in the financial ecosystem,” he said, highlighting the 26 years of experience accumulated by the institution.

The plan also aims to increase the number of investors registered with the Central Securities Depository (CVM), from the current 26,305 to around 50,000 in four years. Valá stressed that strengthening the BVM will be crucial to boosting productive investment and good corporate governance, key elements for economic sustainability.

Strategic pillars

The new strategic plan is based on five main pillars:

  • Streamlining the stock and bond markets, promoting greater liquidity.
  • Technological modernization, aligning with international standards and facilitating integration with regional stock exchanges.
  • Development of new financial products and instruments, diversifying the options for investors and companies.
  • Strengthening the regulatory framework, ensuring transparency and integrity.
  • Increased institutional capacity and visibility, consolidating BVM as a benchmark in the market.

Current performance and projections

In the first six months of 2024, BVM’s market capitalization grew by 11% to 203.852 million meticais (€3.001 million). Turnover rose by an impressive 102.2% to 16,697 million meticais (€245.8 million). Although the number of listed companies remained unchanged, there was a 20% increase in corporate debt issues and an 8.6% growth in financing for the economy, which reached 338.679 million meticais (€4.986 million).

The plan also includes the acquisition of modern infrastructure to accommodate the accelerated growth of the stock exchange and the introduction of innovative mechanisms to boost the market, making it more attractive to national and international investors.

Future objectives

With this plan, BVM is positioning itself as a catalyst for Mozambique’s economic growth, promoting a robust, inclusive and efficient capital market. For senior company directors, the opportunities are clear: access to financing, appreciation of their shares and an ethical platform for sustainable growth.

Moçambique e a Trafigura firmam parceria para restauração florestal na COP29

Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2024 (COP29), realizada em Baku, no Azerbaijão, o governo de Moçambique e a Trafigura, uma das maiores empresas globais no comércio de matérias-primas, firmaram um acordo de cooperação para projectos de restauração florestal em larga escala. A iniciativa visa promover créditos de carbono no mercado voluntário, alinhada com os objectivos da Declaração de Maputo sobre a Gestão Sustentável e Integrada.

O acordo, assinado por Alfredo Nuvunga, embaixador e chefe da delegação moçambicana, e Hannah Hauman, representante da Trafigura, destaca o compromisso de mobilizar recursos financeiros e técnicos para reverter os impactos da desflorestação. A Trafigura irá fornecer suporte técnico, financiamento e expertise para o desenvolvimento e comercialização de créditos de carbono, enquanto Moçambique coordenará esforços políticos e informará sobre emissões de carbono e programas de conservação.

Miombo: a maior floresta tropical seca da África

O ecossistema Miombo cobre mais de 2 milhões de quilômetros quadrados e sustenta cerca de 300 milhões de pessoas em 11 países africanos, incluindo Angola, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue. Rica em biodiversidade, a floresta enfrenta desafios crescentes devido à desflorestação, que já impactou 875.453 hectares em Moçambique nos últimos quatro anos, com destaque para as províncias de Niassa e Zambézia.

Segundo o Presidente Filipe Nyusi, a Miombo Initiative já mobilizou mais de 500 milhões de dólares para restaurar as áreas degradadas e implementar projectos alternativos de geração de renda. O plano de acção inclui mapeamento das áreas mais afectadas, monitoramento ambiental e iniciativas para reduzir a exploração insustentável da floresta.

Parcerias regionais e globais

Além de Moçambique, a República do Congo já aderiu ao memorando com a Trafigura, enquanto Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue estão em negociações finais para também integrarem o projecto. A colaboração entre países da região é crucial para a preservação da floresta, que desempenha um papel essencial no equilíbrio climático global e na subsistência de milhões de africanos.

Essa parceria simboliza uma abordagem inovadora e colaborativa para enfrentar os desafios climáticos, transformando a gestão sustentável em um activo económico e ambiental.

Para mais detalhes, acompanhe os desdobramentos da COP29 e as iniciativas da Trafigura e do governo moçambicano.

Receitas do gás do Rovuma crescem em 60.45 milhões de USD

Continuam a crescer as receitas do gás natural explorado na bacia do Rovuma, província de Cabo Delgado. Dados do Balanço do Plano Económico e Social e Orçamento de Estado para o Terceiro Trimestre revelam que o Estado moçambicano arrecadou 60.45 milhões de USD em receitas do gás do Rovuma, entre Janeiro e Agosto últimos.

