Thursday, September 3, 2026
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AIMO e Profile assinam parceria para a primeira edição dedicada à indústria moçambicana

A publicação será lançada em Novembro de 2026 e reunirá entrevistas com líderes empresariais, análise sectorial, indicadores económicos e um directório das empresas industriais do país.

A Associação Industrial de Moçambique (AIMO) e a Profile, plataforma independente de informação empresarial, assinaram hoje um Memorando de Entendimento para a produção da 2ª Edição da Revista Profile, Edição Especial Indústria de Moçambique. Será a primeira publicação editorial Profile dedicada exclusivamente ao sector industrial do país.

O documento foi assinado nos escritórios da Playground, Lda., em Maputo, por Paulo Chibanga, Presidente do Conselho de Direcção da AIMO, e por Miguel Proença, Editor Chefe da Profile.

A edição reunirá entrevistas com líderes empresariais, reportagens sectoriais, análise de mercado, indicadores económicos e um directório das empresas que compõem o tecido industrial nacional. A AIMO participa na qualidade de Parceira Institucional da publicação.

«Comprometi-me, no início deste mandato, com a criação de um Observatório da Indústria. A razão é simples: um sector que não se conhece a si próprio não se defende, não se planeia e não se financia. Esta edição da Profile é o primeiro passo desse trabalho, e todos os nossos associados terão lugar nela», afirmou Paulo Jorge Chibanga.

«A indústria moçambicana produz, emprega e transforma, mas raramente é contada. Trabalhar com a instituição que representa o sector dá-nos acesso e responsabilidade em igual medida. O nosso compromisso é produzir uma edição que os industriais moçambicanos reconheçam como sua», afirmou Miguel Proença.

Fundada em 1989, a AIMO representa um número de empresas associadas e associações empresariais afiliadas, distribuídas por sectores de actividade industrial, num universo em que a esmagadora maioria das unidades industriais do país são micro e pequenas empresas.

A parceria surge num momento de expansão do sector. O Governo projecta um crescimento da indústria transformadora de 5,4% entre 2025 e 2026, com destaque para os minerais não metálicos, a metalurgia de base e as bebidas.

A produção da edição decorre entre Setembro e Novembro de 2026 e inclui um programa de entrevistas às empresas associadas da AIMO. A apresentação do projecto aos industriais terá início durante a FACIM 2026, que decorre de 31 de Agosto a 6 de Setembro em Ricatla, Marracuene.

Nos termos do Memorando, a Profile mantém a responsabilidade editorial integral da publicação. A AIMO assegura o apoio institucional, a mobilização dos associados e a identificação de temas prioritários para o sector.

O lançamento público terá lugar em Maputo, em Novembro de 2026.

Sobre a AIMO

A Associação Industrial de Moçambique foi fundada em 1989 por empresários em representação de empresas líder de mercado, com o objectivo de melhorar as condições de negócio no país. Representa o sector industrial moçambicano e presta serviços que incluem representação institucional, acreditação e certificação, apoio ao desenvolvimento industrial e formação profissional. A actual direcção foi eleita para o mandato 2025-2030.

Sobre a Profile

A Profile é uma plataforma independente de informação empresarial dedicada à economia moçambicana, aos seus sectores de actividade e às organizações que os constroem. Opera através de revista impressa, portal de notícias, newsletter semanal, canais digitais, série de entrevistas em vídeo e edição digital. É propriedade da Playground, Lda.

Projecto de GNL da ExxonMobil na Área 4 entra em fase decisiva

O maior projecto de exploração e produção de gás natural da Área 4 em Moçambique, liderado pela ExxonMobil, avança com perspectivas sólidas para a tomada de decisão final de investimento ainda este ano. A garantia foi reforçada em Maputo durante um encontro de alto nível na Presidência da República.

A presidente da ExxonMobil em Moçambique, Johanna Boothey, destacou que as conversações com o Chefe de Estado, Daniel Chapo, centraram-se nos passos cruciais para materializar a iniciativa, que prevê gerar 18 milhões de toneladas de GNL anualmente e encaixar cerca de 150 mil milhões de dólares para o Estado ao longo de três décadas.

O plano estratégico contempla a execução de infra-estruturas na península de Afungi, em Cabo Delgado, onde o gás extraído no mar será transportado por gasodutos para processamento. A multinacional selecionou recentemente o consórcio SMDC para impulsionar os serviços de apoio e a primeira fase das obras, consolidando o impacto positivo do empreendimento no emprego, no desenvolvimento social e na economia nacional.

