Thursday, September 3, 2026
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Agência Internacional de Energia prevê redução da demanda de petróleo em 2026

A procura mundial por petróleo deverá cair 1,6 milhão de barris por dia em 2026, pressionada pelo fechamento contínuo do Estreito de Ormuz e pelos elevados preços dos combustíveis, que continuam a reduzir o consumo global.

O mais recente relatório de Mercado de Petróleo da Agência Internacional de de Petróleo, AIE, de 12 de Agosto, indica para queda da demanda do produto  de 1,6 milhões de barris por dia, com uma revisão em baixa de 510 milhões em relação às projecções do mês de Julho.

De acordo com o relatório, “o fechamento contínuo do Estreito de Ormuz e os elevados preços dos combustíveis continuam a pressionar o consumo de petróleo.” Refere o relatório que prevê uma redução da contração anual de 4,9 milhões de barris por dia no segundo trimestre de 2026 para 2,8 milhões/dia.

Embora o desempenho de 2026, no geral, se mostre baixo, o crescimento poderá ser retomado no último trimestre, e prevê-se que a demanda “deverá expandir 2,4 milhões de barris por dia em 2027.” Le-se no documento.

O processamento mundial de petróleo bruto nas refinarias aumentou em Julho, não obstante, continua 5 milhões de barris por dia abaixo dos níveis de 2025. O relatório explica que “as contínuas interrupções nas exportações de produtos do Oriente Médio e os ataques a refinarias russas reduziram as estimativas de processamento para o terceiro trimestre de 2026 em mais 370 mil barris por dia.”

ExxonMobil e parceiros atribuem contratos de US$1,1 mil milhões para avançar Rovuma LNG

A ExxonMobil Moçambique, em representação dos parceiros da Área 4, atribuiu contratos de pré-investimento avaliados em cerca de 1,1 mil milhões de dólares para equipamentos críticos de longo prazo destinados à primeira fase do projecto Rovuma LNG, em Cabo Delgado. A decisão representa mais um passo na preparação do empreendimento para a sua decisão final de investimento (FID).

Os contratos abrangem serviços de engenharia, aquisição e fabrico de sistemas de produção submarina, válvulas de produção de grande diâmetro e tubagem offshore, componentes considerados essenciais para a futura infraestrutura de produção de gás na Área 4.

O maior contrato foi atribuído à OneSubsea UK Limited e OneSubsea AS, para trabalhos de engenharia, aquisição, fabricação e produção de sistemas submarinos, controlos e umbilicais. A execução no país contará com o apoio da Aker Solutions Mozambique, Limitada, reforçando a componente local da cadeia de fornecimento do projecto.

Outros contratos foram atribuídos à Advanced Technology Valve S.p.A., para o fornecimento de válvulas de produção de grande diâmetro; à Corinth Pipeworks Pipe Industry Single Member S.A. e à Sumitomo Corporation of America, para diferentes tipos de tubos; e à Zhejiang Jiuli Hi-Tech Metals Co., Ltd., para o fornecimento de tubos revestidos e outros componentes associados.

Segundo a ExxonMobil, a contratação antecipada destes equipamentos permitirá aos fornecedores iniciar a produção de materiais que exigem volumes significativos e equipamentos especializados, alguns dos quais apresentam prazos de entrega prolongados. A estratégia procura optimizar o calendário de execução do projecto e assegurar a disponibilidade atempada de infraestruturas críticas antes da FID.

O Rovuma LNG prevê o desenvolvimento de recursos de gás natural offshore na Área 4 e a construção de uma unidade de liquefacção em terra com capacidade prevista de 18,6 milhões de toneladas de GNL por ano. A ExxonMobil lidera o desenvolvimento e operação do projecto em representação dos parceiros da Área 4, que incluem a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), CNPC, Eni, KOGAS e XRG.

A nova ronda de contratos surge poucos dias depois de os parceiros da Área 4 terem seleccionado uma joint venture liderada pela Saipem, McDermott, Daewoo Engineering & Construction e China Petroleum Engineering & Construction Corporation para serviços associados à engenharia e aquisição da componente midstream do projecto.

O movimento reforça a percepção de que o Rovuma LNG entrou numa fase mais avançada de preparação técnica e comercial. Embora a decisão final de investimento ainda seja determinante para o arranque pleno do desenvolvimento, a contratação antecipada de equipamentos e serviços críticos sinaliza uma maior mobilização da cadeia internacional de fornecimento em torno de um dos maiores projectos de gás previstos para Moçambique.

