Friday, September 4, 2026
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Nova lei da electricidade muda regras para investir no sector

Nova lei do sector electridade abre caminho a mais investimento privado

Decreto n.º 31/2026 estabelece regras para concessões, reforça o papel da ARENE e introduz critérios mais exigentes para a selecção de produtores independentes de electricidade

A entrada em vigor do Decreto n.º 31/2026, de 7 de Julho, que aprova o novo Regulamento para a Atribuição, Execução e Extinção de Concessões no sector eléctrico, cria um novo quadro para a participação privada na produção e fornecimento de electricidade em Moçambique. O diploma surge num momento em que o país procura acelerar a entrada de novos projectos de geração, incluindo iniciativas de energia solar promovidas através do modelo de Produtores Independentes de Energia (IPP).

O regulamento estabelece procedimentos para a atribuição, execução e extinção de concessões nas áreas de produção, armazenamento, transporte, distribuição e comercialização de energia eléctrica, abrangendo igualmente a importação e exportação. Com a sua entrada em vigor, ficam revogados os Decretos n.º 8/2000 e n.º 42/2005, substituindo um quadro regulatório com mais de duas décadas por regras alinhadas com a Lei da Electricidade de 2022.

Concursos passam a ser a regra

Uma das alterações com maior impacto para os investidores é a definição do concurso público como regime geral para a atribuição de concessões. Cabe à Autoridade Reguladora de Energia (ARENE) organizar, instruir e tramitar os concursos, enquanto o ajuste directo passa a ter carácter excepcional e fica condicionado às circunstâncias previstas na legislação.

O processo passa a obedecer a várias etapas, desde a preparação e publicação do concurso até à apresentação e avaliação das propostas, adjudicação, negociação e assinatura do contrato de concessão. Para projectos com potência instalada inferior a 100 MW, a abertura do concurso é autorizada pelo ministro que superintende a área da Energia. Para projectos de 100 MW ou mais, a autorização compete ao Conselho de Ministros.

A ARENE dispõe, por sua vez, de um prazo de até 30 dias para publicar o anúncio do concurso depois de receber a decisão de lançamento. Para projectos inferiores a 100 MW, o anúncio deve ser publicado em jornais de maior circulação local e nacional, enquanto projectos de maior dimensão devem ser anunciados também em pelo menos dois jornais de circulação nacional e internacional.

Investidores terão de demonstrar capacidade financeira e técnica

O novo quadro coloca uma fasquia elevada para os potenciais concessionários. As propostas devem apresentar, entre outros elementos, o plano de investimento, a estrutura de financiamento, o modelo económico-financeiro, as projecções de consumo, a proposta de tarifa ou preço da energia e um plano de conteúdo local.

Na avaliação das propostas, serão considerados factores como a capacidade técnica e financeira do concorrente, a viabilidade do projecto, os níveis de produção previstos, a integração na Rede Eléctrica Nacional, a competitividade das tarifas e preços, bem como os impactos económicos, sociais e ambientais.

O regulamento determina ainda que sejam avaliados os planos de desenvolvimento das comunidades locais e de conteúdo local, incluindo a capacidade de empresas moçambicanas participarem nas cadeias de fornecimento e de valor dos projectos.

Esta componente poderá ter particular importância para os novos projectos de produção independente, num mercado que procura não apenas aumentar a capacidade instalada, mas também transformar o investimento energético em oportunidades para empresas e trabalhadores nacionais.

Garantias financeiras aumentam a disciplina dos projectos

O Decreto n.º 31/2026 introduz igualmente um sistema de garantias financeiras associado às diferentes fases da concessão. Na apresentação da proposta, o concorrente deve prestar uma garantia equivalente a 0,1% do investimento previsto. Depois da celebração do contrato, a garantia de implementação corresponde a 10% do investimento, mantendo-se válida até ao início da exploração comercial.

No início da operação comercial, é exigida uma garantia de desempenho operacional, económico e financeiro equivalente a 5% do investimento. Existe ainda uma garantia de 5% associada à devolução do empreendimento no final da concessão.

O mecanismo procura reduzir o risco de projectos serem adjudicados sem capacidade efectiva de avançar para a fase de construção e operação, transferindo para os concessionários uma responsabilidade financeira mais clara pelo cumprimento dos compromissos assumidos.

Solar de 30 MW coloca novo regulamento à prova

A aplicação prática destas regras ocorre num contexto de expansão dos concursos para novos produtores independentes. Entre os processos em curso está a selecção de um IPP para uma central solar fotovoltaica de 30 MWac, no âmbito do Programa de Promoção de Leilões de Energias Renováveis (PROLER), apoiado pela União Europeia e pela Agência Francesa de Desenvolvimento.

O projecto de 30 MWac constitui uma das iniciativas destinadas a mobilizar investimento privado para a geração de energia renovável. A ARENE publicou em Julho uma actualização relativa à prorrogação do prazo para apresentação de propostas para o concurso de selecção do produtor independente, mantendo o processo na agenda do regulador.

O projecto é particularmente relevante porque representa a tentativa de combinar capacidade adicional de geração, investimento privado e diversificação da matriz energética, num país onde a expansão da electricidade continua a exigir novos investimentos em geração e infra-estruturas de rede.

Mais do que produzir energia

O novo regulamento vai, contudo, além da definição das regras para construção de centrais. O diploma estabelece como princípios do sector a sustentabilidade económico-financeira do Sistema Eléctrico Nacional, o acesso universal à energia, a eficiência energética, a utilização sustentável dos recursos, a minimização dos impactos ambientais e a promoção das fontes renováveis.

