Friday, September 4, 2026
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Yango nomeada prestadora de serviços de transporte por aplicativo mais fiável da África Austral

A Yango foi nomeada a Prestadora de Serviços de Transporte por Aplicativo Mais Fiável da África Austral nos Southern African Brand Quality Awards (SABQA) 2026. A empresa também recebeu o Selo de Excelência em Qualidade de Marca, reconhecendo o seu compromisso com padrões internacionalmente reconhecidos de qualidade, experiência do cliente e excelência operacional em toda a região. O reconhecimento reflete o investimento contínuo da Yango em tecnologia concebida para responder às necessidades de mobilidade em constante evolução das cidades africanas, mantendo padrões de serviço consistentemente elevados à medida que se expande pelo continente.

Atualmente, na África Austral, a Yango opera na Zâmbia, Namíbia, Botswana, Moçambique e Angola, oferecendo soluções de mobilidade adaptadas localmente que vão além do transporte por aplicativo. Dependendo do mercado, a plataforma também oferece serviços de entrega de refeições, entrega de encomendas e carga, soluções de mobilidade empresarial e outros serviços digitais que ligam milhões de utilizadores a milhares de motoristas parceiros, estafetas e negócios locais. Ao combinar tecnologia global com um profundo conhecimento local, a Yango desenvolve serviços adaptados às necessidades das comunidades da África Austral.

Comentando o reconhecimento, Mahomed Zameer Adam, Country Manager da Yango Ride Moçambique, afirmou: “Partilhamos este prémio com todos os passageiros, motoristas, estafetas e parceiros que fazem da nossa plataforma o que ela é. À medida que nos expandimos pela África, o nosso foco mantém-se o mesmo: tecnologia fiável e segura, construída para o continente, ao lado das comunidades que servimos.”

O prémio reflete também o investimento contínuo da Yango em tecnologias que reforçam a confiança em toda a sua plataforma. No último ano, a empresa introduziu diversas novas inovações de segurança nos seus mercados da África Austral, reforçando a transparência e a confiança tanto para passageiros como para motoristas parceiros.

Entre as funcionalidades mais recentes está o Selo de Perfil Completo do Passageiro, que permite aos motoristas parceiros identificar passageiros que carregaram informações-chave da conta, incluindo o nome e uma selfie. Ao ajudar os motoristas parceiros a tomar decisões mais informadas antes de aceitar viagens, a funcionalidade promove a responsabilização e reforça a confiança entre utilizadores e motoristas parceiros.

Para além das inovações individuais, a Yango continua a construir um dos ecossistemas de segurança em aplicativo mais abrangentes da região. Nos seus mercados da África Austral, os utilizadores beneficiam de funcionalidades de segurança antes, durante e depois de cada viagem, incluindo o Centro de Segurança dentro da aplicação, assistência de emergência SOS, rastreamento e partilha de viagem em tempo real, monitorização de rota, verificação de identidade do motorista, contactos de confiança, alertas de desvio de rota e suporte 24 horas por dia, 7 dias por semana. Em conjunto, estas funcionalidades foram concebidas para tornar as viagens mais seguras, proporcionando maior transparência e tranquilidade tanto para passageiros como para motoristas parceiros.

Para além dos seus investimentos em tecnologia, a Yango continua a fortalecer os ecossistemas de mobilidade local em toda a África Austral através de formação de motoristas, programas de sensibilização para a segurança rodoviária, iniciativas de apoio a parceiros e projetos comunitários. Trabalhando em estreita colaboração com parceiros de frotas e empreendedores locais, a empresa está a ajudar a criar novas oportunidades económicas, apoiando ao mesmo tempo o desenvolvimento a longo prazo do setor da mobilidade.

À medida que a Yango continua a expandir-se pela África, mantém-se comprometida em trabalhar com as partes interessadas locais, investir em tecnologias inovadoras e desenvolver serviços que melhorem o quotidiano, apoiando o empreendedorismo e o crescimento económico sustentável nas comunidades que serve.

Executivo vai aprovar novo Regime Jurídico da Actividade Comercial e dos Serviços Mercantis

Moçambique prepara uma reforma do quadro jurídico da actividade comercial que deverá introduzir regras específicas sobre garantias pós-venda, reforçar a protecção dos consumidores e estabelecer novas obrigações para comerciantes e prestadores de serviços mercantis, incluindo um regime de sanções para os operadores económicos que violem as futuras normas.

As medidas constam da Lei n.º 18/2026, consultada pela agência Lusa, que autoriza o Governo a aprovar, no prazo de 180 dias – até 29 de Dezembro, um novo Regime Jurídico relativo ao Exercício da Actividade Comercial e da Prestação de Serviços Mercantis.

A legislação, aprovada pela Assembleia da República na sequência de uma proposta do Governo, estabelece que a futura reforma deverá criar “um quadro regulamentar que contribua para a organização da actividade comercial e da prestação de serviços mercantis, visando a melhoria do ambiente de negócios e o desenvolvimento sustentável deste segmento da actividade económica”.

Entre as principais alterações previstas está a criação de um regime jurídico específico para as garantias de bens e serviços após a venda, uma área que actualmente não dispõe de uma regulamentação abrangente aplicável ao comércio em geral.

Com esta medida, o Governo poderá definir os direitos e deveres dos consumidores e dos comerciantes após a conclusão de uma venda ou prestação de serviço, incluindo matérias relacionadas com assistência técnica, reparações, substituição de produtos ou outros mecanismos destinados a proteger os compradores.

Novas obrigações para operadores comerciais

O futuro quadro jurídico deverá assentar nos princípios da “legalidade, liberdade económica, concorrência leal, protecção do consumidor, simplificação administrativa e proporcionalidade regulatória”, segundo a autorização legislativa aprovada pelo Parlamento.

Além do reforço dos direitos dos consumidores, a reforma pretende clarificar as responsabilidades dos operadores comerciais, permitindo ao Governo “estabelecer as obrigações dos comerciantes e prestadores de serviços mercantis, bem como os mecanismos de intervenção do Estado na actividade comercial”.

Na prática, a nova legislação poderá definir deveres específicos para empresas e prestadores de serviços, assim como os mecanismos de fiscalização e intervenção das autoridades públicas no sector comercial.

O novo regime deverá igualmente criar um quadro próprio de sanções aplicável aos agentes económicos que violem as disposições legais. A autorização legislativa permite ao Executivo “estabelecer o regime sancionatório aplicável aos agentes económicos que infrinjam as normas do Regime Jurídico relativo à Organização da Actividade Comercial e da Prestação de Serviços Mercantis”.

Embora a lei de autorização não detalhe as penalizações, abre espaço para a definição de multas e outras medidas aplicáveis às empresas e operadores comerciais que não cumpram as futuras regras.

Classificação de empresas e regras de licenciamento

A reforma prevê ainda a possibilidade de o Governo classificar a rede comercial e a prestação de serviços mercantis em função da dimensão dos operadores, criando categorias diferenciadas para os vários tipos de negócios existentes no mercado.

