Saturday, April 11, 2026
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Para transformação económica, Salimo Abdula desafia governos africanos a investir mais em infraestruturas

O empresário moçambicano Salimo Abdula defendeu, recentemente, em Marrakech, Marrocos, a necessidade dos governos africanos apostarem fortemente no investimento na rede de infraestruturas de modo a torná-la num factor impulsionador do desenvolvimento das economias a nível do continente.

Chairman do Grupo Intelec Holdings lançou o repto na V Edição do Choiseul Africa Business Forum, na qual foi convidado a elaborar sobre “URBANIZAÇÃO: ENTRE OS DESAFIOS E UM PAPEL CONDUTOR NA TRANSFORMAÇÃO ECONÓMICA EM ÁFRICA”, um tema, no seu entender, actual e de vital importância para o futuro das nações africanas.

“Reconhecemos que os governos têm dado alguns avanços para a melhoria de infraestruturas, mas é necessário investir mais para garantir que estes países tenham infraestruturas à altura de impulsionar os negócios e fazer crescer o empresariado, quiçá, a economia das pessoas. É preciso que se criem mais indústrias para manufaturar a produção local dos recursos que abundam neste continente. Isso irá criar mais postos de trabalho e alavancar as economias africanas para saírem da dependência externa”, defendeu Salimo Abdula.

Apesar de reconhecer que passos significativos foram dados ao longo dos anos, Salimo Abdula, que também é membro do Choiseul Africa Advisory Board, destacou que ainda subsistem desafios multiformes, a começar pelo crescimento acelerado da pobreza urbana, realidade que desafia as lideranças africanas a adoptar uma visão estratégica de modo inverter a tendência.

Aliás, no seu entender, é igualmente premente que os governos e órgãos de tomada de decisão reinventem-se para que os abundantes recursos sirvam aos africanos e contribuam para o desenvolvimento das nações, o que permitirá elevar os índices de competitividade do continente em relação ao resto do mundo.

Sobre a qualidade das infraestruturas, de modo geral, Salimo Abdula disse ser fundamental que se avance para uma reflexão profunda sobre o modelo que realmente pretendemos enquanto continente, respeitando naturalmente as especificidades de cada Nação. No entanto, alertou para a necessidade da concepção de políticas claras e capazes de prever a manutenção plena e efectiva das infraestruturas já existentes, sem descurar das que virão ser erguidas.

“Para minimizar a acelerada degradação de infraestruturas ou a ausência das mesmas, os Estados devem desenhar políticas claras que preveem a manutenção periódica da rede de infraestruturas já existentes. De nada valerá criar-se novas infraestruturas sem manutenção do que já existe. Temos que repensar se vale a pena construir 50 km de uma estrada quando a mesma tem uma extensão de 200 km degradados”, realçou.

A V Edição do Choiseul Africa Business Forum juntou à mesma mesa cerca de 800 líderes influentes que, durante dois dias, debateram sobre os melhores caminhos/estratégias sustentáveis para o futuro do continente africano. Este ano, a Choiseul Africa celebra uma década de promoção do desenvolvimento em todo o continente africano.

Banco de Moçambique pode suspender cortes na taxa de juro devido a tensões pós-eleitorais, alerta Standard Bank

As manifestações convocadas pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane para repudiar os resultados fraudulentos pós-eleitorais podem levar o Banco de Moçambique a suspender o corte que tem vindo a fazer na Taxa de Juro de Política Monetária (Taxa MIMO), que em Setembro passado caiu de 14,25% para os actuais 13,50%, devido à contínua consolidação das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo.

O posicionamento é do Economista-chefe do Standard Bank Moçambique, Fáusio Mussá, expresso no relatório do inquérito mensal às empresas do sector privado sobre a actividade económica, designado Purchasing Managers’ Index (PMI), referente ao mês de Outubro. “O ambiente tenso pós-eleitoral poderá levar o Banco de Moçambique a adoptar uma abordagem mais prudente relativamente à normalização da política monetária. Portanto, não descartamos uma pausa nos cortes da taxa de juro de referência”, diz o economista no PMI.

