Tuesday, May 26, 2026
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EUA reforçam posição estratégica em mina de grafite no país

Os Estados Unidos da América estão prestes a tornar-se o segundo maior acionista de uma das maiores minas de grafite do mundo, localizada em Moçambique, na província de Cabo Delgado, na sequência de um investimento avaliado em cerca de 46 milhões de dólares.

A operação será conduzida pela agência norte-americana International Development Finance Corporation (DFC), que pretende converter um empréstimo de 31 milhões de dólares em participação acionista na empresa australiana Syrah Resources, responsável pela exploração da mina de Balama.

Com esta conversão, os Estados Unidos poderão deter cerca de 20% do capital da empresa, posicionando-se como o segundo maior acionista e reforçando a sua presença no sector dos chamados minerais críticos.

A iniciativa inclui ainda a disponibilização adicional de 15 milhões de dólares para financiar as operações da subsidiária moçambicana responsável pela mina, numa estratégia que visa consolidar o acesso a matérias-primas essenciais para a produção de baterias utilizadas em veículos eléctricos e tecnologias de energia limpa.

Especialistas apontam que este movimento se insere num contexto de crescente competição geopolítica pelos recursos minerais estratégicos, particularmente face ao domínio da China nas cadeias globais de fornecimento de grafite, material fundamental para a transição energética.

A mina de Balama é considerada uma das maiores reservas de grafite a nível mundial, posicionando Moçambique como um actor relevante no mercado internacional deste recurso, cada vez mais valorizado no contexto da economia verde e da industrialização tecnológica.

Contudo, o acordo ainda depende de aprovações regulatórias e condições financeiras, podendo sofrer ajustes antes da sua implementação definitiva.

Este investimento reforça a crescente importância de Moçambique no mapa global dos recursos naturais estratégicos, ao mesmo tempo que abre novas oportunidades e desafios para a gestão sustentável e inclusiva destes activos.

Fonte: BUSINES INSIDER AFRICA

Yango assinala o 7 de Abril reconhecendo o papel das mulheres na economia digital do país

A Yango Ride assinalou o Dia da Mulher Moçambicana, celebrado a 7 de Abril, com uma iniciativa dedicada a destacar o papel crescente das mulheres na economia digital do país.

O evento contou com a presença do Country Manager da Yango Ride em Moçambique, Mahomed Zameer, e reuniu motoristas parceiras da plataforma, que partilharam, na primeira pessoa, como a tecnologia tem vindo a transformar as suas vidas. Através de histórias reais e inspiradoras, ficou evidente o impacto da Yango Ride como ferramenta de geração de rendimento, independência financeira e promoção do empreendedorismo feminino.

Mais do que uma celebração, o evento reforçou o compromisso da Yango em criar oportunidades concretas para as mulheres, contribuindo activamente para uma economia mais inclusiva e dinâmica em Moçambique.

“As nossas parceiras constroem as suas próprias histórias. A nossa plataforma é apenas uma ferramenta, o verdadeiro impacto vem da escolha, da coragem e da determinação de cada mulher que decide seguir em frente,” afirmou Mahomed Zameer, Country Manager da Yango Ride em Moçambique.

As motoristas parceiras operam de forma totalmente independente através da Yango, beneficiando de um processo de adesão simples, horários flexíveis, gestão autónoma das suas actividades, ferramentas tecnológicas intuitivas e funcionalidades de segurança integradas na aplicação.

Na sua intervenção, Mahomed Zameer destacou que a Yango Ride em Moçambique tem vindo a registar um crescimento significativo no número de mulheres que utilizam as soluções do serviço, tanto como parceiras, como utilizadoras no seu dia-a-dia e até em situações de emergência. Como exemplo, dados indicam que, por cada 100 partos que ocorrem a caminho das maternidades, pelo menos 20 acontecem em veículos operados através de serviços de ride-hailing.

“O nosso objectivo é continuar a criar condições que incentivem mais mulheres a aderirem à plataforma, garantindo acesso a oportunidades económicas, flexibilidade e um ambiente seguro, com a ambição de reforçar a prestação de serviços de qualidade aos moçambicanos,” acrescentou Mahomed Zameer.

