Saturday, June 6, 2026
spot_img
Home Blog Page 116

Sector privado propõe redução das Reservas Obrigatórias e uso das RIL para aliviar escassez de divisas no mercado

A CTA convocou uma Conferência de Imprensa para reiterar, como medida de curto prazo para aliviar a escassez de divisas no mercado, a necessidade de redução do coeficiente das Reservas Obrigatórias em moeda externa, que, actualmente, se situa em 39,5%, das mais elevadas do mundo.

Igualmente, como medida de curto prazo, a CTA defendeu a necessidade do Banco de Moçambique começar a injectar, ao mercado, parte das Reservas Internacionais Líquidas (RIL), consideradas altas, para que os bancos comerciais ganhem confiança e usem a sua posição cambial positiva para apoiar as empresas. Em Julho último, as RIL cresceram em cerca de 40%, atingindo uma cobertura de 4,9 meses de importações, enquanto o benchmark do FMI é de 2,8 meses.

Como medida, a médio e longo prazos, a CTA propôs a revisão do tipo de contrato celebrado entre o Governo de Moçambique e os actores no mercado internacional, porquanto claudica ao não canalizar benefícios diversos para a economia de Moçambique, estando refém de divisas que são geradas por Grandes Projectos no País.

Os sectores da Indústria Transformadora (onde as moageiras acumularam necessidades de divisas não satisfeitas estimadas em 56 milhões de dólares até Junho), de bebidas, transporte aéreo e turismo, são os mais afectados.

CodeLabs lança 2ª edição de competição para jovens programadores desenvolverem soluções inovadoras para o sector de transportes

As candidaturas para a 2ª edição do Programa CodeLabs estão abertas até 11 de Outubro.

O programa tem como objectivo apoiar o desenvolvimento de jovens programadores, promovendo uma competição focada na criação de soluções inovadoras em Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) que sejam úteis para o quotidiano de empresas dos sectores marítimo e de transportes.

O projecto CodeLabs foi criado, em 2023, pela Cornelder de Moçambique, com o objectivo de contribuir para o desenvolvimento dos jovens profissionais no País.

Depois do sucesso da 1ª edição – onde o grupo vencedor criou uma plataforma que fez depois a gestão do maior evento desportivo de Moçambique, a Légua da Beira – esta 2ª edição será realizada de 28 de Outubro a 1 de Novembro, na cidade da Beira.

Poderão inscrever-se para este projecto jovens programadores, estudantes finalistas e recém-graduados, com idade compreendida entre 18 e 30 anos, e que queiram demonstrar o seu talento e ideias inovadoras.

Importa realçar que se pretende com este “hackathon” envolver os jovens recém-formados em TICs na criação de soluções informáticas que resolvam os desafios do sector portuário no País.

Informações sobre o programa, estão disponíveis no site: www.codelabs.co.mz

.

RBR Group Limited prepara-se para retomar os projectos de GNL na Bacia do Rovuma com contrato de 16,5 Milhões de dólares

RBR Group Limited

A RBR Group Limited, uma empresa australiana especializada em treinamento e fornecimento de mão-de-obra, anunciou sua posição estratégica no reinício do projecto de gás natural liquefeito (GNL) da TotalEnergies na bacia do Rovuma, em Moçambique. A empresa garantiu contratos significativos no valor total de 24 milhões de dólares australianos (16,5 milhões de dólares) para o fornecimento de serviços de treinamento e construção de acampamentos ao longo de 18 meses.

Apesar da declaração de força maior pela TotalEnergies, que suspendeu as actividades do projecto devido a questões de segurança na região, a RBR reorientou seus esforços para explorar novas oportunidades em Moçambique. Em sua recente publicação, a empresa destacou a resiliência e a adaptabilidade diante dos desafios, informando que já concluiu novos contratos primários de fornecimento e construção de acampamentos.