Para Moçambique, o avanço do projecto mantém em perspectiva os potenciais efeitos sobre investimento, receitas públicas, emprego e desenvolvimento da cadeia de fornecimento nacional, num momento em que o sector do gás volta a ganhar centralidade na agenda económica do país.

Crédito malparado do Moza Banco aproxima-se dos 30% no primeiro semestre de 2026

O Moza Banco encerrou o primeiro semestre de 2026 com 29,66% da sua carteira de crédito classificada como crédito malparado, registando uma deterioração face aos 27,58% observados no final de Março, segundo os indicadores prudenciais e económico-financeiros divulgados pelo Banco de Moçambique.

A evolução representa um agravamento de 2,08 pontos percentuais no rácio de crédito malparado (Non-Performing Loans – NPL) em apenas três meses, colocando o Moza Banco entre as instituições com os níveis mais elevados de incumprimento no sistema bancário moçambicano.

Apesar do aumento do crédito em incumprimento, o banco registou uma melhoria na cobertura do crédito malparado por imparidades. O indicador passou de 36,42% no primeiro trimestre para 46,85% no segundo trimestre, sinalizando um reforço da cobertura dos riscos associados à carteira de crédito.

BCI mantém NPL acima de 14%

A deterioração da qualidade do crédito não foi uniforme entre os principais bancos comerciais do país.

O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) registou uma ligeira melhoria, com o rácio de crédito malparado a recuar de 14,47% em Março para 14,11% em Junho. Ao mesmo tempo, a cobertura por imparidades aumentou de aproximadamente 21,03% para 25,11%.

Já o Millennium bim, embora mantenha um nível de NPL significativamente inferior ao do Moza Banco e do BCI, registou uma ligeira deterioração. O rácio passou de 2,37% para 2,62% no mesmo período. A cobertura do crédito malparado, contudo, aumentou de 86,57% para 91,91%.

Diferenças significativas entre os bancos

Os dados do Banco de Moçambique evidenciam diferenças consideráveis na qualidade das carteiras de crédito das instituições que operam no mercado nacional.

Entre os bancos com rácios de crédito malparado mais baixos em Junho estavam o FDH Bank Mozambique, com 0,13%, o Standard Bank Mozambique, com 1,48%, e o First Capital Bank (FCB), com 1,66%.

O First National Bank (FNB) apresentou um rácio de 3,12%, enquanto o Nedbank Mozambique registou 3,20% e o Absa Bank Mozambique, 4,07%. Estas instituições mantiveram os respectivos níveis de crédito malparado abaixo da referência de 5%.

Na outra extremidade, para além do Moza Banco, o Vista Bank Mozambique apresentou um NPL de 19,06%. O Banco Letshego registou 9,20%, o United Bank for Africa (UBA) 8,59% e o Banco Nacional de Investimento (BNI) cerca de 7,21%.

Qualidade do crédito continua a ser um desafio

A evolução dos indicadores mostra que a qualidade da carteira de crédito continua a constituir um dos principais desafios para o sector bancário moçambicano, embora com impactos distintos entre as instituições.

No caso do Moza Banco, a aproximação do rácio de crédito malparado aos 30% significa que aproximadamente três em cada dez meticais da carteira de crédito estavam em situação de incumprimento no final de Junho.

A diferença face aos bancos com menores níveis de NPL evidencia também a necessidade de estratégias diferenciadas de gestão de risco, recuperação de crédito e constituição de provisões.

A melhoria da cobertura por imparidades registada pelo Moza Banco constitui um factor positivo na gestão do risco, mas a subida do crédito malparado continua a pressionar a qualidade dos activos e a exigir maior atenção à recuperação da carteira.

Os dados do segundo trimestre confirmam, assim, um cenário heterogéneo no sistema bancário moçambicano, com algumas instituições a manterem níveis reduzidos de incumprimento e outras a enfrentarem uma pressão significativamente maior sobre as suas carteiras de crédito.

Da mineração ao Oil & Gas: A corrida pela eficiência operacional

A Rovuma Tech surge num momento em que a transformação digital deixou de ser apenas uma tendência para se tornar uma necessidade operacional para empresas e instituições. Que problema concreto a empresa procura resolver no mercado moçambicano?