Entre as parceiras da Yango Ride encontram-se mulheres que ingressaram nesta actividade após perderem os seus empregos e que hoje operam exclusivamente como motoristas de ride-hailing, outras que utilizam os serviços da Yango como uma actividade complementar no seu tempo livre, e ainda algumas que descrevem esta actividade como uma forma de terapia aliada à geração de rendimento.

Marta Mussane é uma dessas empreendedoras parceiras e opera através do serviço Yango Ride há dois anos, gerindo actualmente seis viaturas afectas ao serviço. “Comecei nos serviços tradicionais de táxi, mas a transição digital levou-me a aderir à Yango. Hoje, conduzir um táxi tornou-se muito mais fácil, já não precisamos de esperar numa praça por clientes; agora conseguimos ver, em tempo real, quem solicita os nossos serviços em qualquer ponto da cidade,” afirmou.

O evento contou ainda com a participação especial de Neyma Nacimo e Daniela Izidine, influenciadoras digitais moçambicanas, que partilharam as suas experiências e incentivaram outras mulheres a explorarem o seu potencial através da tecnologia e do empreendedorismo.

Segundo as influenciadoras, a tecnologia pode ser uma ferramenta poderosa para criar oportunidades reais, e as mulheres moçambicanas estão a liderar este movimento com coragem, determinação e espírito empreendedor.

Para além de facilitar a mobilidade urbana, a Yango contribui para a economia local ao criar oportunidades de rendimento flexíveis, apoiar microempreendedores e promover o uso da tecnologia no quotidiano dos moçambicanos.

Sobre a Yango Ride

A Yango Ride é um serviço de transporte por aplicativo, parte da empresa global de tecnologia Yango Group, que conecta utilizadores a prestadores de serviços de transporte locais e permite aos motoristas encontrar clientes.

Recorrendo a tecnologias avançadas, incluindo sistemas de mapeamento, navegação e algoritmos inteligentes de distribuição de pedidos, proporciona uma experiência conveniente e acessível para os passageiros, ao mesmo tempo que optimiza a eficiência operacional para os motoristas parceiros.

A Yango Ride opera em mais de 25 países no Médio Oriente, África, América Latina e outras regiões.

Moçambique líquida dívida ao FMI e zera saldo em 630 milhões de euros

Moçambique concluiu o pagamento integral da sua dívida ao Fundo Monetário Internacional (FMI), num montante de 630 milhões de euros, tornando-se o único país, entre uma lista de 85 nações acompanhadas pela instituição, a registar saldo zero de crédito em dívida até ao final de Março de 2026.

De acordo com o relatório do FMI sobre crédito em dívida, referente ao período de 1 a 30 de Março de 2026, Moçambique devia 514,04 milhões de Direitos de Saque Especiais (DSE) no início do período, equivalentes a 630,1 milhões de euros. No final de Março, o saldo havia caído a zero.

A liquidação ocorre num momento em que o país negocia um novo programa de assistência com o FMI. Na última avaliação publicada em Fevereiro, a instituição não anunciou decisões sobre um novo programa de apoio, tendo o crédito em dívida de Moçambique atingido 226% da sua quota. Uma revisão pós-financiamento está prevista para Agosto de 2026, com novas consultas programadas nos 12 meses seguintes.

No âmbito do anterior programa de Facilidade de Crédito Alargado (ECF), o FMI aprovou em 2022 um financiamento de cerca de 468 milhões de dólares. Contudo, o programa foi suspenso em Abril de 2025, após a disponibilização de aproximadamente 343 milhões de dólares em quatro tranches.

O Presidente Daniel Chapo havia declarado em Junho de 2025 que um novo programa alinhado com as reformas do sector público seria assinado ainda naquele ano. O vice-director-geral do FMI, Bo Li, confirmou em Maio de 2025, em Maputo, que a instituição pretendia avançar com um novo programa de apoio a Moçambique, sublinhando a cooperação para a manutenção da estabilidade macroeconómica e financeira.

