Saturday, June 6, 2026
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Banco de Moçambique abre candidaturas para a 6ª edição do Sandbox Regulatório

O Banco de Moçambique anunciou o lançamento da 6ª edição do seu Sandbox Regulatório, convidando startups, instituições de crédito, sociedades financeiras, prestadores de serviços de pagamento, desenvolvedores e outras entidades financeiras emergentes a apresentarem propostas de soluções inovadoras para expandir o acesso aos serviços financeiros no país.

Oportunidade visa promover soluções financeiras inovadoras com foco em inclusão e sustentabilidade.

Com duração de cerca de nove meses, o processo será dividido em quatro fases: preparação para testes (cinco meses), realização de testes (dois meses), apresentação de relatórios finais (um mês), e avaliação e divulgação de resultados (um mês). A iniciativa começará em fevereiro de 2025 e é voltada para projectos que promovam o uso equitativo de serviços financeiros em diferentes segmentos da sociedade, com atenção especial para grupos vulneráveis, incluindo mulheres, jovens, pessoas com deficiência e moradores de áreas rurais.

Além de priorizar a inclusão financeira, o Banco de Moçambique destacou que soluções focadas em mitigação das mudanças climáticas também serão valorizadas. A iniciativa tem o potencial de gerar impacto positivo na economia e fomentar o uso de tecnologias financeiras inovadoras no país.

Os interessados podem solicitar o formulário de participação através do site oficial do Banco de Moçambique ou pelo e-mail sandbox@bancomoc.mz. As inscrições estarão abertas até o dia 25 de outubro de 2024, e os candidatos devem seguir as directrizes estabelecidas no regulamento da iniciativa.

Para mais informações ou esclarecimentos, o Banco de Moçambique disponibiliza o e-mail do Gabinete de Inclusão Financeira (inclusao.financeira@bancomoc.mz).

Bank of Mozambique opens applications for 6th edition of Regulatory Sandbox

The Bank of Mozambique has announced the launch of the 6th edition of its Regulatory Sandbox, inviting startups, credit institutions, financial companies, payment service providers, developers and other emerging financial entities to submit proposals for innovative solutions to expand access to financial services in the country.

The opportunity aims to promote innovative financial solutions with a focus on inclusion and sustainability.

Lasting around nine months, the process will be divided into four phases: preparing for tests (five months), conducting tests (two months), presenting final reports (one month), and evaluating and disseminating results (one month). The initiative will begin in February 2025 and is aimed at projects that promote the equitable use of financial services in different segments of society, with special attention to vulnerable groups, including women, young people, people with disabilities and residents of rural areas.

As well as prioritizing financial inclusion, the Bank of Mozambique stressed that solutions focused on climate change mitigation will also be valued. The initiative has the potential to generate a positive impact on the economy and encourage the use of innovative financial technologies in the country.

Interested parties can request a participation form via the Bank of Mozambique’s official website or by emailing sandbox@bancomoc.mz. Applications will be open until October 25, 2024, and applicants must follow the guidelines set out in the initiative’s regulations.

For more information or clarification, the Bank of Mozambique has an e-mail address for the Financial Inclusion Office (inclusao.financeira@bancomoc.mz).

DP World planeia novos investimentos logísticos e portuários

A DP World está a planear novos investimentos em Moçambique, onde já opera e está a expandir o porto de Maputo, disse segunda-feira o presidente e CEO da multinacional do sector logístico e portuário sediada no Dubai, após um encontro em Nova Iorque com o Presidente moçambicano.

“Quero dizer que estamos entusiasmados com o país e com as cidades vizinhas, Nacala, muitos lugares hoje onde, acreditamos, podemos acrescentar valor ao sector do comércio”, disse Sultan Ahmed bin Sulayem, falando aos jornalistas após um encontro com Filipe Nyusi, que está de visita a Nova Iorque no âmbito da 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

“Estamos em Moçambique há mais de 20 anos e Moçambique é agora um importante centro de carga, especialmente para os países vizinhos, África do Sul, Zimbabué e Zâmbia, e para a região. E isso reflecte-se no nosso investimento para expandir o porto de Maputo e temos discutido a possibilidade de criar parques industriais em várias partes do país e melhorar a logística no país e nos países vizinhos. Para Maputo é uma grande vitória em termos de comércio”, acrescentou Ahmed Bin Sulayem sobre o encontro com Nyusi.