A Rovuma Tech procura responder a um desafio que ainda existe em muitos sectores em Moçambique que são operações pouco eficientes, processos excessivamente manuais e dificuldade de acesso a soluções técnicas especializadas.

Hoje, os clientes já não procuram apenas fornecedores. Procuram parceiros capazes de entender a operação e apresentar soluções que tragam mais eficiência, confiabilidade e continuidade operacional.

É aí onde a Rovuma Tech entra. Trabalhamos muito na ligação entre procurement estratégico, soluções industriais e tecnologia aplicada à operação.

Um exemplo concreto disso é a implementação de sistemas de lubrificação automática no sector ferroviário, onde actividades anteriormente manuais passaram a ser automatizadas, permitindo maior eficiência, redução de falhas e melhor gestão da manutenção.

Acreditamos que tecnologia não é apenas software. Muitas vezes, tecnologia significa automatizar processos, melhorar a performance operacional e criar soluções mais sustentáveis para os clientes.

O sector tecnológico tornou-se cada vez mais competitivo, com a entrada de novos actores locais e internacionais. Como é que a Rovuma Tech se diferencia num mercado onde muitas empresas oferecem serviços semelhantes?

A nossa principal diferença está na forma como entendemos o negócio dos nossos clientes.

A Rovuma Tech não actua apenas como fornecedora de equipamentos ou materiais. Procuramos perceber os desafios operacionais de cada cliente e apresentar soluções ajustadas à realidade de cada projecto.

Temos uma forte actuação em sectores exigentes como oil & gas, mining e railway, onde qualidade, confiabilidade e capacidade de resposta são fundamentais.

Outro ponto importante é a nossa ligação com fabricantes e marcas internacionais, o que nos permite trazer para o mercado moçambicano soluções industriais modernas e alinhadas aos padrões globais.

Além disso, combinamos procurement, suporte técnico, logística e conhecimento operacional, o que nos permite agregar valor muito além do fornecimento tradicional.

II.  PANORAMA DO MERCADO

Muitas empresas ainda operam com processos manuais e pouca utilização estratégica de dados. Até que ponto o mercado moçambicano já compreendeu que tecnologia deixou de ser custo e passou a ser factor de competitividade?

O mercado moçambicano está claramente a evoluir nesse sentido.

Hoje existe uma percepção muito maior de que investir em tecnologia já não é apenas uma questão de modernização, mas sim de competitividade e sustentabilidade operacional.

Nos sectores industriais, por exemplo, as empresas começam a perceber que automatizar processos, melhorar sistemas de monitoramento e utilizar soluções mais inteligentes reduz custos operacionais, minimiza falhas e melhora a produtividade.

Ainda existe espaço para crescer, principalmente em termos de digitalização e integração tecnológica, mas vemos uma mudança muito positiva na mentalidade do mercado.

Os clientes estão mais atentos à eficiência, previsibilidade e continuidade operacional, e isso naturalmente aumenta a procura por soluções tecnológicas aplicadas à indústria

Que segmentos de mercado representam hoje maior potencial de crescimento para a Rovuma Tech: sector público, banca, telecomunicações, PME’s ou grandes empresas? 

Acreditamos que os maiores potenciais de crescimento continuam concentrados nos sectores industriais e infraestruturais, especialmente oil & gas, mineração, ferrovia e energia.

São áreas onde existe uma necessidade crescente de modernização operacional, manutenção especializada, automação e soluções técnicas mais eficientes.

Moçambique está numa fase importante de desenvolvimento industrial, e isso cria oportunidades para empresas capazes de entregar soluções com qualidade, capacidade técnica e visão de longo prazo.

Também vemos espaço de crescimento em empresas que começam a investir mais em eficiência operacional e modernização dos seus processos internos.

O sector tecnológico vive uma pressão constante entre inovação, escalabilidade e sustentabilidade financeira. Como é que a Rovuma Tech equilibra crescimento do negócio com capacidade de execução e qualidade de entrega?

Para nós, crescimento só faz sentido quando vem acompanhado de capacidade real de entrega.

A Rovuma Tech procura crescer de forma estruturada, mantendo foco na qualidade, confiabilidade e relacionamento de longo prazo com os clientes.

Temos muito cuidado em garantir que cada projecto seja executado com responsabilidade técnica e acompanhamento adequado.