Com o iminente reinício das actividades na bacia do Rovuma, a RBR se posiciona como um jogador fundamental no fornecimento de mão-de-obra qualificada e soluções de acomodação. A empresa acredita que suas alianças estratégicas e sua experiência no setor, combinadas com um histórico de contratos bem-sucedidos, a capacitarão a aproveitar as oportunidades significativas que surgirão.

Moçambique abriga três projectos de desenvolvimento aprovados para a exploração de suas reservas de gás natural, que estão entre as maiores do mundo, localizadas ao largo da costa da província de Cabo Delgado. Dois desses projectos, de maior envergadura, preveem a canalização do gás do fundo do mar para a terra, onde será resfriado em uma planta para exportação marítima em estado líquido. Um deles é liderado pela TotalEnergies, cujas obras foram suspensas após o ataque armado em Palma, em Março de 2021, com a empresa francesa afirmando que só retomará as actividades quando a segurança da região for garantida. O outro projecto, ainda sem anúncios concretos, é liderado pelo consórcio da ExxonMobil e Eni.

Com uma estratégia corporativa robusta e foco na integração vertical, a RBR Group Limited está determinada a expandir suas operações e arrecadar mais receitas, mirando também outros mercados africanos. A empresa reafirma seu compromisso em contribuir para o desenvolvimento económico de Moçambique enquanto capitaliza as oportunidades no sector de GNL.

A sustentabilidade como vantagem competitiva: O papel das práticas de ESG e Marketing nas PMEs

Moçambique tem apresentando uma promissora trajetória econômica e métricas de crescimento relevantes e está cada vez mais buscando transformações significativas e neste cenário é cada vez mais notável o papel que as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) desempenham para o desenvolvimento económico do país.

Embora muitas MPMEs estejam cientes de aspectos sociais e ambientais, é sabido de suas limitações para uma aplicação de grandes investimentos na implantação de acções para o desenvolvimento de negócios sustentáveis, entretanto é possível dar os primeiros passos nesta jornada com a adopção de ações graduais. As empresas moçambicanas, podem e devem gradualmente implementar práticas ESG para capitalizar nas crescentes oportunidades económicas, ao mesmo tempo em que promovem um impacto positivo na sociedade.

Como ponto de partida nesta jornada sustentável, as PMEs podem focar em práticas ambientais que não exigem grandes investimentos financeiros, como algumas ações para eficiência de recursos. Pequenos exemplos que podem ser implementados incluem gestão de resíduos, uso eficiente de energia, e incentivar os colaboradores a adoptar e propagar essas práticas para além da empresa. Isso ajuda a demonstrar um compromisso com a sustentabilidade. No sector agrícola de pequena e média escala, as PMEs podem adoptar técnicas de agricultura sustentável que preservam a saúde do solo e reduzem o uso de produtos químicos, contribuindo para a conservação ambiental sem incorrer em altos custos.

Embora inicialmente perceba-se como caro, o uso de energia renovável pode ser implementado de forma incremental. Moçambique tem um potencial solar significativo, e as PMEs podem começar com pequenos passos e, ao longo do tempo, à medida que os benefícios financeiros de contas de energia reduzidas se tornem aparentes, essas empresas podem reinvestir as economias para expandir sua capacidade de energia renovável. Essa abordagem gradual permite que as PMEs estejam alinheme aos objectivos globais de sustentabilidade sem sobrecarregar seus orçamentos limitados.

No campo social, o engajamento comunitário e o desenvolvimento são vitais para promover boa vontade e construir fortes relações locais. As PMEs podem se envolver no desenvolvimento comunitário apoiando projectos locais por meio de doações de suprimentos ou voluntariado. Esses esforços não exigem grandes desembolsos financeiros, mas podem ter um impacto profundo no bem-estar da comunidade e na fidelidade dos clientes.