Produção de ouro cai pela metade devido à suspensão da actividade mineira

A província de Manica, no centro de Moçambique registou um decréscimo na produção de ouro, no primeiro semestre deste ano, em relação a igual período do ano passado. Em causa, está a suspensão da actividade mineira, em cumprimento do Decreto de Conselho de Ministros, em vigor desde Setembro de 2025.

No período em alusão, a província produziu cerca de 240 quilogramas de ouro, o que representa uma redução em 49,1%, em relação a 2025, em que se produziu mais de 472 quilogramas.

Os dados foram divulgados pelo porta-voz do Conselho dos Serviços de Representação do Estado em Manica, Agostinho Robate, destacando que a medida de suspensão visa travar o impacto negativo sobre o ambiente, provocado pela atividade mineira.

A província de Manica tem, como meta para o presente ano, produzir cerca de 700 quilogramas de ouro.

Oficial: LAM formaliza transição para “Air Mozambique”

A Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) oficializou, esta sexta-feira, 14 de agosto de 2026, a sua mudança de marca para “Air Mozambique”. A nova identidade foi apresentada publicamente durante o voo inaugural Maputo-Nacala, simbolizando o ponto alto de um processo de reestruturação que tem vindo a ser desenhado desde meados de 2025.

A alteração do nome, que vinha a ser alvo de especulações e rumores desde o início do ano com a aparição gradual da designação em crachás e materiais institucionais, foi confirmada como parte integrante de uma estratégia profunda de revitalização da transportadora de bandeira. O objectivo é reposicionar a empresa no mercado doméstico e regional, conferindo-lhe uma imagem mais moderna e alinhada com as exigências internacionais.

Além da mudança de nome, a “Air Mozambique” anunciou uma alteração estrutural na sua rede doméstica. A cidade da Beira foi elevada a um segundo ponto estratégico de distribuição de tráfego, permitindo ligações directas para Tete, Quelimane, Nampula, Pemba e Nacala, sem a necessidade de passagem obrigatória por Maputo. Esta configuração visa optimizar a conectividade entre as regiões Centro e Norte, facilitando a mobilidade de empresários e cidadãos.

O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, que acompanhou o voo inaugural, sublinhou que esta é “mais uma etapa” no processo de restauração da companhia. “A aposta é construir uma companhia capaz de responder às necessidades de um país extenso e às expectativas dos moçambicanos”, afirmou o governante.

A transição para “Air Mozambique” não é um evento isolado, mas o culminar de meses de especulação. Em março de 2026, o Governo chegou a negar inicialmente a mudança de nome, mas o Ministro João Matlombe acabaria por admitir, dias depois, que o rebranding fazia parte da estratégia de reestruturação.

A mudança de uma marca com mais de 45 anos de história traz, contudo, desafios significativos. No início das especulações especialistas alertaram que a alteração do nome implica o risco de perda de capital simbólico. Para a actual gestão, liderada pela estratégia de recuperação iniciada em maio de 2025, o foco principal permanece a estabilização operacional.

Actualmente, a empresa opera com oito aeronaves e a meta ambiciosa, reiterada pelo Ministro Matlombe, é atingir 12 aeronaves operacionais até ao final de 2026. A gestão procura agora reduzir os atrasos recorrentes que marcaram o histórico recente da companhia e tornar as tarifas mais competitivas.

O lançamento da “Air Mozambique” representa a tentativa de virar a página de um período marcado por dificuldades financeiras e operacionais. Embora a empresa já registe sinais de melhoria com receitas que começam a cobrir as despesas, o sucesso da nova marca dependerá da sua capacidade de manter a regularidade dos voos, melhorar o serviço ao cliente e consolidar a eficiência da nova rota interprovincial centrada na Beira. O Governo reconhece que o caminho é “delicado e complicado”, mas mantém a aposta na transformação total da companhia de bandeira para garantir a soberania do transporte aéreo em Moçambique.

Fidelidade Ímpar formaliza parceria com a ANDMoz para reforçar a Segurança Alimentar e a Inclusão Social na Zambézia

A Fidelidade Ímpar e a Associação Nutrição em Desenvolvimento (ANDMoz) formalizaram, cidade de Quelimane, província da Zambézia, um protocolo de parceria que assinala o início da implementação do projecto NutriFamily+,  Programa Comunitário de Nutrição, Inclusão Produtiva e Resiliência Alimentar, vencedor da categoria Inclusão Social de Pessoas com Deficiência da primeira edição do Prémio Fidelidade Ímpar Comunidade.