A quitação da dívida representa um marco significativo para as finanças públicas moçambicanas, ainda que o país continue a enfrentar desafios estruturais, incluindo uma dívida interna que triplicou desde 2020, atingindo 6,6 mil milhões de euros.

Vodacom leva clientes ao Lounge do Aeroporto de Mavalane

Vodacom Moçambique anunciou o estabelecimento de uma parceria com o Executive 2000 Lounge, localizado no Aeroporto Internacional de Mavalane, numa iniciativa que visa reforçar a experiência dos seus clientes e ampliar o conjunto de benefícios associados aos seus serviços.

A parceria permite que clientes elegíveis tenham acesso ao espaço antes dos seus voos, tanto nacionais como internacionais, beneficiando de condições de maior conforto, incluindo acesso à internet, zona de descanso, bem como serviços de alimentação ligeira. 

Segundo a Vodacom, o benefício está disponível para clientes pré-pagos com o pacote Tudo Top 3000 MT activo e para clientes pós-pagos individuais com planos de valor igual ou superior, desde que não apresentem facturas em atraso. Cada activação do pacote dá direito a um acesso ao lounge, válido durante o período de vigência da oferta.

O processo de acesso foi desenhado para ser simples e totalmente digital. Após a activação do pacote, o cliente recebe uma mensagem de confirmação, seguida de um código de acesso enviado por SMS. No dia da viagem, basta apresentar esse código no balcão do lounge para usufruir do benefício.

O foco no cliente faz parte dos pilares do negócio da Vodacom. Por isso, a empresa aposta em iniciativas que voltadas a melhoria da experiência, o atendimento e a satisfação do cliente quer esteja ou não em contacto directo com a marca. A parceria com o Executive 2000 Lounge demonstra o cuidado e atenção ao cliente de forma constante, e se apresenta como uma resposta às necessidades de um segmento que privilegia conveniência, conforto e serviços diferenciados.

Quénia e Moçambique aprofundam laços na aposta pelo Comércio, Energia e Conectividade

A visita de três dias do Presidente Daniel Chapo a Nairobi, a convite de William Ruto, marcou o início de uma parceria mais deliberada entre os dois países, centrada no comércio, na energia e na conectividade regional.

À primeira vista, o Quénia e Moçambique parecem parceiros improváveis, separados pela distância, pela língua e pela integração em blocos regionais distintos. Mas é precisamente essa diferença que os aproxima: cada um tem o que o outro precisa. O Quénia é a porta de entrada para a África Oriental; Moçambique ancora o sul do continente. Juntos, podem ligar dois dos maiores mercados africanos no quadro da Área Continental de Comércio Livre Africana a AfCFTA.

A visita de três dias do Presidente Daniel Chapo a Nairobi, a convite do Presidente William Ruto, confirmou essa lógica e acelerou o processo. Na sequência dos encontros bilaterais entre os dois chefes de Estado, foram assinados acordos de cooperação e memorandos de entendimento nas áreas de formação diplomática, investigação e capacitação institucional, serviços prisionais, e desenvolvimento da juventude e desporto.

Ruto sublinhou que a cooperação se estende ao turismo, às energias limpas, à aviação descrita como “facilitador vital do comércio e das relações entre povos” à economia azul e à cooperação marítima. “Estamos também a colaborar no combate ao terrorismo e na promoção da paz, segurança e estabilidade”, afirmou. “O nosso objectivo colectivo é avançar uma visão partilhada de prosperidade para as nossas nações e para o continente.”

Portos, voos e gás: os pilares concretos da parceria

A dimensão prática da aproximação é clara. O Quénia oferece os portos de Mombaça e Lamu como pontos de entrada na África Oriental; Moçambique tem Maputo, Beira e Nacala ao serviço da África Austral. Uma cooperação mais estreita neste domínio pode aumentar os fluxos de carga, reduzir os custos de transporte e expandir as rotas comerciais no continente.

Uma das medidas mais imediatas em discussão é a introdução de voos directos entre Nairobi e Maputo. Voos directos reduziriam o tempo de deslocação, facilitariam a mobilidade empresarial e reforçariam os laços entre as duas sociedades uma necessidade que diplomatas de ambos os países identificam como urgente.