O bem-estar dos colaboradores também é uma parte importante no caminho para a gestão sustentável dos negócios, e o desenvolvimento das pessoas deve ser uma prioridade. Salários justos, condições de trabalho seguras e oportunidades de desenvolvimento contínuo de habilidades são essenciais para manter uma força de trabalho motivada e eficiente. Para as PMEs, ter uma equipe engajada pode se reflectir no aumento da produtividade, redução da rotatividade, melhoria na qualidade dos produtos ou serviços, maior inovação e resiliência, o que se traduz em aumento da satisfação do cliente e fortalece a empresa diante das adversidades típicas de ambientes com recursos limitados.

Juntamente com todas as ações já mencionadas, a adopção de práticas de Governança, como garantir operações transparentes e o engajamento dos stakeholders, é crucial para construir confiança e credibilidade. As PMEs devem adoptar estruturas de governança que incluam auditorias regulares, conformidade com as regulamentações locais e práticas empresariais éticas. Relatórios financeiros transparentes, mantendo registos claros e precisos de transações e decisões, podem ser feitos usando soluções de software simples e de baixo custo.

Engajar todos os stakeholders—clientes, funcionários, fornecedores e investidores—por meio de canais de comunicação regulares ajuda a reunir feedback, resolver preocupações e fortalecer os relacionamentos, ao mesmo tempo que promove o compromisso com o sucesso da empresa. Nesse contexto, o marketing desempenha um papel fundamental na promoção das práticas de ESG. Ao comunicar de forma eficaz seu compromisso com o desenvolvimento e com as práticas sustentáveis, as empresas podem melhorar sua reputação de marca e atrair clientes que valorizam práticas empresariais éticas e responsáveis.

À medida que Moçambique continua a crescer economicamente, integrar práticas ESG nas estratégias de negócios não é apenas uma obrigação moral, mas uma vantagem estratégica. As PMEs, com seu papel significativo na economia, têm o potencial de integrar essa transformação e construir negócios resilientes que contribuam para os objectivos de desenvolvimento sustentável do país. Com uma implementação cuidadosa e marketing eficaz, a implementação das práticas de ESG podem abrir caminho para um futuro próspero tanto para as empresas quanto para as comunidades em Moçambique.

À medida que o país continua a se desenvolver, integrar práticas de Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG) às estratégias de negócios especialmente para Pequenas e Médias Empresas (PMEs) não é apenas uma obrigação moral, mas uma vantagem estratégica. Ao mesmo tempo, é sabido que o investimento em acções de comunicação e marketing ajudam a construir fortes relações com os clientes e potenciais clientes. Neste cenário, torna-se vital aliar as práticas de negócios sustentáveis dentro do planeamento geral da empresa, de forma que as acções de comunicação e sustentabilidade possam juntas catalisar o crescimento sustentável e o sucesso a longo prazo.

Por: Dayane Azeredo – Ipsos Moçambique

Dayane Azeredo é apaixonada por assuntos relacionados à pessoas, inovação, marcas, consumidores e desenvolvimento sustentável.  Profissional de Relações Públicas, actua há mais de 10 anos como gestora de marcas, relacionamento com clientes e stakeholders e liderança de projectos e pessoas.

Sustainability as a Competitive Advantage: The Role of ESG and Marketing Practices in SMEs

Mozambique has shown a promising economic trajectory and relevant growth metrics and is increasingly seeking significant transformations and in this scenario the role that micro, small and medium-sized enterprises (MSMEs) play in the country’s economic development is increasingly notable.

Although many MSMEs are aware of social and environmental aspects, it is well known that they are limited in their ability to invest heavily in implementing actions to develop sustainable businesses, although it is possible to take the first steps on this journey by adopting gradual actions. Mozambican companies can and should gradually implement ESG practices to capitalize on growing economic opportunities, while at the same time promoting a positive impact on society.

As a starting point on this sustainable journey, SMEs can focus on environmental practices that don’t require large financial investments, such as some resource efficiency actions. Small examples that can be implemented include waste management, efficient energy use, and encouraging employees to adopt and spread these practices beyond the company. This helps demonstrate a commitment to sustainability.

In the small and medium-scale agricultural sector, SMEs can adopt sustainable farming techniques that preserve soil health and reduce the use of chemicals, contributing to environmental conservation without incurring high costs.