O Executivo poderá também clarificar as actividades que podem ser exercidas pelos comerciantes e estabelecer diferentes modalidades de exercício da actividade comercial, com o objectivo de organizar e enquadrar juridicamente as diversas formas de negócio.

Outro domínio abrangido pela autorização legislativa é o licenciamento, permitindo ao Governo definir “os requisitos de acesso, licenciamento e registo da actividade comercial nacional e estrangeira”.

Estas normas terão impacto directo na abertura, funcionamento e regularização de empresas e estabelecimentos comerciais, incluindo operadores nacionais e estrangeiros.

A futura regulamentação deverá ainda estabelecer as formas de venda aplicáveis às diferentes actividades comerciais, criando regras específicas para os vários modelos de comercialização de bens e serviços.

Fonte: Lusa

Maputo será palco da Africa Traveltech Summit and Expo 2026 em Outubro

A Africa Traveltech Summit and Expo (ATTSE) 2026 decorrerá nos dias 8 e 9 de Outubro de 2026, em Maputo, reunindo executivos dos sectores das viagens e do turismo, companhias aéreas, hotéis, operadores turísticos, agências de viagens, empresas de viagens online, bedbanks, grossistas, fornecedores de tecnologias para o sector das viagens, empresas fintech e operadores de telecomunicações provenientes de toda a África e de outros mercados internacionais.

Na sua quarta edição, a ATTSE consolidou-se como uma plataforma de referência dedicada à tecnologia aplicada às viagens, à distribuição digital e à inovação na indústria turística africana. As edições anteriores realizaram-se em Nairobi, no Quénia. A edição de 2026 conta com o apoio institucional do Governo de Moçambique e é organizada em parceria com a ANDITUR, a agência nacional de desenvolvimento do turismo.

Ao longo de dois dias, a ATTSE 2026 reunirá altos decisores do sector através de uma conferência de alto nível e de uma exposição orientada para os negócios, com o objectivo de analisar as tecnologias que estão a transformar o ecossistema africano das viagens e do turismo. Entre os temas em destaque estarão a distribuição digital, a hotelaria, a comercialização de produtos turísticos, os sistemas de pagamento e as soluções fintech, a automação e as operações baseadas na análise de dados.

Entre os oradores de destaque já confirmados figuram Fredson Bacar, Secretário de Estado do Turismo do Ministério da Economia de Moçambique, e Américo Muchanga, Ministro das Comunicações e Transformação Digital.

Segundo Gustave Sugira, fundador da SNG Events:

«A indústria africana das viagens e do turismo está a ser reconstruída em torno da tecnologia, desde a forma como os viajantes planeiam e reservam as suas viagens até à forma como os destinos gerem e desenvolvem as suas economias turísticas. A ATTSE existe para reunir, num único espaço, as pessoas que lideram essa transformação em todo o continente e além dele. A realização da edição de 2026 em Maputo, com o apoio do Governo de Moçambique e da ANDITUR, demonstra a crescente importância da África Austral neste debate.»

A ATTSE 2026 incluirá sessões plenárias, painéis de debate e uma área de exposição destinada a promover a ligação entre fornecedores de tecnologia, empresas do sector e instituições públicas, perante um público composto por profissionais da indústria das viagens e do turismo provenientes de vários países africanos.

Mais informações sobre a ATTSE 2026, incluindo o processo de inscrição, estão disponíveis no portal oficial do evento: https://africatraveltech.com/.

A organização lançou igualmente um convite às empresas moçambicanas e da região para participarem como expositoras na cimeira. A área de exposição está aberta a fornecedores de tecnologia, empresas de telecomunicações, bancos, seguradoras, prestadores de serviços de pagamento, agências de viagens, operadores turísticos, hotéis e companhias aéreas.

Sobre a ATTSE

A Africa Traveltech Summit and Expo (ATTSE) é organizada pela SNG Events e constitui uma plataforma dedicada à promoção da tecnologia aplicada às viagens, da distribuição digital e da inovação na indústria africana do turismo. A edição de 2026 terá lugar nos dias 8 e 9 de Outubro, em Maputo, Moçambique.

A nova economia exige uma nova consultoria

A PKF está em Maputo desde 2007, mas muitos profissionais de negócio em Moçambique ainda associam auditoria e consultoria às Big Four. Quando apresenta a PKF a um potencial cliente pela primeira vez, o que é que diz que a distingue e o que é que isso significa concretamente para quem vos contrata?

Quando apresento a PKF, digo é a PKF Moçambique combina o melhor de dois mundos: a proximidade, conhecimento local e senioridade acessível de uma firma presente no mercado moçambicano, com a metodologia, recursos técnicos e alcance internacional de uma rede global.

Para quem nos contrata, isso significa três coisas muito concretas: primeiro, acesso directo a profissionais seniores; segundo, uma capacidade de resposta mais próxima e pragmática; terceiro, soluções que não são apenas tecnicamente correctas, mas também aplicáveis à realidade operacional e regulatória de Moçambique.

A PKF Moçambique opera em rede directa com a PKF Portugal, Angola, Cabo Verde e São Tomé e Principe. Na prática, o que é que essa ligação permite fazer aqui que uma firma independente local não conseguiria?

A vantagem competitiva não é apenas “ter ligação à rede PKF”. A vantagem é operar dentro de uma plataforma lusófona integrada, com liderança estratégica comum, coordenação executiva única e capacidade de mobilizar recursos entre jurisdições.

Quando um projecto em Moçambique exige competências específicas por exemplo IFRS, fiscalidade internacional, preços de transferência, corporate finance, controlo interno, tecnologia, recursos humanos ou reporting de grupo, a PKF Moçambique pode mobilizar especialistas da plataforma lusófona de forma mais directa.

Assim, a PKF Moçambique consegue oferecer ao mercado uma alternativa com escala suficiente para projectos complexos, mas com proximidade e flexibilidade superiores às estruturas mais pesadas. Ou seja: capacidade internacional sem perder a agilidade local.

II.  MOMENTO ACTUAL & MERCADO

Para além das auditorias anuais de empresas privadas, o sector de auditoria e consultoria em Moçambique cobre um espectro muito mais amplo: sector público, organizações da sociedade civil, projectos financiados por doadores, empresas extractivas. Que leitura faz do mercado no seu conjunto, o que já funciona e o que ainda falta?

O mercado moçambicano está mais exigente do que era há alguns anos. Hoje já existe maior consciência sobre a importância da auditoria, do controlo interno, da conformidade fiscal, da governação e da prestação de contas. Isso é visível nas empresas privadas, nas organizações da sociedade civil, nos projectos financiados por doadores, no sector público e também nos sectores extractivo, energético e de infra-estruturas.

Pese embora o papel da auditoria seja atualmente mais reconhecido, falta o mercado valorizar mais a qualidade técnica e não apenas o preço. Por vezes, ainda se olha para a auditoria como uma commodity (o serviço de auditoria é percebido como algo obrigatório e um “transtorno necessário”, perdendo-se o foco no valor agregado). Esse é um grande erro. A qualidade de uma auditoria depende da experiência da equipa, da metodologia, da independência, do tempo dedicado e da capacidade de compreender o negócio. Quando se comprime demasiado o preço, comprime-se também a profundidade do trabalho.