Criado para reconhecer e apoiar organizações da sociedade civil que desenvolvem soluções inovadoras para responder a desafios sociais em Moçambique, o Prémio Fidelidade Ímpar Comunidade distinguiu, na sua primeira edição, projectos de elevado impacto social nas áreas de prevenção em saúde e inclusão social de pessoas com deficiência ou incapacidade. Com a assinatura deste protocolo, a Fidelidade Ímpar conclui a formalização das parcerias com as organizações vencedoras, dando seguimento à implementação das iniciativas distinguidas.

Para a Administradora Executiva da Fidelidade Ímpar, Célia Ferreira, esta parceria representa mais um passo concreto na materialização do compromisso da seguradora com as comunidades moçambicanas“Quando apoiamos um projecto como o NutriFamily+, estamos a apostar esperança onde antes havia incerteza. O Prémio Fidelidade Ímpar Comunidade nasceu exactamente para isso, para transformar projectos vencedores em impacto real, ao lado de quem conhece melhor as necessidades das comunidades”, afirmou.

A concretização deste compromisso é acompanhada de perto pela equipa responsável pela gestão das parcerias resultantes do Prémio. De acordo com Silénia Valoi, Responsável pela área de Sustentabilidade e Responsabilidade Social da Fidelidade Ímpar, este momento traduz a essência do Prémio Fidelidade Ímpar Comunidade. “A nossa missão não termina com a distinção dos projectos. Através destas parcerias, procuramos contribuir para que boas ideias se transformem em soluções concretas, capazes de gerar impacto nas comunidades.”

Fundada em 2023, a ANDMoz dedica-se à promoção do desenvolvimento humano sustentável em Moçambique através de intervenções nas áreas da nutrição, saúde, educação, agricultura sustentável, protecção social e empoderamento comunitário. A organização trabalha com famílias rurais vulneráveis, crianças dos zero aos cinco anos, pessoas com deficiência e idosos, promovendo soluções que fortalecem a segurança alimentar e a inclusão social.

O projecto NutriFamily+ surge como resposta aos elevados índices de insegurança alimentar e desnutrição infantil registados em comunidades da província da Zambézia. A iniciativa combina acções de educação nutricional, agricultura sustentável e inclusão produtiva para fortalecer a segurança alimentar das famílias e promover a autonomia de pessoas com deficiência e idosos, contribuindo para reduzir a vulnerabilidade social nas comunidades beneficiárias.

Segundo Nelma Agostinho, Fundadora e Directora Executiva da ANDMoz,esta parceria representa uma oportunidade para ampliar o alcance da intervenção da organização. “Este apoio permitirá chegar a mais famílias e reforçar respostas que promovem uma alimentação adequada, inclusão produtiva e melhores perspectivas para crianças e populações em situação de maior vulnerabilidade.”

Na província da Zambézia, onde as crises climáticas e económicas continuam a afectar a produção agrícola e o acesso das famílias a uma alimentação diversificada, o NutriFamily+ pretende implementar uma abordagem integrada que alia nutrição, inclusão social e fortalecimento dos meios de subsistência, contribuindo para comunidades mais resilientes e preparadas para enfrentar estes desafios.

A assinatura deste protocolo reafirma o compromisso da Fidelidade Ímpar em promover iniciativas de responsabilidade social que gerem impacto sustentável e fortaleçam o trabalho desenvolvido por organizações da sociedade civil, contribuindo para melhorar a qualidade de vida das comunidades moçambicanas.

Sobre a Fidelidade Ímpar

Com mais de 30 anos de presença em Moçambique e 200 anos de experiência global, a Fidelidade Moçambique é a seguradora de referência em Moçambique, oferecendo uma vasta gama de produtos nos ramos Vida e Não Vida.

Guiada por valores como a Experiência, a Inovação, a Superação e o Valor Humano, a Fidelidade Moçambique disponibiliza soluções ajustadas às diferentes necessidades das famílias e das empresas moçambicanas.

A Fidelidade Ímpar é, há seis anos consecutivos, a única seguradora moçambicana com classificação internacional de robustez financeira atribuída pela agência AM Best. É também a única do sector com o selo Great Place to Work (GPTW) e distinguida com o selo Superbrands 2026.

Com uma forte política de expansão e inclusão, a Fidelidade Moçambique tem como propósito servir cada vez melhor os clientes, contribuindo para o desenvolvimento social e económico do país. A seguradora destaca-se pela sua robustez, aliando tradição, história, inovação e conhecimento, e segue uma estratégia alinhada com projectos de sustentabilidade e de responsabilidade social.