Do valor, conforme informações do documento publicado há dias pelo Governo, através do Ministério da Economia e Finanças, 22,23 milhões de USD são provenientes do Imposto sobre a Produção Mineira e 33,22 resultam do Petróleo Lucro. Já o Bónus de Produção é de 5 milhões de USD, o valor mais alto desde o início da exportação do gás do Rovuma.

No total, diz o Relatório do Governo, o gás do Rovuma já produziu 134.61 milhões de USD desde 2022, o equivalente a 8,516.77 milhões de Meticais. No primeiro ano da exploração do gás do Rovuma, o Governo cobrou 800 mil USD e, em 2023, facturou 73.37 milhões de USD.

Segundo o Governo, o valor encontra-se depositado na Conta Transitória sediada no Banco de Moçambique, conforme determina o artigo 6 da Lei n.º 1/2024, de 9 de Janeiro, que cria o Fundo Soberano de Moçambique. A Conta Transitória, refira-se, é a conta bancária onde deverá ser canalizada toda a receita do gás natural do Rovuma antes de ser transferida para o Fundo Soberano e ao Orçamento de Estado.

Refira-se que, de acordo com a alínea a) do número quatro, do artigo oito da Lei n.º 1/2024, de 9 de Janeiro, que cria o Fundo Soberano, nos primeiros 15 anos de operacionalização do Fundo, 40% das receitas é que vão efectivamente para a entidade e 60% para o Orçamento de Estado. Assim, do valor já cobrado desde 2022, pouco mais de 5.110 milhões de Meticais serão alocados ao Orçamento de Estado.

Lembre-se que o Fundo Soberano continua refém da assinatura do Acordo de Gestão entre o Governo e o Banco de Moçambique, na qualidade de gestor, para a sua operacionalização.

Rovuma gas revenues grow by 60.45 million USD

Revenues from natural gas exploited in the Rovuma basin in Cabo Delgado province continue to grow. Data from the Balance of the Economic and Social Plan and State Budget for the Third Quarter shows that the Mozambican state collected 60.45 million USD in revenue from Rovuma gas between January and August.

Of this amount, according to the document published a few days ago by the government, through the Ministry of Economy and Finance, 22.23 million USD come from the Mining Production Tax and 33.22 result from Profit Oil. The Production Bonus, meanwhile, amounts to 5 million USD, the highest figure since the export of Rovuma gas began.

In total, says the Government Report, Rovuma gas has produced 134.61 million USD since 2022, the equivalent of 8,516.77 million Meticais. In the first year of Rovuma gas exploration, the government collected 800,000 USD and in 2023 it made 73.37 million USD.

According to the government, the amount is deposited in the Transitory Account at the Bank of Mozambique, as determined by article 6 of Law no. 1/2024, of January 9, which creates the Sovereign Fund of Mozambique. The Transitory Account, it should be noted, is the bank account where all the revenue from Rovuma natural gas should be channeled before being transferred to the Sovereign Fund and the State Budget.

It should be noted that, according to paragraph a) of number four of article eight of Law no. 1/2024, of January 9, which created the Sovereign Fund, in the first 15 years of the Fund’s operation, 40% of the revenue will actually go to the entity and 60% to the State Budget. Thus, of the amount already collected since 2022, just over 5,110 million Meticais will be allocated to the State Budget.

Remember that the Sovereign Fund is still dependent on the signing of the Management Agreement between the government and the Bank of Mozambique, as manager, for its operationalization.

Produção de rubi ultrapassa a meta para o ano inteiro em nove meses

Rubi

A produção de rubi em Moçambique voltou a disparar no terceiro trimestre, ultrapassando já a meta para todo o ano, segundo dados de execução orçamental consultados hoje pela Lusa.

“No grupo das pedras preciosas e semipreciosas, o destaque vai para o rubi, que registou um nível de execução de 102% em relação ao plano anual e uma taxa de crescimento de 49% no período em análise”, lê-se no relatório de execução orçamental do terceiro trimestre do Ministério da Economia e Finanças moçambicano.

“Resultante do bom desempenho da empresa SLR Mining, que assumiu a posição de maior produtora deste recurso mineral, com a entrada em funcionamento de mais uma fábrica de processamento. Esta empresa foi responsável pela produção de mais de 70% do total deste recurso mineral”, detalha o documento.

Em nove meses, Moçambique produziu 3.145.391 quilates de rubis, enquanto a previsão oficial para todo o ano de 2024 era de 3.080.895 quilates.

