Os lucros da Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) registaram uma queda de 94,5% em 2025, fixando-se em 20,2 milhões de meticais (274 mil euros), apesar de a seguradora ter aumentado em 42,8% o volume de prémios emitidos, segundo o relatório e contas anual consultado pela agência Lusa.
De acordo com o documento, a EMOSE alcançou um resultado líquido de apenas 20,2 milhões de meticais, muito abaixo dos 368,1 milhões de meticais (5 milhões de euros) registados em 2024. A administração atribui este desempenho ao fraco resultado técnico da actividade seguradora e à acentuada redução das receitas provenientes dos investimentos financeiros.
Na mensagem que acompanha o relatório, o presidente do Conselho de Administração, Janfar Abdulai, afirma que, apesar dos resultados, a empresa demonstrou uma «notável capacidade de adaptação e resiliência», mantendo o foco na eficiência operacional e na gestão rigorosa dos riscos, num exercício marcado por um «contexto económico extremamente complexo em Moçambique».
Segundo o gestor, o mercado segurador moçambicano cresceu cerca de 4% em 2025, impulsionado pela transformação digital e pela adaptação aos novos riscos climáticos e económicos, mantendo, ao mesmo tempo, capacidade de resposta perante os desafios associados às reformas legislativas, à entrada de novos operadores, às fusões empresariais e à volatilidade dos mercados financeiros.
Os prémios brutos emitidos pela EMOSE aumentaram de 2,42 mil milhões de meticais (32,8 milhões de euros) para 3,456 mil milhões de meticais (46,8 milhões de euros), traduzindo um crescimento anual de 42,8%.
O Conselho de Administração considera que este desempenho reflecte os efeitos positivos das medidas adoptadas nos últimos anos para reforçar a sustentabilidade financeira e operacional da empresa, salientando que a seguradora registou uma recuperação positiva da actividade comercial.
Contudo, este crescimento não se traduziu numa melhoria da rentabilidade. O resultado técnico passou de um saldo positivo de 114,5 milhões de meticais (1,6 milhões de euros), em 2024, para um défice de 67,8 milhões de meticais (918 mil euros) em 2025.
Segundo a empresa, esta deterioração explica-se pelo aumento das provisões técnicas, que cresceram 22%, atingindo 6,7 mil milhões de meticais (90,9 milhões de euros).
Paralelamente, os custos com sinistros aumentaram 55,3%, passando de 800,7 milhões de meticais (10,8 milhões de euros) para 1,243 mil milhões de meticais (16,8 milhões de euros).
Outro factor determinante para a redução dos lucros foi a quebra das receitas financeiras, que diminuíram 54,2%, de 618,8 milhões de meticais (8,4 milhões de euros) para 283,2 milhões de meticais (3,8 milhões de euros).
A empresa recebeu ainda 272,1 milhões de meticais (3,7 milhões de euros) em dividendos, montante que caiu para 20,9 milhões de meticais (283 mil euros), representando uma redução de 92,3%, uma das mais expressivas registadas no exercício.
Apesar da forte redução dos resultados líquidos, a EMOSE reforçou a sua posição no mercado segurador nacional, aumentando a sua quota de mercado de 10% para 13%.
O relatório refere ainda que a seguradora, que emprega 327 trabalhadores, ocupa actualmente o terceiro lugar entre as companhias de seguros que operam em Moçambique, subindo uma posição em relação a 2024.
A administração sustenta igualmente que a solidez financeira da EMOSE permaneceu robusta ao longo do exercício, assegurando que a empresa mantém uma posição satisfatória em termos de garantias financeiras disponíveis.
O activo total da seguradora cresceu 17%, alcançando 22,058 mil milhões de meticais (298,8 milhões de euros).
A EMOSE dispõe de um capital social de 295 milhões de meticais (4 milhões de euros) e continua sob controlo do Estado moçambicano, através de participações directas e indirectas.
A estrutura accionista é composta pelo Estado, com 39% do capital, pelo Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), com 31%, pela GETCOOP, com 20%, e por outros accionistas, que detêm os restantes 10%.
Fundada em 1977, a EMOSE opera nos ramos de seguros de vida, seguros não vida e resseguros, sendo a única seguradora do país em que o Estado moçambicano detém uma participação accionista directa.
Fonte: Lusa.