A Fidelidade Moçambique conta com 240 colaboradores que prestam assistência a mais de 350 mil clientes em todo o país, através de balcões próprios em oito províncias, apoiados por uma rede de mais de 120 mediadores e 500 locais de atendimento espalhados por Moçambique.

A Fidelidade Moçambique integra o Grupo Fidelidade, cuja história começou em 1808, em Portugal, onde é líder de mercado com 2,3 milhões de clientes. A nível global, o Grupo Fidelidade está presente em 13 países e 4 continentes, servindo um total de 8,5 milhões de clientes.

Governo cria linha de emergência de 50 milhões de dólares para garantir importação de combustíveis

O Governo moçambicano criou um mecanismo financeiro de emergência com capacidade para mobilizar até 50 milhões de dólares destinados a assegurar a importação de combustíveis líquidos e evitar rupturas no abastecimento do mercado nacional em situações de crise.

A medida foi aprovada através da Resolução n.º 65/2026, de 3 de Agosto, do Conselho de Ministros, que estabelece as bases legais para a criação de uma linha de pagamento destinada a credores estrangeiros envolvidos no fornecimento de combustíveis ao país.

O mecanismo será operacionalizado através da Petromoc, empresa pública responsável pela comercialização de produtos petrolíferos, utilizando uma conta do Ministério das Finanças domiciliada no Banco de Moçambique. O objectivo é garantir que, perante uma situação de crise, existam recursos financeiros disponíveis para assegurar a continuidade das importações e, consequentemente, do abastecimento interno.

A resolução prevê ainda uma modalidade de utilização excepcional, permitindo que o ministro que superintende a área das Finanças, em coordenação com o ministro responsável pelo sector dos combustíveis, autorize o recurso à facilidade até ao limite de 40 milhões de dólares, sempre que tal seja considerado necessário para garantir o fornecimento ao mercado nacional.

A criação do mecanismo surge num contexto em que o mercado moçambicano continua exposto a constrangimentos no acesso a divisas e a choques externos que podem comprometer a cadeia de abastecimento de combustíveis. O conflito no Médio Oriente agravou recentemente estas vulnerabilidades, provocando dificuldades de fornecimento em várias regiões do país.

Apesar da criação da linha de emergência, os dados do Banco de Moçambique mostram que a factura de importação de combustíveis caiu 1,4% no primeiro trimestre de 2026, para cerca de 236,4 milhões de dólares, contra 239,6 milhões de dólares registados no mesmo período de 2025.

O diesel representou a maior parcela da factura, com 164,9 milhões de dólares, seguido da gasolina, com 56,4 milhões, e do combustível para aviação, com 15,2 milhões de dólares. No período, os combustíveis representaram quase metade dos cerca de 517 milhões de dólares gastos pelo país na importação de bens intermédios.

A nova facilidade financeira acrescenta, assim, uma componente de resposta de emergência à política de segurança energética do país, num momento em que o Governo procura reforçar o controlo sobre a cadeia de aquisição e abastecimento de combustíveis. A criação recente da Empresa Nacional de Aquisição de Produtos Petrolíferos (ENAPP), concebida para centralizar a gestão das compras e do fornecimento ao mercado nacional, integra igualmente esse esforço de reforço da capacidade de resposta do Estado.

Mais do que uma reserva financeira, o mecanismo representa uma tentativa de criar uma margem de segurança para um mercado particularmente sensível à disponibilidade de divisas, às condições dos mercados internacionais e às perturbações nas rotas globais de abastecimento.

LAM reforça ligações aéreas entre o centro e norte do país a partir da Beira

A Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) iniciou esta quarta-feira, 12 de Agosto, uma nova operação de voos directos a partir da cidade da Beira, criando ligações aéreas entre a capital de Sofala e importantes destinos das regiões centro e norte do país. A iniciativa reposiciona a Beira como um ponto estratégico na rede doméstica da companhia aérea nacional.

A nova operação estabelece ligações entre a Beira e as cidades de Tete, Quelimane, Nampula, Nacala e Pemba, reduzindo a necessidade de deslocações com passagem por Maputo e criando uma alternativa mais directa para passageiros que circulam entre as diferentes regiões do país.

Para a LAM, a medida integra o processo de reestruturação da companhia e os esforços para reforçar progressivamente a conectividade aérea nacional. A escolha da Beira como base para esta operação confere à cidade um papel acrescido na arquitectura da rede doméstica da companhia, aproximando mercados que durante muito tempo dependeram de ligações indirectas.