Ao mesmo tempo, continuamos a investir em parcerias internacionais, melhoria de processos internos e desenvolvimento da nossa equipa, porque acreditamos que sustentabilidade empresarial também depende da capacidade de adaptação e evolução contínua.

III.  VISÃO & FUTURO

Quais são as duas ou três apostas estratégicas da Rovuma Tech para os próximos dois/três anos, e o que precisa de acontecer no mercado moçambicano para que façam sentido?

Uma das nossas principais apostas é continuar a expandir soluções ligadas à modernização e automação industrial.

Acreditamos que haverá cada vez mais procura por sistemas que aumentem eficiência operacional, reduzam processos manuais e melhorem a gestão de manutenção e desempenho dos equipamentos.

Outra aposta importante é o fortalecimento das nossas parcerias com fabricantes e marcas internacionais, permitindo trazer tecnologias e soluções mais avançadas para o mercado moçambicano. Um exemplo disso é a nossa colaboração e representação de marcas reconhecidas internacionalmente, como a VALMET SA e a VOGELSANG, reforçando o nosso compromisso em disponibilizar soluções industriais modernas, eficientes e alinhadas com os padrões globais.

Também queremos continuar a consolidar a Rovuma Tech como um parceiro estratégico nas áreas de procurement técnico, supply chain e soluções industriais integradas.

Para que isso aconteça de forma sustentável, será importante continuar a desenvolver infraestruturas, qualificação técnica e investimento industrial no país.

Muitas empresas tecnológicas crescem rapidamente, mas enfrentam dificuldades de consolidação. Quais são os maiores riscos de sustentabilidade para negócios digitais em Moçambique actualmente?

Um dos maiores desafios continua a ser a capacidade de acompanhar a velocidade da evolução tecnológica sem perder capacidade operacional e qualidade de entrega.

Muitas empresas conseguem crescer rapidamente, mas têm dificuldade em consolidar processos, estrutura técnica e sustentabilidade financeira.

Outro ponto importante é a necessidade de maior investimento em formação especializada e desenvolvimento de competências técnicas, principalmente em áreas industriais e tecnológicas.

Também acreditamos que o ambiente empresarial ainda precisa evoluir em aspectos como financiamento, infraestruturas e acesso a tecnologias mais avançadas.

Apesar dos desafios, vemos um mercado com enorme potencial de crescimento, especialmente para empresas que consigam combinar inovação, execução e visão estratégica de longo prazo.

Millennium bim aumenta depósitos em 10,4% e crédito em 11,8% no primeiro semestre de 2026

O Millennium bim registou um crescimento significativo da sua actividade no primeiro semestre de 2026, com os fundos de clientes a aumentarem 10,4%, para 180,6 mil milhões de meticais, enquanto o crédito concedido a clientes cresceu 11,8%, para 53,6 mil milhões de meticais, reforçando a posição do banco no sistema financeiro moçambicano.

O crescimento dos depósitos foi impulsionado sobretudo pelos depósitos à ordem, que aumentaram 15,3% em termos homólogos. No mesmo período, o banco ultrapassou os 2,3 milhões de clientes, dos quais mais de 74% dos clientes activos utilizam regularmente os seus canais digitais, com destaque para a aplicação Smart IZI.

Receitas bancárias crescem 4,6%

A expansão da actividade comercial também se reflectiu nas receitas. O produto bancário aumentou 4,6%, para 10 mil milhões de meticais, enquanto o produto bancário líquido de juros cresceu 5,8%. As receitas provenientes de comissões e outros serviços aumentaram 5,4% no período.

Ao mesmo tempo, os custos operacionais diminuíram 2,3%, reflectindo, segundo o banco, medidas de eficiência. Esta evolução foi parcialmente contrariada pelo aumento de 13,4% nos custos com pessoal, associado ao crescimento dos salários e benefícios dos trabalhadores.

Lucro pressionado por imparidades

Apesar do crescimento da actividade, o resultado líquido do Millennium bim fixou-se em 1,048 mil milhões de meticais, abaixo do registado no primeiro semestre de 2025.

O banco atribui a redução principalmente ao aumento das imparidades e das provisões adicionais relacionadas com a descida do rating soberano de Moçambique. Excluindo este impacto extraordinário, o Millennium bim estima que o lucro teria crescido 21,6% face ao mesmo período do ano anterior.