Mussá calculou que, desde Janeiro a esta parte, a taxa de juro de referência MIMO foi reduzida num total de 375 pontos base (3,75%), para o nível actual de 13,5%, mas as taxas de juro reais mantiveram-se elevadas, uma vez que a inflação tem diminuído a um ritmo mais rápido, com o valor mais recente de 2,5% em Setembro, em termos homólogos. “Este cenário, aliado ao facto de as reservas mínimas obrigatórias se manterem inalteradas e altas, reprime o crescimento do crédito”, defendeu o economista.

Sobre os resultados do último relatório do PMI que diminuiu para um nível corrigido de sazonalidade de 50,2 em Outubro, em relação ao valor de 50,3 registado em Setembro, Mussá entende que esta evolução reflecte sobretudo um crescimento mais brando das novas encomendas e do emprego, em comparação com o mês anterior.

Os registos do PMI acima do valor de referência de 50 sugerem um crescimento mensal consecutivo na actividade económica. “Os atrasos recorrentes dos projectos de gás natural liquefeito (GNL) apontam para que o investimento directo estrangeiro (IDE) provavelmente permaneça reduzido, o que implica um apoio limitado à oferta de divisas e ao orçamento do Estado e um crescimento mais brando do Produto Interno Bruto (PIB)”, acrescentou o bancário.

O Standard Bank Moçambique mantém a sua perspectiva de que, este ano, o crescimento do PIB irá desacelerar para 3,6% em termos homólogos, em relação aos 5,4% do ano passado, visto que os efeitos de base favoráveis, decorrentes do aumento da produção de GNL na plataforma Coral Sul, irão provavelmente diminuir. Além disso, a instituição entende que a economia se depara com uma oferta intermitente de divisas, pressões fiscais persistentes, condições de financiamento restritivas e baixo investimento.

Moçambique regista crescimento acentuado em Índice Global de Cibersegurança da ITU

Moçambique apresentou um avanço significativo no Índice Global de Cibersegurança (GCI) da União Internacional de Telecomunicações (ITU), ao passar de um índice de 0.242 em 2020 para 0.661 em 2024, o que representa um crescimento de 173%. Com esse resultado, o país mantém a terceira posição entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e ocupa o oitavo lugar na Região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Entre os países com comparativos semelhantes, apenas a Guiné-Bissau apresentou um recuo no índice GCI, passando de 0.099 para 0.064. Em contrapartida, a Guiné Equatorial destacou-se como o país com maior crescimento percentual, com um aumento de 1642%, ao passar de 0.015 para 0.204, ainda que o índice permaneça relativamente modesto.

capital bancário

O destaque global dentro da região africana foi para as Maurícias, que alcançaram o índice máximo (1), após anos de investimento contínuo em cibersegurança, consolidando sua posição com uma trajetória de crescimento constante: 0.588 (2015), 0.83 (2017), 0.88 (2018), 0.969 (2020) até alcançar o nível máximo em 2024.

Para Moçambique, o pilar de Cooperação foi especialmente relevante para o progresso, aumentando de 0 para 15.68 (em uma escala onde a pontuação máxima é 20). Este avanço deve-se, em grande parte, à implementação de políticas e estratégias de segurança cibernética, à criação do CSIRT Nacional e ao fortalecimento da cooperação com organismos internacionais, além da adoção de regulamentações internacionais. Essas medidas foram decisivas para o desempenho notável de Moçambique no Índice Global de Cibersegurança nos últimos quatro anos.

Programa Cornelder CodeLabs premia jovens de TIC por soluções inovadoras para o Porto da Beira

Encerrou, recentemente, na cidade da Beira, província de Sofala, a segunda edição do programa Cornelder CodeLabs, uma maratona promovida pela Cornelder de Moçambique (CdM), concessionária dos terminais de carga e contentores do Porto da Beira.

A iniciativa envolve jovens programadores, estudantes e recém-formados em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), que são desafiados a criar soluções informáticas que resolvam os desafios do dia-a-dia da companhia, contribuindo, por essa via, para a melhoria do seu funcionamento.

O concurso envolveu um total de seis equipas, que desenvolveram igual número de soluções que, de acordo com o júri, podem ser aprimoradas e, posteriormente, aplicadas na gestão do Porto da Beira.

Os três integrantes do pódio receberam prémios no valor de 150 mil, 75 mil e 25 mil meticais, referentes ao primeiro, segundo e terceiro lugares, respectivamente.