Para os investidores, isto significa que a competitividade de um projecto não será determinada apenas pela capacidade de produzir electricidade ao menor custo. A localização, a solução tecnológica, a integração na rede, a sustentabilidade financeira, o impacto ambiental, o relacionamento com as comunidades e o conteúdo local passam também a integrar a equação de avaliação.

O regulamento prevê ainda que, quando um projecto implicar a aquisição de direitos de uso e aproveitamento da terra ou afectar o uso existente do território, seja realizada consulta pública na área de implantação.

Um novo teste para o mercado eléctrico

A reforma regulatória surge, assim, num momento em que Moçambique procura acelerar a mobilização de capital privado para responder à crescente procura de electricidade e ampliar a participação das energias renováveis.

Para a ARENE, o desafio passa agora por transformar o novo quadro legal em processos de concessão previsíveis, competitivos e transparentes. Para os investidores, a nova regulamentação oferece maior clareza sobre as regras de entrada, mas também aumenta as exigências técnicas, financeiras, ambientais e de conteúdo local.

O concurso para a central solar de 30 MWac será, neste contexto, um dos primeiros processos a acompanhar de perto. Mais do que a selecção de um novo produtor independente, poderá servir como indicador da capacidade do novo modelo regulatório de converter o interesse privado em projectos concretos de geração eléctrica.

Fonte: Decreto n.º 31/2026, de 7 de Julho, Regulamento para a Atribuição, Execução e Extinção de Concessões para a Produção, Transporte, Distribuição, Comercialização, Armazenamento, Importação e Exportação de Energia Eléctrica; ARENE. (Simão Djedje)

Consultar o Decreto n.º 31/2026 na ARENE

Grupo suíço Core Energy manifesta interesse em investir em energia, petróleo e gás

A Core Energy Consortium manifestou interesse em desenvolver operações de investimento privado em Moçambique, com incidência nos sectores de energia, petróleo e gás, infra-estruturas e parcerias público-privadas.

A intenção foi apresentada durante uma audiência concedida pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, ao CEO e co-fundador da organização, Gabriele Callegarin, na terça-feira, 4 de Agosto, em Maputo.

Segundo a Presidência da República, o encontro serviu para analisar oportunidades de investimento em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento económico nacional, incluindo o aproveitamento dos recursos energéticos e a estruturação de infra-estruturas através da participação do sector privado.

À saída da audiência, Callegarin afirmou que a organização identificou convergência entre a sua estratégia e a visão de desenvolvimento apresentada pelo Chefe do Estado.

“Viemos aqui com a intenção de criar e implantar uma operação de investimento no sector de energia, petróleo e gás”, declarou o responsável, citado na nota informativa da Presidência.

A manifestação de interesse coloca a empresa entre os potenciais investidores que procuram posicionar-se numa fase de expansão da agenda energética moçambicana. Não representa, porém, uma decisão final de investimento nem um compromisso financeiro formalmente anunciado.

Projectos, Capital E Calendário Permanecem Por Definir

As informações divulgadas pela Presidência não identificam os projectos que poderão receber investimento da Core Energy Consortium.

Também não foram apresentados o valor potencial da operação, a modalidade de financiamento, a percentagem de capital próprio, os parceiros técnicos ou financeiros, as províncias abrangidas e o prazo previsto para o início da implementação.

Esta ausência de elementos não invalida a manifestação de interesse, que constitui normalmente uma etapa preliminar de aproximação institucional. Limita, contudo, a possibilidade de medir o seu impacto económico imediato.

Entre uma audiência de prospecção e a concretização de investimento existem várias fases: identificação dos activos, estudos de viabilidade, avaliação técnica e ambiental, negociação contratual, licenciamento, mobilização de financiamento e tomada da decisão final de investimento.

A nota da Presidência indica que o consórcio espera avaliar, durante as próximas semanas e meses, as condições necessárias para fazer avançar os projectos.

O desenvolvimento da iniciativa dependerá, portanto, da passagem de uma declaração abrangente de interesse para propostas específicas, com capital identificado, riscos distribuídos e obrigações claras para cada interveniente.

Perfil Da Organização Exige Clarificação Na Fase De Estruturação

A Presidência apresenta a Core Energy Consortium como uma empresa privada com sede na Suíça, activa nas áreas de energia, petróleo e gás, metais preciosos, infra-estruturas e parcerias público-privadas.

No seu portal institucional, a organização descreve-se como uma plataforma que presta consultoria e financiamento, estrutura investimentos energéticos e participa no comércio e logística de petróleo, gás e metais preciosos.

O mesmo portal caracteriza a Core Energy Consortium como um consórcio “constituído informalmente”, cuja flexibilidade lhe permite organizar equipas e parceiros em função das necessidades de cada projecto. A informação institucional indica uma presença em Baar, no cantão suíço de Zug. 

Esta configuração sugere que a organização poderá actuar mais como estruturadora, intermediária, mandatária comercial e agregadora de investidores do que como uma única empresa industrial proprietária de todos os recursos financeiros e técnicos necessários.

A distinção será determinante nas etapas seguintes. Para avaliar a capacidade real de execução, será necessário conhecer os investidores que compõem o consórcio, o capital que poderão mobilizar, o histórico dos projectos realizados, os parceiros tecnológicos e as garantias financeiras disponíveis.

Nas páginas públicas consultadas, não são apresentados dados detalhados sobre activos sob gestão, demonstrações financeiras, volumes de investimento realizados ou projectos concluídos comparáveis aos que poderão ser desenvolvidos em Moçambique. Trata-se, por isso, de uma área que deverá ser esclarecida através dos procedimentos de diligência prévia.