De acordo com o presidente da DP World, multinacional com sede no Dubai, Emirados Árabes Unidos, o investimento na expansão do porto de Maputo – cerca de 600 milhões de dólares só nos próximos três anos – também já está em curso: “Vai ser muito maior do que o anterior”.

A concessão do porto de Maputo à Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) vai vigorar até 13 de abril de 2058, de acordo com os termos da adenda ao contrato, aprovada por decreto do governo moçambicano publicado em abril passado.

A MPDC é uma empresa privada moçambicana que resultou de uma parceria entre os Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM) e a Portus Indico, constituída pela Grindrod, DP World e a empresa Mozambique Gestores.

“É prorrogada por um período adicional de 25 anos a contar do termo constante da sua segunda adenda (13 de abril de 2033), terminando a concessão a 13 de abril de 2058, com vista à recuperação dos investimentos adicionais solicitados pelo Governo”, lê-se no decreto.

O mesmo decreto aprova os termos do Plano de Negócios para a realização de investimentos adicionais, “visando o aumento da capacidade de movimentação de cargas no Porto de Maputo, ficando a concessionária autorizada a realizar investimentos adicionais” de 2,060 mil milhões de dólares (1,9 mil milhões de euros) na Área de Concessão Portuária.

A concessionária do porto de Maputo prevê investir 600 milhões de dólares (553,4 milhões de euros) nos próximos três anos na expansão das infra-estruturas portuárias, a primeira fase de investimentos prevista na adenda ao contrato de concessão, até 2058.
O director executivo da MPDC, Osório Lucas, explicou anteriormente à Lusa que esta primeira fase vai aumentar a capacidade do terminal de contentores dos actuais 170 mil para 530 mil contentores em três anos.

“E vai também aumentar a capacidade do Terminal de Carvão da Matola, de sete milhões para 12 milhões. E a nossa capacidade de carga geral aumentará de 10 milhões para 13 milhões na fase 1, que estará concluída nos próximos três anos”, disse.
A MPDC espera passar de um volume de movimentação de carga de 26,7 mtpa (milhões de toneladas por ano) em 2023 para 50,9 mtpa em 2058, no final deste novo período de extensão do contrato de mais 25 anos (a partir de 2033).

Até 2058, estima-se também um aumento da capacidade operacional dos actuais 37 mtpa para 54 mtpa e da capacidade do terminal de 270 para um milhão de contentores, a expansão do Terminal de Carvão da Matola de 7,5 para 18 mtpa e do Terminal de Carga Geral de 9,2 para 13,6 mtpa.

O porto de Maputo emprega atualmente cerca de 10.000 trabalhadores diretos e indirectos, prevendo-se que a expansão traga mais 2.000 trabalhadores.

BAD investiu 3,5 mil milhões de dólares em Moçambique

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) desembolsou, nos últimos 47 anos, cerca de 3,5 mil milhões de dólares em Moçambique, que foram aplicados em 115 projectos.

De acordo com o primeiro-ministro, Adriano Maleiane, que falava segunda-feira na cerimónia que assinalou o 60º aniversário da criação do BAD, estes montantes foram investidos na agricultura, transportes, energia, água e saneamento.

“Parte deste montante contribuiu para a melhoria das condições de vida da população moçambicana. Ajudou também a modernizar o corredor de Nacala, melhorando a logística e a conetividade interna, bem como reforçando a posição competitiva do país”, afirmou.

Maleiane, disse que o Banco de Moçambique reconhece e enaltece o papel do BAD no desenvolvimento económico e social desde que o país aderiu àquela instituição financeira em 1977.

“O Banco Africano de Desenvolvimento tem estado alinhado com as prioridades do nosso governo, como comprovam os investimentos estratégicos em infra-estruturas como energia, água, saneamento, estradas, pontes e a modernização da agricultura no contexto do desenvolvimento da cadeia de valor agrícola”, disse.

De acordo com Maleiane, o Banco ajudou o país a mitigar os efeitos das alterações climáticas, incluindo os ciclones Idai e Kenneth, em 2019, e da pandemia da Covid-19. Esteve também envolvido na reconstrução dos distritos afectados pelos terroristas islâmicos na província nortenha de Cabo Delgado.

Por sua vez, o ministro dos Transportes, Mateus Magala, disse que o BAD tem sido uma instituição crucial na luta contra a pobreza em África.