Although initially perceived as expensive, the use of renewable energy can be implemented incrementally. Mozambique has significant solar potential, and SMEs can start with small steps and, over time, as the financial benefits of reduced energy bills become apparent, these companies can reinvest the savings to expand their renewable energy capacity. This gradual approach allows SMEs to be aligned with global sustainability goals without straining their limited budgets.

On the social front, community engagement and development are vital for promoting goodwill and building strong local relationships. SMEs can get involved in community development by supporting local projects through donations of supplies or volunteering. These efforts don’t require large financial outlays, but can have a profound impact on community well-being and customer loyalty.

Employee well-being is also an important part of the road to sustainable business management, and people development must be a priority. Fair wages, safe working conditions and opportunities for continuous skills development are essential for maintaining a motivated and efficient workforce. For SMEs, having an engaged team can be reflected in increased productivity, reduced turnover, improved product or service quality, greater innovation and resilience, which translates into increased customer satisfaction and strengthens the company in the face of adversity typical of environments with limited resources.

 

Along with all the actions already mentioned, adopting governance practices, such as ensuring transparent operations and stakeholder engagement, is crucial to building trust and credibility. SMEs should adopt governance structures that include regular audits, compliance with local regulations and ethical business practices. Transparent financial reporting, keeping clear and accurate records of transactions and decisions, can be done using simple, low-cost software solutions.

Engaging all stakeholders-customers, employees, suppliers and investors-through regular communication channels helps to gather feedback, resolve concerns and strengthen relationships, while promoting commitment to the company’s success. In this context, marketing plays a key role in promoting ESG practices. By effectively communicating their commitment to development and sustainable practices, companies can improve their brand reputation and attract customers who value ethical and responsible business practices.

As Mozambique continues to grow economically, integrating ESG practices into business strategies is not just a moral obligation, but a strategic advantage. SMEs, with their significant role in the economy, have the potential to integrate this transformation and build resilient businesses that contribute to the country’s sustainable development goals. With careful implementation and effective marketing, the implementation of ESG practices can pave the way for a prosperous future for both companies and communities in Mozambique.

 

As the country continues to develop, integrating Environmental, Social and Corporate Governance (ESG) practices into business strategies, especially for Small and Medium-sized Enterprises (SMEs), is not just a moral obligation, but a strategic advantage. At the same time, it is well known that investment in communication and marketing actions helps to build strong relationships with clients and potential clients. In this scenario, it becomes vital to combine sustainable business practices within the company’s overall planning, so that communication and sustainability actions can together catalyze sustainable growth and long-term success.

By: Dayane Azeredo – Ipsos Mozambique

Dayane Azeredo is passionate about people, innovation, brands, consumers and sustainable development.  A public relations professional, she has worked for more than 10 years as a brand manager, customer and stakeholder relations and project and people leader.

Hollard Moçambique expande presença com aquisição da Global Alliance Seguros aprovada pela ARC

Agora sim, o negócio pode prosseguir sem obstáculos. A Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC) de Moçambique deu luz verde à aquisição total da Global Alliance Seguros pela Hollard Moçambique Companhia de Seguros, S.A., após decidir pela “Não Oposição” à operação. A transação, que foi formalizada através de um contrato de compra e venda em 28 de Junho de 2024, marca uma nova fase de consolidação no mercado segurador moçambicano.

Aquisição e avaliação de concorrência

A ARC afirma, em comunicado, que analisou detalhadamente a transação e concluiu que a mesma não levanta preocupações quanto à criação de entraves significativos à concorrência nos segmentos de Seguros Vida e Não-Vida. O órgão regulador determinou que a fusão não compromete a competitividade no sector de seguros ou em outros mercados relacionados, permitindo que a operação avance sem restrições adicionais.