Outro factor que explica este crescimento no terceiro trimestre já verificado no segundo trimestre está relacionado com a “retoma total da produção pela empresa Moza Minerals, aliado ao facto de a empresa Montepuez Ruby Mining ter realizado escavações intensivas em três blocos mais produtivos”.

A produção tinha caído 55% em março, em termos homólogos, para 252,6 mil quilates, segundo o relatório do primeiro trimestre, devido a problemas na maior mina nacional, a Montepuez Rubi Mining (MRM).

A Lusa tinha noticiado anteriormente que o valor das exportações de rubis moçambicanos tinha caído 80% no primeiro trimestre, rendendo cerca de 4,6 milhões de euros, segundo dados do banco central.

O relatório sobre a balança de pagamentos do primeiro trimestre refere que as receitas com a exportação de rubis caíram de 25,6 milhões de dólares (23,7 milhões de euros) de janeiro a março de 2023 para 5,2 milhões de dólares (4,6 milhões de euros) no mesmo período deste ano.

O relatório associa os “baixos níveis de produção do maior produtor deste mineral” à “falha de equipamentos de produção” e à “instabilidade militar no norte do país”, em referência aos ataques de grupos rebeldes em Cabo Delgado, que aumentaram acentuadamente nos primeiros três meses do ano.

A produção global de rubi em Moçambique caiu em 2023 para 2,7 milhões de quilates, contra 4,2 milhões de quilates em 2022 e cinco milhões de quilates em 2021.

Só a exploração de rubis na mina MRM, em Cabo Delgado, norte de Moçambique, gerou quase mil milhões de euros desde 2012, segundo dados divulgados no final de abril pela Gemfields, que detém 75% da empresa.

De acordo com os dados até dezembro do relatório “Fator G para os Recursos Naturais”, que visa promover a “transparência” sobre o nível de riqueza em recursos humanos partilhada pela Gemfields “com os governos dos países de acolhimento” dos sectores mineiro, petrolífero, gás madeira e pesca, a MRM teve uma receita total de 151,3 milhões de dólares (141 milhões de euros) em 2023.

capital bancário

Desde que a Gemfields adquiriu 75% da MRM – em fevereiro de 2012, ano em que se iniciou a exploração mineira, com os leilões de rubis a começarem dois anos depois – a mina acumulou receitas superiores a 1.055 milhões de dólares (982,7 milhões de euros), pagando o Estado moçambicano, no mesmo período, 257,4 milhões de dólares (239,7 milhões de euros).

No ano passado, a MRM pagou ao Estado moçambicano 53,2 milhões de dólares (49,6 milhões de euros) em direitos de exploração e impostos, segundo o mesmo relatório.

A MRM é detida em 75% pela Gemfields e em 25% pela Mwiriti Limitada, uma empresa moçambicana.

Ruby production surpasses whole-year target in nine months

Ruby production in Mozambique has soared again in the third quarter, already surpassing the target for the entire year, according to budget execution data consulted by Lusa today.

“In the group of precious and semi-precious stones, the highlight goes to ruby, which recorded a level of execution of 102% in relation to the annual plan and a growth rate of 49% in the period under analysis,” reads the budget execution report for the third quarter from the Mozambican Ministry of Economy and Finance.

“Resulting from the good performance of the company SLR Mining, which assumed the position of largest producer of this mineral resource, with the start-up of another processing plant. This company was responsible for the production of more than 70% of the total of this mineral resource,” the document details.

In nine months, Mozambique produced 3,145,391 carats of rubies, while the official forecast for the whole of 2024 was 3,080,895 carats.

Another factor that explains this growth in the third quarter – already seen in the second quarter – is related to the “full resumption of production by the company Moza Minerals, combined with the fact that the company Montepuez Ruby Mining carried out intensive excavation in three more highly productive blocks”.

Production had fallen by 55% in March, in year-on-year terms, to 252.6 thousand carats, according to the first quarter report, due to problems at the largest national mine, Montepuez Rubi Mining (MRM).

Lusa had previously reported that the value of Mozambican ruby exports had fallen by 80% in the first quarter, yielding around €4.6 million, according to data from the central bank.

The report on the balance of payments for the first quarter states that revenues from ruby exports fell from US$25.6 million (€23.7 million) from January to March 2023 to US$5.2 million (€4.6 million) in the same period this year.

The report linked the “low production levels of the largest producer of this mineral” to the “failure of production equipment” and “military instability in the north of the country”, in reference to attacks by rebel groups in Cabo Delgado, which increased sharply in the first three months of the year.