As vastas reservas de gás natural de Moçambique constituem outro factor central. O Quénia procura parcerias energéticas fiáveis para suportar o crescimento industrial, enquanto os projectos moçambicanos precisam de investimento e de mercados regionais. As negociações incidiram sobre a cooperação energética, mas abrangeram igualmente oportunidades nas áreas da infraestrutura, da agricultura e do comércio em geral.

Esta aproximação retoma e aprofunda um trabalho iniciado em 2018, quando o então Presidente moçambicano Filipe Nyusi visitou o Quénia e percorreu o Porto de Mombaça visita que sinalizou um interesse inicial na cooperação logística. A Comissão Permanente Conjunta de Cooperação, na sua terceira sessão ministerial realizada antes dos encontros presidenciais, havia já identificado o aproveitamento dos recursos naturais moçambicanos, em particular o gás, como prioridade para reforçar a segurança energética do Quénia e promover parcerias de investimento.

Investimento e diplomacia económica

Chapo participou ainda na Conferência Internacional de Investimentos do Quénia, onde foram assinados 20 acordos estratégicos de investimento no valor total de 2,9 mil milhões de dólares, abrangendo sete sectores prioritários: agricultura, indústria transformadora, TIC, externalização de processos de negócio, saúde, energia e imobiliário.

O envolvimento crescente entre os dois países reflecte a orientação mais ampla da política externa de Ruto, que tem apostado na diplomacia económica e na construção de relações que gerem comércio, investimento e emprego. “Estamos a eliminar barreiras ao comércio tarifárias e não tarifárias para facilitar maior troca e investimento entre as nossas duas nações”, afirmou o Presidente queniano.

Moçambique encaixa nessa estratégia como um parceiro de elevado potencial: recursos abundantes, mercados em crescimento e uma localização estratégica no Oceano Índico que ambos os países reconhecem como activo partilhado na construção de uma economia azul regional.

Forvis Mazars Mozambique distinguida nos World Economic Magazine Awards 2026 com dois prémios de excelência

A Forvis Mazars Moçambique foi galardoada com dois reconhecimentos internacionais nos World Economic Magazine Awards 2026, numa distinção que reafirma o posicionamento da empresa no panorama da consultoria e auditoria no país e na região.

  • Best Audit & Assurance Firm – Mozambique 2026
  • Best Professional Services Firm – Mozambique 2026

Estes prémios representam um marco relevante para a firma e reflectem o compromisso contínuo da Forvis Mazars Mozambique com a excelência, a qualidade dos seus serviços e a confiança depositada pelos seus clientes, parceiros e demais stakeholders.

A distinção como Best Audit & Assurance Firm – Mozambique 2026 reforça a solidez da actuação da firma na prestação de serviços de auditoria e assurance, pautados por elevados padrões técnicos, rigor profissional, independência e integridade. Por sua vez, o reconhecimento como Best Professional Services Firm – Mozambique 2026 evidencia a abrangência, consistência e relevância da oferta de serviços da firma no mercado moçambicano.

Para a Forvis Mazars Mozambique, esta conquista é também o reflexo do empenho diário das suas equipas, que trabalham com dedicação para entregar soluções de elevada qualidade, alinhadas às necessidades dos clientes e à dinâmica de um ambiente de negócios em constante evolução.

Dipak Lalgi, Country Managing Partner, Audit & Assurance, afirmou:
“Receber estes dois prémios internacionais é motivo de grande orgulho para toda a nossa equipa. Este reconhecimento reforça o nosso compromisso com a excelência, a integridade e a criação de valor sustentável para os nossos clientes e para o mercado moçambicano. Agradecemos a confiança dos nossos clientes, parceiros e colaboradores, que tornam possível esta conquista.”

A Forvis Mazars Mozambique continua focada em consolidar a sua posição como uma firma de referência no país, contribuindo para o fortalecimento das boas práticas de auditoria, transparência, governação e desenvolvimento empresarial em Moçambique.