Em finais de 2025, foi apresentado em Maputo um relatório de avaliação nacional com um roteiro para modernizar a função de auditoria interna no sector público moçambicano. Esse é um mercado onde a PKF actua?

Sim, é uma área onde a PKF actua. O nosso papel, enquanto firma independente, pode passar por apoiar diagnósticos de controlo interno, desenho de matrizes de risco, revisão de processos, capacitação de equipas, implementação de metodologias de auditoria baseada no risco e apoio à criação de mecanismos de seguimento de recomendações.

A modernização da auditoria interna no sector público não deve ser vista apenas como uma reforma administrativa. Deve ser vista como uma ferramenta de melhoria da governação, da gestão do risco, da eficiência da despesa pública e da confiança dos cidadãos e parceiros de desenvolvimento.

A instabilidade pós-eleitoral de fins de 2024 contraiu a actividade económica. Do ponto de vista da procura de serviços de auditoria e consultoria, o que é que esse período revelou sobre quais os clientes que resistem e quais os que recuam primeiro?

O período pós-eleitoral de finais de 2024 foi um teste muito concreto à resiliência das empresas em Moçambique. Do ponto de vista da procura de serviços de auditoria e consultoria, esse período revelou uma diferença clara entre dois tipos de clientes.

Os clientes que resistiram melhor, foram aqueles com estruturas de governação mais maduras. Para esses clientes, a instabilidade não reduziu a importância da auditoria, do controlo interno, da consultoria fiscal ou do reporting. Pelo contrário, tornou esses serviços ainda mais relevantes. Em momentos de incerteza, as organizações precisam de saber onde estão os seus riscos, qual é a sua posição financeira real, que compromissos conseguem cumprir, como proteger tesouraria e como manter transparência perante os seus stakeholders.

Os clientes que recuaram primeiro foram, em geral, empresas com maior pressão de liquidez, menor formalização de processos ou que ainda encaram auditoria e consultoria como um custo administrativo, e não como instrumentos de gestão. Quando existe uma crise, esses clientes tendem a adiar decisões, cortar serviços considerados não essenciais e concentrar-se apenas na sobrevivência operacional imediata.

III.  PESSOAS, CULTURA & LIDERANÇA

A PKF Moçambique opera num mercado onde outros players existem. Recrutar e reter talento para uma firma mid-tier nesse contexto é um desafio específico. Como é que a PKF resolve esse problema de forma que não seja apenas a remuneração?

A remuneração é importante, naturalmente, mas não é suficiente. As pessoas ficam onde sentem que aprendem, crescem, são respeitadas. Proporcionar aos colaboradores um “ambiente de pertença” é um dos pilares cruciais na retenção de talento, criando uma conexão emocional entre o colaborador e a organização. Quando os colaboradores se sentem parte integrante de uma equipe, valorizados e alinhados com a cultura da empresa, a probabilidade de procurarem outras oportunidades diminui significativamente.

Numa firma como a PKF, um jovem profissional não é apenas uma peça pequena dentro de uma estrutura muito distante. Tem contacto mais próximo com managers, partners e clientes. Aprende mais cedo a compreender o negócio, a pensar criticamente, a escrever melhor, a comunicar melhor e a assumir responsabilidade.

A nossa proposta para o talento passa por formação, exposição internacional, cultura de proximidade, exigência técnica, ética profissional e oportunidade real de crescimento. Queremos que a PKF seja vista como uma escola de qualidade e, ao mesmo tempo, como uma plataforma de carreira.

Ricardo Coelho é o Key Contact público da PKF Moçambique e esteve até há bem pouco tempo ligado à Câmara de Comércio de Moçambique. Em firmas de serviços profissionais, o negócio é construído por relações. Qual a diferença entre construir relações institucionais e construir reputação técnica?

As relações institucionais abrem portas. A reputação técnica mantém essas portas abertas.

Num mercado como Moçambique, as relações são importantes porque ajudam a criar confiança, proximidade e conhecimento mútuo. Mas, em serviços profissionais, a relação nunca substitui a competência. O cliente pode aceitar uma primeira reunião por confiança institucional; mas só contrata se a entrega técnica for sólida.

A reputação constrói-se nos detalhes: cumprir prazos, ser independente, dizer a verdade mesmo quando ela é desconfortável, explicar riscos de forma clara, produzir relatórios úteis e apresentar recomendações que façam sentido para a realidade do cliente.

IV.  VISÃO & FUTURO

O PKF International lançou nos últimos anos serviços de ESG advisory, forensics e digital advisory como áreas de crescimento para a rede. Quais dessas linhas são já relevantes para Moçambique e quais precisam ainda que o mercado amadureça para existirem aqui?

As três áreas são relevantes, mas em níveis diferentes de maturidade.

O ESG já é relevante em Moçambique, sobretudo em sectores como energia, mineração, infra-estruturas, banca, projectos financiados por doadores e empresas integradas em cadeias de valor internacionais. Mas deve ser tratado de forma prática. Não se trata apenas de produzir relatórios bonitos. Trata-se de medir riscos ambientais, sociais e de governação, criar controlos, demonstrar conformidade e responder a expectativas de financiadores, comunidades e parceiros internacionais.

Forensics também é uma área cada vez mais importante. À medida que as organizações crescem e os fluxos financeiros se tornam mais complexos, aumentam os riscos de fraude, conflito de interesses, fragilidades em procurement, pagamentos indevidos, falhas de controlo e exposição reputacional.

Digital advisory talvez seja a área com maior potencial de crescimento, mas também aquela que exige mais maturidade prévia. Antes de falar em transformação digital, muitas organizações ainda precisam de organizar processos, melhorar a qualidade dos dados, integrar sistemas e criar disciplina de controlo. A digitalização só gera valor quando assenta em processos bem desenhados.

O sector extractivo em Moçambique, nomeadamente o gás em Cabo Delgado, cria procura de auditoria e advisory de grande dimensão. Esse tipo de mandato é acessível a uma firma mid-tier, ou está estruturalmente concentrado nas Big Four?

Depende do tipo de mandato. Alguns grandes mandatos globais, sobretudo auditorias de grupos multinacionais ou assignments altamente centralizados, tendem naturalmente a concentrar-se nas grandes redes internacionais. Isso é uma realidade do mercado.

Mas o sector extractivo não é composto apenas pelo operador principal. Existe todo um ecossistema de fornecedores, subcontratados, empresas locais, projectos de conteúdo local, estruturas de apoio, logística, construção, etc. É nesse ecossistema que firmas como a PKF podem ter um papel muito relevante.

Uma firma mid-tier com rede internacional, conhecimento local e acesso a especialistas pode competir muito bem em áreas onde o cliente valoriza proximidade, senioridade, pragmatismo e custo-benefício. O ponto não é tentar disputar todos os mandatos. O ponto é escolher os mandatos onde podemos entregar valor real.