Interesse Surge Numa Agenda Energética De Grande Escala

A aproximação ocorre num momento em que Moçambique procura atrair capital privado para transformar os seus recursos energéticos em capacidade de produção, industrialização, exportação e acesso interno à electricidade.

Em Julho, o Presidente Daniel Chapo voltou a defender a transformação de Moçambique num centro energético e industrial da África Austral, associando a exploração dos recursos naturais à criação de emprego, conteúdo local, infra-estruturas e diversificação económica.

A agenda inclui gás natural liquefeito, geração hidroeléctrica, centrais solares e eólicas, linhas de transporte de electricidade, combustíveis, armazenamento, logística e interligações regionais.

No sector do gás, a Reuters informou que Moçambique e a TotalEnergies relançaram, em Janeiro, a construção do projecto Mozambique LNG, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares. A unidade deverá produzir 13 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano, com o início das entregas apontado para 2029. 

A dimensão destes activos mostra que a entrada em projectos energéticos moçambicanos requer capacidade financeira elevada, estruturas contratuais complexas e mecanismos sólidos de partilha de risco.

Sector Eléctrico Procura Mobilizar Quase US$8,7 Mil Milhões

O interesse da Core Energy Consortium pode igualmente encontrar espaço fora dos grandes projectos de gás.

Compacto Nacional de Energia de Moçambique, preparado no âmbito da iniciativa Mission 300 e publicado pelo Banco Mundial, estima que o país terá de mobilizar cerca de 8,7 mil milhões de dólares de investimento privado até 2032 para cumprir os seus objectivos energéticos.

O plano prevê a expansão e modernização da rede, mais de dois mil quilómetros de linhas de transporte, novas capacidades de geração renovável e maior integração de Moçambique no mercado energético regional.

O documento estabelece como objectivo elevar o acesso à electricidade dos actuais 60,1% para 100% até 2030, o que exigirá aproximadamente 4,9 milhões de novas ligações.

Estes números mostram que existe uma procura efectiva por investidores, financiadores e parceiros capazes de estruturar projectos de geração, transporte, distribuição, armazenamento e electrificação descentralizada.

A oportunidade para a Core Energy Consortium dependerá da sua capacidade para identificar áreas onde possa acrescentar capital, tecnologia e competências que ainda não estejam assegurados por operadores estabelecidos.

Parcerias Público-Privadas Podem Alargar Campo De Entrada

A referência a parcerias público-privadas amplia a possível actuação da organização para além da exploração directa de recursos.

No sector energético, estas estruturas podem ser utilizadas para centrais eléctricas, linhas de transporte, terminais de combustíveis, instalações de armazenamento, gasodutos, infra-estruturas portuárias e projectos de distribuição.

Uma parceria público-privada permite combinar activos ou concessões do Estado com capital, tecnologia e capacidade de gestão privada. A sua sustentabilidade depende, entretanto, de contratos que distribuam adequadamente os riscos de construção, procura, financiamento, câmbio, operação e regulação.

Para Moçambique, o recurso a este modelo deve ser acompanhado por uma avaliação rigorosa dos encargos futuros assumidos pelo Estado. Garantias soberanas, compromissos de compra de energia e cláusulas de compensação podem transformar projectos privados em responsabilidades públicas de longo prazo.

Num contexto de limitada capacidade orçamental e elevado endividamento, a qualidade da estrutura financeira será tão importante quanto o volume nominal do investimento anunciado.

Interesse Deve Traduzir-Se Em Propostas Bancáveis

A audiência presidencial atribui visibilidade política à intenção da Core Energy Consortium e cria condições para o aprofundamento do diálogo com as instituições sectoriais.

A etapa seguinte deverá envolver o Ministério dos Recursos Minerais e Energia, o Ministério das Finanças, a Agência para a Promoção de Investimento e Exportações, reguladores, empresas públicas e eventuais parceiros privados.

O processo deverá determinar se o consórcio pretende investir directamente, mobilizar terceiros, conceder financiamento, estruturar transacções comerciais ou formar veículos de projecto com entidades moçambicanas.

Uma proposta bancável terá de indicar, entre outros aspectos, o activo a desenvolver, a procura que sustentará as receitas, o investimento necessário, a origem dos recursos, o retorno esperado e a repartição dos riscos.

Sem estes elementos, o interesse permanece relevante do ponto de vista diplomático e de promoção do investimento, mas ainda não pode ser contabilizado como capital comprometido ou projecto em execução.

Conteúdo Local Deve Entrar Desde A Fase De Concepção

A entrada de um novo investidor no sector energético oferece também uma oportunidade para incorporar empresas e profissionais moçambicanos desde a preparação dos projectos.

O conteúdo local não deve limitar-se à contratação de mão-de-obra durante a construção. Deve abranger serviços de engenharia, consultoria, logística, manutenção, fornecimento de materiais, formação profissional e participação empresarial no capital ou na cadeia de fornecimento.

A definição antecipada destes requisitos permite que as empresas nacionais se preparem para responder às exigências técnicas e financeiras dos projectos.

Também reduz o risco de a maior parte do valor acrescentado permanecer no exterior, enquanto Moçambique recebe apenas receitas fiscais, empregos temporários e compensações associadas à exploração dos recursos.

A participação local deverá, portanto, integrar os memorandos, estudos de viabilidade e contratos desde o início, e não ser adicionada depois de as principais decisões de investimento terem sido tomadas.

Manifestação De Interesse É Um Ponto De Partida, Não Um Resultado

A aproximação da Core Energy Consortium confirma que o potencial energético de Moçambique continua a gerar interesse de investidores e plataformas internacionais.

O alcance económico da iniciativa dependerá, porém, da capacidade de transformar a audiência institucional numa carteira concreta de projectos.