“Não é um banco estrangeiro, é um instrumento dos governos”, disse. “A visão do Banco há 60 anos continua a ser a mesma, ou seja, eliminar a pobreza, promover o bem-estar, o desenvolvimento económico e a integração regional”.

No entanto, disse que o Banco deve desenhar novas estratégias de assistência ao país, atuando como um Banco que promova soluções para problemas estruturais, nomeadamente a criação de emprego para jovens e mulheres, a gestão da dívida, a segurança regional, as alterações climáticas e a digitalização da economia.

Denise Cortês-Keyser: “Precisamos integrar as comunidades locais em todos os níveis da cadeia de valor da indústria extractiva”

Durante a 5ª Edição das Conferências Índico, sob o tema “Mercado Segurador e a Indústria Extractiva: Perspectivas para o Benefício do Conteúdo Local em Moçambique”, Denise Cortês-Keyser, consultora e assessora para África no Global Gas Centre, em Genebra, apresentou uma visão incisiva e estratégica sobre as dinâmicas da indústria extractiva em Moçambique. A sua análise abarcou o papel crucial da tecnologia, da inclusão social e da gestão sustentável dos recursos naturais para o desenvolvimento económico.

O Desafio da Inclusão Local na Cadeia de Valor

Denise Cortês-Keyser destacou que, para que as indústrias extractivas beneficiem verdadeiramente o desenvolvimento económico de países como Moçambique, é essencial que as multinacionais se ajustem às realidades locais. “Se não criarmos condições para integrar as comunidades e empresas locais nas cadeias de valor, estamos a perpetuar um modelo de crescimento excludente”, afirmou.

De acordo com o Banco Africano de Desenvolvimento (2021), a maioria dos países africanos ricos em recursos naturais enfrenta desafios semelhantes: enquanto as indústrias extractivas impulsionam o PIB, o impacto económico e social é frequentemente desigual, com as comunidades locais a ficarem à margem, mesmo nos locais onde esses recursos estão sendo explorados.

Um relatório da Open Society Foundations também destacou que a falta de transparência e de inclusão das comunidades nas tomadas de decisão tem contribuído para o aumento das desigualdades em países ricos em recursos naturais, como Moçambique.

Para Denise Cortês-Keyser, a solução passa por criar um sector privado robusto e competitivo, capaz de se inserir de forma significativa nas cadeias de fornecimento das grandes corporações internacionais. Ela reiterou a necessidade de fortalecer as empresas locais para que estas possam competir em pé de igualdade com fornecedores internacionais.

“A nossa estratégia não pode ser apenas extrair recursos e vendê-los. Temos de transformar esses recursos localmente, criando uma cadeia de valor que envolva todos os níveis da sociedade”, frisou. A crítica de Denise Cortês-Keyser aponta para a falta de integração de fornecedores locais, um problema que se reflecte na dificuldade em escalar pequenas e médias empresas (PMEs) e na exclusão de grande parte da população dos benefícios económicos.

Capacitação Técnica: A Chave para o Valor Acrescentado

Um dos temas centrais abordados foi a necessidade de capacitação técnica das empresas locais para que possam aproveitar plenamente o potencial dos recursos naturais. Moçambique, rico em reservas de gás natural, tem a oportunidade de se tornar um dos maiores exportadores mundiais de gás liquefeito, mas para isso precisa de garantir que o valor acrescentado permaneça dentro de suas fronteiras. “Sem capacitação técnica e inovação, continuaremos apenas a extrair recursos para outros beneficiarem-se”, alertou.

Estudos da Oxford Policy Management (2020) indicam que, sem um aumento substancial nos investimentos em capacitação técnica e inovação, Moçambique corre o risco de ser apenas um exportador de matérias-primas, sem aproveitar os ganhos de uma cadeia de valor mais complexa. O relatório aponta para a importância de desenvolver indústrias de transformação ligadas ao sector energético, como refinarias de gás ou indústrias petroquímicas, que poderiam multiplicar os empregos e gerar mais riqueza local.

“A transformação local não é apenas uma questão de crescimento económico, mas de soberania e auto-determinação. Precisamos de controlar o destino dos nossos recursos”, afirmou, sublinhando a importância de uma estratégia nacional integrada que priorize a formação técnica e a criação de empregos de alta qualificação no setor energético.