V.  ECOSSISTEMA & COMUNIDADE

Na sua perspectiva, quem são os principais concorrentes da PKF no mercado moçambicano de auditoria e consultoria e o que os distingue?

Eu responderia a essa pergunta mais por categorias do que por nomes. O mercado moçambicano tem três grandes grupos de concorrência: as Big Four, outras redes internacionais e firmas locais ou regionais com presença em segmentos específicos.

As Big Four distinguem-se pela escala global, pela presença junto de grandes grupos multinacionais e por equipas muito estruturadas. Outras redes internacionais competem pela especialização, flexibilidade e capacidade de servir clientes com necessidades transfronteiriças. As firmas locais, por sua vez, muitas vezes competem pela proximidade, conhecimento do terreno e preço.

A PKF posiciona-se num espaço muito interessante entre esses mundos. Temos uma marca global, metodologias internacionais e acesso a especialistas, mas mantemos uma presença local próxima, ágil e com envolvimento sénior. Esse equilíbrio é particularmente valorizado por clientes que querem qualidade internacional, mas também querem uma equipa que conheça Moçambique, responda rapidamente e esteja próxima das suas decisões.

Projecto Mozambique LNG está 45% concluído e mantém arranque da produção previsto para 2029

O megaprojecto Mozambique LNG encontra-se cerca de 45% concluído, emprega actualmente entre 7.000 e 8.000 trabalhadores e mantém o início da produção comercial previsto para 2029, apesar dos atrasos provocados pelo conflito no Médio Oriente, informou a TotalEnergies.

A actualização foi apresentada esta semana durante a divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre de 2026 do grupo energético francês. Na ocasião, o presidente executivo (CEO) da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, afirmou que, desde a retoma das obras em Janeiro deste ano, o projecto tem vindo a aumentar progressivamente o número de trabalhadores mobilizados no complexo de Afungi, na província de Cabo Delgado.

Segundo o responsável, encontram-se actualmente envolvidos entre 7.000 e 8.000 trabalhadores nas actividades de construção do empreendimento.

«Quando comparamos com a curva de progresso do projecto, estamos praticamente com 45% da obra concluída», afirmou.

Pouyanné reconheceu que o conflito no Médio Oriente criou dificuldades logísticas para o projecto moçambicano, uma vez que parte dos equipamentos estava a ser fabricada no Dubai e noutras unidades industriais da região.

«Tivemos de enfrentar momentos difíceis para retirar todos esses equipamentos», afirmou, acrescentando que esses constrangimentos já foram ultrapassados. «Penso que essa situação está resolvida.»

Apesar destes atrasos, a TotalEnergies reiterou que o calendário de desenvolvimento do projecto permanece inalterado.

«O projecto continua no bom caminho, tendo como objectivo iniciar a produção da primeira unidade de liquefacção (first train) em 2029», declarou o CEO.

Durante a mesma apresentação aos analistas, Patrick Pouyanné voltou a identificar Moçambique como um dos mercados estratégicos de crescimento do grupo, ao lado do Suriname, da Namíbia e da Malásia.

«Estamos a consolidar a nossa posição em Moçambique», afirmou, defendendo a estratégia de diversificação geográfica da empresa.

O projecto Mozambique LNG, desenvolvido na Área 1 da Bacia do Rovuma, constitui um dos maiores investimentos privados alguma vez realizados em África e deverá transformar Moçambique num dos principais exportadores mundiais de gás natural liquefeito (GNL).

Moçambique aprovou três grandes projectos para a exploração das reservas de gás natural da Bacia do Rovuma, ao largo da costa da província de Cabo Delgado, consideradas entre as maiores descobertas de gás do mundo.

O projecto Coral Sul FLNG, operado pela italiana Eni, é actualmente o único em produção, desde 2022. Em Outubro do ano passado foi igualmente aprovado o investimento para a construção da segunda plataforma flutuante de liquefacção, Coral Norte, avaliada em 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros), que deverá duplicar a capacidade de produção para sete milhões de toneladas anuais de GNL a partir de 2028. Está igualmente em estudo uma terceira unidade flutuante de produção.

Após uma suspensão de quatro anos provocada pela insurgência armada em Cabo Delgado, o projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies e avaliado em 20 mil milhões de dólares (17,4 mil milhões de euros), retomou oficialmente as obras em Janeiro de 2026 e deverá produzir até 13 milhões de toneladas de GNL por ano a partir de 2029.

Já o projecto Rovuma LNG, na Área 4, estimado em 30 mil milhões de dólares (26,1 mil milhões de euros), será liderado pela ExxonMobil, na qualidade de operador delegado. Prevê-se que tenha uma capacidade anual de 18 milhões de toneladas de GNL após 2030, estando a decisão final de investimento actualmente prevista para Setembro.

Fonte: Lusa.

Lucros da seguradora estatal EMOSE caem 94,5% em 2025, apesar do forte crescimento dos prémios

Os lucros da Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) registaram uma queda de 94,5% em 2025, fixando-se em 20,2 milhões de meticais (274 mil euros), apesar de a seguradora ter aumentado em 42,8% o volume de prémios emitidos, segundo o relatório e contas anual consultado pela agência Lusa.

De acordo com o documento, a EMOSE alcançou um resultado líquido de apenas 20,2 milhões de meticais, muito abaixo dos 368,1 milhões de meticais (5 milhões de euros) registados em 2024. A administração atribui este desempenho ao fraco resultado técnico da actividade seguradora e à acentuada redução das receitas provenientes dos investimentos financeiros.

Na mensagem que acompanha o relatório, o presidente do Conselho de Administração, Janfar Abdulai, afirma que, apesar dos resultados, a empresa demonstrou uma «notável capacidade de adaptação e resiliência», mantendo o foco na eficiência operacional e na gestão rigorosa dos riscos, num exercício marcado por um «contexto económico extremamente complexo em Moçambique».

Segundo o gestor, o mercado segurador moçambicano cresceu cerca de 4% em 2025, impulsionado pela transformação digital e pela adaptação aos novos riscos climáticos e económicos, mantendo, ao mesmo tempo, capacidade de resposta perante os desafios associados às reformas legislativas, à entrada de novos operadores, às fusões empresariais e à volatilidade dos mercados financeiros.

Os prémios brutos emitidos pela EMOSE aumentaram de 2,42 mil milhões de meticais (32,8 milhões de euros) para 3,456 mil milhões de meticais (46,8 milhões de euros), traduzindo um crescimento anual de 42,8%.

O Conselho de Administração considera que este desempenho reflecte os efeitos positivos das medidas adoptadas nos últimos anos para reforçar a sustentabilidade financeira e operacional da empresa, salientando que a seguradora registou uma recuperação positiva da actividade comercial.

Contudo, este crescimento não se traduziu numa melhoria da rentabilidade. O resultado técnico passou de um saldo positivo de 114,5 milhões de meticais (1,6 milhões de euros), em 2024, para um défice de 67,8 milhões de meticais (918 mil euros) em 2025.