Global ruby production in Mozambique fell in 2023 to 2.7 million carats, compared to 4.2 million carats in 2022 and five million carats in 2021.

Ruby mining at the MRM mine in Cabo Delgado, northern Mozambique, alone, has generated almost one billion Euros since 2012, according to data released at the end of April by Gemfields, which owns 75% of the company.

According to data up to December from the “G Factor for Natural Resources” report, which aims to promote “transparency” on the level of human resource wealth shared by Gemfields “with host country governments” from the mining, oil, wood gas and fishing sectors, MRM had a total revenue of US$151.3 million (€141 million) in 2023.

Since Gemfields acquired 75% of MRM – in February 2012, the year mining exploration began, with ruby auctions starting two years later – the mine has accumulated revenues of over US$1,055 million (€982.7 million), paying the Mozambican state, in the same period, US$257.4 million (€239.7 million).

Last year, MRM paid the Mozambican state US$53.2 million (€49.6 million) in royalties and taxes, according to the same report.

MRM is 75% owned by Gemfields and 25% by Mwiriti Limitada, a Mozambican company.

Economia perde cerca de 24,8 mil milhões de Meticais em 10 dias de manifestações

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) constatou que, durante 10 dias de manifestações pós-eleitorais, a economia moçambicana perdeu cerca de 24,8 mil milhões de Meticais, cerca de 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo os sectores de comércio, restauração, logística e transporte os mais afectados.

Durante a apresentação dos resultados de um estudo preliminar sobre o impacto das manifestações na economia, o Presidente da CTA, Agostinho Vuma, explicou que as referidas perdas colocam em risco o alcance da meta de crescimento económico de 5,5%, previsto para o presente ano. Segundo Vuma, a forma mais saliente das manifestações foi a vandalização e/ou arrombamento de unidades empresariais, sendo que já foram afectadas cerca de 151 unidades empresariais em todo o país, sendo 80% na Cidade e Província de Maputo.

“As vandalizações tiveram um custo de cerca de 45,5 milhões de USD e colocam em risco mais de 1200 postos de emprego, de forma directa, devido ao nível de vandalização a que foram sujeitos. De igual forma, assinala-se o impacto no sector de transporte rodoviário, em que os operadores da região metropolitana de Maputo reportam o surgimento de portagens informais e uma receita perdida de cerca de 417 milhões de Meticais em 10 dias”, relatou Vuma.

O Presidente da CTA apontou também a interrupção do tráfego no corredor de Maputo que levou à redução do fluxo normal de camiões para o Porto de Maputo, de uma média diária de 1100 para 300 camiões. Para o sector financeiro, para além da redução da procura de crédito, incumprimento de obrigações creditícias e aumento do tempo médio de resposta de serviços ao cliente, a CTA constatou que as manifestações reduziram as transacções no mercado cambial em 75,3%, em que de uma média de cerca de 60 milhões de dólares, caiu para cerca de USD 14 milhões, nos dias 24 e 25 de Outubro, só para citar alguns impactos.

Além de falar de prejuízos, a CTA falou de soluções para mitigar o impacto das manifestações. “Primeiro enquanto entidade que representa os interesses empresariais, a nossa preocupação é encontrar formas de mitigar o actual fardo sobre as empresas e assegurar a continuidade da actividade empresarial. E aqui a nível da CTA, criamos um Gabinete de Crise, que tem como uma das atribuições propor medidas de índole fiscal, laboral, monetária, segurança e administrativa”, destacou Vuma.

A nível fiscal, a CTA propõe a remoção do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) nos Óleos, Sabões e Açúcar, frangos e ovos, por serem produtos básicos principalmente para a população desfavorecida. Defende moratória fiscal com diferimento de prazos; isenção do pagamento de encargos (multas, juros, taxas de execução fiscal) resultantes do atraso do pagamento de obrigações fiscais; simplificação e flexibilização de auditorias pós-desembaraço aduaneiro nas principais fronteiras e portos.

“A nível da política monetária, propomos o prosseguimento da diminuição da taxa Mimo e a prática de taxas de juro especiais para agricultura; a redução do coeficiente de reservas obrigatórias de 39% até 20% em Metical e 5% em Dólar americano. Neste pacote, incluímos a isenção de multas e juros por atraso de pagamento ao Instituto Nacional de Segurança Social, tanto da parte do trabalhador como do empregador”, apontou Vuma.