Um Ambiente de Negócios Inclusivo: Políticas para PMEs e Comunidades Locais

Denise Cortês-Keyser destacou ainda o papel fundamental de políticas públicas que fomentem um ambiente de negócios inclusivo. “As Zonas Económicas Especiais (ZEEs) são uma oportunidade crucial para que as PMEs locais possam competir e crescer. No entanto, sem um apoio estruturado, muitas destas empresas são incapazes de acessar as oportunidades que as ZEEs oferecem”, alertou.

Para Denise, o acesso ao capital, a criação de produtos e serviços financeiros ajustados às empresas locais e comunitárias, bem como as elevadas taxas de juros são alguns dos principais obstáculos enfrentados pelas PMEs moçambicanas. Um relatório da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA, 2022) mostra que apenas 15% das PMEs moçambicanas estão actualmente integradas nas cadeias de valor da indústria extractiva. Este dado reflecte o potencial não explorado dessas empresas, cuja inclusão é vital para o desenvolvimento sustentável.

A Fundação Mo Ibrahim (2021) também reconhece que o desenvolvimento das PMEs é um dos pilares mais importantes para a industrialização e crescimento económico sustentável de África, mas que muitas vezes é negligenciado nos setores de maior capital intensivo, como o sector extractivo.

Ademais, Denise apontou que há necessidade de partilha atempada dos planos de procurement das multinacionais para que as empresas locais se prepararem e formem parcerias estratégicas. “As multinacionais devem comunicar de forma mais transparente e atempada os seus planos de procurement, permitindo que as empresas locais tenham tempo para se preparar e competir com igualdade”, defendeu.

Democratização e Inclusão Social: Um Caminho para a Equidade

Outro ponto crucial da intervenção de Denise foi a necessidade de democratizar os processos decisórios na indústria extractiva, envolvendo de forma mais efetiva as comunidades locais. “Quantas vezes vemos as comunidades locais serem excluídas das grandes decisões económicas que afectam as suas vidas? A inclusão deve ser transversal a todos os níveis da cadeia de valor, e não limitada a tarefas periféricas”, referiu.

A equidade de género foi outro tema fortemente enfatizado. Denise citou o exemplo de Folorunsho Alakija, a empresária mais rica de África, como um símbolo do que pode ser alcançado quando as barreiras estruturais de acesso à cadeia de valor da indústria extrativa para as mulheres são eliminadas. No entanto, ela alertou que, em muitos países africanos, as mulheres continuam sub-representadas em posições de liderança, às formações técnico-profissionais, acesso ao capital, particularmente em setores dominados por homens, como o da energia e dos recursos naturais.

No que concerne à questão de liderança, de acordo com o Relatório Global de Desigualdade de Género do Fórum Económico Mundial (2022), as mulheres representam menos de 10% das posições de liderança na indústria extrativa em África, reflectindo a necessidade urgente de políticas que promovam a inclusão de género.

Um Futuro Sustentável: Tecnologia, Parcerias e Respeito às Comunidades

Na sua visão para o futuro, Denise Cortês-Keyser defendeu que o sucesso do setor extrativo em Moçambique dependerá de uma combinação de fatores: o uso adequado da tecnologia, o fortalecimento de parcerias entre governo, sector privado local e investidores, e, acima de tudo, o respeito pelos direitos das comunidades locais. “O desenvolvimento sustentável só será possível se respeitarmos as pessoas que vivem nas áreas onde os recursos são extraídos e garantirmos que os benefícios do crescimento cheguem a todos”, concluiu.

Ela reiterou que a chave para o sucesso da indústria extrativa em Moçambique reside na colaboração eficaz entre as partes interessadas, com foco na inclusão e capacitação das PMEs, na equidade de género e na criação de políticas públicas que estimulem um ambiente de negócios inclusivo. “Se continuarmos a ignorar as vozes das comunidades locais, estamos a comprometer o futuro de toda a indústria”, afirmou com convicção.

Conclusão

Denise Cortês-Keyser apresentou uma visão clara e estratégica para o futuro da indústria extractiva em Moçambique: um futuro onde as comunidades locais, as PMEs, as mulheres e os líderes são capacitados para participar em todos os níveis da cadeia de valor. O sucesso, segundo ela, passa por uma transformação profunda nas políticas públicas, a mudança de mentalidade por parte dos Gestores séniores dessas grandes empresas, no investimento em inovação e na criação de um ambiente de negócios verdadeiramente inclusivo. “O desenvolvimento sustentável em Moçambique será construído sobre as fundações da inclusão e da capacitação, ou não será”, concluiu.