O primeiro indicador será a apresentação de propostas com objecto definido. O segundo será a demonstração da capacidade financeira e técnica dos parceiros envolvidos. O terceiro será a conclusão dos estudos, licenças e contratos necessários.

Só depois destas etapas será possível avaliar o montante do investimento, os empregos previstos, a participação das empresas nacionais e o impacto sobre a produção de energia e as infra-estruturas.

Por enquanto, a Core Energy Consortium abriu uma via de diálogo com o Governo. A sua relevância para a economia moçambicana será determinada pelo capital que conseguir mobilizar, pelos projectos que seleccionar e pelas condições em que pretender implementá-los.

Fonte: O.economico

Nova Lei de Minas reforça controlo sobre recursos minerais estratégicos

O Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME) reafirmou, ha dias, que a revisão da Lei de Minas veio corrigir fragilidades do anterior quadro legal e reforçar a soberania do Estado sobre os recursos minerais estratégicos, combatendo práticas lesivas ao interesse nacional por parte de algumas empresas concessionárias.

A posição foi apresentada pelo Secretário Permanente do MIREME, António Manda, durante a I Reunião Nacional dos Chefes das Localidades, que decorre em Maputo.

Segundo Manda, a reforma da legislação visa assegurar que o País retire maiores benefícios da exploração dos seus recursos naturais, estabelecendo que a atribuição de concessões mineiras passe a privilegiar mecanismos transparentes, como concursos públicos e leilões.

“Foi por isso que procedemos à revisão da Lei de Minas, porque a legislação anterior beneficiava sobretudo as empresas estrangeiras e não o Estado moçambicano”, afirmou.

Explicou que a revisão introduz o princípio segundo o qual o Estado exerce soberania sobre os recursos minerais estratégicos e prevê a criação de uma empresa estatal que ficará responsável pela gestão destes minerais.

“Nenhuma empresa poderá explorar minerais estratégicos em Moçambique sem antes estabelecer uma parceria com a empresa moçambicana que será criada para esse efeito”, declarou.

O dirigente destacou igualmente que a nova Lei de Minas estabelece uma participação obrigatória do Estado em 15 por cento nos projectos mineiros, situação que não estava prevista na legislação anterior.

Segundo explicou, no passado algumas concessionárias impunham as suas condições ao Estado, que dispunha de reduzida capacidade de negociação.

No que respeita ao pagamento do imposto de produção, Manda afirmou que a revisão da legislação procura eliminar práticas fraudulentas relacionadas com a subfacturação e subavaliação dos minerais exportados.

“Encontrávamos situações em que um produto, depois de exportado, era vendido por cerca de cinco mil dólares, mas à saída do País era declarado como sendo de baixa qualidade, reduzindo significativamente o valor tributável”, explicou.

Acrescentou que estas irregularidades eram facilitadas pela insuficiência de meios técnicos e humanos nos portos de Nacala e da Beira, permitindo que o Estado fosse lesado.

Outra inovação da legislação, segundo o responsável, consiste na possibilidade de renegociar contratos de exploração quando ocorram alterações significativas das condições económicas e financeiras inicialmente previstas.

Manda defendeu igualmente maior rigor na gestão das concessões mineiras, criticando empresas que mantêm extensas áreas concessionadas durante vários anos sem realizar investimentos.

“Existem concessionárias que detêm áreas há mais de dez anos, alegando falta de recursos para investir, enquanto outros investidores com capacidade financeira permanecem impedidos de desenvolver esses projectos”, afirmou.

O dirigente intervinha num painel subordinado ao tema “Desafios da capitalização e do aproveitamento dos recursos minerais em benefício das comunidades locais”, integrado na I Reunião Nacional dos Chefes das Localidades.

Durante o encontro, os chefes das localidades apresentaram diversos desafios enfrentados nas respectivas circunscrições administrativas.

O chefe da Localidade de Ancuabe, província de Cabo Delgado, Joaquim João Unaite, apontou como principais preocupações o mau estado das vias de acesso, a insuficiência de técnicos, os problemas de ordenamento territorial e os impactos provocados pelo terrorismo.

Segundo referiu, várias infra-estruturas públicas são concluídas sem cerimónia oficial de entrega, permanecendo durante anos em situação provisória.

“Temos escolas e unidades sanitárias que nunca chegaram a ser oficialmente entregues às comunidades”, lamentou.

Por seu turno, a chefe da Localidade de Sangage, distrito de Angoche, província de Nampula, Adelaide Zangueza, acusou uma empresa mineira que opera na região de incumprir os compromissos assumidos no âmbito da responsabilidade social.

A dirigente denunciou igualmente alegadas desigualdades no tratamento laboral entre trabalhadores locais e não locais.

Já o chefe da Localidade de Chueza, distrito de Marromeu, província de Sofala, Germano Domingos Luís, informou que decorrem projectos de saneamento do meio e de abastecimento de água, que irão beneficiar cerca de sete famílias distribuídas por dois bairros.

Entretanto, o chefe da Localidade de Inhonjone, distrito de Panda, província de Inhambane, Simone Mapanzene, propôs ao Governo a instalação de um sistema de regadio em cada localidade do País, como forma de impulsionar a produção agrícola e criar oportunidades de emprego para a juventude.

“Com um sistema de regadio em cada localidade criaremos mais emprego para os jovens”, defendeu.

A I Reunião Nacional dos Chefes das Localidades teve início na quarta-feira e termina no próximo sábado.

ExxonMobil prepara FID do Rovuma LNG

A petrolífera norte-americana ExxonMobil assegura que vai avançar ainda este ano com a Decisão Final de Investimento (FID) do projecto Rovuma LNG, numa decisão que poderá abrir caminho para a concretização de um dos maiores empreendimentos de gás natural em Moçambique.