Este reconhecimento internacional reafirma a visão da firma de prestar serviços com elevado padrão de qualidade, proximidade com o cliente e impacto positivo duradouro no ambiente empresarial.

Sobre a Forvis Mazars Mozambique
Em Moçambique, a Forvis Mazars posiciona-se como uma das principais organizações nas áreas de auditoria, consultoria e contabilidade, com uma equipa com mais de 70 profissionais e uma presença sólida e consolidada em Moçambique

África do Sul mantém Taxas de Juro: O que significa para os investidores e empresas em Moçambique

Na reunião de 26 de Março de 2026, o Banco de Reserva da África do Sul (SARB) manteve a taxa repo inalterada em 6,75%, numa decisão unânime que sinaliza uma mudança clara no ciclo de política monetária da região. A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão, ao pressionar os preços do petróleo em alta e enfraquecer o rand, obrigou os decisores a adoptarem uma postura de espera que contraria as expectativas de início do ano.

No início de 2026, o panorama era de optimismo cauteloso. A inflação tinha-se fixado nos 3% em Fevereiro, exactamente no centro do intervalo-alvo do SARB. Economistas esperavam pelo menos dois cortes de taxa ao longo do ano. Em apenas semanas, esse optimismo evaporou-se.

O conflito no Médio Oriente transmite-se aos mercados africanos por três canais directos: o preço do petróleo, a cotação das divisas e o sentimento dos investidores internacionais. A África do Sul, como importadora líquida de combustíveis, é particularmente exposta. O rand depreciou mais de 6% face ao dólar desde o início do conflito, e os preços da gasolina e do gasóleo deverão registar aumentos históricos em Abril de 2026 com o preço do gasóleo a subir estimados 7 rands por litro.

O SARB avaliou dois cenários adversos: um conflito de curta duração (dois meses) e um prolongado (um ano). Em ambos, a inflação sobe acima dos 3% e exige taxas de juro mais elevadas para ser contida. No cenário mais adverso, a inflação pode ultrapassar os 5%, apenas regressando ao objectivo em 2028.

Para Moçambique e para os demais países da SADC dependentes de importações de combustível, as implicações são directas: custos de transporte mais elevados, pressão sobre o metical, e maior volatilidade no planeamento financeiro das empresas. A política monetária mais restritiva na África do Sul também tende a reduzir o apetite de risco dos investidores regionais, encarecendo o acesso ao crédito e ao capital nos mercados vizinhos.

A lição que este episódio reforça é estrutural: a estabilidade financeira das economias africanas está cada vez mais condicionada por choques geopolíticos além-fronteiras. Para as empresas, investidores e instituições financeiras que operam em Moçambique, planear para um ambiente de taxas de juro elevadas durante o segundo semestre de 2026 deixou de ser um cenário pessimista tornou-se o cenário base.

M-Pesa: Como a plataforma que reinventou os pagamentos em África chegou a Moçambique

Em 6 de Março de 2007, a Safaricom lançou o M-Pesa no Quénia com um objectivo simples: permitir que pessoas sem conta bancária enviassem e recebessem dinheiro através do telemóvel. Numa altura em que menos de 20% dos adultos quenianos tinham acesso a serviços bancários formais, a proposta era revolucionária. Dezoito anos depois, os números falam por si: mais de 66 milhões de clientes em toda a África, um volume anual de transacções que ultrapassou os 450 mil milhões de dólares em 2025, e uma penetração de 82% da população adulta no Quénia a mais alta do continente.

A plataforma está também presente em Moçambique, onde a digitalização dos pagamentos continua a avançar num contexto de baixa bancarização formal. As remessas enviadas através do M-Pesa ultrapassaram os 3 mil milhões de dólares em 2024, beneficiando directamente famílias rurais em mercados onde a plataforma opera.

O modelo M-Pesa funciona onde o sistema bancário formal é fraco e a regulação é favorável. Esta combinação explica o sucesso no Quénia, na Tanzânia e, com crescimento acelerado, na Etiópia onde a base de utilizadores activos cresceu 174,8% num período de seis meses em 2025. O modelo falhou na África do Sul, onde a robusta infraestrutura bancária existente eliminou o problema que o M-Pesa foi criado para resolver.