 

Sobre Denise Cortês-Keyser

Denise Cortês-Keyser é uma distinta Empresária Moçambicana, Consultora de Finanças e Investimentos, bem como Oradora Internacional Pública e Motivacional, com quase 25 anos de experiência inestimável. Com uma formação como Contabilista Certificada e uma licenciatura em Gestão, juntamente com uma pós-graduação em Finanças Empresariais e certificação em Gestão Sustentável da Cadeia de Abastecimento pelo Instituto de Liderança Sustentável da Universidade de Cambridge (CISL), Denise está bem equipada para impulsionar o sucesso em qualquer negócio ou organização.

O seu impressionante historial inclui o cargo de Vice-Presidente para Estudos, Projectos e Conselho de Marketing da Federação Moçambicana de Futebol, demonstrando a sua aptidão em funções de liderança estratégica. Além disso, Denise ocupa uma posição fundamental como membro do Conselho Consultivo da Operation Water, uma organização americana sem fins lucrativos dedicada a fornecer acesso à água às comunidades rurais em África.

Acompanhe o percurso profissional da Denise através da sua página do LinkedIN: Denise Cortês-Keyser

 

 

Denise Cortês-Keyser: “We need to integrate local communities at all levels of the extractive industry value chain”

During the 5th edition of the Indico Conferences, under the theme “Insurance Market and the Extractive Industry: Prospects for the Benefit of Local Content in Mozambique”, Denise Cortês-Keyser, consultant and advisor for Africa at the Global Gas Centre in Geneva, presented an incisive and strategic vision of the dynamics of the extractive industry in Mozambique. Her analysis covered the crucial role of technology, social inclusion and the sustainable management of natural resources for economic development.

The Challenge of Local Inclusion in the Value Chain

Denise Cortês-Keyser stressed that for extractive industries to truly benefit the economic development of countries like Mozambique, it is essential that multinationals adjust to local realities. “If we don’t create the conditions to integrate local communities and companies into value chains, we are perpetuating an exclusionary growth model,” she said.

According to the African Development Bank (2021), most African countries rich in natural resources face similar challenges: while extractive industries boost GDP, the economic and social impact is often uneven, with local communities left on the sidelines, even where these resources are being exploited.

A report by the Open Society Foundations also highlighted that the lack of transparency and inclusion of communities in decision-making has contributed to increasing inequalities in countries rich in natural resources, such as Mozambique.

For Denise Cortês-Keyser, the solution lies in creating a robust and competitive private sector, capable of inserting itself significantly into the supply chains of large international corporations. She reiterated the need to strengthen local companies so that they can compete on an equal footing with international suppliers.

“Our strategy cannot just be to extract resources and sell them. We have to transform these resources locally, creating a value chain that involves all levels of society,” she stressed. Denise Cortês-Keyser’s criticism points to the lack of integration of local suppliers, a problem that is reflected in the difficulty in scaling up small and medium-sized enterprises (SMEs) and the exclusion of a large part of the population from economic benefits.

Technical Training: The Key to Added Value

One of the central themes addressed was the need to build the technical capacity of local companies so that they can take full advantage of the potential of natural resources. Mozambique, rich in natural gas reserves, has the opportunity to become one of the world’s largest exporters of liquefied gas, but to do so it needs to ensure that added value remains within its borders. “Without technical training and innovation, we will only continue to extract resources for others to benefit from,” he warned.

Studies by Oxford Policy Management (2020) indicate that without a substantial increase in investment in technical training and innovation, Mozambique runs the risk of being just an exporter of raw materials, without taking advantage of the gains of a more complex value chain. The report points to the importance of developing transformation industries linked to the energy sector, such as gas refineries or petrochemical industries, which could multiply jobs and generate more local wealth.

“Local transformation is not just a question of economic growth, but of sovereignty and self-determination. We need to control the fate of our resources,” he said, stressing the importance of an integrated national strategy that prioritizes technical training and the creation of high-skilled jobs in the energy sector.

An Inclusive Business Environment: Policies for SMEs and Local Communities

Denise Cortês-Keyser also highlighted the fundamental role of public policies that foster an inclusive business environment. “Special Economic Zones (SEZs) are a crucial opportunity for local SMEs to compete and grow. However, without structured support, many of these companies are unable to access the opportunities that SEZs offer,” she warned.