O compromisso foi reafirmado esta terça-feira, em Maputo, durante um encontro entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e o Presidente da ExxonMobil para Upstream, Dan Ammann.

A garantia foi dada no termo da audiência pela Presidente da ExxonMobil em Moçambique, Johanna Boothey, que integrou a delegação da multinacional recebida pelo Chefe do Estado.

A responsável classificou o encontro como produtivo, salientando que as discussões estiveram centradas nos próximos passos para o avanço do projecto de gás natural na Bacia do Rovuma.

“Foi uma reunião muito produtiva. Houve muita discussão sobre como vamos avançar com o projecto do Rovuma para termos uma Decisão Final de Investimento este ano”, afirmou Boothey.

A dirigente da ExxonMobil destacou igualmente que a reunião permitiu discutir os benefícios que o megaprojecto poderá proporcionar a Moçambique, com particular enfoque na criação de oportunidades de emprego, implementação de projectos sociais e aumento das receitas do Estado.

“Foi uma discussão muito produtiva sobre os benefícios deste megaprojecto para Moçambique, em termos de oportunidades de emprego, projectos sociais que serão empreendidos, e todos os benefícios que virão em termos de receitas adicionais para Moçambique”, declarou.

A Decisão Final de Investimento constitui uma das etapas mais aguardadas do desenvolvimento do Rovuma LNG e, uma vez tomada, deverá permitir a passagem do projecto para uma nova fase de execução, abrindo caminho para a mobilização de avultados investimentos e para o avanço das componentes de construção e desenvolvimento das infra-estruturas associadas.

O Rovuma LNG prevê a produção, liquefacção e exportação de gás natural proveniente dos recursos da Área 4 offshore da Bacia do Rovuma, ao largo da província de Cabo Delgado.

O projecto figura entre as principais iniciativas destinadas a transformar as vastas reservas de gás natural da região em investimentos e receitas para o país.

A ExxonMobil Moçambique lidera a futura operação das instalações do Rovuma LNG, num projecto cuja concretização envolve uma série de etapas técnicas, comerciais e financeiras. Entre estas, a FID representa um momento determinante para confirmar a passagem do empreendimento à fase de implementação.

A concretização do investimento poderá ter impactos significativos na economia nacional, nomeadamente através da mobilização de capital, criação de postos de trabalho, desenvolvimento de projectos sociais e geração de receitas adicionais para o Estado.

Para Cabo Delgado, onde se concentram alguns dos mais importantes recursos de gás natural do país, o avanço do Rovuma LNG é também acompanhado com expectativas de criação de oportunidades económicas e de desenvolvimento de infra-estruturas e iniciativas sociais.

O encontro entre Daniel Chapo e a liderança da ExxonMobil ocorre, assim, num momento particularmente importante para o futuro do projecto.

(AIM)

Standard Bank Moçambique regista lucro de 2.244 mil milhões de meticais no primeiro semestre

O Standard Bank Moçambique, um dos três maiores bancos do país, registou um lucro de 2.244 mil milhões de meticais (30 milhões de euros) no primeiro semestre de 2026, de acordo com as demonstrações financeiras consultadas pela Lusa na sexta-feira.

Segundo o documento, o banco continuou a expandir as suas operações, com o total de activos a crescer 0,7%, para 195.259 mil milhões de meticais (2,604 mil milhões de euros) em Junho, face ao final de 2025.

Os depósitos de clientes aumentaram 5,0%, para 146.558 mil milhões de meticais (1,955 mil milhões de euros), enquanto o crédito líquido a clientes diminuiu 10,8%, para 28.950 mil milhões de meticais (386,1 milhões de euros), também em comparação com o exercício financeiro encerrado em Dezembro.

O total do passivo cresceu 1,3%, para 157.102 mil milhões de meticais (2,095 mil milhões de euros), enquanto os capitais próprios diminuíram 1,6%, para 38.110 mil milhões de meticais (508 milhões de euros).

As demonstrações financeiras mostram ainda proveitos operacionais de 8.052 mil milhões de meticais (107,4 milhões de euros) e um resultado operacional antes de imparidades de 3.462 mil milhões de meticais (46,2 milhões de euros) no período de seis meses.

O lucro do Standard Bank Moçambique já havia caído 26% em 2025, para 4.526 mil milhões de meticais (60,4 milhões de euros), depois de atingir 6.134 mil milhões de meticais (81,8 milhões de euros) em 2024 e um recorde de 7.191 mil milhões de meticais (95,9 milhões de euros) em 2023.

No seu relatório anual e demonstrações financeiras de 2025, anteriormente noticiados pela Lusa, a administração do banco atribuiu a redução dos resultados a factores macroeconómicos adversos, nomeadamente o elevado risco soberano, a disponibilidade limitada de moeda estrangeira, as taxas de juro mais baixas e a contracção do crédito.

O banco afirmou igualmente que a escassez de moeda estrangeira afectou as importações de bens intermédios, limitou a expansão do sector privado e condicionou a procura de financiamento, contribuindo para a estagnação da carteira de crédito.

O Standard Bank Moçambique é um banco privado criado em 1967, com sede em Maputo, embora a presença da instituição no país remonte a 1894. O seu principal accionista é a Stanbic Africa Holdings Limited, que detém 98,15% do capital social e é controlada pelo grupo sul-africano Standard Bank Group.

Fonte: Lusa

Moçambique simplifica abertura e licenciamento de negócios e reduz burocracia

O Governo aprovou, na sexta-feira, uma ampla reforma do sistema de abertura e licenciamento de actividades económicas, introduzindo procedimentos mais céleres e digitais para facilitar a entrada das empresas no mercado, reduzir custos e melhorar o ambiente de negócios em Moçambique.