No que diz respeito à qualidade da carteira de crédito, o rácio de crédito malparado com mais de 90 dias situou-se em 2,6%, enquanto o nível de cobertura por imparidades atingiu 157%, evidenciando uma posição prudente na gestão do risco de crédito.

Activos crescem 9,2%

Os activos líquidos do banco aumentaram 9,2%, para 226,1 mil milhões de meticais, enquanto os capitais próprios atingiram 36,1 mil milhões de meticais. O rácio de crédito líquido sobre depósitos situou-se em 27,5%.

A solidez financeira manteve-se igualmente elevada. O rácio de solvabilidade atingiu 40,8%, mais de três vezes acima do mínimo regulamentar de 12%, conferindo ao banco uma margem significativa para continuar a financiar famílias e empresas.

Digitalização ganha peso

A expansão dos canais digitais continua a ser uma das principais apostas estratégicas do Millennium bim. Mais de três quartos dos clientes activos utilizam regularmente os canais digitais, enquanto o banco destaca a possibilidade de abertura integralmente digital de contas para clientes particulares como uma das inovações introduzidas no mercado moçambicano.

O desempenho do primeiro semestre ocorre num contexto macroeconómico ainda desafiante, mas o banco considera que o crescimento dos depósitos, do crédito e da utilização dos canais digitais demonstra a confiança dos clientes e a capacidade de expansão da actividade.

O Millennium bim mantém, assim, uma estratégia assente no crescimento sustentável, transformação digital, proximidade aos clientes e gestão prudente do risco, procurando reforçar o seu papel no financiamento da economia moçambicana.

Fonte: 360 Mozambique

Moçambique e ECA reforçam agenda de cooperação com foco no emprego, industrialização e execução

Moçambique e a Comissão Económica das Nações Unidas para África (ECA) estão a preparar uma nova fase de cooperação, mais orientada para resultados concretos e para a execução das prioridades nacionais de desenvolvimento, com destaque para a criação de emprego, industrialização, agricultura, recursos naturais, infra-estruturas e reforço da capacidade institucional.

A orientação resulta do encontro entre o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, e uma delegação da ECA liderada pelo seu Secretário Executivo, Claver Gatete, durante a recente missão da instituição a Maputo. A visita surgiu na sequência de um convite formulado pelo Presidente da República, Daniel Chapo, a Gatete, à margem da Cimeira da União Africana, com o propósito de aproximar o apoio técnico da ECA das prioridades nacionais de desenvolvimento. (O.Económico)

Durante as conversações, Salim Valá apresentou a arquitectura de planeamento do Governo, assente na Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE) 2025–2044, no Programa Quinquenal do Governo (PQG) 2025–2029, em estratégias sectoriais de dez anos, no Cenário Fiscal de Médio Prazo, no Plano Económico, Social e Orçamento do Estado (PESOE) e no Programa Integrado de Investimentos 2026–2030.

Apesar da existência destes instrumentos, o ponto central das discussões foi a necessidade de transformar o planeamento em resultados concretos. A ECA colocou a execução no centro da agenda, defendendo a importância de converter planos em investimentos, produção, empregos e melhoria efectiva das condições de vida.

Neste sentido, a ECA manifestou disponibilidade para apresentar ao Governo uma plataforma digital de planeamento e acompanhamento da implementação, apoiar estudos de viabilidade em sectores prioritários e mobilizar especialistas para ajudar a identificar e eliminar constrangimentos à execução.

A criação de empregos constitui uma das principais prioridades apresentadas por Moçambique. Salim Valá destacou a necessidade de promover um crescimento económico capaz de absorver mão-de-obra em grande escala, sobretudo perante uma população predominantemente jovem. Agricultura, pequenas e médias empresas, indústria transformadora, turismo, construção e serviços foram identificados como sectores com potencial para gerar emprego.

A cooperação deverá igualmente reforçar a ligação entre a modernização agrícola e a indústria transformadora, de modo a aumentar o valor acrescentado da produção nacional. Entre os exemplos apresentados estão a utilização do algodão como base para a indústria têxtil, o caju para processamento, o girassol para produção de óleo, as frutas para processamento, conservação e exportação, e o milho e a soja para cadeias de alimentação animal. (O.Económico)

A ECA destacou, neste contexto, a necessidade de seleccionar produtos com capacidade de escala, organizar produtores, reforçar a formação e desenvolver infra-estruturas como sistemas de irrigação, energia e estradas, criando cadeias de valor capazes de ligar a produção aos mercados.