For Denise, access to capital, the creation of financial products and services tailored to local and community businesses, as well as high interest rates are some of the main obstacles faced by Mozambican SMEs. A report by the Confederation of Economic Associations of Mozambique (CTA, 2022) shows that only 15% of Mozambican SMEs are currently integrated into the value chains of the extractive industry. This reflects the untapped potential of these companies, whose inclusion is vital for sustainable development.

The Mo Ibrahim Foundation (2021) also recognizes that SME development is one of the most important pillars for Africa’s industrialization and sustainable economic growth, but that it is often neglected in the most capital-intensive sectors, such as the extractive sector.

In addition, Denise pointed out that there is a need for multinationals to share their procurement plans in time for local companies to prepare and form strategic partnerships. “Multinationals should communicate their procurement plans in a more transparent and timely manner, allowing local companies time to prepare and compete on a level playing field,” she said.

Democratization and Social Inclusion: A Path to Equity

Another crucial point in Denise’s speech was the need to democratize decision-making processes in the extractive industry, involving local communities more effectively. “How often do we see local communities being excluded from major economic decisions that affect their lives? Inclusion must be transversal to all levels of the value chain, and not limited to peripheral tasks,” he said.

Gender equality was another theme strongly emphasized. Denise cited the example of Folorunsho Alakija, Africa’s richest businesswoman, as a symbol of what can be achieved when structural barriers to access to the extractive industry value chain for women are eliminated. However, she warned that in many African countries, women are still under-represented in leadership positions, technical and professional training and access to capital, particularly in male-dominated sectors such as energy and natural resources.

On the issue of leadership, according to the World Economic Forum’s Global Gender Inequality Report (2022), women represent less than 10% of leadership positions in the extractive industry in Africa, reflecting the urgent need for policies that promote gender inclusion.

A Sustainable Future: Technology, Partnerships and Respect for Communities

In her vision for the future, Denise Cortês-Keyser argued that the success of the extractive sector in Mozambique will depend on a combination of factors: the appropriate use of technology, the strengthening of partnerships between the government, the local private sector and investors, and, above all, respect for the rights of local communities. “Sustainable development will only be possible if we respect the people who live in the areas where the resources are extracted and ensure that the benefits of growth reach everyone,” she concluded.

She reiterated that the key to the success of the extractive industry in Mozambique lies in effective collaboration between stakeholders, with a focus on the inclusion and empowerment of SMEs, gender equity and the creation of public policies that stimulate an inclusive business environment. “If we continue to ignore the voices of local communities, we are compromising the future of the entire industry,” he said with conviction.

Conclusion

Denise Cortês-Keyser presented a clear and strategic vision for the future of the extractive industry in Mozambique: a future where local communities, SMEs, women and leaders are empowered to participate at all levels of the value chain. Success, according to her, involves a profound transformation in public policies, a change in mentality on the part of the senior managers of these large companies, investment in innovation and the creation of a truly inclusive business environment. “Sustainable development in Mozambique will be built on the foundations of inclusion and empowerment, or it won’t be,” she concluded.

About Denise Cortês-Keyser

Denise Cortês-Keyser is a distinguished Mozambican Entrepreneur, Finance and Investment Consultant, as well as an International Public and Motivational Speaker, with almost 25 years of invaluable experience. With a background as a Chartered Accountant and a degree in Management, along with a post-graduate degree in Corporate Finance and certification in Sustainable Supply Chain Management from Cambridge University’s Institute of Sustainable Leadership (CISL), Denise is well equipped to drive success in any business or organization.

Her impressive track record includes serving as Vice President for Studies, Projects and Marketing Board of the Mozambican Football Federation, demonstrating her aptitude for strategic leadership roles. In addition, Denise holds a key position as a member of the Advisory Board of Operation Water, an American non-profit organization dedicated to providing access to water for rural communities in Africa.

Follow Denise’s career through her LinkedIN page: Denise Cortês-Keyser

Buzi Hydrocarbonet e ENH discutem novas oportunidades de exploração de gás natural em Moçambique

Buzi Hydrocarbonet e ENH

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH, EP) e a Buzi Hydrocarbonet estão em negociações para expandir as actividades de exploração de gás natural no bloco de Búzi, na província de Sofala. As conversas surgem após uma reunião entre a ENH e representantes da empresa petroquímica indonésia, que detém 75% do interesse no bloco, enquanto a ENH possui os restantes 25%.