Liderada pelo Ministério da Economia, a reforma resulta dos Decretos n.º 40/2026 e n.º 41/2026, que introduzem novos procedimentos destinados a simplificar e acelerar os processos de abertura e licenciamento de actividades económicas.

Entre as principais medidas está a redução significativa dos prazos de tramitação administrativa. A Certidão de Mera Comunicação Prévia deverá ser emitida no prazo de duas horas, enquanto a Licença Simplificada poderá ser obtida em apenas um dia.

Os procedimentos serão, preferencialmente, realizados através do e-BAU, permitindo a partilha de informação entre as instituições públicas e reduzindo a necessidade de os empresários apresentarem repetidamente os mesmos documentos.

Procedimentos mais céleres, menos burocracia

A reforma introduz igualmente assinaturas electrónicas com validade jurídica, reforçando a digitalização dos procedimentos e reduzindo a dependência de processos presenciais e de documentação em papel.

O novo modelo prevê também inspecções baseadas no risco, realizadas após a autorização, permitindo ao Estado concentrar os seus mecanismos de fiscalização nas actividades com maior potencial de risco.

Outra medida com impacto directo nas pequenas empresas é a isenção de taxas para as microempresas abrangidas pelo regime de Mera Comunicação Prévia.

Ao reduzir os custos e as barreiras administrativas, o Governo espera facilitar a entrada dos jovens no mercado e incentivar a formalização das actividades económicas.

As Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME) poderão igualmente beneficiar de procedimentos mais rápidos e menos onerosos, criando melhores condições para que os empresários canalizem recursos para o crescimento e desenvolvimento dos seus negócios.

Para o Governo, a reforma representa uma nova abordagem às relações entre o Estado e os operadores económicos, assente na confiança, na digitalização e na simplificação administrativa.

A expectativa é de que as novas medidas contribuam para dinamizar o empreendedorismo, atrair investimento, acelerar a formalização das empresas e reforçar a competitividade da economia moçambicana.

Fonte: AIM Moçambique

Executivo avança com venda de parte da participação do Estado na Tmcel

O Governo moçambicano autorizou, na terça-feira, 11 de Agosto, a criação de uma equipa técnica para negociar a venda de parte da participação do Estado na operadora de telecomunicações Tmcel, uma medida que, segundo as autoridades, visa revitalizar a empresa.

O anúncio foi feito pelo porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, no final da reunião semanal do Conselho de Ministros, em Maputo. Segundo afirmou, o Estado poderá vender parte da sua participação para atrair um novo investidor.

“Procurando dar maior dinamismo a esta empresa, o Estado, enquanto detentor de parte das acções que constituem a Tmcel, pode aliená-las ou pode entregá-las a terceiros e assim por diante”, disse, em resposta às perguntas dos jornalistas.

O porta-voz acrescentou que a venda constitui uma das soluções encontradas para recuperar a empresa, que enfrenta dificuldades financeiras há vários anos.

“Este é um dos mecanismos que o Estado encontrou para revitalizar a Tmcel, para lhe dar um pouco mais de vitalidade, de modo que possa continuar a prestar serviços críticos de comunicação a nível nacional”, afirmou.

Impissa indicou ainda que o Estado detém actualmente cerca de 66% da operadora, sem, no entanto, avançar detalhes sobre a percentagem da participação que poderá ser vendida, os potenciais investidores ou o calendário previsto para a conclusão do processo.

A Tmcel foi criada através da fusão da Telecomunicações de Moçambique (TDM) e da Mcel e tem enfrentado dificuldades financeiras e operacionais nos últimos anos.

Dados do Boletim Trimestral da Dívida Pública do Ministério das Finanças indicam que a empresa reduziu a sua dívida externa em 4,93% no primeiro trimestre de 2026, figurando entre as empresas públicas que registaram uma redução da dívida durante o período.

Em 2024, a Tmcel registou um prejuízo de 4.441 milhões de meticais (59,7 milhões de euros), mais do dobro dos 2.182 milhões de meticais (29,3 milhões de euros) registados em 2023.

Fonte: Lusa

O futuro da auditoria é digital

Profile Mozambique: A RSM Moçambique é uma referência global em Assurance, Tax & Consulting com uma equipa experiente e abordagem adaptada ao cliente. Poderia começar por explicar brevemente o posicionamento da RSM Moçambique no mercado local e o tipo de empresas que atendem?

Edite Félix: A RSM Moçambique é uma firma membro da RSM International, uma das maiores redes globais de auditoria, consultoria e fiscalidade, com presença consolidada em mais de 120 países. Em Moçambique, posicionamo-nos como uma referência nacional em serviços de Assurance, Tax & Consulting, oferecendo soluções integradas, de elevado rigor técnico, concebidas para gerar impacto real no ambiente de negócios.

Atendemos essencialmente empresas de média e grande dimensão, tanto nacionais como internacionais, que não procuram apenas cumprimento normativo, mas sim um parceiro estratégico, capaz de compreender os seus desafios específicos, antecipar riscos operacionais e regulatórios e entregar valor sustentável.

O nosso posicionamento no mercado assenta em três pilares fundamentais: qualidade, consistência e proximidade ao cliente. A qualidade, para nós, não é apenas um princípio orientador, é o próprio modelo do nosso negócio. É essa cultura de exigência que atrai empresas com elevados padrões de governação, retém talento qualificado e sustenta a nossa reputação como firma de confiança no ecossistema empresarial moçambicano.

PM: Quais são os sectores predominantes no vosso portfólio? Que desafios específicos estes sectores trazem e como a RSM se posiciona para responder a eles?