Fortalecimento da Hollard no mercado moçambicano

Com a conclusão desta aquisição, a Hollard Seguros solidifica sua presença em Moçambique, expandindo sua actuação nos ramos de seguros gerais, de vida e de gestão de fundos de pensões, através da sua subsidiária **Hollard Vida Companhia de Seguros. Ao incorporar a Global Alliance Seguros, a empresa diversifica ainda mais sua carteira de produtos, abrangendo áreas como seguros de acidentes pessoais, automóvel, marítimo e responsabilidade civil.

Impacto no Sector Segurador

Esta operação de concentração, considerada do tipo “horizontal”, representa um movimento estratégico importante para a Hollard, permitindo-lhe aumentar sua competitividade num mercado em crescimento. Ao mesmo tempo, a aprovação da ARC reflecte a confiança de que a aquisição contribuirá para o fortalecimento da concorrência e a dinamização do sector segurador em Moçambique, promovendo um ambiente de negócios mais robusto e diversificado.

Com a transação concluída, a Hollard poderá agora avançar para uma nova fase de expansão, oferecendo um portfólio mais amplo e integrado de produtos e serviços no mercado moçambicano, sem quaisquer impedimentos regulatórios.

A Consolidação da tendência de concentração no Sector Segurador moçambicano

Esta aquisição da Global Alliance Seguros pela Hollard Seguros, pode ser vista no contexto de uma tendência mais ampla de concentração no sector segurador em Moçambique. A operação de concentração horizontal reforça um movimento que tem vindo a ganhar força, à medida que grandes grupos seguradores internacionais expandem sua presença no mercado nacional através de fusões e aquisições.

Ou seja, essa tendência reflecte uma realidade do sector, onde a competição acirrada e a busca por economias de escala levam empresas maiores a absorverem operadores menores, como forma de aumentar sua competitividade e diversificar a oferta de produtos. A aquisição da Global Alliance permite que a Hollard Seguros amplie sua actuação em diversos ramos de seguros.

Igualmente, a consolidação traz consigo vários efeitos para o mercado. Por um lado, o aumento da escala de operações e da capacidade financeira das empresas resultantes pode fortalecer o setor, tornando-o mais resiliente e capaz de oferecer produtos competitivos, além de melhorar a solvência e capacidade de investimento. Por outro lado, há preocupações com a redução do número de players no mercado, o que poderia impactar negativamente a competição e limitar as opções para os consumidores.

No entanto, a decisão da Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC) de aprovar a transação sem restrições indica que, para o regulador, a operação não compromete significativamente a dinâmica concorrencial. A ARC acredita que a fusão poderá, inclusive, gerar maior eficiência e aumentar a capacidade de inovação, beneficiando o mercado segurador como um todo. (O.económico)

Crescimento económico será 0,7 pontos percentuais em 2025

O Governo estima que o crescimento económico no próximo ano será 0,7 pontos percentuais abaixo da capacidade do país devido aos eventos climáticos, nomeadamente o fenómeno ‘La Niña’.

De acordo com um relatório do Ministério da Economia e Finanças sobre os riscos fiscais para o próximo ano, as projeções climáticas, de outubro a março, condicionam, desta forma, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, que é de 4,7%.

Para este ano o Governo prevê um crescimento económico de 5,5%, após um registo de 5% em 2023 e de 4,4% em 2022.

“Estima-se que o crescimento real poderá estar 0,7 pontos percentuais abaixo da capacidade potencial da economia (em 2025). Este cenário é historicamente notório com hiato do produto (interno bruto (PIB)) no terreno negativo, influenciado, em parte, pelos desastres naturais, que impactaram a capacidade da economia de atingir o seu produto potencial”, lê-se no documento.

O ministério acrescenta que, em 2023, os efeitos do ciclone Freddy e da tempestade Filipo retiraram 2,3 pontos percentuais ao crescimento do PIB moçambicano, que se seguiu aos quatro pontos em 2022 e 4,7 pontos em 2021, pelos mesmos motivos.