Rudêncio Morais, administrador de pesquisa e produção da ENH, revelou que a Buzi Hydrocarbonet demonstrou interesse em se envolver em novos blocos de pesquisa e produção, seja em parceria com a ENH ou em projectos já em desenvolvimento. A proposta visa aumentar o conhecimento sobre os recursos naturais de Moçambique e fortalecer a participação de profissionais locais nas iniciativas de exploração e produção.

Morais destacou que as discussões ainda estão em fase inicial, com a necessidade de amadurecer aspectos técnicos e financeiros. “Temos uma lista de blocos que poderão ser avaliados para possíveis parcerias com a ENH, dependendo das condições apresentadas pela Buzi Hydrocarbonet”, afirmou, referindo-se ao acervo informativo da empresa que permite analisar o potencial dos blocos disponíveis.

Um dos benefícios mencionados nas negociações com a Buzi Hydrocarbonet é a flexibilidade em termos de financiamento. O modelo actual de parceria permite que a ENH não mobilize fundos durante a fase de desenvolvimento dos projectos, podendo reembolsar os investimentos apenas no início da produção comercial. Esse arranjo torna o projecto mais acessível financeiramente, conforme destacado por Morais.

Actualmente, a Buzi Hydrocarbonet opera o bloco de Búzi, com previsão de início da produção de gás natural em 2026. Se as negociações de expansão forem bem-sucedidas, Moçambique poderá aumentar significativamente suas capacidades de produção de hidrocarbonetos, consolidando sua posição como um actor regional relevante no sector energético.

Além disso, o comunicado ressalta a importância de atrair novas parcerias internacionais para dinamizar o sector de hidrocarbonetos no país, garantindo que os projectos contribuam para o desenvolvimento económico e social de Moçambique. O presidente da Buzi Hydrocarbonet, Iman Soerjasantosa, anunciou em Agosto planos de investir aproximadamente 7,5 bilhões de meticais (cerca de 120 milhões de dólares) em Moçambique, visando a construção de uma plataforma de produção de Gás Natural Liquefeito (GNL) e reafirmando o compromisso da empresa em expandir suas operações na exploração de gás natural.

Fase técnica do projecto de gás natural da ExxonMobil em Cabo Delgado tem início previsto para 2025

Fase técnica do projecto de gás natural da ExxonMobil em Cabo Delgado tem início previsto para 2025

A ExxonMobil anunciou hoje, em Nova Iorque, o início da fase técnica de seu projecto de extracção de gás natural no Norte de Moçambique, prevendo a conclusão do design técnico dentro de um ano. Walter Kansteiner, vice-presidente da petrolífera norte-americana, destacou que o processo de Front End Engineering Design (FEED) levará cerca de 12 meses e que a empresa está optimista quanto aos progressos a serem feitos.

O projecto, localizado na província de Cabo Delgado, que enfrenta desafios significativos devido a ataques terroristas, previa inicialmente uma produção de 15,2 milhões de toneladas de gás por ano. No entanto, as estimativas actuais apontam para uma produção anual de 18 milhões de toneladas. Em Agosto, o presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, informou que a ExxonMobil deve tomar uma decisão sobre o investimento apenas em 2026, após uma reunião com Liam Mallon, presidente da ExxonMobil Upstream.

Nyusi enfatizou que as discussões giraram em torno da fase inicial do projecto, com planos para finalizar as aprovações necessárias e chegar à Decisão Final de Investimento até 2026. O presidente destacou que esse projecto tem o potencial de ser uma das iniciativas menos poluentes no sector de gás natural liquefeito e é crucial para o futuro energético do país.

Arne Gibbs, diretor-geral da ExxonMobil em Moçambique, reafirmou que o trabalho preliminar de engenharia e design foi concluído e que a equipe começará a implementação nos próximos meses. Gibbs também observou melhorias significativas na situação de segurança desde que os trabalhos foram interrompidos em Março de 2021 devido à insurgência na região.

Moçambique possui três projectos aprovados para exploração das vastas reservas de gás natural da bacia do Rovuma, reconhecidas entre as maiores do mundo. Nyusi pediu aos concessionários, incluindo a TotalEnergies, que acelerem o desenvolvimento dos projectos, ressaltando que a demora na concretização gera grandes expectativas na população local. Ele criticou a ideia de que a decisão financeira poderia atrasar a implementação, afirmando que a situação de segurança não pode ser um obstáculo para a execução de um projecto tão crucial para o país.