Segundo a empresa, esta deterioração explica-se pelo aumento das provisões técnicas, que cresceram 22%, atingindo 6,7 mil milhões de meticais (90,9 milhões de euros).

Paralelamente, os custos com sinistros aumentaram 55,3%, passando de 800,7 milhões de meticais (10,8 milhões de euros) para 1,243 mil milhões de meticais (16,8 milhões de euros).

Outro factor determinante para a redução dos lucros foi a quebra das receitas financeiras, que diminuíram 54,2%, de 618,8 milhões de meticais (8,4 milhões de euros) para 283,2 milhões de meticais (3,8 milhões de euros).

A empresa recebeu ainda 272,1 milhões de meticais (3,7 milhões de euros) em dividendos, montante que caiu para 20,9 milhões de meticais (283 mil euros), representando uma redução de 92,3%, uma das mais expressivas registadas no exercício.

Apesar da forte redução dos resultados líquidos, a EMOSE reforçou a sua posição no mercado segurador nacional, aumentando a sua quota de mercado de 10% para 13%.

O relatório refere ainda que a seguradora, que emprega 327 trabalhadores, ocupa actualmente o terceiro lugar entre as companhias de seguros que operam em Moçambique, subindo uma posição em relação a 2024.

A administração sustenta igualmente que a solidez financeira da EMOSE permaneceu robusta ao longo do exercício, assegurando que a empresa mantém uma posição satisfatória em termos de garantias financeiras disponíveis.

O activo total da seguradora cresceu 17%, alcançando 22,058 mil milhões de meticais (298,8 milhões de euros).

A EMOSE dispõe de um capital social de 295 milhões de meticais (4 milhões de euros) e continua sob controlo do Estado moçambicano, através de participações directas e indirectas.

A estrutura accionista é composta pelo Estado, com 39% do capital, pelo Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), com 31%, pela GETCOOP, com 20%, e por outros accionistas, que detêm os restantes 10%.

Fundada em 1977, a EMOSE opera nos ramos de seguros de vida, seguros não vida e resseguros, sendo a única seguradora do país em que o Estado moçambicano detém uma participação accionista directa.

Fonte: Lusa.

Gemfields arrecada 23,1 milhões de dólares em leilão de rubis e actualiza situação da MRM em Moçambique.

A Gemfields anuncia os resultados de um leilão de rubis em bruto de qualidade mista, realizado entre 22 e 29 de Junho de 2026. Este foi o primeiro leilão da empresa no formato “Trade Select”, que apresentou uma selecção mais abrangente de diferentes qualidades de rubis, bem como novas categorias de safiras introduzidas pela primeira vez.

Principais resultados do leilão:

  • Receitas totais de 23,1 milhões de dólares norte-americanos;
  • Foram vendidos 82 dos 89 lotes colocados à venda (92,1%);
  • Dos 374.008 quilates disponibilizados, 348.409 quilates foram vendidos (93,2%);
  • Preço médio de venda: 66,30 dólares por quilate.

Adrian Banks, Director-Geral de Produto e Vendas da Gemfields, afirmou:

“Estamos satisfeitos com o resultado do nosso leilão inaugural de rubis no formato Trade Select. Este formato foi desenvolvido para se posicionar entre os tradicionais leilões de rubis de qualidade mista da MRM e os leilões de menor dimensão introduzidos durante 2025. Ao reunir categorias e classes seleccionadas numa oferta mais direccionada, este modelo proporciona maior flexibilidade para alinhar a produção disponível com a procura do mercado, ao mesmo tempo que amplia a participação dos clientes.

Foi encorajador receber comentários positivos dos clientes, tanto em relação ao formato do leilão como à composição da oferta. Embora as condições de mercado continuem desafiantes em alguns segmentos do mercado das pedras preciosas de cor, a participação dos clientes foi robusta e as licitações demonstraram que continua a existir procura nas diversas categorias disponibilizadas.

Gostaria de agradecer à equipa da MRM, em Moçambique, pelo extraordinário empenho na preparação e realização deste leilão, apesar dos inúmeros desafios que enfrenta. Esperamos agora consolidar estes resultados, numa altura em que se iniciam os preparativos para o próximo leilão de rubis de qualidade mista da MRM, actualmente previsto para Outubro de 2026.”

As pedras preciosas foram extraídas em Moçambique pela Montepuez Ruby Mining Limitada (MRM), empresa detida em 75% pela Gemfields e em 25% pela Mwiriti Limitada. A totalidade das receitas obtidas neste leilão será repatriada para a MRM, em Moçambique, sendo igualmente pagas ao Governo da República de Moçambique todas as royalties devidas, calculadas sobre o valor integral das vendas alcançadas no leilão.

Os lotes foram disponibilizados em Banguecoque, na Tailândia, para sessões privadas de observação presencial pelos clientes. Concluídas estas visualizações, o leilão decorreu através de uma plataforma electrónica desenvolvida especificamente para a Gemfields, permitindo a participação de compradores provenientes de várias jurisdições, através de um processo de licitação em envelope fechado (sealed bid).

Actualização da MRM

Conforme referido no comunicado de 22 de Maio de 2026, a Montepuez Ruby Mining Limitada (MRM) registou uma produção de rubis inferior ao esperado, devido sobretudo ao declínio dos teores de recuperação. Os rubis de qualidade premium representam, normalmente, mais de 70% das receitas da MRM, embora correspondam a menos de 5% do peso total dos rubis produzidos e comercializados.

No exercício findo em 31 de Dezembro de 2025, o teor médio de rubis premium recuperados na MRM foi de 0,06 quilates por tonelada. Nos cinco meses terminados em 31 de Maio de 2026, esse indicador reduziu-se para 0,03 quilates por tonelada.

No domínio de Mugloto, responsável pela maior parte das receitas da MRM e que representa 78% do minério processado até à data, o teor de rubis premium foi de 0,03 quilates por tonelada no ano findo em 31 de Dezembro de 2025. Nos cinco meses terminados em 31 de Maio de 2026, este indicador diminuiu para 0,02 quilates por tonelada.

Além da redução dos teores, a MRM não conseguiu explorar e processar as zonas mais favoráveis da concessão devido às fortes chuvas registadas durante o primeiro trimestre de 2026 e aos problemas verificados durante a fase de comissionamento da Segunda Unidade de Processamento da MRM (PP2), descritos mais adiante. Como consequência, prevê-se um impacto materialmente negativo nas reservas de rubis disponíveis para os leilões da MRM durante, pelo menos, o restante ano de 2026.

No plano operacional, a empresa está a realizar campanhas adicionais de amostragem em massa direccionada em áreas consideradas promissoras para minério de maior teor, com o objectivo de melhorar os níveis de recuperação. Paralelamente, a Gemfields e a MRM mantêm diversas medidas de gestão e controlo de custos implementadas desde o final de 2024.