EF: O nosso portfólio é composto por sectores de elevada complexidade e impacto estratégico para a economia moçambicana. Trabalhamos com instituições bancárias e seguradoras, onde os requisitos regulatórios são particularmente exigentes e o foco em compliance é permanente. Nestes casos, o nosso compromisso é garantir que os nossos clientes operem com total conformidade, minimizando riscos e assegurando a solidez e integridade dos seus sistemas de controlo.

No sector de petróleo e gás, a nossa intervenção exige profundo domínio da fiscalidade internacional, do reporting técnico e da gestão de risco, numa área onde as exigências de transparência e rigor são particularmente elevadas. Também assessoramos organizações não-governamentais e organismos multilaterais, cujos critérios de actuação impõem uma avaliação rigorosa do impacto dos projectos, prestação de contas transparente e alinhamento com normas internacionais de reporte e auditoria.

Ademais, prestamos serviços a grandes empresas privadas, nacionais e multinacionais, que actuam em sectores em expansão como a agro-indústria, energia e infraestruturas, todos com exigências complexas ao nível da estratégia, governança e crescimento sustentável.

PM: O recente relatório da RSM internacional revela crescimento de 29% na África, impulsionado em parte por Moçambique. Como se insere a RSM Moçambique na estratégia global de crescimento da rede?

EF: O crescimento de 29% da RSM em África, conforme indica o mais recente relatório internacional, confirma que os mercados emergentes ocupam hoje uma posição central na estratégia global da nossa rede. Em Moçambique, orgulhamo-nos de contribuir activamente para esse desempenho, com um modelo de negócio centrado na excelência técnica, na valorização de talento local e na adopção de soluções inovadoras.

Alinhamo-nos com a Estratégia Global 2030 da RSM, que privilegia a inovação, o crescimento sustentável e o impacto real. A nível nacional, esta visão traduz-se na digitalização progressiva dos nossos serviços, no fortalecimento da nossa base de clientes de referência e no posicionamento de Moçambique como um polo estratégico para operações internacionais, sobretudo nas áreas de preços de transferência e consultoria para o desenvolvimento. Estamos também comprometidos com o reforço das ligações regionais, em particular com os países da SADC e África Oriental, consolidando o papel da RSM Moçambique como plataforma de excelência para a expansão de negócios no continente.

PM: A RSM lançou em 2024 a plataforma RSM Luca para auditoria digital. De que forma esta inovação tem sido implementada em Moçambique e qual o impacto no serviço ao cliente?

EF: A introdução da plataforma RSM Luca em Moçambique, em 2024, marcou um novo capítulo na forma como conduzimos os nossos projectos de auditoria. Trata-se de um verdadeiro ecossistema digital, concebido para elevar a eficiência, a transparência e a qualidade dos nossos serviços. A sua implementação foi cuidadosamente estruturada, com acções de capacitação intensiva das nossas equipas e integração plena nos fluxos de trabalho.

Os efeitos desta inovação já são evidentes, registamos maior agilidade nos processos, redução de tarefas manuais repetitivas, uma gestão de risco mais robusta e uma colaboração mais directa com os clientes. A grande mais-valia do RSM Luca é que a qualidade deixou de depender exclusivamente da supervisão, ela está incorporada em cada fase do projecto, desde o planeamento até à entrega final. Esta evolução reforça o nosso compromisso com a excelência técnica e com a prestação de um serviço cada vez mais alinhado às exigências do contexto moçambicano e aos padrões internacionais.

PM: No contexto da Estratégia Global 2030, cresce a aposta em pessoas e tecnologia. Como atraem e retêm talentos no mercado moçambicano? Há iniciativas internas como 360° feedback ou inovação interna?

EF: Na RSM Moçambique, acreditamos que o nosso maior activo são as pessoas. Por isso, investimos de forma estratégica e contínua na atracção, desenvolvimento e retenção de talentos. A nossa proposta de valor está ancorada em planos de carreira bem definidos, com progressão clara e transparente, mentoria activa assegurada por líderes experientes, programas de formação contínua, nacionais e internacionais, e mecanismos estruturados de avaliação, como o sistema de feedback 360°, revisão periódica de descrições de funções e de modelos de desempenho.

Adicionalmente, fomentamos uma cultura de excelência e responsabilidade, onde cada colaborador se reconhece como embaixador da marca RSM em cada entrega. O nosso compromisso é formar profissionais com ambição e sentido de missão, conscientes de que o talento de hoje será o sócio de amanhã, responsável por garantir a qualidade e o crescimento sustentável da firma. Este alinhamento com a Estratégia Global 2030 reforça o nosso papel como referência em capital humano no sector de auditoria, fiscalidade e consultoria em Moçambique.

PM: As equipas investem cada vez mais em tecnologia, auditorias digitais, análises baseadas em dados. Quais são os principais desafios técnicos que enfrentam localmente e que soluções se avizinham para 2025/26?

EF: Os desafios técnicos que enfrentamos no contexto local concentram-se essencialmente em três eixos estratégicos: a limitação ainda persistente da infraestrutura digital, a necessidade de capacitação contínua das nossas equipas para o domínio de novas ferramentas, e o grau variável de adaptação dos clientes às soluções digitais e integradas.

Para responder a este cenário, temos vindo a investir de forma consistente em inovação tecnológica. Estamos a acelerar a integração de ferramentas como inteligência artificial, Power BI, CRM, Caseware e mesmo recursos como o ChatGPT, com o objectivo de reforçar a precisão analítica e a capacidade de resposta em tempo real. Simultaneamente, estamos a automatizar processos críticos, como os ligados ao compliance, onboarding e monitorização de projectos, promovendo maior eficiência operacional.