A título de exemplo, a equipa vencedora concebeu um sistema que usa a inteligência artificial para monitorar, com recurso a câmaras de CCTV, a produtividade dos guindastes dos navios e os camiões a serem carregados.

A equipa que ocupou a segunda posição desenvolveu um aplicativo de gestão do processo de candidaturas aos quadros da Cornelder de Moçambique. A solução apresentada pela equipa que ficou em terceiro lugar está ligada ao monitoramento de garras da concessionária.

Para o administrador delegado da CdM, Jan de Vries, o programa superou as expectativas, na medida em que as soluções apresentadas respondem aos actuais desafios que se impõem à gestão dos terminais de carga e contentores do Porto da Beira.

“As soluções poderão ser aproveitadas e, quiçá, servirem de base para a criação de aplicativos para a solução dos problemas apresentados durante o programa”, disse Jan de Vries, para quem este resultado é indicativo da existência de talentos na região Centro do País, em particular na cidade da Beira.

Por seu turno, o chefe do Departamento de Desenvolvimento de Aplicações na Cornelder de Moçambique, Ivan Gonçalves, que foi um dos membros do júri, explicou que, para a definição dos vencedores, foram considerados diversos critérios e aspectos, com destaque para “a compreensão do caso de negócios e seus requisitos, a sua funcionalidade e aplicabilidade das soluções, a criatividade e inovação, o design e interface, a segurança e confiabilidade, a clareza e engajamento, assim como a colaboração e participação da equipa”.

Concorreram a esta edição do programa Cornelder CodeLabs mais de 150 jovens, dos quais foram seleccionados 35, que integraram os seis grupos concorrentes, sendo cinco com seis elementos e um com cinco.

ENH anuncia nova descoberta de Gás Natural na Bacia Sedimentar de Moçambique

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH,EP) anuncia a descoberta de gás natural no furo Baobab – 1, na Bacia Sedimentar de Moçambique, Área Onshore, no bloco PT5-C, localizado na província de Inhambane e que é operado pela Sasol, com a participação da ENH.

Esta é a segunda descoberta de gás natural no mesmo bloco, 19 meses depois da descoberta feita no furo Bonito – 1.

O furo Baobab – 1 (prospecto de mesmo nome) foi iniciado no dia 19 de Outubro de 2024, e atingiu a profundidade total (TD – Total Depth) de 1925m MD no dia 29 de Outubro. O mesmo tinha como objectivo primário testar as areias do reservatório do Cretácico Superior, no reservatório Grudja – 12 e os reservatórios do Grudja – 6 a 11 foram considerados como objectivos secundários.

A descoberta de gás no Furo Baobab – 1, Reservatório Grudja – 8, foi confirmada através da leitura do registo de lama (mud-log gas) durante a perfuração, combinados com dados de diagrafias elétricas (electric wireline log data), adicionados aos de Ressonância Magnética (CRM – Magnetic Resonance), incluindo amostras de fluídos do reservatório G – 8 à superfície recolhidas no furo através do instrumento de Teste Dinâmico Modular (MDT –  Single Probe Magnetic Modular Dynamic Test).

Resultante dos trabalhos técnicos desenvolvidos pelas equipas de pesquisa da ENH e Sasol, a recente descoberta, que é a segunda na Área PT5-C em reservatórios e prospectos diferentes, consolida uma nova página no conhecimento geológico nacional associado às potencialidades de ocorrências de hidrocarbonetos nos arredores dos jazigos de gás de Pande (G6 – em produção; e G10 & G11 e G11A em avaliação), Temane (G9 – em produção; G6a, G8, G10, G11, G11a & G12, G12a em desenvolvimento), Inhassoro (G6 e G10 em  desenvolvimento) e Buzi (G9 em avaliação), pois comprova a presença de gás nos reservatórios da formação do Grudja Inferior para além das áreas de Pande, Temane, Inhassoro e Buzi.

Neste contexto, a segunda descoberta na Área PT5-C encoraja em grande medida as actividades de pesquisa no bloco de Mazenga e nas áreas adjacentes e arredores dos jazigos actualmente em produção e desenvolvimento na bacia Sedimentar de Moçambique. Mais ainda, se por um lado há um grande ganho no conhecimento geológico, por outro, esta descoberta consolida a confirmação da disponibilidade de mais gás, consolidando Moçambique como um dos principais provedores deste combustível da transição energética para os mercados nacional, regional e global.