Os recursos naturais também ocupam um lugar importante na nova agenda. Moçambique possui gás natural, carvão, grafite, areias pesadas, rubis, ouro e outros recursos minerais, mas o desafio passa por transformar essa riqueza em maior benefício económico interno, aumentando os encadeamentos entre a indústria extractiva e o restante tecido económico.

Esta orientação está alinhada com uma prioridade já defendida pelo Presidente Daniel Chapo: a transformação dos recursos naturais em base para a industrialização do país. Em Maio, durante a 12.ª Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique, o Chefe do Estado defendeu uma mudança de paradigma, passando da simples exploração dos recursos para uma lógica de transformação económica e social, com impacto na indústria, emprego e prosperidade. (MIREME)

As infra-estruturas e os corredores de transporte constituem igualmente uma área de atenção. Os corredores de Maputo, Beira e Nacala poderão ser utilizados não apenas para facilitar o trânsito de mercadorias destinadas aos países do hinterland, mas também como corredores de desenvolvimento da economia moçambicana, ligando áreas agrícolas, centros industriais, cidades, recursos naturais e mercados nacionais.

Neste quadro, o Programa Integrado de Investimentos 2026–2030 poderá assumir um papel importante na priorização, preparação e promoção de projectos, distinguindo aqueles que já apresentam maturidade para procurar financiamento dos que ainda necessitam de estudos, estruturação ou reformas.

A transformação digital foi também integrada no diálogo. Salim Valá destacou a criação do Ministério das Comunicações e Transformação Digital e o crescente uso da tecnologia nos serviços públicos, inclusão financeira, transparência e aproximação entre o Estado e o cidadão, defendendo igualmente o potencial da tecnologia como sector gerador de negócios, emprego e produtividade.

A ECA defendeu ainda a necessidade de concentrar esforços em projectos com maior capacidade de impacto sobre emprego, produção, exportações, produtividade e receitas públicas. A organização poderá apoiar Moçambique através de estudos de viabilidade, conhecimento técnico, plataforma de monitoria, identificação de constrangimentos e acompanhamento da implementação dos projectos.

A nova abordagem pretende aproximar duas realidades económicas que ainda se relacionam de forma insuficiente: de um lado, os grandes projectos ligados ao gás, carvão, alumínio, areias pesadas e outros recursos; do outro, milhões de pequenos produtores, microempresas e actividades informais.

A aposta passa por criar pontes entre esses dois segmentos através de fornecedores nacionais, agricultura ligada à indústria, pequenas e médias empresas integradas nos corredores, formação orientada para a procura empresarial, processamento de recursos naturais, tecnologia e financiamento direccionado para a produção.

Com esta nova agenda, Moçambique e a ECA procuram colocar a cooperação menos centrada na produção de planos e mais orientada para a implementação, assegurando que o planeamento, financiamento, investimento e execução resultem em empregos, empresas, cadeias de valor e novas oportunidades económicas para o país.

Porto de Chongoene prepara arranque das operações de minérios pesados

O Porto de Chongoene, na província de Gaza, está cada vez mais próximo de entrar numa nova fase de actividade, depois de obter as licenças necessárias para iniciar operações ligadas ao escoamento de minérios pesados. O avanço abre novas perspectivas para a dinamização da actividade mineira e logística no sul de Moçambique.

A obtenção das licenças representa um passo importante para a operacionalização da infra-estrutura portuária, concebida para apoiar a movimentação e exportação de recursos minerais provenientes dos projectos instalados na região.

Com o início das operações, o Porto de Chongoene poderá assumir um papel estratégico na cadeia logística dos minérios pesados, reduzindo constrangimentos no transporte, facilitando o acesso aos mercados internacionais e criando condições para uma maior integração entre a actividade mineira e as infra-estruturas nacionais.

A entrada em funcionamento do porto poderá igualmente gerar oportunidades para empresas moçambicanas nas áreas de transporte, logística, manutenção, segurança, fornecimento de equipamentos e prestação de serviços especializados, contribuindo para o fortalecimento do conteúdo local.

O projecto surge num contexto de crescente investimento na exploração e valorização dos recursos minerais de Moçambique, reforçando a importância de infra-estruturas capazes de ligar as zonas de produção aos corredores de exportação.