Igualmente, a CTA propõe a flexibilização dos prazos expirados de documentação (vistos e autorizações), em instituições, como o Serviço Nacional de Migração, bem como o reforço da segurança de património público e privado e a criação de corredores de segurança ao longo das principais vias, de forma a assegurar o transporte de bens e pessoas nos principais entrepostos comerciais.

Exxon prevê a primeira produção de GNL do projecto de 30 mil milhões de dólares em Moçambique para 2030

A Exxon Mobil espera que a primeira produção de gás natural liquefeito (GNL) do seu projecto em Moçambique ocorra em 2030, disse um executivo da empresa na quinta-feira.

A Exxon, juntamente com parceiros como a Eni ENI.MI e a CNPC da China, estão a desenvolver um projecto de GNL no norte de Moçambique, com o gigante americano da energia a liderar a construção e operação da liquefação em terra e instalações relacionadas.

“Muito provavelmente, no próximo ano, iniciaremos alguns trabalhos iniciais em Afungi (local) para dar andamento ao projecto, mantendo-o no caminho certo e permitindo-nos obter a primeira produção de GNL em 2030”, disse Frank Kretschmer, director-geral da unidade da empresa em Moçambique, a delegados numa conferência sobre energia na Cidade do Cabo.

A empresa disse na quarta-feira que esperava agora uma decisão final de investimento para o seu projecto Rovuma LNG em Moçambique no início de 2026. O custo do projecto está estimado em cerca de 30 mil milhões de dólares.

BdM prevê contínuo crescimento da actividade económica apesar de riscos

O Banco de Moçambique prevê que a actividade económica do país continue a crescer, nos próximos dois anos, apesar dos riscos e incertezas, de natureza doméstica (crise pós-eleitoral, o terrorismo, impacto da época chuvosa e ciclónica) e externas (conflito no Médio-Oriente e a guerra entre a Rússia e a Ucrânia). No segundo trimestre de 2024, o Produto Interno Bruto expandiu em 4,5%, fundamentado pelo desempenho da indústria extractiva.

“Prevê-se que a actividade económica continue a crescer de forma moderada, estimulada, essencialmente, pela normalização da taxa MIMO e implementação de projectos em sectores-chave como os de energia, transporte e indústria extractiva”, defendeu o Governador do Banco Central, Rogério Zandamela.

No que toca à variação de preços, o Banco Central perspectiva para o mesmo horizonte, de curto e médio prazo, que a inflação continue estável, em torno de um dígito. A instituição perspectiva, igualmente, que as reservas internacionais líquidas do país se mantenham em níveis confortáveis para a cobertura das importações. A inflação anual manteve a tendência de desaceleração, fixando-se em 2,5%, em Setembro último, após 5%, em Dezembro de 2023.

Essas perspectivas foram apresentadas na semana passada, durante o 49º Conselho Consultivo do Banco de Moçambique, realizado na Cidade de Maputo. No que toca às realizações, Zandamela lembrou que este ano a instituição iniciou o ciclo de normalização da taxa de referência da política monetária, a taxa MIMO, que só nos primeiros nove meses do ano reduziu em 375 pontos base, para 13,50%.

“Deste modo, a Prime Rate, que é a taxa de juro de referência para o crédito, bem como as demais taxas de juro do mercado, têm igualmente reduzido, em linha com as decisões de política monetária e o crédito à economia começa a registar um modesto crescimento”, disse Zandamela.

Relativamente ao tópico das reformas, o Governador salientou que, com vista a tornar o sistema financeiro mais seguro, moderno e inclusivo, adoptou este ano a nova série de notas e moedas do Metical, com padrões modernos de design e de segurança, com o objectivo de conferir maior segurança e resistência das notas e moedas, bem como melhorar a identificação por parte das pessoas com deficiência visual.

“Através da introdução de novas tecnologias e da modernização das infra-estruturas de pagamentos, asseguramos a interoperabilidade entre as instituições de moeda electrónica e os bancos, resultando no aumento significativo da inclusão financeira, o que propiciou, em Setembro de 2024, o alcance de 99% da população adulta com contas nas instituições de moeda electrónica, após 69% em Dezembro de 2022”, acrescentou Zandamela.

Ainda no contexto das reformas, em Março do presente ano, o Banco de Moçambique aderiu à Network for Greening the Financial System, uma organização que congrega bancos centrais e supervisores financeiros do mundo inteiro, com o objectivo de acelerar a expansão das finanças verdes e desenvolver recomendações sobre a actuação dos bancos centrais no contexto das mudanças climáticas.