Com essas declarações, fica evidente que o projeto Rovuma LNG representa não apenas uma grande oportunidade económica para Moçambique, mas também um desafio contínuo que precisa ser gerido com cuidado para garantir que as expectativas da população sejam atendidas.

Technical phase of ExxonMobil’s natural gas project in Cabo Delgado expected to start in 2025

Fase técnica do projecto de gás natural da ExxonMobil em Cabo Delgado tem início previsto para 2025

ExxonMobil announced today, in New York, the start of the technical phase of its natural gas extraction project in northern Mozambique, with technical design expected to be completed within a year. Walter Kansteiner, vice-president of the US oil company, pointed out that the Front End Engineering Design (FEED) process will take around 12 months and that the company is optimistic about the progress to be made.

The project, located in Cabo Delgado province, which is facing significant challenges due to terrorist attacks, initially planned to produce 15.2 million tons of gas per year. However, current estimates point to an annual production of 18 million tons. In August, Mozambique’s president, Filipe Nyusi, said that ExxonMobil should only make a decision on the investment in 2026, following a meeting with Liam Mallon, president of ExxonMobil Upstream.

Nyusi emphasized that the discussions revolved around the initial phase of the project, with plans to finalize the necessary approvals and reach the Final Investment Decision by 2026. The president stressed that this project has the potential to be one of the least polluting initiatives in the liquefied natural gas sector and is crucial for the country’s energy future.

Arne Gibbs, ExxonMobil’s general manager in Mozambique, reaffirmed that the preliminary engineering and design work has been completed and that the team will begin implementation in the coming months. Gibbs also noted significant improvements in the security situation since work was halted in March 2021 due to the insurgency in the region.

Mozambique has three approved projects to exploit the vast natural gas reserves in the Rovuma basin, recognized as among the largest in the world. Nyusi called on the concessionaires, including TotalEnergies, to speed up the development of the projects, pointing out that the delay in realization generates high expectations among the local population. He criticized the idea that the financial decision could delay implementation, stating that the security situation cannot be an obstacle to the execution of such a crucial project for the country.

With these statements, it is clear that the Rovuma LNG project represents not only a great economic opportunity for Mozambique, but also an ongoing challenge that needs to be managed carefully to ensure that the population’s expectations are met.

Menzies Aviation expande a sua presença em África com novas instalações de carga em Moçambique

Menzies Aviation

A Menzies Aviation, o principal parceiro de serviços para os aeroportos e companhias aéreas do mundo, anunciou a abertura oficial das suas novas instalações de carga no Aeroporto Internacional de Maputo (MPM) em Moçambique.

As instalações de última geração permitem que a Menzies possa agora assistir carga aérea no MPM, aumentando a capacidade de carga de e para Moçambique. Esta conquista representa uma expansão significativa da presença da Menzies na África Oriental, com a carteira de clientes regionais da empresa a aumentar nos próximos meses e anos.

Com infraestruturas de alta qualidade e tecnologia de ponta, o novo armazém de carga permite à Menzies oferecer serviços de alta qualidade, eficientes e seguros às companhias aéreas, incluindo os clientes pioneiros Airlink e Qatar Airways.

O armazém foi oficialmente inaugurado numa cerimónia na quinta-feira, 5 de setembro, onde a Vice-Presidente Sénior de Carga (MEAA) da Menzies, AlAnood AlSuwaidi, se juntou a representantes dos Aeroportos de Moçambique, E.P., Instituto de Aviação Civil, Alfândegas de Moçambique e companhias aéreas parceiras.

A Menzies Aviation está presente no Aeroporto Internacional de Maputo desde 2018, operando como NAS – National Aviation Services até 2022. Inicialmente, a companhia foi responsável pela operação de lounges exclusivos e contemporâneos nos terminais internacionais e domésticos do aeroporto e, mais tarde, em 2019, expandiu o seu portefólio para fornecer serviços de Meet and Assist e assistência em terra no aeroporto mais movimentado de Moçambique.

AlAnood AlSuwaidi, Vice-Presidente Sénior de Carga (MEAA), Menzies Aviation, disse: “Estamos muito felizes com a inauguração do nosso novo armazém de carga em Moçambique. Estas instalações de ponta permitir-nos-ão fornecer os melhores serviços aos nossos clientes companhias aéreas, enquanto apoiamos o sector de carga aérea da África Oriental. Este passo representa um avanço na estratégia de expansão de carga da Menzies, que tem aumentado a sua presença em todo o mundo.”