A estratégia poderá ter implicações que ultrapassam a mobilidade de passageiros. A existência de ligações directas entre os principais centros urbanos do centro e norte pode facilitar deslocações empresariais, apoiar actividades turísticas e melhorar a circulação de bens e serviços entre mercados regionais.

A decisão surge também num momento em que a LAM procura recuperar capacidade operacional e ampliar a sua rede. A companhia deverá contar com 10 aeronaves em operação durante esta semana, depois da entrada em serviço de dois aviões que estavam em manutenção na África do Sul, estando prevista a expansão da frota operacional para 12 aeronaves até Dezembro.

Com a criação deste eixo a partir da Beira, a LAM procura, assim, descentralizar a sua operação doméstica e tornar a conectividade aérea nacional menos dependente do principal gateway do país, Maputo. A iniciativa poderá igualmente reforçar a posição da Beira enquanto plataforma logística e económica para a região centro e como ponto de ligação com o norte de Moçambique.

BCI distinguido como Melhor Banco em ESG nos Euromoney Awards for Excellence 2026

O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) foi distinguido pela revista Euromoney, no âmbito dos Awards for Excellence 2026, com o prémio de Melhor Banco em matéria de Ambiente, Social e Governação (ESG), em reconhecimento do desempenho da instituição nos critérios ambientais, sociais e de governação.

Segundo um comunicado do banco, a distinção resulta de uma avaliação técnica independente realizada pela Euromoney, uma das principais publicações internacionais especializadas no sector financeiro.

Os Euromoney Awards for Excellence distinguem anualmente as instituições financeiras que se destacam pelo seu desempenho, liderança, inovação, transformação digital e impacto estratégico nos mercados onde operam. A cerimónia de entrega dos prémios teve lugar em Londres, reunindo representantes de instituições bancárias de vários mercados internacionais.

Para o BCI, o reconhecimento na categoria ESG reflecte a crescente integração dos critérios ambientais, sociais e de governação na estratégia e nas operações da instituição, num contexto económico que o banco considera particularmente desafiante para Moçambique.
A instituição considera que o prémio reconhece igualmente o processo de transformação e inovação que tem vindo a desenvolver, bem como a adopção de práticas orientadas para a sustentabilidade e para a criação de valor a longo prazo.

No comunicado, o BCI reafirmou o seu compromisso de continuar a apoiar as famílias e as empresas moçambicanas, contribuindo para o crescimento económico e para a promoção de um modelo de desenvolvimento mais sustentável no país.

A Euromoney é uma publicação internacional especializada em banca, finanças e mercados de capitais, cujos Awards for Excellence distinguem instituições financeiras de diferentes geografias e segmentos do sector.

Reforma fiscal 2026: o que muda para as empresas no segundo semestre

A reforma fiscal que entrou em vigor em Moçambique no início de 2026 não chega ao segundo semestre como uma nova lei a estrear. O essencial já está em vigor desde 1 de Janeiro. O que muda, nesta segunda metade do ano, é o grau de exposição das empresas às novas regras: aquilo que no início do ano podia ser tratado como adaptação passa a ser rotina fiscal, com consequências directas sobre facturação, contratos, contabilidade, operações digitais, retenções na fonte e gestão de caixa.

O pacote aprovado no final de 2025 alterou seis instrumentos fiscais, incluindo o ISPC, IVA, IRPS, IRPC, ICE e a Pauta Aduaneira. As alterações foram publicadas no Boletim da República de 29 de Dezembro de 2025, através das Leis n.º 7/2025 a 12/2025, e entraram em vigor em 1 de Janeiro de 2026.

Para as empresas, portanto, a questão no segundo semestre já não é apenas “o que mudou?”, mas “a empresa já incorporou efectivamente estas mudanças na sua operação?”

IVA: a factura passou a ser também uma questão de compliance

Uma das mudanças com maior impacto operacional está no IVA. A reforma alargou expressamente o âmbito do imposto à economia digital, abrangendo bens e serviços digitais. Software, plataformas digitais, serviços de cloud computing, streaming, conteúdos digitais e outras prestações electrónicas passaram a integrar de forma mais clara o perímetro tributável. A taxa normal de IVA mantém-se em 16%.

O impacto é particularmente relevante para empresas que compram serviços ao exterior. Quando o fornecedor é não residente, determinadas obrigações de liquidação, declaração e pagamento do IVA passam a recair sobre o adquirente moçambicano, através dos mecanismos previstos na legislação. Isto significa que a contratação de uma plataforma internacional, de serviços tecnológicos ou de determinados serviços digitais já não deve ser analisada apenas pelo departamento de compras ou pela área de tecnologia: passa também a exigir uma leitura fiscal.