Este bloco é operado pela Sasol, detendo uma participação de 70 por cento, tendo a ENH como parceiro, com 30 por cento.

Incubadora do Standard Bank capacita 43 empreendedores em estruturação e modelos de negócios

O Standard Bank capacitou, recentemente, através da sua Incubadora de Negócios, um total de quarenta e três empreendedores de diversas áreas em matérias de estruturação e definição de modelos de negócios, na vigésima sétima edição do iDeate Bootcamp, um programa de estímulo ao empreendedorismo e desenvolvimento de negócios inovadores para a resolução de desafios, que decorreu em formato virtual.

Trata-se de um programa através do qual o banco pretende contribuir para o fortalecimento das capacidades dos empreendedores, dotando-os, para tal, de ferramentas e conhecimentos essenciais para a estruturação das suas ideias de negócio e abordagem do mercado, no qual se pretende implementar a ideia, de modo a elevá-la aos níveis de implementação e crescimento.

Intervindo na cerimónia de encerramento, a responsável da Incubadora de Negócios do Standard Bank, Erica Noormahomed, fez uma avaliação positiva do programa de capacitação, que abrangeu empreendedores de todo o país, o que permitiu maior intercâmbio entre os participantes, tendo alguns efectuado vendas e outros estabelecido parcerias.

“A dedicação e aplicação dos conhecimentos e ferramentas obtidas durante a formação são a chave necessária para alavancarem os vossos negócios. Foi um privilégio testemunhar o vosso entusiasmo e dedicação no decurso do programa, a diversidade das vossas actividades, ideias de negócios e a vontade de fazer a diferença são verdadeiramente inspiradoras e complementam-se no percurso de crescimento da nossa economia. A nossa Incubadora de Negócios estará convosco para ajudar ao longo da caminhada, bem como para testemunhar o vosso crescimento”, disse Erica Noormahomed.

Para os participantes, o programa constitui uma mais-valia para os empreendedores, no geral, na medida em que estes adquirem ferramentas essenciais para validar e estruturar as suas ideias de negócio, abordar o mercado, entre outras vantagens.

“Durante a formação, aprendemos não só sobre as etapas e as ferramentas para tornar um negócio viável. Adquirimos, também, uma mentalidade de empreendedores. Graças ao iDeate Bootcamp, sentimo-nos capazes de transformar as nossas ideias em negócios. Aprendemos a lidar com obstáculos, que, afinal de contas, fazem parte da jornada de um empreendedor. Com dedicação e perseverança, associadas às ferramentas e aos conhecimentos transmitidos, vamos transformar os nossos sonhos e ideias em algo tangível”, sublinhou a participante Iolanda Chaúque.

FNB Moçambique anuncia nomeação de Dennis Mbingo como novo Administrador-Delegado

O Conselho de Administração do FNB Moçambique anunciou a nomeação de Dennis Mbingo como novo Administrador-Delegado do Banco, com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2025. Mbingo sucede a Peter Blenkinsop, que se aposentará em dezembro de 2024, após quatro anos e meio de liderança bem-sucedida.

Sérgio Chitará, Presidente do Conselho de Administração do FNB Moçambique, destacou que a escolha de Mbingo foi motivada pela sua “perspicácia estratégica e conhecimentos técnicos”, além de sua experiência como CEO do FNB Eswatini, onde liderou com êxito a listagem do banco na bolsa local. Com uma carreira de mais de 24 anos, sendo 17 no sector financeiro, Mbingo está bem posicionado para guiar o FNB Moçambique em sua próxima fase de crescimento.

Em sua declaração após a nomeação, Mbingo expressou sua gratidão e compromisso em agregar valor aos clientes, accionistas e à sociedade, sublinhando a importância da integridade e do serviço ao cliente. Para além de manifestar seu apoio a iniciativas de crescimento económico e desenvolvimento sustentável, focando no potencial das pessoas e na formação de novos líderes.