A empresa divulgará uma nova actualização sobre a produção de rubis e os teores de recuperação no relatório operacional relativo aos seis meses findos em 30 de Junho de 2026, cuja publicação está prevista até 31 de Julho de 2026.

PP2 – Segunda Unidade de Processamento

A PP2 encontra-se em funcionamento desde Setembro de 2025, embora a conclusão definitiva do seu processo de comissionamento, ao abrigo do contrato de construção a preço fixo, esteja actualmente prevista para o terceiro trimestre de 2026. Apesar de a unidade já ter demonstrado capacidade para atingir e até ultrapassar a capacidade de processamento prevista no projecto, o processo de entrada definitiva em operação continua dependente da conclusão de diversas actividades de estabilização, correcção e optimização.

Entre os principais problemas identificados destacam-se o desgaste superior ao previsto de alguns componentes (incluindo os revestimentos do lavador primário), defeitos de fabrico no lavador secundário atribuídos ao fabricante do equipamento original (OEM), situação que exige a reconstrução integral deste equipamento e a entrega de uma unidade de substituição, cuja chegada ao local está prevista para Agosto de 2026.

Foram igualmente registados entupimentos em diversos componentes do circuito de processamento, obrigando, entre outras intervenções, à alteração da orientação e do revestimento das calhas e alimentadores, bem como ao reforço da disponibilidade de peças sobressalentes críticas.

Estes constrangimentos tiveram um impacto significativo na disponibilidade operacional da unidade e na consistência do seu desempenho, estando, contudo, a ser activamente resolvidos no âmbito do processo final de comissionamento e estabilização da instalação.

Situação de Segurança da MRM

A partir de 30 de Abril de 2026, diversas aldeias situadas entre 15 e 35 quilómetros da MRM foram alvo de ataques atribuídos a grupos insurgentes. Os ataques provocaram o incêndio de igrejas e habitações e apresentaram características semelhantes às acções registadas noutras zonas da província de Cabo Delgado. Foram igualmente reportados confrontos entre as forças locais e os atacantes na aldeia de Mesa, localizada a 29 quilómetros a leste da aldeia da MRM.

Como medida de precaução, a MRM suspendeu temporariamente as suas operações durante cerca de 20 horas, retomando a actividade em 1 de Maio de 2026. Posteriormente, em 13 de Maio de 2026, a aldeia de Naniviji, situada a cerca de 25 quilómetros a sudeste da MRM, foi igualmente atacada, tendo várias habitações sido incendiadas.

Também em 13 de Maio de 2026, as autoridades governamentais anunciaram a detenção de vários indivíduos classificados como “falsos terroristas” no distrito de Ancuabe. Segundo as informações disponíveis, estes indivíduos terão explorado o clima de insegurança existente, simulando a presença de grupos insurgentes para provocar a fuga das populações, saqueando posteriormente os seus bens e incendiando as respectivas residências.

Para além da ameaça representada por grupos insurgentes organizados, a empresa destaca igualmente riscos decorrentes da criminalidade local, da actuação de redes ilegais de exploração de rubis e de outros factores de instabilidade regional, incluindo dificuldades na aplicação efectiva do Estado de Direito.

Desde então, as condições de segurança registaram uma melhoria moderada e as operações regressaram a um nível de normalidade relativa, embora a evolução da situação continue a ser acompanhada de forma permanente.

A MRM continua, contudo, a enfrentar elevados níveis de intrusão de garimpeiros ilegais, estimando-se que cerca de 700 pessoas entrem diariamente na área da concessão. Estas incursões representam um risco significativo para a segurança dos trabalhadores, prestadores de serviços e comunidades vizinhas, além de contribuírem para a degradação dos recursos de rubis e para a redução dos teores de recuperação da mina.

IVA

A Montepuez Ruby Mining Limitada (MRM) tem por receber 28,3 milhões de dólares norte-americanos em reembolsos do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), valor contabilizado até 30 de Junho de 2026. Este montante, conjugado com o aumento da carga fiscal resultante da nova legislação do IVA, teve um impacto materialmente negativo sobre o fluxo de caixa da empresa.

A MRM tem mantido um diálogo contínuo com as autoridades competentes para obter o reembolso do IVA. No entanto, a empresa não recebe qualquer reembolso desde Outubro de 2024, estando actualmente a avaliar todas as opções disponíveis para acelerar a recuperação dos créditos acumulados.

Moçambique introduziu uma nova legislação do IVA em 1 de Janeiro de 2026, que, entre outros aspectos, aumentou significativamente a carga fiscal suportada pela MRM. Em contrapartida, foi igualmente criado um regime especial para empresas do sector extractivo que cumpram determinados requisitos.

A MRM enquadra-se neste regime especial, concebido para garantir que as empresas elegíveis da indústria extractiva recebam os respectivos reembolsos de IVA de forma previsível e de acordo com um calendário previamente definido.

O primeiro reembolso devido à MRM ao abrigo das novas regras corresponde ao crédito de IVA referente a Janeiro de 2026, no valor de 370 mil dólares norte-americanos, cujo pagamento deverá ocorrer em 7 de Agosto de 2026.

A empresa sublinha que um sistema fiável e atempado de reembolso do IVA suportado nas suas aquisições constitui um factor de importância crítica para a sustentabilidade do seu fluxo de caixa e para a continuidade das operações.

Perspectivas de curto prazo e monitorização

A Gemfields considera que a conjugação de vários factores, nomeadamente a redução dos teores de rubis recuperados, os desafios associados ao comissionamento da Segunda Unidade de Processamento (PP2), as perturbações provocadas pela situação de segurança, a intensificação da mineração ilegal e os atrasos no reembolso do IVA, deverá afectar negativamente a produção, a composição qualitativa dos rubis produzidos e a posição de tesouraria da MRM.

Perante este cenário, a Gemfields e a MRM afirmam que continuam a acompanhar de perto a evolução da situação, mantendo um diálogo permanente com as autoridades governamentais e implementando planos de contingência destinados a mitigar os riscos operacionais e financeiros.

Sobre a Gemfields Group Limited

A Gemfields é uma das principais empresas mundiais dedicadas à exploração e comercialização de pedras preciosas de cor, encontrando-se cotada simultaneamente na Bolsa de Valores de Joanesburgo (JSE) e no mercado AIM da Bolsa de Londres.

A empresa é operadora e detém 75% do capital da Kagem Mining, na Zâmbia — considerada uma das mais importantes minas de esmeraldas do mundo — e da Montepuez Ruby Mining (MRM), em Moçambique, localizada num dos mais significativos depósitos de rubis descobertos nas últimas décadas.

Além destas operações, a Gemfields possui participações maioritárias em diversas outras licenças de exploração mineira e prospecção de pedras preciosas na Zâmbia, Moçambique e Madagáscar.

A empresa desenvolveu igualmente um sistema próprio de classificação de pedras preciosas e uma plataforma pioneira de leilões, concebidos para assegurar um fornecimento consistente de gemas de cor aos mercados internacionais. Este modelo de negócio tem desempenhado um papel determinante no crescimento e desenvolvimento do sector global das pedras preciosas de cor.