“Os gráficos revelam que durante a próxima época chuvosa e ciclónica o país estará sob influência da ‘La Ninã’. Este fenómeno propícia a ocorrência de chuvas acima do normal nas regiões centro e sul, particularmente nos períodos de outubro de 2024 a março de 2025, enquanto as previsões de anomalias de temperatura da superfície do mar apontam para uma transição de ‘El’ Niño para ‘La Niña’”, lê-se ainda.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.

O período chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas dos ciclones Idai e Kenneth, dois dos maiores de sempre a atingir o país.

Já no primeiro trimestre de 2023, as chuvas intensas e a passagem do ciclone Freddy provocaram 306 mortos, afetaram mais de 1,3 milhões de pessoas, destruíram 236 mil casas e 3.200 salas de aula, segundo dados oficiais do Governo.

Banco de Moçambique reduz taxa de juro pela quinta vez consecutiva

Moçambique consolida-se como um caso à parte no cenário africano, onde muitos países lidam com pressões fiscais e monetárias mais severas, optando por políticas monetárias mais restritivas, como é o caso de Angola, que está com uma taxa de referência de 19,5%.

O Banco de Moçambique anunciou, nesta segunda-feira (30), a redução da sua taxa de juro de referência, conhecida como taxa MIMO, de 14,25% para 13,50%. Esta decisão, comunicada pelo governador Rogério Zandamela, representa o quinto corte consecutivo da taxa de juro ao longo de 2024, demonstrando um compromisso contínuo com a flexibilização da política monetária daquele país.

A trajectória do Banco de Moçambique contrasta fortemente com a maioria dos bancos centrais africanos, que têm adotado políticas de aperto monetário em resposta a pressões inflacionistas globais e à volatilidade dos mercados.

A decisão de prosseguir com uma política monetária expansionista é sustentada pela avaliação de que a inflação se encontra controlada dentro das metas estabelecidas, o que permite maior margem de manobra para impulsionar o crescimento económico sem comprometer a estabilidade macroeconómica. Desta forma, Moçambique consolida-se como um caso à parte no cenário africano, onde muitos países lidam com pressões fiscais e monetárias mais severas, optando por políticas monetárias mais restritivas, como é o caso de Angola, que está com uma taxa de referência de 19,5%.

A inflação em Moçambique tem respondido positivamente aos cortes sucessivos na taxa de juro, a taxa de inflação actual é de 2,75%, representando uma queda de 1,44 (p.p.) desde o primeiro mês do ano, e com uma inflação acumulada de apenas 1,05% entre Janeiro e Agosto de 2024. Este resultado destaca-se no cenário regional, onde muitos países enfrentam pressões inflacionistas mais severas.

O Banco Central de Moçambique distingue-se, em 2024, como a única autoridade monetária em África a implementar sucessivos cortes na taxa de juro de referência, realizando cinco reduções consecutivas ao longo do ano. Partindo de uma taxa de 17,25% em Novembro de 2023, a taxa MIMO foi gradualmente reduzida até atingir 13,5% em Setembro de 2024, totalizando uma diminuição de 3,75 (p.p.).

O Fundo Monetário Internacional (FMI) tem reconhecido os esforços do Banco Central de Moçambique, sugerindo que há espaço para uma flexibilização adicional da política monetária, considerando as expectativas de inflação bem ancoradas e a consolidação fiscal em curso.

Este conjunto de medidas e reconhecimentos posiciona Moçambique como um exemplo em África no que diz respeito à gestão proactiva da política monetária para estímulo económico, ao mesmo tempo que mantém a estabilidade de preços.

O comunicado do Comité de Política Monetária faz referência que as reservas internacionais se mantêm em níveis confortáveis, sendo suficiente para cobrir mais de cinco meses de importações de bens e serviços.

BAD já aprovou mais de 130 projectos para Moçambique, no valor de cerca de 3,8 mil milhões de dólares

A comemoração reuniu funcionários do governo, parceiros de desenvolvimento e as principais partes interessadas para refletir sobre o percurso do Banco e a sua contribuição para o crescimento desta nação da África Austral.