O PCA Chitará aproveitou a oportunidade para agradecer a Peter Blenkinsop pela sua liderança, reconhecendo os avanços que o banco fez durante seu mandato, especialmente nas áreas digital e tecnológica. Blenkinsop reflectiu sobre seu tempo no cargo, destacando a importância da visão centrada no cliente e os objectivos estratégicos alcançados, e expressou confiança na nova liderança sob Mbingo.

capital bancário

Com a chegada de Dennis Mbingo, o Conselho de Administração está optimista quanto ao futuro do FNB Moçambique, acreditando que ele fortalecerá ainda mais a posição do banco no cenário financeiro nacional. A instituição permanece comprometida em oferecer serviços financeiros de qualidade e promover um crescimento sustentável.

O FNB Moçambique, subsidiária do FirstRand Group, iniciou suas operações em 2007, com foco em serviços financeiros para o setor empresarial. O banco opera com uma rede de 15 agências em oito províncias e oferece uma ampla gama de produtos e soluções, incluindo leasing, financiamento de activos e seguros de curto prazo, sempre com uma forte orientação ao cliente.

Diler Da Costa: “A Horizonte Seguros oferece um portfólio diversificado de produtos para atender às necessidades de protecção das empresas”

Com os desafios da economia global cada vez maiores, os empresários têm que focar mais a sua atenção na gestão e crescimento do seu negócio, porém, os riscos são reais. É parte do nosso trabalho identificar os riscos potenciais que possam afectar o desempenho financeiro das empresas, e garantir que estejam adequadamente protegidas. A Horizonte Seguros dispõe de um portfolio de produtos e serviços para cobrir qualquer eventualzaidade.

Em entrevista ao Profile, Diler Da Costa, Branch Manager da Horizonte Seguros, apresenta as principais opções de seguros empresariais oferecidas pela companhia, como Seguro de Bens, Seguro Automóvel, e Seguro de Responsabilidade Civil, essenciais para proteger os activos e a operação das empresas.

Da Costa explica os critérios-chave para a escolha do seguro, incluindo análise de riscos, cobertura necessária, reputação da seguradora e adequação ao orçamento.

Profile Mozambique: Quais são os principais tipos de seguros empresariais que a Horizonte Seguros oferece?

Diler Da Costa: Na nossa gama de serviços, dispomos de várias modalidades essenciais para protecção das empresas. O Seguro de Bens, por exemplo, protege os activos físicos da empresa, como edifícios, máquinas e equipamentos, contra danos por incêndio, roubo, actos de vandalismo e desastres naturais. Temos também o Seguro Automóvel, que cobre veículos comerciais e particulares, abrangendo danos no próprio veículo segurado, danos a terceiros e roubo do veículo ou de seus acessórios.

Outro seguro importante é o Seguro de Responsabilidade Civil, que resguarda a empresa contra possíveis reclamações legais por danos causados a terceiros. O Seguro de Interrupção de Negócios, por sua vez, compensa a perda de receita e despesas operacionais durante paralisações das atividades causadas por eventos cobertos na apólice.

Ademais, o Seguro de Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais cobre despesas e indenizações em caso de acidentes sofridos pelos trabalhadores durante o exercício de suas funções e doenças adquiridas em consequência dessas actividades. O Seguro de Avaria de Máquinas protege contra avarias súbitas de equipamentos que possam comprometer a continuidade das operações.

Por fim, o Seguro de Transporte de Mercadorias protege bens e produtos durante seu transporte, seja terrestre, aéreo ou marítimo. Essas coberturas oferecem uma base sólida para garantir a proteção do património, do fluxo de caixa e da continuidade operacional das empresas.

PM: Quais são os critérios mais importantes que uma empresa deve considerar ao escolher um seguro?

DC: O processo de escolha de seguros empresariais começa com o enquadramento da empresa em relação a quatro aspectos fundamentais: dimensão, ramo de actividade, localização e riscos aos quais está exposta.

A partir dessa análise inicial, seguem-se algumas etapas específicas. A primeira fase é a avaliação dos riscos específicos, onde identificam-se os principais riscos do sector e das operações da empresa, como incêndio, roubo, acidentes, danos materiais e aspectos relacionados aos stakeholders. Em seguida, é feita uma análise da cobertura necessária, comparando o que é essencial para o negócio. Esse ajuste permite minimizar riscos e garantir que o seguro atenda às condições específicas da empresa, assegurando que todas as operações previstas estejam cobertas adequadamente.