Em Julho de 2025, a plataforma integrou-se com o PayPal para simplificar transferências internacionais, e em 2025 lançou cartões virtuais Visa GlobalPay para facilitar o comércio electrónico. A Safaricom abrirá a plataforma a programadores externos desde 2017, com mais de 90.000 programadores no ecossistema Daraja e mais de 40.000 integrações empresariais activas.

Moçambique partilha as condições estruturais que tornaram o M-Pesa um sucesso noutros mercados: baixa bancarização, elevada penetração móvel, e uma economia informal extensiva que depende de transacções em dinheiro. A questão que se coloca às instituições financeiras, reguladores e empresas de tecnologia que participam nesta edição da Revista Profile é directa: que combinação de vontade regulatória, investimento privado, literacia financeira e capacidade institucional pode desbloquear um salto semelhante em Moçambique? A resposta a essa pergunta não é apenas académica. É um imperativo de desenvolvimento económico e uma oportunidade de negócio significativa para quem actuar primeiro.

Afreximbank reúne líderes africanos no Egipto em Junho para debater industrialização e soberania económica do continente

33.ª Assembleia Anual realiza-se em El Alamein de 21 a 24 de Junho de 2026, com foco no comércio intra-africano e na construção de cadeias de valor regionais

Num contexto de crescente instabilidade geopolítica e incerteza económica global, o Banco Africano de Exportação e Importação (Afreximbank) anunciou que a sua 33.ª Assembleia Anual (AAM2026) se realizará em El Alamein, no Egipto, entre os dias 21 e 24 de Junho de 2026. O encontro, subordinado ao tema “Comércio Intra-Africano e Industrialização: Caminho para a Soberania Económica”, reunirá Chefes de Estado, responsáveis governamentais, decisores políticos, líderes do sector privado, instituições financeiras, académicos e parceiros internacionais de todo o continente e além-fronteiras.

Uma resposta africana a um mundo em turbulência

O presidente e presidente do Conselho de Administração do Afreximbank, George Elombi, foi directo no diagnóstico que justifica a agenda da cimeira. “Nos últimos dez anos, o Afreximbank lançou bases sólidas para que o comércio intra-africano decole. Agora, nesta nova fase, temos de priorizar o processamento dos bens a serem transaccionados no âmbito do Acordo de Livre Comércio Continental Africano”, afirmou.

O responsável foi claro quanto ao imperativo estratégico que a turbulência global impõe ao continente. “Com a actual desordem global, marcada pela incerteza política e pelo agudizar das tensões geopolíticas, os africanos têm de olhar para dentro em busca de soluções para os seus desafios. Temos de nos libertar do comércio de matérias-primas, expandir o investimento no processamento, construir cadeias de valor regionais e consumir os nossos próprios produtos para alcançar o crescimento e a prosperidade partilhada que desejamos”, sublinhou.

O Egipto como palco e actor

Hassan Abdalla, governador do Banco Central do Egipto, destacou a dimensão estratégica do país anfitrião neste contexto. “A localização estratégica e a escala económica do Egipto posicionam-no como motor central da integração regional e do avanço das prioridades continentais”, afirmou, acrescentando que a realização da AAM2026 em El Alamein reflecte o compromisso contínuo do Egipto com o reforço do comércio intra-africano e a transformação económica de longo prazo do continente.

Uma plataforma de negócios e decisão

Para além dos debates estratégicos, a AAM2026 constituirá uma plataforma concreta de acção destinada a identificar projectos prioritários e programas accionáveis que acelerem a transformação da estrutura comercial africana. Os participantes terão acesso a decisores de alto nível, oportunidades de conexão com parceiros ao longo da cadeia de valor, visibilidade sobre instrumentos de financiamento do comércio e logística, bem como condições para estruturar parcerias e avançar projectos financiáveis em múltiplos sectores do continente.

Ao reunir uma comunidade alargada e diversificada de actores, a 33.ª Assembleia Anual do Afreximbank posiciona-se como um momento determinante na construção de uma visão partilhada de um continente integrado, industrializado e economicamente soberano.