Fonte: Gemfields

MSC lança Afungi Shuttle para reforçar a logística do projecto de GNL

Moçambique beneficia de novo serviço marítimo da MSC para apoiar projecto de GNL em Afungi

Moçambique passará a beneficiar do Afungi Shuttle, um novo serviço marítimo lançado pela Mediterranean Shipping Company (MSC), um dos maiores grupos mundiais de transporte marítimo de contentores e logística. A nova ligação foi criada para apoiar o desenvolvimento do projecto de Gás Natural Liquefeito (GNL) em Afungi, na província de Cabo Delgado, através de ligações costeiras (feeder services) a partir dos portos de Nacala e de Maputo.

O novo serviço liga Afungi à rede marítima internacional da MSC, reforçando o fluxo de cargas destinadas ao projecto de GNL. A iniciativa visa responder ao crescente dinamismo económico no norte de Moçambique, facilitando o transporte de bens essenciais para o local do empreendimento.

Segundo a empresa, o Afungi Shuttle foi concebido para transportar materiais de construção, maquinaria, equipamentos industriais, peças sobressalentes e outras mercadorias necessárias às operações em Afungi, tornando mais eficiente a cadeia logística de abastecimento do projecto.

Além da ligação costeira, o serviço permite que as cargas cheguem a Afungi através das principais rotas comerciais da MSC, que ligam a Europa, o Mediterrâneo, as Américas, a Ásia, o Médio Oriente e a África Austral. A operação beneficia igualmente da presença consolidada da MSC em Moçambique e da sua extensa rede logística internacional.

A MSC refere que os clientes poderão agora gerir toda a operação de transporte através de uma única reserva (booking) e de um único ponto de contacto comercial durante todo o percurso da carga. Esta solução integrada pretende simplificar a gestão do transporte e melhorar a coordenação das remessas destinadas a Afungi.

Ao integrar o segmento costeiro directamente na reserva da MSC, o serviço foi desenvolvido para facilitar o planeamento das cargas e reduzir a complexidade das operações logísticas em várias etapas. A empresa considera que esta abordagem diminui os encargos administrativos para os clientes que gerem mercadorias ao longo de diferentes fases da cadeia logística na região.

O lançamento do Afungi Shuttle reflecte o contínuo investimento em infra-estruturas e soluções logísticas associadas ao desenvolvimento do projecto de GNL em Moçambique, reforçando a capacidade de transporte de cargas para as operações em Afungi.

Neste contexto, as ligações marítimas através dos portos de Nacala e de Maputo consolidam o papel destas infra-estruturas como principais pontos de entrada de mercadorias destinadas ao projecto. Simultaneamente, o novo serviço contribui para uma maior integração logística entre o sul, o centro e o norte do país.

Em Março, a MSC anunciou a aplicação de uma sobretaxa de risco de guerra (war surcharge) sobre cargas destinadas a vários países africanos e ilhas do Oceano Índico, incluindo Moçambique, na sequência do agravamento da situação de segurança no Médio Oriente, que provocou perturbações no tráfego marítimo nos estreitos de Ormuz e de Bab el-Mandeb.

Fonte: Diário Económico.

ENH e Câmara Africana de Energia reforçam cooperação

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e a Câmara Africana de Energia (African Energy Chamber) reuniram-se recentemente, em Maputo, para reforçar a sua parceria, com enfoque na promoção da segurança energética nacional e regional e no fortalecimento do conteúdo local ao longo da cadeia de valor do gás natural.

O encontro, realizado na sede da ENH, em Maputo, reuniu delegações lideradas pelo Presidente do Conselho de Administração da ENH, Rudêncio Morais, e pelo Presidente Executivo da Câmara Africana de Energia, NJ Ayuk, que se encontrava de visita a Moçambique.

Rudêncio Morais afirmou que a reunião permitiu discutir as melhores formas de promover a visão da ENH e divulgar as oportunidades existentes ao longo da cadeia de valor da indústria de hidrocarbonetos de Moçambique durante as edições da Africa Energy Week, um dos mais reconhecidos eventos regionais e internacionais do sector, organizado anualmente pela Câmara Africana de Energia, na Cidade do Cabo, África do Sul.

“A Câmara Africana de Energia é uma plataforma que deve ser tida em consideração e com a qual podemos trabalhar, em sintonia com a visão da necessidade de explorar os recursos energéticos em benefício dos países africanos”, afirmou Morais.

Por sua vez, o Presidente Executivo da Câmara Africana de Energia destacou que o reforço da parceria ocorre numa fase em que a ENH se prepara para participar em novos projectos de maior dimensão, procurando atrair investidores para o país e consolidar-se como uma empresa petrolífera nacional mais robusta.

“Foi muito inspirador ouvir a visão da ENH de se tornar um operador. É isso que realmente nos motiva, porque permitirá à empresa operar campos de petróleo e gás, empregar moçambicanos e produzir a energia de que Moçambique e a região necessitam”, afirmou NJ Ayuk.

“Queremos que os moçambicanos sejam os primeiros a beneficiar destas oportunidades, para que se tornem verdadeiros agentes de mudança”, acrescentou.

NJ Ayuk revelou ainda que, no âmbito de um fundo que a Câmara Africana de Energia está a criar, a cooperação com a ENH representará uma excelente oportunidade para financiar pequenas empresas moçambicanas interessadas em participar no sector petrolífero, que frequentemente enfrentam constrangimentos no acesso ao financiamento.

Carlos Jerónimo: “Os dados tornaram-se uma infra-estrutura económica”

Profile Mozambique: Qual é hoje o papel da PwC Moçambique dentro da rede global da PwC e que enfoque a firma tem dado aos projectos de transformação empresarial no país?

Carlos Jerónimo: A PwC é uma network global de firmas, organizada em clusters regionais. No nosso caso, integramos a estrutura que agrega PwC Portugal, Moçambique, Angola e Cabo Verde. Em cada geografia contamos com escritórios e equipas dedicadas a apoiar os clientes localmente. Em Moçambique, apesar da presença de longa data, durante muitos anos a operação esteve ligada à PwC África do Sul. Há cerca de dois anos, este quadro mudou e hoje estamos integrados neste cluster de países sob coordenação da PwC Portugal, reforçando a nossa capacidade de actuação no mercado nacional.

Na área que lidero, de transformação de negócio, apoiamos clientes de diversos sectores, energia, financeiro, industrial, serviços públicos, entre outros, em projectos estruturantes de transformação, que vão desde a redefinição de processos até à transformação digital. Com mais de 25 anos de experiência nesta área, posso afirmar que a tecnologia é uma peça central, mas não a única, neste processo.

O nosso modelo de intervenção cobre todo o percurso da transformação empresarial, planeamento estratégico, gestão de programas de transformação e implementação tecnológica. Fazemo-lo através de uma equipa multidisciplinar que integra especialistas em consultoria de gestão, finanças, recursos humanos, experiência do cliente, gestão de programas e tecnologia.