Outro ponto importante é a análise de franquias e limites de cobertura, que envolve a compreensão dos valores máximos cobertos e da participação financeira da empresa em caso de sinistros. A reputação da seguradora também é um factor crucial, sendo necessário avaliar o bom nome das seguradoras no mercado com base em critérios como atendimento ao cliente, resposta a sinistros, capacidade técnica dos gestores e solidez financeira.

Por último, considera-se o preço do seguro, que deve ser analisado não apenas pelo valor do prémio, mas também pelo custo-benefício em relação aos serviços e coberturas oferecidos

PM: Qual é o processo para avaliar os activos da empresa e garantir que estão adequadamente segurados?

DC: Neste acto, consideram-se fundamentalmente o Inventário Detalhado, onde poderá listar todos os bens. Na sequência, faz-se a Avaliação Profissional, que consiste na contratação de especialistas para definir o valor de reposição dos activos.

Recomenda-se que sejam feitas Revisões Periódicas, para actualizar a apólice conforme os activos se depreciam ou novos bens são adquiridos.

O processo culmina com o Ajuste de Cobertura, que visa acompanhar o aumento de valor de bens específicos ou máquinas essenciais. Esta etapa assegura que os activos sejam cobertos pelo valor justo, com vista a evitar insuficiência de protecção para os riscos expostos e o excesso de gastos com prémios.

PM: Actualmente, que desafios nota que são mais comuns que as empresas enfrentam ao escolher um seguro empresarial?

DC: Algumas empresas enfrentam desafios na escolha de seguros, como o desconhecimento das coberturas, o que pode levar à compra de apólices que não estão alinhadas com a sua actividade ou operações. Por um lado, a complexidade na avaliação das apólices também é um problema comum, pois pode ser difícil para a empresa entender com precisão os prémios, franquias e limites de cobertura.

E por outro, o orçamento limitado, especialmente para empresas novas, dificulta o investimento em coberturas extensas, o que deixa o negócio mais exposto a riscos. Outro ponto crítico é o receio de enfrentar um processo de sinistro complicado, marcado pela burocracia para aprovar e receber compensações ou indenizações. Esses desafios podem ser atenuados com o apoio de um corretor de confiança e uma análise cuidadosa das necessidades específicas de seguro da empresa.

PM: Como as mudanças regulatórias afectam a escolha de seguros empresariais em Moçambique?

DC: Mudanças regulatórias podem demandar coberturas adicionais ou ajustes nas apólices de seguros das empresas. Leis relacionadas à responsabilidade laboral, segurança cibernética e protecção ao consumidor são especialmente impactantes, pois obrigam as empresas a se adequarem às novas normas e revisarem regularmente suas coberturas para garantir conformidade.

Acompanhe o percurso profissional do Diler Da Costa, através da sua página do LinkedIN: Diler Da Costa

BREVE PERFIL

Moçambicano, licenciado em Economia e Mestre em Gestão de Empresas pela Universidade Eduardo Mondlane, com experiência em análise macro-económica e financeira, resseguros, riscos especiais (Incêndio, Engenharia, CAR e outros), recolha e análise de dados, utilização de pacotes econométricos (Stata), gestão e mitigação de riscos operacionais e financeiros, estudos de mercado e de viabilidade. Actualmente a serviço da Horizonte Seguros, S.A., como Gestor de Balcão.

 

Diler Da Costa: “Horizonte Seguros offers a diversified portfolio of products to meet companies’ protection needs”

With the challenges of the global economy ever increasing, entrepreneurs have to focus more of their attention on managing and growing their business, but the risks are real. It is part of our job to identify the potential risks that could affect companies’ financial performance and ensure that they are adequately protected. Horizonte Seguros has a portfolio of products and services to cover any eventuality.

In an interview with Profile, Diler Da Costa, Branch Manager at Horizonte Seguros, presents the main business insurance options offered by the company, such as Property Insurance, Motor Insurance and Civil Liability Insurance, which are essential for protecting companies’ assets and operations.

Da Costa explains the key criteria for choosing insurance, including risk analysis, necessary coverage, the insurer’s reputation and budget suitability.

Profile Mozambique: What are the main types of business insurance that Horizonte Seguros offers?

Diler Da Costa: In our range of services, we have several essential types of insurance to protect companies. Property insurance, for example, protects the company’s physical assets, such as buildings, machinery and equipment, against damage from fire, theft, vandalism and natural disasters. We also have Motor Insurance, which covers commercial and private vehicles, covering damage to the insured vehicle itself, damage to third parties and theft of the vehicle or its accessories.