A expectativa é de que o arranque das operações do Porto de Chongoene contribua para dinamizar a economia de Gaza, estimular novos investimentos e fortalecer a posição de Moçambique nas cadeias internacionais de fornecimento de minerais pesados.

Com as licenças já asseguradas, o foco passa agora para a preparação do início efectivo das operações, num passo que poderá transformar Chongoene num novo ponto estratégico para o comércio e a logística de recursos minerais no país.

Fonte: O.economico

NeoTerra Group identifica potencial de extracção de gálio em Moçambique

Moçambique poderá ganhar um novo protagonismo no mercado global de minerais críticos, depois de a NeoTerra Group anunciar resultados que apontam para a presença de gálio associado a um dos seus projectos de exploração mineral no país.

Os dados divulgados pela empresa indicam uma recuperação de até 85% de gálio através de testes de extracção, um resultado que poderá abrir caminho para a avaliação comercial deste mineral estratégico e aumentar o interesse internacional pelos recursos minerais moçambicanos.

O gálio é considerado um mineral crítico devido à sua importância para tecnologias avançadas, sendo utilizado em sectores como semicondutores, telecomunicações, electrónica, sistemas de energia e outras aplicações de elevada tecnologia.

A NeoTerra Group está a avaliar o potencial dos recursos identificados em Moçambique, com os resultados dos testes a representarem uma etapa importante para determinar a viabilidade de uma futura cadeia de produção e valorização do mineral.

A eventual exploração de gálio poderá também criar novas oportunidades para Moçambique na cadeia global de minerais críticos, num momento em que a procura internacional por matérias-primas estratégicas cresce impulsionada pela transição energética, digitalização e desenvolvimento de tecnologias avançadas.

Para além da extracção, o desafio passa por garantir que uma parte crescente do valor gerado permaneça no país, através do desenvolvimento de serviços especializados, formação de mão-de-obra, fornecimento local e eventual processamento dos recursos.

O anúncio da NeoTerra surge num contexto de crescente atenção internacional sobre o potencial mineral de Moçambique, que dispõe de recursos como grafite, areias pesadas, carvão e outros minerais considerados estratégicos para a economia global.

Caso os resultados avancem para uma fase de viabilidade comercial, o gálio poderá acrescentar uma nova dimensão ao sector mineiro nacional e colocar Moçambique numa cadeia de fornecimento dominada por poucos produtores a nível mundial.

A descoberta reforça, assim, a necessidade de transformar a riqueza mineral do país em oportunidades concretas de investimento, industrialização, emprego e desenvolvimento de empresas nacionais.

Fonte: Proactiveinvestors

Fundo Soberano aloca 70% dos activos ao dólar e aos títulos do Tesouro dos EUA

O Fundo Soberano de Moçambique (FSM) deverá manter 70% dos seus recursos aplicados em activos denominados em dólares norte-americanos, com uma parcela significativa direccionada para títulos do Tesouro dos Estados Unidos, de acordo com a política de investimento aprovada pelo Governo.

A estratégia resulta da Resolução n.º 38/2025, que estabelece as regras de alocação dos recursos do fundo e atribui ao Banco de Moçambique a gestão operacional dos investimentos nos mercados financeiros internacionais.

De acordo com a política definida, o Índice de Referência Estratégico (IRE) estabelece uma carteira composta por 70% de títulos governamentais e 30% de títulos não governamentais. Na componente governamental, 70% dos activos são direccionados para obrigações do Tesouro norte-americano e 30% para obrigações da Zona Euro. A componente não governamental segue igualmente uma distribuição de 70% em dólares e 30% em euros, estando limitada a obrigações corporativas com grau de investimento.

A estrutura significa que o fundo terá uma exposição cambial predominante ao dólar norte-americano, enquanto as regras de gestão de risco procuram limitar desvios significativos relativamente ao índice de referência. Entre as restrições estabelecidas está um tracking error máximo de 0,5%, um limite de 5% para desvios de peso face ao índice e uma diferença máxima de 0,5 anos na duração modificada da carteira.

Fundo financiado pelo gás, mas sem investimento directo no sector

O modelo ganha particular relevância pelo facto de o Fundo Soberano ser financiado pelas receitas provenientes da exploração de gás natural liquefeito (GNL) nas Áreas 1 e 4 da Bacia do Rovuma. Apesar dessa origem, a política de investimento impede aplicações directas no sector de petróleo e gás, permitindo apenas uma exposição indirecta limitada.