A reforma reforçou igualmente as obrigações relacionadas com facturação. Os sujeitos passivos devem submeter à Administração Tributária as facturas ou documentos equivalentes emitidos em cada operação, nos termos que vierem a ser regulamentados. Empresas com mais de um estabelecimento devem ainda discriminar as vendas e outras transacções por estabelecimento nas declarações periódicas.

Para o segundo semestre, isto coloca uma questão muito prática: os sistemas de facturação e contabilidade das empresas estão preparados para produzir, organizar e transmitir a informação fiscal exigida?

Reembolsos de IVA: impacto directo na gestão de tesouraria

Outra alteração que merece atenção dos directores financeiros é o novo enquadramento dos reembolsos de IVA.

A legislação aumentou de 30 para 150 dias o prazo para a Administração Tributária efectuar o reembolso, ao mesmo tempo que ampliou de 30 para 60 dias o período de suspensão de créditos quando não seja possível verificar a sua legitimidade por facto imputável ao contribuinte. O direito de solicitar o crédito passa a prescrever após dez anos a contar do nascimento do direito à dedução.

O novo regime também reforça a documentação necessária para sustentar pedidos de reembolso, incluindo extractos detalhados, facturas e operações, balancetes analíticos mensais e, quando aplicável, contratos e documentos relacionados com exportações e repatriamento de receitas.

A consequência empresarial é menos jurídica e mais financeira: um crédito de IVA deixou de ser apenas uma questão fiscal e passou a exigir maior atenção à tesouraria e ao capital circulante.

Empresas que dependem regularmente de reembolsos devem, por isso, incorporar os novos prazos no planeamento financeiro e assegurar que a documentação de suporte está disponível antes de qualquer solicitação.

IRPC: o conceito de presença empresarial em Moçambique ficou mais amplo

No Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas, uma das alterações mais relevantes para grupos internacionais e empresas que prestam serviços em Moçambique está relacionada com o conceito de estabelecimento estável.

A Lei n.º 12/2025 reduziu o período aplicável a estaleiros de construção, instalação ou montagem de seis meses para 90 dias. A noção passou também a abranger determinados serviços, incluindo consultoria e serviços profissionais, quando prestados em território moçambicano por mais de 90 dias, agregados num período de 12 meses, ainda que não exista uma presença física tradicional nos moldes anteriormente considerados.

Esta mudança pode ter particular importância para empresas estrangeiras que executam projectos temporários em Moçambique, sobretudo nos sectores de energia, mineração, construção, engenharia, consultoria e infra-estruturas.

Na prática, contratos que antes poderiam ser avaliados apenas em função da duração do projecto precisam agora de ser analisados também pela sua duração acumulada e pela natureza dos serviços prestados.

Economia digital: o território fiscal já não termina na fronteira

A reforma introduziu ainda uma dimensão particularmente importante para a economia digital: determinados rendimentos provenientes da transmissão de bens ou prestação de serviços por via digital passam a estar sujeitos a tributação em Moçambique quando as operações são realizadas ou utilizadas no território nacional e os rendimentos são devidos por entidades localizadas ou residentes em Moçambique.

No IRPC, a legislação prevê ainda uma taxa de retenção na fonte de 10% para determinados rendimentos provenientes de bens ou serviços digitais e para comissões obtidas por agentes de intermediação de moeda electrónica. As mais-valias passam igualmente a ser tributadas autonomamente à taxa de 32%.

Para empresas que operam com fornecedores, clientes ou plataformas estrangeiras, a fronteira entre “serviço internacional” e “operação com implicações fiscais em Moçambique” tornou-se, portanto, mais estreita.

É uma mudança que exige revisão de contratos, fluxos de pagamentos e procedimentos de retenção na fonte — sobretudo quando as operações envolvem tecnologia, serviços profissionais ou activos digitais.

Pequenos contribuintes: ISPC com novo mapa de regras

Para micro e pequenas empresas, a reforma do Imposto Simplificado para Pequenos Contribuintes (ISPC) também merece atenção.

O limite máximo de volume de negócios anual para enquadramento no ISPC aumentou de 2,5 milhões para 4 milhões de meticais. Ao mesmo tempo, foram introduzidos novos escalões de tributação: 3% para volumes até 1 milhão de meticais, 4% entre mais de 1 milhão e 2,5 milhões, e 5% entre mais de 2,5 milhões e 4 milhões, para determinadas actividades comerciais, industriais, agrícolas e afins. Para determinados serviços técnicos, a taxa é de 12%, enquanto as profissões liberais estão sujeitas a 15%.