Another important insurance is Civil Liability Insurance, which protects the company against possible legal claims for damages caused to third parties. Business Interruption Insurance, on the other hand, compensates for loss of revenue and operating expenses during downtime caused by events covered by the policy.

In addition, Occupational Accident and Illness Insurance covers expenses and compensation in the event of accidents suffered by workers during the course of their duties and illnesses acquired as a result of these activities. Machinery Breakdown Insurance protects against sudden equipment breakdowns that could jeopardize the continuity of operations.

Finally, Goods Transport Insurance protects goods and products during transportation, whether by land, air or sea. These coverages provide a solid basis for guaranteeing the protection of companies’ assets, cash flow and operational continuity.

PM: What are the most important criteria a company should consider when choosing insurance?

DC: The process of choosing business insurance begins with framing the company in relation to four fundamental aspects: size, line of business, location and the risks to which it is exposed.

From this initial analysis, a number of specific stages follow. The first stage is the assessment of specific risks, where the main risks of the sector and the company’s operations are identified, such as fire, theft, accidents, property damage and aspects related to stakeholders. This is followed by an analysis of the coverage required, comparing what is essential for the business. This makes it possible to minimize risks and ensure that the insurance meets the company’s specific conditions, ensuring that all planned operations are adequately covered.

Another important point is the analysis of deductibles and coverage limits, which involves understanding the maximum amounts covered and the company’s financial participation in the event of claims. The insurer’s reputation is also a crucial factor, and it is necessary to assess the good name of insurers in the market based on criteria such as customer service, response to claims, the technical capacity of managers and financial strength.

Finally, there is the price of the insurance, which should be analyzed not only by the amount of the premium, but also by the cost-benefit in relation to the services and coverage offered

PM: What is the process for assessing the company’s assets and ensuring that they are adequately insured?

DC: In this act, we basically consider the Detailed Inventory, where you can list all the assets. This is followed by the Professional Appraisal, which consists of hiring specialists to define the assets.

Periodic Reviews are recommended to update the policy as assets depreciate or new goods are acquired.

The process culminates with the Coverage Adjustment, which aims to keep pace with the increase in value of specific assets or essential machinery. This step ensures that assets are covered at fair value, in order to avoid insufficient protection for exposed risks and excess premium expenses.

PM: Currently, what challenges do you see most commonly faced by companies when choosing business insurance?

DC: Some companies face challenges when choosing insurance, such as not knowing the coverage, which can lead to buying policies that are not aligned with their business or operations. On the one hand, complexity in evaluating policies is also a common problem, as it can be difficult for the company to accurately understand premiums, deductibles and coverage limits.

And on the other hand, limited budgets, especially for new companies, make it difficult to invest in extensive coverage, which leaves the business more exposed to risk. Another critical point is the fear of facing a complicated claims process, marked by bureaucracy to approve and receive compensation. These challenges can be mitigated with the support of a reliable broker and a careful analysis of the company’s specific insurance needs.

PM: How do regulatory changes affect the choice of business insurance in Mozambique?

DC: Regulatory changes may require additional coverage or adjustments to companies’ insurance policies. Laws related to labor liability, cyber security and consumer protection are especially impactful, as they force companies to adapt to the new standards and regularly review their coverage to ensure compliance

Follow Diler Da Costa’s career through his LinkedIN page: Diler Da Costa

BRIEF PROFILE
Mozambican, with a degree in Economics and a Master’s in Business Management from Eduardo Mondlane University, with experience in macroeconomic and financial analysis, reinsurance, special risks (Fire, Engineering, CAR and others), data collection and analysis, use of econometric packages (Stata), management and mitigation of operational and financial risks, market and feasibility studies. Currently working for Horizonte Seguros, S.A., as Branch Manager.

Moçambique classificado como devedor de “alto risco” em moeda local de acordo com Standard Poor’s

A Standard Poors (S&P) é uma agência internacional de classificação de risco de crédito, que geralmente avalia a capacidade de um país, empresa ou instituição financeira cumprir com suas obrigações de pagamento de divida. Na mais recente publicação, datado a 18 de outubro de 2024, A S&P rebaixou a classificação de Moçambique em moeda local de longo prazo de CCC+ para CCC.