No que diz respeito ao desenvolvimento interno, mantemos programas contínuos de formação técnica, com enfoque especial em competências digitais e novas tecnologias. A nossa ambição para 2025/26 é clara, queremos processos totalmente digitalizados, com integração de inteligência artificial desde a proposta até à entrega final. Com isso, pretendemos garantir consistência, elevar o padrão de qualidade e oferecer mais valor real aos nossos clientes.

PM: Sabendo que vos propõem melhorar transparência, eficiência e boas práticas nos sectores empresarial e institucional, como veem o impacto da RSM no crescimento sustentável de Moçambique?

EF: Na RSM Moçambique, acreditamos firmemente que o nosso papel vai muito além da prestação de serviços técnicos. Vemos a nossa actuação como um contributo activo para o crescimento sustentável do país, através da promoção da transparência nos sectores empresarial e institucional, do reforço das boas práticas de gestão e compliance, bem como do apoio técnico a projectos estruturantes em áreas-chave como a energia, agricultura e finanças públicas.

Adicionalmente, temos um compromisso com a capacitação de Pequenas e Médias Empresas (PME) e Organizações Não Governamentais (ONGs), sectores muitas vezes decisivos na criação de emprego e inclusão económica. Acreditamos que uma economia mais ética, eficiente e transparente é também mais resiliente e atractiva para o investimento nacional e estrangeiro.

Triana Business conclui concepção e implementação do Centro de Dados Híbrido do CIUEM

Foi inaugurado o novo Centro de Dados Híbrido do Centro de Informática da Universidade Eduardo Mondlane (CIUEM), uma infra-estrutura tecnológica concebida e implementada pela Triana Business para responder às necessidades actuais e futuras da Universidade, reforçando a sua capacidade digital, operacional e académica.

A cerimónia contou com a presença de representantes do Governo, da Universidade Eduardo Mondlane, do Banco Mundial e de outras entidades parceiras envolvidas na concretização desta iniciativa.

A nova infra-estrutura integra, numa solução única, sistemas de alimentação eléctrica, energia solar fotovoltaica, climatização de precisão, monitorização e componentes tecnológicos avançados, garantindo maior disponibilidade, segurança e eficiência dos serviços digitais do CIUEM.

O Centro de Dados foi projectado para acompanhar a evolução das necessidades da Universidade, criando uma base tecnológica preparada para suportar o crescimento das actividades de ensino, investigação e inovação.

Infra-estruturas desta dimensão começam muito antes da sua entrada em operação. São o resultado de meses de planeamento, engenharia e trabalho conjunto de diferentes equipas. É motivo de satisfação ver este projecto concluído e preparado para apoiar o CIUEM durante muitos anos“, referiu Zuneid Karim, Director-Geral da Triana Business.

Segundo David Bila, Director Técnico do Centro de Informática da Universidade Eduardo Mondlane (CIUEM), a inauguração desta infra-estrutura representa um avanço significativo na capacidade digital da instituição e cria novas oportunidades para a comunidade académica.

“A inauguração deste Centro de Dados representa um salto qualitativo na capacidade digital da Universidade Eduardo Mondlane, reforçando o processamento e armazenamento de informação, bem como o apoio às actividades de ensino, investigação e gestão académica. Para além de assegurar o funcionamento da universidade, esta infra-estrutura disponibiliza ambientes dedicados à experimentação, permitindo que estudantes desenvolvam competências práticas com tecnologias semelhantes às que encontrarão no mercado de trabalho.”

Para a Triana Business, a implementação deste Centro de Dados reflecte a sua capacidade técnica na concepção e integração de soluções tecnológicas críticas, especialmente em ambientes onde a continuidade operacional, eficiência energética e segurança da informação são factores determinantes. (x)

MIREME lança plataforma para transformar potencial mineiro e energético em desenvolvimento

O Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME) lançou, na semana passada, em Maputo, a Conferência sobre Adição de Valor com Base em Minerais e Recursos Energéticos disponíveis (CAVAME-d), a ter lugar de 19 a 24 de Outubro de 2026, em Nacala, província de Nampula. Trata-se de um evento que vai aproximar o Governo, investidores, operadores, universidades, centros de investigação, instituições financeiras e parceiros de cooperação, com o objectivo de transformar localmente o potencial de que o país dispõe em projectos de desenvolvimento.

Durante o evento de lançamento, o Ministro dos Recursos Minerais e Energias, Estêvão Pale, fez saber que a Conferência vai oferecer oportunidades concretas de investimento. “Vamos apresentar pacotes de projectos com base em minerais disponíveis para o processamento local, impulsionando a industrialização, inovação, emprego e prosperidade”, disse Pale.

Igualmente, serão apresentados pacotes de projectos com base no uso do gás natural para o mercado doméstico que impulsionem novas indústrias, como a petroquímica, fertilizantes, combustíveis, produção de energia e outras cadeias produtivas. Também serão apresentadas oportunidades de investimento em logística, infra-estruturas, serviços especializados de aviação para o suporte ao sector dos hidrocarbonetos.

De acordo com o MIREME, o programa da CAVAME-d inclui ainda a Feira de Gemas de Nacala (FAGENA). Na ocasião, realizar-se-á, pela primeira vez em Moçambique, um leilão internacional de gemas, aproximando produtores, compradores e investidores, e acrescentando valor aos recursos ainda no país.

Refira-se que o evento terá lugar num contexto em que o país conta com um novo quadro legal, aprovado este ano, actualmente em fase de regulamentação, que cria melhores condições para o investimento, competitividade, transparência e desenvolvimento sustentável.