A reforma também reforça a formalização das operações. Os sujeitos passivos do ISPC devem emitir factura ou documento equivalente por cada transmissão de bens ou prestação de serviços e manter o respectivo registo contabilístico.

Para profissionais liberais, há ainda uma limitação importante: a permanência no ISPC passa a estar limitada a cinco anos.

Isto significa que, para uma parte significativa das pequenas empresas e profissionais, o segundo semestre de 2026 é também um período para avaliar se o actual enquadramento fiscal continua adequado ao crescimento do negócio.

Mais-valias e contabilidade: menos espaço para estruturas informais

Outra mudança estrutural está na tributação das mais-valias. No IRPC, os rendimentos provenientes de mais-valias passam a estar sujeitos a tributação autónoma à taxa de 32%. A reforma eliminou também o anterior mecanismo de reinvestimento que permitia, em determinadas circunstâncias, diferir ou eliminar a tributação através do reinvestimento em activos imobilizados.

A legislação reforça ainda a obrigatoriedade de adopção de contabilidade organizada por meios informáticos e elimina determinados regimes de escrituração simplificada.

Este aspecto é particularmente relevante para empresas em crescimento que ainda funcionam com estruturas contabilísticas pouco sofisticadas. A reforma aproxima a fiscalidade da realidade operacional do negócio: quanto mais complexa for a empresa, menos sustentável se torna uma gestão baseada em documentação dispersa, folhas de cálculo e processos manuais.

O segundo semestre será, sobretudo, um teste de adaptação

Não há, portanto, uma única medida que defina a reforma fiscal de 2026 para as empresas. O que existe é uma combinação de alterações que tornam o sistema mais orientado para a formalização, rastreabilidade das operações, economia digital e utilização de informação contabilística.

A própria Autoridade Tributária mantém um calendário fiscal com obrigações periódicas relacionadas com IVA, IRPC, IRPS e Modelo 10, o que reforça a importância de as empresas transformarem as novas regras em procedimentos internos recorrentes e não em respostas pontuais a obrigações fiscais.

Para a administração das empresas, a agenda do segundo semestre deveria concentrar-se em pelo menos cinco pontos: rever o enquadramento fiscal da empresa; mapear operações digitais e transfronteiriças; actualizar contratos e procedimentos de retenção na fonte; testar a capacidade dos sistemas de facturação e contabilidade; e rever as projecções de tesouraria tendo em conta os novos prazos de reembolso do IVA.

A reforma fiscal de 2026 pode ser lida como uma mudança de regras, mas para as empresas representa algo mais concreto: uma mudança na forma como o Estado pretende ver, acompanhar e tributar a actividade económica.

E, no segundo semestre, já não será suficiente conhecer a lei. Será preciso provar que a empresa está operacionalmente preparada para cumpri-la.

Mozambique LNG a 45%: cronograma, emprego local e próximos marcos

Por Profile

O projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies na Área 1 da Bacia do Rovuma, atingiu aproximadamente 45% de execução, seis meses depois da retoma integral das actividades em terra e no mar. A actualização foi avançada pelo presidente e CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre de 2026.

O avanço ocorre num momento em que o projecto volta a ganhar intensidade no terreno, depois de quase cinco anos de suspensão provocada pela situação de segurança em Cabo Delgado. A declaração de Força Maior, accionada em Abril de 2021, foi levantada em Novembro de 2025 e a retoma efectiva das actividades foi anunciada em Afungi, a 29 de Janeiro de 2026, pelo Presidente da República, Daniel Chapo, e pelo CEO da TotalEnergies.

45% de execução, mas ainda há trabalho pela frente

A actualização mais recente coloca o Mozambique LNG em cerca de 45% de execução, com 7.000 a 8.000 pessoas actualmente mobilizadas no projecto. Segundo Pouyanné, o ritmo de mobilização tem aumentado desde Janeiro e as actividades decorrem tanto em Afungi como nas componentes offshore.

O número de 45%, contudo, deve ser lido como progresso global do projecto e não como significando que 45% da instalação física já está pronta para operar. O próprio responsável da TotalEnergies sublinhou que ainda existe “muito” por construir em Afungi e offshore. A empresa mantém, ainda assim, o objectivo de iniciar em 2029 o primeiro comboio de liquefacção.