O que isto significa?

Esta classificação demonstra uma maior probabilidade de incumprimento da divida de Moçambique com seus credores locais, assim o país perde a confiança por parte dos investidores estrangeiros e o custo de captação de recursos aumenta considerando o risco elevado dos credores. Por outras palavras, o país reduz a sua capacidade de honrar com seus compromissos financeiros ou obrigações de pagamento de divida.

Causas do “downgrade” rebaixamento da classificação de Moçambique

A principais causas por detrás desta recente classificação de Moçambique tem haver com:

  • A pressão fiscal que o país vem sofrendo devido as reformas introduzidas na folha salarial da função pública – TSU, actualmente os salários e renumerações da função representam cerca de 15% sobre o PIB;
  • Insustentabilidade da divida pública interna, com um aumento de 90 mil milhões de meticais de dezembro de 2023 até ao momento, estando actualmente em níveis de 403 mil milhões de meticais;
  • Incapacidade de o Governo conseguir gerar receitas suficientes para cobrir as suas despesas, o país continua apresentando um deficit orçamental de 8% sobre o PIB;
  • Constantes atrasos nos pagamentos de divida interna implicando juros de mora;
  • Economia fragilizada e dependente dos projectos de gás natural e petróleo, tornando se vulneral para qualquer oscilação do preço das commodities no mercado internacional;
  • Previsões de ocorrência de chuvas fortes entre outubro 2024 á março de 2025, Moçambique está na lista dos 10 países africanos mais afectados pelos desastres naturais nos últimos tempos;
  • Falta de transparência na gestão fiscal, é necessário um investimento nos indicadores de governança institucional; e
  • Elevados custos de campanha – pré-eleitoral, estimados em cerca de 260 milhões de meticais.

capital bancário

Impactos da Economia

  • Redução do Nível de Investimento directo ao estrangeiro no país impactando o crescimento económico e o nível de emprego;
  • Dificuldade de acesso do governo ao crédito limitando a sua capacidade de investir em infraestruturas, saúde, educação, entre outros sectores críticos;
  • Possibilidade de atrasos nos projectos de gás natural e petróleo, impactando negativamente as projeções no crescimento económico do país; e
  • Possibilidade de pressão cambial, considerando o reduzido nível de investimento estrangeiro e a entrada de capitais externos no país.

Potenciais soluções

  • O sector informal em Moçambique contribui em 40% para o PIB global, a formalização do sector informal pode garantir níveis de receita tributária sustentáveis e condições de trabalho adequadas;
  • Receitas do Fundo soberano, considerando a regra de gestão fiscal do Fundo soberano apresentada, em que uma parte das receitas de gás Natural e petróleo serão destinadas ao orçamento do estado para fazer face a projetos prioritários na área de saúde, infraestruturas, transportes, educação;
  • Maximizar as receitas nos projetos de gás natural, considerando que em 2025, espera-se atingir em 100% a capacidade produção e exportação;
  • Redução de emissões de divida de curto prazo, neste caso Bilhetes de Tesouro, dando primazia as obrigações de tesouro que podem permitir melhor refinanciamento da divida;
  • Corte de subsídios e regalias dos dirigentes do estado, mostrando assim um sacrifício a ser feito por todos moçambicanos, independentemente do nível;
  • Reformas de governança e transparência por forma permitir uma melhor gestão pública das receitas do estado e bem como fortalecer o combate a corrupção e transparência fiscal através de ações concretas.

Por fim, a actual crise política que se vive em Moçambique terá como um dos efeitos negativos na economia, uma maior pressão fiscal do Estado, gerando uma pressão no endividamento interno, aumentando severamente a probabilidade de incumprimento da divida em moeda local.

Por: Paulo Matavela

Breve Perfil

Pós-graduação em Gestão de Empresas pela Universidade de Witwatersrand – Joanesburgo, Licenciatura em Gestão Financeira.

Gestor Financeiro e de Risco, experiência no sector bancário e Telecomunicações, bem como Consultor Financeiro (serviços financeiros e mercados de capitais), Coaching e Mentoring, Certificação em curso de Analista de Modelação Financeira e Avaliação, Programa de Desenvolvimento de Gestores pela W-Consulting South Africa.