Alguns clientes optam por contar connosco em todas as fases, outros recorrem à PwC apenas em etapas específicas do processo.

É nesta lógica que actuamos, apoiar os clientes a tornarem-se mais ágeis, eficientes, competitivos e, no limite, contribuir para o crescimento da economia nacional.

PM: A PwC tem vindo a expandir a sua oferta formativa em Moçambique com foco em Digital & Analytics, IA, cibersegurança e transformação digital.

– Que papel desempenha essa crescente oferta formativa na democratização do acesso a dados de qualidade? A PwC vê os dados como uma commodity acessível apenas às grandes organizações ou como um recurso possível de ser agregado de forma ética e inclusiva, incluindo PME e sector público?

CJ: Quando falamos em transformação de negócios, há um factor central que se destaca, os dados. O crescimento exponencial do volume de dados, fenómeno global que também se verifica em Moçambique, coloca hoje às empresas o grande desafio de os transformar em informação útil e, mais do que isso, em valor económico. Todos os dias, em diversos sectores, da energia à indústria, das finanças ao consumo, são gerados milhões de dados. A questão é como extrair deles informação relevante para a tomada de decisão e como transformar essa informação em activos de negócio.

O conceito de dados como ‘commodity’ é relativamente recente, mas cada vez mais decisivo. Tal como outros recursos naturais, os dados estão a ser reconhecidos como activos económicos transacionáveis, com potencial para gerar novas fontes de receita e impulsionar a economia. Estudos internacionais estimam que a monetização de dados atinja taxas de crescimento anuais acima de 25% até 2034.

Neste contexto, há três dimensões fundamentais, em primeiro lugar, as empresas precisam definir modelos de negócio que lhes permitam rentabilizar os dados de forma estruturada. Em segundo, é essencial investir na literacia de dados, dotando colaboradores da capacidade de interpretar e utilizar informação de forma estratégica. Em terceiro, é necessário investir em tecnologia que permita não apenas armazenar, mas também analisar, visualizar e aplicar dados em tempo real.

Na PwC temos seguido essa lógica, começando internamente, com forte investimento na formação das nossas equipas em ferramentas de business intelligence, análise avançada e inteligência artificial. Hoje, grande parte do nosso trabalho, tanto dentro da organização como em projectos para clientes, assenta na utilização de dados e de tecnologia de ponta.

Em Moçambique, já estamos a levar esta experiência diretamente aos clientes, integrando a capacitação em projectos de transformação digital. Um exemplo é o sector público, onde apoiamos a implementação de novos sistemas de ERP ligados à energia. Mais do que substituir tecnologia, trabalhamos em paralelo na formação de quadros, garantindo que os colaboradores não apenas utilizam as novas ferramentas, mas também conseguem extrair delas informação relevante para decisões mais rápidas e eficazes.

PM: A PwC Moçambique presta apoio estratégico às funções financeiras e fiscais, ajudando a transformar dados em activos que permitem uma contabilidade e fiscalidade mais transparente e em tempo real.

– Num ambiente onde os dados contábeis são cada vez mais exigidos em tempo real e com maior transparência, como vê a PwC o papel dos dados como commodity estratégica para a integridade institucional? E que desafios tecnológicos ou regulatórios persistem nesse campo?

CJ: Na PwC Moçambique, entendemos que o desenvolvimento positivo que se verifica em Moçambique na adopção de legislação e normas contabilísticas e fiscais cada vez mais exigentes tem vindo a alinhar-se com padrões internacionais, comparáveis aos de países economicamente mais avançados. Observamos uma acção visível por parte do Governo e das autoridades competentes para garantir que o mercado cresça de forma sustentada, com regras claras, verificáveis e dentro de um âmbito de concorrência justa e regulada.

Reconhecemos que este contexto representa desafios significativos para as empresas, que precisam adaptar rapidamente os seus processos internos para cumprir eficazmente essas obrigações legais e fiscais. Na PwC, apoiamos as empresas neste percurso através de várias especialidades que harmonizamos dentro dos projectos que construímos.

Na vertente fiscal, contamos com uma tradição consolidada e liderança de mercado, garantindo que as obrigações legais e fiscais das empresas sejam cumpridas, contemplando aspetos financeiros e de recursos humanos. Paralelamente, a nossa área de auditoria assegura a revisão rigorosa destes processos. Ademais, na consultoria, ajudamos as empresas a criar estruturas e processos internos que facilitem a conformidade com estas regras fundamentais.

Destacamos ainda a importância da tecnologia na optimização destes processos. O que as empresas procuram cada vez mais é agilizar a gestão de informação e dados de forma íntegra, rastreável e centralizada. Assim, garantimos que os dados possam ser auditados e reconhecidos de forma confiável.

Por fim, enfatizamos a transformação dos dados de negócio em informação estratégica para a tomada de decisão. Para além de responder às obrigações legais, ajudamos as empresas a utilizar esta informação para definir estratégias de crescimento, decidir sobre financiamento, avaliar novos mercados e estruturar campanhas de marketing. Plataformas tecnológicas, como sistemas ERP, e modelos avançados de análise preditiva e inteligência artificial são essenciais para que os gestores possam projectar cenários e tomar decisões mais assertivas.

PM: Vai integrar o painel que abordará o tema “Monetização de dados e modelos de negócio”, na 7ª edição das Conferências Índico. Que contributos espera trazer para as empresas moçambicanas, para o sector público e, de forma abrangente, para toda a comunidade que irá acompanhar esta sessão?

Para nós, trata-se de um debate de enorme actualidade, sobretudo no contexto moçambicano, onde a gestão estratégica de dados pode ser um verdadeiro catalisador de eficiência e crescimento económico.

Acreditamos que a transformação digital deve assentar em três dimensões centrais. Em primeiro lugar, na capacidade de transformar dados em valor útil. Já não enfrentamos a escassez de informação, mas sim o excesso dela, por isso, torna-se essencial estruturar e organizar os dados de forma a gerar conhecimento com impacto real. Em segundo lugar, entendemos que a utilização dos dados deve tornar as organizações mais ágeis, competitivas e orientadas para resultados.

É fundamental irmos além do mero cumprimento de requisitos de reporte ou auditoria, usando os dados para reduzir custos, melhorar a experiência do cliente e criar novos modelos de negócio. Em terceiro lugar, defendemos que os dados são também uma alavanca para a inovação, permitindo desenvolver produtos, serviços e modelos de monetização já validados noutros mercados e que podem ser adaptados à nossa realidade.

Reconhecemos, contudo, que esta transformação exige três condições fundamentais, maior consciencialização executiva, definição de modelos de negócio sustentáveis baseados em dados e actualização dos quadros regulatórios, para assegurar confiança, rastreabilidade e transparência.

Acrescentamos ainda que tecnologias como computação em nuvem, inteligência artificial, blockchain e internet das coisas deixaram de ser opcionais e tornaram-se inevitáveis. Cabe, portanto, a cada organização definir o seu próprio roteiro de maturidade digital.