O projecto prevê dois módulos de liquefacção em terra, com uma capacidade combinada de aproximadamente 13,12 milhões de toneladas de GNL por ano. O desenvolvimento está associado aos campos de Golfinho e Atum, localizados na Área 1 offshore.

Emprego local passa para uma nova escala

A aceleração da construção está a colocar o conteúdo local no centro da próxima fase do projecto. Em Março, o Mozambique LNG anunciou que prevê empregar até 7.000 moçambicanos no pico da construção e comprometer cerca de 4,5 mil milhões de dólares em empresas moçambicanas durante a fase de construção.

Este objectivo enquadra-se numa estratégia mais ampla de desenvolvimento da capacidade nacional. Antes mesmo da retoma integral, mais de 1.500 jovens moçambicanos tinham recebido formação técnica em áreas como carpintaria, soldadura, electricidade e hotelaria, enquanto 115 beneficiaram de bolsas de estudo e estágios técnicos no exterior. O programa CapacitaMoz, por sua vez, já tinha trabalhado com 75 empresas de Cabo Delgado, com a meta de chegar a 100 empresas.

A abordagem inclui também a criação de oportunidades para fornecedores nacionais. Em Março, os seminários de conteúdo local realizados em Pemba e Maputo apresentaram oportunidades de contratação para os três a nove meses seguintes, abrangendo construção e engenharia, logística e transporte, serviços de escritório, TIC, gestão de instalações, catering, serviços de emergência e actividades marítimas e offshore.

Para as empresas moçambicanas, esta fase pode ser particularmente relevante: à medida que a construção avança, as oportunidades deixam de estar concentradas apenas nas grandes empreitadas e passam a abranger uma cadeia mais extensa de fornecimento de bens e serviços.

O calendário: 2026 é o ano da aceleração

O primeiro grande marco já foi cumprido: a retoma integral das actividades em Janeiro de 2026. Na altura, mais de 4.000 trabalhadores estavam mobilizados, dos quais mais de 3.000 eram moçambicanos. A TotalEnergies indicava que as actividades tinham sido retomadas tanto em terra como no mar.

O segundo marco é o actual aumento da capacidade de execução. Em Julho, a TotalEnergies indicava que a força de trabalho tinha crescido para 7.000 a 8.000 pessoas e que as dificuldades logísticas relacionadas com equipamentos fabricados no Dubai e noutros locais do Médio Oriente estavam a ser ultrapassadas.

A fase seguinte será marcada pela continuidade da construção em Afungi, pela instalação das infra-estruturas offshore e pela progressiva integração dos diferentes componentes do projecto. O objectivo permanece o mesmo: colocar em funcionamento o primeiro comboio de GNL em 2029.

O cronograma, contudo, continua dependente de factores que vão além da engenharia. A segurança em Cabo Delgado, a logística internacional e a conclusão dos processos relacionados com a actualização do Plano de Desenvolvimento permanecem elementos importantes para a execução do calendário.

O Instituto Nacional de Petróleo (INP) confirmou, em Janeiro, que a concessionária havia submetido ao Governo uma proposta de Emenda ao Plano de Desenvolvimento, incorporando custos adicionais e uma actualização do cronograma, documento que se encontrava então em avaliação.

2029 como teste de execução

Se o actual ritmo for mantido, o período entre 2026 e 2028 será determinante para transformar os 45% de execução num activo operacional. O desafio passa agora por converter a mobilização de milhares de trabalhadores, a construção das infra-estruturas em Afungi e offshore e a integração dos equipamentos num sistema capaz de iniciar a produção dentro do prazo anunciado.

O projecto tem como meta produzir cerca de 13,12 milhões de toneladas de GNL por ano, durante um período estimado de 25 anos. O Governo estima que, ao longo do seu ciclo de vida, o Mozambique LNG possa gerar cerca de 35 mil milhões de dólares em receitas para o Estado, através de impostos, petróleo-lucro e outros mecanismos fiscais. Está igualmente previsto o fornecimento de até 400 milhões de pés cúbicos de gás natural por dia ao mercado doméstico.

Assim, os 45% representam mais do que uma actualização de progresso. São um indicador de que o projecto voltou efectivamente à fase de execução, depois de anos de paralisação. Mas o verdadeiro teste será manter o ritmo, transformar o conteúdo local em contratos e empregos sustentáveis e cumprir a meta de primeiro GNL em 2029.

Para Moçambique, o próximo capítulo do Mozambique LNG será, por isso, menos sobre o anúncio da retoma e mais sobre a capacidade de converter uma das maiores apostas de investimento do país em produção, receitas públicas, desenvolvimento empresarial e emprego local.