Fonte: Afreximbank

EUA financiam estudo de pré-viabilidade do Projecto de Terras Raras de Monte Muambe

Altona Rare Earths avança em paralelo o projecto de fluorite e gálio, com entrada em produção prevista para 2027

A Altona Rare Earths assinou um acordo de subvenção no valor de 1,87 milhões de dólares australianos com a Agência dos Estados Unidos para o Comércio e Desenvolvimento (USTDA), destinado a financiar a fase de pré-viabilidade do projecto de terras raras de Monte Muambe, em Moçambique. O acordo foi anunciado durante um evento sobre minerais críticos realizado à margem da Investing in African Mining Indaba, na Cidade do Cabo, e posteriormente formalizado numa cerimónia de assinatura na Embaixada dos Estados Unidos em Maputo.

Para o Director-Executivo da empresa, Cedric Simonet, o financiamento representa um marco determinante no desenvolvimento do projecto. “Este apoio vai permitir-nos concentrar os nossos recursos no desenvolvimento acelerado do projecto de fluorite em direcção à construção em 2027”, afirmou.

Aplicação dos fundos e foco metalúrgico

A subvenção será aplicada no financiamento dos componentes de metalurgia e engenharia de processos da pré-viabilidade, incluindo uma campanha de sondagem para obtenção de novas amostras, bem como na actualização do modelo financeiro e da avaliação do projecto.

Simonet sublinha que a metalurgia é invariavelmente o aspecto mais exigente de qualquer projecto de terras raras, dada a complexidade dos minerais e elementos químicos envolvidos. O trabalho em curso visa a redução de custos operacionais actualmente, a componente de hidrometalurgia representa 50% dos custos operacionais totais e poderá ser optimizada através do aperfeiçoamento do processo de beneficiação.

Dois projectos, uma licença mineira

O depósito de carbonatite de Monte Muambe, com 2,5 quilómetros de diâmetro, alberga múltiplas commodities minerais numa única licença mineira. A mineralização de terras raras concentra-se na porção central do depósito, enquanto a fluorite de elevado teor com mineralização associada de gálio ocorre nas margens.

Esta distribuição espacial distinta, aliada a dinâmicas de projecto diferenciadas, justifica o avanço simultâneo mas independente das duas vertentes. O projecto de terras raras, já em fase de pré-viabilidade, implica um investimento superior a 200 milhões de dólares e um horizonte de desenvolvimento de cerca de cinco anos. O projecto de fluorite, em fase de estudo de âmbito, apresenta uma escala significativamente menor, com um investimento estimado inferior a 20 milhões de dólares, e está posicionado como oportunidade de produção de mais curto prazo.

Fluorite e Gálio: novos horizontes

A campanha de exploração conduzida em 2025 nas zonas de fluorite e gálio de Monte Muambe alargou a extensão da mineralização para além do recurso histórico de fluorite, que cobria apenas uma parcela limitada do depósito. As sondagens incluíram furos de preenchimento em áreas já perfuradas e novos furos em alvos inéditos, com o objectivo de produzir uma estimativa actualizada de recursos minerais.

A descoberta de ocorrências de gálio estreitamente associadas à mineralização de fluorite é um dos resultados mais relevantes dos trabalhos de 2025. A estimativa de recursos a publicar cobrirá ambos os minerais, estando ainda em avaliação as opções metalúrgicas para a extracção do gálio como potencial subproduto.

Em termos de produção, a Altona Rare Earths planeia produzir 50.000 toneladas por ano de fluorite de grau ácido, podendo esta capacidade aumentar para próximo de 100.000 toneladas anuais em função dos resultados da estimativa de recursos e de novas sondagens previstas para o segundo semestre deste ano. Trabalhos metalúrgicos históricos indicam taxas de recuperação de cerca de 65%, com amostras de minério representativas a serem actualmente submetidas a testes metalúrgicos avançados na África do Sul para confirmação do fluxograma final, dos parâmetros de processo e das especificações do produto.

Fonte: Mining Weekly / Altona Rare Earths