O Escritório Nacional do Banco Africano de Desenvolvimento (www.AfDB.org) em Moçambique realizou uma cerimónia especial na segunda-feira para celebrar o 60º aniversário da instituição em Maputo, apresentando décadas de parceria e impacto no desenvolvimento em toda a África.

A comemoração, sob o tema “60 Anos a Fazer a Diferença”, reuniu funcionários do governo, parceiros de desenvolvimento e as principais partes interessadas para refletir sobre o percurso do Banco e a sua contribuição para o crescimento desta nação da África Austral.

No seu discurso de abertura, o Primeiro-Ministro e Ministro da Economia e Finanças de Moçambique, Adriano Maleiane, que também é o Governador do Banco para Moçambique, saudou o Banco como um parceiro crucial na transformação do país.

“O Banco Africano de Desenvolvimento continua a ser um parceiro essencial na promoção de mudanças transformadoras e na promoção do desenvolvimento sustentável em todo o continente”, disse ele. “Estou confiante que a nossa parceria continuará a fortalecer-se e que juntos alcançaremos a nossa visão partilhada de um Moçambique e África prósperos e sustentáveis”.

Mateus Magala, actual Ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique e antigo Vice-Presidente dos Serviços Corporativos e Recursos Humanos do Banco, partilhou as suas reflexões sobre o significado do marco dos 60 anos. “É uma grande honra estar aqui, como antigo funcionário do Banco, e viver este momento maravilhoso do 60º aniversário do Banco. Ao servir o Banco, encontrei um objetivo para além do lucro: uma causa e uma missão para elevar o continente africano”, afirmou.

O antigo vice-presidente do Banco acrescentou ainda: “Todos temos de nos empenhar em enfrentar os desafios de desenvolvimento de África e contribuir para um mundo melhor, erradicando a pobreza e promovendo o desenvolvimento económico. O Banco Africano de Desenvolvimento proporciona um caminho claro para o futuro, oferecendo uma plataforma para aqueles que procuram um objectivo, um rumo e uma missão coletiva. Juntos, podemos impulsionar a transformação de África”. Macmillan Anyanwu, representante interino do Banco em Moçambique, abriu a cerimónia, destacando o impacto transformador da instituição no país e a sua parceria duradoura com o governo.

“Ao celebrarmos seis décadas de realizações, não podemos perder de vista os desafios que temos pela frente”, disse Anyawu, citando questões como as alterações climáticas, os conflitos, a pobreza e as desigualdades, a instabilidade macroeconómica e o aumento da dívida. “Desejo reafirmar o compromisso do Banco em trabalhar ao lado do Governo de Moçambique e de outros parceiros de desenvolvimento para enfrentar estes desafios”, salientou.

O Banco tem estado activo em Moçambique desde 1977, e em 2006, estabeleceu uma representação permanente no país para aprofundar o seu envolvimento. Ao longo dos anos, o banco aprovou mais de 130 projetos para Moçambique, no valor de cerca de 3,8 mil milhões de dólares. A carteira de projectos em curso inclui projetos no valor de 1.3 mil milhões de dólares, centrados em setores críticos como a agricultura, energia, transportes, água e saneamento, serviços sociais, finanças e governação.

Governo reembolsou sete mil milhões de meticais do IVA às empresas

Este ano, o Governo já reembolsou mais de 7,3 mil milhões de meticais em Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) às empresas no primeiro semestre.

O reembolso ocorre no âmbito do exercício de horas dos compromissos do Estado com o sector privado.

A cifra representa uma melhora em comparação com igual período de 2023, altura em que foram reembolsados pouco mais de 6,6 mil milhões de meticais, segundo escreve o “Notícias.”

Os dados foram divulgados pelo Ministério da Economia e Finanças (MEF).

Há já algum tempo que o sector privado tem estado a reclamar junto do Governo na morosidade no reembolso do IVA, exigindo a flexibilização dos procedimentos.

Aliás, em 2022, a CTA revelou que foram formulados 904 pedidos de reembolso, estimados em 25,6 mil milhões de meticais, dos quais foram autorizados 96 processos.