Nos primeiros 15 anos, a legislação determina que 60% das receitas destinadas ao Estado sejam canalizadas para o Orçamento do Estado e 40% para o Fundo Soberano. A partir do 16.º ano, a repartição passa para 50% para cada destino.

O fundo iniciou as suas operações com um depósito de 109,9 milhões de dólares em Dezembro de 2025 e alcançou cerca de 117 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2026, enquanto os recursos acumulados entre 2022 e 2024 totalizavam 232,3 milhões de dólares.

Debate sobre o impacto na economia nacional

A estratégia de investimento levanta um debate sobre a forma como os recursos provenientes dos recursos naturais poderão contribuir para o desenvolvimento económico de Moçambique.

As regras actualmente estabelecidas excluem investimentos directos do fundo em activos denominados em meticais, imóveis, infra-estruturas ou outros veículos cujo foco principal seja o mercado moçambicano. A política privilegia, assim, a preservação e diversificação financeira através dos mercados internacionais.

Segundo as projecções citadas pela Integrity Magazine, as receitas do gás poderão atingir cerca de 6 mil milhões de dólares anuais na década de 2040. O crescimento esperado das receitas coloca em evidência a importância de definir mecanismos capazes de equilibrar a preservação de longo prazo da riqueza soberana com os objectivos de desenvolvimento económico do país.

A discussão passa, por isso, não apenas pelo volume de recursos acumulados, mas também pela estratégia de gestão, diversificação dos investimentos, exposição a riscos internacionais e capacidade de transformar as receitas dos recursos naturais em benefícios sustentáveis para as futuras gerações.

A experiência internacional mostra que os fundos soberanos podem desempenhar diferentes funções, desde a estabilização das finanças públicas até à poupança intergeracional e à diversificação das economias nacionais. No caso de Moçambique, a forma como o Fundo Soberano evoluirá será particularmente relevante à medida que aumentarem as receitas provenientes do gás natural.

O desafio estará em assegurar que a gestão dos recursos combine prudência financeira, transparência, sustentabilidade e retorno económico, preservando o património das futuras gerações sem perder de vista as necessidades de desenvolvimento do país.

Vodacom Moçambique regista crescimento de 5,2% no M-Pesa em 2026

A Vodacom Moçambique registou uma evolução positiva do seu desempenho operacional no exercício fiscal encerrado em 31 de Março de 2026, impulsionada pelo crescimento das receitas de serviços e pela expansão do negócio de serviços financeiros móveis através do M-Pesa.

O desempenho reflecte a crescente importância dos serviços digitais e financeiros no negócio da operadora, num contexto em que o uso de soluções móveis continua a ganhar espaço entre os consumidores e empresas moçambicanas.

De acordo com os resultados divulgados, o M-Pesa registou um crescimento de 5,2%, reforçando o seu contributo para o desempenho da Vodacom Moçambique. A evolução do serviço acompanha a expansão do ecossistema de pagamentos digitais e dos esforços de promoção da inclusão financeira no país.

A aposta nos serviços financeiros móveis surge num mercado em transformação, marcado pelo aumento da utilização de soluções digitais para pagamentos, transferências e outras operações financeiras. Dados do regulador do sector mostram, igualmente, a crescente relevância dos serviços móveis e do tráfego associado às comunicações digitais em Moçambique.

Para além do desempenho financeiro, a estratégia da Vodacom tem procurado ampliar o papel do M-Pesa enquanto plataforma de inclusão financeira e de apoio à economia digital. A empresa tem desenvolvido iniciativas dirigidas a consumidores, empreendedores e pequenas e médias empresas, combinando serviços financeiros, conectividade e soluções digitais.

O crescimento dos serviços digitais e financeiros deverá continuar a desempenhar um papel central na evolução do sector das telecomunicações em Moçambique, à medida que consumidores e empresas aumentam a utilização de plataformas móveis para comunicação, pagamentos e acesso a serviços.

Os resultados da Vodacom Moçambique reforçam, assim, a tendência de diversificação das fontes de receita das operadoras, com os serviços digitais e financeiros a assumirem um peso cada vez maior para além dos tradicionais serviços de voz e mensagens.